Em Taibessi, o abate de árvores centenárias deixou ruas descobertas e moradores sem respostas. Enquanto o verde desaparece e não sobra sombra, muitas dúvidas sobre o processo permanecem “na sombra”.
O som das máquinas e das motosserras ainda ecoa pelas ruas de Taibessi, marcando uma transformação profunda e dolorosa na paisagem local. Onde antes existiam corredores verdes que proporcionavam sombra, frescura e um ambiente acolhedor para a comunidade, restam agora troncos cortados, pó, lama e um cenário descrito por moradores como um verdadeiro deserto urbano.
Desde a semana passada que o Governo tem vindo a proceder à remoção de árvores de grande porte situadas nas margens da estrada em Taibessi. A intervenção é justificada pelas autoridades como necessária para a reabilitação da via que liga a ponte “My Friend” ao Pura Girinatha.
No entanto, para vários moradores e especialistas, a medida traduz um modelo de desenvolvimento que sacrifica o equilíbrio ecológico e a qualidade de vida da população em nome das infraestruturas.
Segundo o Governo, a obra visa melhorar o tráfego e reforçar a segurança rodoviária, permitindo que o alargamento da estrada seja executado de forma eficiente. Contudo, residentes e ambientalistas alertam para os impactos ambientais e sociais da decisão, sublinhando a importância das árvores na regulação do microclima e na sustentabilidade da zona.
Para a comunidade, as árvores antigas não eram meros elementos da paisagem urbana, mas parte integrante da história e da convivência diária.
Augusto dos Santos, residente em Taibessi, recorda que, ao longo de gerações, aquelas árvores serviram como ponto de encontro, abrigo contra o calor intenso e símbolo da identidade local, marcando memórias e fortalecendo laços entre vizinhos.
“Essas árvores antigas davam vida à comunidade. Ofereciam sombra, oxigénio fresco e proteção. Agora sentimos tristeza ao ver tudo destruído”, lamentou o morador, acrescentando que mais de dez árvores centenárias já foram derrubadas, deixando um vazio imediato na paisagem e no microclima da região.
Na sua opinião, a decisão foi unilateral e a população não teve poder para impedir a intervenção. “Queríamos que as árvores continuassem a viver. O Governo podia cortar apenas os ramos que representassem risco às casas ou às pessoas. Não era necessário cortar as árvores completamente, uma vez que esta atitude apaga totalmente a identidade e a beleza natural de Taibessi”, defendeu.
Augusto considera ainda que a medida contradiz os discursos políticos das autoridades sobre a importância da proteção ambiental. “Não sou contra o desenvolvimento, mas o desenvolvimento deve respeitar o ambiente”, reforçou.
O morador manifesta preocupação com o eventual aumento das temperaturas na zona após o abate, alertando que a comunidade poderá sentir os efeitos do calor de forma mais intensa nos próximos anos.
“É como se tivessem retirado o oxigénio natural da comunidade. As novas árvores vão demorar muitos anos a restaurar o que foi perdido”, afirmou, sublinhando que o impacto ambiental não será compensado a curto prazo.
Nem todos, porém, partilham da mesma opinião. Júlia Menezes, também residente em Taibessi, considera que a remoção das árvores era necessária. Segundo a moradora, as árvores antigas representavam perigo, sobretudo durante a época das chuvas e de ventos fortes.
“Tínhamos medo de que caíssem sobre as casas ou sobre as pessoas”, afirmou, sublinhando que a segurança das famílias deve ser prioridade.
Júlia recordou que, há alguns anos, uma árvore de grande porte caiu e danificou uma residência da comunidade. O episódio, segundo disse, marcou os moradores e reforçou o sentimento de insegurança relativamente às árvores mais antigas.
“Sabemos que dão sombra e ar fresco, mas também é verdade que estavam velhas e frágeis. Às vezes, preservar demasiado também pode ser perigoso”, argumentou.

Comunidade presta homenagem a árvores que há gerações protegem Taibessi
A comunidade de Taibessi organizou, na noite de segunda-feira (23/02), uma cerimónia tradicional de despedida para duas árvores de grande porte que ainda não haviam sido abatidas, num momento simbólico realizado depois de várias árvores da zona já terem sido removidas no âmbito das obras de alargamento da estrada promovidas pelo Governo.
A iniciativa surgiu após relatos de um sonho de uma tia da comunidade, no qual o “dono espiritual” das árvores apareceu vestido com roupas tradicionais (tais) e questionou por que razão não se realizaria uma despedida antes da remoção. Sensibilizados, os moradores reuniram contribuições para organizar um ritual de agradecimento.
Durante a cerimónia, foram oferecidas oferendas com bétel, noz de areca e a bebida tradicional tua sabu, e um animal foi sacrificado simbolicamente em reconhecimento às árvores, que ao longo de gerações forneceram sombra, proteção e um espaço de convívio à comunidade.
“Estas árvores acompanham a nossa comunidade desde o tempo dos nossos bisavós, avós e pais até à nossa geração. Nunca nos fizeram mal. Pelo contrário, deram-nos sombra e um lugar para estarmos juntos”, relatou Zeny Soares, morador de Taibessi.
O ritual reuniu idosos, jovens e crianças, que partilharam alimentos e bebidas, tiraram fotografias, dançaram e prestaram a última homenagem antes do abate das árvores que ainda restavam. Algumas crianças brincaram com as raízes, demonstrando alegria e curiosidade.
Segundo Zeny Soares, as árvores são vistas como sagradas, frequentemente associadas à proteção espiritual da comunidade.
“Para nós, estas árvores são como um avô sagrado ou um protetor. Durante a despedida, falámos com elas para que continuem a proteger-nos, mesmo estando longe, e que não se esqueçam de olhar pela nossa grande família em Taibessi”, afirmou.
Apesar da tristeza pela perda, os moradores afirmam compreender a necessidade das obras públicas. Ainda assim, alguns lamentam que não tenha sido considerada uma alternativa que permitisse preservar as árvores.
“Concordamos com o desenvolvimento, mas sentimos tristeza por perder árvores que durante tantos anos nos deram proteção e frescura. Pensámos que talvez a estrada pudesse ser desviada para outro lugar, permitindo manter estas árvores e até atrair visitantes. Essa é a nossa ideia, mas o pensamento do Governo é diferente do da população”, acrescentou Zeny.
O chefe da aldeia, Manuel Soares Cardoso, também participou na cerimónia, sublinhando o valor histórico das árvores, que, segundo a tradição local, terão cerca de 400 anos.
“Antes de nascermos, estas árvores já estavam aqui. Crescemos com elas. Hoje estamos a envelhecer, mas elas continuam fortes. Consideramos estas árvores como nossos avós, que nos deram frescura e sombra durante todo este tempo. Por isso, esta noite estamos felizes por poder despedir-nos delas”, afirmou.
O líder comunitário destacou que a população aceita o projeto governamental e está a colaborar com as autoridades.
“A comunidade apoia o desenvolvimento e concorda com a remoção. Mas antes disso, quisemos realizar uma cerimónia de despedida e agradecimento, porque consideramos estas árvores como nossos antepassados”, explicou.
Durante o ritual, os moradores pediram ainda proteção espiritual e tranquilidade, reforçando a crença de que as árvores têm um significado cultural e simbólico profundo para Taibessi
Alargamento da estrada preocupa moradores e provoca cortes de energia e danos domésticos
O projeto de alargamento da estrada está igualmente a suscitar inquietação entre residentes, sobretudo entre aqueles cujas casas se situam junto à via.
Zinha (nome fictício), moradora da zona, afirma sentir-se preocupada, uma vez que a sua habitação está praticamente encostada ao muro que será demolido. “Obviamente que estou preocupada. A minha casa está quase encostada ao muro e, pelo que sei, vão recuar cerca de três metros. Fico praticamente sem muro”, relatou.
A residente referiu que não há informações claras sobre a forma como a demolição será realizada nem sobre a eventual instalação de um muro provisório para proteger a habitação.
Além do impacto físico, Zinha teme o barulho e o pó durante as obras. “Vai ser barulho durante não se sabe quanto tempo. Se olharmos para as obras em Becora, aquilo já dura há quase um ano e continua um caos. Aqui, que é uma zona habitacional, será ainda mais desconfortável”, afirmou.
A rotina diária também poderá ser afetada. Segundo explicou, a abertura da casa para a estrada compromete a privacidade e até tarefas simples do quotidiano. “É ali que costumo pôr a roupa a secar. Agora isso vai ser outro problema. Além disso, a casa vai ficar aberta para a estrada, e a privacidade desaparece completamente.”
Zinha acrescentou que não recebeu qualquer informação do Ministério das Obras Públicas sobre medidas de segurança ou calendário das intervenções. “Gostaria de ter um plano, uma linha temporal, para saber como organizar a vida durante a obra”, disse.
Embora reconheça a necessidade de melhorar a circulação e a segurança — considerando que a estrada estreita representa riscos para adultos e crianças — a moradora sublinha que a falta de comunicação é o que mais a inquieta.
“Gostaria que o Ministério indicasse medidas de segurança antes de demolir qualquer coisa e informasse uma data prevista para as demolições”, apelou.
Xisto (nome fictício) partilha do descontentamento, considerando a atuação do Governo cada vez mais autoritária. Defende que a habitação privada é um direito fundamental e que qualquer intervenção deve ser precedida de consulta aos proprietários.
“Não recebemos nenhuma informação formal. Fiquei surpreendido quando a minha casa já estava marcada”, afirmou.
Embora não se oponha ao desenvolvimento, Xisto sublinha que o progresso deve respeitar os direitos dos cidadãos. “Não somos contra o desenvolvimento, mas o Governo tem de respeitar as casas das pessoas.”
De acordo com a Lei n.º 6/2017, de 19 de abril, n.º 3 do artigo 6.º, que estabelece as bases do Ordenamento do Território e Urbanismo em Timor-Leste, todos os cidadãos têm direito de acesso às informações e documentos que integram os procedimentos de elaboração e execução dos planos territoriais.
Esse acesso deve ser garantido quando os documentos estejam na posse de entidades públicas, assegurando transparência, fiscalização social e participação efetiva da população nas decisões relativas ao uso e gestão do território.
O abate das árvores teve igualmente impacto no fornecimento de energia elétrica na zona. No fim de semana de 21 e 22 de fevereiro, sábado e domingo, os moradores ficaram sem luz na sequência do abate das árvores e de danos provocados num cabo elétrico enquanto decorriam os trabalhos. No sábado, a interrupção durou cerca de 8 horas. No domingo, o corte verificou-se a partir das 11h00, prolongando-se até às 11h00 de segunda-feira, deixando a população cerca de 24 horas consecutivas sem eletricidade.
Segundo residentes, quando o fornecimento foi restabelecido, uma das fases não terá sido devidamente estabilizada, o que provocou avarias em vários equipamentos domésticos, como estabilizadores de energia e esquentadores, entre outros aparelhos. Até ao momento, nem a EDTL nem o Ministério das Obras Públicas apresentaram esclarecimentos públicos ou avançaram com qualquer compensação pelos danos registados nas habitações.
Especialistas questionam modelo de desenvolvimento
O abate das árvores transformou-se num dos temas mais debatidos da capital nas últimas semanas. Entre críticas de académicos e ambientalistas e o silêncio de parte da sociedade, emerge uma questão central: que modelo de desenvolvimento está a ser desenhado para Díli?
Therese Tam Nguyen, docente do Departamento de Desenvolvimento Comunitário da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), manifestou profunda tristeza com o abate dos ai-hali (árvores de grande porte), classificando a decisão como um erro estratégico e ambiental que representa uma perda irreparável para a identidade da zona.
“Quando via aquelas árvores antigas em Taibessi, sentia grande admiração. Árvores assim são raras. Levava colegas estrangeiros para as ver, porque tinham uma beleza natural muito atrativa”, afirmou.
Para a docente, aquelas árvores eram símbolos vivos da história e da memória coletiva. “Tinha orgulho de mostrar aquele espaço bonito, fresco e agradável.”
Na sua perspetiva, justificar o abate com o argumento do perigo revela uma visão simplista. Segundo explicou, os troncos demonstravam grande resistência, como evidenciado pela dificuldade em removê-los.
“Se estivessem podres, cairiam facilmente. Mas foi preciso usar máquinas pesadas para as arrancar. Isso mostra que eram árvores fortes, estáveis”, argumentou, defendendo que a avaliação do risco deveria ter sido mais criteriosa e técnica antes da decisão final.
Embora reconheça a necessidade de desenvolvimento urbano, Therese critica o modelo adotado, que favorece condutores em detrimento dos peões.
“O benefício é para quem conduz. Mas e quem anda a pé? Vai enfrentar temperaturas ainda mais altas”, destacou, alertando para o impacto direto na qualidade de vida e no conforto da população que depende de deslocações a pé.
A docente defende que existiam alternativas, como a abertura de uma via paralela para reduzir congestionamentos, mantendo a estrada antiga arborizada como espaço pedonal e potencial atração turística.
“Poderia manter-se a estrada antiga, arborizada, exclusivamente para peões, e abrir uma nova via, mais ampla, noutra zona. Isso permitiria preservar a beleza natural e, ao mesmo tempo, resolver os problemas de trânsito”, sugeriu, defendendo um modelo urbano que concilie funcionalidade e património ambiental da comunidade.
Therese Tam Nguyen lamenta a ausência de consulta pública e o afastamento de técnicos e ambientalistas dos processos de decisão em matérias estruturais. Para a docente, situações semelhantes não se verificam apenas em Díli, mas também noutros municípios do país.
“Quando tudo é feito com urgência, não há tempo suficiente para consultas e diálogo. Não compreendemos claramente qual é a visão urbana para Díli”, afirmou.
A académica defende o envolvimento de arquitetos, urbanistas, ambientalistas e da população na definição do futuro da cidade, garantindo que o desenvolvimento decorra de forma planeada, sustentável e alinhada com as necessidades reais da comunidade.
“O Governo precisa de promover um diálogo alargado com as comunidades e assegurar uma compensação justa pelos danos que estas sofreram”, acrescentou.
Therese Tam Nguyen lamenta não apenas o abate das árvores, mas também a ausência de uma reação crítica mais firme por parte da sociedade. Segundo a académica, a consciência ambiental em Timor-Leste continua a ser frágil.
“É preocupante ver pessoas a celebrar a destruição. Falta consciência pública sobre as questões ambientais”, alertou, sublinhando a necessidade de reforçar a educação e a sensibilização, para que a população compreenda a importância da preservação do ambiente.
“Desenvolvimento não pode ignorar o ambiente”
Também Amandina da Silva, do movimento Laudato Si, classificou a decisão como “uma grande tristeza”, defendendo que desenvolvimento não pode ignorar o ambiente.
Segundo a ativista, essas árvores oferecem grandes quantidades de oxigénio, ajudam a neutralizar a poluição e garantem frescura às famílias que vivem nas proximidades. Na sua avaliação, ao cortar árvores maduras, o governo não apenas elimina sombra e beleza natural, mas também contribui para problemas sociais e para o agravamento das mudanças climáticas.
“Quem dispõe de recursos financeiros pode instalar ar condicionado para enfrentar o calor crescente, mas as famílias mais carenciadas dependem diretamente das condições naturais e continuarão a viver com ar de má qualidade devido aos problemas ambientais”, criticou.
Para Amandina, o desenvolvimento não pode descurar os impactos ambientais e sociais. “Não vivemos apenas de boas estradas e construções luxuosas. Vivemos do oxigénio que as árvores nos proporcionam”, afirmou.
Segundo a ativista, a intervenção em Taibessi revela falta de empatia para com a natureza e ausência de uma visão holística. “Antes, aquela zona era fresca e agradável. Agora, pode transformar-se num inferno de calor”, alertou, sublinhando os riscos de comprometer a qualidade de vida da comunidade local.
Quanto à possibilidade de reflorestação, Amandina considera a medida insuficiente para compensar a perda imediata. De acordo com a jovem, as novas árvores levarão décadas a desempenhar a mesma função ecológica das árvores antigas. “Vai demorar muito tempo a recuperar o oxigénio perdido”, afirmou.
Amandina salienta que a população deseja desenvolvimento, mas não a qualquer preço. “Queremos progresso que respeite o ambiente, que não contribua para as alterações climáticas e que preserve a estética e o equilíbrio da zona”, concluiu.
A preocupação é partilhada por Elivânia Alves Correia, da Organização Não Governamental La’o Hamutuk, que alerta para os impactos ambientais e sociais da remoção das árvores.
Segundo Elivânia, as árvores existentes em Taibessi há vários anos desempenham funções essenciais para a qualidade de vida da comunidade. Proporcionam sombra, reduzem a temperatura local, filtram a poluição atmosférica — nomeadamente a emitida por automóveis e motorizadas —, absorvem a água da chuva e contribuem para a fixação do solo, prevenindo a erosão.
“As árvores não são apenas elementos paisagísticos. Fazem parte do equilíbrio ambiental e do quotidiano das pessoas”, afirmou.
Acrescentou que, com o abate, estas funções deixam de existir de imediato, alterando o microclima da zona. “Os moradores já sentem a falta de espaços sombreados e mais frescos. A médio e longo prazo, o solo pode tornar-se mais vulnerável a chuvas intensas, enquanto a redução da captação de dióxido de carbono agrava a vulnerabilidade ambiental”, explicou.
Elivânia defende que o Governo dispõe de recursos técnicos e humanos suficientes para procurar alternativas sustentáveis na reabilitação das estradas, tendo em conta o equilíbrio entre infraestruturas e preservação ambiental. “É possível desenvolver sem destruir. É necessário criar um modelo de desenvolvimento urbano mais sustentável para Díli, com uma definição adequada das áreas destinadas à construção e à preservação”, sublinhou.
Governo justifica intervenção com razões de segurança
O Ministro das Obras Públicas, Samuel Marçal, afirmou que a estrada que liga ao cemitério de Becusse apresenta tráfego intenso devido à sua reduzida largura. “Precisamos de alargar a estrada para beneficiar a cidade e torná-la mais segura”, afirmou em declarações aos jornalistas no local.
Segundo explicou, será necessário remover árvores grandes e antigas para permitir a execução do projeto e prevenir riscos durante chuvas e ventos fortes.
O ministro observou que há muitas crianças na área, pelo que é necessária precaução, salientando que algumas árvores estão muito envelhecidas. Acrescentou que alguns troncos se encontravam inclinados ou encostados a residências, o que representa um risco.
“O Primeiro-Ministro orientou a remoção das árvores necessárias para facilitar os trabalhos do Ministério das Obras Públicas e permitir a conclusão do alargamento da estrada”, afirmou Samuel Marçal.
A estrada será alargada até à ponte conhecida como “My Friend” e terá 12 metros de largura. Os técnicos do ministério já elaboraram o desenho da nova via, incluindo a zona do mercado de Taibessi, onde ocorrem frequentemente engarrafamentos.
O Ministro afirmou que a comunidade local concordou com a medida, principalmente os moradores que pediram que todas as árvores que representassem risco fossem removidas. “Não haverá problemas ou indemnizações pelas árvores que serão cortadas. Por isso, o governo realizará a remoção das árvores ao longo da estrada, desde a ponte “My Friend” até a área de Taibessi”, disse.
Embora vários moradores terem afirmado não terem sido informados e não concordarem com o abate das árvores, o Ministro afirmou que a comunidade local aceitou a medida e garantiu que não haverá indemnizações pelas árvores cortadas. Referiu ainda não ter recebido o relatório com dados oficiais sobre o número de famílias que poderão ser afetadas pelo alargamento da estrada.
O Diligente tentou contactar o Ministério das Obras Públicas (MOP) e a Secretaria de Estado dos Assuntos Toponímia e Organização Urbana (SEATOU) para obter dados oficiais sobre a intervenção em Taibessi, nomeadamente o número exato de árvores abatidas, a idade aproximada dos exemplares removidos, a existência de um estudo de impacto ambiental prévio, a eventual previsão de replantação, o custo total da obra e o prazo oficial de execução.
O jornal pretendia ainda questionar se foi realizado algum estudo técnico que comprovasse o alegado risco estrutural das árvores, quem efetuou essa avaliação e por que motivo não foi considerada a possibilidade de uma poda seletiva em vez do abate integral. Entre os esclarecimentos solicitados constavam igualmente informações sobre a eventual realização de consulta pública formal, a publicação oficial dos documentos do projeto e o seu acesso pela população, conforme prevê a Lei n.º 6/2017, de 19 de abril.
O Diligente pretendia também saber se a nova via incluirá arborização, que espaço será destinado às árvores, se estão previstos passeios e melhorias para o conforto e segurança dos peões, e como é fundamentada a afirmação de que a comunidade concordou com a medida quando há moradores que afirmam não ter sido informados.
Até ao momento da publicação desta reportagem, não foi possível obter qualquer esclarecimento oficial. O Chefe de Gabinete da SEATOU não se mostrou disponível para prestar declarações, e o Ministério das Obras Públicas também não respondeu aos pedidos de contacto do jornal.
Permanecem, assim, várias questões essenciais ‘na sombra’, tanto sobre a transparência do processo como sobre o cumprimento das obrigações legais de informação e participação pública.


TRISTEZA.
AS ÁRVORES SÃO OS PULMÕES DA NATUREZA.
E AJUDARAM-ME A RESPIRAR ENTRE 1969/1971, NO QUARTEL GENERAL, EM TAIBESSE.
QUE SAUDADES, DEUS MEU…
SAÚDE E PROSPERIDADE PARA O BOM POVO IRMÃO DE TIMOR LESTE.