Com apenas 11 anos, Noelio Garcia Menezes tornou-se o primeiro timorense a conquistar uma medalha no xadrez nos Jogos da CPLP. O jovem talento, natural de Manatuto, impressionou pela maturidade e dedicação, mostrando que Timor-Leste tem futuro neste desporto mental.
Apesar da sua tenra idade, Noelio demonstrou uma notável postura e destreza mental. Com três pontos em cinco rondas, frente a jovens talentosos de países lusófonos como Portugal e Angola, terminou em terceiro lugar, atrás de Matviy Faryma (Portugal, 5 pontos) e Célio Tchilulu (Angola, 4 pontos).
Noelio começou a aprender xadrez com o seu avô, aos quatro anos de idade. Atualmente, vive em Díli e frequenta a escola em Bemori, conciliando o seu tempo entre formação intensiva e educação formal.

Como foi para ti representar Timor-Leste nos Jogos da CPLP deste ano?
Sinto-me orgulhoso e feliz por, enquanto jovem timorense, poder representar o meu país neste evento desportivo da CPLP, especialmente no xadrez. Foi uma experiência muito marcante e inesquecível para mim.
O que fizeste para te preparares para a competição?
Durante a minha formação, fui orientado por treinadores como o Maun Andrade, o Jejinho e a Cecília. Comecei a aprender xadrez muito novo e preparei-me bastante antes desta competição. Todos os dias, jogava com amigos, tanto em casa como no bairro, pois muitos também gostam de xadrez, o que me ajudou a melhorar continuamente.
Participei ainda em vários torneios online, que me permitiram competir contra jogadores de outros países. Aprender xadrez não é fácil — há muitos termos e formações, na sua maioria em inglês. Por isso, também fiz um curso de inglês na SOLS para me preparar melhor. Para chegar a esta competição, passei por um processo de seleção rigoroso, desde torneios locais até testes de QI e QE, antes de integrar o Centro de Treinos (CT).
De todos os adversários que enfrentaste, qual foi o mais difícil e porquê?
O adversário mais difícil foi um atleta português que tinha um rating muito elevado e era considerado FIDE Master. Isso dificultou bastante a partida contra ele. Apesar de não estar muito confiante, dei o meu melhor. No final, perdi, mas aprendi bastante com a experiência — foi uma lição valiosa para evoluir.
Qual foi o momento mais marcante durante o torneio?
Sem dúvida, quando ganhei a medalha de bronze. Foi um momento de grande orgulho, pois provou que o esforço e a dedicação valeram a pena. Mesmo não tendo ficado em primeiro lugar, esta conquista internacional mostrou que tenho capacidade para competir com atletas de outros países. Foi também uma enorme motivação para continuar a evoluir e elevar o nome de Timor-Leste.
Desafios e apoio ao xadrez em Timor–Leste
Na tua opinião, quais são os maiores desafios de ser atleta de xadrez em Timor-Leste?
Um dos principais desafios é a falta de instalações adequadas e oportunidades para treinar e competir com frequência. Comparado com outros desportos, o xadrez ainda recebe pouca atenção por parte das federações. A competição regular é fundamental — ajuda a melhorar as nossas capacidades e a desenvolver o espírito competitivo. A falta disso é um grande obstáculo ao nosso progresso.
Acreditas que há apoio suficiente ao xadrez no país? O que ainda falta?
Há algum apoio, sim. Com o apoio das entidades responsáveis, os atletas podem preparar-se melhor e alcançar bons resultados. Mas ainda há muito a melhorar. O maior desafio continua a ser o apoio financeiro limitado, que impede um desenvolvimento mais consistente do xadrez no país.
O que achas que poderia ajudar o xadrez a crescer em Timor-Leste?
Precisamos de introduzir o xadrez nas escolas, porque ajuda a desenvolver o raciocínio, a paciência e o cálculo dos alunos. Seria também importante haver formação básica em notação e na linguagem do xadrez. Além disso, é necessário que os meios de comunicação deem mais destaque ao xadrez, para que todos, especialmente os jovens, saibam que temos potencial neste desporto.
Jornada pessoal e motivação
Como te sentiste ao conquistares o terceiro lugar? Quem te tem apoiado ao longo do teu percurso?
Senti-me muito feliz e orgulhoso. Foi uma oportunidade única, e sou muito grato pelo apoio do Ministério da Juventude, Desporto Arte e Cultura (MJDAC), bem como o incentivo da minha família — especialmente do meu avô Tomás Fernandes, que foi o meu primeiro mentor —, e dos meus treinadores Maun Andrade, Jejinho e Cecília.
O apoio da Federação de Xadrez de Timor-Leste também foi essencial, tal como o do meu pai, que ainda joga xadrez ativamente. Lembro-me bem da noite em que ele me foi buscar de mota depois do treino — esse momento simples deu-me força para competir com mais confiança.
Qual foi a lição mais importante que aprendeste ao participar neste torneio?
Aprendi a ter mais paciência e a aplicar melhor as táticas e estratégias do jogo. O torneio ajudou-me a crescer mentalmente.
Gostavas de te tornar um jogador profissional de xadrez no futuro? Tens alguma inspiração?
Sim, o meu sonho é ser jogador profissional, como o Magnus Carlsen, campeão mundial da Noruega, que ganhou o título mundial com apenas 13 anos. Admiro-o muito pelo talento e pela dedicação.
Lembras-te de quando começaste a jogar? Quem te ensinou?
Comecei aos 4 anos, com o meu avô e o meu tio, que já jogavam muito bem. O interesse veio naturalmente. Aos 6 anos, já participava em competições. Antes dos Jogos da CPLP, participei noutros torneios e cheguei a conquistar o primeiro lugar, o que me ajudou a ser selecionado. A preparação durou cerca de um mês — não foi muito tempo, mas serviu para conseguir esta vitória.
Como consegues equilibrar os estudos com os treinos?
Consigo sempre organizar bem o meu tempo. Gosto de estudar, frequentar aulas de informática e xadrez, e até de sair e brincar com os meus amigos. As minhas notas continuam boas — costumo ficar em primeiro lugar na turma. Também jogo online no chess.com e no lichess, onde posso competir com jogadores de vários países.


Alin Noelio sae inspirasaun no exemplar ba jovem timoroan sira hotu. hau espera Noelio bele promove xadrez nee ba alin selu seluk iha bairros hotu hotu para sira mos bele aprende no sae matenek hanesan Noelio do que ita haree labarik barak mak tuur iha aihun nian okos joga bingo fali.
Hau for Parabens ba alin Noelio tamba ita nee Timor nian orgulhu.