Eleições parlamentares: “Não se façam promessas apenas para obter votos”

Eleitores timorenses vão votar no dia 21 de maio/Foto:Facebook CNE TL

As eleições parlamentares vão decorrer no dia 21 de maio para a formação do Parlamento Nacional de Timor-Leste, por um mandato de cinco anos. A campanha eleitoral começou oficialmente na quarta-feira, dia 19, com 17 partidos a disputar os assentos parlamentares.

O Diligente saiu à rua para saber as expectativas dos timorenses para estas eleições e para o novo Governo que se irá formar, de acordo com os resultados.

As queixas mais frequentes têm a ver com um sistema de saúde frágil, a precariedade do sistema educativo e a falta de apoio ao setor agrícola.
Todos os entrevistados esperam que, no futuro, se trabalhe e promova o bem de todos e “não se façam promessas apenas para obter votos e depois não se cumpram.”

“Espero que esta campanha eleitoral não seja apenas uma performance”

Rosa Conceição Martins
Rosa Conceição Martins, 26 anos, estudante do departamento de Língua Inglesa da UNTL/Foto: Diligente

“Espero que esta campanha não seja apenas uma performance. O que prometeram ou têm vindo a prometer tem de ser posto em prática, quando forem eleitos. Precisam de melhorar as estradas para que os produtos agrícolas cheguem à cidade.

O que eu tenho notado é que estamos a desvalorizar os nossos produtos agrícolas e gastamos dinheiro para importar até os produtos básicos. Muitos agricultores já se queixaram que os produtos deles não chegam à cidade para serem vendidos, devido às más condições das estradas. Seja quem for que seja eleito, peço humildemente que invista na área da agricultura e crie condições para que o setor se possa desenvolver.”

“Juntam pessoas para falar sobre os interesses do país, mas falam dos interesses de um determinado grupo”

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Júlio Soares, vendedor ambulante/Foto: Diligente

“Promessas e mais promessas, para mim a campanha eleitoral é um projeto. Juntam pessoas para falar sobre os interesses do país, mas falam dos interesses de um determinado grupo. O que o povo precisa é de serviços públicos com qualidade, sobretudo saúde e educação. Infelizmente, como todos sabemos e observamos, isso não acontece, o que revela a evidente falta de consideração pelo povo.

Eu quero uma educação de qualidade para os meus três filhos, por isso estou aqui a vender na rua para, pelo menos, ter dinheiro para lhes comprar os materiais escolares.

Espero que os governantes façam uma boa gestão do Orçamento Geral do Estado. Invistam mais na educação, os meus filhos, os filhos dos timorenses, que são o futuro deste país, precisam. Neste momento, não me interessa quem vai ser eleito. O que me interessa é que seja quem for, governe bem. Não podem apenas fazer promessas para obter votos e depois não as cumprir.”

“É nesta campanha que o povo vai conhecer o programa de cada partido, por isso, temos de estar atentos para escolher os nossos governantes”

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Jeferino Coreia Varela, 55 anos, segurança do jardim público de Motael/ Foto: Diligente

“Como todos nós sabemos, a campanha eleitoral já começou. É nesta campanha que o povo vai conhecer o programa de cada partido, por isso, temos de estar atentos para escolher bem os nossos governantes.

Somos responsáveis por quem iremos votar, digo isto, porque a educação, a saúde e todas as áreas só vão melhorar, quando o povo souber analisar e comparar todos os programas e perceber qual é que vai contribuir efetivamente para o bem-estar de todos nós e para o desenvolvimento do nosso país. Outra coisa que me preocupa é a elevada quantidade de partidos para um país tão pequeno. Qual é a necessidade de termos 17 partidos?”

“Já não é hora de contar histórias, é hora de falar sobre desenvolvimento”

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Domingos Soares Menezes da Silva, 24 anos, estudante da Faculdade de Educação da UNTL e vendedor

“Votar é um dever e um direito cívico. Agora, votar sem conhecer os programas de cada partido é uma irresponsabilidade e significa não ter pensamento crítico. A pergunta que se coloca é: como é que vamos conhecer os programas de cada partido, se mesmo no momento da campanha eleitoral, eles só falam sobre as histórias do passado? Pelo que eu sei, aprendemos História na escola e não na campanha eleitoral.

Estamos fartos de ouvir histórias sobre quem participou na guerra e quem não! Já não é hora de contar histórias, é hora de falar sobre desenvolvimento. Agora é a hora de fazer mudanças e criar programas que garantam o desenvolvimento do país.

A realidade mostra nitidamente que o atual Governo não está a investir na área da educação. As escolas continuam sem condições, quase não há livros nas bibliotecas e os que existem já estão desatualizados, as casas de banho não têm condições mínimas, os laboratórios não têm equipamentos suficientes e adequados, tudo isso dificulta a aprendizagem.

Espero que o povo esteja consciente destas dificuldades, da pobreza, da fome, da falta de investimento na educação e na saúde, situações que revelam que o país está doente.

Um voto pode significar duas coisas: ou nos afundamos mais ou saímos desta miséria toda, depende de quem for eleito, se vai colocar o interesse do país acima do interesse de um determinado grupo ou não. Por isso, ponderem antes de votar.”

“Eu não vou votar. Sem estradas em boas condições, sem votos”

(Motorista, não quis ser identificado)

“As estradas para chegar às áreas rurais são caóticas e pioram na época da chuva. Como é que a educação e a saúde podem chegar até às áreas rurais se os acessos simplesmente não existem ou estão completamente deteriorados? No ano passado, fui contratado para trabalhar como condutor numa agência internacional, cujo principal objetivo é levar os manuais produzidos pelo Ministério da Educação para as escolas nas áreas rurais.

O que acontece é que não conseguimos chegar à maioria das escolas por causa das condições das estradas e acabamos por deixar os manuais no centro de educação de cada município, mas não sabemos se estes livros já chegaram ou não às escolas. Por isso, eu não vou votar. Sem estradas em boas condições, sem votos, este é o meu princípio.”

“Timor-Leste está à beira da decadência económica e não faz sentido perder tempo com as eleições”

(Funcionária pública, não quis ser identificada)

“Sabemos que a Fretilin e o CNRT estão entre os mais votados. Todas as pesquisas apontam para a vitória do CNRT. Portanto, é importante que um deles assuma o poder logo na primeira volta. Digo isso para o bem e para a segurança de todos nós.

Infelizmente, Timor-Leste está à beira da decadência económica e não faz sentido perder tempo com as eleições. É impossível que os outros candidatos com 5% ou 6% ultrapassem os dois partidos que lideram a disputa.”

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