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Vinte alunos da Escola Portuguesa de Díli destacam-se entre os melhores do Canguru Matemático 2026

Sete melhores classificados da EPD partilham a sua experiência com a matemática e o Canguru Matemático/Foto: Diligente

A Escola Portuguesa de Díli alcançou vinte classificações nacionais no concurso que reúne milhares de estudantes de Portugal e das escolas portuguesas no estrangeiro. Os alunos apontam o raciocínio, a persistência e o prazer de resolver problemas como os principais segredos do sucesso.

Há quem veja na matemática um conjunto de fórmulas e contas difíceis. Para vinte alunos da Escola Portuguesa de Díli (EPD), porém, é sobretudo um exercício de lógica, curiosidade e persistência. No concurso Canguru Matemático 2026, conseguiram destacar-se entre milhares de estudantes de Portugal e das escolas portuguesas no estrangeiro, alcançando vinte lugares na classificação nacional.

Entre os melhores resultados da EPD está Sangjoon Park, de 15 anos, aluno do 8.º ano, que alcançou o 9.º lugar nacional na categoria Benjamin, entre quase 12 mil participantes, tornando-se o melhor classificado da escola. “Fiquei muito feliz! Um 9º lugar numa competição de cerca de 12 mil pessoas, isso é incrível!”, partilhou entusiasmado. Acrescentou que a parte de que mais gosta na matemática é o facto de ser preciso raciocinar. “Acho que é preciso gostar de matemática e perceber que ela é útil”, concluiu.

Também António Carrascalão, de 11 anos, aluno do 6.º ano, obteve um resultado de destaque ao conquistar o 35.º lugar nacional na categoria Escolar, entre quase 20 mil alunos, alcançando a segunda melhor classificação da EPD. “Antes, a matemática parecia difícil, mas, desde que entrei na EPD, passei a ter mais vontade de estudar.”

No 4.º ano, Nuno Lourenço alcançou o 81.º lugar nacional na categoria Mini-Escolar III, entre cerca de 12 mil estudantes. Recorda com entusiasmo o momento em que soube do resultado. “Estava lá em cima quando a minha professora disse que já tinham saído os resultados do Canguru. Fui ver ao quadro e fiquei muito feliz. Fiquei em primeiro lugar do 4.º ano na escola e isso deu-me ainda mais vontade de continuar.”

Entre os alunos do ensino secundário, Andrew Kim, de 18 anos, aluno do 12.º ano, destacou-se na categoria Júnior, onde alcançou o 160.º lugar entre quase três mil participantes. Para o estudante, a matemática vai muito além dos números. “A matemática é o ato de pensar. Não é só contar nem resolver exercícios.”

Os quatro alunos fazem parte dos vinte estudantes da EPD que conseguiram integrar a classificação nacional do Canguru Matemático 2026, um concurso internacional que pretende estimular o gosto pela matemática através de desafios de lógica e raciocínio.

O Canguru Matemático é promovido internacionalmente pela Associação Canguru sem Fronteiras e procura despertar o interesse dos alunos pela matemática através de problemas que privilegiam o raciocínio em detrimento da memorização. Criado na Austrália na década de 1980, chegou à Europa em 1994 e é organizado, em Portugal, pelo Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

O concurso destina-se a alunos do 2.º ao 12.º ano de escolaridade, distribuídos por oito categorias, de acordo com o nível de ensino.

Na Escola Portuguesa de Díli, a iniciativa integra as atividades do clube de matemática Números conTais, cujo nome resulta da união entre a palavra “contar”, associada à matemática, e o Tais, o tecido tradicional timorense.

Este ano participaram 82 alunos da EPD, distribuídos por todas as categorias, com exceção da categoria Estudante, destinada ao 12.º ano. A competição é facultativa e consiste numa única prova, sem fases de eliminação nem seleção prévia.

Uma prova que desafia o raciocínio

Os bons resultados não significam que as provas tenham sido fáceis. Pelo contrário. A maioria dos alunos admite que encontrou perguntas particularmente difíceis e que, em vários momentos, optou por deixar algumas respostas em branco. Ainda assim, nenhum encarou essas dificuldades como um fracasso. Viram-nas antes como um incentivo para continuar a aprender.

Jocélio Fernandes, aluno do 2.º ano, que participou no concurso pela primeira vez, reconheceu que algumas questões eram particularmente difíceis. Ainda assim, terminou a competição com um enorme motivo para sorrir: ficou em primeiro lugar na escola e alcançou o 56.º lugar nacional na categoria Mini-Escolar I, entre cerca de nove mil participantes. “Fiquei muito feliz quando soube.”

Nuno Lourenço lembra-se de ter encontrado questões para as quais não conseguiu chegar à resposta. Preferiu não arriscar. “No Canguru, quando erramos uma resposta, perdemos pontos. Por isso, as perguntas de que eu não tinha a certeza deixei em branco.”

António Carrascalão, pelo contrário, conseguiu responder a todas as questões. Mesmo sabendo que algumas poderiam estar erradas, preferiu tentar resolvê-las

Já Sangjoon Park acredita que o maior adversário durante a prova foi a falta de atenção. “Errei algumas perguntas por distração.”

Também Suzana Rosa, aluna do 8.º ano, que alcançou o 67.º lugar nacional entre cerca de 12 mil estudantes, se deparou com problemas que exigiam mais tempo do que aquele de que dispunha. “Houve perguntas em que pensei muito, mas não conseguia resolvê-las. Fazia as outras primeiro para não ficar mais nervosa e depois voltava atrás. Mesmo assim, algumas ficaram em branco.”

Apesar disso, considera que a competição deve ser encarada como uma oportunidade para aprender e não como uma corrida pelos primeiros lugares. “Quem quiser participar no Canguru não deve pensar em chegar ao topo. Deve ir de cabeça tranquila, responder ao que conseguir e divertir-se.”

A jovem acredita que o gosto pela matemática pode nascer de um simples ponto de interesse. “É preciso encontrar uma parte da matemática de que se goste. A partir daí, começa-se a ganhar cada vez mais interesse.”

Júlia Amaral, de 14 anos, aluna do 9.º ano e a melhor classificada da escola na categoria Cadete, alcançou o 173.º lugar entre mais de quatro mil estudantes. Também encontrou questões particularmente exigentes. “Há algumas perguntas em que é preciso pensar muito bem.” Na sua opinião, a dificuldade resulta muitas vezes do facto de algumas matérias ainda não terem sido trabalhadas em profundidade nas aulas.

Mas essa dificuldade não retira o gosto pela matemática que a menina tem tido desde pequena. “Eu acho a matemática interessante e é uma coisa que eu gosto desde sempre. Passo os meus tempos livres a jogar os jogos de puzzles, exercícios matemáticos na internet e desenhar.”

Andrew Kim considera que o principal desafio é a gestão do tempo. “Quando não consigo resolver uma pergunta, passo para a seguinte. Depois volto atrás. Mas há sempre algumas que não consigo fazer.” Mesmo assim, acredita que, com mais alguns minutos, teria conseguido resolver mais desafios.

Para Andrew, o processo de tentar resolver uma questão e procurar a maneira de fazê-lo é o gratificante. “É giro quando nós encontramos essa resposta. Ficamos felizes e satisfeitos. E esse processo também é muito giro”, partilhou.

Estudar todos os dias… ou aprender por gosto

As estratégias de preparação variam de aluno para aluno, mas quase todos partilham um hábito comum: praticar regularmente.

O mais novo do grupo, Jocélio Fernandes, preparou-se diariamente para a competição. “Estudei todos os dias, em casa com a minha mãe e, na escola, com a minha professora.” O esforço diário acabou por compensar e reforçou-lhe a confiança para continuar a participar em desafios deste género.

Também Nuno Lourenço recorda que, durante a semana anterior ao concurso, a turma resolveu várias fichas de matemática e provas de anos anteriores durante as aulas. Diz que esse treino o fez sentir-se mais preparado e mais tranquilo no dia da prova.

António Carrascalão decidiu ir mais longe. Além da matéria correspondente ao 6.º ano, estudou conteúdos de anos seguintes. “Estudei muito a matéria do 6.º ano, mas também do 7.º e do 8.º.” Todos os dias dedica cerca de uma hora ao estudo da matemática.

Sangjoon Park preparou-se sobretudo através de livros de exercícios e das provas das edições anteriores do Canguru Matemático. “Fui-me habituando a perguntas em que é preciso ler com muita atenção e raciocinar.”

Por isso, recomenda aos colegas que pratiquem de forma autónoma. Na sua opinião, resolver exercícios regularmente funciona como um aquecimento antes da prova.

Suzana Rosa seguiu um caminho diferente. Confessa que praticamente não estudou especificamente para o concurso. Acredita que o gosto natural pela matemática e o hábito de resolver problemas por iniciativa própria acabaram por fazer a diferença.

Conta, entre sorrisos, que teve ainda outro “segredo”. “Fiz uma oração antes da prova. Acho que Deus me ajudou a ficar em segundo lugar.” Recorda esse momento com satisfação e acredita que entrou na prova mais tranquila e confiante.

Quando encontra dificuldades durante as aulas, prefere reler o manual e os apontamentos antes de pedir ajuda aos colegas ou aos professores.

Júlia Amaral segue uma rotina de estudo organizada. Dedica cerca de uma hora e meia, três vezes por semana, à matemática, e aconselha quem tem dúvidas a recorrer aos professores, a rever a matéria e até a procurar vídeos explicativos na Internet.

Andrew Kim preparou-se de forma autónoma, resolvendo provas de anos anteriores e esclarecendo dúvidas com os professores sempre que necessário. Considera também que o apoio dos pais é importante, sobretudo quando acompanham o percurso escolar dos filhos e valorizam o esforço feito em casa.

Mesmo tendo tido apenas cerca de três meses para preparar a competição e estudando sobretudo nos tempos livres, conseguiu um dos melhores resultados da escola. “No dia da prova, temos de relaxar e pensar apenas que vamos dar o nosso melhor, porque é impossível fazer tudo.”

Mais interesse, menos tempo para preparar

Para a coordenadora do Departamento de Matemática e de Ciências Experimentais da Escola Portuguesa de Díli, Otília Paula Silva, os resultados alcançados este ano tornam-se ainda mais relevantes quando analisados à luz das condições em que os alunos se prepararam.

Segundo a professora Otília Silva, coordenadora do clube de matemática Números conTais, os estudantes tiveram menos tempo de preparação do que nas edições anteriores. “Este ano tiveram menos horas dedicadas ao treino do que no ano passado.”

O aumento do número de interessados em participar no clube coincidiu com limitações de espaço e de recursos humanos. A falta de salas disponíveis e o reduzido número de professores de Matemática dificultaram o acompanhamento dos alunos inscritos. Ainda assim, os resultados acabaram por surpreender a docente.

“Muitos destes alunos trabalharam apenas com os professores nas aulas e, em casa, com os pais. Independentemente do tempo que tiveram para treinar, conseguiram, por eles próprios, atingir estes resultados.”

A docente acredita que a abertura das novas instalações da Escola Portuguesa de Díli permitirá, no futuro, acolher mais alunos no clube de matemática e reforçar a preparação para competições como o Canguru Matemático.

Mais do que distinguir os melhores alunos, Otília Silva considera que o Canguru Matemático ajuda a transformar a imagem que muitos jovens têm da disciplina. “A matemática trabalha-se, aprende-se, mas há também uma parte que é intrínseca: o gosto pela matemática.”

Na sua perspetiva, esse gosto nem sempre surge de imediato. Depende da maturidade de cada aluno, da forma como a disciplina é ensinada e das experiências que vai acumulando ao longo do percurso escolar. “Às vezes temos alunos que dizem que não gostam de matemática e, algum tempo depois, passam a gostar.”

A professora defende que iniciativas de caráter lúdico, como o Canguru Matemático, permitem aos estudantes descobrir que resolver problemas também pode ser uma forma de brincar. “Podemo-nos divertir também um bocadinho.”

Essa mudança tem-se tornado visível na própria escola. Se, há poucos anos, apenas um pequeno grupo demonstrava interesse em participar no clube de matemática, hoje o entusiasmo espalha-se entre os colegas.

“Antes havia três, quatro ou cinco alunos que diziam logo que queriam participar. Agora, depois de ouvirem os colegas falar da experiência, muitos outros também querem experimentar.”

É esse efeito multiplicador que a professora espera continuar a ver crescer nos próximos anos. Mais do que conquistar classificações de destaque, acredita que o maior sucesso do concurso é despertar nos alunos a curiosidade, a persistência e o prazer de pensar — qualidades que, tal como a matemática, os acompanharão muito para além da sala de aula.

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