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	<title>Destaque - DILIGENTE</title>
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	<title>Destaque - DILIGENTE</title>
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		<title>Entre Deus e os antepassados: a fé e o lulik continuam a dividir e unir os timorenses</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2026 11:10:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Timor-Leste, a relação entre a fé católica e as crenças tradicionais, como o sagrado, continua a ser uma parte importante da vida da população. Alguns optam por seguir firmemente os ensinamentos da religião, enquanto outros consideram que ambos podem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Em Timor-Leste, a relação entre a fé católica e as crenças tradicionais, como o sagrado, continua a ser uma parte importante da vida da população. Alguns optam por seguir firmemente os ensinamentos da religião, enquanto outros consideram que ambos podem coexistir como identidade e orientação de vida.</em></p>
<p>“Disseram que nunca viveríamos bem porque recusámos cuidar da casa sagrada.” Albito Alves ainda se lembra das palavras que ouviu de familiares depois de decidir afastar-se das práticas tradicionais ligadas ao <em>lulik</em>. A decisão criou tensão dentro da família e marcou uma mudança profunda na sua vida espiritual.</p>
<p>Durante anos, Albito utilizou <em>ai-kulit</em> e <em>abut</em>, elementos associados, em algumas comunidades, à proteção espiritual e a poderes ocultos. Hoje, diz que escolheu viver apenas segundo os ensinamentos cristãos.</p>
<p>“Antes, falava frequentemente sobre poderes ocultos e utilizava também <em>ai-kulit</em> e <em>abut</em>. Depois, percebi que queria viver apenas segundo a fé em Deus”, afirmou.</p>
<p>A mudança começou em 2008, quando entrou para a organização Sagrado Coração de Jesus, em Taibessi, Díli. Desde então, acredita que a proteção espiritual deve vir apenas de Deus.</p>
<p>Também Juliana Maria António decidiu afastar-se completamente das práticas tradicionais ligadas aos objetos sagrados e aos rituais ancestrais. “Decidi acreditar apenas em Deus, pois compreendi através das Sagradas Escrituras que Deus é o Criador, e não uma criatura feita pelas pessoas”, afirmou.</p>
<p>Para Juliana, abandonar essas práticas trouxe tranquilidade. “Desde que decidi acreditar apenas em Deus, nunca enfrentei situações de azar ou maldição”, disse.</p>
<p>As histórias de Juliana e Albito refletem um debate silencioso, mas presente em muitas famílias timorenses: até que ponto a fé cristã pode coexistir com as crenças tradicionais ligadas às casas sagradas, aos antepassados e ao lulik?</p>
<p>Em Timor-Leste, cerca de 97,5% da população identifica-se como católica, segundo o Censo de 2022. Apesar disso, as práticas culturais associadas às casas sagradas e aos rituais ancestrais continuam profundamente presentes em muitas comunidades, sobretudo nas zonas rurais.</p>
<p>Enquanto algumas pessoas consideram que essas tradições entram em conflito com os ensinamentos religiosos, outras acreditam que fé e cultura fazem parte da mesma identidade timorense.</p>
<p><strong>Entre a missa e a casa sagrada</strong></p>
<p>No meio da floresta, longe da cidade, Justino da Silva cresceu numa casa sagrada onde os rituais familiares continuam a ser realizados segundo as orientações do <em>lia nain</em>, autoridade tradicional responsável pela preservação das regras culturais.</p>
<p>Ali, entre cerimónias, rezas tradicionais e encontros familiares, aprendeu desde criança que os antepassados continuam presentes na vida da comunidade.</p>
<p>Segundo conta, viver numa zona isolada dificultou o acesso à educação e acabou por impedir a continuação dos estudos. “Como cresci longe da cidade, numa casa sagrada, não consegui frequentar a escola”, explicou.</p>
<p>Apesar disso, continua profundamente ligado às tradições da família e participa regularmente nos rituais culturais realizados pela comunidade. “Participo sempre nos rituais porque tenho receio de infringir as regras culturais e sofrer consequências negativas ou doenças no futuro”, afirmou.</p>
<p>Ao mesmo tempo, Justino garante que essa ligação às tradições não entra em conflito com a sua fé católica. “Acredito na cultura dos antepassados, mas também tenho uma fé forte em Deus”, disse.</p>
<p>Para muitas famílias timorenses, esta convivência entre tradição e religião acontece naturalmente. Participam nos rituais ligados às casas sagradas, mas também frequentam a missa, celebram o Natal e batizam os filhos na Igreja Católica.</p>
<p>Mónica Araújo considera que essa ligação faz parte da própria identidade timorense. “Em Timor-Leste, a nossa riqueza está na diversidade de tradições que, apesar das diferenças, formam o tecido da nossa nação”, afirmou.</p>
<p>Segundo explica, muitas pessoas acreditam simultaneamente na proteção espiritual associada às casas sagradas e na fé católica. “A devoção às casas sagradas e a religião católica caminham lado a lado em muitas comunidades”, disse.</p>
<p>Também Manuel da Silva, <em>lia nain</em> da casa sagrada Letisi, considera que preservar as tradições significa manter viva a herança deixada pelos antepassados. “Nós devemos acreditar na nossa cultura, porque ela vem dos nossos antepassados e foi transmitida até hoje”, afirmou.</p>
<p>Segundo explica, os jovens continuam a participar nos rituais comunitários e na construção das casas sagradas. “Os jovens continuam a mostrar entusiasmo em participar nas tradições”, disse.</p>
<p>O padre salesiano Bernardo Pereira Domingos considera que a cultura e a fé católica podem coexistir. Segundo explica, a própria Igreja Católica reconhece o princípio da inculturação, permitindo integrar elementos culturais locais nas celebrações religiosas. “Quando olhamos para a cultura, não devemos vê-la como uma ameaça, mas como um caminho para nos aproximarmos mais de Deus”, afirmou.</p>
<p><strong>Uma cultura que resistiu à história</strong></p>
<p>O investigador de História Ivo Gonçalves considera que a cultura timorense já estava profundamente enraizada antes da chegada dos portugueses e da expansão do catolicismo.</p>
<p>“A cultura local já existia antes da presença colonial. Existiam relações familiares como <em>fetosan</em> e <em>umane</em>, bem como ligações entre casas sagradas. Era essa cultura que sustentava a sociedade timorense”, afirmou.</p>
<p>Segundo o investigador, durante o período colonial os portugueses recorreram frequentemente aos liurais para aproximar a religião católica das comunidades locais.</p>
<p>Mais tarde, durante a ocupação indonésia, o catolicismo ganhou ainda mais força numa sociedade marcada pela violência, pela fome e pelas deslocações forçadas. “Durante a ocupação, muitas pessoas passaram a procurar proteção e esperança através da religião católica”, explicou.</p>
<p>Apesar das influências externas, Ivo Gonçalves considera que a cultura timorense permaneceu resiliente. “A religião não pode ser separada da cultura, porque ambas fazem parte da identidade da população”, afirmou.</p>
<p>Também o antropólogo Josh Trindade considera que a tradição timorense demonstrou uma forte capacidade de adaptação ao longo da história.</p>
<p>Segundo explica, muitos elementos externos foram integrados nas práticas culturais sem substituir completamente os conhecimentos ancestrais. “Aquilo que vem de fora não é necessariamente visto como algo negativo, mas como um conhecimento novo que complementa o antigo”, afirmou.</p>
<p>O antropólogo aponta exemplos dessa convivência em celebrações religiosas como as festas de Santo António, em Manatuto, onde símbolos católicos e elementos tradicionais coexistem nos mesmos rituais.</p>
<p>Para Josh Trindade, a sobrevivência dessas práticas está diretamente ligada à identidade coletiva do povo timorense. “A tradição é identidade. Enquanto o povo mantiver essa identidade, a tradição continuará viva”, concluiu.</p>
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		<title>Contentores armazenados e lixo nas ruas agravam crise do saneamento em Díli</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 23:18:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Fotorreportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adquiridos para reforçar a gestão de resíduos e melhorar o saneamento urbano em Timor-Leste, vários contentores de lixo continuam armazenados em Tibar sem utilização. Entretanto, moradores de diferentes zonas de Díli enfrentam a falta de infraestruturas adequadas e continuam a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Adquiridos para reforçar a gestão de resíduos e melhorar o saneamento urbano em Timor-Leste, vários contentores de lixo continuam armazenados em Tibar sem utilização. Entretanto, moradores de diferentes zonas de Díli enfrentam a falta de infraestruturas adequadas e continuam a depositar resíduos em ruas, valetas e praias, agravando os problemas de saúde pública e ambientais.</em></p>
<p>Grande parte dos sete mil caixotes de lixo adquiridos pelo Estado por cerca de 7,5 milhões de dólares continua armazenada em Tibar, enquanto várias zonas de Díli permanecem sem condições adequadas para a deposição de resíduos sólidos.</p>
<p>Entre arbustos e terrenos expostos ao sol acumulam-se centenas de contentores de lixo, lado a lado com pneus abandonados e outros materiais degradados. Alguns dos equipamentos já apresentam sinais visíveis de desgaste e danos, apesar de nunca terem sido utilizados.</p>
<p>A imagem contrasta com a realidade vivida diariamente na capital timorense, onde muitos moradores enfrentam problemas persistentes de saneamento, lixo acumulado nas ruas e ausência de contentores em espaços públicos. Para vários cidadãos, o facto de centenas de equipamentos permanecerem parados num armazém simboliza desperdício de recursos públicos e falta de capacidade administrativa.</p>
<p>Segundo dados das autoridades municipais, em 2023 foram distribuídos 563 contentores de lixo por 387 locais diferentes de Díli, com cada ponto a receber entre dois e três caixotes. Ainda assim, diversas comunidades continuam a denunciar a insuficiência de equipamentos e a acumulação de resíduos em áreas residenciais e espaços públicos.</p>
<p>Os moradores destacam que a demora na distribuição dos contentores compromete não apenas a higiene urbana, mas também a saúde pública e a credibilidade das políticas ambientais promovidas pelo Estado.</p>
<p><strong>Lixo acumulado junto à Escola 12 de outubro preocupa comunidade</strong></p>
<figure id="attachment_22427" aria-describedby="caption-attachment-22427" style="width: 694px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-22427" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/1-a-1-516x290.jpg" alt="" width="694" height="390" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/1-a-1-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/1-a-1-900x506.jpg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/1-a-1-768x432.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/1-a-1.jpg 1280w" sizes="(max-width: 694px) 100vw, 694px" /><figcaption id="caption-attachment-22427" class="wp-caption-text">Os habitantes de Comoro acabam por deitar o lixo no chão e queimá-lo no local devido à falta de contentores. /Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>A falta de contentores de lixo na comunidade de Madohi, em Tasi Tolu, Díli, está a provocar a concentração de lixo nas imediações da Escola 12 de outubro, gerando preocupação entre os moradores devido aos riscos para a saúde pública e ao impacto ambiental.</p>
<p>O lixo acumulado na área tem causado maus odores, poluição e obstrução dos canais de drenagem, provocando a estagnação da água e afetando diretamente o ambiente escolar, incluindo as crianças que frequentam a instituição.</p>
<p>Segundo relatos recolhidos no local, vendedores e moradores continuam a depositar resíduos junto à escola devido à inexistência de contentores adequados. “Atualmente, vendedores e moradores continuam a deitar lixo ao redor da Escola 12 de Outubro porque não existem contentores suficientes”, afirmou o morador Tobias Boro.</p>
<p>O residente defende uma intervenção do Governo para resolver o problema. “O Governo precisa de instalar contentores de lixo e organizar melhor os espaços de recolha para que a população saiba onde depositar os resíduos. Sem locais apropriados, as pessoas acabam por utilizar áreas improvisadas, o que prejudica o ambiente e coloca em risco a saúde das crianças”, acrescentou.</p>
<p>Tobias Boro afirmou ainda que, no ano passado, o Governo instalou alguns contentores naquela área, mas que continuam a ser insuficientes. O morador apelou à Autoridade Municipal de Díli para instalar novos contentores no local, de forma a garantir um ambiente mais limpo e seguro.</p>
<p><strong>“Os cães espalham o lixo, até para dentro das casas e da escola”</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_22422" aria-describedby="caption-attachment-22422" style="width: 676px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-22422" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/2a-516x290.jpg" alt="" width="676" height="380" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/2a-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/2a.jpg 674w" sizes="(max-width: 676px) 100vw, 676px" /><figcaption id="caption-attachment-22422" class="wp-caption-text">A comunidade de Ailok Laran pede a instalação de contentores de lixo para reduzir os impactos ambientais e sanitários na zona. /Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>Também a comunidade de Ailok Laran, no suco do Bairro Pité, enfrenta o mesmo problema. Garrafas de plástico, restos de comida e outros resíduos sólidos são frequentemente deixados junto às paredes e à beira da estrada, atraindo insetos, ratos e cães.</p>
<p>Segundo informações recolhidas no local, moradores e transeuntes acabam por depositar os resíduos naquele ponto devido à inexistência de contentores. Sem infraestruturas adequadas, o lixo acumula-se diariamente, criando um cenário persistente de poluição e degradação ambiental.</p>
<p>A moradora Lourdes da Silva afirmou que anteriormente existia um contentor de grandes dimensões na zona, mas que este foi removido pela equipa de saneamento devido a dificuldades na recolha.</p>
<p>“Na verdade, o Governo é que deve encontrar uma solução. Atualmente, sem contentores, a equipa de saneamento recolhe o lixo apenas de manhã e, até ao final da tarde, os resíduos já estão acumulados novamente, acabando por espalhar-se ao longo do dia”, explicou.</p>
<p>Segundo a residente, a ausência de contentores contribui também para a dispersão dos resíduos por animais. “Os cães levam o lixo para vários locais, até para dentro das casas e da escola, porque algumas pessoas colocam os resíduos em sacos e outras deixam-nos espalhados”, acrescentou.</p>
<p>Lourdes da Silva defende a reinstalação de contentores na área e o reforço da frequência da recolha de resíduos. “Sugiro ao Governo que coloque pelo menos dois ou três contentores nesta zona e que a limpeza seja feita duas vezes por dia, de manhã e à tarde”, afirmou.</p>
<p>A moradora alertou ainda para o crescimento da população local e para os riscos associados à saúde pública. “O lixo acumulado junto à estrada pode prejudicar a nossa saúde, sobretudo a das crianças. Existe uma escola nesta área e as moscas e os mosquitos estão a aumentar, especialmente durante a época das chuvas”, destacou.</p>
<p><strong>Falta de contentores leva moradores de Beto Tasi a despejar lixo em locais improvisados</strong></p>
<figure id="attachment_22423" aria-describedby="caption-attachment-22423" style="width: 580px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-22423" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/3-503x377.jpg" alt="" width="580" height="435" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/3-503x377.jpg 503w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/3-900x675.jpg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/3-768x576.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/3.jpg 1280w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" /><figcaption id="caption-attachment-22423" class="wp-caption-text">A acumulação de resíduos provoca maus odores e atrai insetos na comunidade. /Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>A ausência recorrente de contentores de lixo no bairro de Beto Tasi, em Comoro, Díli, está a provocar a acumulação de resíduos e a agravar os problemas ambientais na comunidade. Plásticos, restos de comida e outros resíduos sólidos acabam por ser depositados nas ruas devido à falta de alternativas adequadas para a recolha de lixo.</p>
<p>A residente Manuela das Dores afirmou que a falta de infraestruturas apropriadas está na origem do problema. “A população, sem opções, acaba por depositar os resíduos em pontos improvisados, que rapidamente ficam cheios e com o lixo espalhado”, explicou.</p>
<p>A moradora apelou a uma intervenção mais rápida das autoridades. “O Governo deve tomar medidas rápidas e rigorosas para evitar que o problema continue a agravar-se, porque a acumulação de lixo provoca maus odores, atrai insetos e pode causar doenças na comunidade”, acrescentou.</p>
<p>Manuela das Dores afirmou ainda que, com o aumento do número de habitantes na zona, a situação tende a piorar, levando muitos moradores a descartar os resíduos em locais improvisados, que rapidamente ficam sobrecarregados e contribuem para a degradação ambiental da área.</p>
<p><strong>“Prometeram recolher o lixo todos os dias, mas só aparecem uma vez por semana”</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_22424" aria-describedby="caption-attachment-22424" style="width: 679px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-22424" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/4-516x290.jpg" alt="" width="679" height="382" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/4-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/4-900x506.jpg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/4-768x432.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 679px) 100vw, 679px" /><figcaption id="caption-attachment-22424" class="wp-caption-text">Moradores de Ribeira Maloa denunciam falta de contentores e alertam para resíduos espalhados na ribeira e no mar. /Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>Os habitantes da aldeia de Ribeira Maloa, no suco de Bairro Pité, lamentam a inexistência de contentores de lixo na localidade, situação que tem levado à acumulação de resíduos a céu aberto e à dispersão de lixo ao longo da ribeira. Durante a época das chuvas, a corrente arrasta os resíduos até ao mar, agravando a poluição e a degradação do ambiente marinho.</p>
<p>A moradora Sandra Jakes afirmou que a ausência de contentores na comunidade já foi comunicada às autoridades locais, que terão transmitido a preocupação ao Governo. No entanto, segundo os residentes, foi-lhes dito que a zona não reúne condições para a instalação de contentores devido às dificuldades de acesso.</p>
<p>“Disseram que não podem colocar contentores de lixo perto da nossa aldeia porque a estrada não permite a passagem das camionetas de recolha de resíduos”, afirmou.</p>
<p>Como consequência, explicou Sandra Jakes, caixas, roupas usadas e outros resíduos acabam por ser depositados em espaços abertos dentro da própria aldeia.</p>
<p>A residente afirmou ainda que a Autoridade Municipal de Díli instalou contentores longe da comunidade, dificultando o acesso da população. Segundo Sandra, devido à distância, muitos moradores optam por descartar os resíduos perto das habitações.</p>
<p>“Decidimos deitar o lixo junto a uma pequena estrada dentro da aldeia. Depois de verem a acumulação de resíduos, avisaram que iriam recolhê-los diariamente, mas na verdade só aparecem uma vez por semana”, lamentou.</p>
<p>Segundo a moradora, a situação tem provocado a acumulação contínua de lixo no local e poderá contribuir para a propagação de doenças, como dengue e outras infeções. Sandra Jakes pede uma solução mais eficaz, que garanta a recolha regular dos resíduos e o acesso adequado da comunidade a contentores de lixo.</p>
<p><strong>“Muitos visitantes deixam o lixo espalhado junto à praia”</strong></p>
<figure id="attachment_22425" aria-describedby="caption-attachment-22425" style="width: 651px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-22425" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/5-516x290.jpg" alt="" width="651" height="366" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/5-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/5-900x507.jpg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/5-768x432.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/5.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 651px) 100vw, 651px" /><figcaption id="caption-attachment-22425" class="wp-caption-text">Falta de contentores em Tasi Tolu agrava acumulação de resíduos e aumenta preocupações ambientais. /Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>A inexistência de contentores de lixo em Tasi Tolu continua a contribuir para a acumulação de resíduos ao longo da praia. Plásticos, garrafas de água, madeira e outros materiais são frequentemente encontrados espalhados pela zona costeira, com impacto direto no ambiente marinho.</p>
<p>Apesar de se tratar de uma área frequentada diariamente por visitantes que passeiam, tomam banho e praticam exercício físico, o local continua sem infraestruturas adequadas para a deposição de resíduos.</p>
<p>Arcanjo da Silva, guarda de segurança do Pelican Paradise Resort, afirmou que a zona não dispõe de contentores de lixo há vários anos. “Muitas vezes, os visitantes deixam o lixo perto da praia. Algumas pessoas, por iniciativa própria, tentam reunir os resíduos num único local, mas depois não existe uma recolha adequada por parte dos serviços de saneamento”, afirmou.</p>
<p>Arcanjo apelou à intervenção do Governo para melhorar a gestão ambiental da área e instalar contentores de lixo. “Este espaço deve ser preservado, até porque também é visitado por turistas”, destacou.</p>
<p>O jovem questionou ainda o destino dos equipamentos adquiridos pelo Estado para a gestão de resíduos. “Ainda existem contentores de lixo?”, questionou. “Se existirem, devem ser distribuídos pelo país para evitar a poluição e permitir que as pessoas depositem os resíduos de forma adequada”, acrescentou.</p>
<p><strong>“Os contentores de lixo não estão abandonados”</strong></p>
<figure id="attachment_22426" aria-describedby="caption-attachment-22426" style="width: 674px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-22426" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/6-516x290.jpg" alt="" width="674" height="379" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/6-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/6-900x506.jpg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/6-768x432.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/6.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 674px) 100vw, 674px" /><figcaption id="caption-attachment-22426" class="wp-caption-text">A Autoridade Municipal de Díli garante que equipamentos armazenados em Tibar fazem parte de um plano de expansão do sistema de saneamento. /Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>O Presidente da Autoridade Municipal de Díli, Francisco dos Santos, afirmou que os contentores armazenados em Tibar não estão abandonados, mas integram um plano de gestão e expansão do sistema de saneamento na capital.</p>
<p>Segundo o responsável, as obras de alargamento das estradas em Díli têm condicionado a instalação definitiva dos contentores. “Depois da conclusão das obras, poderemos colocar os contentores, pelo menos a 100 ou 150 metros da estrada, para facilitar que a população deposite o lixo em locais apropriados”, explicou.</p>
<p>Francisco dos Santos referiu ainda que o sistema de recolha de resíduos em Díli está em processo de modernização, permitindo uma gestão mais eficiente e reduzindo a necessidade de a população manusear diretamente os contentores durante a recolha.</p>
<p>O presidente da Autoridade Municipal acrescentou que os equipamentos existentes em Tibar constituem uma reserva estratégica para futuras necessidades. “Não são considerados objetos abandonados, mas património reservado para utilização futura, conforme as necessidades”, afirmou.</p>
<p>Relativamente à distribuição de contentores, Francisco dos Santos sublinhou que instituições, escolas e comunidades devem apresentar propostas formais para solicitar apoio. “A autoridade não pode simplesmente colocar contentores em qualquer local, porque isso pode gerar problemas de higiene e conflitos com moradores”, disse.</p>
<p>O responsável alertou também para casos de vandalismo registados em algumas zonas da capital, incluindo a destruição e o incêndio de contentores de lixo. “Há pessoas que queimam ou atiram os contentores para dentro dos rios, por isso é importante reforçar a consciência da comunidade”, acrescentou.</p>
<p>Francisco dos Santos apelou ainda à responsabilidade partilhada entre autoridades e cidadãos na gestão dos resíduos urbanos.</p>
<p>“A gestão do lixo não é apenas responsabilidade da Autoridade Municipal, mas de todos os que vivem em Díli. A participação da comunidade é essencial para manter a cidade limpa”, concluiu.</p>
<p>A realidade observada em diferentes bairros da capital mostra que, apesar dos investimentos anunciados, o acesso a condições adequadas de saneamento continua longe de chegar a muitas comunidades de Díli.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/contentores-armazenados-e-lixo-nas-ruas-agravam-crise-do-saneamento-em-dili/">Contentores armazenados e lixo nas ruas agravam crise do saneamento em Díli</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Timor-Leste 24 anos depois: Entre o orgulho da independência e os desafios do presente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 13:57:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião & Crónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passados 24 anos da Restauração da Independência, Timor-Leste continua dividido entre o orgulho da liberdade conquistada e os desafios que permanecem no quotidiano da população. Entre figuras públicas, jovens, ativistas, profissionais e cidadãos comuns, 24 vozes partilham críticas, memórias, conquistas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Passados 24 anos da Restauração da Independência, Timor-Leste continua dividido entre o orgulho da liberdade conquistada e os desafios que permanecem no quotidiano da população. Entre figuras públicas, jovens, ativistas, profissionais e cidadãos comuns, 24 vozes partilham críticas, memórias, conquistas e esperanças sobre o presente e o futuro do país.</em></p>
<p>A celebração dos 24 anos da Restauração da Independência de Timor-Leste é também um momento de balanço nacional. Entre os avanços alcançados desde 2002 e os problemas que continuam por resolver, persistem desafios ligados à pobreza, ao desemprego, à qualidade da educação, ao acesso à saúde, à justiça social e aos direitos humanos.</p>
<p>Ao longo desta reportagem, académicos, veteranos, jovens, artistas, diplomatas, profissionais de saúde, ativistas e cidadãos comuns refletem sobre o percurso do país, lembrando que a independência não se resume à liberdade política, mas também à construção de uma sociedade mais justa, digna e inclusiva.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>“</strong>Na saúde, o desafio passa por combater a subnutrição crónica infantil e melhorar as infraestruturas hospitalares”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Rui Maria de Araújo, médico e ex-primeiro-ministro</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Quais considera terem sido os maiores avanços na saúde e na educação desde a independência?</strong></p>
<p>“Celebrar 24 anos da Restauração da nossa Independência obriga-nos a olhar para trás com acrescida responsabilidade. Em 2002, partimos quase do zero, com infraestruturas destruídas e um escasso efetivo de recursos humanos qualificados. Hoje, os avanços na saúde e na educação são inegáveis e constituem as fundações do Estado-Nação.</p>
<p>Maiores Avanços na Saúde: Consolidação do Serviço Nacional de Saúde (SNS): Construímos um sistema público, universal e gratuito que garante que a esmagadora maioria dos timorenses tenha cuidados de saúde acessíveis, independentemente da sua condição económica.</p>
<p>Redução drástica da mortalidade infantil: Graças à expansão da cobertura vacinal e aos cuidados pré-natais, registámos uma das maiores descidas da região na mortalidade infantil.</p>
<p>Formação e descentralização médica: A cooperação internacional, com especial destaque para o programa com Cuba, permitiu formar centenas de médicos timorenses. Hoje, temos profissionais de saúde colocados em quase todos os sucos e postos administrativos do país.</p>
<p>Controlo de doenças endémicas: Timor-Leste alcançou marcos históricos reconhecidos globalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como a eliminação da malária e o controlo efetivo de várias doenças transmissíveis.</p>
<p>Maiores avanços na educação: Massificação e universalidade do acesso: O maior sucesso foi colocar as crianças na escola. Conseguimos atingir uma taxa líquida de escolarização no ensino básico que ronda os 90%, erradicando quase por completo a exclusão escolar inicial.</p>
<p>Criação de infraestruturas próprias: Erguemos uma rede escolar nacional que cobre todo o território, desde as zonas urbanas às comunidades mais isoladas das montanhas.</p>
<p>Desenvolvimento do ensino superior: A consolidação da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) e o nascimento de instituições privadas permitiram que milhares de jovens tenham hoje o diploma universitário com que os seus pais apenas podiam sonhar.</p>
<p>Institucionalização do currículo nacional: Desenvolvemos e implementámos currículos próprios que valorizam a nossa história, a nossa identidade e promovem o bilinguismo oficial (tétum e português).</p>
<p>Embora os avanços quantitativos e de cobertura sejam extraordinários, os próximos anos exigem um foco absoluto na qualidade. Na saúde, o desafio passa por combater a subnutrição crónica infantil e melhorar as infraestruturas hospitalares. Na educação, a prioridade máxima deve ser a formação contínua de professores e a adequação do ensino técnico às necessidades de emprego do país. Construímos as fundações; cabe-nos agora garantir a excelência.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“Apesar de Timor-Leste estar praticamente rodeado pelo mar, a realidade é que muitas pessoas ainda não compreendem ou não têm oportunidade de conhecer em profundidade a riqueza e a biodiversidade existente no mar”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Dedy Kayaka, coordenador do Underwater Cinema</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Ao longo dos 24 anos de independência de Timor-Leste, na sua perspetiva, quais continuam a ser os principais desafios na preservação do mar e da biodiversidade marinha para as novas gerações?</strong></p>
<p>“Ao longo dos 24 anos de independência de Timor-Leste, na perspetiva do Underwater Cinema (UC), um dos grandes desafios que continuamos a enfrentar é a preservação do mar e dos seus ecossistemas e a falta de conhecimento e consciência sobre a importância da vida marinha, especialmente entre as gerações mais jovens, bem como a dificuldade em equilibrar o desenvolvimento, a vida comunitária e a conservação a longo prazo (sustentável).</p>
<p>Apesar de Timor-Leste estar praticamente rodeado pelo mar, a realidade é que muitas pessoas ainda não compreendem ou não têm oportunidade de conhecer em profundidade a riqueza e a biodiversidade existente no mar. Muitas ainda não tiveram experiência direta de observar a beleza e a importância do ecossistema marinho, como os recifes de coral, os peixes, as algas marinhas e outros recursos essenciais para a vida das comunidades e para o futuro do país.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o mar de Timor-Leste enfrenta várias ameaças, como o lixo nas zonas costeiras e no mar, a poluição, as alterações climáticas e outras atividades que podem destruir o ecossistema marinho. Por isso, é muito importante reforçar a educação ambiental e a sensibilização das comunidades e dos jovens, para que se sintam proprietários destes recursos e saibam utilizá-los e cuidar deles de forma responsável, bem como protegê-los, pois sustentam a nossa vida.</p>
<p>O Underwater Cinema é um grupo de voluntários formado por jovens timorenses apaixonados e comprometidos com o cuidado do ambiente marinho, através de atividades de mergulho e <em>snorkeling</em>, limpeza das zonas costeiras e recolha de dados sobre lixo marinho. Também realizamos atividades de advocacia e educação em escolas em Díli, Ataúro e Manatuto, e no futuro planeamos expandir o nosso programa “UC BA ESKOLA” para outros municípios.</p>
<p>Acreditamos que, através dos media, da partilha de histórias, da partilha de experiências e da oportunidade de levar as pessoas a ver diretamente esta riqueza natural, podemos ajudar mais pessoas a compreender e valorizar os recursos marinhos de Timor-Leste. O nosso objetivo é inspirar a nova geração a ver o mar não apenas como um local de sustento, mas como um património importante que precisa de ser protegido e preservado para o futuro.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“O desenvolvimento existente tem um impacto positivo na vida da nossa comunidade. No entanto, desenvolvimento não significa apenas estradas ou cidades bonitas; deve também criar condições de vida dignas para a população, sem levar as pessoas a situações de vulnerabilidade ou perda de dignidade”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Mariana das Neves, comerciante </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>“Passados 24 anos da Restauração da Independência de Timor-Leste, as comunidades sentem realmente o impacto do desenvolvimento do país na vida do dia a dia? E o que considera que ainda precisa de ser melhorado no futuro, especialmente para apoiar os pequenos comerciantes e melhorar as condições de vida da população?”</strong></p>
<p>“Como população, sentimos no dia a dia os impactos que a nossa comunidade recebeu e experienciou após a independência. Quando observamos o desenvolvimento no país, como, por exemplo, a construção de estradas em Díli, sentimos esse progresso. No entanto, também constatamos a forma como algumas pessoas acabam por viver essas mudanças.</p>
<p>Algumas pessoas deixam a sua situação anterior e acabam por viver sem dignidade, incluindo aquelas que vendem comida à beira da estrada. Para muitas famílias, a sobrevivência torna-se dependente dessa atividade diária de venda.</p>
<p>O desenvolvimento existente tem um impacto positivo na vida da nossa comunidade. No entanto, desenvolvimento não significa apenas estradas ou cidades bonitas; deve também criar condições de vida dignas para a população, sem levar as pessoas a situações de vulnerabilidade ou perda de dignidade.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“Também são patrióticos aqueles que trabalham arduamente, como os jornalistas que não pensam na sua própria segurança para garantir que a sociedade esteja informada”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Joaquim Fonseca, diplomata</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>O patriotismo da nova geração é diferente do patriotismo da geração da resistência?</strong></p>
<p>“Eu penso que a manifestação ou expressão de patriotismo pode assumir diferentes formas, consoante a época. No entanto, o grau de patriotismo não pode ser medido dizendo que são mais patrióticos aqueles que lutaram na guerra, ou aqueles que estudaram bastante para promover uma vida melhor em Timor-Leste.</p>
<p>Também são patrióticos aqueles que trabalham arduamente, como os jornalistas que não pensam na sua própria segurança para garantir que a sociedade esteja informada. Da mesma forma, os funcionários da alfândega que não aceitam subornos e não praticam corrupção também estão a demonstrar patriotismo.</p>
<p>Por isso, na minha opinião, o grau de patriotismo não deve ser determinado com base apenas na forma de expressão ou manifestação desse sentimento. Antigamente, no tempo da luta armada, o patriotismo era expresso através da luta pela liberdade da terra, mesmo com o sacrifício da vida. Hoje, já não existe guerra, mas o patriotismo pode ser expresso de outras maneiras, através de diferentes formas de contribuição para o país.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>“</strong>Se olharmos para a realidade, as infraestruturas educativas em Timor-Leste continuam a ser muito limitadas. Muitas escolas apresentam condições precárias e falta de apoio às equipas educativas, o que faz com que o processo de ensino e aprendizagem nem sempre decorra de forma adequada”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Cesário João, estudante da UNTL</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Enquanto estudante, que expectativas espera do Estado para apoiar a educação e preparar a nova geração para um futuro melhor do país, após 24 anos de independência?</strong></p>
<p>“Como estudante, vejo estes 24 anos de independência numa perspetiva de cidadania e enquanto estudante, e gostaria de pedir ao Estado que atribua maior seriedade à educação, tratando-a como uma prioridade fundamental.</p>
<p>Se olharmos para a realidade, as infraestruturas educativas em Timor-Leste continuam a ser muito limitadas. Muitas escolas apresentam condições precárias e falta de apoio às equipas educativas, o que faz com que o processo de ensino e aprendizagem nem sempre decorra de forma adequada.</p>
<p>Por isso, considero que, após 24 anos de independência, o Estado deve assumir um compromisso mais sério no apoio às crianças e às escolas, especialmente nas zonas rurais. Desta forma, estas também poderão contribuir para o desenvolvimento do país no futuro. Se observarmos com atenção, em Díli existe uma grande concentração de escolas, incluindo escolas internacionais. Isto revela um certo desequilíbrio em relação às restantes regiões do país.</p>
<p>Assim, o Governo deve analisar formas de reforçar e apoiar a educação já existente ao nível dos municípios, postos administrativos, sucos e aldeias mais remotas. O apoio financeiro e estrutural deve ser reforçado, para que as crianças das zonas rurais também possam alcançar o sucesso.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“O Estado ainda não disponibiliza orçamento ou programas específicos, como subsídios, para apoiar os escritores na impressão das suas obras”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Lena Mafalda, escritora timorense</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Após 24 anos de independência, como avalia o interesse do Estado pelos livros, arquivos e pela cultura escrita em Timor-Leste?</strong></p>
<p>“Se olharmos para estes 24 anos de independência na perspetiva de uma escritora, posso dizer que o interesse do Estado pelo livro e pela cultura escrita apresenta várias limitações. É difícil obter apoio para publicar livros e, até agora, ainda não existe um sistema próprio de ISBN totalmente estruturado. Por isso, os escritores em Timor-Leste têm de lutar sozinhos.</p>
<p>O Estado ainda não disponibiliza orçamento ou programas específicos, como subsídios, para apoiar os escritores na impressão das suas obras. Os custos de publicação são elevados e, como o Governo ainda não dá prioridade a esta área, os escritores muitas vezes têm de financiar as suas obras com recursos próprios ou procurar apoio de doadores internacionais.</p>
<p>Ainda não existe uma valorização suficiente das obras dos escritores locais. Embora existam iniciativas como a Xanana Gusmão Reading Room e o Movimento das Letras, que procuram promover a literatura timorense, esta ainda não tem importância para o Estado.</p>
<p>O Governo também ainda não tem uma política forte para comprar livros escritos por autores timorenses e distribuí-los nas escolas. Isto torna difícil para os escritores viverem do seu trabalho e sentir que o Estado valoriza a sua produção intelectual.</p>
<p>Existe também uma falta de reconhecimento dos escritores, porque a nossa cultura ainda é fortemente oral. Para transformar esta realidade numa cultura escrita, os escritores acabam por lutar quase sozinhos. Ainda não existe um prémio literário nacional que reconheça os escritores.</p>
<p>No que diz respeito aos arquivos, embora exista o Arquivo Nacional para preservar documentos históricos, o apoio à investigação ainda é limitado. O acesso aos arquivos não é facilitado o suficiente para que escritores e investigadores possam desenvolver a cultura escrita de forma adequada.</p>
<p>Assim, concluo que, enquanto escritora, sinto que nestes 24 anos escrever e publicar livros em Timor-Leste exige muito esforço pessoal e amor pelo país. O desenvolvimento da cultura escrita ainda depende muito do esforço individual. O verdadeiro interesse do Estado em apoiar a produção de livros, os direitos de autor e a valorização dos escritores ainda é fraco e precisa de ser fortemente melhorado no futuro.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“Por isso, pergunto: a democracia e os direitos humanos são para quem?”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Amandina da Silva, ativista dos direitos humanos</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Qual é hoje o maior desafio na defesa dos direitos humanos em Timor-Leste?</strong></p>
<p>“Temos muitos desafios quando falamos sobre direitos humanos. Um deles é a falta de seriedade na implementação das leis. Mesmo que as nossas leis sejam bastante progressistas e estejam bem alinhadas com os princípios dos direitos humanos, na realidade a sua aplicação continua a ser um grande desafio. Especialmente as pessoas cujos direitos foram violados continuam sem obter justiça de forma adequada perante a lei, em comparação com aqueles que têm poder.</p>
<p>Outro problema no nosso país é que as pessoas sem poder muitas vezes não têm esperança de ver os seus direitos reconhecidos, como no caso dos despejos que aconteceram em Ai-Mutin. Nós vemos com os nossos próprios olhos que, mesmo quando há terra e bens que pertencem a pessoas, o Estado, com o seu poder, toma decisões conforme a sua vontade. Ao mesmo tempo, pessoas com dinheiro conseguem facilmente influenciar o poder político e o Estado, o que torna difícil lutar pelos direitos humanos. Isto é também agravado pela promoção de práticas oligárquicas e pela corrupção, onde o dinheiro destinado ao desenvolvimento não chega para melhorar a vida do povo, aumentando assim a pobreza.</p>
<p>Por isso, não é fácil falar sobre direitos humanos, porque muitas vezes quem defende os direitos dos mais pobres acaba por ser vítima de violações desses mesmos direitos, devido às suas vozes e aspirações serem vistas como uma ameaça ao poder. Este é um desafio contínuo, especialmente para as mulheres, num sistema patriarcal, neoliberal e capitalista. Todos estes fatores tornam difícil para mulheres e grupos marginalizados lutarem pelos seus direitos.</p>
<p>Recentemente, no caso do ex-padre Richard Dasbach, surgiu uma nova notícia de que o Governo apresentou uma proposta para conceder indulto através do Presidente da República. Para mim, isto também representa uma traição aos direitos humanos, porque não se ouve a voz das vítimas e dos sobreviventes. Por isso, pergunto: a democracia e os direitos humanos são para quem?”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“A geração jovem deve dar continuidade a este processo e, por isso, como referi anteriormente, precisamos de nos preparar, aprender mais e participar ativamente, para que, quando recebermos essa responsabilidade, estejamos prontos para continuar esse caminho”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Sisto dos Santos, diretor da HAK</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Que lições da luta pela independência não podem ser esquecidas pelas novas gerações?</strong></p>
<p>“A HAK considera que é necessário prestar atenção e valorizar a dignidade, a dedicação dos heróis e a sua contribuição para a luta pela autodeterminação. Por isso, enquanto geração jovem da RDTL, entendemos que estas pessoas já deram o seu contributo, cabendo-nos agora refletir sobre a forma de continuar a promover e criar estabilidade.</p>
<p>Isto deve ser feito através da valorização e do reconhecimento das suas contribuições e da sua luta ao longo do tempo. Neste momento, em que celebramos os 24 anos da Restauração da Independência, a nossa visão, enquanto geração jovem, é a de participar ativamente e continuar a aprender mais.</p>
<p>Devemos também contribuir para a estabilidade, participando ativamente no processo de desenvolvimento em todos os setores. Isto significa que a geração jovem deve dar continuidade àquilo que foi iniciado pelos nossos líderes e heróis e, por isso, devemos prestar grande atenção a este legado.</p>
<p>Por outro lado, considero que a geração jovem deve compreender que a Restauração da Independência já assinala 24 anos e que Timor-Leste passou por um período de ocupação por parte da Indonésia. Por isso, devemos preparar-nos para continuar esse legado, assumindo o papel que as gerações anteriores deixaram.</p>
<p>Assim, a geração jovem deve dar continuidade a este processo e, por isso, como referi anteriormente, precisamos de nos preparar, aprender mais e participar ativamente, para que, quando recebermos essa responsabilidade, estejamos prontos para continuar esse caminho.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“Ainda não conseguimos libertar o povo da pobreza e das dificuldades económicas, porque até hoje continuamos a enfrentar problemas estruturais na vida da população, como a malnutrição, a pobreza, a falta de oportunidades de trabalho e o elevado desemprego”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Marta da Silva, pesquisadora da La’o Hamutuk</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Timor-Leste conquistou a independência política, mas conseguiu também alcançar independência económica?</strong></p>
<p>“Já passaram quase 24 anos desde que restaurámos a nossa independência, desde 2002 até agora, em 2026. Podemos dizer que, em termos políticos, já alcançámos a meta da autodeterminação e do Governo próprio que desejávamos.</p>
<p>No entanto, em termos económicos, continuamos a enfrentar muitos desafios. Ainda não conseguimos libertar o povo da pobreza e das dificuldades económicas, porque até hoje continuamos a enfrentar problemas estruturais na vida da população, como a malnutrição, a pobreza, a falta de oportunidades de trabalho e o elevado desemprego. A nossa dependência das importações continua muito forte, porque ainda não conseguimos construir uma base sólida para os setores produtivos. A agricultura, até agora, ainda não tem capacidade para responder à procura local e nacional. Além disso, continuamos extremamente dependentes do Fundo Petrolífero, do qual retiramos ou colocamos cerca de 80% para o Orçamento Geral do Estado todos os anos. Isto demonstra que a nossa economia é muito vulnerável e que ainda não alcançámos um verdadeiro desenvolvimento económico interno.</p>
<p>Para gerir a economia e construir uma base económica mais sustentável para o povo, ainda existem muitas fragilidades. Quando surgem choques internacionais, como guerras no Médio Oriente ou situações como a pandemia da COVID-19, Timor-Leste torna-se ainda mais vulnerável devido à dependência das importações e da flutuação dos recursos petrolíferos, que dependem do mercado mundial, algo que nós não conseguimos controlar. Às vezes, os efeitos são positivos, outras vezes negativos.</p>
<p>Estes desafios continuam presentes até hoje. Por isso, Timor-Leste precisa de reavaliar o seu processo de desenvolvimento para perceber qual deve ser a direção mais urgente e necessária. Durante este tempo, grande parte das alocações orçamentais foi usada para despesas correntes, sem conseguir investir suficientemente nos sectores produtivos que, a longo prazo, poderiam aumentar as receitas domésticas e fortalecer a economia nacional.</p>
<p>Nós acreditamos que o Governo deve continuar a investir em setores mais próximos da vida do povo, como a agricultura, a saúde, a água, o saneamento e a educação. Estes setores são fundamentais. Muitos países que não possuem petróleo nem grandes recursos naturais investiram fortemente no seu povo, porque o capital humano é a verdadeira base do desenvolvimento. Quando a população tem capacidades e competências para competir no mercado de trabalho, o país consegue desenvolver-se de forma mais sustentável.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“Hoje, temos uma relação de Estado a Estado, sólida, abrangente, ambiciosa, multidimensional, focada nas pessoas, no planeta e na prosperidade partilhada”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Duarte Bué Alves, Embaixador de Portugal em Timor-Leste </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Ao fim de 24 anos de independência, como avalia a relação de amizade e cooperação entre Portugal e Timor-Leste?</strong></p>
<p>“A nossa relação não tem 24 anos — tem mais de meio milénio. Vivemos juntos, caminhámos juntos.</p>
<p>Durante 24 terríveis anos, Portugal defendeu Timor e o seu direito à autodeterminação. A diplomacia portuguesa e a opinião pública nunca, mas nunca, desistiram desta nobre causa.</p>
<p>Quando, em 2002, [re]nasceu o primeiro país do novo milénio, a nossa alegria foi contagiante e tocou a todos. Lembro-me bem desses dias em Lisboa.</p>
<p>Hoje, temos uma relação de Estado a Estado, sólida, abrangente, ambiciosa, multidimensional, focada nas pessoas, no planeta e na prosperidade partilhada.</p>
<p>Olhamos com grande confiança para o futuro de Timor-Leste. Volto ao início. Inquebrantável. Mas é também uma relação “lulik.” Viva Timor-Leste!’”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“O estigma é, sem dúvida, um dos fatores que contribui para esta situação”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Elvis Uvaldo Guterres, médico geral no programa de </strong>VIH<strong> da ONG Maluk Timor</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Como evoluiu a consciência da sociedade timorense em relação ao VIH e ao combate ao estigma?</strong></p>
<p>“Da minha parte, enquanto médico que trabalha no programa de VIH, olhando para a realidade, considero que as intervenções destinadas a combater o estigma contra as pessoas que vivem com VIH ainda não têm a eficácia desejada.</p>
<p>Isto porque muitas pessoas que vivem com VIH continuam a sentir-se marginalizadas e acabam por fugir ou afastar-se do acompanhamento e controlo do tratamento. O estigma é, sem dúvida, um dos fatores que contribui para esta situação.</p>
<p>Isto significa que a consciência da sociedade timorense no combate ao estigma relacionado com o VIH ainda não demonstra resultados suficientemente sólidos para ajudar as pessoas que vivem com VIH a manterem-se em tratamento.</p>
<p>Penso também que é importante aproveitar diferentes meios de comunicação como instrumentos para disseminar informação correta, clara e positiva, sem ferir os sentimentos das pessoas infetadas.</p>
<p>Quero apenas dizer que combater o estigma e a discriminação é algo complexo e difícil de resolver. No entanto, é fundamental que todas as entidades e partes relevantes se unam e sirvam de voz pública para desafiar e mudar a mentalidade de estigma e discriminação contra as pessoas que vivem com VIH.”</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Alessandro Boarccaech, psicólogo, especialista em psicologia clínica, psicoterapeuta, semiótico e Ph.D. em antropologia</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>De que forma os traumas da ocupação continuam a afetar a saúde mental da população timorense?</strong></p>
<p>“A história timorense não começou em 1975. Pelo contrário, é longa e marcada por conflitos, massacres, deslocações forçadas de populações, fome, torturas, abusos e trabalho em condições de semiescravidão. Se recuarmos apenas ao século XX, por exemplo, um suco inteiro de Atáuro foi dizimado; houve o massacre em Manufahi; durante a Segunda Guerra Mundial, dezenas de milhares de pessoas foram mortas; e, em 1975, a guerra civil entre partidos políticos vitimou centenas de famílias.</p>
<p>Tal como a história timorense, os traumas da população não começaram com a ocupação indonésia. Os 24 anos de ocupação não só criaram novos traumas, como também mantiveram e intensificaram as inúmeras feridas abertas.</p>
<p>Do ponto de vista psicológico, muitos sobreviventes apresentam sintomas associados ao trauma complexo: ansiedade crónica, depressão, luto prolongado, fobias, hipervigilância e insónias. Contudo, o sofrimento psicológico pode manifestar-se também sob a forma de somatizações, isolamento emocional e conflitos familiares. Em muitos casos, podem surgir episódios dissociativos, dificuldades em estabelecer vínculos afetivos duradouros, impulsividade, agressividade, sentimento de impotência, desconfiança excessiva, comportamentos compulsivos e consumo abusivo de álcool, entre outros sintomas.</p>
<p>O trauma não persiste apenas na memória individual. O trauma pode também ser continuamente reforçado pelas condições sociais do presente, como pobreza, desemprego, acesso limitado a cuidados de saúde mental, justiça seletiva, autoritarismo, burocracia ineficiente, poucas oportunidades de ascensão social, preconceitos e desvalorização de grupos minoritários ou vulneráveis, como mulheres, jovens, pessoas neurodivergentes, pessoas com mobilidade reduzida e pessoas de diferentes orientações sexuais.</p>
<p>Destaco ainda a dimensão intergeracional do trauma. Quando não elaborados, os traumas podem passar de pais para filhos através do medo, da desconfiança em relação aos outros, dos silêncios, da negligência emocional e da violência doméstica. Aquilo que nos causa sofrimento acaba por ser normalizado.</p>
<p>Isto afeta a saúde mental de toda uma geração que não viveu diretamente essas situações traumáticas, mas que, ainda assim, carrega as suas consequências emocionais.</p>
<p>Neste momento de celebração dos 24 anos da Restauração da Independência, é importante questionarmo-nos: como promover mudanças concretas e materiais na vida das pessoas? Como transformar o silêncio e os traumas num diálogo honesto sobre o passado? Será que hoje não estamos a reproduzir, por outros meios, a violência sofrida? E como garantir que a saúde mental deixe de ser um tema tabu e passe a ser uma responsabilidade coletiva?”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“O papel da PNTL é garantir a segurança dos cidadãos e protegê-los. O trabalho da PNTL no terreno deve assegurar isso e não praticar violência nem abuso de poder”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Comisário Asistenteda Polícia,  Orlando Gomes</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Perante críticas recorrentes de abuso de poder, violência policial e atuação em despejos administrativos, incluindo comparações feitas por cidadãos com práticas do passado, como avalia o papel da PNTL na proteção dos direitos dos cidadãos 24 anos após a restauração da independência?</strong></p>
<p>“Neste ano em que celebramos os 24 anos da Restauração da Independência, este é um momento importante em que a PNTL (Polícia Nacional de Timor-Leste) tem vindo a dar passos em frente, levando a missão de desenvolvimento para a frente. A PNTL também tem realizado várias formações para reforçar as suas capacidades, de modo a melhorar o atendimento ao público e às nossas comunidades.</p>
<p>O papel da PNTL é garantir a segurança dos cidadãos e protegê-los. O trabalho da PNTL no terreno deve assegurar isso e não praticar violência nem abuso de poder. A sua ordem e cadeia de comando têm como objetivo servir e proteger o povo e a nação. Por isso, o serviço da PNTL deve ser profissional, assegurando todas as atividades no nosso país.</p>
<p>Ao nível do comando municipal de Díli, por exemplo, deve ser assegurado que, quando há despejos administrativos ou questões relacionadas com terras e propriedades, incluindo decisões dos espaços do tribunal, qualquer intervenção junto da comunidade seja feita de forma a evitar conflitos, desentendimentos ou crimes. Quando há pedidos dirigidos ao comando municipal de Díli, a polícia deve estar pronta a intervir para garantir que não haja conflitos entre as partes.</p>
<p>No que diz respeito à atuação da PNTL, esta deve cumprir sempre as regras e o Decreto-Lei n.º 43/2012, que regula o regime jurídico da força policial. No terreno, por vezes surgem situações em que é necessário abordar pessoas, parar veículos ou lidar com impedimentos ou queixas. Nesses casos, deve ser sempre seguido o procedimento adequado, incluindo a identificação correta. A polícia não deve obrigar nem abusar da sua competência para pressionar os cidadãos. A presença policial deve servir para garantir segurança e ordem.</p>
<p>Caso existam irregularidades no terreno, estas devem ser tratadas posteriormente através de queixas formais e processos adequados, para que a verdade seja apurada corretamente através dos mecanismos legais.”</p>
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<p style="text-align: center;">“Eu só concordo que estamos num processo de independência, porque ainda há lugares onde o povo é tratado como animal e a lei não é respeitada. Existem pessoas que falam a verdade, perseguidas por expressarem as suas opiniões, e também há interferência no setor da justiça”</p>
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<p style="text-align: center;"><strong>Armindo Moniz Amaral, jurista</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Quais continuam a ser os maiores obstáculos para uma justiça verdadeiramente independente em Timor-Leste?</strong></p>
<p>“Eu não concordo com o uso da palavra ‘independente’ de forma absoluta. Eu só concordo que estamos num processo de independência, porque ainda há lugares onde o povo é tratado como animal e a lei não é respeitada. Existem pessoas que falam a verdade, perseguidas por expressarem as suas opiniões, e também há interferência no setor da justiça.</p>
<p>Eu sinto que o Estado ainda não é totalmente independente nem plenamente soberano, mas está num processo de construção dessa soberania. E, nesse processo, pode haver falhas, como acontece com qualquer Estado em construção ou em consolidação da independência.</p>
<p>Por isso, ainda estamos nesse processo. Tudo depende daquilo que queremos: se queremos viver de acordo com o que está estabelecido na Constituição, ou se queremos viver de acordo com a vontade de alguns indivíduos ou de pequenos grupos. Esta é a situação atual.”</p>
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<p style="text-align: center;">“Isto significa que os políticos e os governantes devem trabalhar em conjunto com os jovens para construir esse desenvolvimento. O desenvolvimento não deve ser apenas para os jovens, mas sim feito com os jovens”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Ricardo Valente Araújo, Fundador da Gen-Z Talk Timor-Leste</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Como vê a participação dos jovens no desenvolvimento atualmente, e o que é que os jovens devem fazer para aproveitar as oportunidades existentes, especialmente com a participação de Timor-Leste em diferentes comunidades regionais e internacionais?</strong></p>
<p>“Para mim, a participação dos jovens no desenvolvimento, atualmente, precisa de ser vista como a de agentes e cocriadores desse mesmo desenvolvimento. Isto significa que os políticos e os governantes devem trabalhar em conjunto com os jovens para construir esse desenvolvimento. O desenvolvimento não deve ser apenas para os jovens, mas sim feito com os jovens.</p>
<p>O que os jovens podem fazer é procurar compreender mais. Devem manter-se curiosos sobre tudo o que acontece à sua volta, fazer perguntas sobre as mudanças que estão a ocorrer na nossa sociedade, colaborar, organizar-se e participar ativamente em qualquer evento que aconteça.</p>
<p>Com a participação de Timor-Leste na comunidade regional e global, este é um momento de oportunidade para todos nós. Devemos aproveitá-lo bem e de forma positiva.”</p>
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<p style="text-align: center;">“O jornalismo não foi apenas um registo de acontecimentos, mas também algo que transformou o impossível em possível, especialmente ao revelar ao mundo acontecimentos como o Massacre de Santa Cruz.”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Rojer Cardoso Neves, coordenador dos média e e produção CAMSTL</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Qual considera ter sido o papel e a contribuição dos jornalistas durante a luta pela libertação nacional de Timor-Leste e como avalia a evolução do jornalismo no país após a independência? </strong></p>
<p>“O jornalista é, de certa forma, a voz daqueles que não têm voz. Por isso, o seu papel é muito importante quando analisamos o processo da luta pela libertação nacional.</p>
<p>A contribuição dos jornalistas começou logo em 1974 e 1975. Se olharmos para o passado e para as imagens antigas, vemos muitos acontecimentos importantes, como o caso de Balibó. Nessa altura, houve várias reportagens feitas por jornalistas como Jill Jolliffe, Adelino Gomes e também pelos cinco jornalistas que morreram em Massacre de Balibó.</p>
<p>Mais tarde, durante o processo de luta pela libertação nacional, os jornalistas continuaram a desempenhar um papel importante. Em 1980, por exemplo, Rui Araújo fez reportagens sobre a luta de Timor-Leste após a invasão da Indonésia.</p>
<p>Nos anos 90, houve também entrevistas importantes, como a entrevista ao Comandante-Chefe Xanana Gusmão em Ainaro. E, em 1991, aconteceu um dos momentos mais marcantes, com um impacto muito forte para o país: o trabalho de Max Stahl, que conseguiu captar e divulgar imagens da realidade de Timor-Leste ao mundo.</p>
<p>Todos conhecem o impacto dessas imagens, especialmente as do Massacre de Santa Cruz, a 12 de novembro, em que muitos jovens foram mortos desde Tasi-Tolu até ao cemitério de Santa Cruz. As imagens mostraram ao mundo a violência e as violações dos direitos humanos cometidas em Timor-Leste.</p>
<p>Assim, a contribuição dos jornalistas durante o período da luta pela libertação nacional, de 1975 até 1999, foi enorme. O jornalismo focou-se muito nesse processo de luta, e isso foi fundamental para mudar a perceção internacional. O jornalismo não foi apenas um registo de acontecimentos, mas também algo que transformou o impossível em possível, especialmente ao revelar ao mundo acontecimentos como o Massacre de Santa Cruz. Enquanto o regime de Soeharto e o governo da Indonésia rejeitavam as campanhas diplomáticas dos líderes timorenses no exterior, as imagens e reportagens mostravam claramente as graves violações dos direitos humanos em Timor-Leste.</p>
<p>Em geral, considero que o papel do jornalismo foi muito positivo. No entanto, também sabemos que o processo de construção de um Estado não é fácil. Nem todos compreendem bem o trabalho dos jornalistas. Às vezes, a comunicação social não segue totalmente a narrativa nacional, e isso pode gerar interpretações diferentes.</p>
<p>Mas, ao longo do tempo, vemos que houve mudanças muito significativas desde 1975 até hoje. Antes não havia liberdade; existiam medo e intimidação contra os jornalistas. Hoje, apesar de ainda existirem desafios, há mais liberdade e mais jornalistas a trabalhar.</p>
<p>Em geral, podemos dizer que houve uma grande evolução. Hoje existem mais jornalistas do que antes, e isso é algo positivo para o espaço democrático e para o desenvolvimento do país.”</p>
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<p style="text-align: center;">“O povo Maubere e Buibere da RDTL, enquanto povo de uma nação soberana, soube sacrificar-se, lutar, demonstrar e afirmar a sua identidade enquanto povo e nação. Esta memória marcou e continua preservada em todo o povo, desde o núcleo familiar, aos sucos, às regiões e a todo o solo pátrio”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Maria Domingas Alves “Mikato”, veterana da Resistência</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Timor-Leste está a conseguir preservar a memória da resistência?</strong></p>
<p>“Para começar, gostaria de assinalar esta Comemoração dos 24 anos da Restauração da Independência e fazer uma autoavaliação, comparando os 24 anos da Luta da Resistência pela Independência com os 24 anos decorridos após a vitória do Referendo e durante este processo de desenvolvimento.</p>
<p>Louvamos o processo da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação, através do CHEGA e do CVA In Memoriam, que deixaram documentação em livros sobre o sacrifício e a causa desta luta.</p>
<p>O povo Maubere e Buibere da RDTL, enquanto povo de uma nação soberana, soube sacrificar-se, lutar, demonstrar e afirmar a sua identidade enquanto povo e nação. Esta memória marcou e continua preservada em todo o povo, desde o núcleo familiar, aos sucos, às regiões e a todo o solo pátrio.</p>
<p>Para preservar de forma forte a memória da Resistência, segundo o meu ponto de vista, é necessário preservar a identidade timorense, bem como as boas práticas da sua cultura, respeitando os Direitos Humanos e os princípios de solidariedade e respeito mútuo. Acredito nesta força impetuosa do nosso povo Maubere e Buibere.”</p>
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<p style="text-align: center;"><strong>“</strong>Uma questão muito importante é a dificuldade dos jovens em encontrar emprego, porque não existem oportunidades suficientes no mercado de trabalho. Por isso, muitos jovens timorenses continuam a emigrar para trabalhar no estrangeiro, porque o nosso Governo ainda não conseguiu preparar devidamente o mercado de trabalho para empregar os jovens no país”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Natalízio Nunes, porta-voz dos EUTL </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>O que preocupa mais os jovens timorenses hoje?</strong></p>
<p>“Um dos principais desafios que os jovens enfrentam está relacionado com a situação do desenvolvimento do país.</p>
<p>Uma questão muito importante é a dificuldade dos jovens em encontrar emprego, porque não existem oportunidades suficientes no mercado de trabalho. Por isso, muitos jovens timorenses continuam a emigrar para trabalhar no estrangeiro, porque o nosso Governo ainda não conseguiu preparar devidamente o mercado de trabalho para empregar os jovens no país. Este é um grande desafio para a juventude.</p>
<p>Em segundo lugar, o Governo também precisa de considerar mais as vozes dos jovens. No passado, durante a luta pela libertação nacional, a voz da juventude foi muito importante. Hoje, os jovens também querem contribuir para o país e, por isso, o Governo deve ouvir as suas opiniões e permitir que participem no processo de desenvolvimento nacional. Talvez este seja outro grande desafio: a dificuldade em continuar a dar atenção às preocupações dos jovens.</p>
<p>O problema do emprego continua a ser muito sério. Por isso, é essencial criar mais oportunidades de trabalho para os jovens, para que não precisem de emigrar constantemente. Eles devem poder utilizar os seus conhecimentos e capacidades no próprio país. Atualmente, o Governo deve ter capacidade financeira e recursos humanos para criar essas oportunidades de emprego para os jovens. Isto também depende da criatividade da juventude.</p>
<p>Por isso, a questão é: como pode o Governo valorizar o potencial dos jovens? Isso deve ser feito através do diálogo e da consulta pública, para compreender as suas preocupações. Mas talvez o Governo ainda não esteja a dar atenção suficiente a estas questões, e isso torna-se outro grande desafio.</p>
<p>O Governo deve também dar mais importância à juventude, preparando-a para competir na ASEAN, uma vez que Timor-Leste já é membro de pleno direito. Os jovens precisam de se preparar para enfrentar os desafios do futuro e o desenvolvimento que ainda está por vir.</p>
<p>Por isso, o mais importante é que o Governo prepare os jovens, invista neles e desenvolva recursos humanos de qualidade, para que possam enfrentar melhor estas situações.”</p>
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<p style="text-align: center;">“Precisamos de aproximar mais os postos de saúde e os serviços de atendimento, para que o acesso não seja difícil para a população”</p>
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<p style="text-align: center;"><strong>Élia Amaral, Ministra da Saúde</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>O sistema de saúde timorense falhou em acompanhar as promessas feitas após a independência?</strong></p>
<p>“Sabemos que todo o trabalho e esforço realizados começaram desde o primeiro Governo, e é importante agradecer tudo o que foi feito até à data. Atualmente, estamos a dar atenção à saúde primária, e a questão é como podemos reforçar as infraestruturas da saúde para que a população, que continua vulnerável, tenha acesso mais fácil aos serviços.</p>
<p>Precisamos de aproximar mais os postos de saúde e os serviços de atendimento, para que o acesso não seja difícil para a população. Neste momento, já completámos mais postos de saúde previstos. Já foram construídos mais de 100 centros de saúde, e agora faltam ainda cerca de 40 para completar a rede de postos de saúde planeada, com base na população.</p>
<p>No que diz respeito aos centros de saúde, já conseguimos avançar com cerca de 70 e tal centros, e neste momento ainda estão em processo de construção mais alguns. Também é necessário reforçar os centros de maternidade nas áreas onde há maior necessidade de cuidados.</p>
<p>Precisamos de definir duas vertentes: como fazer o processo de reabilitação e como construir novas infraestruturas. A construção inclui postos de saúde e residências associadas. Isto significa construir cerca de 40 unidades, mas não necessariamente todas no espaço de um ano, porque depende da capacidade que temos. No entanto, antes de 2029, precisamos de concluir aquilo que ainda está em falta.”</p>
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<p style="text-align: center;">“Mas, na realidade, não têm acesso direto a quem recebe e gere esses fundos, nem conhecem verdadeiramente como o dinheiro é utilizado”</p>
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<p style="text-align: center;"><strong>Padre Paulos Maia, Congregação Diocesana</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Durante a ocupação indonésia, a Igreja Católica foi vista por muitos timorenses como uma voz de proteção e resistência. Hoje, 24 anos após a independência, como responde às críticas de que a Igreja continua a receber elevados apoios do Estado enquanto persistem dificuldades na saúde, educação e pobreza? </strong></p>
<p>“Sobre os subsídios que o Governo atribui à Igreja, é verdade que existem muitas críticas na sociedade, e isso é algo normal num Estado democrático. No entanto, muitas vezes as pessoas não compreendem realmente como esses subsídios são utilizados pelas igrejas.</p>
<p>Frequentemente, as pessoas observam apenas de longe ou a partir de um único ponto de vista, e acabam por generalizar tudo. Mas, na realidade, não têm acesso direto a quem recebe e gere esses fundos, nem conhecem verdadeiramente como o dinheiro é utilizado. Assim, é comum que se façam generalizações, mas a realidade nem sempre é essa.</p>
<p>No que diz respeito às críticas feitas aos subsídios do Governo à Igreja, muitas vezes essas críticas acabam por se concentrar noutras necessidades da sociedade, como a saúde e outras áreas sociais, o que é compreensível e normal.</p>
<p>No entanto, quando se faz uma crítica, deve fazer-se com base em provas. Não podemos apenas ouvir ou ver de longe. É necessário aproximarmo-nos da realidade, investigar e procurar evidências concretas antes de criticar ou tirar conclusões sobre determinado assunto.”</p>
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<p style="text-align: center;">“A arte funciona como um remédio ou como um instrumento que pode ser utilizado para mudar a forma de pensar da sociedade”</p>
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<p style="text-align: center;"><strong>Gaudêncio Cabral, artista Timorense</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Como é que a arte contribuiu para a libertação nacional no passado e como pode a arte contribuir para a mudança social no presente?</strong></p>
<p>“Quanto à contribuição da arte para a libertação nacional, penso que, naquele tempo difícil, a arte se tornou um movimento importante para expressar as opiniões das pessoas e impulsionar uma revolução.</p>
<p>A arte também se tornou uma forma única de expressão, permitindo às pessoas manifestarem-se sem recorrer à violência ou ao ódio. Além disso, a arte pode contribuir para a mudança social.</p>
<p>Nos dias de hoje, a arte continua a ser importante, porque permanece como um caminho singular para transformar comportamentos e atitudes menos positivas da sociedade.</p>
<p>A arte funciona como um remédio ou como um instrumento que pode ser utilizado para mudar a forma de pensar da sociedade. Assim, a arte não serve apenas para mudar situações externas, mas também para transformar mentalidades limitadas ou empobrecidas.</p>
<p>A arte é um caminho capaz de enriquecer o pensamento e as ideias das pessoas, ajudando-as a compreender melhor a vida e a realidade que enfrentamos.”</p>
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<p style="text-align: center;">“Relatórios de organizações como a Fundasaun Mahein indicam que não existe risco imediato de conflito aberto, mas persistem fragilidades institucionais. O orçamento destinado ao setor da segurança nem sempre é executado de forma eficiente, e existe falta de recursos essenciais, como embarcações para patrulhamento marítimo”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Nelson Belo, diretor da Fundasaun Mahein</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Como avalia a evolução da segurança nacional timorense desde a restauração da independência?</strong></p>
<p>“A situação atual de Timor-Leste é considerada mais estável do que no início do período pós-independência. No entanto, continuam a existir fragilidades estruturais ao nível do policiamento, da gestão de fronteiras, da capacidade institucional e da resiliência económica. Alguns dos principais progressos do país incluem a prevenção de episódios de violência política e de grandes crises, como as que ocorreram em 2006 e 2008. O país também tem conseguido manter eleições regulares, embora, em alguns anos, tenham ocorrido eleições antecipadas que não decorreram da forma ideal. Ainda assim, o Estado conseguiu responder e manter a estabilidade institucional.</p>
<p>Timor-Leste também tem conseguido avançar na integração regional, nomeadamente com a adesão à ASEAN, bem como na cooperação em matéria de segurança com países como a Austrália, a Indonésia e outros parceiros estratégicos, incluindo a China, a Coreia do Sul, os Estados Unidos e também países historicamente ligados através da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Desde 2002, a situação de segurança evoluiu de um período de crise e instabilidade para uma fase de recuperação e estabilidade. Após a resolução dos episódios de 2006 e 2008, várias avaliações indicam que as autoridades civis conseguiram manter o controlo efetivo do setor da segurança, reforçando o princípio da supremacia civil sobre as forças militares.</p>
<p>No entanto, os desafios estruturais continuam a existir. Relatórios de organizações como a Fundasaun Mahein indicam que não existe risco imediato de conflito aberto, mas persistem fragilidades institucionais. O orçamento destinado ao setor da segurança nem sempre é executado de forma eficiente, e existe falta de recursos essenciais, como embarcações para patrulhamento marítimo. O investimento na modernização das forças de segurança continua a ser insuficiente. A polícia e as forças de defesa continuam a operar a um ritmo lento de modernização, apresentando limitações na capacidade de investigação e nos processos legais. Isto enfraquece a confiança no Estado de direito e afeta a segurança pública.</p>
<p>Por outro lado, também são reconhecidos progressos importantes, como a consolidação da estabilidade interna, as reformas no setor da segurança e o reforço da disciplina e da neutralidade institucional. Apesar disso, continuam a verificar-se casos de interferência política na atuação de algumas instituições. A adesão de Timor-Leste à ASEAN criou uma plataforma diplomática mais forte e reforçou a integração regional e o diálogo em matéria de segurança.</p>
<p>A Fundasaun Mahein também apresenta recomendações que servem como diagnóstico do setor da segurança ao longo dos 24 anos de independência. Defende a criação de uma política nacional de segurança que sirva de orientação estratégica, permitindo identificar riscos e ameaças e orientar o desenvolvimento das instituições de segurança de acordo com a realidade interna e externa.</p>
<p>Recomenda ainda o reforço do profissionalismo e da capacidade investigativa da polícia através de formação contínua, de uma maior alocação orçamental para o setor da segurança e de uma melhor manutenção das infraestruturas. Não se deve focar apenas nos salários, mas também na melhoria das condições operacionais e na gestão integrada das fronteiras, como no caso de Naktuka.”</p>
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<p style="text-align: center;">“Em certas ocasiões, usamos essa liberdade dentro do quadro da Constituição, mas sem contenção. Às vezes expressamos os nossos desejos e opiniões sem moderação e sem respeitar plenamente a ética e a moral”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Expedito Ximenes, Secretário de Estado da Comunicação Social </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Num país em que o jornalismo foi fundamental na luta pela independência, considera que hoje os jornalistas em Timor-Leste são verdadeiramente livres e independentes, tendo em conta relatos de autocensura e de interferências nas redações?</strong></p>
<p>“No mandato constitucional, o artigo 41.º da Constituição da República refere-se concretamente à liberdade de expressão e informação, bem como à liberdade de imprensa e dos meios de comunicação social.</p>
<p>Portanto, isto significa que este mandato constitucional, através do artigo 41.º, garante que todos os cidadãos têm direito ao acesso à informação. O Estado, através do Governo, continua a garantir a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, assegurando que não pode haver intervenção na política editorial dos órgãos de comunicação social. Este é, portanto, um dos princípios do nono Governo Constitucional.</p>
<p>Todos sabem que o nosso Presidente da República e o nosso Primeiro-Ministro são dois líderes provenientes da área da comunicação social. São veteranos da comunidade mediática. Por isso, compreendem a importância de garantir esta liberdade de expressão e liberdade de imprensa.</p>
<p>No entanto, com o avanço da tecnologia, estamos atualmente a atravessar uma situação em que, infelizmente, nós, cidadãos, por vezes não utilizamos esta liberdade de expressão com limites. Em certas ocasiões, usamos essa liberdade dentro do quadro da Constituição, mas sem contenção. Às vezes expressamos os nossos desejos e opiniões sem moderação e sem respeitar plenamente a ética e a moral.</p>
<p>Para mim, enquanto pessoa que também vem da comunidade mediática, posso dizer que este Governo, apesar de conceder vários apoios aos órgãos de comunicação social, sejam convencionais, privados ou plataformas digitais online, nunca quis intervir na política de redação ou na política editorial. Porquê? Porque o Governo entende que o artigo 41.º da Constituição garante a liberdade de expressão e de imprensa. Além disso, o artigo 40.º estabelece que não pode haver censura nas atividades de produção jornalística.</p>
<p>Assim, o Governo está atualmente a preparar a revisão da Lei da Comunicação Social. Isto não significa que o Governo pretenda criminalizar o produto jornalístico. Isso está muito longe da realidade. O Governo pretende apenas proceder a esta revisão para simplificar a redação da lei, que anteriormente não estava suficientemente clara.</p>
<p>Em segundo lugar, o Governo pretende atribuir mais competências ao Conselho de Imprensa para monitorizar os produtos jornalísticos nas plataformas digitais. Na atual Lei da Comunicação Social, ainda não está claramente definida a competência do Conselho de Imprensa para monitorizar os conteúdos jornalísticos nas plataformas digitais online. Por isso, esta revisão pretende reforçar as competências do Conselho de Imprensa para acompanhar os produtos jornalísticos, especialmente nas plataformas digitais.</p>
<p>Esta revisão não vai alterar aquilo que algumas pessoas possam pensar, nem tem como objetivo criminalizar o jornalismo. Isso está muito longe dessa intenção. O objetivo é apenas tornar a redação da lei mais simples e mais clara.</p>
<p>Portanto, este Governo continua a garantir a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão. No entanto, com o avanço da tecnologia e com a presença da inteligência artificial, nós, cidadãos, por vezes utilizamos esta liberdade sem limites e sem respeitar a ética e a moral.”</p>
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<p style="text-align: center;">“A falta de conhecimento público sobre estas experiências contribui para a desvalorização e a falta de respeito pelas vítimas, especialmente no caso da violência sexual, muitas vezes interpretada de forma errada ou reduzida a estigma”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Manuela Leong Pereira, diretora da Acbiit</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Porque é importante continuar a ouvir e reconhecer as vítimas da violência durante a ocupação e a luta pela independência?</strong></p>
<p>“Durante muitos anos, temos vindo a trabalhar continuamente com sobreviventes, refletindo sobre o que ainda precisa de ser feito para garantir os seus direitos e a sua reparação. Após décadas de conflito, continua a não existir uma política específica e consistente que coloque os sobreviventes no centro da atenção do Estado.</p>
<p>Muitos sobreviventes já são idosos, outros estão doentes, alguns já faleceram, e muitos continuam a viver com traumas profundos. Este sofrimento não termina neles próprios, mas estende-se às suas famílias, filhos e netos. Isto é particularmente grave no caso das pessoas que sofreram violência sexual e dos filhos nascidos dessa violência, muitos dos quais continuam a enfrentar estigma, discriminação e falta de apoio.</p>
<p>Quando falamos destes sobreviventes, muitas vezes são vistos como pessoas sem poder. No entanto, mesmo sendo considerados vulneráveis, continuam a ter direito ao acesso à justiça e à reparação. Infelizmente, na prática, esse acesso continua limitado e muitas vezes ignorado.</p>
<p>Enquanto timorenses que também contribuíram para a nação, estes sobreviventes merecem políticas públicas que lhes garantam dignidade e melhores condições de vida. Um dos aspetos fundamentais é o reconhecimento. Tal como o Estado atribui prémios e distinções a personalidades nacionais e estrangeiras, também os sobreviventes deveriam ser devidamente reconhecidos pelo seu contributo e pelo sofrimento que suportaram em nome da nação. Este reconhecimento continua a ser uma exigência dos próprios sobreviventes.</p>
<p>Sem o trabalho de organizações como a ACbit e a Pirilampu, muitas destas histórias continuariam desconhecidas. A falta de conhecimento público sobre estas experiências contribui para a desvalorização e a falta de respeito pelas vítimas, especialmente no caso da violência sexual, muitas vezes interpretada de forma errada ou reduzida a estigma.</p>
<p>Quando estas histórias são finalmente partilhadas, algumas autoridades locais começam a demonstrar mais respeito e apoio. Isto mostra a importância de dar voz aos sobreviventes. Através da preservação e divulgação destas narrativas, sobretudo junto das gerações mais jovens, torna-se possível compreender que, em tempos de guerra, as mulheres foram particularmente vulneráveis à violência, sofrendo impactos profundos e duradouros, incluindo traumas que persistem até aos dias de hoje.”</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/timor-leste-24-anos-depois-entre-o-orgulho-da-independencia-e-os-desafios-do-presente/">Timor-Leste 24 anos depois: Entre o orgulho da independência e os desafios do presente</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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					<wfw:commentRss>https://www.diligenteonline.com/timor-leste-24-anos-depois-entre-o-orgulho-da-independencia-e-os-desafios-do-presente/feed/</wfw:commentRss>
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		<title>Juventude timorense pressiona Governo para apoiar resolução da ONU sobre justiça climática</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 13:38:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Timor-Leste é instado a apoiar e copatrocinar uma resolução da ONU sobre justiça climática que será votada a 20 de maio em Nova Iorque. A iniciativa está alinhada com o parecer do Tribunal Internacional de Justiça, que reforça as obrigações [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/juventude-timorense-pressiona-governo-para-apoiar-resolucao-da-onu-sobre-justica-climatica/">Juventude timorense pressiona Governo para apoiar resolução da ONU sobre justiça climática</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Timor-Leste é instado a apoiar e copatrocinar uma resolução da ONU sobre justiça climática que será votada a 20 de maio em Nova Iorque. A iniciativa está alinhada com o parecer do Tribunal Internacional de Justiça, que reforça as obrigações legais dos Estados no combate às alterações climáticas. </em></p>
<p>Dez organizações juvenis entregaram uma petição ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação a solicitar que Timor-Leste copatrocine e vote a favor da resolução sobre justiça climática que será apreciada esta quarta-feira, 20 de maio, na Assembleia Geral das Nações Unidas. As organizações defendem que o país deve assumir uma posição mais ativa na proteção ambiental e na defesa dos direitos humanos no contexto da crise climática global, alinhando-se com outros Estados vulneráveis que apoiam a iniciativa.</p>
<p>A resolução em discussão na ONU, liderada por Vanuatu e outros países vulneráveis, surge na sequência do parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), que reconhece que os Estados têm obrigações legais de proteger o sistema climático e que as alterações climáticas podem constituir uma violação de direitos humanos fundamentais, incluindo o direito à vida, à saúde e a um ambiente saudável. O objetivo é transformar estas orientações jurídicas em mecanismos concretos de ação e responsabilização internacional.</p>
<p>Entre as medidas previstas estão a redução das emissões de gases com efeito de estufa alinhadas com o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, a proteção de pessoas deslocadas por impactos climáticos, a possibilidade de reparações por danos já causados e a criação de mecanismos de monitorização do cumprimento das obrigações climáticas.</p>
<p>As organizações juvenis sublinham que esta votação, marcada para 20 de maio, representa um momento decisivo no reforço do enquadramento jurídico internacional da justiça climática.</p>
<p>As alterações climáticas tornaram-se um dos maiores desafios globais da atualidade e os seus efeitos já se fazem sentir em várias partes do mundo. Em Timor-Leste, a situação preocupa especialistas e autoridades devido à forte dependência da população da agricultura e à elevada vulnerabilidade do país a desastres naturais.</p>
<p>Apesar de contribuir com uma parcela mínima das emissões globais de gases com efeito de estufa, Timor-Leste enfrenta consequências severas das alterações climáticas. Entre os principais impactos registam-se o aumento das temperaturas, os períodos prolongados de seca e a ocorrência frequente de inundações, fatores que afetam diretamente a produção agrícola, a segurança alimentar e as condições de vida da população.</p>
<p>De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 70% da população de Timor-Leste depende da agricultura para subsistência. No entanto, o setor tem sido afetado por secas prolongadas, chuvas intensas, erosão dos solos e aumento das temperaturas.</p>
<p>A organização salienta ainda que os ecossistemas do país, incluindo montanhas, florestas, mangais e recifes de coral, estão sob crescente pressão devido à desflorestação e às alterações climáticas.</p>
<p>Dados do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas indicam que 27% da população enfrenta insegurança alimentar aguda, enquanto 47% das crianças com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica. O país continua fortemente dependente de importações, com cerca de 60% dos alimentos provenientes do exterior, o que aumenta a vulnerabilidade a aumentos de preços e a eventos climáticos extremos.</p>
<p>Um relatório da organização La’o Hamutuk alerta para impactos estruturais das alterações climáticas na agricultura e nas condições sociais em Timor-Leste, com análise centrada nos municípios de Viqueque, Manufahi e Oé-Cusse. O estudo identifica desafios como má nutrição, acesso limitado aos serviços de saúde e falta de investigação adequada, sublinhando que as respostas atuais ainda não correspondem às necessidades das comunidades afetadas.</p>
<p>O relatório refere ainda que muitas comunidades recorrem a estratégias de adaptação, como a procura de fontes alternativas de água e a utilização de métodos agrícolas tradicionais para garantir a produção alimentar, defendendo a necessidade de programas governamentais mais ajustados às realidades locais e de preservação de sementes resilientes.</p>
<p>As organizações justificam a sua posição com base no recente parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), que reforça a existência de obrigações legais dos Estados na proteção do sistema climático e reconhece que as alterações climáticas podem constituir uma ameaça direta aos direitos humanos fundamentais, incluindo o direito à vida, à saúde e a um ambiente saudável.</p>
<p>Segundo os jovens, este enquadramento jurídico internacional reforça a necessidade de transformar a resolução em discussão na ONU num mecanismo efetivo de responsabilização internacional, incluindo a redução de emissões, a proteção de comunidades deslocadas e a reparação de danos climáticos.</p>
<p>As organizações sublinham ainda que Timor-Leste, enquanto país altamente vulnerável aos impactos das alterações climáticas, tem interesse em apoiar a iniciativa, tanto do ponto de vista estratégico como no âmbito da justiça climática global.</p>
<p>Perante este cenário, as organizações juvenis apelam ao Governo para que instrua a missão permanente de Timor-Leste junto das Nações Unidas a votar favoravelmente a resolução.</p>
<p>Num comunicado apresentado em Motael, as organizações afirmam que a justiça climática é uma das principais preocupações da juventude timorense, defendendo uma ação política e diplomática mais firme perante os impactos ambientais que já afetam o país.</p>
<p>A porta-voz do grupo, Joaninha Ramos Pereira, explicou que a justiça climática assenta em mecanismos legais nacionais e internacionais que responsabilizam os Estados pela redução de emissões de gases com efeito de estufa e pela proteção das populações mais vulneráveis.</p>
<p>“Caso aprovada, a resolução poderá estabelecer mecanismos mais concretos para a mitigação das emissões, a promoção de reparações climáticas e a proteção das comunidades deslocadas por desastres ambientais”, afirmou.</p>
<p>A responsável sublinhou ainda que Timor-Leste é frequentemente apontado como um dos países mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas, à semelhança de outras pequenas nações insulares do Pacífico e das Caraíbas.</p>
<p>Entre os efeitos já observados no país, destacou a subida do nível do mar, o aumento das temperaturas, as inundações e os períodos de seca prolongados, fenómenos que afetam diretamente a agricultura, a segurança alimentar e os meios de subsistência das comunidades.</p>
<p>“A nossa geração está a viver as consequências de uma crise climática”, afirmou Joaninha, acrescentando que os principais responsáveis pelas emissões globais de gases com efeito de estufa continuam a ser os países industrializados.</p>
<p>Antoninho dos Santos Oliveira, da GERHANA “Explora &amp; Prezerva Natureza Timor-Leste”, afirmou que um eventual voto contra a resolução poderá afastar Timor-Leste de outros Estados vulneráveis na defesa da justiça climática.</p>
<p>Segundo Antoninho, a resolução reforça a obrigação dos Estados de proteger o ambiente e responder aos impactos das alterações climáticas de acordo com o direito internacional, considerando que um voto favorável fortaleceria a posição de Timor-Leste no plano internacional.</p>
<p>Também Grazinha da Silva Conceição, da organização Juventude Hadomi Natureza (JHN), apelou ao Governo para reforçar a cooperação com organizações juvenis ligadas à área ambiental, sobretudo na formação dos jovens para uma participação mais ativa na luta pela justiça climática.</p>
<p>A responsável sublinhou ainda que Timor-Leste já enfrenta impactos visíveis das alterações climáticas, como a desflorestação, os deslizamentos de terra e as inundações, defendendo maior coordenação e capacidade de resposta institucional.</p>
<p>“É necessário um trabalho mais forte e coordenado, especialmente no que diz respeito à legalidade e à resposta às alterações climáticas”, sublinhou.</p>
<p>Até ao fecho desta edição, não foi possível obter uma posição oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação sobre o pedido das organizações juvenis, nem confirmar se Timor-Leste irá copatrocinar ou apoiar a resolução em votação na ONU.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/juventude-timorense-pressiona-governo-para-apoiar-resolucao-da-onu-sobre-justica-climatica/">Juventude timorense pressiona Governo para apoiar resolução da ONU sobre justiça climática</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Ataúro acolhe festival de mergulho livre que junta comunidade e especialistas na defesa do oceano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 11:02:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante três dias, atividades de freediving, formação e partilha cultural promoveram a proteção dos oceanos e o turismo sustentável em Ataúro. O evento destacou o papel das mulheres mergulhadoras locais e os desafios ambientais e económicos das comunidades costeiras. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Durante três dias, atividades de freediving, formação e partilha cultural promoveram a proteção dos oceanos e o turismo sustentável em Ataúro. O evento destacou o papel das mulheres mergulhadoras locais e os desafios ambientais e económicos das comunidades costeiras. A iniciativa terminou com um apelo forte à preservação da biodiversidade marinha em Timor-Leste.</em></p>
<p>O festival “Topu Ramutu”, realizado na ilha de Ataúro, reuniu mergulhadores nacionais e estrangeiros, comunidades locais e organizações ambientais num esforço conjunto de promoção da conservação marinha e de sensibilização para a proteção dos ecossistemas do oceano timorense.</p>
<p>Durante três dias, entre 1 e 3 de maio, as águas cristalinas de Adara acolheram o primeiro evento comunitário de mergulho livre “Topu Ramutu”, expressão local que significa “Mergulhar Juntos”. O encontro juntou cerca de 40 participantes, incluindo mergulhadores experientes e iniciantes, jovens, instrutores, artistas, ambientalistas e amantes do oceano.</p>
<p>Participaram no evento convidados locais e internacionais provenientes da Austrália, Alemanha, Reino Unido, Colômbia e Nova Zelândia. Ao longo da iniciativa, realizaram-se atividades práticas de freediving, workshops sobre segurança e conservação marinha, sessões de ioga, mergulhos noturnos, passeios de barco e conversas sobre a história local do grupo “Wawata Topu”, composto por mulheres mergulhadoras de Ataúro.</p>
<p>O festival foi organizado pelo Freediving Timor-Leste, Inspired by Nature, Rainbow Yoga, Underwater Cinema, Mario’s Place e Lenuk Tasi, numa colaboração entre diferentes iniciativas com uma visão comum: usar o oceano como espaço de ligação, educação e transformação social.</p>
<p>Segundo os organizadores, o objetivo foi criar um ambiente aberto de aprendizagem e partilha, promovendo a conservação marinha e incentivando uma nova geração de defensores da biodiversidade em Timor-Leste, bem como o desenvolvimento do mergulho livre no país.</p>
<h2><strong>Educação, segurança e conservação marinha</strong></h2>
<p>Emanuel do Rosário, do grupo Lenuk Tasi, explicou que o festival surgiu da necessidade de unir a crescente comunidade de praticantes de mergulho livre em Timor-Leste e transformar essa paixão numa força coletiva de proteção ambiental.</p>
<p>“Queremos que as pessoas não apenas aprendam a mergulhar, mas também entendam a importância de proteger os animais marinhos, os recifes de coral e todo o ecossistema marinho”, afirmou.</p>
<p>Durante o evento, os participantes receberam formação em conservação marinha, técnicas de mergulho seguro, equalização da pressão nos ouvidos, segurança em profundidade e fotografia e videografia subaquática.</p>
<p>“As sessões de ioga e meditação foram também fundamentais no freediving, ajudando no controlo da respiração, na calma mental e na prevenção do pânico debaixo de água”, acrescentou.</p>
<p>A profundidade média dos treinos atingiu os 35 metros, sempre com acompanhamento de instrutores e adaptação aos diferentes níveis de experiência dos participantes.</p>
<p>Além da componente desportiva, Emanuel destacou o impacto económico do evento na comunidade de Ataúro. Segundo explicou, os organizadores trabalharam em parceria com moradores e unidades de alojamento locais, garantindo que as receitas das inscrições beneficiassem diretamente a economia da ilha.</p>
<p>“O dinheiro não é para nós. Usamo-lo para comprar comida, pagar barcos e apoiar a comunidade local. Não queremos apenas visitar Ataúro, queremos contribuir para a economia das famílias da ilha”, afirmou.</p>
<p>A escolha de Adara como palco do festival esteve também ligada à preservação ambiental da zona, reforçada pelo sistema tradicional de “tara bandu”, que regula o uso sustentável dos recursos naturais.</p>
<p>“Apesar de não ter eletricidade regular nem rede de telecomunicações, a aldeia destaca-se pela qualidade das águas e pela biodiversidade marinha”, referiu.</p>
<p>O festival destacou ainda a importância do grupo “Wawata Topu”, composto maioritariamente por mulheres que mergulham para sustentar as suas famílias através da pesca.</p>
<p>“O mergulho não é apenas para homens. Queremos mostrar aos jovens timorenses, especialmente às mulheres, que elas também podem participar nestas atividades”, disse Emanuel.</p>
<h2><strong>Conhecimento tradicional e técnicas modernas</strong></h2>
<p>Para Denilson Monteiro, do Underwater Cinema, o festival também representa uma oportunidade de aproximar o conhecimento tradicional das técnicas modernas de mergulho seguro.</p>
<p>O participante recordou que muitas mulheres do grupo Wawata Topu mergulham desde crianças sem formação técnica, o que já provocou problemas de saúde.</p>
<p>“Muitas sofrem danos nos ouvidos porque nunca aprenderam técnicas de equalização. Algumas já perderam parcialmente a audição ou a visão devido aos riscos do mergulho profundo”, explicou.</p>
<p>Ainda assim, Denilson sublinhou que as mergulhadoras tradicionais possuem conhecimentos valiosos, tendo havido durante o festival uma troca de experiências sobre respiração e resistência debaixo de água.</p>
<h2><strong>Conservação marinha e desafios locais</strong></h2>
<p>A proteção das tartarugas marinhas foi um dos temas centrais da iniciativa. Apesar de serem espécies protegidas, os organizadores reconhecem que algumas comunidades ainda as capturam.</p>
<p>Em vez de responsabilização direta, os grupos defendem a educação e sensibilização como estratégias fundamentais. “Se as pessoas não conhecem uma espécie, não a vão proteger. Quando a conhecem, começam a cuidar dela”, afirmou Emanuel.</p>
<p>A expectativa é que os participantes saiam do festival não apenas como mergulhadores, mas também como defensores ativos do oceano timorense e do turismo sustentável.</p>
<p>Para Agusto Martins Lemos, membro da comunidade de Adara, o festival trouxe aprendizagens importantes, sobretudo sobre conservação ambiental e técnicas seguras de mergulho.</p>
<p>Segundo explicou, embora a comunidade já pratique o “tara bandu” para proteger tartarugas e outras espécies, muitos desconheciam técnicas modernas de preservação. “Sabíamos proteger algumas espécies, mas não entendíamos profundamente como cuidar das tartarugas e dos seus habitats”, disse.</p>
<h2><strong>Impacto comunitário e experiência dos participantes</strong></h2>
<p>Entre os participantes esteve Julmia da Silva, que descreveu a experiência como “inesquecível”. “Em Díli, cada pessoa está ocupada com a sua vida. Mas em Adara não havia internet nem rede de telecomunicações. Isso fez com que os participantes e os organizadores criassem amizades muito mais fortes”, afirmou.</p>
<p>A jovem explicou que participou para conhecer novas pessoas e reforçar ligações. O gosto pelo mergulho surgiu através da irmã. “Antes não gostava muito, mas depois comecei a mergulhar com a minha irmã e hoje adoro, porque podemos ver as paisagens escondidas no fundo do oceano”, contou.</p>
<p>Um dos momentos mais marcantes foi o mergulho noturno. “Foi uma experiência muito bonita e inesquecível. Ver os animais a brilharem na escuridão do mar foi algo extraordinário”, disse.</p>
<p>Julmia destacou ainda as histórias das mulheres mergulhadoras de Adara, muitas das quais dependem do mar para sustentar as famílias. “Em Adara, não são apenas os homens que mergulham. Há muitas mulheres que vão ao mar para pescar e sustentar os estudos dos filhos. Quando ouvi isso, fiquei muito emocionada”, referiu.</p>
<p>Também elogiou a beleza natural da ilha. “A paisagem superou completamente as minhas expectativas. O mar é extremamente limpo, cheio de peixes e corais. O mais bonito foi a parede de corais, como se fosse um enorme muro subaquático”, disse.</p>
<h2><strong>Desafios da comunidade costeira</strong></h2>
<p>Agusto Martins Lemos explicou ainda que práticas como “fun diving” e “line diving” são pouco conhecidas em Ataúro, onde o mergulho está sobretudo ligado à pesca tradicional.</p>
<p>A comunidade enfrenta ainda dificuldades económicas. Grande parte do peixe capturado é consumido localmente, devido à falta de eletricidade e infraestruturas para conservação.</p>
<p>“Sem eletricidade é difícil produzir gelo para conservar os peixes. Agora o Governo começou a construir estradas e esperamos que a eletricidade também chegue aqui”, afirmou.</p>
<p>Para o morador, iniciativas como o “Topu Ramutu” são fundamentais para sensibilizar as comunidades e incentivar a proteção do oceano. “É importante continuarmos a sensibilizar as comunidades para proteger o nosso mar. Também queremos encorajar mais pessoas apaixonadas pelo oceano a mergulharem juntas e a mostrarem ao mundo a biodiversidade marinha de Timor-Leste”, concluiu.</p>
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		<title>Abílio Araújo declara apoio ao novo partido Fitun e apela à união das pequenas forças políticas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2026 11:11:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O antigo dirigente timorense Abílio Araújo declarou este sábado apoio ao novo partido Fitun, durante o primeiro encontro nacional da força política, realizado em Díli. A reunião serviu para inaugurar a sede nacional do partido, definir a estrutura interna e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O antigo dirigente timorense Abílio Araújo declarou este sábado apoio ao novo partido Fitun, durante o primeiro encontro nacional da força política, realizado em Díli. A reunião serviu para inaugurar a sede nacional do partido, definir a estrutura interna e preparar os próximos passos para uma eventual participação eleitoral.</p>
<p>O encontro do Conselho Político Nacional Permanente do Fitun decorreu na nova sede do partido, em Fatuhada, aldeia 04, Dom Aleixo, Díli, e reuniu representantes das estruturas municipais.</p>
<p>Durante a reunião, foram nomeados 13 coordenadores interinos, um por cada município, com o objetivo de discutir e estabelecer a futura estrutura nacional do partido. Segundo os dirigentes, esta estrutura será responsável pela organização das próximas atividades, nomeadamente o processo de consolidação do partido, conferências e o congresso nacional, onde será escolhido o presidente e definida a direção política que poderá disputar futuras eleições.</p>
<p>“Se realizarmos cedo o congresso, vamos competir nas eleições. Se adiarmos para o próximo ano, vamos avaliar os candidatos que possam trazer o melhor para o povo e daremos o nosso apoio”, afirmou o vice-presidente do partido, José Barreto.</p>
<p>Segundo o dirigente, o Fitun nasceu da perceção de que os sucessivos governos não conseguiram responder às dificuldades económicas enfrentadas pela população. “Vimos que, depois de tantos governos, a economia do povo continua difícil. O Fitun surge como alternativa para fortalecer a economia da população”, afirmou.</p>
<p>José Barreto garantiu ainda que o partido pretende defender os interesses da população, independentemente de vir a integrar o Governo ou permanecer na oposição. “Quando tivermos espaço, faremos o nosso trabalho. Seja no Governo ou na oposição, tudo deve contribuir para o povo, criticando o que está mal e valorizando o que está bem”, declarou.</p>
<p>O partido iniciou o processo de criação em 2019 e recolheu cerca de 46 mil cartões de eleitor. Após vários entraves legais relacionados com a criação da força política, o Fitun foi oficialmente reconhecido pelo Tribunal de Recurso, tendo o registo sido publicado a 3 de março de 2026.</p>
<p>O secretário-geral interino, Vasco Viana, natural de Viqueque, defendeu durante a reunião que os jovens têm a responsabilidade de continuar a construção do país através da política. “A existência de uma nação depende dos sonhadores. Por isso, enquanto jovens, temos a obrigação de cuidar da nação e do povo através de um caminho político legal. Não devemos esperar para ser liderados; devemos levantar-nos e continuar a luta dos nossos heróis e líderes”, afirmou.</p>
<p>Também Nuno José da Costa, coordenador do município de Baucau e um dos fundadores do partido, considerou que a independência ainda não trouxe melhorias suficientes para a população. “A principal mudança que queremos é na economia social do povo. Tudo deve voltar para o povo, porque atualmente a população está marginalizada. Qual foi o benefício da independência para o povo?”, questionou.</p>
<p>A presença de Abílio Araújo foi uma manifestação de apoio político ao novo partido. Durante a intervenção, o antigo dirigente afirmou que Timor-Leste conquistou a independência política, mas continua sem alcançar independência económica e cultural.</p>
<p>“Independência económica significa ter condições para garantir pequeno-almoço, almoço e jantar, educar os filhos e tratar das doenças. Mas sabemos que estas condições ainda não chegam a todo o povo. Ver isso é muito triste”, sublinhou.</p>
<p>Abílio Araújo disse que um dos grandes objetivos é combater o abstencionismo, que, juntamente com o insuficiente número de votos nos partidos para eleger deputados, tende a ser superior a 50%, o que é preocupante.</p>
<p>Abílio Araújo considerou ainda que muitos timorenses perderam confiança nos partidos políticos existentes, o que ajuda a explicar os elevados níveis de abstenção eleitoral. Segundo o empresário, esta realidade não se deve apenas às dificuldades de acesso às urnas, provocadas por infraestruturas precárias, mas também à falta de confiança nas forças políticas tradicionais.</p>
<p>“O Fitun, juntamente com pequenos partidos sem representação parlamentar, tem de convencer as pessoas. Não devemos pensar apenas em conquistar uma ou duas cadeiras, mas em construir uma nova frente, através de alianças, plataformas e coligações, para podermos ser uma verdadeira alternativa”, apelou.</p>
<p>O antigo dirigente defendeu ainda que as pequenas forças políticas devem trabalhar em conjunto e evitar divisões internas. “Não façam afiliações. Devemos ter espírito de união”, afirmou.</p>
<p>Abílio Araújo pediu também ao partido que evitasse promessas eleitorais irrealistas em troca de votos, considerando que muitos compromissos assumidos pelos partidos ao longo dos anos correspondem, na verdade, a direitos básicos da população.</p>
<p>Em vez disso, defendeu um compromisso sério com o trabalho político e com a melhoria das condições de vida dos timorenses. Estiveram também presentes Abílio Sereno, antigo secretário-geral do Comité Central da Fretilin em Portugal, Vicente Faria, docente da UNTL, e outros convidados.</p>
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		<title>Famílias expulsas de madrugada em Aimutin denunciam abuso do Estado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 12:10:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Operação conduzida de madrugada pela Direção Nacional de Terras e Propriedades, com apoio policial, destruiu 52 habitações no bairro do Posto Penal, em Aimutin, deixando dezenas de famílias sem abrigo. O Governo defende a legalidade do despejo administrativo, mas moradores, [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/familias-expulsas-de-madrugada-em-aimutin-denunciam-abuso-do-estado/">Famílias expulsas de madrugada em Aimutin denunciam abuso do Estado</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Operação conduzida de madrugada pela Direção Nacional de Terras e Propriedades, com apoio policial, destruiu 52 habitações no bairro do Posto Penal, em Aimutin, deixando dezenas de famílias sem abrigo. O Governo defende a legalidade do despejo administrativo, mas moradores, defensores da comunidade e organizações da sociedade civil acusam o Estado de abuso de poder e de favorecer interesses privados numa disputa fundiária que dura há anos.</em></p>
<p>Ainda antes do amanhecer, o silêncio em Aimutin, no bairro do Posto Penal, em Comoro, foi interrompido pelo som de motores, ordens policiais e máquinas pesadas. Quando muitos moradores saíram das casas para perceber o que estava a acontecer, encontraram a área cercada por forças de segurança e equipas da Direção Nacional de Terras e Propriedades (DNTP). Em poucas horas, 52 casas foram reduzidas a escombros e dezenas de famílias ficaram sem abrigo.</p>
<p>O despejo administrativo, realizado na terça-feira, 12 de maio, pela DNTP, desencadeou uma onda de revolta, dor e acusações mútuas entre a comunidade, o Governo, defensores dos direitos humanos e empresas privadas envolvidas numa disputa de terras que se arrasta há vários anos.</p>
<p>Entre lágrimas, desespero e revolta, residentes relatam ter vivido momentos de forte tensão desde as primeiras horas da madrugada. Muitos afirmam que não tiveram sequer tempo para retirar os seus pertences antes das demolições.</p>
<p>Juliana Maria Belo, uma das moradoras afetadas, afirmou que a comunidade nunca recusou cooperar com as autoridades, mas exigia um processo transparente e justo. “Não somos contra o desenvolvimento. Queremos diálogo e respeito. Antes de destruírem as nossas casas, deviam conversar connosco”, disse, com a voz a tremer e em lágrimas.</p>
<p>Segundo Juliana, as primeiras equipas da Direção de Terras chegaram ao local alegando que apenas fariam um levantamento de dados. No entanto, os moradores começaram a suspeitar das intenções quando técnicos passaram a marcar algumas habitações para futura demolição.</p>
<p>“Ainda não havia mediação nem decisão clara. Se aceitássemos a marcação, significava que já concordávamos com o despejo”, explicou.</p>
<p>A residente contou ainda que a comunidade apresentou documentos do Tribunal de Recurso que, segundo os moradores, reconheciam direitos sobre a ocupação do terreno. Por isso, recusaram permitir a entrada das equipas sem uma notificação formal emitida pelo Tribunal. “Pedimos sempre: mostrem-nos uma ordem legal. Eles diziam apenas que cumpriam ordens, mas não apresentavam documentos claros”, afirmou.</p>
<p>Apesar disso, na manhã de terça-feira, dezenas de agentes policiais e viaturas cercaram a área. Muitos moradores pensaram inicialmente tratar-se de uma operação relacionada com obras públicas ou alargamento da estrada. Pouco depois, perceberam que as demolições começariam imediatamente. “Quando saímos de casa, já havia polícia por todo o lado. Não tivemos tempo de salvar quase nada”, relatou Juliana.</p>
<p>Durante a intervenção, algumas pessoas sentiram-se mal. Uma jovem terá desmaiado após tentar proteger os bens da família. Alguns jovens terão sido arrastados à força e levados para a esquadra por tentarem impedir a execução da operação.</p>
<p>“Nós, povo de Timor-Leste, sentimo-nos abandonados. A lei parece valer apenas para quem tem muito dinheiro. Para nós, os pobres, já não vale”, afirmou a moradora.</p>
<p>A dor da perda mistura-se com um sentimento profundo de abandono social. Muitas famílias afirmam viver naquela área antes mesmo da independência de Timor-Leste. Para elas, o despejo representa não apenas a perda material, mas também o rompimento de laços históricos e comunitários construídos ao longo de décadas.</p>
<p>Domingas Pinto, outra moradora afetada, emocionou-se ao recordar a convivência antiga entre vizinhos, incluindo um superior das forças armadas que, segundo ela, foi acolhido pela própria comunidade. “Nós demos espaço para viverem aqui. Construímos casas juntos. Agora somos tratados como se não pertencêssemos a este lugar”, lamentou.</p>
<p>Os moradores apelam diretamente ao ministro da Justiça, Sérgio Hornai, para visitar o local e ouvir as famílias afetadas antes que novas ações ocorram. A comunidade pede diálogo, mediação e soluções humanas para evitar que mais famílias fiquem sem abrigo.</p>
<p>“Os senhores ocupam esses cargos para serem a voz do povo, não a voz de mafiosos. Pedimos ao ministro da Justiça que nos ajude”, disseram alguns residentes.</p>
<p>Enquanto os destroços permanecem espalhados pelo terreno, muitas crianças, idosos e mulheres passam agora os dias entre os restos das casas demolidas, tentando recuperar documentos, roupas e memórias soterradas sob madeira, zinco e pó.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900;">“O Estado sabe expulsar e destruir casas, mas esquece a obrigação de garantir um lugar digno para as pessoas viverem”</span></p>
</blockquote>
<p><strong>Um conflito antigo e juridicamente complexo</strong></p>
<p>O caso de Aimutin não começou agora. A disputa fundiária arrasta-se há anos e mistura questões históricas, jurídicas e sociais profundamente sensíveis em Timor-Leste.</p>
<p>No centro do conflito estão três partes com interesses distintos sobre a mesma área: a comunidade local, o Estado timorense e a empresa Lita Store Unipessoal Lda.</p>
<p>A comunidade, representada por António Pinto, diz possuir direito legítimo sobre o terreno com base na ocupação histórica. Segundo os moradores, as famílias vivem no local desde o período da ocupação indonésia, mantendo posse contínua da terra ao longo de décadas.</p>
<p>Por outro lado, o Estado argumenta que o terreno integra o património privado estatal. A posição assenta no facto de a área ter pertencido, durante o período indonésio, à empresa PT Wiracipta Senasatria, registada no então Badan Pertanahan Nasional (BPN), atualmente substituído pela Direção Nacional de Terras e Propriedades (DNTP).</p>
<p>Após a restauração da independência, o imóvel teria revertido automaticamente para o Estado timorense, nos termos da Lei n.º 1/2003, de 10 de março, sobre o Regime Jurídico dos Bens Imóveis do Estado.</p>
<p>Entretanto, a empresa Lita Store afirma possuir direito legal sobre a área após adquirir o terreno, em 2010, através de um contrato de compra e venda celebrado com Cesaltina Maria Exposto dos Santos.</p>
<p>A questão tornou-se ainda mais controversa após o caso chegar aos tribunais. Durante o processo judicial movido pela empresa contra a comunidade, representada por António Pinto, as decisões do Tribunal de Primeira Instância e do Tribunal de Recurso apresentaram fundamentos considerados contraditórios pelos moradores e defensores dos direitos fundiários.</p>
<p>O tribunal reconheceu que o terreno pertence ao Estado. Ainda assim, ordenou a entrega da área à empresa privada Lita Store, alegando validade da compra realizada em 2010.</p>
<p>“Se a terra pertence ao património privado do Estado, como pode um contrato privado de compra e venda entre particulares produzir efeitos legais sem que seja anulado pelo próprio Estado?”, questionou o morador Izalde Xavier.</p>
<p>Segundo o residente, a principal dúvida da comunidade prende-se com a aparente contradição entre o reconhecimento do terreno como património estatal e a validade atribuída à compra realizada pela empresa privada.</p>
<p>“Segundo a nossa lei, apenas o Estado pode alienar património estatal. Então, porque é que nunca foi anulado o contrato?”, perguntou.</p>
<p>Izalde Xavier acusou ainda o Estado de favorecer interesses económicos privados em detrimento das famílias pobres que vivem no local há décadas. “Porque é que o Estado não faz contratos de arrendamento com os moradores, de acordo com a lei?”, questionou.</p>
<p>Para a comunidade, o despejo administrativo ignorou a responsabilidade social do Estado perante famílias vulneráveis. “O Estado sabe expulsar e destruir casas, mas esquece a obrigação de garantir um lugar digno para as pessoas viverem”, afirmou o residente.</p>
<p>Enquanto aguardam uma resposta formal do Governo, as famílias continuam à espera de uma decisão escrita do Ministério da Justiça que suspenda definitivamente o despejo administrativo.</p>
<p><strong>Defesa da comunidade denuncia abuso de poder</strong></p>
<p>O defensor da comunidade afetada, Manuel Sarmento, denunciou alegadas irregularidades graves e abuso de poder durante a execução da operação realizada pela Direção Nacional de Terras e Propriedades (DNTP) e pelas forças de segurança.</p>
<p>Segundo o advogado, a forma como o despejo foi executado contradiz diretamente a decisão emitida pelos tribunais, levantando dúvidas sobre a legalidade da ação. “Vejo muitas irregularidades e abuso de poder neste despejo administrativo. A decisão do tribunal dizia uma coisa, mas no terreno aplicaram outra completamente diferente”, afirmou.</p>
<p>Manuel Sarmento revelou ainda ter levado o caso diretamente ao Ministro da Justiça, Sérgio Hornai, que, segundo o defensor, terá orientado verbalmente a suspensão imediata do despejo devido às dúvidas existentes sobre a documentação apresentada. “O ministro disse claramente que o despejo devia parar porque os documentos não estavam corretos”, explicou.</p>
<p>Para o defensor, as autoridades ignoraram tanto o conteúdo da decisão judicial como os procedimentos legais básicos exigidos em casos de despejo.</p>
<p>Segundo Manuel Sarmento, o tribunal limitou a área em disputa a 2.500 metros quadrados, mas a operação acabou por atingir uma área muito maior, incluindo dezenas de habitações da comunidade. “A decisão do tribunal referia-se apenas a 2.500 metros quadrados. Agora vemos casas destruídas muito além dessa área”, criticou.</p>
<p>O advogado considerou igualmente contraditória a posição atual da Direção Nacional de Terras e Propriedades, que classifica o terreno como património privado do Estado, enquanto o tribunal teria reconhecido documentos privados relacionados com a posse da terra.</p>
<p>“O Tribunal decidiu sobre um conflito específico. Agora, surgem novas interpretações administrativas que não correspondem àquilo que foi decidido judicialmente”, afirmou.</p>
<p>O defensor acusou ainda as autoridades de falharem no dever de notificar adequadamente os moradores antes da operação. “Uma notificação não é chegar de madrugada com máquinas e polícia. O Estado devia explicar claramente às pessoas o motivo da ação e procurar entendimento com a comunidade”, disse.</p>
<p>Durante os encontros realizados anteriormente entre representantes do Governo e os moradores, Manuel Sarmento afirmou que nunca houve consenso sobre a saída voluntária das famílias. Segundo o defensor, persistiram divergências profundas entre aquilo que constava da decisão judicial e a forma como a medida foi aplicada na prática.</p>
<p>A principal preocupação da defesa é a perceção de que o Estado esteja a remover famílias pobres para beneficiar interesses privados ligados à empresa Lita Store Unipessoal Lda..</p>
<p>“Se fosse para alargamento da estrada ou uma obra pública, as pessoas talvez compreendessem melhor. Mas aqui a comunidade pergunta: o Estado está a retirar famílias para entregar a terra a uma empresa privada?”, questionou.</p>
<p>Segundo Manuel Sarmento, caso o despejo prossiga, a equipa de defesa pretende apresentar uma queixa formal junto da Procuradoria-Geral da República para investigar possíveis danos, abuso de poder e irregularidades legais ocorridas durante a operação.</p>
<p>“Vamos identificar todas as irregularidades e depois caberá à justiça avaliar responsabilidades. Não podemos simplesmente ficar em silêncio perante tanta destruição”, declarou.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900;">“Talvez não tenhamos dinheiro nem poder, mas temos a lógica, a justiça e a lei do nosso lado”</span></p>
</blockquote>
<p><strong>Rede ba Rai fala em “retrocesso democrático”</strong></p>
<p>O representante da organização Rede ba Rai, Pedrito Vieira, acusou o despejo administrativo realizado em Aimutin de representar um grave retrocesso democrático e uma afronta aos princípios da boa governação em Timor-Leste.</p>
<p>Segundo o ativista, a operação não apenas viola direitos fundamentais das famílias afetadas, como também revela sinais preocupantes de influência de grupos de interesse e alegadas redes mafiosas ligados ao conflito fundiário.</p>
<p>“Este despejo vai contra os princípios da boa governação que o povo timorense lutou para construir. É também uma ação desumana, porque provoca sofrimento a mulheres grávidas, crianças, idosos e famílias inteiras que agora não sabem como continuar a viver”, afirmou.</p>
<p>Pedrito Vieira alegou ainda existirem redes informais de influência ligadas ao setor fundiário, embora sem apresentar documentos públicos que comprovem oficialmente essas acusações. “Há pessoas ainda ligadas ao meio militar que atuam como brokers. São elas que fazem contactos com empresários e pressionam instituições do Estado”, denunciou. O representante da Rede ba Rai afirmou que a organização pretende investigar o caso e apresentar um pedido formal escrito para suspender o despejo administrativo.</p>
<p>“O Governo fala verbalmente sobre cancelar o despejo, mas até agora ninguém viu um documento oficial”, criticou.</p>
<p>Para Pedrito Vieira, a destruição das casas que o Estado estaria a favorecer interesses privados em detrimento dos direitos dos cidadãos mais vulneráveis. “O Governo não pode render-se a grupos mafiosos”, declarou.</p>
<p>Apesar do ambiente de medo e tensão, a Rede ba Rai apelou à resistência pacífica da população afetada. “Talvez não tenhamos dinheiro nem poder, mas temos a lógica, a justiça e a lei do nosso lado”, afirmou.</p>
<p>Pedrito Vieira criticou igualmente o silêncio de vários deputados do Parlamento Nacional, acusando-os de ignorarem o sofrimento da comunidade. “Os deputados levantam apenas assuntos ligados aos seus interesses. Quando o povo sofre, muitos permanecem calados”, lamentou.</p>
<p>Segundo o ativista, se o terreno pertence efetivamente ao Estado, o Governo deveria dar prioridade às famílias que vivem há décadas no local, permitindo-lhes permanecer legalmente através de contratos de arrendamento ou outros mecanismos previstos na lei.</p>
<p>A Rede ba Rai defende que a solução mais justa seria permitir que a comunidade continuasse no local mediante pagamento de taxas ou acordos legais com o Estado, em vez de entregar o terreno a empresas privadas sem ligação histórica à área.</p>
<p>“Se o Governo continuar a ignorar estas situações, práticas injustas como esta vão repetir-se cada vez mais”, afirmou.</p>
<p><strong>Governo defende legalidade da operação</strong></p>
<p>O secretário de Estado das Terras e Propriedades, Jaime Xavier Lopes, defendeu a legalidade do despejo administrativo realizado em Aimutin, afirmando que todo o processo segue a lei e resulta de um conflito fundiário antigo já apreciado pelos tribunais.</p>
<p>Segundo Jaime Lopes, a disputa remonta ao período da ocupação indonésia. O governante revelou ter participado diretamente no levantamento topográfico inicial da área, após um pedido apresentado por uma empresa indonésia interessada em medir cerca de 50 hectares de terreno.</p>
<p>“Na altura, uma parte do terreno já tinha habitações e outra permanecia vazia. Mais tarde surgiram ocupações e começaram os conflitos”, explicou.</p>
<p>De acordo com o secretário de Estado, o terreno é considerado património privado do Estado ao abrigo da Lei n.º 1/2003, referente ao Regime Jurídico dos Bens Imóveis do Estado.</p>
<p>“Esses bens passaram para administração do Estado através da Direção Nacional de Terras e Propriedades”, afirmou.</p>
<p>Jaime Lopes esclareceu que o caso foi analisado tanto no Tribunal de Primeira Instância como no Tribunal de Recurso, e que em ambas as fases o Estado saiu vencedor. “A comunidade perdeu no Tribunal de Primeira Instância e voltou a perder no Tribunal de Recurso. Isso significa que a base legal do Estado está consolidada”, declarou.</p>
<p>Segundo o governante, antes da execução do despejo administrativo foram realizadas várias tentativas de diálogo e negociação com os moradores afetados. Contudo, afirmou que nunca foi possível alcançar um entendimento.</p>
<p>“Houve muitas reuniões, muitos diálogos, mas não conseguimos chegar a uma solução. Por isso, o Ministério da Justiça aprovou a proposta de despejo administrativo e o ministro assinou a autorização para executar a medida”, explicou.</p>
<p>Jaime Lopes fez questão de distinguir o processo atual de uma ação de despejo judicial comum. “O que aconteceu em Aimutin foi um despejo administrativo, não uma evicção. Foi uma ação do Estado para recuperar património estatal”, disse.</p>
<p>Segundo o governante, as famílias receberam notificações com antecedência de 90 dias para abandonarem voluntariamente o local antes da intervenção das autoridades. “O Estado notificou os moradores durante três meses. Como não cumpriram voluntariamente, tivemos de avançar com o despejo administrativo”, afirmou.</p>
<p>O secretário de Estado rejeitou também a versão apresentada por alguns moradores de que a ocupação remonta ao período indonésio. “Durante o tempo da Indonésia, aquele terreno estava vazio. As ocupações começaram depois da independência”, garantiu.</p>
<p>Sobre as críticas relacionadas com o apoio social às famílias afetadas, Jaime Lopes afirmou que o Governo tentou oferecer ajuda humanitária, incluindo apoio financeiro para que as famílias procurassem novas habitações. No entanto, segundo ele, a comunidade recusou cooperar com as autoridades. “O Estado não pode pagar indemnizações, porque as pessoas ocupavam terreno estatal. O que podemos oferecer é ajuda humanitária”, explicou.</p>
<p>Apesar das críticas feitas por organizações da sociedade civil e defensores da comunidade, Jaime Lopes insistiu que Timor-Leste é um Estado de direito democrático e que qualquer cidadão descontente pode recorrer novamente aos tribunais. “Quem não concorda com o despejo pode apresentar nova queixa judicial. Vivemos num Estado de direito”, afirmou.</p>
<p>O governante confirmou ainda que, após a remoção completa das ocupações, o Estado avaliará futuros pedidos de utilização da área, incluindo eventuais contratos de arrendamento. “Primeiro precisamos de deixar o terreno livre. Depois, o Estado avaliará quem poderá usar o espaço legalmente”, explicou.</p>
<p>Jaime Lopes revelou também que o Governo pretende continuar a realizar despejos administrativos noutras áreas consideradas património estatal ocupado ilegalmente, embora sem revelar quais serão os próximos locais. “Há outras notificações já emitidas. Em breve, haverá mais operações”, avisou.</p>
<p>Para o secretário de Estado, “os despejos administrativos servem para ensinar a população a cumprir a lei”, declarou.</p>
<p>O governante sublinhou a importância económica da gestão do património estatal, afirmando que os contratos de arrendamento de terrenos públicos já geraram milhões de dólares em receitas para o Estado timorense.</p>
<p>“Em 2025, arrecadámos mais de cinco milhões de dólares americanos através de arrendamentos. Só no primeiro trimestre de 2026 já ultrapassámos um milhão. Se administrarmos bem os bens do Estado, podemos gerar receitas importantes para o país”, concluiu.</p>
<p>Enquanto o Governo fala em receitas e património estatal, dezenas de famílias continuam a dormir entre escombros, sem saber para onde irão amanhã.</p>
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		<title>BNU leva vencedora do Prémio de Língua Portuguesa a curso de verão em Portugal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 May 2026 01:26:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BNU]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Voz das empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Saudade” foi o tema que levou dezenas de jovens timorenses a escrever sobre infância, família, ausência e futuro. A edição mais participada de sempre do Prémio de Língua Portuguesa terminou com uma viagem a Portugal para a vencedora e com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Saudade” foi o tema que levou dezenas de jovens timorenses a escrever sobre infância, família, ausência e futuro. A edição mais participada de sempre do Prémio de Língua Portuguesa terminou com uma viagem a Portugal para a vencedora e com sinais claros de um interesse crescente pela escrita em português em Timor-Leste.</em></p>
<p>“Tinha saudades de ser a criança do meu pai e da minha mãe.” Foi com esta memória simples e profundamente pessoal que Deniva Guterres Neves Pereira conquistou o primeiro prémio da 12.ª edição do Prémio de Língua Portuguesa, vencendo um curso de verão em Portugal patrocinado pelo BNU Timor. A edição deste ano, dedicada ao tema “Saudade”, foi a mais concorrida de sempre e revelou uma nova geração de jovens timorenses cada vez mais próxima da escrita em português.</p>
<p>O auditório da Fundação Oriente voltou a encher-se na tarde de 7 de maio de 2026. Estudantes, universitários, professores, docentes, funcionários e representantes diplomáticos, incluindo embaixadores, diretores e secretários de Estado de Portugal, marcaram presença na cerimónia de entrega do XII Prémio de Língua Portuguesa.</p>
<p>O Prémio de Língua Portuguesa é uma iniciativa da Fundação Oriente, criada em 2013, que consiste num concurso de escrita criativa em língua portuguesa dirigido a jovens timorenses entre os 18 e os 28 anos. O objetivo é incentivar a aprendizagem e o uso da língua portuguesa entre a juventude.</p>
<p>O anúncio dos vencedores desta 12.ª edição coincidiu com a Semana da Língua Portuguesa, organizada pelas embaixadas de Portugal, do Brasil e de Angola, no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Língua Portuguesa. A edição ganhou ainda maior simbolismo por ocorrer no ano em que se assinalam os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).</p>
<p>Desde o seu lançamento, centenas de jovens participaram no concurso e 22 já foram premiados com cursos de verão de língua e cultura portuguesas. Nesta edição, o Banco Nacional Ultramarino (BNU) Timor, parceiro da iniciativa desde o início, patrocinou integralmente o primeiro prémio: um curso de verão de língua e cultura portuguesas em Portugal.</p>
<p>Os segundo e terceiro prémios foram monetários, no valor de 500 e 300 dólares, respetivamente, patrocinados pela Embaixada de Portugal. Os sete finalistas terão ainda acesso a um curso de escrita criativa, a realizar no dia 23 de maio, orientado pela diretora do Centro de Formação Escolar Abut, Dulce Turquel.</p>
<p><strong>“Saudade” inspira edição mais participada de sempre</strong></p>
<p>Segundo Joana Saraiva, delegada da Fundação Oriente, os prémios são um incentivo importante, mas o crescimento do interesse dos jovens timorenses pela língua portuguesa é já visível.</p>
<p>Referindo-se ao tema desta edição, Joana Saraiva descreveu “saudade” como “uma das palavras mais belas e intraduzíveis da língua portuguesa”. Para a delegada da Fundação Oriente, este crescimento resulta do trabalho conjunto de várias instituições.</p>
<p>Além do BNU, da Embaixada de Portugal e da Abut, a 12.ª edição contou com o apoio do Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura (MESCC) e do Centro de Língua Portuguesa da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), que integraram o júri juntamente com a Abut e a Embaixada de Portugal.</p>
<figure id="attachment_22357" aria-describedby="caption-attachment-22357" style="width: 283px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-22357" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU2-283x377.jpg" alt="" width="283" height="377" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU2-283x377.jpg 283w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU2-675x900.jpg 675w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU2-768x1024.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU2-1152x1536.jpg 1152w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU2.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 283px) 100vw, 283px" /><figcaption id="caption-attachment-22357" class="wp-caption-text">Paulo Lopes, diretor-geral do BNU Timor, durante a sua intervenção/Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p><strong>“Falar português é uma mais-valia”, afirma BNU</strong></p>
<p>Paulo Lopes, diretor-geral do BNU Timor, sublinhou na sua intervenção o papel da literatura como forma de conhecimento e viagem.</p>
<p>Referiu autores como Jorge Amado, Paulo Coelho e Mário de Andrade, associados ao Brasil; José Saramago e António Lobo Antunes, a Portugal; Pepetela, a Angola; e Mia Couto, a Moçambique, destacando a capacidade da literatura de transportar os leitores para diferentes realidades.</p>
<p>O responsável reforçou ainda que “falar em português é uma mais-valia”, por se tratar de uma língua que facilita o acesso ao conhecimento e que é amplamente falada no hemisfério sul, onde se inclui Timor-Leste.</p>
<p>“Continuem a investir no português, a sonhar em português, porque sonhar em português não é a mesma coisa que sonhar noutra língua”, concluiu.</p>
<p>O BNU sublinhou ainda o seu compromisso com a promoção da língua portuguesa em Timor-Leste, defendendo que o investimento neste domínio contribui para o desenvolvimento do país, sobretudo através da qualificação dos recursos humanos.</p>
<p>Segundo o diretor-geral, cerca de 90% dos quadros do banco tiveram uma evolução positiva por ter a língua portuguesa como base da sua aprendizagem e formação.</p>
<p><strong>Cooperação institucional reforça ensino da língua</strong></p>
<p>O embaixador de Portugal em Díli, Duarte Bué Alves, felicitou os participantes e destacou o trabalho do júri, sublinhando a importância da cooperação institucional na promoção da língua portuguesa.</p>
<p>O diretor do Ensino Superior e Ciência do MESCC, Domingos Barros, afirmou que o prémio incentiva os jovens a melhorar o uso do português, bem como a criatividade e o gosto pela leitura e escrita.</p>
<p>“Cada texto submetido representa esforço, dedicação e coragem. Através dos vossos textos, vocês ajudaram também a revelar sentimentos, memórias, histórias e aspetos da cultura timorense”, afirmou.</p>
<figure id="attachment_22358" aria-describedby="caption-attachment-22358" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-22358" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU311-516x332.jpg" alt="" width="516" height="332" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU311-516x332.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU311-900x579.jpg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU311-768x494.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/BNU311.jpg 1331w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-22358" class="wp-caption-text"><br />Uma multidão de jovens e convidados acompanhou com entusiasmo o anúncio dos vencedores /Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p><strong>“Saudade” domina edição com maior número de participantes </strong></p>
<p>O tema “Saudade” esteve no centro das reflexões desta edição, a mais concorrida de sempre.</p>
<p>Joana Saraiva mostrou-se surpreendida com o número de participantes, enquanto o diretor-geral do BNU e o embaixador de Portugal destacaram o caráter profundamente português do tema.  “Há quem diga que não tem paralelo no vocabulário de outras línguas”, afirmou Paulo Lopes.</p>
<p>O diretor do MESCC, Domingos Barros, considerou que a palavra é difícil de traduzir, mas fácil de compreender. “Falamos da ausência, da memória, da ligação familiar, da infância, dos que partiram, mas também da esperança do reencontro.” Para o responsável, a “saudade” está profundamente ligada à identidade timorense.</p>
<p>A presidente do júri, Susana Mendonça, destacou que o aumento de participação não se deve apenas ao tema, mas também ao maior interesse pela escrita. “Sobretudo a perda da vergonha, porque os timorenses, em geral, têm muita vergonha de falar e escrever em português”, afirmou.</p>
<p><strong>Jovens entre ansiedade e conquista</strong></p>
<p>Antes da cerimónia, os jovens concorrentes já se encontravam no auditório da Fundação Oriente. O ambiente era calmo, mas carregado de expectativa. Um dos jovens encontrava-se sentado na última fila, de cabeça baixa, a olhar para uns papéis nas mãos e a mexer nervosamente os pés. Quando foi abordado, reagiu como se tivesse acabado de despertar dos seus pensamentos. Estava ansioso por conhecer os resultados do concurso.</p>
<p>Antes de serem anunciados os vencedores, os sete finalistas foram chamados ao palco para apresentar excertos dos seus contos. O jovem sentado no fundo do auditório também foi chamado.</p>
<p>Os jovens ocuparam as sete cadeiras no palco e, um a um, leram os seus textos. As histórias transportaram o auditório para memórias de infância, ausência e reencontro, despertando emoções e sentimentos de saudade.</p>
<figure id="attachment_22359" aria-describedby="caption-attachment-22359" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-22359" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fixo-516x293.png" alt="" width="516" height="293" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fixo-516x293.png 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fixo-900x511.png 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fixo-768x436.png 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fixo-1536x872.png 1536w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fixo.png 1998w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-22359" class="wp-caption-text">Os sete finalistas pertencem a diferentes estabelecimentos de ensino/Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>Foram então anunciados os três vencedores do XII Prémio de Língua Portuguesa.</p>
<p>A vencedora do primeiro prémio foi Deniva Guterres Neves Pereira, estudante da Universidade Nacional Timor Lorosa’e, com o conto intitulado “De 15 em 15 dias”. O anúncio provocou surpresa na jovem e uma forte salva de palmas no auditório.</p>
<p>“Não esperava ser a vencedora, porque os outros textos também eram excelentes. Quando ouvi o meu nome, fiquei perdida. Senti-me agradecida e honrada por esta excelente oportunidade”, partilhou com entusiasmo.</p>
<p>A obra vencedora contou um momento específico vivido com os pais e que a autora gostaria de reviver. As frases descrevem a vida na aldeia durante a infância, quando partilhava uma mota com os pais e um irmão. Cada saudação e cada gesto simples observados naquele tempo foram recordados e descritos de forma detalhada.</p>
<p>O auditório permaneceu em silêncio, atento à leitura da jovem no palco. A história comoveu os presentes. Houve quem, logo após ouvir o texto, comentasse que aquele deveria ser o vencedor. E acertou.</p>
<p>Deniva Pereira é estudante universitária e tem o hábito de escrever num diário. Regista acontecimentos do quotidiano, sentimentos e pensamentos sob a forma de contos, poesias ou simples textos em tétum, português e inglês. Um dia, percebeu que aquilo que sentia não era apenas uma observação comum, mas uma emoção profunda. “Tinha muitas saudades de ser a criança do meu pai e da minha mãe. Foi por isso que escrevi no meu diário que tinha saudades do tempo em que era criança”, contou a estudante de Direito da UNTL.</p>
<p>Ao rever e enriquecer o texto, Deniva contou com o apoio do pai na reorganização das frases, preservando sempre as ideias originais. Durante esse processo, aprendeu novos vocabulários, organizou melhor as ideias e melhorou a sua capacidade de leitura em português, já que precisava de ler muito para conseguir escrever.</p>
<p>Deniva Pereira acredita que a oportunidade de viajar a Portugal para conhecer a cultura e a língua portuguesas vai contribuir para elevar a sua competência linguística. Acrescentou ainda que continuará a escrever no diário, “uma amiga” que a ajuda a sentir-se mais tranquila e a escrever cada vez mais em português.</p>
<p><strong>Saudades do futuro</strong></p>
<p>Jelia Vicunha Lay Sarmento, estudante da Escola Portuguesa de Díli, conquistou o segundo prémio com a obra “O Regresso”. Confessou que se sentia muito nervosa antes de subir ao palco. “Há tanta gente e esta foi a primeira vez que estive num palco”, partilhou.</p>
<p>Quando ouviu o seu nome anunciado como vencedora do segundo prémio, ficou muito feliz e surpreendida. Jelia soube da existência do concurso apenas seis dias antes do fim do prazo de candidatura.</p>
<p>“Ao ver o tema, pensei logo em escrever sobre a escola. Sobre como será terminar os meus estudos e depois voltar novamente à escola”, contou. Este é o seu último ano e imaginava frequentemente como se sentiria ao concluir os estudos e regressar à escola secundária já bem-sucedida. Era uma espécie de saudade antecipada do futuro.</p>
<p>Com pouco tempo disponível, a jovem encontrou dificuldades em tornar o texto mais sentimental e estruturado, mas conseguiu concluir tudo sozinha e ainda conquistar um prémio. Depois desta experiência, “pretendo ler mais, melhorar a escrita e voltar a concorrer.”</p>
<p>Mouzinho Zeca Morano Xavier, estudante da Universidade Católica Timorense, venceu o terceiro prémio. Foi o jovem que permanecia sentado na última fila, com os pés trémulos e os olhos fixos num papel com o título “A Casa”, mesmo depois de ter sido chamado ao palco para integrar o grupo dos sete finalistas.</p>
<p>“Senti-me um pouco nervoso e não imaginava que pudesse estar entre os sete finalistas”, confessou. Contou que, durante o tempo em que esteve no palco, sentiu uma mistura de ansiedade, medo e outras emoções difíceis de descrever.</p>
<p>Ao ouvir os outros seis participantes lerem os seus textos, acreditou que não conseguiria qualquer prémio, pois considerava todos os trabalhos excelentes. “Depois de ouvir o meu nome, percebi que estava a viver um momento inesquecível da minha vida, da minha vida de estudante. Sou estudante de Literatura e este é o meu primeiro passo.”</p>
<p>Mouzinho demorou uma semana a concluir o texto, passando inclusive uma noite sem dormir. A sua obra, “A Casa”, retrata a experiência de ter deixado o lar para continuar os estudos num colégio. “Tive saudades da minha casa, do lar, dos sentimentos, da família. Quando não temos a nossa mãe e o nosso pai, deixamos de ter um lar.”</p>
<p>O vocabulário e a gramática foram os maiores desafios, mas procurou apoio em livros de gramática e junto dos professores da universidade. O Prémio despertou-lhe ainda mais vontade e iniciativa para continuar a escrever e aprofundar a sua paixão pela literatura.</p>
<p>Entre as 75 obras submetidas, destacaram-se ainda os textos de José Ricardo Fernandes, Juliano Rodrigues Subha, Serafina dos Santos da Silva e William Ronaldinho Ximenes.</p>
<figure id="attachment_22361" aria-describedby="caption-attachment-22361" style="width: 503px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-22361" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fx2-503x377.png" alt="" width="503" height="377" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fx2-503x377.png 503w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fx2-900x675.png 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fx2-768x576.png 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fx2-1536x1152.png 1536w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/05/fx2.png 2048w" sizes="auto, (max-width: 503px) 100vw, 503px" /><figcaption id="caption-attachment-22361" class="wp-caption-text">A iniciativa da Fundação Oriente conta com a parceria do BNU Timor desde 2013/Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p><strong>Melhoria na qualidade da escrita</strong></p>
<p>O júri é composto por cinco elementos: dois representantes do Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura, uma representante do Centro de Língua Portuguesa da Universidade Nacional Timor Lorosa’e, uma representante da Embaixada de Portugal e uma representante do Centro de Conhecimento e Aprendizagem Abut.</p>
<p>Para a presidente do júri, Susana Mendonça, os textos desta edição foram os mais competitivos de sempre devido à elevada qualidade apresentada, o que dificultou o processo de seleção, sobretudo na primeira fase.</p>
<p>“A primeira seleção consiste em eliminar os textos que não cumprem os critérios ou que, numa leitura inicial, percebemos que não têm qualidade. E este foi o primeiro ano em que praticamente não excluímos textos logo na primeira leitura.”</p>
<p>Numa segunda fase, foram selecionados 12 textos. Entre estes, o júri escolheu sete finalistas, que passaram também por uma entrevista. A docente sublinhou que esta fase é fundamental para perceber até que ponto os textos receberam ajuda externa, seja através de inteligência artificial, de professores ou de outras pessoas.</p>
<p>“Não há problema na correção. O problema é que, muitas vezes, quem corrige altera aspetos que pertencem ao autor. As ideias podem deixar de ser do autor. E a fase da entrevista é, de facto, essencial para perceber isso.”</p>
<p>Por esse motivo, acrescentou, “nunca eliminámos textos apenas por conterem erros, porque isso demonstra que o autor escreveu o texto de forma autónoma.” Concluiu ainda que os melhores textos serão publicados.</p>
<p>Além de terem conseguido produzir bons textos, os vencedores e os restantes distinguidos terão agora a oportunidade de melhorar e aprofundar as suas competências de escrita com Dulce Turquel, no curso de escrita criativa que será realizado ainda este mês.</p>
<p>Mais do que um concurso, o Prémio de Língua Portuguesa tornou-se um espaço onde jovens timorenses transformam memórias, medos e sonhos em literatura. Entre a ansiedade do palco, a descoberta da escrita e a possibilidade de viajar até Portugal, a edição deste ano mostrou que a língua portuguesa continua a ganhar novos autores em Timor-Leste.</p>
<p><strong>Conteúdo patrocinado por:</strong></p>
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<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15889 aligncenter" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2024/05/Logo-BNU.jpg" alt="" width="181" height="90" /></p>
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		<title>Indultar um abusador de crianças? O Governo volta a tentar perdoar Richard Daschbach</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 12:09:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pela terceira vez em três anos consecutivos, o nome de Richard Daschbach — ex-padre condenado por abusos sexuais de menores — surge em propostas de indulto enviadas pelo Governo ao Presidente da República. A repetição do caso está a provocar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Pela terceira vez em três anos consecutivos, o nome de Richard Daschbach — ex-padre condenado por abusos sexuais de menores — surge em propostas de indulto enviadas pelo Governo ao Presidente da República. A repetição do caso está a provocar indignação pública, contestação das vítimas e críticas de especialistas e da sociedade civil.</em></p>
<p>O nome de <a href="https://www.diligenteonline.com/possibilidade-de-indulto-a-richard-daschbach-reacende-debate-sobre-perdao-presidencial/">Richard Daschbach voltou a surgir</a>, pela terceira vez em três anos, numa proposta de indulto presidencial enviada pelo Governo ao Presidente da República. <a href="https://www.diligenteonline.com/a-dor-que-nao-prescreve-ex-padre-condenado-por-abuso-sexual-pode-ser-indultado/">É a terceira vez em três anos consecutivos.</a> A decisão reacende indignação, mobilização das vítimas e críticas ao Estado.</p>
<p>E, pela segunda vez, o projeto social Sorrisos de Leste lançou uma <a href="https://www.change.org/p/reativa%C3%A7%C3%A3o-da-peti%C3%A7%C3%A3o-contra-o-indulto-a-richard-daschbach?recruiter=1149043349&amp;recruited_by_id=48278eb0-f650-11ea-a309-492448909ce4&amp;utm_source=share_petition&amp;utm_campaign=petition_dashboard&amp;utm_medium=copylink&amp;share_id=xYGqkNm5r2">petição pública</a> para tentar impedir que o Estado conceda clemência a um homem condenado por abusar sexualmente de menores durante décadas.</p>
<p>O caso está novamente a provocar indignação pública e a levantar uma questão cada vez mais difícil de ignorar: por que motivos continua o nome de Richard Daschbach a regressar aos processos de indulto, apesar da oposição das vítimas, dos alertas de psicólogos, das críticas da sociedade civil e das sucessivas polémicas em torno do caso?</p>
<blockquote><p>“As consequências permanecem profundas e, em muitos casos, irreparáveis”</p></blockquote>
<p><strong>As vítimas falam em “nova violência”</strong></p>
<p>Na terça-feira, quinze vítimas dos abusos sexuais cometidos por Richard Daschbach enviaram uma carta aberta ao Presidente da República, manifestando “firme oposição” a qualquer indulto, comutação de pena ou medida de clemência.</p>
<p>A carta, assinada pelo advogado das vítimas, Olívio Barros Afonso, da <a href="https://www.facebook.com/justimorleste?__cft__%5b0%5d=AZYhBn9VVINwlE-VDINoQPrfIb4KWb3ANgBsbcMRfsdq7mSMVH0RP2hJYhshZ1VOIcotRZAwo0BMbsdA0wbNLFqTatjUikUUnUvyi44TwbSeATjJV12z1BcNMgSjVwDjLz0XvpmzCGQXeI0qomRMl39jP7NVySNGBoAC4mGZx7zrrxH0Pn36EzNAF8WS01TbQZxZLk3Lwz2QgjPUa7iNC0A1&amp;__tn__=-UC%2CP-y-R">JU,S Jurídico Social Consultoria</a>, recorda que os crimes foram praticados “de forma prolongada e sistemática contra meninas em situação de extrema vulnerabilidade”.</p>
<p>“As consequências permanecem profundas e, em muitos casos, irreparáveis”, lê-se no documento.</p>
<p>As vítimas recordam ainda que José Ramos-Horta reuniu pessoalmente com elas no ano passado e ouviu diretamente o impacto que uma eventual libertação antecipada teria sobre a sua segurança emocional e processo de recuperação.</p>
<p>Segundo a carta, Richard Daschbach “nunca demonstrou arrependimento verdadeiro. Nunca assumiu publicamente a gravidade dos seus atos, nunca reconheceu plenamente o sofrimento que causou e nunca pediu perdão às crianças que abusou”, afirmam. Por isso, alertam que qualquer medida de clemência seria vivida “como uma nova violência”.</p>
<p>“As vítimas reconhecem os poderes constitucionais do Presidente da República em matéria de clemência, mas apelam a que, num caso desta gravidade, a humanidade do Estado não recaia apenas sobre quem cometeu o crime, esquecendo aquelas que o sofreram.”</p>
<blockquote><p>“É neste ponto que começa o silêncio das futuras vítimas e o encorajamento aos agressores”</p></blockquote>
<p><strong>“A primeira mensagem que passa é que falar não adianta”: psicólogo alerta para revitimização institucional</strong></p>
<p>O psicólogo Alessandro Boarccaech frisa que um eventual indulto a condenados por crimes de abuso sexual pode ter impactos profundos e duradouros nas vítimas, a nível psicológico e social.</p>
<p>Explica que, para muitas vítimas, “o processo judicial representa o único momento em que a sua dor foi reconhecida”, e que a denúncia, o julgamento e a condenação funcionam como marcos fundamentais de validação da sua experiência. Quando estes marcos são revertidos por uma decisão de clemência, “pode haver uma reativação de sintomas de perturbação pós-traumática”, como pesadelos, memórias intrusivas e sentimentos de vergonha ou culpa.</p>
<p>Boarccaech resume o impacto simbólico da decisão de forma direta: “a liberdade do agressor passa a valer mais do que a dor da vítima”.</p>
<p>O especialista descreve este fenómeno como “revitimização institucional”, que ocorre quando o próprio Estado volta a causar dano a quem já foi vítima. Isso acontece, explica, “quando o sistema falha na proteção ou toma decisões que reabrem feridas já parcialmente cicatrizadas.”</p>
<p>No caso de crimes sexuais contra crianças, sublinha ainda uma mensagem particularmente grave: “a primeira mensagem que passa é que falar não adianta”. Se uma vítima vê o agressor ser condenado e depois libertado, acrescenta, aprende que o sistema “pune a vítima com indiferença e não quem abusa com a prisão”.</p>
<p>Segundo o psicólogo, isto pode contribuir para o silêncio de futuras vítimas e reduzir a denúncia de casos de abuso, sobretudo quando os agressores são figuras de autoridade. “É neste ponto que começa o silêncio das futuras vítimas e o encorajamento aos agressores.”</p>
<p>Boarccaech defende ainda que a reconstrução da confiança no sistema de justiça exige “acompanhamento psicológico, mecanismos institucionais de escuta e respostas sociais consistentes que validem as vítimas.”</p>
<p>Sobre alternativas ao indulto, lembra que existem outros mecanismos legais como a comutação de pena ou medidas humanitárias, mas distingue-os do indulto, que considera ter um peso simbólico mais forte: “não é uma adaptação da pena, é a sua desvalorização simbólica”.</p>
<p><strong>Sociedade civil reage: “Não podemos normalizar estes crimes”</strong></p>
<p>A fundadora do projeto Sorrisos de Leste, Carina Lima, afirma que a sociedade civil tem vindo a assumir um papel de alerta e mobilização face à repetida possibilidade de indulto a Richard Daschbach, sublinhando que o objetivo “não é substituir as vítimas, mas garantir que a sua proteção não seja ignorada pelo Estado.”</p>
<p>Em declarações ao Diligente, a ativista explicou que, quando o nome do ex-padre voltou a surgir em listas de possíveis indultos, <a href="https://www.diligenteonline.com/timorcast-ep-33-peticao-contra-o-possivel-indulto-a-ex-padre-pedofilo/">em 2025, a resposta do grupo passou pela organização de uma petição pública</a>. Segundo disse, tratou-se de uma ação de mobilização cívica e de sensibilização.</p>
<p>“O meu papel foi sobretudo de mobilização cívica e de sensibilização pública”, afirmou, acrescentando que a iniciativa teve como objetivo garantir “uma resposta pública clara de apoio às vítimas e de preocupação por parte da sociedade civil”.</p>
<p>Questionada sobre o que a motivou a intervir novamente, a fundadora do Sorrisos de Leste afirmou que a decisão foi pessoal e ética. “O que me levou a intervir foi algo muito básico: eu, como mulher, gostaria de viver numa sociedade em que me sinto segura”, declarou.</p>
<p>Carina Lima disse ainda que não conseguiu manter o silêncio perante a possibilidade de um condenado por crimes sexuais contra crianças voltar a ser considerado para clemência. “Não conseguia ficar em silêncio perante a possibilidade de alguém condenado por crimes tão graves contra crianças voltar a ser considerado para perdão”, afirmou.</p>
<p>Na sua leitura, o essencial é que a sociedade não normalize este tipo de crimes. “Acho que, como sociedade, temos a obrigação de apoiar e proteger as vítimas, não de normalizar ou relativizar este tipo de crimes”, disse.</p>
<p>Sobre o impacto da petição lançada em 2025, sublinhou que teve um papel importante ao tornar visível a posição de oposição da sociedade civil. “A petição ajudou sobretudo a dar visibilidade a uma posição de apoio às vítimas e de preocupação pública”, referiu.</p>
<p>Perante o facto de o nome de Daschbach continuar a surgir em listas de indulto ano após ano, a ativista manifestou preocupação e indignação. “Volto a interpretar isto com preocupação e indignação”, afirmou.</p>
<p>Para Carina Lima, esta repetição revela fragilidades nos critérios usados nestes processos. “O principal problema parece ser a falta de critérios claros e consistentes nestes processos”, disse, defendendo que essa ausência abre espaço à repetição de situações semelhantes.</p>
<p>Questionada sobre a mensagem transmitida às vítimas, foi direta ao impacto simbólico destas decisões. “A mensagem é difícil de ignorar: acaba por passar a ideia de que estes crimes podem ser relativizados com o tempo”, afirmou.</p>
<p>Carina Lima considera que crimes de abuso sexual de menores devem ser tratados com máxima gravidade e não podem ser colocados repetidamente em discussão no contexto de clemência. “Como mulher, e como cidadã, é difícil aceitar que alguém condenado por crimes desta natureza continue repetidamente a ser considerado para clemência”, afirmou.</p>
<p>Questionada sobre o que deve mudar para evitar a repetição destes casos, Carina Lima defendeu a necessidade de critérios legais mais claros e públicos sobre elegibilidade para indulto em crimes graves.</p>
<p>Contudo, afirmou que a questão vai além da lei. “Também é preciso uma mudança de mentalidade: deixar de minimizar ou normalizar este tipo de crimes”, disse, acrescentando que tal mudança exige “mais consciencialização, responsabilidade e mudanças reais nas instituições e na sociedade”.</p>
<blockquote><p>“Quando o Estado escolhe proteger um predador com poder, isso não é neutralidade, é cumplicidade”</p></blockquote>
<p><strong>“Não traiam o povo”: acusações de proteção institucional ao agressor</strong></p>
<p>A possibilidade de Richard Daschbach voltar a beneficiar de um eventual indulto presidencial motivou também uma carta aberta dirigida ao Presidente da República, assinada pelos grupos feministas timorenses FERA, Rosas Mean e Espaço Buibere, que acusam o Estado de continuar a proteger figuras poderosas em detrimento das vítimas.</p>
<p>Na carta, as organizações apelam diretamente a José Ramos-Horta para rejeitar qualquer medida de clemência ao ex-padre condenado por abusar sexualmente de menores em Oé-Cusse, considerando que um eventual perdão “aprofundará feridas que há muitos anos ainda não cicatrizaram”.</p>
<p>“Conceder indulto ou comutação de pena a um homem já condenado em Tribunal por cometer abuso sexual não é um ato de compaixão; é um ato que fere o povo”, lê-se no documento.</p>
<p>Os grupos feministas questionam ainda aquilo que consideram ser uma lógica de proteção das elites e das figuras influentes, acusando o Estado de ignorar o sofrimento das vítimas enquanto demonstra preocupação com o agressor.</p>
<p>“Há preocupação com um predador já idoso que se encontra na prisão, mas parece não haver a mesma preocupação com as crianças que, ainda muito pequenas, tiveram de sofrer numa prisão invisível aos olhos da sociedade”, afirmam.</p>
<p>A carta vai mais longe e enquadra o possível indulto como um símbolo das desigualdades estruturais e do poder patriarcal em Timor-Leste. “Quando o Estado escolhe proteger um predador com poder, isso não é neutralidade, é cumplicidade”, escrevem.</p>
<p>As organizações sublinham que a decisão de Ramos-Horta ficará marcada na História e colocam a questão em termos morais e políticos: “Todos nós, bem como as futuras gerações, perguntar-nos-emos se um Laureado com o Prémio Nobel da Paz esteve ao lado das vítimas de violência ou se apoiou um predador.”</p>
<p>No final da carta, os grupos deixam um apelo direto ao Chefe de Estado: “Não conceda indulto ao ex-padre Richard Daschbach. Não traia o povo. Não enterre a justiça sob o manto da impunidade.”</p>
<blockquote><p>“Pode gerar a perceção de que crimes sexuais contra menores não são tratados com a gravidade necessária, comprometendo a confiança das vítimas no sistema de justiça e desencorajando denúncias futuras”</p></blockquote>
<p><strong>“Crimes sexuais contra crianças não podem ser tratados como casos ordinários”: FRETILIN alerta para falha grave do Estado</strong></p>
<p>A deputada da FRETILIN, Nurima Ribeiro Alkatiri, defendeu uma posição firme contra a possibilidade de concessão de indulto a condenados por crimes sexuais contra menores, sublinhando que este tipo de casos deve ser tratado com “o máximo rigor e responsabilidade institucional”.</p>
<p>Em resposta ao Diligente, a deputada afirmou de forma inequívoca que “crimes sexuais contra crianças constituem violações gravíssimas dos direitos humanos” e que qualquer decisão deve ter como prioridade “a proteção das vítimas, o respeito pela justiça e a salvaguarda da confiança pública nas instituições”.</p>
<p>Nurima Alkatiri considerou ainda “difícil compreender e justificar” que um indivíduo condenado por este tipo de crimes continue a ser associado a processos de clemência, alertando para o impacto social e ético destas decisões. “É caso para refletirmos sobre que tipo de sociedade queremos quando quem governa continua a tentar reduzir a seriedade deste tipo de crime, e assim acaba por normalizar estes atos como se fossem aceitáveis”, afirmou.</p>
<p>Questionada sobre a repetição destas propostas ao longo dos últimos anos, a deputada sublinhou que o Estado tem a obrigação de garantir que os mecanismos legais não sejam percecionados como uma forma de banalização da violência sexual.</p>
<p>“O Estado e as instituições têm a responsabilidade de assegurar que os mecanismos legais existentes não produzam situações que possam ser percecionadas como banalização da violência sexual contra crianças”, referiu, acrescentando que a recorrência destes casos expõe “a necessidade de maior clareza, coordenação e responsabilidade institucional”.</p>
<p>Para a parlamentar, a repetição da inclusão de nomes ligados a crimes sexuais em listas de indulto representa uma falha grave. “Sim, sem dúvida. A repetição deste tipo de proposta pode ser entendida como uma falha grave de sensibilidade institucional perante as vítimas”, disse, sublinhando que num país onde muitas vítimas ainda vivem em silêncio e estigma, o Estado deve enviar sinais claros de proteção e justiça.</p>
<p>Nurima Alkatiri alertou ainda para o impacto que estas decisões têm na perceção pública da justiça, afirmando que podem comprometer a confiança das vítimas no sistema judicial e desencorajar novas denúncias.</p>
<p>“Pode gerar a perceção de que crimes sexuais contra menores não são tratados com a gravidade necessária, comprometendo a confiança das vítimas no sistema de justiça e desencorajando denúncias futuras”, afirmou.</p>
<p>A deputada reconheceu não ter informação oficial sobre quem, dentro das estruturas do Estado, tem promovido a inclusão repetida deste nome nas listas de indulto, remetendo essa responsabilidade para as entidades competentes.</p>
<p>“Não disponho de informação oficial que permita identificar responsabilidades individuais ou institucionais concretas relativamente à inclusão reiterada deste nome nas listas de indulto”, declarou, defendendo que deve haver transparência total sobre o processo.</p>
<p>Para a deputada da FRETILIN, a recorrência do caso revela fragilidades estruturais no sistema legal e institucional. “Isto revela a necessidade de revisão e harmonização de critérios legais, políticos e institucionais”, afirmou.</p>
<p><a href="https://www.diligenteonline.com/presidente-mantem-indultos-mesmo-depois-de-declaracao-de-inconstitucionalidade-pelo-tribunal/">Nurima Alkatiri recordou que a legislação anterior incluía critérios mais restritivos, que impediam a consideração de determinados crimes, mas que essas salvaguardas foram eliminadas em alterações posteriores.</a> Segundo disse, essa mudança criou um vazio jurídico que hoje permite este tipo de situações.</p>
<p>A parlamentar acrescentou ainda que a bancada da FRETILIN já apresentou uma proposta de revisão da lei, mas que esta “nunca foi agendada para discussão no Parlamento Nacional”, contribuindo para a continuidade do problema.</p>
<p>A deputada concluiu defendendo a necessidade urgente de reforçar os critérios legais para excluir crimes sexuais contra crianças de qualquer processo de indulto.</p>
<p>“É necessário reforçar os critérios legais e institucionais para que seja claro sobre a exclusão de crimes sexuais contra crianças, e outros crimes graves, de processos desta natureza”, afirmou, sublinhando também a importância de maior transparência e centralidade das vítimas nas decisões.</p>
<p>Para Nurima Alkatiri, enquanto este quadro não for corrigido, “continuaremos a assistir a situações que provocam indignação pública e sofrimento adicional às vítimas”.</p>
<p><strong>Governo insiste em “compaixão” para reclusos idosos, apesar de críticas de vítimas e sociedade civil</strong></p>
<p>Apesar da crescente contestação pública, o Ministério da Justiça voltou a defender a inclusão de Richard Daschbach nas listas de possíveis beneficiários de indulto ou comutação de pena, invocando critérios humanitários, idade avançada e bom comportamento prisional.</p>
<p>Segundo o ministro da Justiça, o Governo já apresentou anteriormente propostas semelhantes e continua a considerar dezenas de reclusos para eventuais medidas de clemência presidencial.</p>
<p>“Anteriormente, já fizemos uma proposta que envolvia cerca de 40 e tal pessoas. Já apresentámos essa situação, que inclui duas possibilidades: uma relacionada com indulto e outra com comutação de pena”, afirmou.</p>
<p>O governante explicou que os nomes continuam a ser avaliados com base em propostas apresentadas pelos próprios reclusos, pelas famílias, representantes legais e até corpos diplomáticos, no caso de cidadãos estrangeiros.</p>
<p>O Ministério da Justiça sublinha que pretende “dar mais oportunidades” aos reclusos da prisão de Gleno e considera que alguns merecem beneficiar de redução de pena por terem demonstrado bom comportamento e mudanças de conduta.</p>
<p>“Há uma diversidade de pessoas que, do ponto de vista dos serviços prisionais, merecem beneficiar de redução de pena, sobretudo porque demonstraram bom comportamento, colaboraram bem e revelaram mudanças positivas de conduta”, afirmou o ministro, acrescentando que muitos dos reclusos têm idade avançada.</p>
<p>O governante insistiu também numa lógica de “compaixão e humanidade”, defendendo que Timor-Leste não prevê prisão perpétua e que pessoas idosas devem ter a possibilidade de passar os últimos anos junto das famílias.</p>
<p>“Como sabem, em Timor-Leste não existe pena perpétua. Por isso, é importante fazermos este exercício com um sentido de compaixão e humanidade”, declarou.</p>
<p>Embora tenha sublinhado que a decisão final cabe exclusivamente ao Presidente da República, o ministro confirmou que os serviços prisionais e o próprio Ministério da Justiça já fizeram avaliações favoráveis relativamente a vários nomes incluídos nas listas.</p>
<p>“Os serviços prisionais já fizeram igualmente a sua avaliação, porque existe uma lei de execução das penas que atribui competências às prisões e ao Ministério da Justiça para tratarem destas questões”, explicou.</p>
<p>Sem mencionar diretamente Richard Daschbach em vários momentos da declaração, o ministro admitiu, contudo, que a idade avançada do ex-padre condenado também pesa na análise feita pelo Executivo. “Como disseram, ele já tem idade avançada e tudo isso entra na avaliação”, afirmou.</p>
<blockquote><p>“Lamento profundamente que exista uma proposta para indultar o ex-padre, condenado por cometer crimes hediondos, pedofilia e pornografia infantil”</p></blockquote>
<p><strong>Presidente: decisão ainda em aberto</strong></p>
<p>O Presidente da República, José Ramos-Horta, afirmou que ainda não analisou formalmente a proposta de indulto enviada pelo Governo, sublinhando que o processo se encontra em fase de ponderação.</p>
<p>“Ainda não vi essa proposta de mandato do Governo, ainda não vi”, disse, acrescentando que irá avaliar o documento e “falar com o Primeiro-Ministro” antes de tomar qualquer decisão.</p>
<p>Ramos-Horta explicou que pretende analisar cada situação de forma individual, considerando o tipo de crime, o tempo de cumprimento da pena e eventuais fundamentos humanitários. “Tenho de analisar cada caso individualmente: há quantos anos estão presos, qual foi o crime, se existe alguma base humanitária ou não”, afirmou.</p>
<p>O Chefe de Estado referiu ainda que o processo envolve consulta política e institucional, incluindo o Governo, mas também outros setores da sociedade. “Depois vou consultar e falar com o Primeiro-Ministro”, disse, acrescentando que ainda não conhece a posição do chefe do Executivo sobre o caso.</p>
<p>O Presidente sublinhou que decisões desta natureza exigem ponderação alargada e escuta de diferentes vozes. “Não podemos tomar uma decisão sozinhos, mesmo que a proposta venha do Governo. É preciso ponderar tudo, todos os aspetos”, afirmou, indicando que pretende ouvir a sociedade civil, a Igreja e representantes religiosos.</p>
<p>“Vivemos numa democracia: não devemos ouvir apenas o Governo ou apenas o Parlamento. A sociedade civil também tem a sua opinião. A Igreja também deve ser ouvida; quero igualmente ouvir a opinião do Cardeal ou dos Bispos”, disse.</p>
<p>O Presidente acrescentou ainda que as vítimas também serão consideradas no processo de decisão. “Claro, também importa saber se as vítimas concordam ou não, se aceitam ou não”, afirmou.</p>
<p>No mesmo conjunto de declarações, Ramos-Horta fez referência a um caso anterior de concessão de indulto, comparando situações distintas no âmbito da sua avaliação humanitária. Recordou o indulto concedido a uma mulher condenada por homicídio que se encontrava na prisão de Gleno com o seu filho.</p>
<p>“Como aconteceu há alguns meses com o indulto concedido a uma mãe que estava presa em Gleno com o seu filho. Embora o crime fosse grave, homicídio, preocupei-me mais com essa senhora e, sobretudo, com a criança, e por isso foi concedido o indulto”, afirmou.</p>
<p>Recorde-se que Richard Daschbach foi condenado em 2021 por abusar sexualmente de menores no orfanato Topu Honis, em Oé-Cusse. As penas aplicadas totalizavam mais de 37 anos de prisão, mas o cúmulo jurídico fixou uma pena única de 12 anos.</p>
<p>O Vaticano expulsou-o do sacerdócio após este ter confessado os abusos. Apesar disso, o ex-padre continuou a beneficiar de apoio público de figuras influentes do poder político timorense.</p>
<p>Em 2023, o Primeiro-Ministro, <a href="https://www.diligenteonline.com/xanana-visita-na-prisao-ex-padre-condenado-por-abuso-de-menores/">Xanana Gusmão, visitou Daschbach na prisão de Becora no dia do seu aniversário. A divulgação das fotografias gerou forte indignação pública</a>.</p>
<p>Contactado pelo Diligente a propósito deste terceiro pedido de indulto, o Provedor dos Direitos Humanos e Justiça, Virgílio Guterres, manifestou discordância relativamente a qualquer iniciativa de indultar prisioneiros condenados por crimes de pedofilia, defendendo que tais casos devem ser tratados com especial rigor institucional.</p>
<p>“Lamento profundamente que exista uma proposta para indultar o ex-padre, condenado por cometer crimes hediondos, pedofilia e pornografia infantil”, sublinhando ainda que a natureza dos crimes exige uma resposta firme do Estado.</p>
<p>Virgílio Guterres apelou ao Presidente da República para que desconsidere esta proposta, de forma a não ferir a dignidade das vítimas. Na sua posição, “indultar um pedófilo é insultar as vítimas”, reforçou.</p>
<p>O Diligente tentou obter uma reação da Igreja Católica, tendo-se deslocado à Conferência Episcopal Timorense, mas os responsáveis encontravam-se em reunião, não tendo sido possível obter declarações até ao fecho desta edição.</p>
<p>Enquanto José Ramos-Horta pondera a decisão final, cresce a pressão pública sobre o Governo para explicar por que motivos continuam a propor o nome de Richard Daschbach para indulto presidencial.</p>
<p>Mais do que uma decisão legal, trata-se de um teste à forma como o Estado protege, ou falha em proteger, as suas vítimas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/indultar-um-abusador-de-criancas-o-governo-volta-a-tentar-perdoar-richard-daschbach/">Indultar um abusador de crianças? O Governo volta a tentar perdoar Richard Daschbach</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Manual de como vencer uma eleição – e por que isso deveria preocupar-nos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 10:32:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Para Compreender]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para vencer uma eleição não bastam boas propostas. É preciso convencer, e para isso existem métodos. Se pretende candidatar-se a algum cargo eletivo – desde chefe de suco a presidente da República – a primeira regra é simples: não tenha [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Para vencer uma eleição não bastam boas propostas. É preciso convencer, e para isso existem métodos.</p>
<p>Se pretende candidatar-se a algum cargo eletivo – desde chefe de suco a presidente da República – a primeira regra é simples: não tenha pressa. Não anuncie a candidatura cedo demais. Pelo contrário, negue-a. Diga que ainda não pensou nisso, ou que esta decisão não depende de si.</p>
<p>Aproximadamente um ano antes das eleições, comece a aparecer. Nos meios de comunicação, em cerimónias públicas, visite sucos e aldeias, fale com as pessoas na rua e garanta que tudo seja registado. Não como candidato, mas como cidadão preocupado. Alguém que observa, que escuta, que se indigna com o estado das coisas.</p>
<p>Quando o nome já circular naturalmente, anuncie, mas não como ambição. Apresente a candidatura como um sacrifício. O povo pediu. A situação exige. E você, relutantemente, aceitou a missão.</p>
<p>Em alternativa, lance primeiro outro nome para testar reações, medir o terreno e desgastar os adversários. Quando chegar a hora, apresente-se como a solução que faltava.</p>
<p>Vivemos tempos em que a pós-verdade, a sobrecarga de conteúdo e a deterioração do pensamento crítico (<em>brain rot</em>) – causada pelo consumo repetido de material pouco estimulante na internet – condicionam a maneira como pensamos e tornam as opiniões mais importantes do que os factos. Não é uma falha do sistema. É, para muitos, o próprio sistema a funcionar.</p>
<p>Quem controla o discurso público está em vantagem – independentemente do currículo, da experiência e até da competência. Esse controlo passa pelos meios de comunicação: rádio, televisão, imprensa escrita e, sobretudo, algoritmos e <em>feeds</em>.</p>
<p>Para ajudar os futuros candidatos, segue um pequeno manual de como vencer eleições. São 22 estratégias comuns em campanhas políticas. Não existe uma ordem obrigatória. Mas quanto mais destas estratégias usar, maiores serão as suas hipóteses de vitória.</p>
<p><strong>Como moldar a perceção do eleitor</strong></p>
<p><strong>Apelo às emoções</strong>: campanhas eficazes começam por sentimentos, não por argumentos. Estimule o medo, a raiva, a esperança, a indignação. Emoções encurtam o caminho entre a mensagem e a decisão, deixando pouco espaço para análise. Mais do que substituir a razão, as emoções moldam a forma como o eleitor interpreta os factos.</p>
<p><strong>Urgência permanente</strong>: tudo é crise, tudo é decisivo, tudo tem de ser resolvido agora. Quando o eleitor vive em estado de alerta permanente, não tem tempo para comparar, verificar ou duvidar. E é exatamente aí que o candidato se apresenta como a única saída possível. A urgência não precisa de ser real. Precisa apenas de parecer inevitável.</p>
<p><strong>Repetição e familiaridade</strong>: uma afirmação dita muitas vezes ganha aparência de verdade, e o efeito é ainda mais forte quando o tema é difícil de verificar. Quanto menos o eleitor consegue confirmar por si próprio, mais depende do que ouviu com maior frequência. A repetição não funciona pela qualidade do argumento. Funciona porque o cérebro confunde familiaridade com verdade.</p>
<p><strong>Saturação informativa</strong>: inunde o espaço público com discursos, vídeos, declarações e polémicas. O objetivo não é informar, mas esgotar. Quando há demasiado para acompanhar, o eleitor desiste de comparar e verificar, e aceita a versão que lhe exige menor esforço. A confusão, neste contexto, não é um efeito secundário. É o produto final.</p>
<p><strong>Simplificação excessiva</strong>: perante questões complexas – economia, saúde, educação etc. – não tente explicar. Fale pouco, prometa muito e apresente soluções simplistas. Mostre preocupação, reconheça que o assunto é sério e diga que tem uma equipa a trabalhar nisso.</p>
<p><strong>Exploração de vieses cognitivos</strong>: o eleitor não processa informação de forma neutra. E uma boa campanha sabe isso melhor do que ele. Tendemos a valorizar o que confirma o que já acreditamos, a confiar mais na primeira impressão, e a sobrestimar acontecimentos recentes ou marcantes. Uma campanha eficaz não tenta mudar estas tendências, mas entrega o que os eleitores querem ouvir.</p>
<p><strong>Personalização da mensagem</strong>: com dados e algoritmos, campanhas ajustam mensagens a públicos específicos. Diferentes eleitores recebem versões editadas do mesmo candidato, sem saber que estão a ver apenas uma parte da campanha. Não é preciso criar novas opiniões. Basta reforçar as que já existem, com a mensagem certa, para a pessoa certa e no momento certo.</p>
<p><strong>Como construir a narrativa pública </strong></p>
<p><strong>Narrativas pessoais</strong>: um caso concreto, com rosto, nome e emoção, tem um poder que os números raramente alcançam – e cria identificação imediata. Uma família que luta para manter as suas terras, um professor sem recursos, um jovem sem emprego – qualquer pessoa comum pode tornar-se num símbolo da campanha. Os candidatos também podem construir as suas próprias biografias: a infância difícil, os obstáculos superados, as perseguições e tragédias enfrentadas. Estas histórias não precisam de ser falsas – basta escolher o que se conta, o que se exagera e o que se omite.</p>
<p><strong>Força como espetáculo</strong>: a coragem, quando usada como instrumento político, raramente tem a ver com bravura – tem a ver com encenação. Falar alto, não recuar, manter uma postura de confronto permanente não são sinais de liderança sólida. São sinais de que o “eleitor-audiência” responde bem ao espetáculo. As pessoas querem estar do lado vencedor, do mais forte. O candidato que nunca vacila não precisa de ser forte. Precisa de parecer.</p>
<p><strong>Ambiguidade estratégica</strong>: mensagens vagas permitem múltiplas interpretações. E é precisamente essa ambiguidade que as torna eficazes. Um candidato consegue falar para públicos diferentes, cada um entendendo a proposta à sua maneira. A promessa parece clara, mas quando se tenta aprofundar dissolve-se em generalidades. Cada eleitor ouve o que quer ouvir.</p>
<p><strong>Enquadramento e controlo do discurso</strong>: a forma como um tema é apresentado pode ser tão decisiva quanto o seu conteúdo. A mesma medida económica pode ser “corte nos serviços públicos” ou “melhor uso do orçamento”, conforme quem fala e para quem. Pequenas escolhas de palavras destacam certos aspetos, ocultam outros, e determinam o terreno em que o debate acontece. Quem controla a narrativa controla o que as pessoas pensam estar a discutir.</p>
<p><strong>Humor e ironia</strong>: mensagens políticas disfarçadas de humor – memes, piadas, sátiras, cortes engraçados nas redes sociais – circulam com muito menos atrito do que uma declaração direta. O riso desarma a resistência crítica e, enquanto diverte, molda perceções e instala ideias sem que nos apercebamos. E quando alguém tenta contestar, pode sempre dizer-se que não percebeu a piada.</p>
<p><strong>Adaptação do vocabulário ao público</strong>: usar expressões do quotidiano e provérbios locais não é espontaneidade – é preparação. O vocabulário muda conforme a audiência e o lugar: numa aldeia fala-se de uma forma, numa universidade de outra, numa cerimónia tradicional de outra ainda. O eleitor que ouve alguém falar como ele tende a confiar mais nessa pessoa. A proximidade linguística calculada cria a ilusão de proximidade real.</p>
<p><strong>Desacreditar o adversário</strong>: em vez de confrontar propostas com argumentos, ataque a credibilidade do oponente – o seu caráter, as suas intenções, o seu passado. Negue ou ignore as evidências incómodas sobre si próprio. Se alguém acusar – mesmo que tenha provas – diga que é mentira, perseguição, e acuse o acusador de fazer o mesmo ou pior. O objetivo não é provar inocência, mas garantir que a audiência já não sabe em quem acreditar.</p>
<p><strong>Como estruturar e usar o poder político </strong></p>
<p><strong>Construção do “nós” contra “eles”</strong>: dividir o mundo em dois campos opostos é uma das estratégias mais antigas – e continua a funcionar. De um lado, “o povo”; do outro, “as elites”, “os corruptos”, os que nos querem mal. Esta divisão cria pertença, reforça lealdades e transforma qualquer crítica numa forma de traição.</p>
<p><strong>Promessa de novidade e rutura com o sistema</strong>: mesmo quem já é político profissional há muitos anos apresenta-se como novo, como rutura, como alternativa ao sistema. A trajetória passada torna-se irrelevante. Não importa o que não foi feito nas oportunidades que teve, o que conta é a promessa do que ainda não aconteceu. É uma estratégia confortável: o futuro não pode ser verificado.</p>
<p><strong>Autoridade e validação simbólica</strong>: o apoio de figuras reconhecidas – celebridades, especialistas, líderes religiosos e tradicionais – vale mais do que qualquer argumento. O público não avalia o conteúdo da mensagem: transfere para o candidato a confiança e o respeito que já sente por quem fala por ele. Quanto maior a autoridade moral dessa figura aos olhos da comunidade, menos o eleitor sente necessidade de pensar por si próprio. O mesmo princípio aplica-se ao próprio candidato: diplomas, títulos e antigos feitos constroem uma imagem de competência – mesmo que não tenham relação direta com o cargo disputado – que poucos eleitores lembram ou têm tempo para verificar.</p>
<p><strong>Apropriação de valores e identidade cultural</strong>: roupas tradicionais, gestos rituais, referências à <em>Lisan</em> e à fé religiosa enviam uma mensagem ao eleitor antes de qualquer discurso: “sou um de vocês”. Campanhas vitoriosas associam-se a valores consensuais – justiça, fé, tradição – que dificilmente geram oposição. Ao apresentar-se como guardião da cultura e da identidade coletiva, o candidato substitui o debate de ideias pela disputa de quem representa melhor a memória e os costumes do povo.</p>
<p><strong>Alianças de conveniência e neutralização de rivais</strong>: alia-se a partidos e antigos adversários, desde que o objetivo comum seja vencer. Lideranças jovens ou incómodas são afastadas, desqualificadas ou absorvidas para posições de dependência antes de se tornarem uma ameaça. Se necessário, compra-se a lealdade e o silêncio. O resultado é uma estrutura que parece unida em torno de um objetivo comum, mas é apenas mantida por algo mais eficaz: o interesse e o medo.</p>
<p><strong>Controlo da agenda e criação de escândalos</strong>: campanhas bem-sucedidas definem quais temas ocupam o espaço público. Quando necessário, criam-se polémicas e denúncias que desviam a atenção. Esta estratégia também força o adversário a reagir e a explicar-se – retirando-lhe tempo, energia e iniciativa. Quem define o que se discute controla a campanha.</p>
<p><strong>O inimigo permanente</strong>: toda a campanha precisa de um adversário. E um projeto de poder precisa que esse adversário nunca desapareça. Se não há inimigos, crie-os. O alvo pode mudar: hoje é a imprensa, amanhã é um juiz, depois é um grupo político ou religioso. O que não muda é a presença constante de um inimigo. As pessoas unem-se muito mais facilmente contra algo do que a favor de algo.</p>
<p><strong>Clientelismo e uso da máquina do Estado</strong>: quem governa tem uma vantagem sobre os adversários: o acesso ao dinheiro público e à estrutura do Estado. Distribuem-se contratos, entregam-se “presentes”, ampliam-se programas sociais, inauguram-se obras – e não esqueça de registar tudo. O que importa é que, durante a campanha, as pessoas sintam que algo está a mudar e que apoiar o candidato certo pode traduzir-se em vantagens concretas. A diferença para uma política social legítima está no momento, no destinatário e na condição implícita de lealdade.</p>
<p>As campanhas não acontecem de forma aleatória. Por detrás de cada estratégia existe uma estrutura: sistemas eleitorais que favorecem quem já tem poder, regras de financiamento que determinam quem pode competir, e dinheiro que define o alcance da mensagem e a duração da presença pública.</p>
<p>Antes de qualquer discurso ou meme, um candidato precisa de financiadores. E financiadores têm interesses que nem sempre coincidem com os do eleitor comum.</p>
<p>Reconhecer as estratégias é o primeiro passo. O segundo é perceber quem paga por elas – e o que espera ganhar em troca. O resto depende de cada eleitor.</p>
<p>E, talvez, este manual possa ajudar-nos a não nos deixarmos enganar. Ou, pelo menos, a fingir que não vimos o truque.</p>
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