- Reflexão inicial
O aparelho eletrónico que temos nas mãos é um meio de comunicação que facilita a partilha de informações. Contudo, esse mesmo aparelho pode também ser usado como uma ferramenta poderosa de influência sobre o pensamento e o comportamento humano, levando as pessoas a acreditar em informações falsas ou enganosas.
Atualmente, vivemos numa era em que a velocidade da informação é extremamente elevada: basta um simples clique para que uma mensagem se espalhe por um grande número de pessoas. No entanto, essa mesma rapidez pode igualmente facilitar a propagação de desinformação ou de boatos (hoaxes), capazes de enganar o público com conteúdos incorretos.
Os hoaxes podem surgir sob diferentes formas — textos, imagens, vídeos ou publicações nas redes sociais — e, muitas vezes, são criados com a intenção de manipular a opinião pública, influenciar decisões políticas ou provocar confusão entre as pessoas.
O ser humano tende a acreditar naquilo que vê repetidamente, sobretudo quando a informação é apresentada de forma apelativa ou emocional. Por essa razão, a rapidez com que uma mentira se espalha pode levar muitas pessoas a aceitá-la como verdadeira, mesmo sem verificarem a sua origem.
- Invasão através de mentiras difíceis de conter
A tecnologia, no mundo contemporâneo, evolui a um ritmo acelerado e influencia também o modo de vida das pessoas nas suas várias dimensões — económica, política, cultural e outras. Esta realidade torna difícil travar o fenómeno, que funciona como um vírus a propagar-se no seio da sociedade. É precisamente essa a situação crítica que as sociedades enfrentam atualmente.
Esta evolução coincide com a crescente penetração da tecnologia numa sociedade onde o nível de confiança nos boatos (hoaxes) é muitas vezes superior ao depositado na informação verdadeira. Tal fenómeno pode ser comparado a um “demónio que destrói a confiança das pessoas na verdade”. É neste contexto que o mundo vive aquilo a que se chama a “era da pós-verdade”, em que a força da verdade já não tem o mesmo peso de outrora, porque as mentiras — ou hoaxes — são como balas disparadas repetidamente, tornando difícil escapar aos danos que provocam.
Ainda que não se possa negar que a tecnologia facilita o acesso à informação, aumenta a produtividade e melhora a eficiência dos serviços em diversos setores, a questão preocupante continua a ser a proliferação de hoaxes.
Os hoaxes recorrem a instrumentos de propaganda no espaço cibernético e, segundo Pililang (2012), citado por Taufik (2022), o ciberespaço transformou as atividades humanas do mundo real num mundo artificial, permitindo que ações antes realizadas na realidade possam agora ser reproduzidas numa “vida artificial” ou “mundo artificial”.
A “pós-verdade”, segundo Faharuddin Faiz, citado por Arifin & Fuad (2020), manifesta-se em sete aspetos que servem de base para o aparecimento deste fenómeno:
- O ser humano procura novas visões para reforçar a sua identidade, mesmo que o faça através de meios falsos ou incorretos (sem relevância).
- Os média procuram aumentar o rating, os likes, os cliques, o número de seguidores e obter lucro.
- Comodificação – processo de transformação de bens, serviços, ideias ou até da própria vida em mercadorias de mercado –, mesmo quando a opção escolhida é incorreta.
- O avanço tecnológico não acompanha o desenvolvimento da intelectualidade social; um grande número de comentários negativos pode gerar problemas.
- Pensamento pragmático – as pessoas querem agir rapidamente, cometendo erros de forma acelerada, para subir de posição e atingir os seus objetivos.
- Características de uma sociedade facilmente influenciável por conteúdos bombásticos e sensacionalistas, com tendência para partilhar rapidamente informações, mesmo que falsas.
- Populismo – na política, retórica usada para conquistar simpatia através de promessas, ideias e planos apresentados como benéficos para o povo, mas que, na realidade, servem interesses privados.
Muitas pessoas, ao receberem informação em casa, mesmo sem verificação prévia, decidem que essa informação é verdadeira porque o conteúdo as convence. A linguagem utilizada nos hoaxes é forte e torna difícil questionar a sua veracidade; a informação é rapidamente tida como correta, porque cumpre um objetivo específico.
Segundo Rahmadhany, Safitiri & Irwansyah (2021), é através dos hoaxes que se procura moldar a perceção das pessoas sobre determinados temas, influenciar líderes de opinião e criar discursos destinados a serem assimilados pelos utilizadores das redes sociais e da internet relativamente à informação divulgada.
Muitas vezes surge a pergunta: por que motivo as pessoas confiam em hoaxes, mesmo sabendo que a informação é falsa, considerando-a algo valioso e nobre que todos desejam obter?
Para responder a essa questão, Mardjianto et al. (2022) apresentam uma perspetiva sobre os fundamentos que explicam por que razão as pessoas confiam rapidamente em informações falsas, conforme indicado a seguir:
- Influência contínua – quando uma informação circula, continua a influenciar as pessoas mesmo após ter sido corrigida; os esforços de correção falham e é difícil eliminá-la completamente. Este fenómeno relaciona-se com a teoria do processo duplo, segundo a qual o pensamento automático é rápido e faz com que memorizemos a informação, mas esqueçamos que ela já foi corrigida.
- Efeito da verdade implícita – ocorre quando uma informação se torna muito popular e ainda não foi desmentida. Quando artigos de verificação de factos são anexados apenas a algumas publicações falsas, cria-se a suposição de que o conteúdo não marcado é verdadeiro.
- Efeito da verdade contaminada – ou “verdade poluída”: quando a verificação de factos faz com que as pessoas deixem de confiar na informação correta, considerando-a falsa. Assim, a própria verificação ou marcação de conteúdos como falsos gera desconfiança em relação ao que é lido nos média ou online.
- Repetição – a divulgação contínua de informações falsas faz com que estas fiquem profundamente enraizadas na mente das pessoas, tornando-se difíceis de eliminar.
- Efeito reverso – relacionado com a Teoria do Efeito Bumerangue, de Jack Brehm & Sharon Brehm, segundo a qual o esforço de correção pode aumentar a confiança das pessoas na informação falsa.
- O hoax assemelha-se a um vírus que circula no seio da sociedade, difícil de travar, mas perante o qual o indivíduo e a comunidade procuram adaptar-se à medida que a tecnologia evolui. É, portanto, essencial que cada pessoa, enquanto utilizadora de redes sociais, se habitue a verificar a informação antes de a partilhar ou publicar, para que os outros a possam consumir de forma consciente.
- Este artigo procura articular duas ideias fundamentais: “o ser humano e o instrumento”. Embora o ser humano seja o cérebro de tudo — “o homem é o centro de tudo” —, no contexto atual, a invenção humana cria instrumentos lógicos que funcionam como ferramentas destinadas a facilitar e complementar as necessidades humanas. Daí a distinção entre “lógica algorítmica” e “lógica humana”.
- A lógica, segundo Kusumah (1986), citada por Dianta (2021), é definida como uma forma de pensamento clara, assertiva e organizada, enquanto o algoritmo é uma estrutura lógica aplicada à tomada de decisões para resolver problemas. O algoritmo orienta o computador na execução de uma série de instruções para alcançar uma solução. No contexto informático, o algoritmo recebe input, processa-o com base em instruções encadeadas e produz output e soluções.
- Na sociedade contemporânea, segundo Pratama (2019), existe uma forte dependência das redes online e do computador para a realização de atividades diárias, que são registadas como dados processados por algoritmos. Esses dados formam um rasto digital, resultante de ações como networking, searching, browsing, sharing e access. Esse processo origina fenómenos como as Eco Chambers ou filter bubbles, aplicados em websites e plataformas virtuais para determinar os conteúdos preferidos por cada utilizador.
- Em Timor-Leste, segundo dados da Hootsuite do início de 2025, existem cerca de 486 mil utilizadores de internet e 589 mil utilizadores de redes sociais, o que corresponde a 41,8% da população total. Esta percentagem indica que quase metade da população timorense já utiliza redes sociais; por conseguinte, qualquer conteúdo que se torne viral será facilmente consumido e memorizado por um grande número de pessoas.
- A invasão da misinformação e da desinformação — ataques ao pensamento humano que dominam e alteram paradigmas de raciocínio — tornou-se um fenómeno difícil, ou mesmo impossível, de travar no contexto atual. Ao nível de desenvolvimento em que nos encontramos, essa tendência é ainda mais intensa do que em períodos anteriores. Em sociedades onde não existe capacidade para impedir esta invasão, apenas é possível ajustar-se à realidade através do comportamento responsável no uso das tecnologias, do enquadramento legal promovido pelas entidades do Estado e da educação e literacia mediática.
HOAX: “O DIABO QUE FAZ AS PESSOAS ACREDITAREM EM MENTIRAS”
A informação é, basicamente, um conjunto de dados ou factos que, quando processados, se tornam úteis para quem os recebe (recetor). A partir dessa informação, surge também a desinformação. Segundo Pratama (2019), a misinformação corresponde a informação imprecisa ou mal interpretada, sem intenção deliberada de enganar, enquanto a desinformação é informação falsa criada com intenção deliberada. O hoax ou fake news enquadra-se nesta última categoria, representando um perigo direto para a sociedade.
Esse perigo torna-se ainda maior em contextos em que as pessoas são facilmente levadas a acreditar em mentiras, como no caso do conceito de post-truth (pós-verdade), referido por Marjianto et al. (2022) e Taufik (2022). Já a mal-informação utiliza informação incorreta ou fora de contexto, de modo que, quando essa informação é partilhada, pode provocar danos ou gerar conflitos — por exemplo, quando uma conversa entre dois líderes é tornada pública com partes omitidas ou retiradas do contexto original.
A informação falsa funciona como uma corrente difícil de travar. A cada dia que passa, a informação inicial consumida pelo público vai-se disseminando; as pessoas tendem a aceitá-la como verdadeira, mesmo sem qualquer verificação prévia, e partilham-na em plataformas como o Facebook ou o WhatsApp. Mesmo quando o conteúdo é falso, ele continua a circular e a ganhar força, porque cada nova partilha reforça a perceção de veracidade, tornando-a mais convincente do que a informação verdadeira.
Existem vários tipos de hoax que são amplamente reconhecidos: satire (sátira), conteúdo enganoso, conteúdo emitido com o propósito de enganar, modificação de informação verdadeira, ou conteúdo fabricado — criado para enganar, com ligações incorretas ou outras formas de manipulação. De forma geral, o foco recai sobre o conteúdo fabricado, cuja intenção é enganar as pessoas, e estas tendências têm-se tornado populares e amplamente consumidas pelo público em Timor-Leste.
- Compilação de alguns exemplos de casos
Este artigo de opinião foi motivado por episódios recentes de informação fabricada relacionada com o BNCTL. Em setembro de 2022, o Banco Nacional de Comércio de Timor-Leste (BNCTL) teve de prestar esclarecimentos relativamente a uma informação falsa ou hoax sobre a gestão dos depósitos em dinheiro dos seus clientes. A clarificação foi divulgada nos meios de comunicação SMNEWS Timor (https://www.facebook.com/share/p/1BR9r1HXQF).

No fim de semana de 13 e 14 de setembro de 2025, espalhou-se novamente informação falsa sobre supostas ofertas do BNCTL. A instituição veio a público, através da sua página oficial (https://www.facebook.com/share/1ZcLwqKT3m/), esclarecer que a informação era inteiramente falsa. Contudo, e de forma preocupante, mesmo após o esclarecimento oficial, a informação continuou a ser partilhada via WhatsApp, de pessoa para pessoa.
Entre os vários tipos de informação falsa, muitos têm como alvo instituições do Estado, o que revela a gravidade da situação e a necessidade de uma resposta adequada, tanto ao nível legal como através da educação e da literacia mediática. Além disso, a proliferação deste tipo de conteúdo pode dificultar a recolha de provas em casos de ataques ou difamações contra instituições públicas.
Também foi identificada a divulgação de informações falsas manipulando conteúdos noticiosos da Agência Tatoli (https://www.facebook.com/search/top/?q=tatoli%20hoax). Verificou-se que uma pessoa irresponsável alterou e difundiu publicações, atribuindo falsamente à Tatoli notícias que a agência nunca chegou a publicar.

Mais recentemente, uma notícia original da GMNTV, com o título “Governo faz acordo com a Universidade Católica Timorense para programa de formação de professores de língua portuguesa” (https://www.youtube.com/watch?v=fAWpYJsAqf4), foi manipulada por um indivíduo que alterou o título num screenshot para: “MESKK ameaça a UNPAZ, enquanto reitor organiza demonstração (contra o Parlamento Nacional, relacionada com política sobre novas carreiras)”. Esta versão falsa foi posteriormente desmentida pela página oficial do Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura, que confirmou que a informação original não tinha qualquer relação com o conteúdo manipulado. (https://www.facebook.com/share/p/16yoi4skBC/)

Antes de ser esclarecida pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura, esta informação já tinha sido amplamente partilhada, de centenas em centenas de pessoas no Facebook e no WhatsApp, e muitas pessoas consumiram a informação falsa sem a verificar.
No decorrer de setembro de 2025, tornou-se viral uma informação falsa sobre um suposto esquema de recrutamento da Timor Port, antes de a Autoridade Portuária de Tibar fornecer o esclarecimento oficial (https://www.facebook.com/share/p/1CyJbzb5D6/). Muitas pessoas já tinham partilhado esta informação nas redes sociais e outras provavelmente acederam ao link e acreditaram no conteúdo antes do esclarecimento.
Em abril de 2025, espalhou-se também uma informação sobre medidas policiais para bloquear ruas públicas, relacionada com o falecimento do Santo Padre Papa Francisco (https://www.facebook.com/share/p/19Y6DBdfW6/), informação que a PNTL esclareceu através do programa Tatoli (https://www.facebook.com/TATOLI.IP/videos/2723525954506873/?rdid=ojindBNa7SHgTT4A#)
Em junho de 2025, circulou informação sobre o recrutamento de novos cadetes (https://www.facebook.com/share/p/1AxxjUkBL5/).
Em maio de 2025, também se propagou um hoax sobre medidas da Empresa de Eletricidade de Timor-Leste – EDTL, E.P., alegando cortes de energia em algumas áreas de Díli. Esta informação foi oficialmente desmentida pela entidade estatal (https://www.facebook.com/share/p/1JJzhPJCNa/).

- Risco de abrir links contidos em hoaxes
Este artigo apresenta uma reflexão sobre como o hoax funciona como um “diabo”, manipulando a confiança das pessoas na informação falsa, com base no facto de que muitas pessoas acreditam em notícias falsas sempre que as recebem, mesmo que depois se confirme que eram falsas.
Além disso, ao partilhar informações como as citadas, que parecem triviais, muitas pessoas desconhecem os riscos associados. Por isso, recomenda-se informar o público sobre os perigos de clicar em links relacionados com esquemas de recrutamento, bolsas de estudo ou ofertas provenientes de portais não confiáveis, como citado pelo site liputan6.com.
Principais riscos ao abrir links de hoaxes:
. Infeção por malware – ao clicar num link, pode ocorrer automaticamente o download de malware ou spyware, e o dispositivo pode ficar infetado com vírus; isso permite que terceiros acedam aos teus dados ou espiem a tua atividade online.
. Roubo de dados pessoais – malware e spyware são utilizados por agentes maliciosos para obter informações privadas; ao aceder a links suspeitos, podem solicitar dados pessoais (nome, identificação, e-mail) e, quando estes chegam ao atacante, podem ser usados indevidamente para roubo de identidade ou manipulação.
. Perda de acesso às contas – se alguém obtiver os teus dados privados, pode aceder ao smartphone, controlando contas importantes (redes sociais, e-mail ou mobile banking) e impedindo o teu acesso.
. Perdas financeiras – se os atacantes obtiverem dados bancários, podem aceder às contas e, com técnicas cibernéticas avançadas, retirar dinheiro, dificultando a recuperação.
Devido a estes perigos, os utilizadores de redes sociais e telemóveis devem ter atenção, não partilhar arbitrariamente nem clicar em links distribuídos por pessoas irresponsáveis. Muitos tipos de informação falsa circulam nas redes e são aceites pelo público antes que qualquer entidade oficial esclareça a falsidade. Mesmo após o esclarecimento, algumas pessoas continuam a partilhar o conteúdo falso.
- Impacto do hoax na sociedade
O hoax é perigoso para a sociedade e funciona como “o diabo em que as pessoas acreditam”. Segundo Mardjianto et al. (2022), as implicações dos hoaxes podem ser analisadas nas seguintes dimensões:
- Direitos humanos – os hoaxes podem afetar a liberdade de pensamento, expressão, o direito à privacidade, direitos sociais, direitos políticos e outros, conforme estudo do Parlamento Europeu, The Impact of Disinformation on Democratic Processes and Human Rights in The World.
- Democracia – os hoaxes podem prejudicar a democracia, enfraquecer instituições e comprometer a credibilidade das mesmas.
- Segurança e sociedade – os hoaxes deterioram informações importantes, podendo causar danos a indivíduos e à sociedade, inclusive ameaçando a vida das pessoas; por isso, é fundamental não confiar em hoaxes.
- Persistência na mente – mesmo depois de descobrir que a informação é falsa, os hoaxes podem permanecer na memória das pessoas, sendo difíceis de dissipar.
Diante destes riscos, é crucial que cada indivíduo, enquanto utilizador de redes sociais, não confie facilmente em qualquer informação. Sempre que receber uma notícia ou dado, é essencial verificar a sua veracidade com ferramentas de fact-checking antes de a partilhar com outros ou em plataformas online.
- VALOR ÉTICO NO USO DAS REDES SOCIAIS
Do ponto de vista ético, o uso das redes sociais envolve três componentes essenciais: ética, rede social e comunicação, cada um com uma função específica, mas interligados entre si. A ética (ethos) define a personalidade e o comportamento adequado do indivíduo na convivência diária, tornando-se um padrão de vida, pois engloba obrigações, direitos e deveres na sociedade em geral.
No processo de convivência humana, a comunicação, segundo Effendy (2017), citado por Ginting et al. (2021), tem como objetivos informar (to inform), educar (to educate), entreter (to entertain) e influenciar (to influence). A função da comunicação, de acordo com Effendy, é promover mudanças em atitudes, opiniões, comportamentos e na vida social.
As redes sociais, segundo Yulistiyono (2021), funcionam como ferramentas que permitem aos utilizadores relacionar-se socialmente, incluindo no mundo virtual. O processo de comunicação através das redes sociais permite alcançar outras pessoas em plataformas como Facebook, Instagram, Telegram, WhatsApp e LinkedIn. Contudo, nem tudo é positivo; existem práticas que podem prejudicar a personalidade de alguém. Por isso, é necessário um uso ético das plataformas, de modo a promover a ordem social mesmo à distância geográfica, tornando a sociedade mais dinâmica.
Entre as redes sociais e plataformas digitais estão incluídas: social networking (Facebook, LinkedIn, Threads), media sharing networks (Instagram, YouTube, TikTok, Pinterest), discussion forums, social blogging networks (Tumblr, Medium, WordPress), social audio networks, live streaming (Instagram Live, TikTok Live, YouTube Live) e aplicativos de mensagens (WhatsApp, Telegram, Facebook Messenger).
No que se refere à ética na comunicação, especialmente nas redes sociais, Mujahiddin & Harahap (2014), citado por Ginting et al. (2021), indicam que é essencial não divulgar informações privadas em excesso, comunicar de forma educada e expressar opiniões baseadas em factos. Estes três componentes funcionam como alerta e barreira para o utilizador, ajudando-o a filtrar informações antes de partilhar ou confiar nelas, além de incentivar o entendimento das normas e regras do uso das redes sociais.
Cada instituição respeitada internacionalmente possui guidelines para o uso de redes sociais pelos seus funcionários, como os UN Volunteers e o Secretariado da ONU. Este artigo cita também as guidelines da Tennessee State University, EUA, e a legislação da Indonésia sobre Informações e Transações Eletrónicas, que estabelecem regras como: não divulgar informações irrelevantes, evitar hoaxes, discursos de ódio e manipulação de dados de terceiros.
Os utilizadores de redes sociais devem:
- Ter cuidado ao partilhar informações pessoais.
- Usar linguagem apropriada para evitar mal-entendidos.
- Prevenir a propagação de discriminação baseada em etnia, raça, religião ou classe.
- Verificar a validade da informação.
- Respeitar o trabalho dos outros.
Ao usar conscientemente as redes sociais e verificar a informação antes de partilhar, os utilizadores contribuem de forma significativa para combater a desinformação e a misinformação.
Problemas enfrentados nas redes sociais
Diariamente, assistimos à propagação rápida de hoaxes, fenómenos de autoexposição, doxing, plágio, discurso de ódio e bullying. Estes fenómenos, ligados à invasão de desinformação, são desafios críticos enfrentados pelo mundo, onde muitas pessoas não conseguem deter esta evolução. Contudo, cada indivíduo deve ser prudente e responsável, lidando com estes problemas tanto individualmente como coletivamente.
Diante da gravidade destes problemas, é necessário refletir sobre alguns pontos importantes nas publicações em redes sociais:
- Proteção de informações privadas – quando alguém divulga excessivamente dados pessoais, estes podem ser explorados, alterados ou inventados; uma vez publicados, tornam-se difíceis de recuperar.
- Futuro como figura pública – caso a pessoa se torne figura pública, os registos digitais permitem que rivais ou adversários realizem ataques pessoais, tornando difícil negar ou controlar a situação.
- Comentários éticos – quem comenta em publicações deve fazê-lo com ética, respeitando os valores sociais; o respeito gera comportamento recíproco.
- Verificação antes de partilhar – não se deve divulgar informação de forma descuidada; é necessário verificar se é falsa ou credível usando ferramentas apropriadas, evitando que os utilizadores se tornem promotores de informações falsas.
- Não confiar cegamente – ao receber informação, é essencial verificar a sua veracidade, pois grande parte do conteúdo recebido pode ser falso.
- Respeito pela dignidade humana – evitar publicar ou partilhar conteúdo relacionado com discurso de ódio, hoaxes, doxing ou imagens que prejudiquem outras pessoas ou entidades.
- Fontes credíveis – confiar apenas em informações de portais confiáveis, verificando cuidadosamente vídeos, áudios, fotos e textos recebidos, usando ferramentas apropriadas.
O hoax é particularmente difícil de travar, tendo raízes profundas e ramificações que funcionam como um “diabo” que engana a confiança das pessoas, tornando difícil acreditar na informação verdadeira. A força do hoax reside neste ponto, e a prevenção ou combate pode ser feita em três dimensões:
- Normas legais (autoridade)
- Campanhas de literacia digital
- Capacidade individual de filtrar informação, usando prudência e equipamentos digitais para a finalidade correta
Conclusão
A tecnologia que utilizamos facilita significativamente os nossos serviços, mas, por outro lado, também traz várias preocupações, sobretudo relacionadas com a desinformação, a informação errada e a má informação, nas quais muitas pessoas acreditam em dados falsos ou no fenómeno do “post-truth”. Esta situação compromete a objetividade dos factos na formação da opinião pública, em comparação com convicções pessoais, e está associada ao fluxo intenso de informação, à predominância das emoções sobre os factos e à procura de conteúdos sensacionalistas.
Informação fabricada circula frequentemente em grupos de WhatsApp ou é publicada nas redes sociais de forma a atacar pessoas, instituições ou grupos, mesmo quando não é verdadeira. Esta informação espalha-se rapidamente: em poucos minutos, centenas ou milhares de pessoas podem recebê-la, partilhá-la e reagir com “likes” e “shares”, independentemente da sua veracidade.
Os utilizadores de redes sociais devem ter atenção ao partilhar informação pessoal, usar linguagem adequada para evitar mal-entendidos, prevenir a disseminação de discriminação com base em etnia, religião ou classe, verificar a validade da informação e respeitar o trabalho alheio.
O hoax é um fenómeno específico, muito difícil de travar, com raízes profundas, funcionando como um “diabo” que engana a confiança das pessoas, tornando difícil acreditar na informação verdadeira. A sua força e a prevenção ou combate a estes casos podem ser abordadas através de três dimensões principais:
- Normas legais (autoridade) – criação e aplicação de leis que responsabilizem os autores de desinformação.
- Campanhas de literacia digital – promoção de educação e consciência crítica sobre a informação consumida nas redes.
- Capacidade individual de filtrar a informação – cada utilizador deve verificar a veracidade do que recebe e partilha, usando prudência e os equipamentos digitais para a finalidade correta.
Aniceto Soares dos Reis é licenciado em Comunicação Social pela Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) e frequenta atualmente o curso de Pós-Graduação na Universidade Mercu Buana, em Jacarta. As suas áreas de interesse incluem os estudos dos média, a democracia, os direitos humanos e a história
