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Manuel Lapão: “O investimento de Timor-Leste na CPLP deve ter retorno”

Ao conhecer os mecanismos de cooperação da CPLP, Timor-Leste poderá participar de forma mais eficaz no acesso a financiamento para projetos/Foto: Diligente

A formação dos pontos focais setoriais timorenses pretende reforçar a participação de Timor-Leste na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e permitir um melhor aproveitamento dos mecanismos de cooperação e financiamento disponíveis na organização.

Terminou hoje, 14 de agosto, a segunda edição do Seminário dos Pontos Focais Setoriais de Timor-Leste, que reuniu mais de 70 participantes, entre diretores nacionais e pontos focais de diferentes ministérios que trabalham, ou poderão vir a trabalhar, com a CPLP.

Realizado durante dois dias, o seminário teve como objetivo formar os pontos focais setoriais de Timor-Leste para compreenderem os mecanismos de trabalho da CPLP, conhecerem os seus documentos estratégicos, coordenarem ações com outros Estados-membros e acederem aos projetos e instrumentos de financiamento da organização, nomeadamente o Fundo Especial e a Quota.

Segundo o coordenador-geral da Comissão da Presidência pro tempore de Timor-Leste da CPLP, Joaquim Fernandes, o seminário representou um trabalho intenso, permitindo aos pontos focais setoriais timorenses conhecerem melhor os mecanismos de cooperação da Comunidade.

Para Manuel Lapão, diretor de Cooperação da CPLP, a formação foi importante porque “Timor-Leste tem investido muito na CPLP e este investimento necessita de ter retorno”.

Para isso, explicou, os técnicos timorenses que trabalham com os instrumentos da Comunidade precisam de compreender como estes podem ser utilizados. “Para trabalhar com a organização, é preciso conhecer os seus instrumentos”, afirmou.

Manuel Lapão reconheceu, contudo, que dois dias não são suficientes para aprofundar todos os mecanismos da CPLP. Por isso, considerou o seminário uma espécie de simulação, destinada a aproximar os participantes do ambiente de trabalho da organização, mas com aplicação prática no seu quotidiano profissional.

Durante a formação, os participantes tiveram contacto com documentos da CPLP, documentos estratégicos e planos que definem as áreas de intervenção setorial, procurando compreender como estes instrumentos funcionam e que atividades deles decorrem.

O diretor de Cooperação acrescentou que é necessário manter um trabalho contínuo de análise desses documentos, para que Timor-Leste possa participar de forma mais eficaz no acesso a financiamento para projetos que estejam alinhados com a Estratégia Nacional de Timor-Leste e com o Programa do Governo Constitucional.

Manuel Lapão salientou ainda que esse trabalho deve ser desenvolvido em coordenação com a Direção Nacional responsável pela representação de Timor-Leste junto da CPLP, considerando essa articulação essencial para o sucesso das iniciativas.

Explicou também que é nas reuniões ministeriais dos Estados-membros que são identificados e apreciados os projetos que necessitam de financiamento.

Os pontos focais setoriais de Timor-Leste avaliaram positivamente a formação e manifestaram interesse na continuidade deste tipo de iniciativa.

Maria Elsa Diogo Correia, perita nacional para a área das meninas e mulheres na ciência da CPLP e membro da Rede de Mulheres e Meninas na Ciência (REMUCE), agradeceu a oportunidade e considerou o seminário uma capacitação importante para melhorar o seu trabalho de coordenação na CPLP, nomeadamente nos encontros com representantes de outros Estados-membros.

“Foi um seminário importante, porque assumimos a presidência pro tempore e lideramos os encontros da rede”, afirmou Maria Correia, que é também secretária executiva do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT).

A REMUCE é uma rede que promove o interesse das mulheres e meninas pela ciência. Segundo Maria Correia, um dos objetivos é combater os preconceitos que ainda afastam as mulheres das áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

“Num país onde a cultura patriarcal ainda é forte, há poucas mulheres interessadas nas áreas da ciência, tecnologia e matemática. Pretendemos diminuir o preconceito contra as mulheres nestas áreas, sensibilizar professores, pais e meninas e incentivar a continuidade dos estudos para além do ensino secundário, promovendo carreiras na engenharia, na matemática, entre outras áreas”, explicou.

A responsável avançou que estão a ser implementados os planos anuais da rede na região e que estão previstos vários eventos em Timor-Leste, incluindo um seminário nacional que deverá reunir cientistas, académicos, mulheres e meninas.

Durante o seminário, acrescentou, teve oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre a gestão, a estrutura e os mecanismos da CPLP, bem como sobre a coordenação com os restantes países na preparação de atividades.

Enquanto ponto focal setorial de Timor-Leste, Maria Correia considerou importante a realização deste tipo de formação e defendeu a sua continuidade.

Partilhando da mesma posição e reconhecendo a importância da capacitação, Joaquim Fernandes comprometeu-se a fazer esforços para dar continuidade à iniciativa. “Acreditamos que, no futuro, vamos ter mais iniciativas destas, uma terceira edição do seminário”, afirmou.

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