O BNU Timor distribuiu 38 vouchers no valor de 25 dólares americanos a estudantes em Ermera, destinados à abertura de contas “Ha’u Nia Futuru”. A iniciativa visa promover hábitos de poupança desde a infância.
O Banco Nacional Ultramarino (BNU Timor) marcou presença na campanha nacional de educação financeira e de sensibilização para o produto de poupança “Ha’u Nia Futuru” (O Meu Futuro, em português), realizada na sexta-feira (05/09), na vila de Ermera. A iniciativa, promovida pelo Banco Central de Timor-Leste (BCTL), teve como objetivo incentivar a criação de hábitos de poupança saudáveis desde cedo, contribuindo para a estabilidade financeira no futuro.
A campanha integra um esforço mais amplo de literacia financeira do BCTL, em colaboração com diversas instituições financeiras.
A atividade contou com a participação ativa de um grande número de estudantes do 3.ºciclo das escolas da vila de Ermera, bem como dos respetivos professores. Durante o evento, os participantes tiveram a oportunidade de aprender sobre a importância da poupança e o papel que esta desempenha na construção de um futuro financeiro sustentável.
A diretora-geral adjunta do BNU, Ana Vieira de Andrade, afirmou que o Banco está fortemente empenhado na campanha de literacia financeira, cujo objetivo é aproximar o setor bancário das camadas mais jovens da população.
“Estamos a participar neste programa, com o objetivo de tornar os Bancos mais conhecidos pelas crianças. É importante que, desde cedo, se compreenda o papel dos Bancos na nossa vida”, sublinhou.
Durante a atividade, o BNU Timor distribuiu 38 vouchers no valor de 25 dólares cada, destinados às crianças que responderam corretamente a perguntas sobre finanças, sobre o BNU Timor, sobre Portugal e conhecimentos gerais. Estes prémios funcionaram como incentivo para a abertura de contas poupança “Ha’u Nia Futuru”.
Ana Vieira de Andrade destacou que a iniciativa visa ensinar às crianças a importância da poupança e o papel dos Bancos como instituições de confiança, onde as famílias podem guardar os seus rendimentos.
“A conta chama-se ‘Futuro’ porque é exatamente isso que promove: uma preparação para o futuro. Os Bancos não só ajudam a financiar projetos, como também oferecem segurança para as poupanças. Este é um passo essencial na formação das nossas crianças”, afirmou.
A responsável frisou ainda que todos os bancos aderiram à campanha, demostrando que a inclusão financeira é uma responsabilidade coletiva. “Fazer parte deste tipo de iniciativas é fundamental. Estamos a contribuir para a literacia e inclusão financeiras, que passa por explicar às pessoas, desde pequenas, como funcionam os bancos, porque devem confiar neles e de que forma estes podem ajudar no desenvolvimento económico e pessoal”, destacou.
Ana Andrade confirmou que várias crianças, com o apoio dos seus pais, já abriram as suas contas “Ha’u Nia Futuru” no BNU Timor, encorajando outros cidadãos a fazer o mesmo.
“Estes meninos que hoje ganharam os vouchers vão abrir uma conta que pode ser muito importante para o seu futuro. Alguns já o fizeram, e esta é uma iniciativa que queremos ver crescer ainda mais”, acrescentou.
Critérios para abertura da conta “Ha’u Nia Futuru”
A conta poupança “Ha’u Nia Futuru” é um produto financeiro criado pelo Banco Central de Timor-Leste em 2015. O programa pretende incentivar a poupança entre crianças e jovens timorenses, promovendo desde cedo a educação financeira e o planeamento do futuro.
Para abrir a conta, a criança deve ser cidadã timorense e ter entre 0 e 17 anos de idade. Cada criança pode possuir apenas uma conta. Os pais devem apresentar documentos como a certidão de nascimento, de batismo ou ficha da família, declaração da autoridade do suco, cartão eleitoral ou bilhete de identidade dos pais.
A conta pode ser aberta com um depósito inicial mínimo de 1 dólar americano em qualquer agência dos Bancos comerciais em Díli e nos municípios.
Os valores depositados só poderão ser levantados quando a criança atingir os 17 anos, exceto em casos específicos como necessidade de tratamento médico (mediante apresentação de atestado), ou em caso de falecimento da criança (mediante apresentação da certidão de óbito).
A conta “Ha’u nia Futuru” não tem custos de administração e oferece uma taxa de juro mínima anual progressiva que começa em 1,50%, indo até 2,25% no sexto ano e seguintes.
Os pais e familiares podem contribuir diretamente para a conta da criança, com depósitos a qualquer momento, incentivando a acumulação de poupança de forma constante e segura.
Crianças recebem vouchers para abrir contas bancárias
Mónica Laura Ximenes, de 10 anos, aluna da Escola Básica Filial Municipal de Ermera Vila, foi uma das contempladas com o voucher atribuído pelo BNU, manifestando grande entusiasmo ao abrir a sua conta no banco português.
“Recebi o voucher no valor de 25 dólares e este valor já está na minha conta. Estou muito feliz e vou conversar com os meus pais para que também me ajudem a continuar a guardar dinheiro no banco”, afirmou.
Com o sonho de se tornar médica, Mónica destacou a importância da poupança para atingir os seus objetivos. “Guardar dinheiro é muito importante, porque quando quisermos continuar os estudos no ensino superior, talvez não tenhamos dificuldades financeiras”, sublinhou.
Outro vencedor, Bendito da Silva Caldas, de 14 anos, aluno da Escola Básica Central de Talimoro, também se mostrou satisfeito com a iniciativa. “Fiquei muito feliz por ganhar o voucher do BNU e abrir a minha conta bancária. Quero guardar bem o meu dinheiro para garantir o futuro. Daqui para a frente, vou continuar a depositar o meu dinheiro no banco”, declarou.
Já Catya Peregrina Exposto Fernandes da Silva, de 11 anos, estudante da Escola Básica Filial Municipal de Ermera Vila, partilhou a importância de participar nesta campanha, uma vez que ajuda a conhecer melhor as instituições financeiras existentes em Timor-Leste.
“Este programa incentivou-me a abrir a minha conta para poder guardar o meu dinheiro de forma segura”, disse.
Catya explicou ainda que antes costumava guardar o dinheiro em casa, o que não era sempre seguro. “Antes, guardava o dinheiro num cofre em casa, mas, às vezes, acabava por o gastar. Também tinha receio que alguém o roubasse. Com esta atividade, agora quero guardar o dinheiro no banco”, concluiu.
BCTL destaca importância da literacia financeira e hábitos de poupança em Ermera
O Vice-Governador do Banco Central de Timor-Leste, Rafael Borges, afirmou que o BCTL, em parceria com instituições financeiras nacionais e internacionais, está a intensificar os esforços na campanha nacional de literacia financeira, com o objetivo de promover o planeamento financeiro, a cultura de poupança e a proteção dos rendimentos entre os cidadãos.
Segundo Rafael Borges, é fundamental incentivar a população a refletir sobre a forma como gere os seus recursos e a importância de garantir estabilidade financeira no futuro. “Sem uma cultura de poupança, os rendimentos podem ser gastos rapidamente, comprometendo o futuro”, alertou.
Rafael Borges afirmou que o BCTL convidou as instituições financeiras a aproximarem-se das comunidades para apresentarem os produtos e serviços disponíveis. “Desta forma, podemos ajudar a população a fazer melhores escolhas para desenvolver as suas vidas e os seus negócios”, disse.
O vice-governador recordou que o produto “Poupança: Ha’u nia Futuru”, lançado em 2015, já permitiu a abertura de cerca de 26 mil contas bancárias para crianças, com um montante total superior a 26 milhões de dólares americanos.
Contudo, salientou que os dados mais recentes mostram que Ermera ainda apresenta uma baixa adesão ao programa, ocupando o 4.º lugar entre os municípios com menor número de contas abertas, com apenas 1.438 contas de crianças, somando cerca de 2 mil dólares americanos, um valor considerado muito baixo.
“Ermera é uma região com grande potencial económico, principalmente na produção de café. No entanto, a falta de hábitos de poupança continua a ser um desafio”, referiu.
O responsável acrescentou que durante a época da colheita, os rendimentos aumentam significativamente, trazendo alegria à população. No entanto, esse aumento temporário muitas vezes conduz a gastos excessivos, e, quando a época do café termina, as dificuldades regressam.
Rafael Borges espera que, através da campanha de literacia financeira e do programa “Poupança: Ha’u Nia Futuru”, Ermera possa transformar-se num exemplo de poupança a nível nacional e servir de inspiração para os restantes municípios.


