Vasco Viana: “Timor-Leste precisa de gestores dos recursos públicos, não apenas de políticos que contam histórias”

O secretário-geral interino do partido FITUN apela aos jovens para se levantarem e contribuírem para o país através da política/Foto: Diligente

O secretário-geral interino do recém-criado partido FITUN (PF) defende uma maior participação dos jovens na política e considera que Timor-Leste enfrenta um défice de gestão dos recursos públicos e de visão económica. Vasco Viana critica a dependência do país em relação ao petróleo, alerta para a crescente presença de investimento estrangeiro em setores dominados por timorenses e sustenta que o desenvolvimento passa pelo reforço da educação, da saúde, da agricultura e do setor privado.

Vasco Viana, secretário-geral interino do novo partido FITUN (PF), afirma que decidiu entrar na política por considerar que muitas das expectativas geradas após a restauração da independência continuam por concretizar, sobretudo no plano económico e social. Em vez de integrar uma força política já existente, optou por participar na criação de um novo partido, argumentando que a identidade, os princípios e a visão política de uma organização começam na sua liderança.

Antigo adido para a Educação nas Filipinas durante o IV Governo Constitucional e antigo ponto focal da Southeast Asian Ministers of Education Organization (SEAMEO), Vasco Viana dedica-se atualmente à gestão de uma escola técnico-profissional. A experiência no setor educativo e empresarial reforçou a sua convicção de que Timor-Leste necessita não apenas de líderes políticos, mas também de gestores capazes de administrar os recursos públicos de forma eficiente e sustentável.

Definindo-se como um “missionário político”, afirma que a política deve estar ao serviço do povo e do país, e não de interesses pessoais ou partidários. Embora manifeste respeito pelos atuais dirigentes, considera que o país precisa de uma renovação política que permita aos timorenses assumirem um papel mais ativo na economia nacional e reduzirem a dependência em relação a agentes externos.

Em entrevista ao Diligente, Vasco Viana fala sobre a criação do FITUN, as prioridades do partido, os desafios da economia timorense, o desemprego jovem, a agricultura, a educação, a saúde, o combate à corrupção e o futuro político de Timor-Leste.

O que levou à criação deste partido e que problema concreto da política timorense pretende resolver?

A criação deste partido resultou da perceção de que muitas das expectativas dos timorenses continuam por concretizar. Consideramos que um partido político pode ser um instrumento para ajudar a responder a essas expectativas.

Conquistámos a independência política, mas a questão fundamental continua a ser o bem-estar da população. O povo precisa de viver com dignidade e de ter acesso a melhores condições de vida. Na nossa perspetiva, o país enfrenta atualmente sérios desafios económicos.

Basta observar o que acontece em Díli. De Tasi Tolu a Becora, vemos grandes investimentos estrangeiros. Não consideramos que isso seja, por si só, um problema, mas revela uma realidade: falhámos na construção da nossa independência económica.

Se não nos organizarmos e não nos prepararmos para participar ativamente na vida política e económica do país, corremos o risco de nos tornarmos apenas empregados de outros. Muitos jovens, quando conseguem trabalho, acabam por trabalhar em empresas ou estabelecimentos comerciais pertencentes a estrangeiros, porque existem poucas alternativas. A falta de capital e de experiência empresarial dificulta a capacidade dos timorenses para competir no mercado, tornando mais fácil o seu domínio por investidores estrangeiros com maiores recursos.

Foi esta realidade que nos motivou a criar um partido diferente, capaz de apresentar uma nova forma de fazer política. O FITUN é composto maioritariamente por jovens, mas trabalha igualmente com pessoas mais experientes, incluindo veteranos, valorizando o diálogo entre gerações.

As principais diferenças em relação a outros partidos residem na nossa visão política, nos nossos princípios e na forma como encaramos o desenvolvimento do país. Queremos ser um partido próximo da população, capaz de servir de ponte entre os cidadãos e as instituições, sempre orientado para a promoção do bem comum.

“O povo é o verdadeiro patrão. Quando um servidor público não cumpre devidamente as suas funções, está a falhar para com o povo que lhe confiou essa responsabilidade”

Como avalia a composição do seu partido para competir com outros partidos que já existem e têm experiência política?

Os outros partidos surgiram primeiro, mas isso não significa que sejam melhores. Na política, é preciso ter compromisso e convicções fortes para poder competir. Cabe ao povo escolher, porque já tem experiência com outros partidos e sabe o que foi feito ao longo dos anos.

Enquanto secretário-geral, convido os cidadãos a usarem o seu discernimento para escolherem jovens que querem contribuir para o país e não apenas contar histórias. Muitos dirão que os jovens não têm um passado político para apresentar. O nosso compromisso é tornar-nos uma força política capaz de contribuir para a vida política e para a educação.

Queremos formar jovens capazes de trabalhar com dedicação, paciência e espírito de sacrifício, que saibam colaborar entre si e gerir recursos de forma responsável, sem corrupção.

Pretendemos igualmente que os jovens evitem conflitos desnecessários nas instituições públicas e desempenhem as suas funções com profissionalismo, sem envergonharem o povo. O povo é o verdadeiro patrão. Quando um servidor público não cumpre devidamente o seu dever, está a falhar para com aqueles que lhe confiaram essa responsabilidade.

Por isso, no FITUN, estamos a preparar-nos para assumir essa missão. Apostamos na disciplina e na integridade. Para uma nação avançar, são necessários políticos com essas qualidades.

Então, podemos dizer que o FITUN ainda está em fase de preparação?

Não. Consideramos que já estamos preparados, porque dispomos de recursos humanos qualificados. Alguns dos nossos membros possuem mestrados, outros concluíram estudos no estrangeiro e alguns trabalham em instituições internacionais e em embaixadas.

Acredita que as pessoas que o acompanham podem contribuir para o fortalecimento do partido?

A principal figura que nos orienta é o doutor Abílio Araújo. Existem outros colegas, mas ainda não é o momento de os mencionar publicamente. São pessoas que também contribuem para fortalecer o FITUN.

O doutor Abílio Araújo é um economista e gestor com uma longa experiência política. Na nossa perspetiva, Timor-Leste não precisa apenas de políticos que contem histórias da luta pela independência; precisa também de gestores capazes de administrar os recursos do Estado, sobretudo os recursos financeiros, para melhorar a vida da população.

De que forma o partido pretende conquistar a confiança dos eleitores?

Acreditamos que o povo é sábio. Os cidadãos sabem pensar, escolher, avaliar e observar. Por isso, é fundamental confiar no povo.

Ao longo dos 24 anos após a restauração da independência, os timorenses tiveram a oportunidade de conhecer diferentes líderes e partidos. Assim, convidamos os cidadãos a olhar também para este novo partido e para esta nova liderança, composta maioritariamente por jovens com espírito crítico, determinação e vontade de lutar pela dignidade da nação.

Qual é a principal prioridade do partido caso vença as eleições parlamentares?

O povo conhece bem as suas prioridades. Sabe o que os governos fizeram e aquilo que ainda falta fazer.

As nossas prioridades passam pela saúde, educação, agricultura, turismo e atração de investimento. Acima de tudo, queremos promover o bem-estar da população. Essa é a prioridade fundamental. As propostas mais detalhadas serão definidas no congresso do partido.

Atualmente, o país depende excessivamente das importações e continua a haver pouco investimento na agricultura. Em muitos setores da economia, os investidores estrangeiros ocupam espaços que poderiam ser aproveitados pelos timorenses. Até atividades económicas de pequena escala, que anteriormente eram dominadas por cidadãos nacionais, estão gradualmente a passar para mãos estrangeiras.

Entretanto, muitos timorenses sentem-se obrigados a emigrar para países como a Austrália ou o Reino Unido para encontrar oportunidades de trabalho.

Precisamos de uma economia mais forte e de uma estratégia que permita atrair investimentos que beneficiem os timorenses na sua própria terra. Os timorenses devem tornar-se investidores no seu próprio país. O Governo pode criar mecanismos de financiamento para apoiar esse objetivo, porque sem investimento não existe desenvolvimento.

“Em Timor-Leste, por exemplo, num programa de criação de galos e suínos, investem-se cerca de 100 ou 200 mil dólares, mas depois os animais morrem ou os projetos não têm continuidade. Então, para onde vai esse dinheiro? Existe controlo? Há prestação de contas?”

O oitavo Governo também financiou a população através de linhas de crédito com juros baixos, permitindo a criação de pequenos negócios. No entanto, muitos desses empreendimentos não conseguiram competir com as lojas chinesas. Que medidas propõe o FITUN para apoiar os timorenses e permitir-lhes competir com grandes investidores?

O problema não é apenas o financiamento, mas também o controlo e a sustentabilidade dos projetos. Nas Filipinas, por exemplo, as pessoas que pretendem iniciar um negócio conseguem obter empréstimos com juros reduzidos através de instituições financeiras. Contudo, recebem igualmente acompanhamento, monitorização e apoio permanentes para garantir o desenvolvimento dos seus negócios.

Quando surgem dificuldades, o Governo ou as instituições competentes intervêm para ajudar a encontrar soluções. Sem esse apoio contínuo, é difícil que as pessoas consigam tornar-se independentes e alcançar o sucesso.

Em Timor-Leste, por exemplo, num programa de criação de galos e suínos, investem-se cerca de 100 ou 200 mil dólares, mas depois os animais morrem ou os projetos não têm continuidade. Então, para onde vai esse dinheiro? Houve controlo? Existe prestação de contas?

Uma das soluções passa por reforçar os mecanismos de monitorização e apoio permanente, garantindo que os negócios possam crescer de forma sustentável. É isso que gera desenvolvimento e progresso.

Relativamente ao desemprego jovem, que propostas apresenta o FITUN para enfrentar este problema?

O desemprego reduz-se quando existem oportunidades de trabalho. Através do investimento, o Governo pode criar empresas públicas ou apoiar financeiramente empresas privadas.

Em Timor-Leste, o setor privado ainda é frágil, o que constitui um problema, porque nenhum país consegue desenvolver-se sem um setor privado forte. O Japão, por exemplo, apoia financeiramente as suas empresas para garantir o seu crescimento e competitividade.

Por isso, é responsabilidade do Governo criar condições para que o setor privado se desenvolva. Este setor não pode crescer sozinho nem competir em igualdade de circunstâncias com grupos económicos que já possuem experiência e capital acumulado.

Muitos jovens vivem situações de ansiedade e frustração devido à falta de emprego. O Governo deve assumir essa responsabilidade. O desemprego só diminuirá quando houver mais oportunidades económicas e quando os cidadãos deixarem de sentir necessidade de abandonar o país para procurar trabalho no estrangeiro.

No setor agrícola existem terrenos abandonados e vários programas de apoio que nem sempre produziram resultados. Que estratégia tem o FITUN para este setor?

O apoio à agricultura é uma obrigação do Estado e um direito dos cidadãos. Em Viqueque, por exemplo, existem muitos tratores abandonados, alguns dos quais permanecem armazenados sem utilização. O problema não está necessariamente na falta de orçamento, mas na ausência de manutenção e acompanhamento.

É fundamental garantir mecanismos permanentes de controlo, manutenção e sustentabilidade, para que os equipamentos continuem a servir a população durante muitos anos.

A educação e a saúde são frequentemente apontadas como pilares do desenvolvimento. Como pretende o partido investir nestes dois setores?

Antes de mais, é necessário compreender um princípio fundamental: uma nação dificilmente se desenvolve se a sua população não tiver acesso à educação.

Por isso, o Governo deve investir de forma equilibrada neste setor, garantindo que todos possam beneficiar e viver com mais dignidade. O desenvolvimento de um país depende do conhecimento e das competências dos seus cidadãos.

No passado, era mais fácil ingressar numa escola privada do que numa escola pública. Atualmente, verifica-se o contrário, porque muitas escolas privadas tornaram-se mais exigentes e mais dispendiosas. Isso demonstra a importância de o Estado continuar a investir na educação para assegurar oportunidades de aprendizagem para toda a população.

Muitas pessoas não conseguem prosseguir os estudos devido a dificuldades económicas e a outros constrangimentos. Além disso, não é possível oferecer uma educação de qualidade em escolas sem saneamento básico ou sem condições adequadas. Que tipo de aprendizagem pode existir num ambiente assim? Se uma escola não tiver vedação, por exemplo, as crianças podem facilmente abandonar o recinto durante o horário escolar.

Também o ensino superior necessita de instituições de qualidade, professores qualificados e infraestruturas adequadas. Pode existir muito investimento no ensino da língua portuguesa, mas se não houver docentes suficientemente preparados para a ensinar, os resultados serão limitados.

Assim, podemos afirmar que o investimento adequado melhora a qualidade da educação em todos os níveis de ensino, do básico ao superior. A educação deve formar cidadãos bem preparados, com pensamento crítico, boa apresentação pessoal e capacidade de comunicação.

O Governo também precisa de investir na saúde. Atualmente, vemos frequentemente nas redes sociais relatos de familiares de pessoas que perdem a vida devido a problemas de saúde. Para melhorar esta situação, é necessário olhar para as condições de trabalho e para o bem-estar dos médicos, enfermeiros e restantes profissionais do setor.

Os dados sobre a esperança média de vida em Timor-Leste mostram que ainda existem desafios importantes. Para melhorar esses indicadores, não basta investir apenas na educação. É igualmente essencial garantir que toda a população tenha acesso a serviços de saúde de qualidade e a condições de vida adequadas.

Quando existem bons planos, mas persistem práticas de corrupção, como se resolve esse problema?

O chefe do Governo tem competências e responsabilidades claras. Um líder deve exercer controlo e supervisão. Se um ministro não cumprir os planos definidos, cabe ao Primeiro-Ministro responsabilizá-lo. E, quando necessário, esse ministro deve assumir as consequências dos seus atos e demitir-se.

Um dos nossos problemas é a falta de cultura de responsabilização. Muitas vezes, mesmo quando existem falhas evidentes, procura-se encontrar justificações em vez de assumir responsabilidades.

“Por isso, acreditamos no contributo do doutor Abílio Araújo, porque Timor-Leste precisa de gestores capazes de administrar o dinheiro do povo para que os recursos não se esgotem e a população não sofra.”

Timor-Leste enfrenta atualmente desafios relacionados com o Fundo Petrolífero, sobretudo após o encerramento de Bayu-Undan e a aposta no Greater Sunrise. O FITUN defende a continuação desta dependência do petróleo?

Não. Não defendemos uma política de dependência. O Fundo Petrolífero é uma riqueza que Deus concedeu a Timor-Leste, mas trata-se de um recurso finito. Um dia irá esgotar-se. Por isso, devemos utilizá-lo com responsabilidade e investir noutras áreas que possam sustentar o país no futuro.

Precisamos de definir políticas que permitam gerar riqueza através de outras fontes de rendimento e reduzir a dependência do petróleo.

É precisamente por isso que valorizamos o contributo do doutor Abílio Araújo. Consideramos que Timor-Leste necessita de gestores capazes de administrar os recursos públicos de forma eficiente, para evitar que se esgotem sem gerar benefícios duradouros para a população.

Que papel terão os jovens na estrutura do FITUN?

O papel dos jovens no FITUN passa por uma preparação sólida, baseada na formação, na disciplina e na responsabilidade.

Um partido político também deve funcionar como uma escola de cidadania. É um espaço onde os jovens aprendem a trabalhar em conjunto, a respeitar opiniões diferentes, a apresentar ideias e a formular críticas fundamentadas. Devem aprender a discutir argumentos e propostas, e não a atacar pessoas, como infelizmente acontece, por vezes, no debate político.

É através deste processo que os jovens compreendem melhor o seu papel na sociedade e na política. O partido tem também a responsabilidade de orientar esse percurso.

Por isso, digo frequentemente que um político deve ser um missionário. Tem uma missão a cumprir: servir o povo e servir a nação.

Em várias ocasiões afirmou que prefere ser um “missionário político” a um “mercenário político”. O que quer dizer com essa distinção?

Ser missionário significa sentir que fomos chamados a utilizar as capacidades que Deus nos deu para retribuir algo ao nosso país. É essa convicção que me motiva. Não se trata apenas de ocupar um cargo ministerial ou alcançar uma determinada posição política. O mais importante é contribuir para a nação.

Já um mercenário atua em função da recompensa que recebe. Faz algo porque alguém lhe paga ou porque espera obter benefícios pessoais.

Por exemplo, alguém que procura chegar ao poder apenas para ter privilégios, um carro oficial ou melhorar exclusivamente a sua própria vida está a agir com uma lógica mercenária. A nossa perspetiva é diferente. A política deve ser uma missão de serviço público.

No futuro, o FITUN admite formar coligações com outros partidos políticos?

Naturalmente. Na política existe sempre um certo grau de interdependência. Nenhum partido vive completamente isolado. Quando existem objetivos comuns e formas semelhantes de encarar os desafios do país, podem criar-se condições para o diálogo e para a cooperação.

No FITUN consideramos que, em determinadas circunstâncias, pode ser necessário formar coligações com outras forças políticas. Estamos abertos a essa possibilidade, porque Timor-Leste pertence a todos os timorenses e o interesse nacional deve estar acima dos interesses partidários.

Quais são os princípios que constituem as linhas vermelhas do partido para futuras alianças políticas?

A política nasce das convicções e da visão que cada partido tem para o país. Mesmo que existam diferenças ideológicas, acredito que todos os partidos devem partilhar um objetivo comum: trabalhar para o bem comum e para o desenvolvimento nacional.

Para formar uma coligação é necessário existir confiança, respeito mútuo e convergência em matérias fundamentais. As alianças só fazem sentido quando os interesses dos cidadãos são colocados em primeiro lugar e quando existe uma visão comum sobre o caminho a seguir.

“A nossa visão é que todos os timorenses sintam orgulho em ser timorenses e em viver no seu próprio país.”

Como imagina Timor-Leste daqui a 20 anos?

A nossa visão é que todos os timorenses sintam orgulho em ser timorenses e em viver no seu próprio país. Nenhum cidadão deveria sentir que perdeu a esperança no futuro a ponto de acreditar que só poderá construir uma vida melhor emigrando para países como o Reino Unido ou a Austrália.

Cada timorense deve acreditar no seu valor e nas suas capacidades. Quero encorajar os jovens e todos os compatriotas a rejeitarem qualquer sentimento de inferioridade. Muitas vezes, os timorenses comparam-se com estrangeiros e concluem que estes são mais inteligentes ou mais capazes. Essa mentalidade deve ser ultrapassada.

Trata-se também de uma questão psicológica. Quando uma pessoa acredita que vale pouco, acaba por limitar as suas próprias possibilidades. Por isso, defendemos que os timorenses devem investir no seu país, construir o seu futuro aqui e acreditar que Timor-Leste pode ser um bom lugar para viver e prosperar.

Um político deve ter sonhos e uma visão para a sua nação. Os sonhos ajudam a definir objetivos e a orientar a ação política.

O nosso objetivo é que os timorenses se sintam confortáveis na sua própria terra, que se tornem investidores no seu próprio país e que assumam um papel central na economia nacional. Essa é, na nossa perspetiva, uma das principais responsabilidades de quem faz política. Todos os que pretendem servir o país devem ter essa visão e trabalhar para a concretizar.

É por isso que também apelo à reflexão sobre a forma como podemos unir esforços para alcançar esse objetivo.

Como pretende convencer os eleitores de que o FITUN não será apenas mais um partido a fazer promessas?

Não acredito que todos os partidos sejam iguais. Costumo dizer nas reuniões do Conselho Político Nacional que ninguém deve fazer promessas irrealistas aos cidadãos. Devemos evitar promessas que não possam ser cumpridas.

O FITUN procura não basear a sua ação política em promessas, mas sim em compromissos concretos. Se o povo depositar a sua confiança no partido e nós não formos capazes de cumprir aquilo que defendemos, naturalmente perderemos essa confiança nas eleições seguintes.

Mas ao longo desta entrevista falou de missão, visão, investimento e prioridades. Não são também promessas?

Não. Existe uma diferença entre promessas e compromissos políticos. Os compromissos correspondem a obrigações que um Governo deve assumir perante os cidadãos. Não se trata de prometer algo apenas para obter apoio eleitoral, mas de reconhecer direitos que já pertencem ao povo.

Por exemplo, o investimento na agricultura não deveria ser visto como uma promessa, mas como uma obrigação do Estado para com os agricultores e com a população em geral.

Da mesma forma, muitos dos compromissos que defendemos correspondem a direitos dos cidadãos. O nosso objetivo não é fazer promessas vazias, mas assumir responsabilidades políticas. Quando um partido está devidamente preparado e apresenta propostas consistentes, cabe ao povo avaliar e decidir se merece a sua confiança.

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