Timor-Leste avançou com a preparação para a presidência pro tempore da CPLP, marcada para 2026-2027, com uma reunião estratégica entre os pontos focais setoriais. O objetivo foi alinhar estratégias e fortalecer a cooperação interinstitucional, garantindo uma coordenação eficaz para a implementação das iniciativas. A presidência de Timor-Leste visa reforçar a visibilidade do país e consolidar a CPLP como um espaço de diálogo e cooperação global.
Timor-Leste deu um importante passo na preparação para assumir a presidência pro tempore da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com a realização de uma reunião estratégica entre os pontos focais setoriais do país.
O encontro, organizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC), teve como objetivo alinhar as estratégias e fortalecer a coordenação interinstitucional para garantir uma presidência eficaz de Timor-Leste no biénio 2026-2027.
A reunião ocorreu hoje, 9 de fevereiro, no Salão Nobre do MNEC, em Díli, e contou com a participação de representantes de vários ministérios do Governo, reunidos para discutir como otimizar a implementação das iniciativas da presidência e a cooperação entre os Estados-membros da CPLP. O Secretário-Geral do MNEC, Embaixador Juvêncio Martins, sublinhou a importância da boa coordenação entre os diferentes setores para o sucesso do processo.
Na abertura da reunião, Juvêncio Martins destacou que o trabalho conjunto e a comunicação constante são elementos cruciais para garantir a efetividade da presidência de Timor-Leste. “A boa coordenação, a partilha de informações e o espírito de solidariedade são fundamentais para que possamos enfrentar os desafios comuns de forma eficaz e harmoniosa”, afirmou.
O Embaixador também lembrou que a presidência de Timor-Leste não é apenas uma oportunidade para o país afirmar sua liderança na CPLP, mas também um compromisso com o fortalecimento da cooperação regional e internacional. “A nossa liderança vai garantir que as prioridades setoriais estejam totalmente alinhadas com a agenda da CPLP, assegurando coerência, complementaridade e uma ação concertada em prol dos objetivos comuns”, disse.
A presidência de Timor-Leste será uma plataforma crucial para aumentar a visibilidade do país a nível internacional. “A CPLP é um espaço estratégico para o diálogo e a cooperação multilateral. Temos de garantir que a nossa atuação na presidência seja relevante não só para a nossa região, mas também globalmente”, sublinhou Juvêncio Martins.
O Embaixador fez um apelo à partilha regular de informações e boas práticas entre os pontos focais setoriais, destacando que a troca constante de conhecimento é essencial para evitar duplicações de esforços e promover sinergias. “Uma coordenação eficaz entre os pontos focais permitirá alcançar resultados concretos e duradouros”, afirmou.
Durante a reunião, o Diretor para a CPLP, Joaquim Fernandes, apresentou um panorama das principais atividades previstas para o período da presidência de Timor-Leste. Fernandes explicou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros tem desenvolvido um intenso trabalho de concertação com os Estados-membros da CPLP, tanto em Díli como em Lisboa.
“Estamos a trabalhar de forma estreita com a Secretaria Executiva da CPLP e com os Estados-membros, e temos uma missão permanente para coordenar todos os aspetos da presidência. Estamos a garantir que a CPLP será uma plataforma de diálogo eficaz e de cooperação multilateral para todos os seus membros”, explicou Joaquim Fernandes.
Entre as atividades previstas para o biénio 2026-2027, destacam-se várias reuniões ministeriais e encontros setoriais nas áreas de Saúde, Educação, Cultura, Comércio, Defesa, Finanças, Ambiente, Ciência e Tecnologia, entre outras. Além disso, a presidência de Timor-Leste dará atenção especial à promoção da língua portuguesa, com a realização de eventos como a Semana Cultural da CPLP em Lisboa e a celebração do Dia Internacional da Língua Portuguesa, com um enfoque especial nas comunidades luso-asiáticas.
Embora seja um dos membros mais jovens da CPLP, com quase 24 anos de independência, Timor-Leste tem demonstrado uma maturidade crescente na sua abordagem diplomática, com o objetivo de fortalecer a presença da CPLP no cenário internacional. Joaquim Fernandes destacou que a presidência será uma oportunidade para expandir a presença do país no cenário global e afirmar a sua posição enquanto elo estratégico para os países de língua portuguesa.
“A nossa liderança na CPLP reflete o compromisso de Timor-Leste com o multilateralismo e com a construção de uma comunidade mais forte, coesa e dinâmica. Temos uma grande responsabilidade, mas também um enorme potencial para contribuir para o fortalecimento da CPLP como um espaço de diálogo e cooperação global”, afirmou Joaquim Fernandes.
A presidência de Timor-Leste será marcada por desafios logísticos e orçamentais, como destacou Joaquim Fernandes. Algumas reuniões poderão ser realizadas em Lisboa, por questões orçamentais e logísticas, mas a maior parte dos encontros será realizada em Díli. O Diretor para a CPLP frisou que o Governo está a trabalhar para garantir que as condições necessárias para o bom funcionamento da presidência sejam criadas, incluindo a definição de um calendário de reuniões, algumas ainda em fase de proposta.
“Este é um processo dinâmico e flexível. Estamos a ajustar a logística de acordo com as necessidades e as condições disponíveis, mas temos a certeza de que vamos estar prontos para garantir que a presidência de Timor-Leste será um sucesso”, concluiu Joaquim Fernandes.


