Entre a escola, o trabalho e os sonhos: crianças timorenses dão voz ao seu quotidiano

Na escola, aprendo Matemática, Língua Portuguesa, Estudo do Meio e Língua Tétum. Gosto muito destas disciplinas porque me ajudam a adquirir mais conhecimentos e a aprender muitas coisas novas./Foto: UNICEF Timor-Leste

No Dia Mundial da Criança, jovens de diferentes bairros de Díli falam sobre a escola, a ajuda às famílias, os passatempos e as aspirações para o futuro. Entre brincadeiras, responsabilidades e desafios, revelam como vivem a infância em Timor-Leste.
No Dia Mundial da Criança, assinalado a 1 de junho, o Diligente ouviu várias crianças timorenses sobre o seu dia a dia, os seus sonhos e os desafios que enfrentam. Entre a escola, as tarefas domésticas, a ajuda aos pais e as atividades de lazer, os testemunhos mostram uma infância marcada por responsabilidades precoces, mas também por esperança e ambição. Algumas crianças sonham tornar-se médicas, militares ou futebolistas; outras apelam a melhorias na educação e nas infraestruturas desportivas. Em comum, partilham a convicção de que as crianças representam o futuro de Timor-Leste.

Melvio Alves Boavida Mendonça, 13 anos, residente em Becora

“Vendo arroz embrulhado porque quero ajudar a minha família. Além disso, quero aprender a ser independente e preparar-me melhor para o futuro”

“Hoje fiquei a saber que se celebra o Dia da Criança. Sinto-me muito feliz porque pude participar em várias atividades na escola, como jogos e brincadeiras com os meus colegas. Hoje não tivemos aulas normais; passámos o dia a brincar e a participar em diversas atividades, incluindo uma atuação da banda de tambores para assinalar o Dia da Criança.

No futuro, gostaria de ser militar e integrar as F-FDTL. Sinto-me motivado pelas pessoas que vejo de uniforme e a transportar armas, porque são respeitadas pela sociedade. Por isso, também gostaria de seguir essa profissão. Além disso, desejo que o nosso país continue a desenvolver-se, especialmente na área da educação, para que as próximas gerações tenham melhores oportunidades.

Começo a escola às 7h00 e saio ao meio-dia. Quando chego a casa, troco de roupa, almoço e descanso um pouco. Depois, a minha mãe prepara arroz embrulhado para eu vender. Transporto-o numa bicicleta, juntamente com garrafas de água, num cesto colocado na parte de trás. Costumo vender na zona do Largo. Com a venda do arroz embrulhado, consigo ganhar entre quatro e cinco dólares por dia. Por isso, depois das aulas, vou diretamente trabalhar. Vendo arroz embrulhado porque quero ajudar a minha família. Além disso, quero aprender a ser independente e preparar-me melhor para o futuro.

Em casa, estudo todas as noites depois do jantar. Normalmente, estudo durante cerca de duas horas antes de me deitar, por volta das 20h00. Se não estudar, sinto-me preguiçoso e acabo por não aproveitar bem o meu tempo.”

Leolinda Belo Alves, 12 anos, residente em Bidau Akadiru-Hun

“À noite, ajudo os meus pais a vender fruta quando há eventos ou concertos”

“Soube hoje que se celebra o Dia da Criança. Como este é um dia dedicado a todas as crianças, não tivemos aulas normais na escola. Em vez disso, comemorámos a data com brincadeiras, jogos e outras atividades até à hora de regressarmos a casa.

O meu sonho para o futuro é tornar-me membro das F-FDTL, porque gostaria de servir o meu país. Quero proteger e contribuir para o desenvolvimento da minha pátria.

Os meus passatempos são cantar e praticar taekwondo, embora goste mais de cantar. Entro na escola às 13h00 e saio às 16h00. Depois das aulas, ajudo nas tarefas domésticas. Mais tarde, vou aos treinos, que normalmente terminam por volta das 19h00. Todos os dias pratico taekwondo, uma atividade desportiva de que gosto muito.

Em casa, também ajudo os meus pais. Depois da escola, realizo várias tarefas domésticas, como lavar a loiça e limpar à volta da casa. À noite, ajudo os meus pais a vender fruta quando há eventos ou concertos. Quando não estou a ajudá-los, fico em casa a ler e a escrever.

Espero que o Governo e as entidades competentes prestem mais atenção às escolas em Timor-Leste no futuro. Também é importante dar mais atenção às crianças mais novas, porque somos a esperança da nação.”

Quito dos Santos Boavida, 11 anos, residente em Bidau Lecidere

A minha recomendação ao Governo é que construa campos de futsal e melhores instalações desportivas, para que as crianças e os jovens possam treinar em melhores condições em Timor-Leste”

“Atualmente, estudo na Escola Amigos de Jesus. Sinto-me muito feliz quando os professores disseram que hoje é o Dia Mundial da Criança. De manhã vou à escola e, depois das aulas, costumo jogar futebol com os meus amigos no Largo de Lecidere.

Na escola, aprendo Matemática, Língua Portuguesa, Estudo do Meio e Língua Tétum. Gosto muito destas disciplinas porque me ajudam a adquirir mais conhecimentos e a aprender muitas coisas novas.

Já fui castigado por uma professora devido ao meu comportamento. Essa experiência fez com que sentisse algum receio de ir à escola. No entanto, ao ver os meus colegas continuarem a frequentar as aulas, também continuei a estudar.

Na escola existem várias atividades, como jogar futebol e outras brincadeiras. Em casa, a atividade que mais pratico no dia a dia é jogar futebol. O meu sonho é tornar-me um jogador de futebol famoso. Gostaria de ser como o Cristiano Ronaldo.

A minha recomendação ao Governo é que construa campos de futsal e melhores instalações desportivas, para que as crianças e os jovens possam treinar em melhores condições.”

Valencia Soares Pereira da Costa, 11 anos, residente em Bidau

Na escola, gostaria que os professores ensinassem de forma positiva, sem repreender excessivamente os alunos, sem comparar uns colegas com os outros e sem bater nos alunos quando cometem erros”

“Hoje, no Dia Mundial da Criança, sinto-me muito feliz porque não tivemos aulas normais. Em vez disso, passámos o dia a jogar futebol, com raparigas e rapazes a participarem juntos nas atividades.

Estou contente porque pude jogar futebol até à hora de saída da escola, algo diferente dos outros dias. No futuro, gostaria de ser médica, porque os médicos usam bata branca e cuidam das pessoas doentes com muita dedicação. Gostaria de ser como eles.

Na escola, gostaria que os professores ensinassem de forma positiva, sem repreender excessivamente os alunos, sem comparar uns colegas com os outros e sem bater nos alunos quando cometem erros.

Hoje gostei muito de jogar futebol e, quando chegar a casa, também quero brincar com os meus amigos. Gosto de jogar futebol porque isso me faz sentir feliz. Na escola, a disciplina de que mais gosto é Língua Portuguesa, porque a professora ensina muito bem.

Normalmente, em casa, estudo cerca de uma hora por dia. Fora isso, não tenho muitas outras atividades. Todos os dias vou à escola, regresso a casa, brinco e, no dia seguinte, volto novamente à escola.”

Francisco Nunes Freitas, 7 anos, residente em Fatuhada

Na escola também aprendo o alfabeto, a ler, a escrever e Matemática, mas às vezes, tenho medo quando cometo erros porque os professores costumam bater nos alunos”

“Sinto-me feliz porque na escola posso jogar futebol e participar em várias atividades. Na escola também aprendo o alfabeto, a ler, a escrever e Matemática, mas às vezes, tenho medo quando cometo erros porque os professores costumam bater nos alunos. O meu sonho é ser médico, porque quero ajudar a curar pessoas doentes.

Todos os dias, de manhã, vou para a escola e, depois das aulas, ajudo a minha mãe a vender produtos, como água e outros artigos. Em casa, ajudo a minha mãe a lavar a louça. Gostava que o Governo melhorasse a qualidade da educação e das infraestruturas desportivas.”

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