Jovens em Timor-Leste: acesso ao trabalho e à formação fica atrás de todos os países da ASEAN

Timor-Leste tem a maior proporção de jovens fora do trabalho e do ensino na ASEAN/Foto: AI

Quase três em cada dez timorenses entre os 15 e os 24 anos não estão empregados, não estudam e não frequentam formação. Os dados internacionais colocam Timor-Leste no topo deste indicador entre os 11 países da ASEAN. As estatísticas nacionais mostram diferenças entre municípios e uma elevada informalidade entre os jovens que trabalham.

Em 2025, cerca de 29% dos jovens timorenses entre os 15 e os 24 anos estavam simultaneamente fora do emprego, do ensino e da formação. É a proporção mais elevada entre os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático, a ASEAN, segundo as estimativas da Organização Internacional do Trabalho disponibilizadas pelo Banco Mundial.

A diferença verifica-se também na comparação com países de rendimento mais baixo da região. No Laos, a proporção era de 22,6%; no Camboja, de 11%. Em Singapura, situava-se nos 6%. A comparação utiliza o mesmo indicador, a mesma faixa etária e o mesmo ano.

Fonte: Banco Mundial, estimativas modeladas da OIT para jovens dos 15 aos 24 anos, de ambos os sexos. Valores arredondados a uma casa decimal.

Este indicador, conhecido pela sigla inglesa NEET, não equivale à taxa de desemprego. Abrange também jovens que não procuram emprego e que, por isso, ficam fora das estatísticas habituais do desemprego. Também não significa que todos estejam sem qualquer atividade: cuidar de familiares ou produzir alimentos para consumo próprio pode ocupar o quotidiano sem contar como emprego na definição estatística utilizada.

Timor-Leste apresenta igualmente a maior proporção de população com menos de 15 anos entre os países da ASEAN. Segundo as estimativas demográficas das Nações Unidas publicadas pelo Banco Mundial, este grupo representava 33,1% da população timorense em 2025. No Laos eram 29,8%, no Camboja 29,5% e na Tailândia 14,4%. Esta faixa etária é diferente da utilizada no indicador NEET, que abrange os jovens dos 15 aos 24 anos.

Os dados nacionais permitem observar diferenças dentro do país. O relatório sobre a força de trabalho do Censo de 2022, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL), identificou 93.776 jovens entre os 15 e os 24 anos fora do emprego, do ensino e da formação: 32,4% desse grupo etário.

Em Bobonaro, a proporção atingia 41,8%; em Covalima, 41,6%; e em Ermera, 39,6%. Em Díli era de 26%. Nos três primeiros municípios, cerca de quatro em cada dez jovens estavam simultaneamente fora do emprego, do ensino e da formação.

Os resultados sobre a participação dos jovens no trabalho e no ensino coexistem com um aumento da alfabetização. O relatório do Censo dedicado às crianças e à juventude indica que a proporção de jovens dos 15 aos 24 anos que sabiam ler e escrever passou de 79,1%, em 2010, para 87,3%, em 2022. Persistia, porém, uma diferença territorial: 93,2% nas áreas urbanas, contra 83,9% nas áreas rurais. Estes números medem a alfabetização, não a conclusão do ensino secundário nem a preparação para uma profissão.

Entre os jovens que tinham emprego, predominava a informalidade. O Inquérito à Força de Trabalho de 2021, realizado pelas autoridades timorenses com apoio da OIT, revelou que 93,8% dos trabalhadores entre os 15 e os 24 anos tinham emprego informal. Esta classificação considera características da relação laboral e da proteção associada ao trabalho, como a cobertura pela segurança social e o acesso a determinados direitos.

Dados mais recentes registam um aumento do emprego nas empresas. O Inquérito à Atividade Empresarial de 2025, publicado pelo INETL em setembro de 2026, contabilizou 74.600 pessoas empregadas nas empresas abrangidas, mais 9,7% do que as 68.000 apresentadas para 2024 no mesmo relatório. Este valor de 2024 atualiza os 66.600 anteriormente publicados. Contudo, 81,4% do emprego estava registado em Díli. O levantamento inclui trabalhadores de todas as idades e nacionalidades e não permite determinar quantos dos postos foram ocupados por jovens timorenses. A localização das sedes das empresas pode também influenciar a concentração registada na capital.

No relatório económico de abril de 2026, o Banco Mundial prevê que o investimento privado permaneça limitado e concentrado na construção, no comércio a retalho e na hotelaria. A instituição considera que o ritmo e a composição do crescimento previstos são insuficientes para absorver a população ativa jovem e em expansão, associando a criação de emprego ao aumento da produtividade e ao desenvolvimento do setor privado.

A ligação entre formação e emprego é também abordada pela OIT. Em 13 e 14 de abril de 2026, uma iniciativa da organização, em colaboração com a SEFOPE, formou 47 formadores e técnicos na utilização do portal de emprego SIMU-Web. A formação incluiu o registo de candidatos e empregadores, a publicação de vagas e a divulgação de oportunidades de formação. No relato publicado sobre a iniciativa, um formador de Manufahi identifica dificuldades em orientar os diplomados na procura de trabalho ou de formação adicional.

Quanto às oportunidades regionais, o Banco Mundial salienta que a pertença à ASEAN não assegura, por si só, acesso ao emprego nos outros países. Aproveitar as possibilidades de mobilidade laboral exige qualificações reconhecidas, avaliação de competências, licenciamento profissional e mecanismos de proteção dos trabalhadores.

Os levantamentos disponíveis mostram, assim, diferentes dimensões da situação dos jovens: aumento da alfabetização, elevada informalidade entre os que trabalham e a maior proporção da ASEAN fora do emprego, do ensino e da formação. O crescimento do emprego empresarial registado em 2025 não permite, sem informação por idade, determinar em que medida estas novas oportunidades chegaram aos jovens timorenses.

Comente ou sugira uma correção

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *