Em Timor-Leste, fazer três refeições por dia não significa conseguir pagar uma alimentação equilibrada. Rendimentos incertos, falta de água para cultivar e dificuldades em vender as colheitas limitam as escolhas das famílias. Apesar dos progressos na produção agrícola apresentados pelo Governo, garantir o acesso regular a alimentos nutritivos continua a ser um desafio.
Para José Elo, de 43 anos, garantir comida para a família depende da venda de areia na margem da ribeira de Comoro, em Díli. Peneirar areia é a sua principal fonte de rendimento, mas não há garantia de conseguir compradores todos os dias. Por vezes, passa um mês inteiro sem vender. “Às vezes, chega-se ao fim de um mês e ninguém comprou a minha areia”, conta.
Cada monte de areia é vendido por 50 dólares americanos. Quando consegue algum rendimento, entrega o dinheiro à mulher, que gere as despesas da casa. Ela também vende tua mutin, um vinho de palma tradicional, mas essa atividade rende, muitas vezes, apenas cinco dólares por dia.
Com estes rendimentos incertos, o casal procura alimentar as três crianças e pagar outras despesas essenciais, incluindo produtos de higiene e material escolar. A família gasta cerca de dez dólares por semana em alimentação e alguns produtos básicos, como sal, óleo de cozinha, água engarrafada e temperos. Com um orçamento tão limitado, cada compra obriga a escolher entre aquilo de que precisa e aquilo que consegue pagar.
Os espinafres estão entre os alimentos mais acessíveis. José Elo diz que consegue comprar estes vegetais por cerca de 50 centavos para preparar refeições. Já o peixe, os ovos e a carne de vaca aparecem menos frequentemente à mesa. “O peixe, os ovos e a carne de vaca são muito caros em comparação com o rendimento que temos. Só de vez em quando conseguimos colocá-los no nosso prato”, afirma.
Em alguns mercados de Díli, um quilograma de peixe custa cerca de 3,50 dólares, enquanto uma dúzia de ovos custa aproximadamente dois dólares. A carne de vaca varia entre oito e dez dólares por quilograma.
A família tenta fazer três refeições por dia. De manhã, prepara sasoro, uma papa de arroz para as crianças. Ao almoço e ao jantar, o arroz é geralmente acompanhado por legumes, tofu ou tempe. Quando o dinheiro escasseia, a mesma comida pode repetir-se nas duas refeições principais. “Se comermos espinafres ao almoço, podemos voltar a comer espinafres ao jantar. Temos de ter muito cuidado com os gastos, porque, em Díli, precisamos de dinheiro para tudo”, explica.
Nos períodos mais difíceis, a prioridade é comprar arroz. Se o dinheiro não chegar para outros acompanhamentos, a família recorre a refeições mais simples para saciar a fome. “Primeiro, temos de comprar arroz. Depois, se o dinheiro não chegar, podemos preparar papa de arroz ou comer com ai-manas para ficarmos satisfeitos”, conta.
A possibilidade de produzir os próprios alimentos também é limitada. A família vive num terreno cedido por outra pessoa, numa zona elevada onde o acesso à água é difícil. Para a obter, precisa de recorrer à casa de um vizinho. “Como podemos plantar legumes se não temos terreno e o acesso a água também é difícil? Tudo aquilo que queremos comer tem de ser comprado com dinheiro”, afirma.
Na horta a alimentação depende da chuva
Em Lautém, Marfina Lopes, de 40 anos, encontra na agricultura a principal forma de alimentar os cinco filhos e obter algum dinheiro para as despesas familiares. Na sua horta, cultiva milho, batata, feijão, mandioca, taro, tomate, malagueta e outros produtos locais.
Durante a época das chuvas, a produção permite à família consumir parte dos alimentos e vender o excedente no mercado de Lautém, às quintas-feiras. “Na época das chuvas, não sentimos tanta falta de alimentos, porque temos muitos produtos na horta. Conseguimos consumir aquilo de que precisamos e, quando sobra, levamos uma parte para vender no mercado”, explica.
Num dia favorável, Marfina consegue ganhar cerca de 20 dólares com as vendas. O dinheiro ajuda a comprar arroz, outros alimentos e produtos de higiene. Quando os produtos perecíveis não são vendidos a tempo, por vezes acabam por servir de alimento aos porcos. O milho, que pode ser conservado durante mais tempo, é reservado para consumo familiar e só é vendido quando há uma necessidade urgente de dinheiro.
A produção agrícola reduz algumas despesas, mas não elimina a vulnerabilidade económica da família. Quando não consegue vender os produtos, Marfina perde uma fonte importante de rendimento. Na estação seca, a situação agrava-se. Como os terrenos dependem inteiramente da chuva, a falta de precipitação pode comprometer as culturas, reduzir os alimentos disponíveis e diminuir as receitas. “Se a chuva não vier em quantidade suficiente e a terra ficar seca, isso terá um grande impacto para nós, agricultores. Podemos ficar sem alimentos e até passar fome”, alerta.
Quando não consegue vender produtos agrícolas, Marfina recorre à venda de galinhas para comprar arroz, óleo, sal e temperos.
Três refeições por dia não garantem uma alimentação equilibrada
Para a nutricionista Letícia Jomardo da Costa Soares, estas experiências ilustram uma distinção fundamental: ter comida suficiente para saciar a fome não significa receber todos os nutrientes de que o organismo precisa. “Uma pessoa pode comer três vezes por dia e sentir-se saciada, conseguindo energia para continuar a trabalhar, mas isso não significa que a sua alimentação seja equilibrada ou satisfaça todas as necessidades nutricionais”, explica.
A nutricionista considera que a má nutrição não pode ser atribuída apenas à falta de conhecimento das famílias. Os rendimentos, o acesso a água potável e saneamento, os cuidados de saúde e a disponibilidade de alimentos variados também influenciam a qualidade da dieta. “Não podemos simplesmente dizer às famílias o que devem comer sem compreender primeiro as dificuldades que enfrentam”, afirma.
Com um salário mínimo mensal de 115 dólares, considera particularmente difícil garantir uma alimentação equilibrada, sobretudo em agregados familiares com quatro ou cinco pessoas. Além da alimentação, o rendimento tem de cobrir despesas de educação, transporte, higiene e outras necessidades essenciais.
Letícia defende, por isso, que a educação alimentar seja acompanhada por políticas que melhorem as condições económicas das famílias e o acesso a alimentos nutritivos. As proteínas não provêm exclusivamente da carne, salienta. Milho, mandioca, batata-doce, taro, feijão, hortícolas e frutas podem contribuir para uma dieta mais diversificada, desde que estejam disponíveis e possam ser combinados de forma adequada. “Não precisamos necessariamente de consumir alimentos caros ou importados para obter proteínas”, sublinha.
A nutricionista destaca ainda a importância de proteger a alimentação durante os primeiros mil dias de vida, desde a gravidez até aos dois anos da criança. Defende o acompanhamento pré-natal, o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses e a introdução, a partir dessa idade, de alimentos complementares adequados, mantendo o aleitamento materno de acordo com as orientações de saúde. Estas medidas devem ser acompanhadas pelo acesso a serviços de saúde, água potável e saneamento.
Atraso de crescimento afeta cerca de 45% das crianças com menos de cinco anos
O Relatório dos Indicadores-Chave do Inquérito Demográfico e de Saúde de Timor-Leste 2025–2026 aponta atraso de crescimento em 44,9% das crianças com menos de cinco anos, ou cerca de 45%. O indicador identifica crianças com altura inferior à esperada para a idade e é usado para avaliar a malnutrição crónica. O próprio relatório descreve uma descida de 58% em 2009–2010 para 46% em 2016, seguida de estabilidade até ao inquérito mais recente.
O relatório apresenta os primeiros resultados do inquérito, com dados recolhidos entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. Foi apresentado em junho de 2026, antes da análise final mais detalhada prevista para o fim do ano.
Timor-Leste tem também a prevalência mais elevada de atraso de crescimento infantil da ASEAN. Segundo as estimativas conjuntas da UNICEF, da OMS e do Banco Mundial para 2024, 45,4% das crianças com menos de cinco anos eram afetadas, contra 29,9% no Laos, o segundo país com o valor mais alto. Entre 2012 e 2024, a distância entre os dois aumentou de 12,2 para 15,5 pontos percentuais. O inquérito nacional de 2025–2026 mostra ainda fortes desigualdades dentro de Timor-Leste: o atraso de crescimento afetava 56,5% das crianças das famílias mais pobres, contra 32,3% das mais ricas, e era mais frequente nas zonas rurais.
O plano estratégico do Programa Alimentar Mundial (PAM) para 2026–2030 refere que uma análise do custo da alimentação atualizada em 2023 estimou que 75% dos agregados familiares não conseguiam pagar uma dieta nutritiva.
Em março de 2023, o custo diário de uma dieta capaz de satisfazer as necessidades nutricionais de um agregado de referência de cinco pessoas variava entre 7,15 dólares em Aileu e 13,91 dólares em Covalima, segundo uma análise do Programa Alimentar Mundial. Em Lautém, era de 10,18 dólares e, em Díli, rondava os 12 dólares. O cálculo considera uma composição familiar específica, incluindo uma mulher a amamentar e uma adolescente, pelo que não representa qualquer família de cinco pessoas. Em Ataúro, Liquiçá e Oecusse-Ambeno, a falta de certos alimentos nos mercados observados impediu a estimativa.

Uma análise da Classificação Integrada da Segurança Alimentar em Fases (IPC), publicada a 29 de fevereiro de 2024, estimou que cerca de 360 mil pessoas, correspondentes a 27% da população, enfrentavam níveis elevados de insegurança alimentar aguda entre novembro de 2023 e abril de 2024. Estavam classificadas na fase 3, de crise, ou numa fase mais grave.
Dependência das importações aumenta a vulnerabilidade
Na sua nota de 31 de agosto de 2026, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indica que Timor-Leste depende das importações para satisfazer cerca de 60% das necessidades de consumo de cereais. O arroz representa a maior parte do volume importado. Essa dependência expõe o país às oscilações dos preços internacionais e a perturbações no abastecimento.
Na mesma nota, a FAO estimou preliminarmente que as colheitas principais de arroz e milho de 2026 superavam a média dos cinco anos anteriores. Alertou, porém, para a elevada probabilidade de chuva abaixo da média e temperaturas altas entre setembro e novembro, associada ao El Niño, com possíveis efeitos nas culturas secundárias de 2026 e na plantação e desenvolvimento inicial das culturas principais de 2027.
Produção agrícola cresce, mas continua insuficiente
O ministro da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, Marcos da Cruz, defende que o combate à fome e à má nutrição exige investimento na produção nacional, inovação agrícola e adaptação às alterações climáticas.
Segundo os dados apresentados pelo ministro na celebração do Dia Mundial da Alimentação, a 16 de outubro, a produtividade do arroz aumentou de 1,7 toneladas por hectare, em 2005, para 3,7 toneladas por hectare, em 2026. No milho, passou de 1,3 para 2,8 toneladas por hectare no mesmo período. Em 2026, a área cultivada de arroz atingiu 40.210 hectares e a de milho, 43.876 hectares, incluindo duas épocas de cultivo. Em 2025, a produção de hortícolas chegou às 26 304 toneladas e a de frutas locais às 15 700 toneladas. “A produção nacional continua a ser insuficiente para responder às necessidades do país, que mantém a dependência das importações alimentares”, reconheceu.
Para enfrentar este desafio, o Governo pretende melhorar os sistemas de irrigação, reforçar os serviços de extensão rural, facilitar o acesso à tecnologia e reduzir as perdas após a colheita. O ministro destacou também o contributo da pecuária, das pescas e da aquacultura para aumentar a disponibilidade de alimentos e diversificar a dieta.
De acordo com os dados de 2025 apresentados pelo ministro, a produção de carne de bovino e caprino no matadouro de Tibar atingiu 156 toneladas. A produção de carne de porco local chegou às 120 toneladas e a de frango de criação intensiva, conhecido como broiler, às 366 toneladas. Os números de bovinos e caprinos referem-se ao matadouro de Tibar e não abrangem necessariamente os abates realizados noutros locais do país.
No setor das pescas e da aquacultura, os dados apresentados indicam uma captura de 7.718 toneladas de peixe marinho e uma produção de 3 360 toneladas de peixe em tanques e através da aquacultura.
O café continua a desempenhar um papel importante nas exportações e nos rendimentos das famílias rurais. Segundo os números apresentados pelo ministro, em 2025 Timor-Leste exportou 4.724 toneladas de café arábica e 667 de robusta.
O ministro defendeu investimento no processamento, armazenamento, embalagem, certificação e acesso aos mercados para aumentar o valor acrescentado e a competitividade dos produtos nacionais. Apelou também a uma maior ligação entre os produtores locais, supermercados, hotéis, restaurantes, instituições públicas e programas de alimentação escolar. O investimento em estradas rurais, transportes e instalações de armazenamento poderá ajudar a reduzir as perdas e a melhorar o escoamento da produção.
Governo aponta medidas para enfrentar a seca
Marcos da Cruz recordou a seca de 2015 e 2016, que afetou a produção agrícola, a disponibilidade de água, a alimentação dos animais e os rendimentos das famílias.
Perante o risco de novos períodos de seca associados ao fenómeno El Niño, o ministro defendeu a preparação antecipada. Entre as prioridades apontou a utilização de sementes de ciclo curto e variedades resistentes à seca, a adaptação dos calendários de plantação às previsões meteorológicas e a melhoria da gestão da água e dos sistemas de irrigação.
O governante salientou ainda a necessidade de estudar o aproveitamento das águas subterrâneas, apoiar os agricultores das zonas mais vulneráveis e prevenir incêndios. Defendeu medidas para garantir água, alimentação e serviços veterinários aos animais e melhorar a gestão da água nos tanques de aquacultura, além de preparar apoios aos pescadores afetados pelas condições climáticas.
O vice-primeiro-ministro, Mariano Assanami Sabino, defende igualmente a valorização dos alimentos locais e a redução da dependência das importações. “Devemos plantar aquilo que comemos e comer aquilo que plantamos”, afirmou, apelando à diversificação da alimentação com mandioca, banana, batata-doce e taro, em vez de uma dependência excessiva do arroz e do milho.
O governante considera que a segurança alimentar depende também da forma como os alimentos são transportados, armazenados, preparados e consumidos. Criticou o desperdício alimentar durante festas e cerimónias e defendeu uma utilização mais responsável dos alimentos e dos recursos familiares.
Mariano Assanami Sabino anunciou ainda que o Governo pretende criar um Banco de Desenvolvimento para apoiar jovens, iniciativas de inovação agrícola e o setor privado, mas não apresentou detalhes sobre o calendário ou os mecanismos de funcionamento da instituição.
As medidas enunciadas pelo Governo abrangem obstáculos relatados pelas famílias, mas as declarações reunidas para esta reportagem não esclarecem que apoios concretos chegam a agricultores como Marfina ou a agregados sem terreno e com rendimentos irregulares, como o de José.
La’o Hamutuk pede investimento agrícola com resultados concretos
Num comunicado divulgado por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, a organização La’o Hamutuk defende que Timor-Leste precisa de transformar o sistema alimentar para garantir o acesso regular a alimentos seguros, nutritivos e a preços acessíveis.
A porta-voz da organização, Elivania Alves Coreia, alerta que a fome e a malnutrição continuam a ser desafios importantes, num contexto marcado pela pobreza, pela dependência de alimentos importados e pela vulnerabilidade às alterações climáticas. Na perspetiva da La’o Hamutuk, a inovação deve beneficiar a nutrição, as pessoas e o ambiente, em vez de estar orientada exclusivamente para o lucro.
A organização indica uma dotação de 43,4 milhões de dólares para o setor agrícola no Orçamento Geral do Estado de 2026. Considera, contudo, que a avaliação do investimento público não deve limitar-se ao montante disponibilizado ou à percentagem executada.
“É necessário verificar se a despesa pública produz melhorias concretas na produtividade, na produção alimentar, nos rendimentos dos agricultores, na segurança alimentar, na nutrição, nas infraestruturas rurais, no emprego e na economia familiar”.
A La’o Hamutuk defende maior transparência na definição das prioridades orçamentais, na execução dos programas e na divulgação dos resultados. Defende ainda a agroecologia, combinando conhecimentos locais e científicos para conservar os recursos naturais e tornar as culturas mais resistentes às secas e inundações. Considera prioritário reforçar a agricultura familiar e diversificar a produção nacional, com maior atenção aos legumes, às leguminosas, às frutas, aos produtos pecuários, ao peixe e a alimentos tradicionais como a mandioca e o taro.
A organização sustenta que aumentar a produção exige mais do que distribuir equipamentos agrícolas. Defende sistemas de irrigação e acesso à água, assistência técnica, sementes adequadas, financiamento, armazenamento, transporte, processamento e acesso aos mercados. “Sem estas condições, os agricultores podem continuar a enfrentar dificuldades para manter a produção, conservar os excedentes e obter rendimentos suficientes com a venda dos seus produtos”.
Outra proposta passa por ligar os programas de alimentação escolar à produção nacional, através da compra de alimentos aos produtores locais. O modelo, conhecido como Home-Grown School Feeding, pode permitir às escolas disponibilizar refeições mais diversificadas e, ao mesmo tempo, criar um mercado para os agricultores.
Para funcionar, esta abordagem exige fornecimento regular, qualidade e segurança alimentar, condições de armazenamento e transporte e mecanismos de aquisição adequados à capacidade dos pequenos produtores.
Nas recomendações dirigidas ao Estado, a La’o Hamutuk propõe reforçar o investimento plurianual no setor agrícola, apontando uma meta de 5% ou mais.
A La’o Hamutuk relaciona estas propostas com a necessidade de reduzir a dependência do petróleo. A análise de sustentabilidade da dívida publicada pelo FMI em 2025 projeta o esgotamento do Fundo Petrolífero em 2038 no cenário de base. O relatório apresenta também um cenário de reformas capaz de preservar a sustentabilidade fiscal: a data depende das políticas e dos pressupostos considerados.
A organização defende que os recursos do Fundo sejam utilizados de forma responsável, tendo em conta as necessidades das gerações futuras e a criação de fontes de rendimento sustentáveis para o Estado. Entre as medidas que considera necessárias estão a mobilização de receitas internas, a melhoria da eficiência da despesa pública, as reformas fiscais e a diversificação da economia.
Para José, a recomendação de produzir os próprios alimentos esbarra na falta de terreno e de água. Enquanto Marfina depende da chuva e da venda das colheitas, a família de Díli precisa de comprar o que leva à mesa. “Tudo aquilo que queremos comer tem de ser comprado com dinheiro”, afirma.























