O Banco Central prevê um crescimento de 5% em 2026, mas a despesa pública continua a dominar a atividade económica. Economistas e organizações da sociedade civil alertam para a baixa produção interna, a fragilidade do setor privado e a dependência do Fundo Petrolífero, apontado a falta de compromisso político como um dos principais obstáculos à diversificação.
A economia não petrolífera de Timor-Leste deverá crescer 5% em 2026. O número parece positivo, mas deixa uma questão essencial por responder: está o país a criar novas fontes de rendimento ou continua a crescer sobretudo à custa do dinheiro proveniente do petróleo?
As projeções do Banco Central de Timor-Leste (BCTL) mostram que o crescimento continuará a ser sustentado principalmente pela despesa pública e pelo consumo das famílias. O investimento privado e as exportações, que poderiam indicar uma transformação mais profunda da estrutura económica, continuam a ter um peso reduzido.
Para o economista português António Serra, a dependência do Fundo Petrolífero já não pode ser tratada como uma ameaça distante. “Não é um risco. É uma realidade”, referindo-se à utilização do Fundo para financiar despesas públicas sem que esteja a ser criada capacidade económica suficiente para substituir as receitas petrolíferas.
Na avaliação de Serra, “a economia está orientada principalmente para o consumo público e pouco para o investimento e a produção”.
É precisamente este desequilíbrio que torna o crescimento previsto menos tranquilizador do que poderia parecer.
Economista atribui a Xanana Gusmão o “pecado original” da política económica
O Timor-Leste Mid-Term Economic Review 2026, divulgado pelo BCTL, prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real não petrolífero acelere de 4,5% em 2025 para 5% em 2026.
O consumo público deverá aumentar 5,4% e contribuir com 3,1 pontos percentuais para o crescimento. O investimento público deverá crescer 5,5%, acrescentando outros 1,5 pontos.
Em contraste, o investimento privado, apesar de uma expansão projetada de 4,5%, deverá contribuir com apenas 0,3 pontos percentuais. As exportações terão uma contribuição ainda mais reduzida, de 0,1 ponto percentual.
Os números mostram que o Estado continua no centro da atividade económica. O problema não está apenas na dimensão da despesa pública, mas na capacidade dessa despesa para criar empresas, empregos, produção e receitas suficientes para substituir progressivamente o financiamento proveniente do petróleo.
António Serra atribui esta fragilidade a opções políticas adotadas desde a elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011–2030. O economista fala num “pecado original” da política económica timorense e dirige a crítica ao primeiro-ministro, Xanana Gusmão.
Na leitura de Serra, o plano não resultou de uma avaliação económica independente, mas foi construído para justificar uma visão política previamente definida: a de que a existência de petróleo permitiria ao país financiar rapidamente o desenvolvimento.
“O Plano 2011–2030 não só não é um verdadeiro plano como peca por ter sido escrito não para chegar a uma conclusão ‘científica’, mas para justificar uma opção pré-existente na cabeça de Xanana Gusmão”, acusa.
Serra resume essa visão na ideia de que Timor-Leste tinha petróleo, era rico e precisava de aproveitar os recursos disponíveis. “Temos dois poços de petróleo, logo somos ricos e temos é de aproveitar o que o bom Deus nos deu”! Esta é a ideia base, a origem de todos os males”, critica.
Para o economista, esta premissa impediu o país de olhar para a economia como um todo e de colocar a política económica ao serviço do desenvolvimento humano.
“Foi isto que fez afunilar a economia para o beco sem saída em que se encontra hoje. É necessário mudar de rumo”, defende.
Os dados do BCTL confirmam também a persistência de algumas das fragilidades apontadas pelo economista: elevada dependência do Estado, reduzida capacidade produtiva e pouca diversificação das exportações.
O Diligente tentou questionar a vice-ministra das Finanças, Regina de Jesus Sousa, sobre as medidas previstas pelo Governo para aumentar o investimento privado, a produção nacional e as exportações, bem como sobre o futuro das finanças públicas face à redução das receitas petrolíferas.
No entanto, a governante não respondeu às questões, limitando-se a afirmar: “Ainda preciso de ler o relatório.”

Por cada dólar exportado, entram quase 29 em importações
No primeiro semestre de 2026, Timor-Leste importou mercadorias no valor de 565,6 milhões de dólares, enquanto as exportações domésticas não petrolíferas ficaram em apenas 15,5 milhões.
Mesmo incluindo as reexportações, as vendas ao exterior atingiram somente 19,7 milhões de dólares. Isto significa que, por cada dólar exportado, Timor-Leste importou quase 29 dólares em mercadorias.
A diferença não representa apenas um problema nas contas externas. Mostra que que uma parte considerável do dinheiro gasto dentro do país acaba por financiar produção e emprego no estrangeiro.
O défice da conta corrente atingiu 374,1 milhões de dólares no primeiro semestre de 2026. O BCTL alerta que a limitada capacidade produtiva, a dependência das importações e a reduzida diversificação das exportações continuam a restringir a capacidade de ajustamento da economia.
Questionado sobre qual constitui o maior risco, a dependência do Fundo Petrolífero, a baixa produção interna ou a falta de investimento privado, Serra responde que os três problemas estão ligados.
“Tudo ao mesmo tempo. A baixa produção doméstica e a falta de investimento produtivo, nomeadamente privado, nacional e estrangeiro, agravam ainda mais a dependência do Fundo Petrolífero”.
O economista defende uma política de substituição de algumas importações, concentrada em bens cuja produção interna seja mais viável. Isso não significaria, segundo Serra, fechar a economia ao exterior, mas criar condições para que uma parte maior do consumo fosse satisfeita por empresas e trabalhadores timorenses.
Serra critica também a reversão do aumento das taxas aduaneiras, que considera “um dos piores erros de política económica” do atual Governo. Na sua perspetiva, alguma proteção aduaneira seria necessária para dar aos produtores nacionais condições para competir com os bens importados.
O Governador do Banco Central de Timor-Leste (BCTL), Hélder Lopes, identificou dois problemas principais: o elevado volume das importações em comparação com as exportações e a excessiva concentração das exportações timorenses no café.
“O volume das exportações é muito pequeno quando comparado com o das importações. Além disso, as nossas exportações estão concentradas. Praticamente, temos apenas o café, enquanto os outros produtos têm uma presença muito reduzida.”
Perante esta situação, Hélder Lopes defendeu uma estratégia nacional que envolva o Governo, o setor privado e outros intervenientes económicos, com o objetivo de aumentar a produção nacional.
Segundo o governador, a prioridade deve ser a produção interna de bens que atualmente são importados. Só depois de a produção nacional ser suficiente para satisfazer o mercado interno é que Timor-Leste deverá apostar de forma mais forte na exportação dos excedentes.
“Primeiro, temos de substituir as importações, produzindo no país aquilo que atualmente importamos. Depois, quando produzirmos mais do que conseguimos consumir internamente, podemos promover as exportações.”
Para Hélder Lopes, uma política desta natureza poderá contribuir para equilibrar o comércio externo e tornar a economia nacional mais sustentável.

Fundo compra tempo, mas não garante uma alternativa
A pressão para diversificar aumenta à medida que diminuem as receitas petrolíferas diretas.
Segundo as projeções do BCTL, o saldo do Fundo Petrolífero deverá passar de 18,6 mil milhões de dólares em 2025 para 18,4 mil milhões em 2026. As receitas petrolíferas diretas deverão cair de 36,1 milhões para 14,1 milhões de dólares, uma redução de cerca de 61%.
O Estado deverá retirar 800 milhões de dólares do Fundo em 2026, depois de ter levantado cerca de 1,45 mil milhões em 2025.
Para António Serra, o debate não deve limitar-se à escolha entre respeitar estritamente o Rendimento Sustentável Estimado (RSE) ou continuar a gastar sem restrições. “Entre a visão minimalista de se gastar só o RSE e a maximalista que tem sido praticada, há um meio-termo.”
O problema, acrescenta, está sobretudo na qualidade da despesa realizada acima desse limite. “Muito do que se gasta a mais para além do RSE é mal gasto, desperdiçado em investimentos caríssimos e pouco produtivos. O desperdício é enorme”.
Serra aponta as obras realizadas em Oé-Cusse como exemplo do que considera uma opção desproporcionada. “O que dizer do custo das obras em Oé-Cusse? Nesse caso, não está em causa nenhum ‘roubo’, mas a lógica de todo o projeto, inegavelmente mastodôntico face aos resultados práticos obtidos”.
A crítica coloca no centro do debate um distinção fundamental: gastar dinheiro ou construir infraestruturas não significa necessariamente diversificar a economia.
Para que um investimento seja produtivo, explica Serra, deve permitir “ produzir bens e gerar empregos suficientes para a população, nomeadamente a mais jovem”, reduzindo a necessidade de os timorenses procurarem trabalho no estrangeiro.
Isso implica avaliar não apenas quanto custa uma obra, mas também que atividade económica cria, quantos empregos permanentes gerados, as empresas que beneficia e o rendimento futuro que poderá produzir.
Já o economista timorense Rui Gomes chama a atenção para um défice fiscal próximo dos 49% do PIB, enquanto os levantamentos do Fundo Petrolífero continuam a ultrapassar o chamado Rendimento Sustentável Estimado, fixado em 3%.
“Desde 2008, os levantamentos têm ultrapassado esse limite, chegando a atingir níveis superiores a 7%. Se a trajetória atual se mantiver, o Fundo Petrolífero poderá ser significativamente reduzido ou mesmo esgotado por volta de 2037. Isto não é um cenário pessimista. É uma realidade matemática.”
La’o Hamutuk pede compromisso, metas e calendário
A falta de transformação estrutural é também destacada pela La’o Hamutuk, num documento elaborado com a Oxfam em Timor-Leste e o Core Group Transparency Timor-Leste.
Élia da Costa Araújo, investigadora e porta-voz da organização, considera que o principal problema não é a falta de diagnósticos ou propostas, mas a dificuldade em transformar recomendações em políticas consistentes e duradouras.
“Sem compromisso político, é muito difícil. Mesmo as recomendações e as discussões mais relevantes dificilmente se transformam em realidade”.
A La’o Hamutuk identifica ainda a burocracia, falta de recursos humanos qualificados, mudanças frequentes de responsáveis e fragilidade de um setor privado excessivamente dependente dos contratos e da despesa do Estado.
A organização recomenda a criação de uma política nacional de diversificação que estabeleça princípios, prioridades, metas concretas e um calendário de execução.
Defende também que a riqueza petrolífera seja utilizada para desenvolver competências, aumentar a produção e criar atividades capazes de acrescentar valor dentro do país.
A proposta procura a uma falha recorrente: Timor-Leste tem documentos estratégicos e identifica há anos setores com potencial, mas continua sem uma sequência suficientemente clara de prioridades, responsabilidades e resultados mensuráveis.
Setor privado continua demasiado dependente do Estado
Para António Serra, o setor privado produtivo deve ser “a peça fundamental do desenvolvimento”, enquadrado e apoiado pelo setor público e pela banca. O economista defende o aumento da produção interna, a transformação industrial de algumas matérias-primas e a substituição de determinados produtos importados cuja produção seja viável em Timor-Leste.
Essa transformação depende também da formação da força de trabalho. Neste contexto, Serra apresenta uma posição polémica: considera que o ensino superior timorense é demasiado grande para a qualidade da formação que oferece.
Embora reconheça não conhecer suficientemente o setor educativo, defende uma redução significativa das vagas no ensino superior público e uma limitação do número de universidades privadas.
“O ensino superior precisa de ser menor e muito melhor”, propondo que os recursos poupados sejam investidos no desenvolvimento de um ensino secundário técnico-profissional de maior qualidade.
Serra sustenta que manter um sistema de grande dimensão e baixa qualidade não resolve o problema, porque forma jovens sem lhes garantir as competências procuradas pelas empresas.
O Diligente tentou também entrevistar o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Timor-Leste (CCITL), Jorge Serrano, sobre o papel do setor privado na diversificação da economia, mas o responsável encontrava-se ocupado.
Jovens “votam com os pés”
A dificuldade em criar empregos produtivos já tem uma consequência visível: muitos jovens procuram oportunidades de trabalho no estrangeiro.
Para Serra, a migração laboral pode gerar rendimento e experiência, mas também constitui um sinal da incapacidade da economia nacional para oferecer empregos suficientemente atrativos. “Face à escassez de alternativas de emprego compensador, os jovens votam com os pés”.
As remessas dos trabalhadores timorenses no estrangeiro constituem uma importante fonte de entrada de dinheiro no país.
Segundo o BCTL, no primeiro semestre de 2026, as remessas recebidas atingiram 104,5 milhões de dólares americanos, enquanto as transferências enviadas para o exterior totalizaram 47,64 milhões de dólares. O saldo líquido foi, assim, positivo, fixando-se em 56,86 milhões de dólares.
O Reino Unido representou 40,5% das remessas recebidas, seguido da Austrália, com 33%, e da Coreia do Sul, com 11%.
Embora o trabalho no estrangeiro possa gerar remessas importantes para as famílias e para a economia, Serra considera que a dimensão da migração laboral também demonstra que Timor-Leste ainda não consegue criar oportunidades suficientes para a sua população jovem.
Por sua vez, o Governador do BCTL, Hélder Lopes, considera que o aumento das remessas é positivo, por demonstrar que os trabalhadores timorenses no estrangeiro continuam a enviar dinheiro para apoiar as suas famílias e contribuir para a economia nacional.
Ao mesmo tempo, alertou para a saída de dinheiro do país através das remessas enviadas por trabalhadores estrangeiros residentes em Timor-Leste.
“Temos de encontrar um equilíbrio porque, no fim, o dinheiro deve cumprir o seu papel como o sangue da economia. Temos de assegurar que esse sangue circule mais dentro do nosso corpo, isto é, dentro de Timor-Leste, e não saia novamente.”
Rui Gomes: “Timor-Leste ainda não foi verdadeiramente testado”
A preocupação com a sustentabilidade da economia é partilhada pelo economista e antigo ministro das Finanças Rui Gomes.
Para Gomes, Timor-Leste dispõe de um dos maiores “amortecedores” financeiros da região, mas isso não significa que a economia seja verdadeiramente resiliente. “Timor-Leste ainda não foi verdadeiramente testado quanto à sua resiliência.”
Durante cerca de duas décadas, o Fundo Petrolífero permitiu ao país absorver os efeitos de crises financeiras internacionais, da pandemia de COVID-19 e das oscilações dos preços das matérias-primas.
Essa capacidade é, segundo Gomes, uma importante conquista da política fiscal timorense. No entanto, também criou uma proteção que ainda não permitiu testar plenamente a capacidade da economia real para enfrentar choques. “Testámos a resiliência da política fiscal, mas a pergunta é: e a economia real que está por baixo dessa política fiscal? É ela resiliente?”
Rui Gomes destaca que um Fundo Petrolífero resiliente não significa necessariamente uma economia resiliente. Explica que o Fundo deverá manter cerca de 18,4 mil milhões de dólares em 2026. No entanto, medir a resiliência apenas pelo volume das reservas financeiras pode conduzir a uma conclusão errada.
“Se resiliência significa ter dinheiro suficiente para absorver choques, Timor-Leste pode ser considerado resiliente. Porém, se significa a capacidade da economia para enfrentar uma crise sem provocar uma deterioração significativa do padrão de vida da população, o diagnóstico é bastante diferente.”
Entre os sinais de fragilidade, Gomes aponta “a reduzida participação da população no mercado de trabalho, estimada em cerca de 30,5%, e a elevada concentração do emprego assalariado no setor público. Cerca de 73% dos empregos assalariados estão concentrados no setor público.”
Cinco grandes desafios para a economia timorense
Para Rui Gomes, Timor-Leste enfrenta cinco grandes desafios: o ajustamento estrutural, a dolarização, o sistema financeiro, a diversificação das exportações e a integração regional.
O primeiro é o ajustamento estrutural. Apesar do crescimento de 5% projetado para a economia não petrolífera em 2026, Gomes considera necessário olhar para a qualidade desse crescimento. Os principais motores continuam a ser o consumo e o investimento público, enquanto as exportações e os ganhos de produtividade permanecem fracos.
O economista chama ainda a atenção para um défice fiscal próximo dos 49% do PIB e para o facto de os levantamentos do Fundo Petrolífero continuarem a ultrapassar o Rendimento Sustentável Estimado (RSE).
O segundo desafio é a dolarização. Ao utilizar o dólar norte-americano como moeda, Timor-Leste não dispõe de alguns dos instrumentos de política monetária existentes em países com moeda própria.
O BCTL não pode, por exemplo, utilizar uma taxa de câmbio nacional para absorver determinados choques externos e enfrenta limitações na utilização da política de juros como instrumento de estabilização. “Grande parte dos ajustamentos tem de ser feita através da política fiscal.”
Para Gomes, a dolarização oferece estabilidade e credibilidade, mas também cria uma limitação estrutural que deve ser considerada na estratégia económica de longo prazo.
A questão, por isso, não é apenas saber se Timor-Leste deve ou não abandonar o dólar, mas perceber como construir resiliência dentro das limitações de uma economia dolarizada.
O terceiro desafio está relacionado com o sistema financeiro. Segundo Rui Gomes, os bancos timorenses apresentam níveis elevados de liquidez, mas uma parcela limitada desses recursos é transformada em crédito para empresas e famílias.
Cerca de 30% dos depósitos bancários são canalizados para a economia através do crédito, enquanto a relação entre crédito e PIB permanece em torno dos 36%. As taxas de juro podem atingir cerca de 10,2%.
Em junho de 2026, os ativos do sistema bancário aumentaram 19,5%. No entanto, uma parcela significativa desse crescimento esteve associada a ativos junto de bancos estrangeiros, enquanto apenas cerca de 23% foi canalizada para empréstimos.
“Temos um sistema financeiro que, em certa medida, exporta a sua própria poupança, em vez de reciclar essa poupança para o setor privado doméstico.”
O resultado é uma economia com liquidez, mas com dificuldades em transformar essa liquidez em investimento produtivo.
O quarto desafio é a concentração das exportações. O café representa atualmente cerca de 56% das exportações não petrolíferas, tornando a economia externa vulnerável a choques específicos do setor.
As alterações climáticas, o excesso de chuva, as doenças das plantas ou uma queda dos preços internacionais podem afetar significativamente as receitas externas. “A nossa base de exportação pode ser fortemente afetada de um momento para o outro.”
A solução, defende Gomes, passa pela diversificação da produção e das exportações.
O quinto desafio é a integração regional. Para Rui Gomes, a adesão de Timor-Leste à ASEAN não deve ser vista apenas como uma conquista diplomática ou uma oportunidade de crescimento. Deve também servir como instrumento para acelerar reformas internas.
Reformas na administração da terra, nos serviços aduaneiros, no licenciamento empresarial e na facilitação do comércio poderiam aumentar a produtividade e reduzir os custos das empresas. “Será que a adesão de Timor-Leste à ASEAN está realmente a mudar os incentivos para a realização de reformas domésticas?”
Gomes considera que a Presidência da ASEAN, prevista para 2029, poderia funcionar como um prazo político para apresentar resultados concretos nas reformas económicas.
Entre os principais obstáculos ao desenvolvimento do setor privado, Rui Gomes destaca ainda a questão da terra.
A falta de clareza e de segurança relativamente aos direitos de propriedade dificulta o acesso ao crédito, reduz a confiança dos investidores e contribui para a manutenção da informalidade empresarial. “A informalidade empresarial continuará enquanto não resolvermos a questão dos direitos sobre a terra.”
Uma reforma da administração da terra poderia, segundo o economista, produzir efeitos para além do setor imobiliário, facilitando o acesso ao crédito, estimulando o investimento e aumentando a formalização das empresas.
O desafio de mudar de rumo
Timor-Leste ainda dispõe de margem financeira para preparar a transição para uma economia menos dependente do petróleo. Mas, para os especialistas ouvidos pelo O Diligente, o desafio passa por transformar esse tempo e esses recursos em reformas capazes de aumentar a produção, criar emprego e fortalecer o setor privado.
Para Rui Gomes, a escolha é clara. “É escolher entre fazer uma reforma planeada enquanto ainda existe espaço financeiro para o fazer ou esperar até que uma crise obrigue o país a reformar-se.”























