Falhas técnicas causam desordem na eleição dos chefes de suco

Votantes trancados do lado de fora do centro de votação de Fatuhada/Foto: Diligente

Boletins sem fotografia e sem o nome dos candidatos, lista de eleitores em branco e começo tardio protelaram o processo de votação e, consequentemente, alguns cidadãos não puderam exercer o seu direito de voto. A Comissão Nacional de Eleições desvaloriza os problemas e ressalta que a Lei foi cumprida.

As eleições de chefes de suco, de aldeia e de delegados, realizadas este sábado (28/10), ficaram marcadas pelas inúmeras queixas de cidadãos relativamente às filas longas e ao atraso para votar devido à falta de lista de eleitores e a boletins de voto sem imagens dos candidatos.

“As pessoas estavam entusiasmadas para eleger os seus novos líderes comunitários, que vão ser os porta-vozes dos cidadãos perante as autoridades centrais, mas, infelizmente, o trabalho dos responsáveis pelo processo não correu como deveria, porque não disponibilizaram a lista de votantes”, lamentou Filinto Guterres, 45 anos, morador no suco Fatuhada, município de Díli, que duvidou que a votação terminasse às 15h daquele dia, como estava previsto.

Filinto Guterres informou ainda que o boletim de voto para chefes de suco incluía os nomes e fotografias dos candidatos, ao contrário dos formulários para chefes de aldeia e de delegados, que não continham as imagens dos proponentes, o que, na sua opinião, dificulta o voto dos cidadãos analfabetos.

Rosa Pinto, 60 anos, doméstica, explicou que não sabe em quem é que votou. “Há três boletins de votos, um para chefes de suco, outro para chefes de aldeia e outro para os delegados. Infelizmente, os boletins para chefes de aldeia e delegados só têm nomes”, disse a residente do suco de Becora, em Díli.

Em Becora, algumas pessoas acabaram por voltar a casa devido à demora e ao calor. Dionísia Peregrina, 24 anos, estudante da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), disse que a eleição das autoridades locais foi muito desorganizada. “Na aldeia de Romit, o atendimento foi muito demorado, porque só estavam quatro pessoas a trabalhar, dois da Comissão Nacional das Eleições (CNE) e outros dois do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE)”.

Contribuiu para a lentidão o facto de a lista de votantes e os boletins de voto só terem sido elaborados no próprio dia da votação. Para além disso, os candidatos a chefes e delegados apresentaram os seus programas às 9h do próprio dia do sufrágio, precisamente no momento em que a votação deveria começar.

Tanto em Fatuhada como em Becora, muitos votantes voltaram a casa e regressaram às urnas horas depois para verificar se a fila já tinha diminuído. Foi o caso de Rosalina Araújo, moradora em Fatuhada. “Vim de manhã cedo, mas a fila era interminável. Decidi regressar ao meio-dia, porque achei que estariam poucos votantes, mas ainda estava muita gente. Fiz isso quatro vezes e na última tentativa, já não pude votar”, contou.

Portões fechados e empurrões

Rosalina Araújo é uma entre os muitos cidadãos que viram o seu direito de voto violado, ficando trancada do lado de fora do portão da sede de suco. “Disseram que, por norma, as urnas fecham às 15h e aqueles que já estavam à espera, poderiam votar, mas os que só chegaram naquele momento não tinham direito a fazê-lo. No entanto, não somos responsáveis pelo atraso. Voltei a casa, porque preciso de me alimentar”, lamentou.

No local, houve desordem entre polícia e cidadãos, porque, segundo Rosalina Araújo, o comandante da Polícia da Esquadra Dom Aleixo, Alexandrino da Costa, empurrou as pessoas que estavam encostadas ao portão, na esperança de poderem entrar. “Não fizemos nada de mal, mas fomos empurrados pelo polícia”, desabafou a cidadã.

Questionado sobre o distúrbio, o comandante Alexandrino da Costa limitou-se a dizer ao Diligente que não foi um incidente grave, “apenas confusão entre as pessoas que não conseguiram votar”.

Perante estes problemas, o atual chefe de suco de Fatuhada, Marcelino Soares, contactou o pessoal do STAE no intuito de permitir que todos os cidadãos votassem, uma vez que a falta da lista de votantes foi da responsabilidade do Secretariado. “Se o STAE não autorizasse que estas pessoas votassem, poderíamos levá-lo a Tribunal pela violação do direito de voto”, frisou.

Já o STAE afirmou que a eleição tem um caráter comunitário e negou que, nas eleições anteriores, tenha havido lista de votantes. “A Lei nº 9/2016, de 8 de junho, não permite que o STAE produza lista de eleitores. O facto de muitas pessoas dos municípios se concentrarem em Díli também prejudicou o processo”, argumentou uma fonte do STAE, que não quis revelar o nome.

O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), José Belo, também recorreu à referida Lei para comentar o episódio. “De acordo com a Lei, só os candidatos a chefes de suco têm uma lista, os outros proponentes apresentam a sua candidatura no dia das eleições. Por isso, não podemos antecipar o número de candidatos”, afirmou.

Relativamente à ausência da lista de eleitores, o presidente da CNE afirmou que se pode dever ao facto de os próprios eleitores não atualizarem os seus dados. “O importante é que levem o cartão de eleitor para poderem votar”.

José Belo reconhece, porém, as falhas, nomeadamente no que se refere à preparação de materiais e comprometeu-se a melhorar o processo no futuro. “Agora, deve haver colaboração entre todos para acelerar a votação. Caso se verifique um empate entre os chefes de aldeia, deve ser solucionado no próprio dia. No caso de o mesmo acontecer com os chefes de suco, serão dados 15 dias para preparar a reeleição”, avançou.

Por fim, cidadãos de Fatuhada impedidos de votar acabaram por o fazer, exceto aqueles que já tinham regressado a casa. Em alguns sucos, já é possível conhecer os vencedores. A contagem dos votos pelas equipas do CNE e STAE deve ficar totalmente finalizada nos próximos dias. A eleição define a escolha de 442 chefes de suco para um mandato de sete anos.

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  1. Um jogo completamente diferente das eleicoes para a assembleia da republica. Aqui nao ha gente da pesada, barracudas, cabecas de cartaz. Veio alguem dos paises de lingua portuguesa ou estrangeiro para ver se as eleicoes corriam normalmente?

  2. Receitas de culinaria de Ze Bibinca, chefe de suco e mestre de cuzinha local

    Saboco vegetariano

    Ingredientes;

    1kg de kotu moruk
    500g de folhas de papaia tenrinhas
    5 barias cortadas as rodelas de meio centimetro
    500g de ruku
    2 molhos de modo metan
    1kg de agriao
    10 dentes de alho picado
    5 cebolas
    3 folhas de bananeira
    1 pau de 2.5m de bamboo

    Abra um buraco grande na terra com meio metro de profundidade e 3 metros de comprimento ponha trances de lenha e acenda o lume ate ficar em brasa.

    Lave os ingredientes com agua das pedras ou as medicinais do Marobo.
    Faca uma incisao num dos lados do bamboo e meta os ingredients enrolados nas folhas de bananeira.
    Ponha tudo em cima das brasas, tape com mais folhas de bananeira, deite terra do suco em cima e espere 2 horas. Se estiver cansado de esperar ou nao aguentar o calor, va para casa, tome um banho e volte fresco. Nao pode haver falhas no cuzinhado. Nada de confusoes ou disturbios.

    Voila, bom apetite!

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