Delegação portuguesa destaca papel do CLJ na promoção da língua portuguesa e do jornalismo em Timor-Leste

Através deste projeto, os participantes ficam preparados para exercer a profissão em qualquer meio de comunicação social de âmbito global/ Foto: Diligente

A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, a presidente do Instituto Camões I.P. e o diretor-geral da Secretaria de Estado da Comunicação Social destacaram, esta segunda-feira, o contributo do Consultório da Língua para Jornalistas (CLJ) para a promoção da língua portuguesa, a qualificação dos profissionais da comunicação social e o fortalecimento de um jornalismo livre e rigoroso em Timor-Leste.

O Consultório da Língua para Jornalistas (CLJ) recebeu esta segunda-feira, 8 de junho, a visita de uma delegação portuguesa liderada pela Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Ana Isabel Marques Xavier, e pela presidente do Instituto Camões I.P., Florbela Paraíba. A visita permitiu apresentar os resultados alcançados pelo projeto desde a sua criação e os objetivos definidos para a terceira fase de implementação, que decorrerá até 31 de dezembro de 2028.

Durante a sessão, a coordenadora-adjunta do CLJ, Elísia Ribeiro, fez uma retrospetiva do projeto desde a sua primeira fase, iniciada em 2016, destacando os principais resultados alcançados ao longo da última década.

Segundo a responsável, o CLJ formou, até ao momento, 289 jornalistas e 68 profissionais do Governo ligados à comunicação social, contribuindo para o reforço das competências linguísticas e profissionais dos participantes.

Ao longo das duas primeiras fases, o projeto desenvolveu manuais próprios de português específico para jornalistas, abrangendo os níveis A1/A2 até B2+, bem como materiais especializados para áreas técnicas como justiça, ambiente, saúde e educação.

A coordenadora-adjunta explicou ainda que foi realizado um estudo sobre as necessidades dos jornalistas timorenses, cujos resultados serviram de base à criação de novos materiais pedagógicos relacionados com os fundamentos do jornalismo e outras competências consideradas prioritárias para o setor.

Um dos resultados mais significativos da segunda fase foi a formação de 18 jovens jornalistas, que concluíram com sucesso um programa intensivo de capacitação em língua portuguesa e jornalismo. Atualmente, estes profissionais integram redações de vários órgãos de comunicação social timorenses, incluindo a RTTL, o GMN, a Tatoli e o Diligente.

Dos 18 formandos, sete participaram na criação do Diligente, o primeiro órgão de comunicação social de Timor-Leste a publicar exclusivamente em língua portuguesa.

Para a terceira fase, o CLJ pretende consolidar a formação dos jornalistas no ativo, expandir as atividades de capacitação e reforçar as parcerias com instituições nacionais, incluindo a Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), em linha com as recomendações do Programa Estratégico de Cooperação (PEC) 2019-2023.

A responsável explicou ainda que, apesar de a terceira fase ter arrancado no início de 2026, a constituição da equipa tem decorrido de forma gradual. Durante os primeiros meses do ano, três profissionais que já colaboravam com o projeto continuaram a assegurar, de forma voluntária, os serviços de revisão linguística e o acompanhamento dos beneficiários, permitindo garantir a continuidade das atividades.

Atualmente, a equipa aguarda ainda a chegada de dois especialistas internacionais que irão completar a estrutura prevista para esta nova fase.

Jornalismo livre e combate à desinformação

A Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, Ana Isabel Marques Xavier, destacou a importância do CLJ na promoção da língua portuguesa e afirmou ter ficado impressionada com o trabalho desenvolvido pelo projeto. “Esta apresentação é, de facto, muito interessante. Admito que não conhecia o projeto, mas acho que foi muito mais interessante e impactante conhecê-lo aqui”, declarou.

A governante disse ainda que pretende acompanhar mais de perto o trabalho desenvolvido pelo CLJ durante a sua estadia em Timor-Leste, de forma a compreender melhor o papel desempenhado pelo projeto na formação dos jornalistas e na utilização da língua portuguesa nos meios de comunicação social.

Ana Isabel Marques Xavier sublinhou que a promoção da língua portuguesa constitui um objetivo comum de Portugal, de Timor-Leste e dos restantes membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), acrescentando que a língua continua a reforçar a sua relevância no contexto internacional. “A língua portuguesa é a quinta língua mais utilizada na internet, a quarta língua mais falada no mundo e a mais falada do hemisfério sul”, afirmou.

A responsável recordou ainda que as Nações Unidas estimam que o número de falantes da língua portuguesa possa atingir os 500 milhões até ao final do século, defendendo a necessidade de continuar a promover e valorizar a língua nos países onde é oficial.

Durante a sua intervenção, a Secretária de Estado salientou que o trabalho desenvolvido pelo CLJ vai muito além da promoção da língua portuguesa, contribuindo também para a formação de profissionais da comunicação social comprometidos com os princípios do jornalismo. “Aqui faz-se muito mais do que a promoção da língua portuguesa. Faz-se a promoção de um jornalismo livre, isento, objetivo, imparcial e independente”, afirmou.

Segundo a governante, um dos principais desafios enfrentados atualmente pelas democracias é garantir a existência de jornalistas capazes de informar com rigor e responsabilidade, distinguindo os factos das opiniões.

Ana Isabel Marques Xavier observou que, em Portugal e noutros países europeus, o debate passa cada vez mais pela necessidade de formar profissionais comprometidos com a verificação dos factos e com o combate à desinformação.

Para a responsável, o jornalismo desempenha um papel fundamental na compreensão da realidade e no fortalecimento das sociedades democráticas, alertando para os riscos de transformar jornalistas em influenciadores ou agentes de formação da opinião pública.

A Secretária de Estado felicitou os formadores, revisores e jornalistas envolvidos no projeto e encorajou-os a prosseguir o seu trabalho em defesa de uma imprensa livre e responsável. “Uma imprensa ao serviço da língua portuguesa, mas sobretudo ao serviço da democracia e da construção de Timor-Leste. Uma imprensa que consiga não cair na tentação da desinformação e da influência sobre a opinião pública”, destacou.

A governante garantiu ainda o empenho de Portugal em apoiar a atual fase do projeto através do Instituto Camões, reforçando não apenas a componente de formação, mas também o trabalho de revisão linguística desenvolvido junto dos jornalistas timorenses. “O vosso sucesso é o sucesso da língua portuguesa e, sobretudo, o sucesso de Timor-Leste”, concluiu.

Camões destaca projeto como exemplo de cooperação transformadora

A presidente do Instituto Camões, Florbela Paraíba, considerou o CLJ um dos projetos mais relevantes da cooperação portuguesa na área da educação e da promoção da língua portuguesa em Timor-Leste, destacando o seu contributo para a formação de jornalistas e para o fortalecimento da comunicação social.

Segundo a responsável, o projeto demonstra que a cooperação vai além do ensino da língua, contribuindo também para a qualificação dos profissionais da informação e para a promoção dos valores democráticos. “É muito importante que os jornalistas compreendam o contributo da cooperação internacional para o desenvolvimento, bem como os valores humanistas, universais e de cidadania global que lhe estão associados”, afirmou.

Florbela Paraíba defendeu que os meios de comunicação social desempenham um papel fundamental na explicação à sociedade do impacto da cooperação internacional e da importância da solidariedade entre países. “Esse é também um dos papéis do jornalismo: informar com rigor, responsabilidade, ética, sentido de justiça e inclusão”, sublinhou.

Durante a entrevista aos jornalistas, a presidente do Instituto Camões classificou o CLJ como um projeto transformador no âmbito da cooperação portuguesa em Timor-Leste, salientando que a iniciativa não se limita à promoção da língua portuguesa, mas contribui igualmente para a formação de profissionais capazes de responder aos desafios do jornalismo contemporâneo. “Quando uma pessoa aprende uma língua, e ainda mais uma língua como o português, abre-se uma janela para várias culturas. Trata-se de uma língua global”, afirmou.

A responsável recordou que o projeto é desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado da Comunicação Social (SECOMS) e outras instituições timorenses, encontrando-se atualmente na sua terceira fase de implementação.

Segundo Florbela Paraíba, esta nova etapa prevê o reforço da componente formativa e da equipa técnica, com o objetivo de proporcionar aos participantes competências que lhes permitam exercer a profissão em qualquer órgão de comunicação social nacional ou internacional. “Através deste projeto, os participantes ficam preparados para exercer a profissão em qualquer meio de comunicação social de âmbito global”, disse.

Questionada sobre o atraso na constituição completa da equipa do projeto, a presidente do Instituto Camões explicou que a terceira fase representa um investimento de cerca de 889 mil euros e que estão em curso os procedimentos necessários para completar a estrutura prevista. “Neste momento, estamos a agilizar a chegada de mais dois revisores internacionais. A partir de agora, a equipa de coordenação estará plenamente constituída e em funções”, garantiu.

A responsável acrescentou que a execução da terceira fase está prevista até ao final de 2028, período durante o qual serão implementadas as atividades programadas no plano de ação.

Florbela Paraíba aproveitou ainda a ocasião para reconhecer o trabalho desenvolvido pelos profissionais envolvidos no projeto, sublinhando a importância da formação contínua dos jornalistas nas áreas da ética, da deontologia, da imparcialidade, do pluralismo e do combate à desinformação. “Precisamos de um jornalismo ao serviço da democracia, assente nos valores da ética e da deontologia”, afirmou.

Para a presidente do Instituto Camões, o fortalecimento de uma comunicação social livre e independente constitui um elemento essencial para a consolidação democrática e para o desenvolvimento de Timor-Leste.

SECOMS reconhece resultados do projeto apesar das limitações orçamentais

O diretor-geral da Secretaria de Estado da Comunicação Social (SECOMS), Florindo da Costa, considerou que o CLJ tem contribuído significativamente para o reforço das competências linguísticas e profissionais dos jornalistas timorenses, destacando os progressos alcançados pelos participantes desde a criação da iniciativa.

Segundo o responsável, o projeto tem produzido resultados concretos, particularmente ao nível da melhoria da escrita e da comunicação em língua portuguesa.

Apesar de não ter acompanhado todas as fases do CLJ desde o seu início, Florindo da Costa afirmou ter observado de perto a evolução do projeto desde que assumiu funções na direção da SECOMS. “Tenho observado um grande progresso. Muitos dos beneficiários desta iniciativa conseguem hoje falar e escrever melhor em português”, afirmou.

O diretor-geral salientou que o projeto responde a uma necessidade real da comunicação social timorense, numa altura em que muitos profissionais aprendem a língua portuguesa no contexto escolar, mas enfrentam dificuldades na sua utilização prática no exercício da profissão.

Segundo explicou, o CLJ tem ajudado os jornalistas a transformar conhecimentos teóricos em competências concretas de comunicação e escrita, contribuindo simultaneamente para a valorização da língua portuguesa e para a melhoria da qualidade do jornalismo produzido no país. “O trabalho desenvolvido pelos revisores e jornalistas é muito importante, porque contribui para melhorar a qualidade da informação e das notícias produzidas em Timor-Leste”, declarou.

Questionado sobre o papel da SECOMS na terceira fase do projeto, após a apresentação do plano de atividades para 2026, 2027 e 2028, Florindo da Costa reconheceu que as limitações orçamentais continuam a constituir um desafio para o reforço do apoio institucional. “Este ano, registou-se uma redução significativa do orçamento em vários setores do Estado e a SECOMS não foi exceção”, afirmou.

Apesar das dificuldades financeiras, o responsável garantiu que a instituição continua empenhada em assegurar a continuidade das atividades consideradas prioritárias e em apoiar os profissionais envolvidos no projeto.

Atualmente, a contribuição da SECOMS para o CLJ incide sobretudo no financiamento dos salários dos revisores nacionais, uma participação que, segundo Florindo da Costa, demonstra o compromisso da instituição com o fortalecimento da comunicação social e da língua portuguesa no país.

O diretor-geral manifestou ainda abertura para reforçar a participação da SECOMS no futuro, à medida que as condições orçamentais o permitam. “Continuaremos a analisar formas de apoiar este projeto e de reforçar a nossa contribuição nos próximos anos”, afirmou.

Para Florindo da Costa, o desenvolvimento das competências linguísticas e profissionais dos jornalistas representa um investimento estratégico para o futuro da comunicação social timorense e para a qualidade da informação disponibilizada aos cidadãos.

O responsável concluiu sublinhando que projetos como o CLJ desempenham um papel importante não apenas na promoção da língua portuguesa, mas também no fortalecimento do jornalismo profissional e na consolidação da democracia em Timor-Leste.

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