Com produtos financeiros orientados para critérios ambientais, sociais e de boa governação e com a instalação de um sistema de energia solar na sua sede, o BNU Timor posiciona-se como um agente ativo na promoção de um modelo de desenvolvimento mais sustentável em Timor-Leste.
Num contexto em que Timor-Leste enfrenta desafios estruturais significativos — desde a forte dependência do setor petrolífero até às limitações da infraestrutura energética — o BNU Timor decidiu assumir um papel de liderança na transição para um modelo de desenvolvimento mais sustentável. A criação de linhas de crédito com foco ambiental, social e de boa governação (ESG) e a instalação de um sistema de energia solar na sede do banco são exemplos concretos dessa estratégia.
A coordenadora de Sustentabilidade do BNU Timor, Nobelinha Sarmento, explica que a criação de produtos de crédito ESG visa apoiar iniciativas que contribuam para um crescimento resiliente, a inclusão social e a proteção ambiental, em alinhamento com as melhores práticas internacionais do setor financeiro.
“Esta iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de sustentabilidade do banco, que procura integrar critérios ambientais, sociais e de governação na avaliação de risco, na relação com os clientes e na oferta de produtos financeiros responsáveis”, afirma. Segundo Nobelinha Sarmento, a ambição do BNU Timor é reforçar o seu papel enquanto verdadeiro agente de desenvolvimento sustentável no país.
Atualmente, o banco disponibiliza duas linhas de crédito ESG, concebidas para diferentes públicos. Para particulares, foi criado o BNU ‘Uma’ Amiga do Ambiente, destinado ao financiamento de obras e equipamentos em habitação própria, secundária ou arrendada. Este produto apoia investimentos em energias renováveis, melhoria da eficiência energética e aumento da eficiência hídrica, com montantes entre 500 e 30.000 dólares americanos e uma taxa de juro fixa de 6,5% ao ano.
Para o setor empresarial, o Crédito MLP ESG-Green Land dirige-se a empresas de todas as dimensões que pretendam investir num modelo de negócio mais sustentável. São elegíveis projetos ligados à eletricidade limpa, descarbonização de edifícios, eletrificação da mobilidade, combustíveis sustentáveis, indústria verde e manufatura sustentável. Os financiamentos têm início a partir de 5.000 dólares americanos, com um valor máximo ajustado à dimensão do projeto, à capacidade financeira e ao risco de crédito, e uma taxa de juro fixa anual de 5%.
A avaliação das candidaturas segue critérios rigorosos. Entre eles incluem-se a conformidade com os princípios ESG, a viabilidade técnico-financeira dos projetos, a identificação clara de benefícios ambientais ou sociais, a capacidade de gestão do proponente e a existência de mecanismos de monitorização de impacto. O cumprimento das normas regulatórias e das políticas internas de risco do banco é igualmente determinante.
Apesar de ainda não existir em Timor-Leste um enquadramento legal que obrigue as instituições financeiras a adotar práticas ESG, o BNU Timor decidiu avançar de forma voluntária. “O país ainda não dispõe de legislação específica nesta área, o que exige uma abordagem gradual e adaptada à realidade nacional”, reconhece Nobelinha Sarmento.
A implementação do crédito ESG não está isenta de desafios. A economia timorense continua fortemente dependente do petróleo, responsável por mais de 80% do Produto Interno Bruto, e a infraestrutura energética assente em combustíveis fósseis limita a expansão de projetos ambientalmente sustentáveis. A isto acresce um tecido empresarial ainda pouco estruturado, com fragilidades ao nível da governação e do reporte financeiro.
Ainda assim, o banco mantém uma perspetiva otimista. Já foram apoiadas iniciativas com componentes ESG, sobretudo na área da eficiência energética, e existem planos claros para expandir o crédito a projetos de energia solar, tanto para famílias como para pequenos negócios. “Este é um dos setores com maior potencial de impacto positivo, ao contribuir para o acesso a energia mais limpa, sustentável e acessível”, sublinha a coordenadora.
Para reforçar o impacto dos créditos ESG, o BNU Timor mostra-se disponível para estabelecer parcerias com organizações não governamentais, agências de desenvolvimento, organismos internacionais e entidades governamentais. Estas colaborações poderão incluir ações de capacitação técnica, certificação e avaliação de impacto, assegurando que os projetos sejam bem estruturados e sustentáveis a longo prazo.
O banco pretende ainda garantir a correta utilização dos recursos através de mecanismos de monitorização e verificação, como relatórios periódicos dos beneficiários, visitas técnicas de acompanhamento, indicadores de desempenho ESG definidos contratualmente e avaliações anuais dos impactos alcançados.
Com esta aposta, o BNU Timor não se limita a financiar projetos, contribuindo também para lançar as bases de uma nova cultura financeira em Timor-Leste, onde o desenvolvimento económico caminha lado a lado com a responsabilidade ambiental e social.
Compromisso com a sustentabilidade
A instalação de um sistema de energia solar na sede do BNU Timor representa mais do que um investimento tecnológico. Trata-se de uma afirmação clara do compromisso do banco com a sustentabilidade ambiental e com o futuro energético de Timor-Leste.
Nobelinha Sarmento explica que a decisão de instalar painéis solares foi impulsionada por uma combinação de fatores estratégicos e ambientais. O principal objetivo passa por reduzir a pegada ambiental da instituição, promover uma maior eficiência energética e contribuir ativamente para a transição para fontes de energia limpa.
“A energia solar permite reduzir custos operacionais, reforçar a resiliência energética do banco e alinhar as nossas operações com compromissos de sustentabilidade e boas práticas ESG”, destaca. Em simultâneo, o projeto pretende servir de exemplo para a comunidade timorense, incentivando outras empresas e instituições a adotarem soluções semelhantes.
A capacidade instalada do sistema solar foi definida com base no consumo energético da sede e nas condições técnicas do edifício. Embora a potência exata — geralmente expressa em quilowatt-pico (kWp) — dependa da validação final do relatório técnico, o projeto foi concebido para responder de forma eficiente às necessidades energéticas do banco.
A instalação ficou a cargo de um fornecedor especializado e devidamente certificado em sistemas fotovoltaicos, selecionado através de um processo rigoroso de avaliação técnica e financeira. Entre os critérios considerados estiveram a qualidade dos equipamentos, a experiência do fornecedor e as garantias de desempenho do sistema, assegurando a fiabilidade e a sustentabilidade do investimento.
A aposta na energia solar não é uma ação isolada, integrando-se num plano mais amplo de eficiência energética e redução gradual das emissões de carbono do BNU Timor. Para além da produção de energia limpa, o banco tem vindo a implementar medidas de otimização de consumos e a promover práticas sustentáveis no ambiente de trabalho, reforçando uma cultura institucional alinhada com os princípios ESG.
Do ponto de vista financeiro, o investimento apresenta um retorno atrativo. O período estimado de retorno situa-se entre quatro e sete anos, dependendo do custo total do sistema, da produção mensal de energia e da redução alcançada na fatura de eletricidade. Atualmente, o sistema gera entre 15.000 e 18.000 kWh por mês, o que se traduz numa poupança de cerca de 30% a 60% nos custos com eletricidade, aumentando a autonomia energética da sede.
Relativamente à expansão do projeto para outras agências, o banco adota uma abordagem faseada. Para já, está previsto, já no próximo ano, um upgrade do sistema instalado na sede, com a integração de soluções de armazenamento de energia através de baterias. Esta melhoria permitirá maximizar o aproveitamento da energia produzida e reforçar ainda mais a resiliência energética da instituição.
O BNU Timor tem procurado comunicar esta iniciativa de forma ativa junto dos clientes e da comunidade. Redes sociais, website institucional, participação em eventos públicos e materiais informativos nas agências são alguns dos canais utilizados para divulgar o projeto. “O banco está comprometido com práticas sustentáveis e acredita no papel das energias limpas no desenvolvimento do país”, refere.
Mais do que comunicar, o banco pretende inspirar. A instalação de energia solar na sede funciona como um exemplo concreto de que esta solução é viável, fiável e financeiramente vantajosa. A experiência permite ao BNU Timor incentivar clientes e empresas a considerarem a energia solar, apoiando essa transição através de produtos financeiros verdes, parcerias com fornecedores do setor energético e soluções de crédito específicas.
Para a coordenadora Nobelinha Sarmento, a sustentabilidade só se consolida com o envolvimento de todos. O banco aposta em campanhas internas de sensibilização sobre eficiência energética e boas práticas ambientais, ações de formação e workshops para colaboradores, projetos de responsabilidade social com foco ambiental e na oferta de produtos financeiros verdes, como linhas de crédito para a instalação de painéis solares.
Com esta iniciativa, o BNU Timor reafirma o seu papel enquanto instituição financeira comprometida não apenas com resultados económicos, mas também com a construção de um futuro mais sustentável para Timor-Leste, onde a energia limpa se torna parte integrante do quotidiano e do desenvolvimento nacional.


