Semáforos avariados há mais de um ano agravam riscos nas estradas de Díli

Há oito direções no cruzamento de Balide, onde os semáforos estão avariados desde 2024 /Foto: Diligente

Cruzamentos sem sinalização funcional continuam a registar acidentes. Condutores pedem manutenção urgente e maior presença da Polícia de Trânsito. Governo admite que ainda procura soluções.

Pelo menos três cruzamentos de Díli permanecem com os semáforos avariados, uma situação que aumenta o risco de acidentes e continua a preocupar condutores e especialistas em segurança rodoviária.

Em Balide, onde o sistema de sinalização está inoperacional desde 2024, motoristas relatam acidentes frequentes e defendem uma intervenção urgente do Governo. Especialistas alertam para a falta de manutenção das infraestruturas e criticam a ausência de uma estratégia consistente para a gestão do trânsito.

Samuel Henrique Sanches passa diariamente pelo cruzamento de Balide. Segundo contou ao Diligente, dois acidentes ocorreram recentemente naquele local, onde os semáforos permanecem desligados há mais de um ano.

Um dos casos envolveu um colega universitário que seguia de mota para a Universidade da Paz. “O meu colega seguia na direção da Escola Portuguesa quando outra mota surgiu da direção de Lahane em excesso de velocidade. As duas motas colidiram e os condutores caíram no cruzamento. O meu colega sofreu apenas um ferimento ligeiro num pé, mas a mota ficou danificada”, relatou.

Samuel esclareceu que não presenciou o acidente, tendo conhecido os factos através do colega. Dias depois, assistiu a outro acidente no mesmo cruzamento. “Por volta das duas da tarde, uma microlete que seguia em direção à Universidade de Díli atropelou um estudante que atravessava a passadeira. Havia muito trânsito e alguns condutores tentavam avançar rapidamente. Felizmente, os ferimentos não foram graves.”

Na opinião do motorista, a manutenção dos semáforos é uma responsabilidade do Estado. “Os semáforos são infraestruturas básicas. O Governo deve garantir verbas para a sua manutenção, porque ajudam a prevenir colisões entre veículos e atropelamentos. Enquanto o problema não for resolvido, uma alternativa seria colocar agentes da Polícia de Trânsito de forma permanente nos cruzamentos.”

Samuel considera igualmente insuficiente a atuação da Polícia de Trânsito. “Há dias em que os agentes orientam a circulação, mas noutros não aparece ninguém. Por vezes, mesmo quando estão presentes, limitam-se a conversar. Noutras ocasiões, concentram-se na fiscalização dos documentos e dos equipamentos dos veículos, quando a prioridade deveria ser regular o trânsito.”

Por utilizar diariamente aquele cruzamento, diz que conduz com prudência redobrada. “Reduzo sempre a velocidade e observo todas as direções antes de avançar. É a única forma de atravessar o cruzamento em segurança.”

Especialista aponta falta de gestão consistente

O diretor da Fundasaun Mahein, Nelson Belo, considera que a manutenção dos semáforos e de outras infraestruturas rodoviárias continua dependente das prioridades políticas do momento.

Segundo o especialista, quando as avarias ocorrem fora das zonas protocolares, a resposta tende a ser mais lenta. “Quando há visitas oficiais, desde o Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato até às zonas urbanas, tudo é preparado para transmitir uma boa imagem do país. Nessas áreas, se houver sinais de trânsito avariados, a resposta costuma ser rápida. Noutras zonas, a intervenção demora muito mais tempo.”

Como exemplo, referiu Tasi Tolu, onde, apesar da existência de um posto policial nas proximidades, continuam a verificar-se estacionamentos desordenados. “Muitos transportes continuam a estacionar de forma irregular e a fiscalização é reduzida. Em Timor-Leste, muitas vezes, a aplicação das regras depende mais da vontade política do que da própria lei.”

Nelson Belo defende ainda que o problema exige uma reforma institucional. “É necessário reforçar a capacidade das instituições e garantir que os cargos técnicos sejam ocupados por pessoas com competência e mérito.”

Governo promete soluções

Questionado pelo Diligente, o Ministro do Interior, Francisco Guterres, afirmou que o ministério continua a trabalhar em articulação com o Ministério dos Transportes e Comunicações para reforçar a segurança rodoviária.

“Estamos a coordenar esforços para melhorar o sistema de trânsito, instalar mais semáforos e prevenir acidentes. Um exemplo é a relocalização de algumas passadeiras que estavam demasiado próximas das curvas.”

O Diligente procurou esclarecer junto da Direção Nacional de Transportes Terrestres (DNTT)o número de semáforos atualmente avariados, o orçamento destinado à sua manutenção e o calendário previsto para as reparações, mas não foi possível obter resposta. A Unidade de Trânsito da PNTL também não respondeu às questões sobre o número de acidentes registados nos cruzamentos com semáforos inoperacionais.

Questionado sobre a demora na reparação dos semáforos, apesar dos riscos para a segurança rodoviária, o Ministro dos Transportes e Comunicações, Miguel Manetelu, respondeu apenas: “Vamos falar depois.”

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