Timor-Leste em Perspetiva

Porque é que a escolaridade importa para o futuro de Timor-Leste na ASEAN?

Uma sala de aula de ensino básico em Díli/Foto: Diligente

Entre os onze membros da ASEAN, apenas o Camboja e o Laos apresentam uma população adulta com menos anos médios de escolaridade do que Timor-Leste.

Segundo o Human Development Report 2025 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), baseado em dados de 2023, os timorenses com 25 ou mais anos completaram, em média, 6,2 anos de escolaridade. O Camboja regista 5,2 anos e o Laos 6,1. No extremo oposto, encontra-se Singapura, com 12,0 anos, seguida da Malásia (11,1 anos).

O que mede este indicador?

Os anos médios de escolaridade correspondem ao número médio de anos de ensino formal concluídos pela população com 25 ou mais anos.

O indicador integra o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do PNUD e constitui uma das medidas internacionais utilizadas para avaliar o capital humano de um país.

Contudo, não mede a qualidade do ensino nem descreve a realidade atual das crianças e dos jovens que frequentam a escola. Reflete a escolaridade acumulada de toda a população adulta, incluindo gerações que cresceram antes da independência e durante os períodos de conflito. Por essa razão, trata-se de um indicador que evolui lentamente ao longo do tempo.

Porque é importante?

O capital humano engloba a educação, a saúde, as competências e a capacidade produtiva da população.

Segundo o Banco Mundial, o desenvolvimento do capital humano é um dos principais fatores de crescimento económico e de criação de emprego. A instituição estima que cerca de dois terços das diferenças de rendimento entre países desenvolvidos e em desenvolvimento possam ser explicadas por diferenças no capital humano.

Uma população mais qualificada tende a ser mais produtiva, a adaptar-se mais facilmente à inovação e a gerar rendimentos mais elevados. O Banco Mundial refere ainda que cada ano adicional de escolaridade pode aumentar, em média, os rendimentos individuais em cerca de 9% a 10%, embora esse retorno varie entre países e níveis de ensino.

À medida que Timor-Leste aprofunda a integração económica na ASEAN, a qualificação da população poderá assumir um papel cada vez mais importante na atração de investimento, no aumento da produtividade e na competitividade da economia.

O desafio para Timor-Leste

Para o Banco Mundial, o reforço do capital humano deverá estar entre as prioridades estratégicas de Timor-Leste.

A instituição defende que o país poderá desenvolver plenamente o potencial da sua população através de investimentos consistentes na educação, na saúde e no desenvolvimento de competências. Num dos seus relatórios mais recentes, identifica o capital humano como uma das três prioridades de investimento para o país, juntamente com as infraestruturas e o aumento da produtividade agrícola.

O Banco Mundial observa ainda que a despesa pública em capital humano — nomeadamente em educação, saúde e formação — tem permanecido abaixo do investimento realizado em infraestruturas físicas.

Num contexto de maior integração regional, o reforço do capital humano poderá ser um fator determinante para que Timor-Leste aproveite plenamente as oportunidades oferecidas pela ASEAN e aumente a produtividade e a competitividade da sua economia nas próximas décadas.

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