Moradores de Baucau exigem data concreta para a reabilitação da estrada prometida pela Autoridade Municipal

Rotunda de Vila Nova, Baucau/ Foto: Diligente

Falta de comunicação sobre o lançamento da primeira pedra para a reabilitação da estrada de Baucau Vila gera críticas de moradores, organizações de mulheres, estudantes e motoristas, que alertam para riscos à segurança rodoviária, dificuldades de mobilidade e constrangimentos no acesso a serviços essenciais.

A ausência de uma data fixa para o lançamento da primeira pedra da obra de reabilitação da estrada de Baucau Vila está a gerar críticas por parte de moradores, organizações de mulheres, estudantes e motoristas. Os queixosos alertam para os riscos à segurança, para as dificuldades de circulação, sobretudo durante a época das chuvas, e para os problemas no acesso ao mercado, ao hospital de referência e a outros serviços essenciais.

Há alguns meses, a presidente da Autoridade Municipal de Baucau, Veneranda Lemos, afirmou à população que, em novembro deste ano, seria lançado o primeiro marco da reabilitação da entrada de Vila Nova e da vila antiga de Baucau. Perante a não concretização dessa promessa, os moradores exigem agora que a responsável comunique uma nova data concreta para o início da obra.

De acordo com a diretora da Associação da Unidade de Mulheres para o Desenvolvimento, Bendita de Jesus Amaral, a presidente da Autoridade não cumpriu o compromisso assumido. “Ela comunicou publicamente aos meios de comunicação social e também numa reunião realizada em outubro que, no mês de novembro, iria lançar a primeira pedra”, afirmou.

O motorista Délio Faustino Guterres referiu que as condições das estradas em Baucau continuam a ser graves, sobretudo em Vila Nova, o que dificulta a circulação de transportes, especialmente durante a estação das chuvas. Acrescentou que o mau estado da via torna o percurso diário de ida e volta perigoso, colocando em risco a vida dos moradores.

Bendita de Jesus Amaral disse ainda que ouviu recentemente uma nova explicação da responsável municipal, segundo a qual, em novembro, o Governo estaria ocupado com outros compromissos. “Ela disse que foi por causa da comemoração do Dia da Proclamação da Independência e do debate do Orçamento Geral do Estado para 2026. Mas isto já aconteceu. Porque é que, até ao momento, ainda não anunciou novas datas para a construção da estrada? Será que não há dinheiro para esta obra ou ainda não há tempo?”, questionou.

Segundo o motorista, há alguns anos a situação da estrada era melhor. No entanto, as chuvas fortes e frequentes provocaram o aparecimento de buracos, onde a água se acumula por falta de escoamento, agravando as condições de circulação. “Sinto insegurança ao conduzir nas estradas de Baucau. Em situações de emergência, muitas pessoas não conseguem deslocar-se rapidamente quando chove”, enfatizou.

De acordo com a observação da diretora da associação, a precariedade da estrada de Baucau Vila é mais visível na zona do Planalto, que dá acesso ao mercado e ao hospital de referência. “Esta zona representa um risco para as pessoas, sobretudo para pessoas com deficiência e mulheres grávidas. Um dia, uma mota que transportava uma mulher grávida quase caiu devido a um buraco no meio da estrada. A mãe conseguiu saltar da mota. Esta situação colocou mesmo vidas em risco”, relatou.

Na rotunda da subida em direção a Díli, acrescentou Bendita de Jesus Amaral, alguns motoristas recusam transportar passageiros até ao destino final. “Assim, estudantes, mulheres e vendedores seguem a pé até às suas casas, ao hospital e ao mercado”, observou.

 Impacto no quotidiano de pessoas com deficiência

Esta realidade é vivida diariamente por Isolina Sarmento, pessoa com deficiência motora que trabalha como vendedora no mercado de Baucau e que se mudou recentemente para o novo mercado, Tuanau. Isolina explicou que a distância entre a rotunda de Vila Nova e o mercado é de aproximadamente mil metros, num percurso marcado por lama, buracos, pedaços de asfalto e pedras na estrada.

“Quando ainda estávamos no mercado antigo, no centro da cidade, vendíamos perto da estrada e as condições não eram tão más, o que facilitava o acesso aos transportes. Depois de o Governo emitir um novo procedimento para transferir vendedores e compradores para Tuanau, começámos a enfrentar grandes desafios”, afirmou.

A vendedora acrescentou que, devido à precariedade da estrada, muitos condutores têm dificuldade ou relutam em transportar pessoas até ao mercado. “Às vezes, os motoristas pedem entre três e cinco dólares, dependendo também da quantidade dos nossos produtos. Quando temos apenas uma cesta, conseguimos carregá-la sozinhas até ao destino”, explicou.

Apesar das dificuldades, Isolina Sarmento disse que precisa de continuar a trabalhar para sustentar a família. “Sinto-me muito triste, porque já tenho esta limitação física e o mau acesso da estrada cria ainda mais obstáculos. Além disso, a distância até ao mercado é longa. Por isso, peço às entidades competentes que resolvam esta situação com urgência”, apelou.

Para o motorista Délio Faustino Guterres, os pontos mais perigosos, devido ao mau estado da estrada, situam-se em frente aos serviços de educação, a uma loja, no Planalto, e no terminal junto à escola Santa Úrsula. “Estas zonas registam vários acidentes graves. Um dos incidentes ocorreu em frente aos serviços de educação, quando um motociclista tentou desviar-se de um buraco, saiu da estrada e embateu numa árvore em frente da loja”, destacou.

Teonecio Soares, estudante da Escola Secundária n.º 01 de Baucau, referiu que, em algumas áreas, o Governo conseguiu reabilitar estradas nos postos administrativos do município. “Baucau Vila é considerada uma cidade e a segunda capital de Timor-Leste. No entanto, há muitos pontos em situação de precariedade, sobretudo no acesso ao mercado de Baucau Vila”, frisou.

O estudante apelou ao Governo para que aloque verbas à construção e reabilitação das estradas, de modo a facilitar o acesso da população ao mercado e a outras necessidades básicas. Criticou ainda o anúncio público feito pela presidente da Autoridade Municipal sobre o início das obras em 2025. “A presidente disse que, no mês passado, devia pôr em prática o plano das obras das estradas. O que prometeu, deve cumprir”, afirmou.

Questionada sobre a falta de comunicação de uma data fixa, a organização de mulheres liderada por Bendita de Jesus Amaral informou que mulheres sobreviventes, pessoas com necessidades especiais e jovens mulheres planeiam realizar uma conferência de imprensa entre os dias 29 e 30 de dezembro, para exigir uma resposta da Autoridade Municipal.

“Temos dois assuntos principais. Primeiro, a Autoridade deve comunicar a data e o mês para a construção da estrada. O segundo é a mudança urgente dos vendedores do mercado antigo, do terminal e dos pequenos negócios à beira da estrada para o novo mercado, devido à construção de jardins. As estradas atuais dificultam as atividades dessas pessoas. Antes de transferir a população de um local para outro, o Governo deve ter verbas ou um plano de execução. Agora notamos que já existe um jardim, mas está cheio de ervas”, afirmou Bendita de Jesus Amaral.

 Reação das autoridades

Questionado sobre uma nova comunicação da data, o ministro das Obras Públicas, Samuel Marçal, respondeu que a questão deve ser colocada às entidades que divulgaram a informação sobre o lançamento da primeira pedra. “Se depender do Governo Central, então é preciso aguardar o processo”, disse.

O Diligente tentou entrevistar a presidente da Autoridade Municipal de Baucau, Veneranda Lemos, mas a responsável afirmou não ter disponibilidade, por estar ocupada com outros serviços.

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