`CPLP prepara nova visão estratégica e destaca papel de Timor-Leste na próxima década

“Os conflitos constituem, de facto, um dos maiores desafios do contexto internacional que vivemos atualmente” /Foto: Diligente

Em Díli, a Secretária-Executiva da CPLP afirmou que a organização está a redefinir prioridades para o período pós-2026 e considerou que a presidência timorense poderá ser determinante para reforçar a cooperação, a paz e a relevância internacional da comunidade lusófona.

A Secretária-Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Maria de Fátima Jardim, reuniu-se esta quarta-feira com o Primeiro-Ministro timorense, Xanana Gusmão, no Palácio do Governo, em Díli, para discutir os principais desafios e prioridades da organização numa fase de transição que coincidirá com a presidência pro tempore de Timor-Leste.

No final do encontro, Maria de Fátima Jardim destacou o papel que Timor-Leste poderá desempenhar na definição do futuro da CPLP, numa altura em que a atual visão estratégica da organização, em vigor entre 2016 e 2026, se aproxima do fim.

Segundo a responsável, a comunidade prepara um novo ciclo de planeamento estratégico destinado a reforçar a cooperação política, económica e cultural entre os Estados-membros, bem como a capacidade da CPLP para responder aos desafios internacionais.

“Estamos unidos pela nossa história comum, pela luta pela independência e pela liberdade. Hoje estamos juntos na construção do progresso e do bem-estar dos nossos povos”, afirmou.

A dirigente sublinhou que a paz e a estabilidade continuam a ser condições essenciais para o desenvolvimento dos países lusófonos. “Sem paz não há estabilidade e sem estabilidade não podemos responder às aspirações das nossas populações”, afirmou.

Segurança marítima e desafios globais

Durante a visita, Maria de Fátima Jardim destacou também os resultados da recente Conferência dos Ministros da Defesa da CPLP, realizada em Díli.

Segundo explicou, uma das principais conclusões do encontro foi a necessidade de reforçar a segurança marítima integrada, considerada “fundamental para a soberania dos Estados-membros, muitos dos quais possuem extensas zonas costeiras e marítimas.”

A responsável adiantou que esta temática continuará a ocupar um lugar central na agenda da CPLP, nomeadamente na próxima Conferência dos Ministros das Pescas, agendada para 8 de junho.

Maria de Fátima Jardim alertou ainda para os desafios que atualmente afetam a comunidade internacional, incluindo os conflitos armados, a insegurança alimentar, as alterações climáticas e a degradação ambiental. “Os conflitos constituem, de facto, um dos maiores desafios do contexto internacional que vivemos atualmente”, afirmou.

CPLP prepara celebrações dos 30 anos em Díli

A Secretária-Executiva anunciou igualmente que as celebrações dos 30 anos da CPLP decorrerão em Díli, a 17 de julho, durante a cimeira dos chefes de Estado e de Governo e a reunião do Conselho de Ministros da organização.

Sob o lema “Unidade na Diversidade: CPLP, uma Comunidade para os Povos”, o encontro pretende reforçar os laços históricos, culturais e políticos entre os Estados-membros.

Maria de Fátima Jardim elogiou o percurso de Timor-Leste e classificou o país como “a terra da paz e da irmandade da CPLP”, destacando o papel desempenhado pelos líderes timorenses na construção da independência nacional.

Juventude, mulheres e desenvolvimento económico entre as prioridades

Questionada sobre as expectativas para a presidência timorense da CPLP, Maria de Fátima Jardim apontou como prioridades o reforço da cooperação económica, a promoção da língua portuguesa, a valorização da cultura e da biodiversidade dos Estados-membros e o combate à pobreza.

A responsável destacou também a criação de uma nova direção dedicada ao desenvolvimento económico, destinada a promover o emprego, a inclusão social e a melhoria das condições de vida das populações.

A juventude e a promoção dos direitos das mulheres figuram igualmente entre as prioridades da organização. “A juventude é vida. O nosso legado histórico foi construído por líderes jovens e queremos que continuem a liderar a construção de um mundo mais próspero e feliz”, afirmou.

Guiné-Bissau continua a merecer atenção da CPLP

Questionada sobre as recentes tensões envolvendo a Guiné-Bissau, Maria de Fátima Jardim garantiu que a CPLP mantém o compromisso de diálogo com o país. “Não largamos a Guiné-Bissau. Continuamos presentes e comprometidos com o diálogo”, declarou.

Segundo explicou, os chefes de Estado e de Governo da comunidade continuam empenhados em encontrar soluções que contribuam para o fortalecimento da democracia e do Estado de direito, preservando simultaneamente a unidade da organização.

“Queremos que a família CPLP continue unida e fortalecida, assente na herança histórica que partilhamos e na capacidade dos nossos povos de alcançarem novas causas e novas conquistas”, concluiu.

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