Um vídeo que mostra uma professora da Escola Portuguesa de Díli (EPD) a empurrar e a dar uma bofetada a uma aluna gerou forte preocupação na comunidade escolar. A Associação de Pais exige investigação rigorosa e medidas imediatas, enquanto a direção da escola garante acompanhamento da situação e reforça o compromisso com a segurança e o respeito pelos alunos.
Um vídeo que se tornou viral nas redes sociais mostra claramente uma professora da Escola Portuguesa de Díli – Centro de Ensino e Língua Portuguesa – Ruy Cinatti a empurrar e a dar uma bofetada a uma aluna numa sala de aula. A Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE-EPD) classificou o conteúdo do vídeo como “chocante” e solicitou uma reunião urgente com a direção da escola.
A Presidente do Conselho Executivo da APEE-EPD, Ana Cristina Fernandes, afirmou ao Diligente que, até ao momento, a associação não recebeu qualquer denúncia formal por parte de pais ou encarregados de educação.
“É importante que os pais e encarregados de educação denunciem estes factos para que a APEE-EPD possa representar os seus membros e garantir o interesse da comunidade escolar”, disse Ana Cristina Fernandes.
Apesar da ausência de denúncias formais, a associação tomou conhecimento informal do caso no domingo e solicitou, na segunda-feira, uma reunião urgente com o diretor da escola.
“O vídeo que circula é chocante para a APEE-EPD e para os seus membros enquanto pais e encarregados de educação da EPD. A escola tem alunos de diversas etnias cuja integração deve ser garantida. Esperamos que a direção aja de pronto, e sabemos que a situação está a ser investigada”, declarou Ana Cristina Fernandes.
A presidente reforçou que, devido à gravidade do episódio, a professora deve ser suspensa até à conclusão da investigação, minimizando impactos e preservando o superior interesse da menor envolvida.
“Desde já acrescentamos que o vídeo mostra agressões à integridade da menor, configurando possíveis ilícitos que podem ser punidos criminalmente, pelo que devem ser relatados ao Ministério Público”, frisou.
A associação apelou ainda aos pais e encarregados de educação para que “sejam vigilantes, conversem com os seus educandos e procurem informações sobre ocorrências como esta”, disponibilizando um formulário online para recolha de denúncias, através do link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdOuKWL3gNbDIQ4SjgoekQ9vbMMCMNmputJz4-USatEyaKLfg/viewform?usp=header ou do QRCode:

“A segurança da comunidade escolar, assim como as melhorias da Escola Portuguesa, implicam que todos tenhamos uma cidadania ativa”, destacou Ana Cristina Fernandes.
Em comunicado divulgado na página oficial do Facebook da EPD, a direção da escola confirmou ter conhecimento da circulação do vídeo e assegurou que a situação está a ser acompanhada de forma rigorosa.
“Foram desencadeados os procedimentos internos e legais adequados. Reafirmamos o nosso compromisso com a proteção dos alunos e a promoção de um ambiente educativo seguro, respeitador e inclusivo”, lê-se no documento.
A escola rejeita “qualquer tipo de violência, discriminação ou comportamento contrário aos princípios e valores que regem as Escolas Portuguesas no Estrangeiro e a Escola Pública Portuguesa”.
A direção apelou à “serenidade e sentido de responsabilidade de toda a comunidade escolar, solicitando que se aguarde o normal decurso dos procedimentos, salvaguardando a confidencialidade necessária à correta averiguação dos factos”.
Fontes a que o Diligente teve acesso, que preferiram não ser identificadas, relataram que o comportamento da professora em causa já teria suscitado preocupação anteriormente no seio da comunidade escolar. Segundo essas fontes, terão existido alegados comentários de teor racista em contexto de sala de aula, bem como a perceção de que a docente não se teria integrado plenamente no ambiente escolar.
O Diligente tentou contactar a professora que surge no vídeo, alegadamente envolvida na situação, mas não obteve resposta.
O pai da menor envolvida na situação também foi contactado e afirmou que só se iria pronunciar após a direção da escola tomar uma posição e agir sobre o caso.
Foram também contactados alguns encarregados de educação da turma em causa da Escola Portuguesa, que referiram que só se pronunciariam depois de a escola atuar e assumir uma posição oficial.
O diretor da escola, Manuel Marques, que inicialmente se tinha disponibilizado para responder às questões enviadas pelo Diligente, não o fez até ao momento da publicação. Posteriormente, informou que, por agora, “não há declarações a prestar, referindo que a situação está a ser tratada de acordo com os normativos legais em vigor, com garantia de confidencialidade.”


Vergonha!
Na verdade, já me mandaram três versões diferentes do vídeo. Uma de 7 segundos, cortada de forma a fazer parecer que a professora é que iniciou a violência do nada; outra de 25 segundos, editada com alguns segundos do final colocados no início, que faz parecer erradamente que a aluna tentou dar uma estalada à professora antes de esta lhe ter dado uma estalada a ela; e outra com 30 segundos que mostra uma aluna a invadir o espaço pessoal de uma professora e a persegui-la pela sala agressivamente de dedo em riste e depois a professora a empurrar a aluna e a dar-lhe uma estalada que lhe faz voar os óculos e esta a reagir tentando dar também uma bofetada à professora. A aluna é então puxada para trás por uma colega timorense, que – pelo que aparece no vídeo – é a pessoa com uma ação mais meritória. Nenhum dos vídeos que recebi mostra o que despoletou a situação, mas é óbvio que quaisquer palavras que tenham sido trocadas não justificam atitudes fisicamente agressivas nem violência.
A professora esteve errada porque não pode agredir alunos. Deveria ter dito ao delegado de turma para que este chamasse uma funcionária e seria a funcionária a levar a aluna até à direção para prestar declarações. Em segundo lugar, se eu fosse pai da aluna, também daria um sermão na miúda, porque quem vir o video, não sei quem tem paciência para uma adolescente com o dedo em riste e com ar de “peixeira” a insurgir-se contra a autoridade da professora. Essa atitude é vergonhosa.
Em terceiro lugar, a Escola Portuguesa de Dili precisa de novas regras duras, porque os alunos estão viciados em telemóveis. Os telemóveis teriam de ser proibidos no recinto escolar. Eu já lecionei nessa escola e sei do que falo. A educação deve vir do berço. A função de um professor deve ser a de ensinar.