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BNU celebra 114 anos com oferta de curso de Língua Portuguesa a funcionários públicos e universitários

BNU Timor celebra o seu 114º aniversário através da oferta de um curso de língua portuguesa para cidadãos timorenses/Foto: Diligente

Pelas 8h00 da manhã, os formandos começam a chegar ao Centro Cultural Jorge Sampaio, na Embaixada de Portugal, em Díli, para mais uma sessão do curso de Língua Portuguesa. A turma é composta por 25 participantes, entre estudantes universitários e funcionários público, selecionados de um total de 250 candidatos, maioritariamente das áreas de gestão e economia.

O curso, oferecido pelo Banco Nacional Ultramarino (BNU Timor), representa um presente para os timorenses, no âmbito das comemorações do seu 114.º aniversário. A iniciativa tem como objetivo reforçar o nível de proficiência linguística dos formandos, promovendo o uso mais frequente e abrangente da língua portuguesa no contexto profissional e académico.

“Normalmente, quando há um aniversário, faz-se uma festa. Decidimos não gastar dinheiro em celebrações e oferecer algo ao povo timorense — uma prenda do BNU à comunidade”, afirmou o diretor-geral do BNU Timor, Paulo Lopes.

O curso, com uma duração total de 60 horas, confere, no final, um certificado de participação e de nível de proficiência, emitido pelo centro de formação da Escola Portuguesa de Díli (EPD).

A iniciativa conta com o apoio da Embaixada de Portugal, que cedeu o espaço, e do Centro de Formação da EPD. O embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, destacou o caráter distintivo da ação: “Os beneficiários devem aproveitar esta oportunidade. Foram selecionados entre 250 candidatos, ou seja, apenas 10% foram admitidos.”

As aulas decorrem duas vezes por semana e já se realizam há cerca de um mês, estando previsto o seu término em junho, após a conclusão da carga horária prevista e dos objetivos de aprendizagem.

Entre os participantes está Ricardino da Silva, estudante do Institute of Business (IOB), que reside em Tasi-Tolu e se desloca de microlete até à Embaixada de Portugal. Para conseguir chegar a horas — as aulas decorrem entre as 8h30 e as 10h30 —, acorda cedo e sai de casa por volta das 7h00. Ainda assim, encara o esforço como um desafio positivo.

Numa das sessões, dedicada à terminologia técnica da administração pública, a professora introduziu conceitos e incentivou os formandos a partilharem o seu entendimento dos termos apresentados, promovendo a correção linguística e a substituição de estrangeirismos pelo português.

A dinâmica das aulas assenta na participação ativa dos formandos, que são encorajados a expressar-se, mesmo com dificuldades, como forma de consolidar a aprendizagem. Durante os exercícios, Ricardino recorre frequentemente à internet para esclarecer dúvidas e acompanhar melhor os conteúdos.

No final de cada aula, os participantes são desafiados a escrever pequenos textos sobre o quotidiano. Apesar de ainda depender de apoio externo, Ricardino garante compreender o significado das palavras utilizadas, o que contribui para o seu progresso.

O estudante retomou agora o contacto com a língua portuguesa, que havia estudado no ensino básico, mas que deixou de utilizar ao ingressar no ensino superior, onde predominam o tétum, o inglês e o indonésio.

Diversidade que fortalece o grupo

A turma integra formandos com idades entre os 20 e os 50 anos, provenientes de diferentes áreas profissionais. “É um grupo muito heterogéneo, mas com grande empenho e espírito de entreajuda”, sublinhou a professora.

Segundo a formadora, o respeito mútuo e o ambiente de camaradagem têm sido determinantes para o sucesso das sessões: “Estou muito satisfeita com a seleção. Tivemos muita sorte com o grupo.”

Dália Soares, finalista de gestão financeira no IOB, soube do curso através da página de Facebook do BNU Timor. Reconhecendo ter um nível básico de português, viu nesta formação uma oportunidade de desenvolvimento académico e profissional.

Já Geraldo Fernandes Teles, funcionário do Ministério do Planeamento e Investimento Estratégico (MPIE), decidiu aprofundar os seus conhecimentos para responder às exigências do trabalho. “Recebemos correspondência em português e precisamos de responder na mesma língua”, explicou.

Segundo o próprio, foi solicitado apoio à Embaixada de Portugal para formação linguística, tendo o pedido sido encaminhado para o BNU Timor, o que acabou por dar origem ao curso.

Isaura Mota de Jesus, funcionária da Secretaria de Estado da Organização Urbana e Toponímia (SEATOU), do Ministério da Administração Estatal (MAE), já teve contacto com o português durante uma estadia de três anos no Brasil, mas pretende agora aperfeiçoar o domínio do português europeu.

Soube da formação através da sua instituição e foi uma das poucas selecionadas entre vários colegas candidatos.

Aprendizagem com impacto profissional

De acordo com a professora Célia Oliveira, o curso foi estruturado para dotar os formandos de competências essenciais em compreensão, leitura e produção escrita, ajustando os conteúdos às necessidades profissionais dos participantes.

“O grupo é relativamente homogéneo, embora haja alguns formandos com maior domínio da língua, o que contribui positivamente para a dinâmica das aulas”, referiu.

As principais dificuldades identificadas prendem-se com a concordância de género e número, bem como com a conjugação verbal, aspetos que estão a ser trabalhados de forma sistemática.

Dália Soares admite ainda alguma dificuldade em expressar-se oralmente, mas afirma conseguir compreender e escrever em português. “É um privilégio aprender com novas pessoas”, disse, destacando também a utilidade dos materiais pedagógicos disponibilizados.

Geraldo Teles aponta igualmente os verbos e as diferenças entre escrita e pronúncia como principais desafios, comprometendo-se a melhorar para aplicar os conhecimentos no contexto profissional.

Por sua vez, Isaura de Jesus vê o curso como uma oportunidade para ajustar o seu português ao padrão europeu e elogia a metodologia da professora. “Não há limite para aprender uma língua. Quero aplicar estes conhecimentos no dia a dia, não só no trabalho”, afirmou.

A funcionária revelou ainda que já pratica o idioma com colegas no local de trabalho, num ambiente descontraído que tem despertado o interesse de outros funcionários.

Célia Oliveira destaca o elevado nível de assiduidade e motivação dos formandos, bem como as condições proporcionadas pela Embaixada de Portugal, como fatores-chave para o sucesso da formação.

“Espero que todos adquiram as competências previstas e, acima de tudo, que assumam a língua portuguesa como sua. Se for encarada como parte da identidade timorense, os resultados serão ainda mais positivos”, concluiu.

Os participantes manifestaram o desejo de continuidade da iniciativa. Geraldo Teles defende o reforço e a frequência das aulas, enquanto Isaura de Jesus sugere a realização anual do curso, de forma a abranger mais funcionários públicos.

O BNU, sucursal da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Timor-Leste, com sede em Díli, é uma instituição centenária que reabriu ao público em 1999, após ter sido fundada em 1912.

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