RECICLAGEM

Estudantes universitários “dão nova vida” a resíduos plásticos

Placa do departamento da UNDIL a ser produzida a partir de plástico reciclado/Foto: DR

Quando percorremos as ruas de Díli, encontramos resíduos plásticos espalhados por todas as áreas da capital do país. Em praias como as de Metiaut ou dos Coqueiros, zonas turísticas do país, em jardins e valetas, acumulam-se garrafas de água, de óleo e diferentes tipos de embalagens. Descartado na rua, despejado em lixeiras ou queimado, este lixo coloca em risco a saúde da população e ameaça também a vida marinha, quando arrastado para o mar, principalmente durante a época da chuva.

“A nossa faculdade tem cerca de 250 universitários, se cada um consumir três garrafas de água por dia, recolhemos diariamente mais de cinco sacos de lixo cheios de plástico. Imagine quanto lixo produz a sociedade. Podemos chegar a uma tonelada por semana”, alerta o diretor do Departamento de Engenharia de Técnicas de Indústria da Universidade de Díli (UNDIL), Paulino Gamboa.

Para responder a este problema, os estudantes deste departamento decidiram transformar o lixo plástico em produtos úteis, como pavimento, tijolos ou placas para a faculdade. A iniciativa, que começou na semana passada, pretende diminuir a poluição causada pelo plástico nos lugares públicos e, ao mesmo tempo, contribuir para um meio ambiente mais limpo e saudável.

Paulino Gamboa esclarece que esta atividade está relacionada com os conteúdos curriculares, “sobretudo no que diz respeito à gestão do ambiente de indústria e produção”. A iniciativa surgiu quando os estudantes se reuniram com os docentes para discutir “a melhor forma de colocar em prática o que aprendiam em sala de aula.”

O diretor sublinha que mesmo com recursos simples e limitados, “é importante incentivar esta iniciativa, porque é um exemplo para os estudantes e para a própria sociedade. As ideias e conhecimentos que cultivamos com este projeto podem encorajar os estudantes a criarem os seus próprios negócios no futuro, tendo sempre a preocupação de protegerem o ambiente”.

Gamboa questiona o porquê da falta de investimento do Governo na reciclagem de lixo para uma produção de bens rentáveis, e defende que em vez de “gastar dinheiro na aquisição de contentores do lixo e pagar o transporte do mesmo até Tibar, deveria investir em projetos como este para que possamos adquirir equipamentos, que nos permitam produzir mais e até comercializar os nossos artigos”.

Ervina Assis Belo, estudante do departamento de Engenharia de Técnicas de Indústria da UNDIL, observa que, apesar de o Governo ter tido a iniciativa de diminuir o plástico através da política de zero plástico, “a ação ainda não surtiu efeitos na realidade, uma vez que continuam a verificar-se lacunas na gestão do lixo e não existe uma estratégia nacional. As pessoas continuam a deitar resíduos plásticos para o chão e a usar sacos de plástico, porque não têm noção dos impactos ecológicos, sociais, económicos e para a saúde”.

A jovem realça que quer as garrafas de água usadas, quer cadeiras de plástico estragadas são “lixo valioso que pode e deve ser aproveitado”. Explica também que o processo de transformação destes resíduos, por exemplo numa peça de pavimento não demora muito tempo, “mas é preciso uma grande quantidade deste material”.

Estudantes, jovens e sociedade em geral “têm a obrigação de combater a poluição na cidade de uma forma criativa, como nós estamos a fazer. O Governo precisa de sensibilizar a população para esta questão, de forma a termos uma capital saudável e não darmos uma má imagem do nosso país”, destaca a estudante da UNDIL.

Por sua vez, Agapito de Almeida, estudante do mesmo departamento, lamenta a falta de veículos para transportar o lixo recolhido. “Quando o abastecimento de plástico está quase a esgotar, os estudantes, nos seus tempos livres, recolhem plástico nas lixeiras, nos contentores do lixo, à beira-mar e nas valetas. Os que têm mota usam-na para trazer o material recolhido, os outros têm de vir a pé até à universidade, muitas vezes, de Balide e da praia dos Coqueiros, carregados de lixo”.

O aluno sugere à população que coloque os resíduos plásticos num espaço específico para o efeito e “nos informe para que os possamos ir buscar e dar-lhes uma nova vida”.

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