O antigo dirigente timorense Abílio Araújo declarou este sábado apoio ao novo partido Fitun, durante o primeiro encontro nacional da força política, realizado em Díli. A reunião serviu para inaugurar a sede nacional do partido, definir a estrutura interna e preparar os próximos passos para uma eventual participação eleitoral.
O encontro do Conselho Político Nacional Permanente do Fitun decorreu na nova sede do partido, em Fatuhada, aldeia 04, Dom Aleixo, Díli, e reuniu representantes das estruturas municipais.
Durante a reunião, foram nomeados 13 coordenadores interinos, um por cada município, com o objetivo de discutir e estabelecer a futura estrutura nacional do partido. Segundo os dirigentes, esta estrutura será responsável pela organização das próximas atividades, nomeadamente o processo de consolidação do partido, conferências e o congresso nacional, onde será escolhido o presidente e definida a direção política que poderá disputar futuras eleições.
“Se realizarmos cedo o congresso, vamos competir nas eleições. Se adiarmos para o próximo ano, vamos avaliar os candidatos que possam trazer o melhor para o povo e daremos o nosso apoio”, afirmou o vice-presidente do partido, José Barreto.
Segundo o dirigente, o Fitun nasceu da perceção de que os sucessivos governos não conseguiram responder às dificuldades económicas enfrentadas pela população. “Vimos que, depois de tantos governos, a economia do povo continua difícil. O Fitun surge como alternativa para fortalecer a economia da população”, afirmou.
José Barreto garantiu ainda que o partido pretende defender os interesses da população, independentemente de vir a integrar o Governo ou permanecer na oposição. “Quando tivermos espaço, faremos o nosso trabalho. Seja no Governo ou na oposição, tudo deve contribuir para o povo, criticando o que está mal e valorizando o que está bem”, declarou.
O partido iniciou o processo de criação em 2019 e recolheu cerca de 46 mil cartões de eleitor. Após vários entraves legais relacionados com a criação da força política, o Fitun foi oficialmente reconhecido pelo Tribunal de Recurso, tendo o registo sido publicado a 3 de março de 2026.
O secretário-geral interino, Vasco Viana, natural de Viqueque, defendeu durante a reunião que os jovens têm a responsabilidade de continuar a construção do país através da política. “A existência de uma nação depende dos sonhadores. Por isso, enquanto jovens, temos a obrigação de cuidar da nação e do povo através de um caminho político legal. Não devemos esperar para ser liderados; devemos levantar-nos e continuar a luta dos nossos heróis e líderes”, afirmou.
Também Nuno José da Costa, coordenador do município de Baucau e um dos fundadores do partido, considerou que a independência ainda não trouxe melhorias suficientes para a população. “A principal mudança que queremos é na economia social do povo. Tudo deve voltar para o povo, porque atualmente a população está marginalizada. Qual foi o benefício da independência para o povo?”, questionou.
A presença de Abílio Araújo foi uma manifestação de apoio político ao novo partido. Durante a intervenção, o antigo dirigente afirmou que Timor-Leste conquistou a independência política, mas continua sem alcançar independência económica e cultural.
“Independência económica significa ter condições para garantir pequeno-almoço, almoço e jantar, educar os filhos e tratar das doenças. Mas sabemos que estas condições ainda não chegam a todo o povo. Ver isso é muito triste”, sublinhou.
Abílio Araújo considerou ainda que muitos timorenses perderam confiança nos partidos políticos existentes, o que ajuda a explicar os elevados níveis de abstenção eleitoral. Segundo o empresário, esta realidade não se deve apenas às dificuldades de acesso às urnas, provocadas por infraestruturas precárias, mas também à falta de confiança nas forças políticas tradicionais.
“O Fitun, juntamente com pequenos partidos sem representação parlamentar, tem de convencer as pessoas. Não devemos pensar apenas em conquistar uma ou duas cadeiras, mas em construir uma nova frente, através de alianças, plataformas e coligações, para podermos ser uma verdadeira alternativa”, apelou.
O antigo dirigente defendeu ainda que as pequenas forças políticas devem trabalhar em conjunto e evitar divisões internas. “Não façam afiliações. Devemos ter espírito de união”, afirmou.
Abílio Araújo pediu também ao partido que evitasse promessas eleitorais irrealistas em troca de votos, considerando que muitos compromissos assumidos pelos partidos ao longo dos anos correspondem, na verdade, a direitos básicos da população.
Em vez disso, defendeu um compromisso sério com o trabalho político e com a melhoria das condições de vida dos timorenses. Estiveram também presentes Abílio Sereno, antigo secretário-geral do Comité Central da Fretilin em Portugal, Vicente Faria, docente da UNTL, e outros convidados.


