Governo anuncia vacinação gratuita contra o Vírus do Papiloma Humano a meninas de 9 a 11 anos a partir de 22 de julho

Será a primeira vez que o imunizante contra a doença será disponibilizado à rede pública de saúde em Timor-Leste. Estimativa é de vacinar 50 mil cidadãs da faixa etária até ao fim deste ano.

Será a primeira vez que o imunizante contra a doença será disponibilizado à rede pública de saúde em Timor-Leste. Estimativa é de vacinar 50 mil cidadãs da faixa etária até ao fim deste ano.

O Ministério da Saúde vai disponibilizar a vacina gratuita contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV, em inglês) à rede pública de saúde em Timor-Leste, pela primeira vez, a partir do dia 22 de julho, data em que se assinala o Dia Nacional da Saúde. Inicialmente, meninas de 9 a 11 anos serão o público-alvo. Até ao fim de 2024, o Governo pretende imunizar, no mínimo, 50 mil crianças do sexo feminino da referida faixa etária.

No dia 22 de julho, contudo, no lançamento da campanha no centro de saúde de Ermera Vila, será feita uma exceção e a vacinação contemplará cidadãs até 14 anos de idade.

Em conferência de imprensa, realizada no salão da sede da UNICEF em Timor-Leste, esta segunda-feira (3 de junho), a diretora nacional de Educação e Promoção da Saúde do Ministério da Saúde, Emília de Jesus Alves Mendonça, informou que o processo de vacinação terá lugar nas escolas, postos de saúde e de vacinação estabelecidos em todo o país.

“Os pais devem colaborar, autorizando que as filhas sejam imunizadas”, acrescentou a diretora. Segundo a autoridade, a vacinação não foi iniciada antes “devido à escassez de recursos humanos e infraestruturas”.

Até ao momento, a vacina do HPV só está disponível na rede privada de saúde e custa 480 dólares (três doses), mais o valor da consulta médica.

O HPV, que causa ferimentos em partes do corpo e não tem cura, é transmitido, principalmente, através do ato sexual sem proteção. Entre as mulheres, a doença é a principal causadora do cancro de colo do útero – que matou 39 cidadãs no país em 2020 (dados mais atuais), segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em Timor-Leste, é o segundo tipo de cancro mais fatal entre as mulheres, a seguir ao cancro de mama.

De acordo com o médico da equipa de vacinação, Estevão Mariz, a vacina é segura. “A vacina é o resultado de um ensaio clínico rigoroso. O imunizante já foi usado em todo o mundo e foram administradas cerca de 500 milhões de doses. As jovens vão receber apenas uma dose da vacina, que previne em 90% a doença oncológica causada pelo HPV. Trata-se de uma vacina intramuscular, devendo ser administrados 0,5 ml do produto no braço esquerdo”, explicou.

Quanto ao motivo de apenas mulheres com idades compreendidas entre os 9 e 11 anos serem imunizadas, o médico explicou que, nesta fase, o foco será nas pessoas que “supostamente ainda não têm uma vida sexual ativa, porque garantidamente não têm o vírus”, realçou.

As pessoas com deficiência e os imunodeprimidos também receberão a vacina, uma vez que têm o sistema imunológico enfraquecido, o que reduz a capacidade do corpo de combater infeções e outras doenças.

Prevenção

A obstetra do Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), Águeda Li da Cruz, explicou que a prevenção do cancro do colo do útero consiste, sobretudo, na vacinação contra o HPV – que pode ser realizada a partir dos nove anos. A médica ainda recomendou evitar fatores de risco (tabagismo e não tratamento de corrimento vaginal anormal) e realizar exames regulares, especialmente a partir dos 30 anos.

“Cerca de 90% das pelo menos 342 mil mortes ocorrem em países de baixo e médio rendimento. Os sintomas do cancro do colo do útero são o corrimento vaginal anormal, dor pélvica e dor durante o ato sexual, hemorragia anormal durante a menstruação, relação sexual ou depois da menopausa”, disse Águeda Li da Cruz.

A médica salientou que o vírus HPV pode levar até duas décadas, depois da sua infeção, para se desenvolver e apresentar sintomas – que incluem pequenas protuberâncias ou crescimentos semelhantes a verrugas na área genital, ou na região da virilha. Por isso, a profissional recomenda a realização de exames. “A deteção precoce pode salvar vidas”, enfatizou Águeda Li da Cruz.

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