Passados 120 dias, cidadãos avaliam a gestão do IX Governo

Sede do Governo, em Díli/Foto: Diligente

A subida do preço do arroz e as falhas durante as eleições dos chefes de suco são alguns dos erros apontados, enquanto que a solução provisória para o problema da emissão de passaportes é elogiada.

O IX Governo Constitucional de Timor-Leste tomou posse a 1 de julho deste ano, liderado pelo primeiro-ministro Xanana Gusmão, figura histórica do país e principal nome do CNRT – o partido que, apoiado pelo PD, obteve a maioria no Parlamento Nacional.

Nos primeiros quatro meses de gestão, o IX Governo prometeu “estabelecer as bases para um programa transformador, comprometendo-se a corrigir irregularidades e a implementar reformas estruturais necessárias para um desenvolvimento nacional sustentável.”

Para saber o que a população pensa sobre os primeiros 120 dias de governação, o Diligente saiu à rua para saber a opinião dos cidadãos.

“O Ministério da Administração Estatal não foi capaz de organizar as eleições de chefes de suco”

José Lino Guterres, estudante de Direito da Universidade de Díli/Foto: DR

“O primeiro-ministro, na tomada de posse, disse que o Governo iria apresentar progressos no prazo de 120 dias. Para tal, identificou programas prioritários: a reafirmação do estado de direito democrático, o desenvolvimento do capital social, das infraestruturas, da economia, a consolidação governativa e o combate à corrupção.

Observo que durante estes quatro meses não houve mudanças positivas, o Governo atual tem muita retórica, mas na prática não fez nada. Gasta muito dinheiro do orçamento do Estado, mas não há desenvolvimento. A má administração continua a existir nos serviços públicos e é urgente erradicar as contratações por influência de familiares na administração pública.

O Governo compromete-se a normalizar o preço do arroz, mas não o faz. Compromete-se a penalizar os corruptores, mas os casos de corrupção continuam a acontecer.

Considero que o Ministério da Administração Estatal não foi capaz de organizar as eleições de chefes de suco.

Espero que no futuro, o Governo desenvolva a agricultura, o turismo e a educação, de modo a garantir campo de trabalho aos cidadãos. É necessário também melhorar as estradas, assegurar água, saneamento e eletricidade. Penso que estes são os problemas mais urgentes.”

“ É preciso resolver urgentemente a questão da alimentação, não podemos continuar a depender das importações Timor-Leste tem terreno fértil para desenvolver a agricultura, mas o Governo não investe”

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Imaculada Gouveia Leite, membro do Centro Ba Haburas Direitos Humanos em Timor-Leste/Foto: Diligente

“O governo falhou na implementação de todas as promessas que fez para os primeiros 120 dias. Li na página do Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Sr. Ágio Pereira, que ia resolver o mais rapidamente possível a questão da subida do preço do arroz, mas já se passaram quatro meses e nada foi resolvido.

O Governo queria normalizar o preço de arroz através da criação de um subsídio de cinco dólares para as empresas importadoras, mas o preço mantém-se, o que significa que criaram uma política que apenas beneficia as empresas e não resolve os problemas do povo. Isto é muito injusto.

O Parlamento Nacional aprovou recentemente um projeto para atribuir um subsídio de transporte aos deputados, lei que será posta em prática no próximo ano. Esta resolução define que cada deputado vai receber 1200 dólares por mês. Esta quantia multiplicada por cinco anos e por 65 deputados, quanto é que o Governo vai gastar com este apoio? Os deputados vão explorar o dinheiro do povo! Estão a legalizar a corrupção.

Portanto, não sinto mudanças com este Governo. É preciso resolver urgentemente a questão da alimentação, não podemos continuar a depender das importações. Timor-Leste tem terreno fértil para desenvolver a agricultura, mas o Governo não investe. Se tivéssemos produção em grande quantidade, os cidadãos iriam usufruir dos benefícios e o Governo também.”

“Os medicamentos continuam esgotados, o problema dos professores contratados que o Governo quer recrutar de novo, não sabemos como está”

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Inocêncio de Jesus Xavier, pesquisador da Asia Justice and Rigth (AJAR)/Foto: Diligente

“Até este momento, não há resultados positivos. A subida do preço do arroz mantém-se. O governo interveio através da atribuição de um subsídio aos importadores de arroz, mas não conseguiu resolver o problema.

Continuamos sem saber em que consiste a reforma judiciária. O problema da Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC) ainda não foi resolvido, a nomeação do presidente da Comissão Anticorrupção (CAC) ainda está pendente. Os medicamentos continuam esgotados, o problema dos professores contratados que o Governo quer recrutar de novo, não sabemos como está.

Por tudo isto, considero que o Governo não conseguiu responder às preocupações da população”.

“Alguns programas já foram implementados e tiveram um resultado positivo, sobretudo o problema do passaporte”

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Noé de Araújo, estudante de Inclusão Comunitária Social da UNTL, 21 anos/ Foto: Diligente

“No âmbito da tomada de posse, ouvi dizer que dentro de 120 dias, o Governo queria combater a fome, pobreza e reduzir o preço dos produtos. Porém, na realidade, observo que no período muita coisa não foi cumprida. Isto podemos observar através do aspeto económico, o Governo baixou a taxa de imposto de 5% para 2%, mas, na realidade, a população nas áreas rurais continua a passar fome.

No entanto, alguns programas já foram implementados e tiveram um resultado positivo, sobretudo o problema do passaporte. O Governo conseguiu disponibilizar alguns meios para ajudar as pessoas que necessitam muito do documento.

Sugiro que os governantes não prometam aquilo que não podem cumprir.”

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Ver os comentários para o artigo

  1. 120 dias aos olhos do Ze Povinho da Nasaun!

    E com bastante consternacao
    Que este povo foliao
    Viu partir do fundo do petroleo mais “barao”
    O subsidio do arroz, “sassoro da alimentacao”
    Suroboik, ba dalan rua, mai dalan rua, opiniao
    O subsidio do arroz, “sassoro da alimentacao”
    Ampatkali, arroz sem molho? Nao!

    Ze do Barrete
    Poeta e escritor de TL

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