Com a chegada do Natal e do Ano Novo, o fogo de artifício voltam a marcar presença nos céus e nos bairros. Símbolo de alegria e celebração para muitos, são também motivo de incómodo, medo e preocupação para outros, reabrindo o debate sobre os limites desta prática tradicional nas comunidades.
Com a aproximação das grandes festividades, o som intenso e os clarões do fogo de artifício passam a dominar a paisagem noturna. Enquanto há quem associe estes momentos a felicidade e celebração, outros cidadãos alertam para o ruído excessivo, o cansaço provocado pelas detonações frequentes e o risco de acidentes.
A Resolução n.º 12/2024, emitida pelo Conselho de Ministros, estabelece uma colaboração entre as forças de segurança com o objetivo de garantir a tranquilidade e a ordem pública entre os dias 21 de novembro e 5 de janeiro de 2025.
A tradição de lançar fogo de artifício está profundamente enraizada nas grandes celebrações. O estrondo e o brilho cintilante criam uma atmosfera festiva que muitos apreciam. No entanto, por detrás do espetáculo, há cidadãos que manifestam desconforto e preocupação face ao impacto desta prática no bem-estar coletivo e na segurança pública.
Perante estas posições divergentes, coloca-se a questão: deve esta tradição manter-se tal como é praticada ou começa a ultrapassar os limites do aceitável no espaço público? Para responder a esta pergunta, saímos à rua para ouvir diferentes opiniões, reunindo várias perspetivas sobre esta celebração tão colorida quanto controversa.
“Através da rádio, da televisão e das redes sociais, como o Facebook, ouvimos que a polícia proíbe a venda de petardos. Mas o som dos petardos continua a ouvir-se”

Desde a primeira até à terceira semana de novembro, temos vivido com muito barulho na nossa comunidade, e isso continua até hoje. O ruído não tem hora: acontece todos os dias e todas as noites. Mesmo quando tentamos dormir, o barulho mantém-nos acordados. À noite, muitas vezes não conseguimos descansar porque, até à meia-noite, ainda se ouvem petardos e música alta. Esta situação é muito desagradável, sobretudo porque em casa há crianças e também pessoas doentes.
Pessoalmente, sinto-me bastante incomodado com tudo isto. Mas o que podemos fazer? Esta é a realidade que vivemos frequentemente como povo timorense, especialmente nesta época do ano, que antecede o Natal e o Ano Novo. Normalmente, mesmo depois de uma ou duas advertências, param apenas por um momento e, algumas horas depois, voltam a fazer exatamente a mesma coisa. Sinceramente, já não sei o que fazer. Na minha opinião, esta questão deveria ser da responsabilidade das autoridades locais, mas, até agora, não há nenhuma solução que resolva realmente o problema. O barulho constante no nosso bairro continua.
Eu próprio nunca fiz uma queixa formal. O que nos resta é apenas tentar adaptar-nos. E, como consequência deste barulho, as crianças também começam a pedir que lhes compremos petardos. Na minha opinião, o mais importante é a supervisão dos pais. Se os pais controlarem os filhos, esta prática de brincar com petardos pode ser evitada. Mas, se as crianças forem deixadas à vontade, acabam por seguir os amigos, primos ou outros familiares.
Os jovens também participam nestas atividades, o que torna a situação ainda mais difícil de controlar. E eu realmente não sei como resolver isto. Através da rádio, da televisão e das redes sociais, ouvimos que a polícia proíbe a venda de petardos. Mas, na prática, o som dos petardos continua. Eu próprio não sei de onde vêm esses materiais.
“Seria melhor se também pudéssemos participar no espetáculo de fogo de artifício. No entanto, como a proibição está em vigor, torna-se difícil encontrar fogo de artifício.”

“Desde 1 de dezembro que ouvimos o som de fogo de artifício. Na nossa zona, Metiaut, que é composta por três aldeias e fica perto do Cristo Rei e da Areia Branca, já nos habituámos a esta realidade. Desde o início de dezembro até agora, e especialmente desde o dia 11, há fogo de artifício quase todas as noites.
Por vezes, durante festas, celebrações ou aniversários, também se lança fogo de artifício em restaurantes. Alguns vizinhos continuam a lançar foguetes tradicionais, e isso não nos incomoda muito, porque a comunidade local e os jovens compreendem a situação e limitam-se a lançá-los nas suas próprias casas. Até nos sentimos satisfeitos com isso.
Seria melhor se também pudéssemos participar no espetáculo de fogo de artifício. No entanto, como a proibição está em vigor, torna-se difícil encontrar fogo de artifício.”
“Sentimo-nos incomodados porque precisamos de descansar e dormir em paz. Muitas vezes, o barulho dos fogos perturba o nosso dia a dia”

“No início de dezembro, as crianças começaram a lançar fogo de artifício. Sentimo-nos incomodados porque precisamos de descansar e dormir em paz. Muitas vezes, o barulho do fogo perturba o nosso dia a dia.
Além disso, vivemos perto de uma autoestrada e, à noite, quando as pessoas já jantaram e querem descansar, começa a ouvir-se o fogo de artifício. Em várias ocasiões, quando saio, primeiro repreendo as crianças e digo-lhes para pararem de brincar com o fogo, e elas obedecem imediatamente.
No entanto, não são apenas de crianças pequenas; há também jovens envolvidos. Por isso, a situação torna-se difícil de controlar. Geralmente, são os meus pais que os repreendem diretamente.”
“O pior ainda é que, quando estamos a caminhar na estrada, há crianças que lançam foguetes e os atiram na nossa direção, o que nos assusta. Por vezes, ficamos tensos e acabamos por dizer palavras inadequadas às crianças.”

Laurentina Soares, moradora em Caicoli/ Foto: Diligente
Nas últimas semanas, as pessoas da zona onde vivo começaram a lançar foguetes. Moramos perto da estrada e, por acaso, a nossa casa tem um andar superior; por isso, quando os foguetes são lançados para o ar, o barulho é extremamente alto. Esta situação perturba-nos muito, dificulta a concentração nos estudos e causa medo.
Normalmente, começam a lançar os foguetes entre as 19h00 e as 21h00 e, por vezes, mesmo depois de já termos ido descansar, continuam a queimar foguetes.
O pior ainda é que, quando estamos a caminhar na estrada, há crianças que lançam foguetes e os atiram na nossa direção, o que nos assusta. Por vezes, ficamos tensos e acabamos por dizer palavras inadequadas às crianças. Em algumas situações, ficamos zangados e chamamos à atenção, mas elas não se importam e, por vezes, até intensificam esse comportamento.

E os pobres dos passaros, caes e gatos?
Ah eles nao tem direito!