Em 2025, sem o petróleo, as importações foram cerca de 24 vezes superiores às exportações e o café gerou quase 90% dessas receitas.
Segundo o relatório External Trade Statistics 2025, do Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL), o país importou mercadorias no valor de 984,9 milhões de dólares e registou exportações totais de aproximadamente 103,6 milhões.
Este total inclui 99,5 milhões de exportações nacionais — mercadorias com, pelo menos, 50% de conteúdo timorense — e cerca de 4 milhões de reexportações, isto é, produtos anteriormente importados que voltaram a sair do país.
Por cada dólar obtido com as exportações totais de mercadorias, Timor-Leste gastou cerca de 9,5 dólares em importações. O défice comercial — a diferença entre importações e exportações — atingiu aproximadamente 881,3 milhões de dólares.
O INETL registou 58,7 milhões de dólares em exportações petrolíferas. Retirando esse valor dos 99,5 milhões de exportações nacionais, restam cerca de 40,8 milhões em bens não petrolíferos produzidos no país.
Quando se comparam as importações com estas exportações nacionais não petrolíferas, Timor-Leste comprou ao estrangeiro cerca de 24 vezes mais do que vendeu.
Em 2024, os 10 países que então integravam a ASEAN exportaram mercadorias no valor de 1 953 mil milhões de dólares e importaram 1 890 mil milhões, registando um excedente comercial de cerca de 63,4 mil milhões.
Nesse ano, o comércio de mercadorias de Timor-Leste equivalia a apenas 0,03% do comércio conjunto dos membros da organização. As exportações timorenses representavam cerca de 0,004% das exportações da região, segundo cálculos do Diligente baseados em dados da ASEANstats.

O que compra Timor-Leste?
Um défice comercial não é necessariamente negativo. Um país pode importar máquinas, equipamentos e matérias-primas que aumentem a sua capacidade produtiva. O impacto depende, porém, da composição das importações, da forma como são financiadas e da capacidade de transformar esse investimento em produção e exportações futuras.
Em 2025, os bens intermédios representaram 430,7 milhões de dólares, ou 43,7% das importações timorenses. São matérias-primas, componentes e outros produtos destinados a ser transformados ou utilizados na produção, como materiais de construção, peças e alguns combustíveis.
Os bens de consumo, destinados sobretudo ao uso direto das famílias — como alimentos, bebidas, roupa, medicamentos e artigos domésticos — corresponderam a 361,9 milhões de dólares, ou 36,7% das importações.
Os bens de capital atingiram 155,8 milhões, o equivalente a 15,8%. Esta categoria inclui máquinas e equipamentos utilizados durante vários anos na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Outros 36,5 milhões foram classificados pelo INETL como bens omitidos, não tendo sido integrados nas três categorias principais.
Os combustíveis constituíram a maior categoria de importação, com 209,6 milhões de dólares. Seguiram-se os veículos, com 115,1 milhões; as máquinas e os aparelhos mecânicos, com 69,3 milhões; os cereais, com 66,3 milhões; e os equipamentos elétricos, com 51,8 milhões. Em conjunto, estas cinco categorias atingiram 512,2 milhões de dólares e representaram cerca de 52% das importações.
A Indonésia foi o principal fornecedor de Timor-Leste, com mercadorias no valor de 323,9 milhões de dólares, aproximadamente um terço do total. Seguiram-se a China, com 156,8 milhões, e Taiwan, com cerca de 116 milhões.
O que vende o país?
Depois do petróleo, o café continua a ser, de longe, o produto mais importante vendido por Timor-Leste ao exterior.
O relatório do INETL coloca as exportações de café de 2025 em cerca de 36 milhões de dólares, mais do dobro dos 17,7 milhões registados em 2024. O café gerou perto de 90% das receitas das exportações nacionais não petrolíferas. Todos os restantes bens não petrolíferos produzidos no país renderam, em conjunto, cerca de 5 milhões de dólares.
Esta concentração representa um risco. O Banco Mundial alerta que a dependência do café deixa as receitas das exportações muito expostas às oscilações dos preços internacionais e às condições meteorológicas. Uma descida do preço ou uma má colheita pode reduzir rapidamente as receitas do país, sem que existam outros produtos capazes de compensar essa perda.
As exportações de produtos manufaturados continuam a ser insignificantes. As receitas do turismo, apesar do crescimento, permanecem muito aquém do valor das importações. As remessas dos emigrantes e a ajuda externa compensam parcialmente o desequilíbrio, mas não são suficientes para o eliminar.
O efeito das exportações petrolíferas registadas em 2025 também não altera o problema estrutural. A produção do campo de Bayu-Undan terminou e o país enfrenta agora uma transição económica pós-petróleo.
Porque é que o desequilíbrio persiste?
O Banco Mundial descreve um ciclo económico difícil de quebrar. A elevada despesa pública, financiada por levantamentos do Fundo Petrolífero, estimula o consumo e a procura interna.
Como Timor-Leste produz poucos dos bens de que necessita, uma parte significativa desse dinheiro sai novamente do país através das importações. As importações aumentam o défice externo e os levantamentos do Fundo Petrolífero permitem que a despesa se mantenha.
A capacidade de exportação é, simultaneamente, limitada pelos elevados custos dos transportes, da energia e da logística, pelo acesso reduzido ao financiamento, pela pequena dimensão das empresas e pela dificuldade em cumprir normas internacionais.
A valorização do dólar, moeda utilizada por Timor-Leste, também torna os produtos e os serviços timorenses mais caros para os compradores estrangeiros.

O desafio da entrada na ASEAN
A adesão à ASEAN dá a Timor-Leste acesso formal a um mercado de cerca de 680 milhões de consumidores. Contudo, o Banco Mundial salienta que os benefícios não resultarão automaticamente da adesão. Dependerão da capacidade das empresas timorenses para produzir em quantidade suficiente, manter uma qualidade constante e competir em preço e fiabilidade.
Entre os principais obstáculos encontram-se o acesso limitado ao financiamento, os elevados custos comerciais e logísticos e a insuficiência de laboratórios acreditados, serviços de inspeção e sistemas de certificação reconhecidos internacionalmente.
O Banco Mundial defende também procedimentos alfandegários mais eficientes, maior utilização do processamento antecipado das mercadorias e o desenvolvimento do comércio sem papel, com documentos e informações transmitidos eletronicamente.
Na pesca e noutros setores de produtos perecíveis, o cumprimento das normas sanitárias e de qualidade e o investimento em armazenamento, transportes e cadeia de frio serão essenciais para aumentar as exportações.
A integração regional pode, inclusivamente, aumentar o desequilíbrio comercial no curto prazo. A redução dos custos de importação pode fazer crescer as compras ao exterior antes de as empresas timorenses adquirirem capacidade para exportar mais.
A ASEAN oferece a Timor-Leste um mercado maior e um quadro de reformas. No entanto, não substitui a criação de uma base produtiva interna. Sem empresas capazes de produzir, certificar, transportar e vender produtos competitivos, o país continuará a importar muito mais do que exporta.























