Foi apresentado oficialmente o novo partido político FITUN-PF em Timor-Leste. A formação surge com um programa político abrangente que defende reformas institucionais, reforço da identidade nacional e aposta no desenvolvimento económico e social.
Nasce em Timor-Leste o Partido FITUN-PF, uma nova força política que se apresenta como uma alternativa no quadro democrático e multipartidário do país, consagrado pela Constituição da República Democrática de Timor-Leste de 2002.
O Partido Fitun (PF) foi registado oficialmente em 16 de outubro de 2025, com militantes iniciais de 21 mil cidadãos eleitores, segundo o Jornal da República publicado a 13 de março de 2026.
O partido é atualmente liderado, a título provisório, por Salvador Tilman, na qualidade de presidente interino. Segundo Abílio Araújo, antigo dirigente da FRETILIN e ex-presidente da República, os órgãos permanentes serão eleitos no I Congresso, no qual serão igualmente aprovados os Estatutos e o Programa Político.
Abílio Araújo conhece de perto Salvador Tilman desde 1999, quando este era um dos dirigentes destacados de uma das várias organizações políticas da resistência, tendo acompanhado de perto a criação do partido. Referiu que, em 2018, a formação conseguiu reunir mais de 25 mil assinaturas.
“Infelizmente, houve manobras de toda a ordem para bloquear o surgimento do partido, ao ponto de os cabeças de lista terem sido acusados de falsificação de assinaturas, entre outras situações. No final, o procurador arquivou o caso e os organizadores retomaram o processo interrompido”, afirmou Abílio Araújo.
O sistema partidário atual em Timor-Leste é multipartidário, fragmentado e baseado em coligações, com forte influência de lideranças políticas e em processo contínuo de consolidação democrática.
O partido surge num contexto que considera de consolidação do Estado timorense, defendendo a necessidade de uma nova dinâmica política e institucional capaz de responder aos desafios do desenvolvimento nacional, da estabilidade e da coesão social.
O FITUN-PF estrutura o seu programa político em três pilares fundamentais: a defesa da identidade nacional timorense, a soberania do Estado e a promoção do desenvolvimento sustentável e do bem-estar da população.
O partido sublinha que a sociedade timorense continua a enfrentar desafios históricos e estruturais, incluindo fragilidades institucionais, divisões sociais e a necessidade de reforçar uma cultura política assente na responsabilidade e no interesse público.
Entre as propostas centrais destaca-se a defesa de uma possível revisão constitucional, incluindo a reflexão sobre o modelo de sistema político e a criação de um Conselho Consultivo Nacional com representação das estruturas tradicionais Uma Lisan.
O FITUN-PF defende ainda o reforço da ética na vida pública e o combate a fenómenos como a corrupção, o abuso de poder, o individualismo excessivo e o desrespeito pelas instituições.
A educação surge como um dos principais pilares do programa, com destaque para a formação de professores, melhoria da qualidade do ensino e atribuição de bolsas de estudo.
O partido propõe ainda a valorização das línguas nacionais, nomeadamente o tétum, e a promoção do português e outras línguas estrangeiras no sistema educativo.
No plano económico, o FITUN-PF defende o reforço da produção nacional, a redução da dependência externa e o incentivo ao investimento público e privado.
A agricultura, pescas e florestas são consideradas setores estratégicos, com foco no aumento da produção alimentar, na exportação de produtos como café e baunilha e na proteção dos recursos naturais.
O partido atribui grande importância à preservação da cultura timorense e das crenças tradicionais em Maromak (Deus) e nos espíritos dos antepassados (bei’alas), venerados nos templos Uma Lulik, que foram amplamente perseguidos pelas potências ocupantes de Timor nos últimos séculos, reconhecendo igualmente o papel histórico das comunidades e das instituições religiosas na formação das elites modernas do país.
Defende igualmente a promoção da reconciliação nacional como base para a estabilidade política e social.
No plano internacional, o FITUN-PF defende relações de boa vizinhança com os países da região, o reforço da cooperação com a CPLP e a adesão plena de Timor-Leste à ASEAN.


