UNTL: Joviano da Costa aposta em ensino de excelência, ética e inovação tecnológica

Joviano da Costa assume a Reitoria da UNTL com um plano ambicioso: modernizar infraestruturas, elevar a qualidade do ensino e reforçar a ética no campus.

A Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), criada em 2000, é a principal e única instituição de ensino superior pública de Timor-Leste, desempenhando um papel central na formação de profissionais e intelectuais ao longo das últimas duas décadas. Apesar do prestígio conquistado, a universidade enfrenta desafios significativos: formar graduados capazes de competir internacionalmente, atualizar currículos e metodologias de ensino, superar limitações de infraestrutura e recursos tecnológicos, e lidar com a escassez de docentes qualificados gerada por recentes reformas.

Em entrevista ao Diligente, o novo Reitor para o período 2026-2031, Joviano António da Costa, apresenta sua visão estratégica: modernizar a UNTL, reforçar a qualidade do ensino, promover a língua portuguesa, estabelecer parcerias internacionais, prevenir o assédio sexual e implementar soluções para a carência de docentes. O plano inclui também investimentos em infraestrutura e tecnologia, como ampliação de laboratórios e salas de aula, e recursos digitais modernos para apoiar o ensino e a investigação científica.

Outro ponto central da agenda do Reitor é fortalecer a ética e a segurança no campus, criando canais seguros de denúncia e promovendo respeito mútuo entre estudantes e docentes. Joviano da Costa sublinha ainda a necessidade de alinhar a UNTL aos padrões da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), de forma a garantir que graduados e professores contribuam de forma significativa para o desenvolvimento de Timor-Leste e para o reconhecimento internacional da universidade.

“Um ponto importante que considero no mundo contemporâneo é elevar a qualidade dos graduados para que possam competir a nível nacional, regional e internacional. Alcançar graduados com qualificações globais é a minha prioridade”

Quais são as medidas prioritárias que pretende implementar ao assumir a Reitoria da UNTL?

Sou o sexto reitor da UNTL e cada reitor tem um mandato de cinco anos. Ao longo destes anos, os anteriores já fizeram muitas coisas. Primeiro estabeleceram a própria universidade e depois continuaram o desenvolvimento desta instituição. Há coisas que correram bem e outras que não correram tão bem.

No entanto, como reitor neste momento, um ponto importante que considero no mundo contemporâneo é elevar a qualidade dos graduados para que possam competir a nível nacional, regional e internacional. Alcançar graduados com qualificações globais é a minha prioridade.

Podemos ter muitos planos, mas os canais de atuação são específicos. A UNTL é uma instituição que atua na área da educação e o que podemos fazer é aplicar o processo de ensino e aprendizagem. Além disso, temos a pesquisa e a inovação. Outra ação importante da universidade é o serviço comunitário.

Há outra parte importante ligada ao desenvolvimento de infraestruturas. Para que tudo funcione dentro da universidade, precisamos de infraestruturas que possam apoiar o processo de ensino e aprendizagem. O desenvolvimento de infraestruturas precisa ser feito etapa por etapa. Temos planos para esse desenvolvimento, mas ainda estamos na fase de planeamento, porque acabámos de assumir a função. Espera-se que os planos relacionados com infraestruturas possam ser implementados durante o nosso mandato.

A recente reforma dos docentes tem gerado impacto no processo de ensino. Que medidas está a tomar para resolver essa questão e qual o plano a longo prazo?

A reforma é um processo normal e inevitável. Nada é permanente no mundo: as pessoas mudam e, em determinado momento, precisam de se reformar. A situação que enfrentámos recentemente ocorreu porque esta reforma foi aplicada pela primeira vez. Antes, falava-se de reforma, mas nunca tinha sido concretizada. No início deste ano, esse processo foi finalmente implementado.

Por exemplo, no Departamento de Ensino da Língua Portuguesa havia 11 professores e, de repente, vários reformaram-se, deixando o departamento sem corpo docente. Isto aconteceu porque a estrutura anterior da universidade não estava devidamente preparada para a substituição dos professores. Alguns departamentos ficaram vazios, o que provocou protestos por parte dos estudantes. Após essa situação, conseguimos resolver o problema e o processo de ensino e aprendizagem voltou a funcionar normalmente.

É certo que, no futuro, todos os anos haverá professores que se reformam e precisarão de ser substituídos. O fundamental é preparar previamente esses substitutos, para que quando alguém se reformar já exista alguém capacitado para ocupar o lugar. Muitas vezes, as pessoas não consideram quem irá sucedê-las ou como manter a continuidade do ensino. Esta experiência serviu de lição para garantir que, doravante, este planeamento seja feito de forma consistente.

No Departamento de Língua Portuguesa, que tem longa tradição e já formou muitos graduados, recorrendo à experiência dos antigos alunos ou aos melhores graduados, conseguimos suprir as vagas deixadas pelos docentes reformados. Jovens professores do Centro de Língua Portuguesa da UNTL foram chamados para apoiar o departamento, e continuaremos a identificar graduados qualificados para preencher os lugares vagos.

Este processo permite também criar oportunidades para que esses graduados continuem a estudar, elevem o seu nível académico e se preparem para se tornarem futuros docentes na universidade. Nenhum professor surge pronto, por isso é essencial preparar os recursos humanos. Atualmente, a crise de docentes já foi resolvida, incluindo em outros departamentos que enfrentaram situações semelhantes.

No futuro, vamos coordenar com as faculdades para antecipar a reforma dos docentes. Assim, quando novos professores se reformarem, já teremos substitutos preparados. Normalmente, as vagas são públicas, mas a UNTL é também um centro de formação intelectual. Se abrirmos apenas a competição a candidatos externos, os nossos graduados podem perder oportunidades. Por isso, o processo deve ser inclusivo: se os graduados da própria UNTL forem os mais qualificados, ocuparão essas posições e serão preparados para se tornarem futuros docentes.

Neste contexto, a UNTL trabalha em colaboração com a Comissão da Função Pública no recrutamento de docentes. Assumi a reitoria há apenas um mês, pelo que este ainda é um plano em fase inicial. Antes de avançar com o recrutamento, precisamos de garantir os recursos financeiros necessários para remunerar adequadamente os funcionários e professores. O orçamento atual corresponde ao plano do ano anterior; o novo plano, incluindo o recrutamento de novos docentes, poderá ser implementado no próximo ano.

Como pretende garantir que futuras reformas não afetem negativamente a qualidade do ensino na UNTL?

Para antecipar o impacto das reformas, o essencial é não deixar vagas vazias. A fim de evitar protestos dos estudantes e preocupações da comunidade, estamos a implementar preparações de forma gradual e organizada. O processo começa pelos próprios departamentos, identificando os melhores graduados para apoiar os seus cursos, de modo que, no futuro, possam substituir os docentes que se reformarem.

Muitas vezes, quando um professor se reforma, recorremos a candidatos externos à universidade. Embora existam candidatos, este processo costuma ser moroso. No entanto, é fundamental que o processo de ensino e aprendizagem continue sem interrupções. Por isso, os planos para antecipar estas situações devem ser claramente definidos e coordenados pelos departamentos e pelas faculdades da UNTL, garantindo a continuidade e a qualidade do ensino.

Existe um plano para promover formação contínua aos melhores graduados e reforçar a capacitação pedagógica dos docentes?

A estrutura da Reitoria não é responsável por identificar diretamente os melhores estudantes; cada departamento conhece melhor os seus próprios alunos. Não somos nós que escolhemos — são os departamentos que sabem quem se destaca.

Nos departamentos, existem muitos professores contratados. Entre eles estão alguns dos melhores graduados formados nesses mesmos cursos. As faculdades ou departamentos estabelecem contratos com esses graduados, que começam a lecionar e continuam os seus estudos para elevar o seu nível académico, preparando-se para, no futuro, substituir os docentes efetivos.

Esta estratégia faz parte do meu plano, porque não temos outros meios. Nós formamos os estudantes e conhecemos o seu potencial. A estrutura anterior não aproveitou bem este recurso, tornando difícil, depois, encontrar pessoas qualificadas para ensinar. Uma forma de antecipar a escassez de docentes é preparar os nossos melhores graduados como uma reserva de futuros professores.

Para se tornar docente é necessário elevar o nível de educação. No Departamento de Ensino da Língua Portuguesa, por exemplo, os professores atuais possuem mestrado e alguns doutoramento. Contamos com o apoio deles para continuar a ensinar os estudantes, com base nas suas capacidades e conhecimentos, garantindo assim a qualidade pedagógica.

“Da minha parte, não tolero docentes que assediem estudantes. O docente deve ser exemplo de conduta.”

O assédio sexual tem sido motivo de preocupação na comunidade académica, como demonstrou a suspensão de um docente após acusações na Faculdade de Ciências Sociais. Quais políticas específicas pretende reforçar ou implementar para prevenir o assédio e garantir que estudantes e docentes se sintam seguros para denunciar?

Na universidade, existem duas componentes fundamentais: estudantes e docentes. É preciso avaliar se o assédio sexual acontece de forma grave ou se, por vezes, as situações são exageradas. Fora do contexto universitário, noutros locais, podem ocorrer casos ainda mais sérios, mas como não acontecem em instituições públicas, passam muitas vezes despercebidos. Quando ocorre na universidade, toda a comunidade académica fica em alerta.

Na minha opinião, comportamentos imorais estão ligados à formação ética e moral dos indivíduos. A universidade não é um espaço para ensinar moral; essa formação deve vir da família. Uma pessoa educada e consciente do respeito pelos outros não praticará assédio sexual.

A principal estratégia para lidar com o problema é a lei. Em muitos países, o assédio sexual é prevenido porque a legislação é rigorosa. Em Timor-Leste, a legislação ainda não é suficientemente forte. Como reitor, não posso simplesmente proibir interações entre docentes e estudantes — o diálogo faz parte do processo académico —, mas podemos estabelecer limites claros e regulamentos internos.

Reconhecemos que a educação moral e cívica deve ser reforçada desde o ensino básico, de forma a preparar os estudantes para a vida universitária. No entanto, mesmo que a formação moral não seja completa, não podemos permanecer inativos. Devemos implementar medidas concretas, ainda que não eliminem totalmente o problema.

Uma das ações que pretendo reforçar é regular o horário de trabalho dos docentes, uma vez que a UNTL é uma universidade pública e os docentes são funcionários públicos. As atividades académicas formais devem ocorrer entre as 08h00 e as 17h00. Por exemplo, a orientação de monografias fora do horário de trabalho deve ser limitada. São medidas simples, mas que podem ajudar a reduzir situações de assédio.

É importante também evitar generalizações. Mesmo que ocorram um ou dois casos, não significa que todos os docentes cometam assédio sexual. Os atos de assédio estão ligados a falhas de ética e moral, independentemente das capacidades intelectuais do docente.

Outro desafio é a dificuldade em provar casos de assédio sexual, especialmente quando não existe contacto físico. Muitas situações ocorrem através de mensagens ou meios digitais, e a legislação ainda não define claramente estes crimes. A criação de leis relativas a crimes cibernéticos é uma necessidade urgente.

No essencial, devemos promover respeito mútuo entre docentes e estudantes. O assédio sexual surge quando há uma divergência entre o que é consentido e o que não é. Se ambas as partes concordam, não há problema; quando uma parte não quer, configura-se assédio.

Da minha parte, não tolero docentes que assediem estudantes. O docente deve ser exemplo de conduta. Quando ocorrem atos de assédio, posso aplicar medidas administrativas, mas as sanções principais dependem da legislação vigente. A UNTL está comprometida em criar um ambiente seguro e respeitador para todos.

Existem mecanismos para apoiar as vítimas de assédio e assegurar transparência no processo de investigação e disciplina?

Não acredito que os docentes da UNTL ameacem estudantes para impedir a liberdade de expressão. Podem existir um ou dois casos isolados, mas não podemos generalizar para todos os docentes.

Os professores não devem intimidar estudantes que pretendam relatar situações ou expressar-se livremente. Não é aceitável criar terror ou ameaçar alunos para que não passem numa disciplina. Esse tipo de atitude não é tolerado na UNTL. Muitas vezes, essas situações ocorrem entre duas pessoas e só são conhecidas quando os estudantes denunciam, o que nos surpreende.

A função do docente é ensinar e transmitir conhecimento científico, e não condicionar avaliações ou favores em troca de algo. Comportamentos desse tipo não devem existir na universidade. Quem pode condenar estas práticas é a lei. Quando os estudantes apresentam denúncias, é a legislação que deve intervir. Até ao momento, ainda não houve condenações, muitas vezes devido a lacunas na legislação face às tecnologias e à informação digital.

Como docente e reitor, também não concordo com o assédio sexual. A minha função é ensinar e transmitir conhecimento com consciência ética. Pessoas imorais existem, mas isso não significa que todos os docentes da UNTL tenham comportamentos inadequados. Situações semelhantes ocorrem noutras universidades, mas nenhuma ação negativa deve ser tolerada, porque todos devemos viver num ambiente de liberdade, respeito e bem-estar.

Atualmente, os casos de assédio sexual na UNTL estão sob investigação, mas ainda não há decisões finais. Estamos a aguardar que os processos sejam concluídos, lembrando que os docentes são funcionários públicos e cidadãos sujeitos à lei.

Existe um plano para modernizar o currículo e alinhar os cursos da UNTL com padrões internacionais e as necessidades do mercado de trabalho?

Os currículos universitários em todo o mundo são, em geral, globais e universais. Não existe um currículo totalmente local; podem ser incluídos alguns conteúdos específicos do país, mas representam apenas uma pequena parte. Esta universalidade permite que um estudante formado na UNTL possa prosseguir estudos na Europa ou nas Américas, uma vez que o conhecimento científico é global.

O que é essencial modernizar, contudo, são as infraestruturas e os laboratórios que apoiam o desenvolvimento académico dos estudantes. O currículo é importante, mas sem experiências práticas, análise, investigação e inovação, a nossa capacidade de competir com países vizinhos é limitada.

Vivemos numa era de tecnologia avançada, e é necessário dispor de recursos financeiros para adquirir estas tecnologias e colocá-las à disposição dos estudantes. Melhorar estas condições permite-lhes aprender de forma mais eficaz, desenvolver competências mais sólidas e, consequentemente, contribuir para o progresso do país e da região.

“Sou uma pessoa técnica e não gosto de cooperação que fique apenas no papel. Não gosto quando se assinam acordos e depois não há implementação. O que valorizamos é a seriedade, e espero que as parcerias estabelecidas tragam impactos concretos para os estudantes e para a universidade”

Como está a universidade a trabalhar para reforçar parcerias internacionais, como o acordo com a Universidade de Lisboa no setor da Justiça, e de que forma isso beneficia estudantes e docentes?

A cooperação internacional é muito importante. Não podemos isolar-nos. Antes de eu assumir o cargo de reitor, a UNTL já tinha estabelecido muitas parcerias com diferentes instituições e países. No entanto, ainda não sei exatamente quantas foram realmente implementadas.

Antes de ser reitor, também estive envolvido durante muito tempo em cooperação internacional, por isso sei que essas parcerias são muito importantes. Durante este primeiro mês no cargo encontrei-me com muitas pessoas, e espero que esses encontros tragam benefícios reais para a UNTL.

Sou uma pessoa técnica e não gosto de cooperação que fique apenas no papel. Não gosto quando se assinam acordos e depois não há implementação. O que valorizamos é a seriedade, e espero que as parcerias estabelecidas tragam impactos concretos para os estudantes e para a universidade.

Quanto à cooperação com a Universidade de Lisboa, não tenho certeza sobre todos os detalhes, mas neste momento há um professor que está a apoiar a Faculdade de Direito, e parece que é financiado pela Universidade de Lisboa. Isso é positivo, porque além de estudar direito, os estudantes também reforçam o português.

Não temos cooperação apenas com Portugal, mas temos também parcerias com instituições coreanas, dos Estados Unidos e com a Japão. Essas cooperações são importantes para o futuro e para o desenvolvimento da instituição.

De que forma a UNTL está a preparar os estudantes para responder às exigências de uma economia globalizada e tecnológica?

A universidade prepara os estudantes através do reforço do conhecimento científico, do acesso a tecnologias modernas e da melhoria das infraestruturas educativas e laboratoriais. Desta forma, os estudantes desenvolvem competências que lhes permitem competir no mercado de trabalho global e, simultaneamente, contribuir para o desenvolvimento de Timor-Leste.

Que medidas estão a ser implementadas para reduzir desigualdades no acesso e na qualidade do ensino entre diferentes cursos e faculdades?

Neste momento, estamos a avaliar a situação de cada curso e faculdade. Em breve, visitaremos os departamentos para identificar limitações e obstáculos específicos. Após a recolha destas informações, procederemos à análise detalhada e implementaremos soluções que apoiem a modernização das faculdades da UNTL. O objetivo é garantir melhores condições de ensino em todas as áreas da universidade.

Como pretende abordar os desafios de gestão interna, como casos de irregularidades administrativas identificados em algumas faculdades?

Muitas vezes, a questão remete para a moral e o civismo. Ao tornar-se funcionário público, cada indivíduo faz um juramento, mas, infelizmente, por vezes age em contradição com esse compromisso.

No que diz respeito à gestão administrativa, estamos a reforçar os mecanismos de controlo para assegurar que todos os processos funcionem de acordo com as regras e regulamentos, prevenindo má gestão e falsificação de documentos.

Atualmente, várias divisões estão a implementar sistemas de digitalização para melhorar o controlo dos processos administrativos e minimizar irregularidades. Isso inclui também o registo digital de estudantes, evitando manipulações manuais de dados.

Gradualmente, estamos a aplicar soluções digitais para reduzir a intervenção manual nos procedimentos administrativos. Embora algumas pessoas possam sentir resistência a estas mudanças, acreditamos que esta é a forma mais eficaz de prevenir problemas no futuro.

A UNTL recebeu cerca de 5.358 novos estudantes este ano. Como estão a planear acolher e integrar estes estudantes no sistema académico e administrativo?

O número de estudantes admitidos não corresponde exatamente ao pedido inicial da universidade, mas, após o processamento das listas, aproxima-se de cinco mil. Estes números precisam de ser conciliados com as condições de infraestrutura e os espaços disponíveis para acomodar todos adequadamente.

Estamos a trabalhar para garantir que os estudantes tenham boas condições para desenvolver o processo de ensino e aprendizagem. A médio e longo prazo, será necessário ampliar e modernizar os espaços académicos para responder a esta procura crescente.

Este crescimento evidencia também que a população jovem de Timor-Leste está a aumentar significativamente. Trata-se de um potencial recurso humano que pode contribuir para o desenvolvimento do país, e é essencial fortalecer estes jovens com conhecimento de qualidade, de forma a prepará-los para competir a nível nacional, regional e internacional.

Que mudanças na infraestrutura e tecnologia estão a planear para apoiar um ensino e investigação de qualidade?

A universidade tem planeado melhorias significativas nas infraestruturas, laboratórios e no acesso a tecnologias modernas, com o objetivo de apoiar de forma eficaz o ensino e a investigação científica. Estas alterações visam criar um ambiente propício à aprendizagem, à experimentação e à inovação, permitindo que estudantes e docentes desenvolvam plenamente as suas competências e contribuam para o avanço académico e científico da instituição.

“No passado, existiam cursos para docentes e funcionários, mas, após a formação, muitos voltavam a utilizar predominantemente o tétum, limitando a consolidação do português. Isto não significa que a universidade ignore a língua, mas sim que persistem desafios na sua implementação prática”

Qual é o papel da UNTL no desenvolvimento das línguas oficiais e na promoção do português?

Após a independência, as línguas oficiais de Timor-Leste passaram a ser o tétum e o português. Desde então, os estudantes começaram a aprender português, mas o domínio da língua ainda varia entre eles. Independentemente das dificuldades, sendo língua oficial, é essencial que os estudantes desenvolvam competências sólidas neste idioma.

No meu caso pessoal, não tive oportunidade de aprender português enquanto jovem, pois durante a ocupação era obrigatório dominar a língua indonésia. Mais tarde, na universidade, fomos obrigados a aprender português, mas cheguei a fazê-lo tardiamente, o que dificultou a plena fluência.

Na UNTL, o Centro de Língua Portuguesa desempenha um papel central na promoção e ensino do idioma. No passado, existiam cursos para docentes e funcionários, mas, após a formação, muitos voltavam a utilizar predominantemente o tétum, limitando a consolidação do português. Isto não significa que a universidade ignore a língua, mas sim que persistem desafios na sua implementação prática.

Durante o meu doutoramento em Portugal, embora o objetivo fosse melhorar o meu português, grande parte dos estudos e comunicações era feita em inglês, limitando a prática efetiva da língua.

Atualmente, a UNTL tem promovido cursos de português e incentiva os estudantes a escrever as suas monografias neste idioma. No entanto, o uso regular do português, especialmente na escrita e na comunicação diária, ainda é limitado, pelo que continuamos a reforçar a sua utilização em contextos académicos e práticos dentro da universidade.

Que mensagem gostaria de transmitir à comunidade universitária e à sociedade timorense?

À comunidade universitária, especialmente à UNTL, quero sublinhar que, em breve, estaremos plenamente integrados à ASEAN, e todos os padrões da região passarão a ser aplicáveis, incluindo aos graduados da universidade. Por isso, é fundamental que trabalhemos juntos e nos dediquemos aos estudos, procurando qualificações de excelência que permitam competir a nível nacional e regional.

Neste contexto, já não somos apenas Timor-Leste; somos membros da ASEAN, e é essencial que os nossos padrões académicos estejam alinhados com os da região. A preparação adequada dos nossos estudantes e docentes é decisiva para alcançar este objetivo.

À sociedade timorense, gostaria de reforçar que a UNTL forma grande parte dos futuros profissionais do país. É, portanto, vital preservar e valorizar o prestígio da universidade, garantindo que continue a merecer a confiança da população e o reconhecimento tanto a nível nacional como regional.

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  1. Parabéns, Reitor Joviano.
    Tive o prazer de ser advisor sênior da ONU junto ao Ministério da Educação, em 2004 e 2005. Inclusive, assessorei o Reitor Prof Benjamim Corte-Real, em questões estatutárias.
    Se me permite uma sugestão, hoje é imprescindível que toda instituição educacional, inclusive universidade, inclua fortemente a temática da sustentabilidade em todos os cursos de graduação, com especial atenção à formação de professores.
    Como professor (reformado) da UDESC – Brasil, há 5 anos, venho pesquisando e desenvolvendo projetos relacionados à Educação para a Sustentabilidade, que vem merecendo a maior atenção, globalmente, fruto da Carta da Terra – Rio92/Unesco é Encíclica Laudato Si’.
    Cumprimentos pela coragem em assumir mudanças e enfrentar desafios.

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