EPD CUP 2026 junta 17 escolas de Díli e transforma futsal em espaço de convivência e amizade

O Colégio Paulo VI conquistou o título de campeão feminino da Taça EPD /Foto: Diligente

A quarta edição da EPD CUP reuniu 17 escolas secundárias de Díli num torneio de futsal marcado pela competição intensa dentro de campo e por momentos de cooperação e amizade fora dele, envolvendo estudantes ao longo de várias semanas.

A Escola Portuguesa de Díli organizou, através dos estudantes finalistas de 2026, a quarta edição da EPD CUP, um torneio interescolar de futsal que contou com a participação de 17 escolas secundárias de Díli, em competições masculinas e femininas.

O evento, realizado entre o final de fevereiro e 9 de maio, data das finais, reuniu 11 equipas femininas e 6 masculinas, tornando-se um espaço de integração, convivência e fortalecimento das relações entre estudantes de diferentes escolas.

Segundo a organizadora da atividade, Inês Anono, o principal objetivo da competição é promover a amizade entre escolas e fortalecer o espírito desportivo entre os jovens de Díli. “A EPD CUP foi criada para aproximar as escolas e incentivar os estudantes a praticarem desporto num ambiente saudável e de amizade”, afirmou.

A estudante acrescentou que esta já é a quarta edição do torneio, que se tem afirmado como uma atividade relevante de integração entre estudantes da capital. Ao longo da competição, surgiram vários desafios, sobretudo devido à chuva e a alguns acidentes que obrigaram a interrupções temporárias dos jogos. Ainda assim, a iniciativa decorreu com sucesso, com apoio dos patrocinadores e das direções das escolas envolvidas.

Inês referiu ainda que algumas escolas que nunca tinham sido convidadas em edições anteriores participaram pela primeira vez este ano, surpreendendo pela qualidade e potencial em campo. Houve também dificuldades com atrasos de equipas e conflitos entre horários escolares e jogos, o que obrigou a ajustes constantes do calendário. “Algumas escolas tinham outras atividades no mesmo período, por isso tivemos de reorganizar os horários para garantir a participação de todos”, explicou.

Um dos momentos mais marcantes, segundo a organização, aconteceu durante uma forte chuva, quando os próprios jogadores ajudaram a limpar o campo para que os jogos continuassem. “Isso mostrou o verdadeiro espírito de equipa e solidariedade entre os estudantes, para além da competição”, acrescentou Inês.

As finais decorreram no campo da Polícia Militar, em Mascarenhas, Díli, perante estudantes, professores e apoiantes.

Na competição feminina, o terceiro lugar foi disputado entre a Escola Santa Madalena de Canossa e o CAFE de Díli, com vitória da Escola Santa Madalena de Canossa por 3-1. Na final feminina, o Colégio Paulo VI e a Escola Portuguesa de Díli empataram no tempo regulamentar, levando o jogo para grandes penalidades, onde o Colégio Paulo VI venceu por 3-2 e conquistou o título.

No setor masculino, a Escola São Pedro venceu o jogo de atribuição do terceiro lugar frente ao Colégio Paulo VI por 6-0. A final colocou frente a frente o Colégio de São José Operário e a Escola Cristal, num jogo equilibrado e intenso, com vitória da Escola Cristal por 3-2.

A organização distinguiu também os melhores jogadores do torneio. No feminino, Danila Guterres foi a melhor marcadora (Bota de Ouro), Vivane Guterres a melhor guarda-redes e Devona Cunha a melhor jogadora. No masculino, Joe Purificação venceu a Bota de Ouro, Edgar Soares foi o melhor guarda-redes e Inigo Braz o melhor jogador.

A cerimónia de entrega de prémios terminou num ambiente de celebração e confraternização entre as escolas.

“Perdemos no jogo, mas ganhámos na amizade”

O jogador Denilson Heler da Silva de Jesus, da Escola São Pedro, agradeceu à organização pela iniciativa. “Agradecemos à EPD por organizar este torneio de amizade entre escolas. A nossa equipa esforçou-se bastante e conseguiu conquistar o terceiro lugar”, declarou.

Apesar da derrota por 6-0, o jogador Roberto Afonso de Castro, do Colégio Paulo VI, sublinhou o valor da experiência. “Perdemos no jogo, mas ganhámos na amizade”, afirmou, destacando o reforço de laços entre estudantes.

A jogadora Fidélia Sousa Soriano, do Colégio Paulo VI, destacou a importância de abrir espaço às atletas femininas. “Muitas vezes, os torneios são organizados apenas para homens. A EPD mostrou que as mulheres também sabem jogar futebol e têm talento”, disse, apelando a mais competições desportivas.

O jogador Eurico dos Santos Fátima, da Escola Cristal, mostrou-se orgulhoso com o desempenho da equipa. “Mostrámos que a nossa escola também tem qualidade no desporto”, afirmou.

Apesar da derrota, o representante do Colégio São José Operário Balide, Leonel Inácio Saldanha de Jesus, considerou que o torneio trouxe aprendizagens importantes. “O desporto ajuda a fortalecer a unidade e a paz entre os jovens”, declarou.

A estudante Devona Cunha, do Colégio Paulo VI, vencedora do prémio de melhor jogadora, mostrou-se satisfeita com o reconhecimento. “Estou muito feliz por receber este reconhecimento. Vou continuar a esforçar-me para desenvolver ainda mais o meu talento”, afirmou.

Diretor da EPD destaca papel do desporto na educação

O diretor da Escola Portuguesa de Díli, Manuel Alexandre Marques, destacou a EPD CUP como uma iniciativa que promove não só o desporto escolar, mas também a amizade, a cidadania e a aproximação entre escolas em Timor-Leste.

Segundo o responsável, o torneio nasceu com o objetivo de criar um espaço saudável onde os estudantes possam conviver, praticar desporto e fortalecer relações entre comunidades escolares. “A EPD CUP tem um objetivo fundamental: primeiro, que os alunos se divirtam a praticar desporto. Segundo, que a EPD tome a iniciativa de criar relações com outras escolas”, afirmou.

O torneio começou logo no primeiro ano da sua chegada a Timor-Leste, após uma proposta apresentada pelos próprios estudantes da EPD. “Os alunos tiveram esta ideia e eu apoiei imediatamente. Esta já é a terceira edição”, explicou. O responsável avaliou positivamente o envolvimento dos alunos na organização. “Os alunos estão aqui todos os sábados a trabalhar e a preparar tudo com grande dedicação”, afirmou.

Manuel Alexandre Marques sublinhou que, apesar de ser uma escola pública portuguesa, a EPD faz parte da realidade timorense e deve manter ligação com outras escolas do país. “Estamos em Timor-Leste e não faz sentido não haver comunicação entre as escolas”, explicou.

O diretor destacou ainda o ambiente de convivência criado pelo torneio, que reúne estudantes, professores e famílias. “O objetivo é também social, para que os alunos convivam e criem amizades com estudantes de outras escolas”, referiu.

Para o diretor, a rivalidade deve ficar dentro do campo. “Podemos discordar num jogo, mas isso não faz da outra pessoa um inimigo. A amizade e o respeito devem estar acima de tudo”, afirmou.

Segundo Manuel Alexandre Marques, o torneio reflete valores como responsabilidade, espírito de equipa, respeito e convivência pacífica. “A EPD não é uma ilha isolada em Timor-Leste. É uma escola aberta”, disse.

O diretor destacou também o ambiente multicultural do torneio. “Aqui não há portugueses, timorenses, coreanos ou indonésios. Há estudantes que convivem e se tornam amigos”, declarou.

Por fim, defendeu maior cooperação entre diretores das escolas em Díli. “Tenho procurado contactar diretores de outras escolas para desenvolver projetos em comum, mas nem sempre é fácil. Acho que aquilo que os alunos fazem também devia acontecer entre os adultos”, sublinhando que o desporto deve servir como exemplo de convivência e respeito na sociedade.

Para Manuel Alexandre Marques, a troca de experiências e conhecimentos é fundamental para o crescimento coletivo das instituições de ensino. “Aquilo que eu sei, outros podem não saber, e aquilo que os outros sabem eu também posso aprender. É assim que crescemos juntos”, acrescentou.

O diretor reforçou que o desporto deve servir como exemplo para a convivência na sociedade. “No desporto, nós aprendemos a respeitar o outro. Podemos discordar do árbitro ou do adversário, mas isso não faz deles inimigos”, afirmou.

Os jogos coletivos, segundo o diretor, ajudam os jovens a compreender valores fundamentais como união, respeito e trabalho em equipa. “Estamos perante adversários, não inimigos. O desporto é uma base importante para muitas das relações humanas e sociais”, concluiu.

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