Lixo, água estagnada e falta de água expõem problemas numa escola de Bidau

“Não temos pessoas responsáveis pela limpeza, nem pela segurança. Por isso, sou eu, juntamente com os professores e os estudantes, que fazemos a limpeza da escola.”/Foto> Diligente

Resíduos, ervas altas, água estagnada e limitações no acesso à água nas casas de banho evidenciam dificuldades de manutenção e saneamento na Escola do Ensino Básico Bidau Acadiru-hun, em Nain-Feto.

O ambiente escolar deve proporcionar condições adequadas de higiene, segurança e conforto para os alunos. No entanto, uma observação realizada pela Diligente na Escola do Ensino Básico Bidau Acadiru-hun, no Posto Administrativo de Nain-Feto, em Díli, identificou algumas limitações relacionadas com a limpeza, o saneamento e a manutenção das instalações.

Em várias zonas da escola, sobretudo na parte traseira do recinto, é possível observar resíduos espalhados e ervas e arbustos que cresceram excessivamente. Na área destinada à lavagem dos pratos e de outros utensílios utilizados na alimentação, existe também água estagnada.

As dificuldades estendem-se às instalações sanitárias. Das três casas de banho destinadas aos alunos do sexo masculino, a disponibilidade de água continua a ser uma dificuldade. As duas casas de banho destinadas às alunas dispõem de água, mas, segundo a direção da escola, a quantidade de sabão disponível para a lavagem das mãos ainda é insuficiente.

Com 1.185 alunos, do ensino básico ao ensino pré-secundário, a situação representa um desafio para a manutenção de condições adequadas de higiene no recinto escolar.

Instalações sanitárias limitadas e sem reparações

A diretora da escola, Brígida da Silva Pinto e Cruz, que exerce o cargo há cerca de três meses, afirmou que, durante esse período, a escola ainda não recebeu uma inspeção ou uma ação de sensibilização do Ministério da Saúde especificamente relacionada com a prevenção de doenças e a higiene do ambiente escolar.

Segundo a diretora, seria necessária uma maior cooperação entre o Ministério da Educação e a unidade de saúde mais próxima para promover ações de educação e sensibilização junto dos alunos sobre a prevenção de doenças relacionadas com o ambiente, incluindo a dengue.

“É importante que o Ministério da Educação, em conjunto com o posto de saúde mais próximo, possa desenvolver programas para informar os estudantes sobre como podem prevenir doenças relacionadas com o ambiente, incluindo a dengue”, afirmou Brígida.

Apesar das limitações, a escola realiza ações de sensibilização junto dos alunos e procura reforçar hábitos de higiene, como lavar as mãos antes das refeições, eliminar a água estagnada, recolher os resíduos e manter as casas de banho limpas.

Brígida explicou que a água utilizada pela escola provém de um sistema próprio e não da rede pública de abastecimento.

Algumas instalações sanitárias necessitam também de reparação. Segundo a diretora, há torneiras danificadas que dificultam o acesso adequado à água em determinadas casas de banho.

A reparação, explicou, depende de um orçamento proveniente da Concessão Escolar e está sujeita a um processo administrativo. “O processo é demorado. É necessário elaborar um plano de compras, submetê-lo ao Ministério do Município de Díli para aprovação e, depois de o dinheiro entrar na conta da escola, só então será possível comprar e reparar os equipamentos”, explicou.

A diretora acrescentou que o elevado número de alunos contribui para um desgaste mais rápido dos equipamentos. “Como há muitas crianças, torna-se difícil, porque algumas abrem as torneiras e outras vão buscar água, fazendo com que os equipamentos acabem por ficar danificados”, explicou.

A área destinada à preparação dos alimentos e à lavagem dos utensílios encontra-se ainda em construção. No local, existe água estagnada.

Brígida afirmou que, depois de concluída a obra, deverá ser instalado um sistema de drenagem para permitir o escoamento das águas residuais. “Quanto à área de preparação de alimentos, neste momento ainda está em construção. Depois de concluída, será instalado um canal para encaminhar as águas residuais para fora, em vez de ficarem acumuladas naquele local”, afirmou.

Higiene e saúde também são abordadas nas aulas

Para além das ações de sensibilização, a escola aborda questões relacionadas com saúde e higiene no processo de aprendizagem.

Brígida afirmou que a disciplina de Saúde e Bem-Estar, bem como os conteúdos de saúde e higiene lecionados no ensino básico, incluem orientações sobre higiene pessoal e limpeza do ambiente.

“Na disciplina de Saúde e Bem-Estar, são abordados assuntos relacionados com a saúde e a higiene. Entretanto, no ensino básico também existem conteúdos de saúde e higiene que ensinam os alunos sobre estas questões.”

A escola procura também reforçar essas normas no quotidiano. Segundo a diretora, os alunos são orientados a lavar as mãos antes das refeições, eliminar a água estagnada, recolher os resíduos e manter as casas de banho limpas.

“Também monitorizamos e sensibilizamos as crianças, lembrando-lhes que devem lavar as mãos antes de comer, eliminar a água estagnada, limpar o lixo, incluindo lavar e limpar as casas de banho.”

Alunos sentem limitações no acesso à água

As condições de limpeza e saneamento também são sentidas diretamente pelos alunos.

Cherlin Soares da Cruz, aluno do 8.º ano, considera que a existência de um ambiente pouco limpo e de água estagnada pode aumentar o risco de doenças, incluindo as transmitidas por mosquitos. “Na minha opinião, um ambiente que não esteja limpo, incluindo a água que fica estagnada, pode provocar outras doenças, incluindo doenças causadas por mosquitos”, afirmou.

O aluno acrescentou que os professores também abordam questões relacionadas com saúde e bem-estar nas aulas.

Já Tânia Rezina Santos Sousa, aluna do 7.º ano, afirmou que existe sabão disponível na escola, embora reconheça que alguns alunos nem sempre lavam as mãos antes das refeições. “Sim, há sabão, mas, quando chega a hora de comer, por vezes há alguns estudantes que não querem lavar as mãos antes de comer”, afirmou.

A disponibilidade de água nas casas de banho é outra das dificuldades sentidas pelos estudantes.

Leonel Correia Mesquita, aluno do 7.º ano, afirmou que a falta de água nas casas de banho destinadas aos rapazes, em algumas ocasiões, o obriga a esperar até chegar a casa para utilizar a casa de banho. “Como não há água na casa de banho dos rapazes, às vezes, quando preciso de usar a casa de banho, tenho de aguentar até chegar a casa”, afirmou.

Leonel disse que a situação lhe causa algum desconforto, embora considere que as condições melhoraram.

Limpeza continua a depender da comunidade escolar

Para além das limitações nas instalações, a escola não dispõe de funcionários especificamente responsáveis pela limpeza e pela segurança.

Atualmente, as tarefas de limpeza são realizadas conjuntamente pela direção, pelos professores e pelos alunos.

Brígida afirmou que a contratação de funcionários específicos seria necessária, tendo em conta o número de alunos, mas explicou que a escola não dispõe de orçamento para contratar pessoal de limpeza e segurança. “Não temos pessoas responsáveis pela limpeza, nem pela segurança. Por isso, sou eu, juntamente com os professores e os estudantes, que fazemos a limpeza da escola.”

Segundo a diretora, a escola já comunicou verbalmente esta necessidade às entidades competentes e pretende apresentar um pedido formal, mas, até ao momento, ainda não recebeu resposta. “A escola precisa de ter essas pessoas, porque isso é muito importante para a segurança e a higiene da escola. Mas isso tem de ser decidido pelo Ministério, porque, para contratar pessoas, é necessário pagar-lhes.”

Enquanto aguarda apoio, a limpeza do recinto continua a ser realizada por professores e alunos antes do início das aulas.

Cherlin Soares da Cruz afirmou que a limpeza é feita diariamente, embora algumas zonas do recinto não sejam completamente abrangidas. “Fazemos a limpeza todos os dias antes de começar as aulas. Normalmente, a nossa limpeza consiste apenas em apanhar o lixo, enquanto o crescimento excessivo da vegetação nem sempre é controlado.”

Água, saneamento e higiene são essenciais no ambiente escolar

As condições de água, saneamento e higiene nas escolas estão diretamente relacionadas com a criação de ambientes adequados para a aprendizagem e para a proteção da saúde dos alunos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a importância do acesso a água, saneamento e instalações de higiene adequadas nos estabelecimentos de ensino, incluindo a disponibilidade de condições para a lavagem das mãos.

Na Escola do Ensino Básico Bidau Acadiru-hun, algumas destas condições continuam a apresentar limitações. A disponibilidade de água em determinadas casas de banho, a falta de sabão em quantidade suficiente, a existência de água estagnada e a presença de resíduos e vegetação excessiva em algumas zonas do recinto são problemas que continuam a exigir atenção.

A direção da escola tem procurado responder a algumas destas dificuldades através da sensibilização dos alunos e da organização de atividades de limpeza. No entanto, a ausência de funcionários específicos e as limitações das infraestruturas dificultam a manutenção regular do recinto.

Durante a elaboração da reportagem, a Diligente procurou obter esclarecimentos por parte Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, mas, até ao momento da publicação, as duas entidades não responderam.

 

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