Lenuk-Tasi: os jovens que desafiam a extinção para salvar as tartarugas marinhas em Timor-Leste

O grupo Lenuk-Tasi protege a biodiversidade marinha, especialmente as tartarugas, promove a educação ambiental, apoia políticas de proteção, desenvolve investigação e incentiva o turismo costeiro sustentável/Foto: DR

Nas praias de Timor-Leste, a sobrevivência das tartarugas marinhas enfrenta ameaças cada vez mais graves. A captura ilegal, o consumo de ovos, a poluição, a destruição dos habitats costeiros e as alterações climáticas colocam em risco espécies já consideradas vulneráveis ou em perigo de extinção.

Foi neste contexto que nasceu, em 2022, o Lenuk-Tasi, um grupo criado por estudantes da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) que transformaram um projeto académico numa missão permanente de conservação ambiental. Hoje, os jovens voluntários monitorizam praias, protegem ninhos, incubam ovos, libertam crias no mar e promovem ações de sensibilização junto das comunidades costeiras.

Apesar da falta de recursos, das dificuldades logísticas e da resistência de algumas comunidades, o grupo já conseguiu libertar mais de nove mil crias de tartaruga e sonha expandir os centros de conservação para todo o território nacional.

A propósito do Dia Mundial das Tartarugas, assinalado a 23 de maio, uma data dedicada à sensibilização para a proteção destas espécies marinhas ameaçadas, o Diligente falou com Chelcia Pinto, membro do Lenuk-Tasi, sobre os desafios, conquistas e sonhos de quem está na linha da frente da conservação das tartarugas marinhas em Timor-Leste.

“Algumas espécies, como a tartaruga-de-pente, têm sido especialmente ameaçadas devido ao uso da carapaça para artesanato”

Como nasceu o Lenuk-Tasi e qual foi a principal motivação para a criação do grupo?

O grupo Lenuk-Tasi foi criado por estudantes da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), do Departamento de Pescas e Ciências Marinhas, no âmbito da realização das suas monografias. Um dos colegas, Jino Braz, atualmente diretor do Lenuk-Tasi, decidiu desenvolver a sua investigação sobre tartarugas marinhas na zona de Ulmera.

Após a conclusão do trabalho, o grupo percebeu que o projeto poderia continuar e trazer benefícios para a comunidade e para o mar. Jino convidou outros colegas para darem continuidade à iniciativa. Atualmente, o Lenuk-Tasi funciona como grupo, mas pretende transformar-se oficialmente numa associação.

Com o tempo, o trabalho deixou de se focar apenas nas tartarugas marinhas e passou a abranger a proteção ambiental e da biodiversidade marinha em geral, embora a conservação das tartarugas continue a ser a prioridade.

No dia a dia, o Lenuk-Tasi realiza atividades de recolha e proteção de ovos encontrados nas praias, em colaboração com pescadores das zonas de Loes e Batugadé. O grupo possui uma secção específica chamada “Gangger Protection”, responsável pela recolha e proteção dos ninhos.

O Lenuk-Tasi foi criado com o objetivo de proteger as tartarugas marinhas, consideradas fundamentais para a biodiversidade marinha de Timor-Leste. Apesar da grande riqueza marítima do país, ainda existe a prática de captura e abate de tartarugas. Algumas espécies, como a tartaruga-de-pente (Hawksbill), têm sido especialmente ameaçadas devido ao uso da sua carapaça para a produção de acessórios e artesanato.

Segundo a investigação do grupo, anteriormente a população de Hawksbill representava apenas cerca de 1% das tartarugas existentes no mar de Timor, devido à caça para consumo e utilização da carapaça. Graças ao trabalho de conservação, esta espécie aumentou para cerca de 7%, o que o grupo considera um resultado positivo.

No Lenuk-Tasi promovemos a recuperação e a conservação das tartarugas marinhas e da biodiversidade marinha.

As nossas ações incluem educação ambiental para sensibilizar a população, defesa do fortalecimento das políticas de proteção ambiental, desenvolvimento de centros de estudo e investigação e promoção do turismo costeiro sustentável.

A principal motivação do Lenuk-Tasi é impedir o desaparecimento das tartarugas marinhas em Timor-Leste, garantindo a proteção do habitat e o aumento das populações destas espécies.

“Conseguimos libertar com sucesso cerca de 9.250 crias de tartaruga no mar”

Que resultados concretos o Lenuk-Tasi já conseguiu alcançar na proteção das tartarugas marinhas? Existem dados ou observações que indiquem se a população está a aumentar ou a diminuir?

Desde 2022, o Lenuk-Tasi realiza patrulhas diurnas e noturnas para proteger as tartarugas marinhas em Timor-Leste. Durante este período, o grupo identificou três espécies principais: Olive Ridley (Lepidochelys olivacea), Green Sea Turtle (Chelonia mydas) e Hawksbill (Eretmochelys imbricata), todas consideradas em elevado risco de extinção.

Como resultado deste trabalho, conseguimos libertar com sucesso cerca de 9.250 crias no mar. Deste total, 5.250 são Olive Ridley, 3.910 Hawksbill e 90 Green Turtle. Acreditamos que este número irá aumentar no futuro, porque continuamos a realizar ações de conservação e a proteger os habitats.

As tartarugas podem pôr até 300 ovos, mas apenas cerca de 1% das crias sobrevive na natureza. Por isso, o trabalho de conservação é essencial. Os ovos são muito frágeis e exigem grande cuidado durante a recolha e o transporte para o centro de incubação.

No centro de conservação, localizado em Liquiçá, os ovos são incubados em condições semelhantes às do ambiente natural. O período de incubação varia entre 45 e 70 dias. No entanto, nem todos os ovos se desenvolvem com sucesso: alguns não chegam a completar o desenvolvimento, outros morrem ainda dentro da casca e alguns filhotes não sobrevivem após o nascimento.

Depois de nascerem, as crias permanecem cerca de duas semanas no centro antes de serem libertadas no mar. Esta medida ajuda a aumentar as hipóteses de sobrevivência, uma vez que são muito vulneráveis a predadores como aves e peixes. Por isso, a libertação é feita ao entardecer ou à noite, para reduzir o risco de ataque.

Mesmo assim, a taxa de sobrevivência no oceano continua a ser muito baixa, cerca de 1%. Ainda assim, o trabalho do Lenuk-Tasi já contribuiu para o aumento da população de Hawksbill, que passou para cerca de 7%.

O grupo trabalha em colaboração com pescadores de Loes e Batugadé e observa diferentes distribuições das espécies: em Díli predominam as Olive Ridley, em Loes as Hawksbill e em Batugadé aparecem algumas Green Sea Turtles, que são raras.

Em Timor-Leste, foram identificadas três das sete espécies de tartarugas marinhas existentes no mundo. Há também relatos da presença da tartaruga-de-couro (Leatherback) em Viqueque e Lospalos, mas ainda não existem estudos suficientes para confirmação oficial.

No futuro, o Lenuk-Tasi pretende expandir os seus centros de conservação para outras zonas costeiras do país, reforçando a proteção e o estudo das espécies.

“Mesmo dentro de Díli ainda existem comunidades que não sabem que as tartarugas marinhas são espécies protegidas”

Ainda existem comunidades que consomem ovos de tartaruga ou capturam espécies protegidas. Como é que as comunidades reagem quando o Lenuk-Tasi intervém para proteger ninhos ou impedir a captura?

Vou dar um exemplo recente. Encontrámos ovos de tartaruga na Praia dos Coqueiros, em Díli. Alguns jovens que estavam a descansar junto ao mar encontraram os ovos e um colega telefonou à nossa equipa. Assim que recebemos a informação, deslocámo-nos rapidamente ao local.

Quando chegámos, explicámos que éramos do Lenuk-Tasi e que pretendíamos recolher os ovos para os levar ao centro de conservação em Liquiçá. No entanto, os jovens não autorizaram imediatamente e disseram que cada ovo custava um dólar.

Isso mostra que parte da nossa sociedade ainda não compreende o verdadeiro significado da conservação ambiental nem reconhece que este habitat é protegido. A nossa equipa explicou calmamente que os ovos não seriam para consumo, mas sim para conservação. Mesmo assim, os jovens continuaram a insistir no pagamento.

Perante a situação, mencionámos que poderíamos contactar a polícia para ajudar a explicar o caso. Depois disso, os jovens acabaram por permitir que recolhêssemos os ovos e os levássemos para conservação.

Nós podemos oferecer algum dinheiro, não como compra dos ovos, mas como forma de agradecimento às pessoas que ajudam a encontrá-los. Por exemplo, os pescadores de Loes, quando encontram ninhos de tartarugas, aguardam, observam o local onde a tartaruga deposita os ovos, fazem marcações e depois contactam-nos. Nessas situações, costumamos oferecer cerca de 20 dólares como reconhecimento.

Nem precisamos de ir muito longe para encontrar este problema. Mesmo dentro de Díli ainda existem comunidades que não sabem que as tartarugas marinhas são espécies protegidas.

Em alguns municípios costeiros, como Viqueque, embora as comunidades saibam que existe uma lei que proíbe a captura, muitas pessoas continuam a consumir tartaruga. Algumas afirmam que comer tartaruga faz parte da sua cultura e tradição. Por isso, temos planos para identificar melhor as zonas onde esta prática ainda existe.

Até agora, ainda não realizámos campanhas de defesa e sensibilização mais profundas junto dessas comunidades, mas isso já faz parte dos nossos planos futuros. Neste momento, as nossas ações estão concentradas principalmente em Liquiçá, devido à falta de logística e ao facto de muitos membros conciliarem este trabalho com os estudos.

Também ainda não conseguimos realizar ações de sensibilização nas escolas, mas este ano começámos a refletir seriamente sobre a importância da educação ambiental, e essas atividades já foram incluídas nos nossos planos.

Em Ataúro, por exemplo, ainda vemos algumas comunidades a capturar tartarugas e a vender colares e artesanato feitos a partir das suas carapaças nos mercados locais. O nosso grupo já realizou algumas ações de sensibilização nessas áreas e vamos continuar esse trabalho.

“Observar uma tartaruga a depositar os ovos na areia desperta um forte sentimento de humanidade”

Qual foi o momento mais emocionante vivido pela equipa durante o resgate ou proteção de tartarugas?

Um dos momentos mais emocionantes para a equipa é observar uma tartaruga a depositar os seus ovos na areia e, depois, regressar lentamente ao mar. Nessas situações, surge um forte sentimento de humanidade. Ver um animal tão simples apenas à procura de sobreviver, enquanto muitas pessoas continuam a capturá-lo e matá-lo para consumo, faz-nos perceber que essas ações são erradas.

Outro momento muito marcante acontece quando libertamos as crias de tartaruga no mar. Quando chega esse momento, temos de tomar decisões cuidadosas, porque depois de as libertarmos já não sabemos se irão sobreviver. Ao devolver as pequenas tartarugas ao oceano, sabemos que elas enfrentarão muitos perigos.

Por isso, esse momento é uma mistura sentimentos de felicidade e tristeza: felicidade por devolvermos as tartarugas ao seu habitat natural, mas também tristeza e preocupação porque não sabemos se conseguirão sobreviver. Mesmo assim, fazemos tudo o que está ao nosso alcance para lhes dar uma oportunidade.

Essas experiências fizeram-nos compreender que mesmo um animal pequeno, como uma cria de tartaruga, tem um significado muito profundo.

Também existem momentos dolorosos, especialmente quando encontramos tartarugas mortas pelas pessoas. Muitas vezes, sentimos que as tartarugas sofrem. Elas parecem sentir dor, tristeza e medo quando são feridas. Isso faz-nos perceber que estes animais também têm sentimentos e merecem respeito.

Talvez algumas pessoas pensem apenas no consumo e não se preocupem com isso, mas para nós, que trabalhamos na conservação, esses momentos são profundamente chocantes e reforçam ainda mais o nosso compromisso.

“O principal problema que queremos destacar é a pesca ilegal que entra no mar de Timor-Leste”

Timor-Leste é conhecido pela riqueza marinha, mas também enfrenta problemas graves de lixo e exploração ilegal de recursos marinhos. Segundo a observação do grupo, onde está a maior falha atualmente?

Nós só conseguimos realizar conservação dentro das nossas capacidades. O lixo e a exploração ilegal já fazem parte da responsabilidade do Governo, porque toda a gestão e políticas são feitas por ele.

Durante este tempo, vimos que o Governo já desenvolveu políticas como o “zero plástico” e leis de conservação marinha. No entanto, a realidade mostra que estes problemas continuam a surgir e até a agravar-se. O lixo continua a acumular-se em muitos locais, incluindo zonas costeiras.

Mesmo que vejamos esforços do Governo para organizar a limpeza do lixo, consideramos que ainda não existe seriedade suficiente na implementação da política de zero plástico.

Há também ambientalistas que todos os fins de semana fazem limpezas e recolha de lixo, mas mesmo assim o lixo continua a aumentar. Por isso, é necessária uma verdadeira colaboração entre comunidades, grupos de jovens e o Governo.

Em relação à exploração ilegal, alguns pescadores locais já sabem que, quando capturam tartarugas acidentalmente, devem libertá-las. No entanto, o principal problema que queremos destacar é a pesca ilegal que entra no mar de Timor-Leste para explorar os nossos recursos pesqueiros.

Muitas vezes, as autoridades também enfrentam dificuldades devido à falta de equipamentos para reforçar a fiscalização. Por isso, o Governo precisa de olhar para esta situação e fornecer apoio material às autoridades.

“A nossa maior preocupação é a atitude humana nas zonas costeiras

Qual é a situação mais preocupante que encontram atualmente nas praias timorenses quando monitorizam os ninhos das tartarugas?

A nossa maior preocupação é a atitude humana, especialmente das pessoas que vivem nas zonas costeiras. Algumas já sabem que as tartarugas são espécies protegidas, mas muitas ainda ignoram isso devido a necessidades económicas.

Quando o Lenuk-Tasi se tornar uma associação, iremos intensificar as ações de sensibilização junto das comunidades costeiras.

Recentemente, a revista Lafaek recolheu informações do nosso grupo e publicou-as numa edição para ser distribuída a crianças e estudantes do ensino primário. Consideramos isso muito importante para educar as novas gerações. Nas próximas edições, a revista continuará a abordar este tema.

Também temos planos para produzir folhetos e pequenos livros para distribuir nas escolas e comunidades. Acreditamos que, quando a informação é partilhada continuamente, as pessoas passam a conhecer, depois passam a amar e, finalmente, passam a cuidar.

“As alterações climáticas estão a afetar significativamente os locais de desova”

De que forma as alterações climáticas já estão a afetar os ninhos e a sobrevivência das tartarugas marinhas?

Temos observado que o nível do mar aumentou. Por exemplo, na área da Praia dos Coqueiros, onde antes era possível encontrar areia seca, agora o mar já avançou até à estrada.

Nesta zona, onde anteriormente as tartarugas vinham regularmente para fazer os ninhos, agora isso já não acontece. Isto mostra que as alterações climáticas estão a afetar significativamente os locais de desova.

Além disso, as chuvas intensas provocam grandes cheias que levam lixo para o mar. Este lixo representa uma ameaça não só para os peixes, mas também para as tartarugas marinhas.

Quando falamos de alterações climáticas, devemos lembrar que elas são também resultado das ações humanas, não apenas da natureza. Por isso, é necessário reduzir o uso de plástico e evitar o descarte inadequado de resíduos.

“Timor-Leste tem um mar extraordinário, mas ainda falta investimento sério no turismo sustentável”

O Governo fala frequentemente sobre economia azul. Na prática, a conservação marinha está realmente entre as prioridades nacionais?

A economia azul de Timor-Leste é frequentemente apresentada pelo Governo em conferências internacionais, incluindo na Europa. No entanto, nós questionamos porque é que não há um foco maior em países mais próximos, como a Indonésia e a Austrália, que são referências na região. Esses países procuram fortalecer o seu setor de turismo marítimo e atrair visitantes.

Timor-Leste também possui um mar muito bonito, mas infelizmente o Governo ainda não investe o suficiente para desenvolver este potencial.

Como o país agora faz parte da ASEAN, o Governo deveria dar mais prioridade ao turismo, melhorando infraestruturas como estradas para zonas turísticas, conectividade e melhores condições de alojamento.

No caso do trabalho de conservação que fazemos, especialmente com as tartarugas marinhas, enfrentamos condições bastante limitadas. Mesmo assim, recebemos frequentemente visitantes internacionais. Por isso, sentimos que ainda não existe um apoio adequado a iniciativas pequenas como a nossa. A conservação das tartarugas também faz parte da economia azul.

Muitas vezes, o Governo fala no estrangeiro sobre a beleza dos nossos ecossistemas, mas a realidade dentro do país ainda está longe do que é apresentado nos discursos oficiais.

“A educação ambiental não deve existir apenas na sala de aula”

Como avaliam o nível de educação ambiental nas escolas timorenses atualmente? A juventude está suficientemente envolvida na conservação marinha ou ainda falta maior participação?

O Lenuk-Tasi ainda não realiza visitas regulares às escolas. No entanto, quando as escolas nos convidam para dar explicações, vamos de forma voluntária, sem exigir qualquer pagamento. Muitas vezes, vários estudantes também visitam o centro do Lenuk-Tasi, em Kasait.

Recebemos chamadas de escolas e universidades, tanto públicas como internacionais, especialmente de Díli e Liquiçá, pedindo visitas ao nosso projeto. Nós recebemos esses estudantes e partilhamos o nosso trabalho.

A educação ambiental é muitas vezes implementada através da participação dos estudantes em atividades de limpeza nas praias. Esta é uma forma de sensibilizar os jovens para o impacto do lixo no ambiente e na biodiversidade marinha.

De forma geral, a educação ambiental não deve ser feita apenas em sala de aula, mas também na prática, através de atividades como limpezas de praias.

Em relação à participação dos jovens, vemos que muitos já demonstram dedicação, espírito voluntário e capacidade de organização, mobilizando os seus colegas para participar em limpezas nas praias e em canais de drenagem.

Embora estas ações sejam muitas vezes vistas como atividades simples do dia a dia, têm um grande valor para o ambiente. Mesmo quando as áreas são limpas e o lixo volta a aparecer, os jovens continuam motivados e não desistem.

“Os ativistas ambientais continuam a trabalhar mesmo sem apoio financeiro”

Os ativistas ambientais sentem-se, por vezes, ignorados pelas autoridades fora das datas comemorativas? O Lenuk-Tasi sente apoio suficiente da sociedade e das instituições ou continua a enfrentar muitas limitações?

Em Timor-Leste, existem muitos ativistas ambientais, e alguns grupos sentem que nem sempre recebem atenção suficiente por parte do Estado. No entanto, isso não os desmotiva, porque o seu objetivo é contribuir para o país que amam.

No caso do grupo Lenuk-Tasi, recebemos frequentemente contactos do Governo, de organizações nacionais e internacionais para participar em atividades e seminários relacionados com a conservação marinha.

O nosso principal desafio é que, muitas vezes, não conseguimos enviar todos os membros, porque alguns ainda estão a estudar ou têm outros trabalhos. Mesmo assim, somos sempre convidados para falar sobre o oceano, o ambiente e a conservação das tartarugas marinhas.

Em termos de apoio da sociedade, não temos grandes problemas, porque trabalhamos em colaboração direta com a comunidade, e ela apoia-nos sempre que precisamos. Por exemplo, quando há tartarugas a pôr ovos, as pessoas entram em contacto connosco.

No entanto, em relação ao apoio do Estado, especialmente financiamento para os nossos projetos, ainda não recebemos apoio. Até agora, também ainda não submetemos propostas formais. Neste momento, estamos a tentar melhorar a nossa organização legal como associação, para depois podermos desenvolver e apresentar projetos.

No passado dia 23 de maio assinalou-se o Dia Mundial das Tartarugas. Que apelo gostariam de fazer diretamente à população timorense?

Aos jovens que têm paixão pelo mar e, especialmente, pelas tartarugas marinhas e que desejam juntar-se a nós, não tenham receio de nos visitar. Este é o nosso grupo, e juntos podemos proteger as tartarugas para que elas possam viver livremente e em maior número no nosso mar.

“Queremos transformar o centro de conservação de Kasait num museu dedicado às tartarugas marinhas”

Qual é o maior sonho do Lenuk-Tasi para o futuro ambiental de Timor-Leste?

Queremos expandir a nossa conservação de tartarugas para todas as zonas costeiras de Timor-Leste, de forma a continuar a monitorizar e proteger o movimento das tartarugas e a sua segurança contra predadores.

Além disso, queremos transformar o centro de conservação de tartarugas em Kasait num museu dedicado às tartarugas marinhas, para que os estudantes possam aprender sobre o ciclo de vida destas espécies e para que o centro também funcione como um espaço de investigação em Timor-Leste.

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