Iniciativa da Associação ArtEmpreender vai selecionar representantes de três dos sete sucos de Dom Aleixo para participarem em formações e apresentações culturais, promovendo a criatividade, a identidade cultural e a economia criativa.
A Associação ArtEmpreender lançou, em Díli, o Programa SUDIKU (Suku ho Diversidade Kulturál) 2026, uma iniciativa que pretende criar oportunidades para que os jovens do Posto Administrativo de Dom Aleixo desenvolvam e apresentem projetos ligados à cultura timorense. Através de formações, ensaios e apresentações públicas, o programa procura valorizar a diversidade cultural dos sete sucos do posto administrativo, reforçar a identidade nacional e incentivar o desenvolvimento da economia criativa.
As atividades terão como principal espaço o Container Tais, localizado no Institute of Business (IOB), onde decorrerão ações de formação nas áreas da música, dança tradicional, pintura, gastronomia, cinema e outras manifestações artísticas e culturais.
Segundo o coordenador do Programa SUDIKU, Natalino Fernandes Ximenes, a iniciativa nasceu da necessidade de criar espaços onde os jovens possam desenvolver e mostrar os seus talentos, contribuindo simultaneamente para a preservação da riqueza cultural timorense.
“Este programa foi criado para que os jovens possam desenvolver e apresentar projetos criativos inspirados na diversidade cultural de Timor-Leste, como danças tradicionais, música, artes e outras manifestações culturais”, afirmou.
O programa destina-se aos sete sucos de Dom Aleixo, mas, nesta primeira edição, apenas serão selecionados representantes de três sucos, devido à capacidade operacional da iniciativa.
A seleção será feita com base nas propostas apresentadas pelos candidatos, que poderão concorrer individualmente ou em grupo. Os interessados deverão preencher um formulário de candidatura, sendo os projetos avaliados pela organização.
Após a seleção, os representantes dos sucos escolhidos participarão em ações de formação e ensaios durante duas a três semanas antes das apresentações públicas.
As formações decorrerão aos sábados, no Container Tais, abrangendo áreas como desfile, música, dança e outras expressões culturais. Posteriormente, cada suco apresentará o seu trabalho ao público, de acordo com um calendário definido pela organização.
Caso algum dos sucos selecionados reúna um número reduzido de participantes, a organização poderá juntar dois sucos na mesma apresentação.
O programa deverá decorrer até outubro deste ano e, caso os resultados sejam positivos, poderá futuramente ser alargado aos restantes sucos de Dom Aleixo, bem como a outros municípios do país.
Para Natalino Fernandes Ximenes, coordenador do projeto, a iniciativa procura responder à escassez de espaços dedicados à promoção da cultura timorense e ao desenvolvimento artístico da juventude. “Há muitos jovens com talento, mas poucas oportunidades para o demonstrarem. Timor-Leste continua a não dispor de um centro cultural timorense que permita acolher regularmente iniciativas desta natureza”, referiu.
O coordenador considera ainda que a valorização da cultura poderá contribuir para dinamizar o turismo e incentivar a economia criativa. “Queremos atrair turistas através da inovação. O Container Tais representa essa inovação e o tais simboliza a nossa identidade cultural. Também utilizamos pinturas e outras expressões artísticas para tornar este espaço mais atrativo”, concluiu.
O Vice-Reitor do Institute of Business (IOB), Elizário Nazareth Pinto, considera que a educação deve ir além da aprendizagem em sala de aula e contribuir para formar cidadãos conscientes da sua identidade cultural, capazes de inovar e de assumir um papel ativo no desenvolvimento do país.
Na sua perspetiva, iniciativas como o Programa SUDIKU aproximam a educação da comunidade e oferecem aos jovens oportunidades para desenvolverem competências artísticas, criatividade, espírito empreendedor e sentido de pertença.
“Quando os jovens compreendem a sua cultura, a sua identidade e cultivam o patriotismo, tornam-se capazes de dar um contributo real para o desenvolvimento do país”, afirmou.
Elizário Nazareth Pinto sublinhou que a diversidade étnica e cultural de Timor-Leste constitui uma das maiores riquezas nacionais e defendeu que a sua preservação deve envolver toda a sociedade.
Segundo o responsável, a modernização não deve ser encarada como uma ameaça às tradições, mas antes como uma oportunidade para as valorizar e transmitir às novas gerações.
Também o Administrador do Posto Administrativo de Dom Aleixo, José Soares, defendeu que a preservação da cultura deve começar nas próprias comunidades e não depender exclusivamente de instituições ou entidades externas.
“A presença da arte e da cultura no Posto Administrativo de Dom Aleixo tem como objetivo promover a nossa cultura. Não podemos apenas esperar que outras pessoas promovam a nossa cultura; nós próprios devemos estar na linha da frente para a apresentar e valorizar”, afirmou.
José Soares acrescentou que a crescente projeção internacional de Timor-Leste representa uma oportunidade para divulgar a riqueza cultural do país.
Recordou que Timor-Leste integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e participa também na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), circunstâncias que, na sua opinião, reforçam a importância de preservar e promover a identidade cultural timorense.
“Devemos continuar a melhorar, a apoiarmo-nos e a incentivarmo-nos para que outros países possam reconhecer e valorizar aquilo que temos, especialmente a riqueza das nossas artes e da nossa cultura”, afirmou.
O administrador apelou ainda à sociedade para continuar a investir no desenvolvimento de capacidades, no fortalecimento da confiança dos jovens e na valorização do património cultural, para que as tradições timorenses sejam cada vez mais conhecidas dentro e fora do país.
Na mesma linha, o chefe da Juventude do Suco Madohi, Cristóvão de Araújo, considera que muitos jovens timorenses possuem talento e criatividade, mas continuam a enfrentar dificuldades para encontrar espaços onde possam desenvolver e mostrar as suas capacidades.
Segundo o responsável, essas competências podem resultar tanto da educação formal como de talentos naturais, sendo essencial criar oportunidades para que os jovens possam aperfeiçoá-las através de atividades positivas.
Cristóvão considera que o Programa SUDIKU poderá desempenhar um papel importante nesse processo, ao proporcionar um espaço onde os jovens possam aprender, experimentar e apresentar o seu trabalho.
“Através de atividades como esta, os jovens têm a oportunidade de desenvolver as capacidades que possuem e, ao mesmo tempo, descobrir o seu melhor potencial”, afirmou.
O responsável saudou a realização da iniciativa, considerando que facilitará o trabalho das organizações juvenis na mobilização de mais jovens para atividades ligadas às artes e à cultura.
Acrescentou que as novas gerações demonstram atualmente maior interesse em participar em iniciativas culturais do que no passado, mas advertiu que esse potencial continuará limitado se não houver investimento em recursos humanos, financiamento e infraestruturas adequadas.
Cristóvão concluiu que Timor-Leste possui um património cultural diversificado que deve continuar a ser preservado e valorizado, defendendo que iniciativas como o Programa SUDIKU podem contribuir para transformar esse património numa oportunidade de desenvolvimento para os jovens e para o país.
Ao reunir jovens, instituições de ensino, autoridades locais e organizações da sociedade civil, o Programa SUDIKU pretende afirmar-se como uma plataforma de valorização da cultura timorense, criando novas oportunidades para que as futuras gerações preservem e reinventem o património cultural do país.























