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	<title>DILIGENTE</title>
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	<title>DILIGENTE</title>
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		<title>Governo adjudica 168,8 milhões à ETO e gera críticas de falta de transparência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 10:50:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Governo de Timor-Leste aprovou uma adjudicação direta de 168,8 milhões de dólares à empresa ETO para a criação de uma reserva estratégica de combustível. A decisão, que envolve a importação de 80 milhões de litros de gasóleo, é criticada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Governo de Timor-Leste aprovou uma adjudicação direta de 168,8 milhões de dólares à empresa ETO para a criação de uma reserva estratégica de combustível.<br />
A decisão, que envolve a importação de 80 milhões de litros de gasóleo, é criticada pela La’o Hamutuk, que aponta falta de transparência e risco de nepotismo.</em></p>
<p>O Governo de Timor-Leste confirmou que a empresa Esperança Timor Oan (ETO) foi a entidade selecionada para a implementação da reserva estratégica de combustíveis, no âmbito de uma adjudicação direta no valor de 168,8 milhões de dólares, destinada à importação de 80 milhões de litros de gasóleo. A medida visa, segundo o Executivo, garantir o abastecimento e estabilizar o mercado interno até ao final do ano.</p>
<p>O ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Francisco Monteiro, explicou que a decisão foi aprovada em Conselho de Ministros e enquadrada na estratégia de criação de reservas nacionais.</p>
<p>“O fornecedor principal é a empresa ETO, que atualmente consegue assegurar uma grande parcela do fornecimento, porque há capacidade de armazenamento para guardar o combustível”, afirmou o governante, acrescentando que o objetivo é assegurar estabilidade de preços e abastecimento regular.</p>
<p>O ministro sublinhou ainda que o Governo está a trabalhar com a Timor Gap e parceiros regionais “para diversificar fontes de abastecimento e reforçar a segurança energética do país.” Segundo Francisco Monteiro, está igualmente prevista a chegada de um navio com combustível que funcionará como armazenamento flutuante temporário.</p>
<p>Sobre a questão dos preços, o governante reiterou que o decreto em vigor fixa limites máximos de 1,50 dólares por litro para a gasolina e 1,65 dólares para o gasóleo, salientando que os valores podem baixar em função do mercado internacional, mas não ultrapassar os tetos definidos.</p>
<p><strong>La’o Hamutuk critica adjudicação direta e pede maior transparência</strong></p>
<p>A organização não governamental La’o Hamutuk critica o recurso à adjudicação direta, alertando para riscos de falta de transparência e de boa governação na gestão do setor dos combustíveis. A investigadora afirmou que a empresa pertence ao sobrinho do Primeiro-ministro, o que, segundo a organização, “levanta preocupações de nepotismo e familiarismo.”</p>
<p>“A La’o Hamutuk não aceita esta forma de adjudicação. Este assunto não é tão urgente, uma vez que o Governo já sabia anteriormente que o conflito no Médio Oriente tinha ocorrido, mas não tomou medidas atempadamente. Este tipo de decisão não constitui boa governação. Pelo menos, deveria ter sido aberto um concurso público durante um mês, para que outras empresas pudessem concorrer”, afirmou.</p>
<p>Relativamente ao subsídio para a estabilização dos preços dos combustíveis, a investigadora referiu que ainda não é claro se os fundos provêm da dotação do Governo ou do fundo de contingência de 5% previsto no Orçamento Geral do Estado de 2026. “Não está claro em que rubrica orçamental será enquadrado; isso deve ser esclarecido pelo Ministério das Finanças”, salientou.</p>
<p>Sobre o assunto, o Diligente confrontou a ministra das Finanças, Santina Viegas Cardoso, após a reunião do Conselho de Ministros, na quarta-feira (14.04), mas a governante respondeu: “estamos a preparar”, sem dar mais informações.</p>
<p>A investigadora afirmou que decisões desta natureza devem ser cuidadosamente avaliadas, de modo a garantir “a sustentabilidade financeira e a eficácia das políticas públicas”.</p>
<p>Marta da Silva também criticou a atuação da empresa pública Timor Gap, por não garantir o abastecimento de combustíveis. “Como sabemos, devido à inexistência de uma refinaria e de capacidade de armazenamento a longo prazo, na prática, recentemente é a empresa privada ETO que tem assegurado o fornecimento de combustíveis por períodos de três a quatro meses”, afirmou.</p>
<p>Segundo a investigadora Marta da Silva, existem duas abordagens principais para enfrentar a atual situação: a redução do consumo ou o aumento do orçamento para responder aos problemas existentes. Ainda assim, defende que o país deve apostar em soluções mais estratégicas. “Mas não concordamos com o recurso ao orçamento retificativo, porque aumenta as despesas públicas”, afirmou.</p>
<p>Nesse sentido, sublinhou que Timor-Leste deve tirar maior partido da sua posição como membro da ASEAN para reduzir a dependência externa. Atualmente, o país importa combustíveis de países como a Indonésia, Malásia, Singapura e Austrália, que também dependem de importações, o que significa que Timor-Leste não compra diretamente aos produtores de origem.</p>
<p>“Isto faz com que o país esteja sempre exposto a qualquer crise internacional. Sempre que há um problema externo, Timor-Leste sofre um impacto significativo”, alertou.</p>
<p>Marta acrescentou ainda que, além dos combustíveis, o país também importa adubos químicos de outros países, que dependem desses produtos para as suas atividades agrícolas. “Isso também tem impacto para Timor-Leste, porque compramos arroz à Tailândia, às Filipinas, ao Vietname e à Índia. Se esses países forem afetados, automaticamente nós também, porque não produzimos os nossos próprios alimentos no nosso território”, disse.</p>
<p>Segundo a La’o Hamutuk, a escassez de combustível está também a afetar os agricultores nas zonas rurais, uma vez que equipamentos essenciais, como máquinas de cultivo e de descasque de arroz, dependem de gasóleo. “Um exemplo concreto: a minha mãe veio recentemente a Díli apenas para comprar gasolina para descascar o arroz”, afirmou Marta da Silva.</p>
<p>A investigadora afirmou que a La’o Hamutuk e outras organizações já recomendaram há muito tempo ao Governo que aposte nas energias renováveis e no setor agrícola. “Mas isso não acontece até ao momento; depois de surgir uma situação, o Governo recorre a medidas curtas e urgentes, como a adjudicação direta”, destacou.</p>
<p>Confrontado com as críticas da La’o Hamutuk relativas à adjudicação direta à ETO, Francisco Monteiro disse aos jornalistas para voltarem a contactar a organização. “O Governo já fez a sua parte, agora vão perguntar à La’o Hamutuk”, respondeu, sem prestar mais esclarecimentos.</p>
<p><strong>Postos de abastecimento confirmam compra através da ETO e seguem preços regulados pelo Governo</strong></p>
<p>No terreno, proprietários e gestores de postos de abastecimento confirmam que continuam a adquirir combustível através da ETO e a aplicar os preços definidos pelo Governo.</p>
<p>O gerente do posto de abastecimento Belak Fuel Station, Cosme Freitas, explicou que os preços praticados seguem os limites oficiais. “Até final de março, vendíamos a 1,21 dólares por litro de gasolina e 1,36 para o gasóleo. Depois da entrada da resolução, a 1 de abril, passámos a aplicar os preços máximos definidos”, afirmou.</p>
<p>O responsável acrescentou que os postos operam com base nas reservas disponíveis e na capacidade de armazenamento. “Vendemos apenas a reserva disponível. Quando o stock anterior termina, trabalhamos com novos fornecimentos, devido à limitação de espaço”, explicou.</p>
<p>Cosme Freitas referiu ainda que os preços dependem do mercado internacional e dos custos impostos pelos fornecedores. “Se houver aumento por parte dos fornecedores, também ajustamos os preços. Se houver redução, os preços também descem”, disse.</p>
<p>Também o gerente da 99 Petrol Station, Adelino Gonzaga, confirmou que a empresa continua a adquirir combustível através da ETO e a respeitar os limites fixados. “Os preços atualmente praticados são de 1,49 dólares por litro para a gasolina e 1,65 para o gasóleo”, afirmou.</p>
<p>O responsável sublinhou que os postos recebem orientações da Autoridade Nacional do Petróleo (ANP) para não ultrapassar os tetos estabelecidos. “Recebemos comunicação clara de que não podemos ultrapassar os preços fixados pelo Governo”, acrescentou.</p>
<p>O responsável da ETO não prestou declarações até ao fecho desta edição.</p>
<p>Timor-Leste continua dependente de importações de combustíveis provenientes de países como Indonésia, Malásia, Singapura e Austrália, o que o torna vulnerável a flutuações do mercado internacional.</p>
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		<title>Reconciliação, Estado e futuro: a visão de Joaquim ‘Russo’ da Fonseca para Timor-Leste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 11:53:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num momento em que Timor-Leste continua a enfrentar desafios de coesão social, confiança nas instituições e consolidação democrática, Joaquim “Russo” da Fonseca defende que o futuro do país depende de uma combinação entre reconciliação nacional, meritocracia e reforço do papel [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Num momento em que Timor-Leste continua a enfrentar desafios de coesão social, confiança nas instituições e consolidação democrática, Joaquim “Russo” da Fonseca defende que o futuro do país depende de uma combinação entre reconciliação nacional, meritocracia e reforço do papel mediador das instituições do Estado.</em></p>
<p>Timor-Leste continua a confrontar-se com um desafio central da sua construção democrática: transformar a independência política em coesão social efetiva e confiança sólida nas instituições do Estado. Apesar dos avanços institucionais, persistem debates profundos sobre inclusão, justiça social, meritocracia e o papel dos líderes na consolidação da unidade nacional.</p>
<p>É neste contexto que Joaquim “Russo” da Fonseca partilha a sua leitura sobre o país e os seus desafios. Com experiência em processos de mediação de conflitos, envolvimento em negociações internacionais sobre soberania e fronteira,  participação em iniciativas de reconciliação em contextos pós-conflito, a sua trajetória é frequentemente associada a temas como diálogo, estabilidade e construção de pontes institucionais e sociais.</p>
<p>Em janeiro de 2026, o percurso de Joaquim “Russo” da Fonseca ganhou maior visibilidade internacional ao liderar uma Comissão da Verdade e Reconciliação nas Fiji, reforçando o seu perfil como mediador em contextos de pós-conflito e promotor de diálogo entre comunidades.</p>
<p>Nesta conversa, Joaquim “Russo” da Fonseca partilha a sua visão sobre o papel do Presidente da República, os desafios da inclusão social, a necessidade de meritocracia nas instituições do Estado e o futuro de Timor-Leste nas próximas décadas.</p>
<p>Mais do que respostas fechadas, esta entrevista traça uma reflexão estruturante sobre as tensões que ainda atravessam o processo de desenvolvimento do país, entre unidade e divisão, discurso e prática, ambição e realidade institucional.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900;">“Como timorense, quero seguir um caminho, ainda que modesto, para projetar a imagem de Timor-Leste no exterior e demonstrar que o país também tem capacidade de contribuir para a paz noutros contextos”</span></p>
</blockquote>
<p><strong>O que o motivou a aceitar a liderança da Comissão de Verdade e Reconciliação nas Fiji? Quais eram as condições políticas que justificavam a sua intervenção no país?</strong></p>
<p>Quando recebi o convite do Governo das Fiji, considerei se teria capacidade para desempenhar essa função. Após alguma reflexão, entendi que deveria avançar e aceitar o convite.</p>
<p>Aceitei por várias razões. Em primeiro lugar, enquanto timorenses, conhecemos bem o que é o conflito, compreendemos os seus impactos na vida das pessoas e reconhecemos a importância da paz.</p>
<p>Além disso, tive experiência no processo de construção da paz em Timor-Leste entre 2006 e 2008, durante a crise dos peticionários. Nessa altura, assumi uma responsabilidade atribuída pelo Estado para gerir um processo de procura de soluções para essa crise, entre outras experiências semelhantes. Por isso, considerei que estava preparado para contribuir e prestar o meu apoio nesta missão.</p>
<p>Outra razão prende-se com o facto de o Governo das Fiji ter decidido criar uma Comissão de Verdade e Reconciliação, o que demonstra disponibilidade para enfrentar o seu passado doloroso. Esse passo merece apoio, pois, vindo de um país pós-conflito, sinto que há também uma responsabilidade em apoiar outras nações que procuram resolver problemas herdados do passado.</p>
<p>Acresce ainda que, enquanto timorense, procuro, ainda que de forma modesta, contribuir para projetar a imagem de Timor-Leste no exterior, demonstrando que o país tem capacidade para oferecer apoio genuíno e ajudar outras nações a alcançar a paz.</p>
<p>Antes de partir para esta missão nas Fiji, desempenhei também a função de porta-voz do processo de reconciliação comunitária em Timor-Leste. Essa experiência foi igualmente importante, dando-me maior confiança e reforçando a convicção de que podemos contribuir de forma significativa para processos semelhantes em Fiji.</p>
<p><strong>Quais são os principais conflitos ou feridas históricas nas Fiji que a comissão está a tentar resolver?</strong></p>
<p>O arquipélago das Fiji tem a sua história marcada por quatro golpes de Estado desde 1987. Nesse ano, ocorreram dois golpes, seguidos de outro em 2000, quando as suas forças estavam destacadas em Timor-Leste como força de manutenção da paz. Posteriormente, ocorreu ainda um golpe em 2006. O governo resultante desse golpe manteve-se no poder até 2022, altura em que perdeu as eleições e foi substituído por um novo executivo.</p>
<p>Na sequência destes acontecimentos, emergiram também conflitos étnicos entre os habitantes indígenas das Fiji e os cidadãos de origem indiana, ou seja, descendentes de populações oriundas da Índia. Esta divisão étnica e social tornou-se bastante profunda, tendo provocado sofrimento físico e emocional a muitas pessoas ao longo destes quatro golpes de Estado.</p>
<p>Para além da desconfiança entre diferentes grupos étnicos e sociais, verifica-se igualmente um clima de desconfiança em relação às instituições do Estado, uma vez que os militares estiveram envolvidos em todos estes golpes. Neste contexto, torna-se evidente a necessidade de promover um processo que contribua para a coesão social e a reconciliação nas Fiji.</p>
<p>Assim, pode dizer-se que existe um problema de natureza horizontal, entre diferentes grupos sociais e étnicos, incluindo os indígenas fijianos, os indo-fijianos (cidadãos de Fiji de origem indiana, e também alguns de origem chinesa), bem como outras comunidades presentes no país. Paralelamente, existe também um conflito de natureza vertical, entre a sociedade e o Estado, associado ao período de governação militar instaurado após o golpe de 2006, que se prolongou até 2022.</p>
<p>Importa referir que esta comissão já tinha sido criada antes de eu assumir a liderança. Iniciou os seus trabalhos em março de 2025, sob a presidência de um cidadão austríaco, tendo funcionado até outubro, altura em que esse presidente se demitiu. Fui então convidado, em novembro, para assumir o cargo, mas o processo levou algum tempo, tendo apenas chegado ao país em janeiro de 2026.</p>
<p>A minha presença teve como objetivo dar um novo impulso ao trabalho da comissão. O ano passado foi sobretudo dedicado à sua instalação, nomeadamente ao recrutamento de pessoal. Foi apenas em maio que se iniciaram efetivamente os trabalhos junto das comunidades.</p>
<p>Durante o ano passado, foram realizadas 11 audiências. Já este ano, apenas nos meses de fevereiro e março, foram realizadas mais de 20. Este aumento deve-se, em parte, a uma campanha intensiva nos meios de comunicação social lançada após a minha chegada, o que contribuiu para um maior conhecimento público sobre a comissão. É também possível que a nomeação de um novo presidente tenha reforçado a confiança da população.</p>
<p>À medida que o trabalho avançava, a visibilidade da comissão aumentava, assim como a confiança do público. Tal não se deveu a um único fator, mas sim ao trabalho consistente desenvolvido pela comissão. Consequentemente, este ano foi possível realizar audiências com um maior número de pessoas, incluindo aquelas que anteriormente relutavam em comparecer. Foram ouvidas testemunhas de quatro indivíduos que ocuparam altos cargos nas forças armadas, e esse trabalho terá continuidade.</p>
<p><strong>Existem elementos específicos do processo de reconciliação em Timor-Leste que considera que poderiam ser aplicados nas Fiji para avançar ainda mais no processo de cura nacional?</strong></p>
<p>A partir da nossa experiência, sabemos que o reconhecimento do que aconteceu às vítimas funciona como uma forma de validação do seu sofrimento. Reconhecer que os acontecimentos ocorreram de facto, e não os negar, permite que as vítimas sintam que estão a passar por um processo de cura, uma vez que existe um reconhecimento real das violações que sofreram. Assim, esta validação das experiências das vítimas constitui um importante mecanismo de justiça. Penso que este aspeto, presente na experiência de Timor-Leste, é também altamente relevante para as Fiji.</p>
<p>Outro elemento importante é o realismo. Em Timor-Leste, fomos de facto realistas, mas começámos com padrões muito elevados. O processo de reconciliação foi inicialmente pensado para avançar em paralelo com um processo de justiça retributiva, ou seja, com a responsabilização dos autores dos crimes em tribunal. Na altura, existiam painéis especiais para crimes graves. Atualmente, sabe-se que há mais de 400 pessoas cujos nomes constam da lista de crimes graves, mas já não é possível atuar da mesma forma, uma vez que o tribunal que anteriormente tratava desses casos deixou de existir, tendo sido estabelecido pelas Nações Unidas.</p>
<p>Atualmente, nas Fiji, desde o início do processo, não se tem dado prioridade à justiça retributiva; em vez disso, o foco tem sido colocado na justiça restaurativa. Assim, a questão central passa por perceber como restaurar a dignidade dos sobreviventes, promovendo um processo de entendimento e construindo a coesão social na sociedade fijiana com base na verdade. É precisamente esta abordagem que se tornou o principal foco da Comissão de Verdade e Reconciliação nas Fiji neste momento.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900;">“Acreditamos que as Fiji caminharão para um caminho positivo e que a reconciliação pode ser considerada bem-sucedida quando houver respeito e reconhecimento mútuo entre todas as pessoas nas Fiji”</span></p>
</blockquote>
<p><strong>Qual é a sua visão a longo prazo para as Fiji após o trabalho da comissão? É possível alcançar uma verdadeira reconciliação nacional ou as cicatrizes do passado são difíceis de superar?</strong></p>
<p>Não existem apenas desafios, porque, como acontece em muitos contextos, parte da sociedade quer simplesmente esquecer tudo, enquanto outros setores defendem posições mais extremas e querem que todos os responsáveis sejam punidos e presos. Há também aqueles que assumem uma posição intermédia. Portanto, existem diferentes perspetivas dentro da sociedade.</p>
<p>Desde o início, quando cheguei, a mensagem que tenho transmitido ao público, através dos meios de comunicação locais nas Fiji, é que a reconciliação não é um destino, mas sim um processo que precisa de ser continuado dia após dia, de forma a reforçar a confiança entre os diferentes grupos da sociedade. O objetivo é permitir que as pessoas aceitem e respeitem a diversidade e a heterogeneidade social.</p>
<p>A diversidade nas Fiji é muito ampla, tanto do ponto de vista étnico, como já referi, com povos indígenas, pessoas de origem indiana, bem como outras comunidades vindas do Pacífico, de origem chinesa e outras, como também em termos de diversidade religiosa. Nas Fiji existem cristãos metodistas, católicos, hindus, muçulmanos, entre outros. O processo de reconciliação envolve, por isso, a construção de um entendimento mais sólido entre estes diferentes grupos religiosos e étnicos que vivem em conjunto no país.</p>
<p>Em termos de visão futura, considero que devem ser os próprios fijianos a definir o caminho para o seu país. No entanto, enquanto observadores externos, acreditamos que as Fiji seguirão um percurso positivo e que a reconciliação poderá ser considerada bem-sucedida quando existir respeito e reconhecimento mútuo entre todas as pessoas.</p>
<p>As Fiji podem também recorrer a meios democráticos para resolver as diferenças existentes na sociedade, de forma a evitar a perpetuação da discriminação étnica e religiosa. Se isso for alcançado, acredito que a população sentirá maior tranquilidade e perceberá que o processo de reconciliação já começou a produzir resultados e benefícios concretos para a sociedade.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900;">“No meu caso, se um dia me candidatar à Presidência da República, contaria apenas com a confiança do povo”</span></p>
</blockquote>
<p><strong>O trabalho nas Fiji reforçou a sua posição no cenário internacional como mediador e líder de processos de reconciliação. O senhor também já anunciou recentemente a sua intenção de se candidatar à Presidência de Timor-Leste. Quais são as principais razões que o motivaram a dar esse passo e o que pode trazer de novo para o país?</strong></p>
<p>Penso que, no futuro, Timor-Leste deve tornar-se uma sociedade verdadeiramente igualitária, onde todas as pessoas se possam sentir incluídas, como cidadãos com os mesmos direitos, sejam idosos, jovens, adultos, combatentes ou não combatentes. Em Timor-Leste, todos devem sentir que são cidadãos que merecem o mesmo tipo de atendimento e tratamento por parte do seu país.</p>
<p>Em segundo lugar, considero que o Presidente da República deve ter a capacidade de atuar como mediador das divisões políticas existentes no nosso país. Durante este período, algumas pessoas nasceram e cresceram sem compreender o que realmente aconteceu, mas de repente veem na televisão conflitos e divisões e perguntam: “estão a zangar-se uns com os outros, mas não sabemos porquê”.</p>
<p>Não existe inclusividade, e os partidos políticos muitas vezes limitam-se a opor-se uns aos outros. Por isso, o Presidente da República deve ter a capacidade de mediar essas divisões, para que as diferenças possam ser resolvidas de forma mais harmoniosa e, no final, tragam benefícios para a população.</p>
<p>Devem existir debates, mas debates com valor, por exemplo sobre políticas públicas e sobre formas de melhorar a vida do povo, e não discussões sobre quem é melhor ou quem venceu guerras. Isso já pertence ao passado.</p>
<p>Durante mais de vinte anos de independência, os líderes muitas vezes apenas contam histórias. Em vez de mobilizarem a população com uma visão e com programas concretos para conquistar votos e chegar ao poder, acabam por se limitar a narrativas do passado. Não há, muitas vezes, um líder que apresente estratégias políticas claras para melhorar a vida do povo.</p>
<p>Por isso, penso que o próximo Presidente deve orientar este aspeto, para que as diferenças e discussões passem a ser debates com impacto real na vida das pessoas.</p>
<p>Em terceiro lugar, considero importante restaurar o prestígio institucional da Presidência da República. Durante muitos anos, vimos o Presidente da República como alguém que apenas segue ou acompanha: o Parlamento diz uma coisa, o Governo diz outra, e até vozes externas afirmam que o Presidente apenas acompanha. Entretanto, quando a casa do povo é afetada ou destruída pelo Governo, o Presidente muitas vezes não se manifesta, por ser visto apenas como defensor do povo.</p>
<p>Por isso, considero que estas questões são importantes como motivação para a abertura de candidaturas à Presidência da República.</p>
<p>Todos os presidentes costumam candidatar-se como independentes, embora alguns recebam apoio de partidos políticos. No meu caso, se um dia me candidatar à Presidência da República, contaria apenas com a confiança do povo.</p>
<p><strong>Já identificou alguns dos principais desafios ou problemas que considera urgentes de resolver nos próximos anos?</strong></p>
<p>Penso que, quando falamos de inclusão, estamos também a falar de justiça social. Timor-Leste deve tornar-se uma sociedade onde não existam apenas pessoas em melhor situação e outras em situação de grande dificuldade. Isso não pode acontecer. Ao longo do processo de desenvolvimento, as coisas têm mudado constantemente, mas nem sempre há um olhar verdadeiro e sistemático sobre esta questão.</p>
<p>A transparência e a integridade nas instituições públicas ainda não estão plenamente garantidas, e a confiança pública também continua baixa. O papel do Presidente da República é garantir o cumprimento da Constituição e assegurar que os outros também a cumpram. Por isso, considero que este é um ponto muito importante e deve ser uma prioridade na atuação presidencial.</p>
<p>Outra questão é a soberania do Estado. Soberania do Estado não significa apenas a existência formal de um país, com uma bandeira e um nome. Hoje em dia, nem sempre se sabe exatamente o que entra em Timor-Leste. Por exemplo, vimos recentemente a circulação de dinheiro falso. Isto acontece porque as nossas fronteiras estão fragilizadas ou mal controladas. As pessoas podem entrar com diversos materiais sem controlo adequado. Em termos políticos, fala-se de “captura do Estado”, ou seja, o Estado acaba por ser influenciado ou controlado por interesses poderosos. O Estado continua a existir, mas a sua soberania não está plenamente garantida. Isso precisa de ser restaurado.</p>
<p>Depois, há também a questão da unidade nacional. A unidade nacional é um tema importante e não deve ser tratado de forma superficial. Fala-se bastante de unidade nacional, mas é necessário também reconhecer que ainda existem questões por resolver relacionadas com o passado do conflito.</p>
<p>Isto não diz respeito apenas aos líderes, mas também à sociedade. Existem processos de reconciliação comunitária que mostram que, dentro da sociedade, ainda há pessoas que se sentem feridas.</p>
<p>Não podemos falar de unidade nacional numa situação em que algumas pessoas ainda sentem dor e não se sentem plenamente integradas na vida da comunidade. O Presidente da República deve prestar atenção a esta realidade e garantir que o processo de reconciliação não seja apenas formal, mas também efetivo no interior da sociedade timorense.</p>
<p>Esse processo deve ser promovido e aprofundado para que todas as pessoas se sintam incluídas. Ainda existem, por vezes, acusações entre nós, quem fez a guerra ou não, quem teve culpa ou não teve. É necessário ultrapassar esse tipo de abordagem.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900;">“Quando falamos de gerações, muitas vezes a geração mais velha conta as suas histórias de luta, mas isso pode fazer com que a geração mais nova se sinta alienada, por não ter histórias próprias para contar. Por isso, o papel do Presidente da República também é garantir que o Governo adote políticas adequadas que deem mais oportunidades e força aos jovens”</span></p>
</blockquote>
<p><strong>A política interna em Timor-Leste tem sido marcada por um certo grau de instabilidade. Quais são as medidas necessárias para promover a unidade nacional em Timor-Leste?</strong></p>
<p>Diálogo, diálogo e mais diálogo. O próximo Presidente da República deve demonstrar que pertence a todos os timorenses. Não pertence apenas às pessoas que o apoiaram para chegar à Presidência, nem a um grupo específico que o apoia ou determina o seu futuro político. Ele representa todo o povo de Timor-Leste. Isso significa que deve estar ao serviço de toda a população.</p>
<p>O Presidente da República deve abandonar qualquer tendência partidária e manter-se neutro, atuando como árbitro em conflitos políticos e como defensor do povo sempre que este necessitar de proteção.</p>
<p>Em segundo lugar, deve também servir como ponte entre gerações. O Presidente deve ter a capacidade de ligar a geração mais velha, que viveu os tempos de conflito e luta, com a geração mais nova. Nesse sentido, deve haver continuidade entre estas duas gerações. Quando a geração mais velha já não estiver presente, o país continuará a avançar, e serão as novas gerações que o levarão para a frente.</p>
<p>Quando falamos de gerações, muitas vezes a geração mais velha conta as suas histórias de luta, mas isso pode fazer com que a geração mais nova se sinta alienada, por não ter histórias próprias para contar. Por isso, o papel do Presidente da República também é garantir que o Governo adote políticas adequadas que deem mais oportunidades e força aos jovens.</p>
<p><strong>Timor-Leste tem mostrado uma postura mais assertiva em relação a questões de soberania, como a disputa com a Indonésia sobre as fronteiras terrestres. Qual seria a sua abordagem em relação a essas disputas internacionais?</strong></p>
<p>Em disputas internacionais como estas, quando nos sentamos à mesa de negociações, partimos sempre do princípio de que somos amigos durante o processo negocial, mas cada equipa defende os interesses do seu próprio país. Este é o princípio básico da negociação.</p>
<p>Devemos compreender que a equipa de negociação da Indonésia não vai defender os interesses de Timor-Leste, assim como Timor-Leste também não vai defender os interesses da Indonésia. O mesmo acontece, por exemplo, com a Austrália: cada parte defende a sua própria posição. A razão e a força dos argumentos determinam quem tem razão e quem não tem.</p>
<p>Na relação com a Indonésia é exatamente o mesmo. Considero importante que Timor-Leste se mantenha firmemente ancorado no direito internacional que regula as questões de fronteiras. A Indonésia pode ser um país amigo, mas devemos basear-nos no direito internacional para resolver as disputas territoriais.</p>
<p>Apesar de Timor-Leste e a Indonésia terem dúvidas em relação às fronteiras devido ao passado colonial, quando potências coloniais definiram os limites entre os dois países, existe documentação, incluindo mapas completos das áreas em disputa. Esses mapas podem ser usados como referência em disputas internacionais e devem servir para determinar onde se situam as fronteiras corretas.</p>
<p>Penso que a nossa firmeza não deve ser confundida com arrogância, mas sim com a vontade de esclarecer quem tem razão e quem não tem. Essa mesma postura deve ser mantida também na relação com a Austrália. No final, mesmo quando recorremos à conciliação obrigatória, conseguimos delimitar a fronteira marítima no sul.</p>
<p>A nossa relação com a Austrália não se deteriorou, porque todo o processo foi conduzido com base no direito internacional.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900;">“Também no setor jurídico e na formulação das leis, o Presidente da República promulga as leis e deve usar a sua posição para garantir que essas leis não sejam contrárias à Constituição, aos princípios constitucionais ou que prejudiquem o interesse nacional. Isso não pode acontecer”</span></p>
</blockquote>
<p><strong>Quais reformas acredita serem necessárias nas instituições do país para garantir maior estabilidade política e confiança do povo nas suas instituições?</strong></p>
<p>Penso que devemos falar de meritocracia, ou seja, uma pessoa deve assumir um cargo porque tem mérito próprio, porque acumulou capacidade e competência suficientes para desempenhar essa função.</p>
<p>Portanto, em termos de reforma institucional, o que deve acontecer é o abandono do sistema de patronagem política e a transição para o estabelecimento de uma função pública baseada no mérito e na competência técnica. As nomeações não devem ser baseadas em relações políticas. Isto é extremamente importante.</p>
<p>Também no setor jurídico e na formulação das leis, o Presidente da República promulga as leis e deve usar a sua posição para garantir que essas leis não sejam contrárias à Constituição, aos princípios constitucionais ou que prejudiquem o interesse nacional. Isso não pode acontecer.</p>
<p>O veto presidencial deve funcionar como um mecanismo de controlo de qualidade, garantindo que as leis promulgadas tenham consistência e estejam em conformidade com os princípios constitucionais e com o interesse nacional. Não devem contrariar esses princípios.</p>
<p>Por isso, a meritocracia deve ser a base das nomeações para cargos públicos. A política não deve dominar o processo de nomeação.</p>
<p>Quando se fala de confiança dos cidadãos nas instituições públicas, por exemplo, se os juízes não forem nomeados com base no mérito ou no seu percurso profissional, mas sim por critérios políticos, então não irão defender os cidadãos quando estes tiverem problemas com o Estado ou com grupos poderosos com grande influência dentro do Estado.</p>
<p>Outro exemplo é a Comissão Anticorrupção. Se a sua nomeação for baseada em considerações políticas, então não será capaz de combater a corrupção dentro do Governo ou das instituições públicas. Portanto, quando isso acontece, torna-se impossível falar de confiança dos cidadãos nas instituições do Estado.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900;">“Se ainda houver pessoas que se sintam marginalizadas, seja pela sua história, pela sua orientação política ou pelas suas origens familiares, então não se pode falar de unidade nacional”</span></p>
</blockquote>
<p><strong>Muitos timorenses ainda sentem que o país está distante de um verdadeiro processo de reconciliação e justiça social. Quais são as medidas necessárias para promover a reconciliação em Timor-Leste?</strong></p>
<p>Uma das funções atribuídas ao Presidente da República é ser o símbolo da unidade nacional. Sendo o símbolo da unidade nacional, deve estar na linha da frente para garantir que o povo permaneça unido. Assim, todas as pessoas devem sentir que pertencem a uma sociedade timorense verdadeiramente integrada.</p>
<p>Se ainda houver pessoas que se sintam marginalizadas, seja pela sua história, pela sua orientação política ou pelas suas origens familiares, então não se pode falar de unidade nacional.</p>
<p>Deve continuar a promover-se a reconciliação nacional, não apenas externamente, mas também internamente. Muitas vezes, a reconciliação entre os próprios timorenses dentro do país é esquecida. Algumas pessoas ainda se acusam mutuamente, referindo que os pais ou familiares de alguém eram “autonomistas”. No entanto, ser autonomista foi uma escolha política e legalmente reconhecida na altura, através de um processo de consulta em que as pessoas tinham opções claras.</p>
<p>Esse fator não deve continuar a prejudicar a vida de outras pessoas em Timor-Leste, um país já independente. Para ultrapassar esta situação, o processo de reconciliação dentro das comunidades deve continuar entre os timorenses. Nesse sentido, o papel do Presidente da República como símbolo da unidade nacional é fundamental, e trata-se de um aspeto extremamente importante.</p>
<p><strong>A economia de Timor-Leste tem enfrentado dificuldades em termos de diversificação e criação de emprego. Quais são as suas propostas para estimular um crescimento económico sustentável?</strong></p>
<p>Como disse, é verdade que a diversificação da economia é, em grande medida, uma responsabilidade do Governo. O Presidente da República não é um órgão executivo; não formula políticas de desenvolvimento nem cria planos de desenvolvimento. No entanto, entendemos que, em países democráticos como Timor-Leste, todos procuram influenciar as políticas do Governo para que estas sejam melhores.</p>
<p>Tal como as ONG’s e a sociedade civil fazem lobby, o Presidente da República ocupa uma posição privilegiada para influenciar as políticas do Governo, de modo a que as estratégias de desenvolvimento sejam alinhadas com o interesse nacional e promovam o desenvolvimento económico, social e político do país.</p>
<p>Em relação à diversificação, esta também é uma função importante do Presidente. A nossa dependência do petróleo é demasiado forte e, se não diversificarmos, no futuro poderemos enfrentar grandes dificuldades. Por isso, penso que, neste momento, o setor agrícola, por exemplo, ainda tem uma contribuição muito pequena para o rendimento nacional. Considero importante aumentar a sua produtividade e valor.</p>
<p>Além disso, é essencial aumentar a qualificação dos jovens em várias áreas, para que possam ser motores da diversificação económica. Se os jovens, que têm potencial físico e mental, não forem formados, não poderão contribuir e, no fim, teremos de importar mão de obra de outros países.</p>
<p>Agora que Timor-Leste já faz parte de grupos regionais como a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), se os nossos cidadãos não estiverem qualificados, perderão competitividade dentro da organização regional. Por isso, penso que isto é algo muito importante a considerar, porque os jovens devem ser o motor da diversificação económica.</p>
<p><strong>A economia de Timor-Leste tem enfrentado dificuldades em termos de diversificação e geração de empregos. Quais são as suas propostas para estimular o crescimento económico sustentável?</strong></p>
<p>Dinamizar a agricultura, ou o setor agrícola. Hoje em dia fala-se muito em economia azul e turismo, mas estes setores ainda estão praticamente parados. Falamos de turismo, mas não há facilidades para o turismo. Muitas vezes, entre o discurso e a prática, e entre os objetivos e os planos, não há coerência.</p>
<p>Todos os planos devem ser desenhados para alcançar objetivos concretos. Dizemos que queremos aumentar as receitas não petrolíferas, mas a afetação do orçamento continua muito concentrada no setor petrolífero, enquanto o setor agrícola recebe muito pouco.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900;">“Em vez de gastar dinheiro a enviar pessoas para tratamento no estrangeiro, devemos investir na formação do pessoal de saúde e no desenvolvimento das infraestruturas de saúde, para que Timor-Leste tenha capacidade de cuidar dos seus próprios cidadãos”</span></p>
</blockquote>
<p><strong>O que propõe para melhorar a infraestrutura e o acesso a serviços essenciais, como saúde e educação, em áreas mais remotas do país?</strong></p>
<p>Reconheço sempre que o Presidente não é um órgão executivo, mas pode influenciar políticas. Em áreas como educação e saúde, quando falamos da nova geração, falamos de tecnologia, e isso deve passar pela educação. Portanto, a educação deve ser o caminho para alcançar esse objetivo.</p>
<p>Quando falamos de capacidades dos jovens, responsabilidade e visão clara para o país, estamos a falar de educação. A educação deve estar alinhada com os interesses do país. A educação básica deve ser verdadeiramente a base de todo o sistema educativo. Não podemos ter uma educação básica fraca e esperar depois ter universitários excelentes. Isso não faz sentido. Para formar engenheiros e médicos fortes, é preciso uma base sólida que permita resolver os problemas da sociedade.</p>
<p>Na área da saúde também é a mesma coisa. A saúde, ao longo do tempo, não tem sido um lugar de solução, mas muitas vezes um lugar de problemas. O sistema de saúde é fraco e gastamos muito dinheiro a enviar pessoas para o estrangeiro. Levamos pessoas vivas e depois trazemos de volta os seus corpos. Depois de mais de vinte anos de restauração da independência, não conseguimos resolver isso?</p>
<p>A capacitação dos profissionais de saúde é extremamente importante. Em vez de gastar dinheiro a enviar pessoas para tratamento no estrangeiro, devemos investir na formação do pessoal de saúde e no desenvolvimento das infraestruturas de saúde, para que Timor-Leste tenha capacidade de cuidar dos seus próprios cidadãos.</p>
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<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900;">“O futuro Presidente da República deve ter força moral para promover a proteção das crianças e das mulheres, sobretudo defendendo o princípio de tolerância zero à violência doméstica.”</span></p>
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<p><strong>Timor-Leste tem avançado em algumas questões de direitos humanos, mas ainda há muito a ser feito, especialmente em relação aos direitos das mulheres, LGBTQIA+ e das comunidades marginalizadas. Quais são as suas propostas para garantir uma maior proteção e promoção dos direitos desses grupos?</strong></p>
<p>Penso que o Presidente deve promover o respeito por todas as entidades e também combater a discriminação de qualquer tipo em Timor-Leste. Não pode haver grupos privilegiados e outros marginalizados apenas por causa de tendências políticas, sociais ou culturais. O futuro Presidente deve ser um campeão desta causa.</p>
<p>Outra função do Presidente é promover uma sociedade inclusiva. O Presidente deve ser um promotor da inclusão. O futuro Presidente da República deve ter força moral para promover a proteção das crianças e das mulheres, sobretudo defendendo o princípio de tolerância zero à violência doméstica.</p>
<p>Quando existe desrespeito contra um grupo ou uma pessoa, isso abre caminho para desacreditar outros grupos. Por isso, o Presidente deve ser um protetor das pessoas vulneráveis, garantindo que a sua integração na sociedade seja uma prioridade do Estado.</p>
<p><strong>Qual é a sua visão para Timor-Leste nos próximos 10 ou 20 anos? O que acredita que precisa ser feito hoje para garantir um futuro próspero, pacífico e justo para todos os timorenses?</strong></p>
<p>Nos próximos 20 anos, Timor-Leste deve tornar-se uma nação respeitada por outros países, uma sociedade unida, com coesão social, bem desenvolvida, moderna e autónoma. Apesar de todos os países serem interdependentes, Timor-Leste deve ser um país independente dentro dessa interdependência.</p>
<p>Devemos transformar a nossa sociedade de forma forte, eliminando conflitos internos e políticos, para podermos ganhar respeito internacional. Se conseguirmos fazer tudo isto, Timor-Leste poderá erguer-se com orgulho e tornar-se um país unido e respeitado em todo o mundo.</p>
<p><strong>Qual é a principal mensagem que gostaria de deixar aos timorenses, especialmente às gerações mais jovens que estão a começar a construir o futuro do país?</strong></p>
<p>A libertação da pátria é uma jornada que já foi percorrida. Um novo capítulo da vida do nosso país exige novos líderes que possam levar adiante a resiliência histórica e as aspirações modernas da nova geração. Como timorense, estou comprometido em promover isso.</p>
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		<title>Direitos garantidos na lei, exclusão na prática: crianças e adultos com síndrome de Down continuam sem respostas em Timor-Leste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 14:14:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em Timor-Leste, os direitos à educação, saúde e inclusão estão consagrados na lei, mas a realidade mostra um cenário diferente para muitas pessoas com síndrome de Down. Entre o isolamento nas zonas rurais, a falta de informação nas famílias e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Em Timor-Leste, os direitos à educação, saúde e inclusão estão consagrados na lei, mas a realidade mostra um cenário diferente para muitas pessoas com síndrome de Down. Entre o isolamento nas zonas rurais, a falta de informação nas famílias e a escassez de respostas institucionais, o acesso a serviços essenciais continua limitado.</em></p>
<p>Marciana Imaculada tem 24 anos e vive na aldeia de Mabelis, no suco de Lebos, no posto administrativo de Lolotoe, em Bobonaro. Tem síndrome de Down e nunca frequentou a escola de forma contínua.</p>
<p>Aos seis anos, entrou pela primeira vez na escola. No entanto, não conseguiu acompanhar o ritmo das aulas e não transitou para o 2.º ano. A partir daí, deixou de frequentar o ensino. “Foi à escola quando tinha 6 anos, mas, como se comportava de forma diferente das outras crianças e não conseguia acompanhar, não transitou para o 2.º ano, como seria de esperar. Por isso, os nossos pais decidiram retirá-la da escola, pois acreditavam que ela não conseguiria estudar”, contou a irmã, Damianty Imaculada.</p>
<p>Os primeiros sinais da condição terão sido identificados quando Marciana tinha cerca de 3 a 4 anos. “Quando nasceu, era uma criança como qualquer outra. Foi apenas aos 3 ou 4 anos que os pais começaram a perceber que apresentava um comportamento muito diferente das outras crianças. Os sintomas tornaram-se mais evidentes à medida que crescia, especialmente com a entrada na escola”, explicou Damianty.</p>
<p>A falta de conhecimento sobre a síndrome de Down levou a família a procurar respostas fora da medicina convencional. “O maior problema é que os meus pais e muitos familiares não perceberam que Marciana tem síndrome de Down. Quando ela tinha seis ou sete meses, uma cobra relativamente grande enrolou-se numa das suas peças de roupa, que estava estendida ao sol para secar. A minha mãe viu. Até hoje, acreditam que a condição de Marciana foi causada por aquela cobra”, contou.</p>
<p>Sem acesso a acompanhamento médico ou terapias especializadas, Marciana acabou por ser submetida a tratamentos tradicionais, sem resultados. “Os meus pais foram a vários <em>Matan-Dok</em> para curar ‘a doença’ que ela tinha, realizando diversos rituais, acreditando que isso a livraria da condição. Mas nada resultou.”</p>
<p>A irmã só viria a compreender melhor a condição anos mais tarde. Em 2014, durante uma aula, ouviu falar pela primeira vez sobre a síndrome de Down e procurou informação na internet. Tentou explicar à família, mas não acreditaram nela. “Quando expliquei aos meus pais, eles não acreditaram em mim, assim como os outros familiares. Acreditam firmemente que a condição é uma maldição dos antepassados ou dos <em>Rai Nain</em>, manifestada sob a forma de cobra. Até hoje, sinto-me culpada por não os conseguir convencer de que não se trata de nenhuma maldição”, disse.</p>
<p>A família vive da agricultura e enfrenta dificuldades diárias no cuidado de Marciana, sobretudo quando precisa de trabalhar no campo. “Os nossos pais têm dificuldades em cuidar dela, porque são agricultores e precisam de passar muitas horas no campo, que ficam longe de casa. Temem frequentemente que alguém da aldeia ou os vizinhos possam abusar dela, pois ela reage de forma muito lenta ao que acontece à sua volta.”</p>
<p>Apesar das dificuldades, a jovem não recebe atualmente qualquer apoio de instituições públicas ou organizações, situação agravada pelo isolamento geográfico da aldeia. “Até agora, não tivemos nenhum apoio da comunidade ou organizações. Isto deve-se ao facto de a aldeia onde vive a minha família ser distante da capital do município e as estradas serem péssimas.”</p>
<p>Damianty considera urgente uma resposta por parte das autoridades, sobretudo na área da educação inclusiva. “É muito triste ver a passividade do Governo nesta questão. O Ministério da Educação deveria criar condições para que pessoas como a Marciana possam frequentar a escola”, afirmou.</p>
<p>De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a síndrome de Down é uma das alterações genéticas congénitas mais comuns e resulta da presença de um cromossoma extra no par 21 (trissomia 21). Esta condição ocorre, geralmente, de forma espontânea durante a formação dos óvulos ou espermatozoides, ou nas fases iniciais do desenvolvimento embrionário, não sendo causada por comportamentos dos pais.</p>
<p>A OMS sublinha ainda que fatores como a idade materna avançada podem aumentar o risco, embora a condição possa ocorrer em mulheres de qualquer idade. A organização estima que as anomalias congénitas estejam na origem de centenas de milhares de mortes anuais em recém-nascidos e crianças pequenas, destacando a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento adequado e do acesso a cuidados de saúde e educação inclusiva para melhorar a qualidade de vida destas pessoas.</p>
<p>A história de Marciana não é um caso isolado, mas sim o reflexo de uma realidade mais ampla em Timor-Leste.</p>
<p>Muitas pessoas com síndrome de Down enfrentam dificuldades semelhantes no acesso à educação, saúde e inclusão social, sobretudo em zonas rurais, onde o acesso a serviços especializados é reduzido e a informação sobre deficiência continua limitada.</p>
<p>Os dados do Censo de 2022 mostram que as pessoas com deficiência em Timor-Leste enfrentam sobretudo dificuldades de mobilidade, visão e audição. A prevalência aumenta significativamente com a idade e quase metade apresenta deficiências múltiplas.</p>
<p>A Constituição da República Democrática de Timor-Leste garante o direito à saúde e à educação a todos os cidadãos, incluindo a criação de um sistema de ensino básico universal, obrigatório e, na medida das possibilidades do Estado, gratuito. Apesar destas garantias legais, o acesso a serviços básicos continua desigual, sobretudo fora dos centros urbanos.</p>
<p>Apesar disso, a aplicação prática destes direitos continua desigual, especialmente fora dos centros urbanos. O acesso a educação inclusiva, diagnóstico precoce e apoio especializado depende frequentemente da localização geográfica e das condições socioeconómicas das famílias.</p>
<p><strong>Respostas no terreno: entre iniciativas e ausência de apoio</strong></p>
<p>Em Baucau, cerca de 20 pessoas com síndrome de Down têm acesso a educação informal através da Fundação KATILOSA, embora sem apoio direto do Governo.</p>
<p>A fisioterapeuta da Fundação KATILOSA em Baucau, Veneranda Fernandes Belo, explica que a instituição continua a enfrentar dificuldades para apoiar estudantes com necessidades especiais, incluindo síndrome de Down, de forma a garantir um processo de aprendizagem adequado e inclusivo. Segundo a responsável, a fundação já recebeu visitas de representantes do Governo, mas sem que daí tenha resultado apoio concreto.</p>
<p>“Em relação à ajuda do Governo, recebemos visitas das autoridades, mas quanto ao apoio em si, não há. Não conseguimos que os nossos estudantes com condições especiais, incluindo síndrome de Down, aprendam de forma adequada devido às suas dificuldades intelectuais e ao ambiente escolar”, explicou. A responsável sublinha que a ausência de apoio limita o alcance do trabalho da instituição.</p>
<p>A Fundação KATILOSA oferece educação gratuita a cerca de 20 estudantes com síndrome de Down em Baucau, provenientes de vários sucos.</p>
<p>“Aqui trabalhamos de segunda a quinta-feira, com transporte a partir do nosso centro às 7h, passando por várias localidades até Baucau Vila. Na segunda e terça-feira, vamos de Bui Bau a Baucau Vila; na quarta-feira, de Baucau Vila a Buicoli, Ostiku e Loeluku; na quinta-feira, seguimos o mesmo percurso; e na sexta-feira realizamos a limpeza e manutenção da escola”, explicou Veneranda.</p>
<p>A instituição recebe apoio das F-FDTL e de uma organização australiana para garantir alimentação às crianças e assegurar o transporte diário, permitindo a continuidade do programa educativo. O ensino é gratuito e conta com professores formados pela Marista, integrando também apoio alimentar e medidas para evitar discriminação e dificuldades de acesso.</p>
<p>Apesar do trabalho desenvolvido, a fundação afirma que não obteve resposta positiva ao pedido de apoio dirigido ao Ministério da Educação, nomeadamente para o fornecimento de merenda escolar.</p>
<p>“Enviámos o pedido, mas as autoridades educativas de Baucau não nos apoiaram, pois consideram que somos uma escola informal. Também não recebemos apoio do nosso doador direto da Austrália. Até agora, o Governo de Timor-Leste não forneceu qualquer apoio”, concluiu Veneranda.</p>
<p><strong>Compreender a síndrome de Down para promover uma inclusão efetiva</strong></p>
<p>O psicólogo Alessandro Boarccaech explica que a síndrome de Down, na maioria dos casos, não é hereditária nem resulta de comportamentos dos pais. Trata-se de uma condição genética que ocorre de forma espontânea durante a formação dos óvulos ou dos espermatozoides, ou nas primeiras divisões celulares após a fecundação. “A única variável associada a um risco ligeiramente aumentado é a idade materna avançada, embora possa acontecer em mulheres de qualquer idade”, esclarece.</p>
<p>Alessandro alerta para a existência de vários mitos ainda presentes na sociedade sobre esta condição. Um dos mais comuns é a ideia de que todas as pessoas com síndrome de Down são iguais. “Existe uma grande diversidade entre indivíduos. Cada pessoa tem o seu próprio nível de desenvolvimento, capacidades e características”, sublinha.</p>
<p>Outro equívoco frequente é a crença de que não conseguem aprender ou trabalhar. “Isso não é verdade. Com o apoio adequado, muitas pessoas conseguem aprender, desenvolver competências e ter uma vida ativa”, afirma.</p>
<p>O psicólogo acrescenta ainda que a imagem de que estas pessoas são sempre felizes ou extremamente carinhosas também é simplista. “Podem sentir ansiedade, tristeza ou frustração como qualquer outra pessoa. São seres humanos com uma vida emocional completa”, refere.</p>
<p>Do ponto de vista psicológico, Alessandro defende que a aprendizagem é mais eficaz quando existe estrutura e previsibilidade. “Rotinas claras, comunicação simples e apoio contínuo fazem uma grande diferença no desenvolvimento”, explica.</p>
<p>Sublinha ainda a importância de métodos práticos de aprendizagem. “O uso de imagens, exemplos concretos e experiências do dia a dia ajuda muito mais do que apenas explicações abstratas”, acrescenta.</p>
<p>No contexto familiar, o psicólogo considera o ambiente emocional determinante. “Um ambiente seguro e afetivo é fundamental. Quando a família promove autonomia, a criança ganha confiança”, afirma. Por outro lado, alerta: “A sobreproteção pode limitar o desenvolvimento e a independência”.</p>
<p>Em termos de saúde, Alessandro refere que pode existir maior predisposição para algumas condições médicas. “Problemas cardíacos, alterações da tiroide e dificuldades auditivas ou visuais são mais frequentes, por isso é importante o acompanhamento regular”, explica.</p>
<p>Defende ainda a deteção precoce e o seguimento clínico contínuo. “Quanto mais cedo houver acompanhamento, melhores são as oportunidades de desenvolvimento e qualidade de vida”, acrescenta.</p>
<p>No que diz respeito à educação, o psicólogo sublinha que a inclusão exige adaptação real das escolas. “Inclusão não é apenas estar na sala de aula. É participar, aprender e sentir-se parte da comunidade escolar”, afirma.</p>
<p>Defende também mudanças práticas no sistema educativo. “É preciso adaptar métodos de ensino e garantir apoio especializado dentro da escola”, acrescenta.</p>
<p>Alessandro conclui que o potencial das pessoas com síndrome de Down depende sobretudo do contexto em que vivem. “Com apoio adequado e oportunidades reais, muitas conseguem desenvolver autonomia, trabalhar e participar ativamente na sociedade”, afirma.</p>
<p>E reforça “o fator decisivo não é a condição em si, mas o acesso à educação, à saúde e a ambientes que promovam o desenvolvimento”.</p>
<p><strong>Políticas e apoio governamental</strong></p>
<p>A Ministra da Solidariedade Social e Inclusão, Verónica das Dores, afirma que o apoio prestado é visível em diferentes regiões do país, incluindo Oé-Cusse. “O apoio que oferecemos é visível para todos no que diz respeito às pessoas com síndrome de Down, tanto em Oé-Cusse como noutras áreas do país”, disse.</p>
<p>No âmbito dos programas sociais, o Governo introduziu uma bolsa condicionada destinada a mães. “No âmbito da educação, como já referimos, a bolsa da mãe é de 9 dólares e, no caso das crianças com síndrome de Down ou com outras deficiências, é acrescido um valor de 5 dólares”, explicou a ministra.</p>
<p>No setor da educação, o Diretor da Educação do Município de Bobonaro, Miguel Freitas, garantiu que as atividades letivas na escola básica filial de Mabelis decorrem normalmente. “Todos os professores já participaram numa formação sobre educação inclusiva, que poderá ser aplicada em todas as escolas”, referiu.</p>
<p>Segundo o responsável, o trabalho do setor continua a abranger várias comunidades do município, incluindo programas de alfabetização para adultos. “Os programas de Alfamor estão em funcionamento e são monitorizados regularmente”, afirmou.</p>
<p>Miguel Freitas acrescentou que as situações recentemente identificadas serão integradas no planeamento futuro. “Vamos incluir isto no nosso plano e partilhar o trabalho entre todos para ver se há alguma solução e, se houver, faremos esforços para que regressem à escola”, disse.</p>
<p>O responsável reconheceu ainda que, em casos como o de Marciana, será necessário reforçar a recolha de dados e a articulação com as autoridades locais. “Podemos envolver o programa Alfamor e confirmar com as autoridades locais para recolher dados sobre pessoas com estas condições”, explicou.</p>
<p>Questionada sobre esta realidade, a Ministra da Educação, Dulce de Jesus, afirmou não dispor de informação detalhada no momento. O Diligente solicitou uma audiência com a Direção de Inclusão do Ministério da Educação, mas não obteve resposta até à publicação desta reportagem.</p>
<p>Já o Diretor-Geral dos Serviços Corporativos do Ministério da Saúde, Narciso Fernandes, sublinhou que o trabalho no setor da saúde envolve várias componentes técnicas e estratégicas. “Os serviços no Ministério da Saúde não são simples, mas sim um conjunto de componentes estratégicos e técnicos interligados”, afirmou.</p>
<p>Relativamente aos serviços de fisioterapia, o responsável explicou que estes estão integrados na estrutura de cuidados de saúde primários e sob coordenação de direções específicas. “Os serviços de fisioterapia integram-se na estrutura dos cuidados de saúde primários”, referiu.</p>
<p>Por sua vez, a Ministra da Saúde, Élia Amaral, destacou que o Governo tem vindo a reforçar a sensibilização sobre o diagnóstico precoce da síndrome de Down, sobretudo junto de mulheres grávidas. “Sabemos que, através do Instituto Nacional de Saúde Pública, já dispomos de testes de prevenção que começaram a ser implementados”, afirmou.</p>
<p>A ministra acrescentou que estão em curso ações de formação para reforço dos recursos humanos na área da saúde e melhorias na capacidade de resposta do sistema. “Estamos a formar recursos humanos e a reforçar a capacidade do setor”, disse.</p>
<p>Segundo explicou, o Ministério da Saúde tem também vindo a estabelecer cooperação internacional, nomeadamente com o Instituto Nacional Ricardo Jorge, em Portugal. “Iniciámos a coordenação com o Instituto Nacional Ricardo Jorge, em Lisboa, que realiza o teste do pezinho”, referiu.</p>
<p style="text-align: justify;">O Provedor dos Direitos Humanos e Justiça, Virgílio Guterres, considera que o cumprimento dos direitos das pessoas com deficiência em Timor-Leste ainda está aquém dos compromissos constitucionais e dos padrões de desenvolvimento sustentável.</p>
<p style="text-align: justify;">Na sua declaração, Virgílio Guterres referiu que, ao longo de quase quatro anos de observação, o Estado ainda não conseguiu cumprir o princípio de não deixar ninguém para trás. Sublinhou que, do ponto de vista legal, já existem várias normas que garantem o acesso das pessoas com deficiência aos setores da saúde, da educação e da administração pública, mas a sua implementação continua a ser insuficiente.</p>
<p style="text-align: justify;">“Baseando-nos nos princípios e compromissos que assumimos, o que estamos a fazer enquanto Estado, desde que restaurámos o nosso país, ainda está muito longe, muito distante deste ideal”, afirmou.</p>
<p style="text-align: justify;">O Provedor destacou também a persistência de discriminação, tanto a nível social como profissional, causada pela falta de atenção e de infraestruturas adequadas por parte do Estado. Referiu, por exemplo, que os hospitais ainda não dispõem de espaços específicos para o tratamento de diferentes condições de deficiência, incluindo síndromes como a síndrome de Down.</p>
<p style="text-align: justify;">No setor da educação, embora as escolas garantam o acesso, verifica-se a falta de professores especializados. Acrescentou ainda que muitos ministérios não dispõem de políticas específicas para pessoas com deficiência. “Ratificámos convenções internacionais para servirem de referência às nossas ações e planos. Mas, infelizmente, na prática, isso não acontece.”</p>
<p style="text-align: justify;">O PDHJ tem também recomendado, de forma reiterada, a criação de centros de reabilitação e de proteção para pessoas com deficiência e para pessoas com problemas de saúde mental. No entanto, até ao momento, essas recomendações ainda não foram concretizadas.</p>
<p>Apesar dos contactos estabelecidos com diferentes instituições, o Diligente não obteve respostas completas do Ministério da Educação nem do Serviço de Saúde do Município de Bobonaro até à publicação desta reportagem. O silêncio institucional contrasta com a realidade descrita por famílias e profissionais no terreno, onde o acesso à educação e à saúde continua longe de ser garantido.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/direitos-garantidos-na-lei-exclusao-na-pratica-criancas-e-adultos-com-sindrome-de-down-continuam-sem-respostas-em-timor-leste/">Direitos garantidos na lei, exclusão na prática: crianças e adultos com síndrome de Down continuam sem respostas em Timor-Leste</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>É tabu criticar Xanana Gusmão? Artigo polémico sobre poder e comportamentos inadequados é removido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 14:01:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desaparecimento de um artigo publicado no Neon Metin da antropóloga Sara Niner que critica a liderança e determinados comportamentos do primeiro-ministro Xanana Gusmão está a gerar debate público em Timor-Leste, levantando simultaneamente questões sobre o conteúdo das acusações e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O desaparecimento de um artigo publicado no Neon Metin da antropóloga Sara Niner que critica a liderança e determinados comportamentos do primeiro-ministro Xanana Gusmão está a gerar debate público em Timor-Leste, levantando simultaneamente questões sobre o conteúdo das acusações e sobre a liberdade de imprensa.</em></p>
<p>Um artigo de opinião que critica diretamente a atuação do primeiro-ministro Xanana Gusmão, incluindo alegações sobre comportamentos potencialmente abusivos e estratégias políticas deliberadas para manter o poder, foi removido do site do órgão independente Neon Metin poucos dias após a sua publicação, a 7 de abril, levantando questões sobre liberdade de imprensa em Timor-Leste.</p>
<p>O texto <a href="https://l.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Fwww.academia.edu%2F165579787%2FNiner_Strategic_stupidity_Gusmao%3Femail_work_card%3Dview-paper%26fbclid%3DIwZXh0bgNhZW0CMTAAYnJpZBExeGF0eFNpQVpkSDlhSXdQQXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR4lHqrxexXKxdjp9JMcx_3CTnkUsXQ9uczmGqGM7fAnw7p7jbtTn0eZjBKpCA_aem_PmOCYa7MfYshuK6L9pozag&amp;h=AT7UtlH6hu7c189r4KBOY1SwjHwhzjSapekUbaW7FHMLS_d_fbBqoCJ71TN4FQwfbJWdAiMAP7b1YDdb2gPKDePZbnmqW0ddk7sp1aiuexLUBDxLtNIxqUE0EXPGWUueZixU2yhuBxgDA0Uf&amp;__tn__=-UK-R&amp;c%5B0%5D=AT5EH2qtBCf8SDcQjRiH2ZBjZRe6MrR9jPHNM5ZzgO26YN-QRS9jb0m4M_71Nrv40tmeFK6tQTtVC3dKUvUFk85NgIIJmu25nFp8qZ5lRIqlDwo8lfDotv0xnxErdZUam7cKlZ5IPt7EgqvY8U9T3DGM2if9-SDNuwzGbMVvGwiPtKI8XBBewWZW6VTXl2HPy_q36fvJXeVSTk0K37UqxQ"><em>Xanana Gusmao: playing the fool as a new political strategy</em></a>” (Xanana Gusmão: fazer-se de tolo como uma nova estratégia política), da antropóloga Sara Niner, analisa a forma como o líder timorense constrói a sua imagem pública, sugerindo que atitudes de aparente humildade podem funcionar como uma estratégia política para ocultar decisões controversas e evitar escrutínio.</p>
<p>No artigo, Sara Niner argumenta que a postura de aparente humildade de Xanana Gusmão pode funcionar como estratégia política para alcançar objetivos e ocultar práticas abusivas.</p>
<p>“Aparecer inofensivo ou insensato significa que os líderes são subestimados e capazes de esconder a estratégia política.” Segundo a autora, atitudes como varrer ruas, recusar protagonismo em eventos, vestir-se de forma simples ou assumir papéis secundários contribuem para criar uma imagem de proximidade e inofensividade.</p>
<p>A autora argumentou que os seus atos tentam esconder as ações corruptas, abusivas ou egoístas, podendo evitar questões como “se a crise foi provocada ou se os gastos imprudentes de dinheiro do governo foram planeados e deliberados”.</p>
<p>A autora vai mais longe ao abordar comportamentos do primeiro-ministro em interações públicas, referindo que gestos como beijos, toques ou proximidade física com mulheres e jovens, frequentemente interpretados como sinais de afeto, podem, noutra perspetiva, configurar situações de “agressão, intimidação ou abuso”. Estas observações tocam num tema particularmente sensível no contexto timorense e ajudam a explicar a forte reação ao artigo.</p>
<p>O Diligente tem vindo a <a href="https://www.diligenteonline.com/timor-leste-democratico-mas-so-ate-se-criticar-xanana/">reportar</a>, ao longo dos últimos anos, preocupações e relatos relacionados com <a href="https://www.diligenteonline.com/ativistas-acusam-xanana-gusmao-de-invadir-dignidade-das-mulheres/">comportamentos semelhantes por parte de Xanana Gusmão</a>, incluindo episódios que <a href="https://www.diligenteonline.com/organizacoes-que-defendem-mulheres-condenam-episodio-de-palmada-do-primeiro-ministro-em-jornalista/">levantam questões sobre limites no contacto físico</a> e <a href="https://www.diligenteonline.com/sem-queixa-nao-ha-agressao-palmadas-de-xanana-em-oe-cusse-passam-impunes/">relações de poder</a>. Neste contexto, o artigo de Sara Niner surge como uma sistematização académica de críticas que já circulam no espaço público timorense.</p>
<p>O artigo gerou uma reação imediata e polarizada. Para alguns leitores, trata-se de uma análise crítica legítima sobre o exercício do poder e a construção da imagem política de uma figura central da história timorense. Para outros, as afirmações são consideradas ofensivas ou desrespeitosas, sobretudo por associarem comportamentos do primeiro-ministro a possíveis abusos, um tema ainda sensível e pouco debatido publicamente no país.</p>
<p>A controvérsia levanta uma questão mais ampla: até que ponto é social e politicamente aceitável criticar Xanana Gusmão em Timor-Leste, especialmente quando estão em causa temas sensíveis como abuso de poder ou comportamento pessoal?</p>
<p><strong>Ataques digitais e vulnerabilidades dos media</strong></p>
<p>Alguns dias após a publicação, o artigo desapareceu do site do Neon Metin. Apesar de o texto continuar disponível na plataforma académica <a href="http://academia.edu">academia.edu</a>, a sua remoção do site do órgão de comunicação social gerou inquietação e suspeitas de uma eventual violação da liberdade de imprensa e de expressão.</p>
<p>“Uns dias depois de publicarmos este artigo, o nosso website apresentou problemas, como desorganização. Pedimos ajuda a um colega de informática e descobrimos que o artigo tinha sido retirado. Continuamos a tentar perceber o que aconteceu exatamente”, explicou o chefe de redação do Neon Metin, Ato Lekinawa da Costa.</p>
<p>O responsável acrescentou que este tipo de situação não é inédito. “Já aconteceu várias vezes. Houve casos em que só duas semanas depois percebemos que um artigo tinha desaparecido. Como o site aparenta estar normal, só ao procurar o artigo é que notamos a sua ausência. E, muitas vezes, temos de voltar a publicá-lo”, afirmou.</p>
<p>Segundo Ato Lekinawa, estes incidentes tendem a ocorrer sobretudo com conteúdos mais sensíveis ou críticos, “incluindo temas relacionados com figuras públicas, casos de pedofilia ou o caso de Ximenes Belo.” O responsável admite que a vulnerabilidade poderá estar relacionada com limitações técnicas do próprio site.</p>
<p>“Não utilizamos um serviço de alojamento caro, nem dispomos de sistemas de segurança sofisticados. Ainda não sabemos se o problema tem origem interna ou externa”, referiu. A forma de resolver os problemas mantém-se a mesma: recorrer a alguém de confiança e, caso não seja possível apurar as razões do desaparecimento de um artigo, optar pela sua republicação.</p>
<p>Elígio Moniz do Rêgo, vice-presidente da Associação ICT-TL e gestor de vários sites de órgãos de comunicação social, incluindo <a href="http://hatutan.com">Hatutan.com</a><u>,</u> revelou que estas plataformas enfrentam diariamente centenas a milhares de tentativas de ataque informático.</p>
<p>Entre os ataques mais comuns destaca-se o Distributed Denial-of-Service (DDoS), que consiste em sobrecarregar os servidores com tráfego até estes ficarem lentos ou inacessíveis.</p>
<p>“Há quem procure ocultar notícias factuais, fazendo desaparecer conteúdos ou comprometendo o funcionamento dos sites. Outros tentam manipular páginas para difundir mensagens políticas, sobretudo quando os conteúdos são considerados sensíveis ou controversos”, explicou.</p>
<p>O especialista alertou ainda para ataques destinados à obtenção de dados sensíveis, como bases de dados de leitores, fontes ou documentos editoriais, com fins de chantagem ou roubo de identidade.</p>
<p>Segundo Elígio do Rêgo, os conteúdos mais visados são os relacionados com política, religião ou investigações sobre corrupção. Acrescentou que a utilização de software desatualizado, plugins inseguros e a ausência de proteção adequada aumentam a vulnerabilidade dos sites.</p>
<p>“Em caso de ataque, os técnicos devem bloquear imediatamente o acesso, criar novos níveis de segurança, recuperar os dados e reforçar os sistemas. A recuperação técnica pode demorar entre 24 e 48 horas, mas a confiança do público pode levar semanas a restabelecer”, alertou.</p>
<p>“O reforço da segurança digital deve ser uma prioridade para todos os órgãos de comunicação social. Este tipo de incidente evidencia a necessidade de planos de resposta claros e de uma cooperação estreita entre equipas técnicas e editoriais”, defendeu.</p>
<p>O especialista manifestou ainda disponibilidade para apoiar os media, “através de assistência técnica voluntária e gratuita, com o objetivo de garantir a continuidade de uma imprensa segura e funcional.”</p>
<p><strong>Liberdade de imprensa: uma ilusão?</strong></p>
<p>Perante os problemas recorrentes, Ato Lekinawa considera que a liberdade de imprensa em Timor-Leste é “relativamente livre”, mas sublinha a existência de ameaças, sobretudo fora do ambiente digital.</p>
<p>“Somos livres para estar online e publicar, mas muitas ameaças são feitas offline. Há mensagens indiretas a avisar que os jornalistas devem ter cuidado com o que publicam”, revelou.</p>
<p>Segundo o responsável, estas situações não são novas e já foram mais frequentes no passado, incluindo acusações de parcialidade ideológica ou financiamento estrangeiro. “Recebemos esse tipo de mensagens quase diariamente quando publicamos temas sensíveis”, afirmou.</p>
<p>Ainda assim, garantiu que tais pressões nunca levaram à autocensura. No caso do artigo de Sara Niner, sublinhou que o texto continua <a href="http://academia.edu/">acessível online</a>, pelo que a sua remoção do site do Neon Metin não impede a sua leitura.</p>
<p>Para o editor, o episódio pode indicar que conteúdos críticos podem circular noutros espaços, mas enfrentam mais dificuldades quando publicados em órgãos de comunicação social timorenses.</p>
<p><strong>Reações e preocupações sobre liberdade de imprensa</strong></p>
<p>O desaparecimento do artigo gerou reações entre internautas, que consideram tratar-se de uma possível violação da liberdade de expressão.</p>
<p>“Se se confirmar que houve uma tentativa de remover um artigo crítico por razões políticas, isso representa uma ameaça à liberdade académica e de expressão consagrada na Constituição”, afirmou o investigador Ivo Mateus Gonçalves.</p>
<p>Recordando que a Constituição garante a liberdade de expressão, o investigador defendeu que o Estado deve assegurar o cumprimento desse direito.  “Timor-Leste tem bons indicadores de liberdade de expressão na Ásia, mas é importante questionar porque nem todas as opiniões são ouvidas. Não se podem limitar ideias nem silenciar opiniões”, afirmou.</p>
<p>Alertou ainda para o risco de precedentes: “Se hoje é um texto crítico, amanhã poderão ser silenciadas outras vozes.”</p>
<p>Por outro lado, Ato Lekinawa não conseguiu ainda referir esta situação como um ataque à liberdade de imprensa, porque ainda não conseguiu identificar a origem do problema por falta de recursos. No entanto, considera que as pessoas julgam que é um ataque à liberdade de imprensa por se tratar de um artigo crítico contra um líder. “Mas às vezes, publicamos outros artigos críticos, eu também escrevo e faço críticas, mas não há problema. É difícil ainda definir.”</p>
<p>Questionado sobre a possibilidade de o Neon Metin apresentar queixa ao Conselho de Imprensa (CI), Ato Lekinawa afirmou que tal não se justifica, uma vez que a situação é pública e o próprio CI deverá ter conhecimento da mesma.</p>
<p>“O Conselho de Imprensa nunca nos questionou sobre como está a decorrer o nosso trabalho. É necessária uma monitorização regular da liberdade de imprensa, pois continuamos dependentes apenas de índices internacionais, sem um indicador próprio a nível nacional”, afirmou.</p>
<p><strong>Académicos e sociedade civil dividem-se sobre leitura crítica da liderança</strong></p>
<p>Segundo Ivo Mateus Gonçalves, a autora do artigo tem autoridade moral e intelectual, sendo a primeira pessoa a escrever dois livros sobre Xanana Gusmão: uma compilação de cartas do líder e uma biografia política. Esta última, sublinhou o investigador, baseou-se em longas entrevistas, não só com Xanana durante o período em que esteve preso na Indonésia, mas também com diversas fontes secundárias.</p>
<p>“Se agora ela critica as atitudes de Xanana, isso resulta de uma observação profunda, sustentada por referências académicas e pela sua experiência. Isso é positivo e demonstra que uma intelectual consegue posicionar-se perante os poderosos. Quando há comportamentos errados, devem ser criticados”, afirmou.</p>
<p>Ivo Mateus considera que os comportamentos referidos não são novos e que podem ser observados em cada período eleitoral. A novidade, diz, está no facto de práticas já conhecidas estarem agora a ser registadas por escrito. “Talvez isso tenha chocado as pessoas. As críticas ao artigo de Sara não têm base sólida; são sobretudo reações emocionais, e não resultado de pensamento crítico.”</p>
<p>Uma das críticas ao artigo de Sara Niner foi feita por Carmeneza dos Santos Monteiro, especialista em políticas públicas em Timor-Leste. A analista discorda da ideia de que a humildade de Xanana seja uma forma de encobrir comportamentos inadequados ou de conquistar a simpatia popular.</p>
<p>Segundo Carmeneza Monteiro, a postura de proximidade ao povo contribui para que a população se sinta ouvida e representada. Acrescentou ainda que Xanana tem demonstrado capacidade de reconhecer erros, nomeadamente no que respeita a falhas na utilização de recursos públicos para responder às necessidades da população.</p>
<p>A responsável reconhece que, enquanto primeiro-ministro, Xanana tem a obrigação de garantir o funcionamento do sistema de governação e a prestação de serviços públicos através dos ministérios. No entanto, discorda da atribuição de responsabilidade total a uma única pessoa, sublinhando que existem várias estruturas governativas responsáveis por responder aos diferentes problemas. “Não considero que a postura do primeiro-ministro funcione como uma forma de desviar a atenção das fragilidades do sistema de saúde”, afirmou.</p>
<p>Carmeneza Monteiro acrescentou ainda que Xanana Gusmão se distingue de outros líderes por ter conquistado o respeito e a confiança do povo através da sua participação na luta de libertação durante 24 anos.</p>
<p>Por sua vez, Ivo Mateus defende uma visão crítica da ideia de humildade política, considerando-a, por vezes, uma construção estratégica. Como exemplo, referiu Soeharto, segundo presidente da Indonésia durante o período da invasão de Timor-Leste. Citando o livro <em>Soeharto: The Smiling General</em>, o investigador referiu que, apesar da imagem pública de proximidade e sorriso constante, o seu regime foi marcado por violência, incluindo massacres contra o Partido Comunista entre 1965 e 1978.</p>
<p>Segundo Ivo Mateus, esta imagem de proximidade pode ser utilizada como estratégia política para criar identificação com a população, explorando fragilidades como a falta de informação. Defende que existe um padrão nestas práticas: “Estas atitudes surgem sobretudo em períodos eleitorais — chorar, tentar parar a chuva, beijar crianças e idosos. Depois de alcançado o poder, deixam de ser visíveis. Passados cinco anos, repetem-se.”</p>
<p>Também a ativista Berta Antonieta considera que o artigo de Sara Niner reforça perceções já existentes na sociedade timorense, sobretudo entre os mais jovens e os grupos mais vulneráveis, e não deve ser interpretado como uma visão externa descontextualizada.</p>
<p>A ativista observou que, nos protestos recentes, “o nível de crítica da juventude timorense é significativamente mais intenso do que o apresentado no artigo de Sara. A forma como Xanana é alvo de gozo vai muito além de expressões como ‘estúpido’”. Para Berta Antonieta, esta situação reflete uma frustração política profunda, associada ao aumento das desigualdades e à concentração de poder ao longo das últimas duas décadas.</p>
<p>“Não podemos ignorar o ressentimento da população e o seu apelo contínuo por uma nação melhor, pela qual lutaram. A individualização e glorificação de heróis deve terminar. O que se impõe agora é uma política centrada na ação coletiva, na responsabilidade e nas condições materiais da população”, concluiu.</p>
<p>O Diligente contactou o presidente do Conselho de Imprensa, que recusou responder às questões por se encontrar em tratamento médico no estrangeiro. Também o Secretário de Estado da Comunicação Social, Expedito Dias Ximenes, foi contactado, tendo falado com o Diligente, mas recusou prestar declarações por telefone, apesar de se encontrar igualmente no estrangeiro, o que impossibilitou a realização de uma entrevista presencial em tempo útil para a publicação da notícia.</p>
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		<title>Preços de combustíveis atingem limite definido pelo Governo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 12:03:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um mês após a fixação de preços máximos, a maioria dos postos já pratica valores no limite, com impacto direto nos transportes e no quotidiano dos cidadãos. Um mês depois de o Governo ter fixado o preço máximo dos combustíveis [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Um mês após a fixação de preços máximos, a maioria dos postos já pratica valores no limite, com impacto direto nos transportes e no quotidiano dos cidadãos.</em></p>
<p>Um mês depois de o Governo ter fixado o preço máximo dos combustíveis no país, com o objetivo de garantir valores justos no mercado, a maioria dos postos de abastecimento já aumentou os preços até ao limite estabelecido. O impacto começa a fazer-se sentir entre os cidadãos.</p>
<p>De acordo com o decreto-lei n.º 13/2026, de 25 de março, sobre medidas de estabilização temporária do preço dos combustíveis e segurança de fornecimento, o preço máximo da gasolina foi fixado em 1,50 dólares por litro e o do gasóleo em 1,65 dólares por litro. O combustível de aviação (Avtur) está fixado em 2,50 dólares por litro e o gás (LPG) em 4,2 dólares por quilograma.</p>
<p>A decisão pretendeu antecipar eventuais subidas dos preços dos combustíveis e assegurar a continuidade e segurança do fornecimento de combustíveis essenciais ao país.</p>
<p>Segundo dados divulgados hoje, 13 de abril, pela Associação TANE Consumidor, os preços da gasolina e do gasóleo em vários postos de abastecimento em Díli atingiram o teto definido. Pelo menos dez dos 23 postos monitorizados pela organização vendem gasolina entre 1,48 e 1,50 dólares por litro, enquanto o gasóleo é comercializado a 1,65 dólares por litro.</p>
<p>O preço mais baixo registado é de 1,33 dólares por litro de gasolina e 1,45 dólares por litro de gasóleo, no posto Mira Mar Fuel, em Fatuhada.</p>
<p>A subida dos preços dos combustíveis regista-se desde março deste ano. Segundo observações do Diligente, a 12 de março, no posto de Kulu-hun, em Becora, a gasolina subiu de 1,16 para 1,30 dólares por litro e o gasóleo de 1,25 para 1,46 dólares. No posto Esperança Timor Oan, a gasolina passou de 1,09 para 1,19 dólares e o gasóleo de 1,19 para 1,31 dólares. Já no Realistic Fuel, a gasolina aumentou de 1,15 para 1,27 dólares e o gasóleo de 1,24 para 1,36 dólares.</p>
<p>O aumento dos preços dos combustíveis em Timor-Leste continua a gerar preocupação entre motoristas e estudantes, sobretudo em Díli, onde o custo de vida depende fortemente dos transportes.</p>
<p>O estudante da UNTL José Sequeira considera que a situação não é exclusiva do país, mas resulta de fatores internacionais. Segundo o próprio, os conflitos no Médio Oriente têm contribuído para agravar o acesso e o preço dos combustíveis.</p>
<p>“O combustível que usamos agora é difícil de encontrar e os preços já não são como antes. No passado, com quatro dólares era possível abastecer uma quantidade maior, que durava uma semana, enquanto atualmente o mesmo valor já não é suficiente, dura apenas três ou quatro dias”, observou.</p>
<p>Elias Soares, motorista de microlete na direção de Comoro, afirmou que a escalada dos preços também está a prejudicar a sua atividade. “Em março deste ano, quando fomos aos postos de abastecimento, vimos que o preço do combustível aumentou de 1,30 para 1,50 dólares por litro. Por isso, agora temos de gastar mais de 30 dólares para encher o depósito, enquanto antes gastávamos entre 18 e 20 dólares”, explicou.</p>
<p>Perante esta situação, o motorista diz ser obrigado a aumentar as tarifas cobradas aos passageiros. “Antes, os alunos pagavam apenas 15 centavos, mas agora têm de pagar 20 ou 25 centavos. Os funcionários e outros cidadãos pagam 25 centavos. Mesmo que a DNTT ainda não tenha tomado qualquer medida, temos comprovativos do aumento do preço do combustível, que mostramos aos passageiros para justificar os novos valores”, afirmou.</p>
<p>Segundo Elias Soares, se a situação se agravar, será difícil continuar a trabalhar. “Acho que já não poderemos continuar a conduzir. Isto afeta diretamente o nosso sustento diário”, acrescentou.</p>
<p>Agostinha Gomes, também estudante da UNTL, afirmou que a subida dos preços tem impacto direto no seu dia a dia. Segundo a estudante, o custo do transporte aumentou significativamente nos últimos meses. Explicou que, anteriormente, os alunos pagavam cerca de 15 centavos, valor que, entretanto, subiu para 25 centavos.</p>
<p>“Penso que não sou a única a enfrentar esta situação, todos os estudantes estão a passar por isto”, lamentou.</p>
<p>A estudante destacou ainda que o impacto económico é significativo, sobretudo para famílias com baixos rendimentos. “Os meus pais não têm emprego formal, e a subida dos custos afeta não só o transporte, mas também outras despesas diárias, uma vez que tenho de pagar um quarto e o preço do querosene subiu”, referiu.</p>
<p>Outro estudante da UNTL, Gelagio Gusmão, também manifestou preocupação, sublinhando que o problema afeta não apenas os estudantes, mas toda a população. Segundo o próprio, o aumento dos preços dos combustíveis tem impacto no acesso ao transporte, na educação e até no emprego.</p>
<p>“O subsídio ajuda, mas não resolve totalmente o problema — talvez apenas cerca de 20%. O Governo deve intervir de forma mais eficaz”, defendeu.</p>
<p>A investigadora da La’o Hamutuk, Marta da Silva, explicou que Timor-Leste depende fortemente das importações, nomeadamente de países como Indonésia, Singapura, Malásia e Austrália, o que torna a economia vulnerável a flutuações externas.</p>
<p>“Por exemplo, em março, o preço mundial dos combustíveis atingiu os 118 dólares por barril, mas há alguns dias desceu para 95 dólares devido a sinais de abrandamento do conflito. No caso de Timor-Leste, enquanto país importador, se esta situação persistir, pode resultar em inflação”, explicou.</p>
<p>Segundo a TANE Consumidor, a falta de informação dificulta a capacidade dos consumidores em decidir onde abastecer. Os dados da organização estão disponíveis na sua página oficial no <a href="https://www.facebook.com/share/p/1EPYZMJBoL/?mibextid=wwXIfr">Facebook</a>.</p>
<p>A organização alerta ainda para o facto de a ausência de monitorização e fiscalização dos preços limitar a transparência no mercado e a proteção dos consumidores. Nesse sentido, recomenda a criação de um sistema de monitorização e divulgação regular dos preços dos combustíveis, com atualizações semanais, de forma a promover uma concorrência justa e informar melhor os cidadãos.</p>
<p>Contactados pelo Diligente, vários postos de abastecimento recusaram prestar declarações, apesar das sucessivas tentativas e da insistência junto dos responsáveis.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/precos-de-combustiveis-atingem-limite-definido-pelo-governo/">Preços de combustíveis atingem limite definido pelo Governo</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Redes criminosas? Timor-Leste no centro de polémica internacional</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/redes-criminosas-timor-leste-no-centro-de-polemica-internacional/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2026 12:11:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Relatório do The Guardian e do OCCRP levanta preocupações sobre o projeto “AB Digital Technology Resort”. Autoridades, analistas e organizações locais dividem-se entre alertas de risco e a ausência de provas concretas de atividade criminosa. Uma investigação do The Guardian, [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/redes-criminosas-timor-leste-no-centro-de-polemica-internacional/">Redes criminosas? Timor-Leste no centro de polémica internacional</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Relatório do The Guardian e do OCCRP levanta preocupações sobre o projeto “AB Digital Technology Resort”. Autoridades, analistas e organizações locais dividem-se entre alertas de risco e a ausência de provas concretas de atividade criminosa.</em></p>
<p>Uma investigação do <em>The Guardian</em>, em colaboração com o OCCRP, colocou Timor-Leste no centro de preocupações internacionais após levantar suspeitas sobre um projeto de investimento com possíveis ligações a redes criminosas.</p>
<p>O projeto foi apresentado como uma iniciativa de modernização económica, visando a criação de um resort baseado em tecnologia blockchain e criptomoedas para atrair investimento estrangeiro. No entanto, rapidamente se tornou alvo de escrutínio devido às ligações de algumas das figuras envolvidas.</p>
<p>Em fevereiro de 2026, uma investigação jornalística realizada no local indicado para a implementação do projeto não identificou qualquer sinal de construção, encontrando apenas um espaço vazio. A ausência de progresso físico levantou dúvidas quanto à viabilidade do projeto.</p>
<p>Segundo o <em>The Guardian</em>, três indivíduos associados ao empreendimento — Yang Jian, Yang Yanming e Shih Ting-yu — foram sancionados pelo Governo dos Estados Unidos, em outubro de 2025.</p>
<p>As sanções estão relacionadas com alegadas ligações a um projeto em Palau associado ao Prince Group, um conglomerado do Camboja que Washington descreve como envolvido em fraude cibernética, branqueamento de capitais e crimes ligados à exploração sexual e ao tráfico humano.</p>
<p>Embora estes indivíduos tenham sido posteriormente afastados do projeto em Timor-Leste, a sua ligação inicial continua a suscitar preocupação entre observadores internacionais.</p>
<p>Outro ponto destacado na investigação prende-se com a concessão de um passaporte diplomático, por parte do Presidente da República, José Ramos-Horta, a Lin Xiaofan.<br />
O empresário é descrito como figura-chave do projeto e foi nomeado conselheiro especial para assuntos económicos e comerciais.</p>
<p>Segundo declarações do Chefe de Estado ao <em>The Guardian</em>, a decisão teve como objetivo facilitar contactos internacionais e atrair investimento estrangeiro, sobretudo em países onde Timor-Leste ainda dispõe de representação diplomática limitada.</p>
<p>O Presidente afirmou que o país não permitirá ser instrumentalizado por atividades ilícitas e garantiu que o caso será monitorizado. Sublinhou ainda que, caso surjam provas concretas de irregularidades, o projeto poderá ser cancelado.</p>
<p>A atribuição do passaporte diplomático e a divulgação de uma doação de 500 mil dólares, apoiada pela Fundação AB Charity, destinada a iniciativas de cariz social, incluindo apoio a crianças, intensificaram o debate público sobre os critérios de atribuição de privilégios diplomáticos e os mecanismos de verificação de investidores estrangeiros.</p>
<h3><strong>Sociedade civil alerta para fragilidades institucionais e riscos de crime organizado</strong></h3>
<p>Também organizações da sociedade civil têm manifestado preocupações quanto à vulnerabilidade de Timor-Leste perante possíveis redes de crime organizado, sobretudo no contexto de novos investimentos estrangeiros.</p>
<p>A <em>Lao Hamutuk</em> reuniu-se com o Presidente da República, José Ramos-Horta, para discutir temas estratégicos como transparência, gestão do Fundo Petrolífero e diversificação económica. Durante o encontro, alertou para a necessidade de reforçar mecanismos de <em>due diligence</em>, transparência e capacidade institucional, de forma a evitar que o país seja utilizado como ponto de entrada para redes internacionais de fraude ou branqueamento de capitais.</p>
<p>Celestino Gusmão Pereira, investigador da organização, sublinhou que, embora não existam provas de uma presença consolidada de crime organizado em Timor-Leste, o país continua exposto a tentativas de influência externa.</p>
<p>“Existem várias tentativas de envolver Timor-Leste em situações deste tipo. No entanto, o país ainda não atingiu um nível de gravidade elevado em termos de crime organizado ou corrupção sistémica”, afirmou.</p>
<p>A organização destacou que um dos principais riscos reside na fragilidade das instituições do Estado em avaliar e filtrar propostas de investimento. Defende, por isso, uma maior aposta no desenvolvimento interno, nomeadamente na agricultura, produção local e turismo comunitário, como forma de reduzir a dependência de investimentos externos de risco.</p>
<p>Um dos pontos mais sensíveis abordados foi a doação de 500 mil dólares associada a indivíduos ligados a projetos de investimento. Segundo a explicação do Presidente, tratou-se de uma contribuição privada para fins de caridade. Ainda assim, a <em>Lao Hamutuk</em> considera que este tipo de situação pode levantar riscos institucionais e afetar a perceção de integridade no processo de decisão pública. “Não se deve confundir a função do Presidente da República com assuntos privados”, alertou.</p>
<p>Também a <em>Fundasaun Mahein</em> manifestou preocupações semelhantes, defendendo uma resposta mais firme por parte do Estado perante potenciais ameaças de criminalidade organizada.</p>
<p>O diretor da organização, Nelson Belo, considera que, até ao momento, não houve investigações suficientemente aprofundadas nem ações concretas visíveis para travar possíveis redes criminosas. “Não se sabe claramente quem autorizou determinadas atividades, nem houve detenções significativas. Isso transmite a ideia de fragilidade na aplicação da lei, especialmente em áreas como a cibersegurança”, afirmou.</p>
<p>Nelson Belo frisou ainda que a ausência de medidas consistentes pode comprometer a confiança pública e afetar a credibilidade internacional de Timor-Leste na prevenção e combate ao crime organizado.</p>
<h2><strong>Apelos à investigação sobre alegadas ligações entre poder político e investidores estrangeiros</strong></h2>
<p>O debate sobre a integridade das instituições do Estado e os riscos associados ao investimento estrangeiro em Timor-Leste intensificou-se após declarações do académico Armindo Moniz, que defende a abertura de uma investigação formal a alegadas ligações entre o Presidente da República, José Ramos-Horta, e indivíduos mencionados em reportagens internacionais.</p>
<p>Segundo o académico, existem indícios que justificam a atuação do Ministério Público e da Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC), sublinhando que o princípio do Estado de direito implica que nenhuma figura pública esteja acima da lei.</p>
<p>Armindo Moniz considera que a discussão sobre a imunidade presidencial não deve impedir o apuramento de factos. Defende que uma eventual investigação permitiria esclarecer suspeitas e reforçar o princípio da igualdade perante a lei. “A questão central é saber o que aconteceria se houvesse envolvimento. Isso só pode ser esclarecido através de uma investigação”, afirmou, referindo-se à reportagem do <em>The Guardian</em> como um ponto de partida possível para averiguações.</p>
<p>O académico manifestou ainda preocupação pelo facto de, apesar de existirem alegações públicas, não terem sido anunciadas investigações formais. Na sua perspetiva, essa ausência pode refletir fragilidades institucionais, apontando, como exemplo, limitações na atuação de entidades como a Comissão Anticorrupção (CAC).</p>
<p>Ainda assim, sublinhou que não devem ser feitas acusações diretas sem prova, defendendo que cabe às instituições competentes — Ministério Público, CAC e PCIC — conduzir eventuais investigações.</p>
<p>Referindo-se ao contexto internacional, Armindo Moniz destacou que alguns dos indivíduos mencionados em relatórios externos “foram alvo de sanções ou restrições noutros países, por alegado envolvimento em práticas como branqueamento de capitais ou tráfico humano.” Considera, por isso, que Timor-Leste deve manter alinhamento com compromissos internacionais nesta matéria.</p>
<p>O académico alertou também para o impacto que associações, mesmo que não comprovadas, podem ter na perceção externa do país. “A ligação a indivíduos suspeitos pode afetar a imagem internacional de Timor-Leste”, afirmou.</p>
<p>Entre as questões levantadas está ainda a atribuição de passaportes diplomáticos, cuja competência é do Presidente da República. “Importa clarificar se esses atos seguem critérios legais ou se podem levantar dúvidas quanto à sua fundamentação”, advertiu.</p>
<p>Referiu igualmente a necessidade de escrutínio sobre situações passadas, incluindo decisões presidenciais e contactos com figuras estrangeiras, sublinhando que quaisquer conclusões devem resultar de investigação formal.</p>
<p>Armindo Moniz admite a possibilidade de riscos mais amplos. “O país deve prevenir a eventual utilização do seu território como ponto de passagem para redes criminosas internacionais, ainda que tal cenário careça de prova.”</p>
<p>Também Abel Pires, membro jurado da RENETIL, afirmou que não existe clareza sobre eventuais decisões do IX Governo relativamente a licenças associadas ao caso.</p>
<p>Segundo Abel Pires, atividades ligadas a criptomoedas não são, por si só, ilegais, mas “podem representar riscos quando associadas a indivíduos com histórico controverso referido em relatórios internacionais.”</p>
<p>O responsável alertou para a possibilidade de projetos de investimento serem utilizados como porta de entrada para outras atividades, defendendo maior rigor na avaliação de investidores estrangeiros.</p>
<p>Abel Pires referiu ainda alegações relacionadas com uma doação de 500 mil dólares e possíveis decisões subsequentes. “Essas situações devem ser devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes”, sublinhou.</p>
<p>“Isto levanta questões que precisam de ser analisadas com rigor”, afirmou, acrescentando que eventuais fragilidades na supervisão podem ter impactos na economia e na credibilidade do país.</p>
<figure id="attachment_22094" aria-describedby="caption-attachment-22094" style="width: 621px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-22094" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/04/certificado-516x355.jpg" alt="" width="621" height="427" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/04/certificado-516x355.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/04/certificado-900x619.jpg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/04/certificado-768x528.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/04/certificado.jpg 1298w" sizes="(max-width: 621px) 100vw, 621px" /><figcaption id="caption-attachment-22094" class="wp-caption-text">A Fundação AB Charity é uma organização não governamental internacional independente, registada na Irlanda e com reconhecimento jurídico na União Europeia. Conta com apoio da AB DAO em termos de financiamento e tecnologia. A sua missão é promover a filantropia global através do uso de tecnologias como blockchain e inteligência artificial, garantindo maior transparência e rastreabilidade/Foto: DR</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Investimentos sociais da Fundação AB Charity</strong></p>
<p>Segundo informação divulgada pela Fundação AB Charity, a entidade desenvolveu, ao longo de 2025, duas iniciativas em Timor-Leste nas áreas da educação e apoio social, num total de 1,19 milhões de dólares norte-americanos.</p>
<p>A primeira, anunciada a 4 de julho de 2025, consistiu na doação de 500 mil dólares para um programa de bolsas de estudo destinado a estudantes de famílias economicamente vulneráveis, com o objetivo de apoiar o acesso e a permanência no ensino superior.</p>
<p>A segunda iniciativa, anunciada a 21 de novembro do ano passado, envolveu a disponibilização de bens essenciais, avaliados em cerca de 691 mil dólares, para apoio a crianças em situação de pobreza, através de programas de assistência social.</p>
<p>De acordo com a organização, estas intervenções procuram responder a necessidades imediatas, ao mesmo tempo que promovem o acesso à educação como fator de mobilidade social.</p>
<p><strong>Presidente rejeita alegações e defende abertura ao investimento estrangeiro</strong></p>
<p>O Presidente da República, José Ramos-Horta, reagiu à recente reportagem do <em>The Guardian</em>, que levanta suspeitas sobre ligações entre investidores estrangeiros e um alegado esquema fraudulento com possíveis ramificações em Timor-Leste.</p>
<p>Segundo o Chefe de Estado, um dos indivíduos referidos, identificado como Frank Lin, é um empresário com atividade em vários países na área das tecnologias de informação. Indicou que este esteve em Timor-Leste no ano passado em contactos exploratórios, sem que tenham resultado investimentos concretos.</p>
<p>Ramos-Horta referiu ainda que o empresário apoiou iniciativas de caráter social, incluindo doações de bens e contributos para programas de bolsas de estudo.</p>
<p>O Presidente afirmou que não existem, até ao momento, provas que sustentem alegações de envolvimento em atividades criminosas em território nacional. “Não devemos fazer acusações com base na origem das pessoas. O Sr. Lin não cometeu qualquer infração em Timor-Leste”, declarou.</p>
<p>Sublinhou que a avaliação e aprovação de investimentos compete às autoridades competentes, com base no interesse nacional.</p>
<p>Ramos-Horta reconheceu, contudo, que o país, enquanto Estado jovem, pode estar exposto a riscos de infiltração por redes internacionais, defendendo a necessidade de vigilância. Ainda assim, afirmou não existirem sinais de presença consolidada de crime organizado em Timor-Leste.</p>
<p>Referiu também intervenções recentes das autoridades, incluindo o encerramento de atividades ilegais em Oé-Cusse e em Díli, como exemplo da capacidade de resposta do Estado.</p>
<p>“Devemos ser firmes contra o crime organizado”, afirmou, reiterando que o país continuará aberto ao investimento estrangeiro, desde que enquadrado na legalidade.</p>
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		<title>Conflito no Médio Oriente expõe fragilidades económicas e diplomáticas de Timor-Leste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 12:10:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O conflito no Médio Oriente está a ter repercussões em Timor-Leste, com especialistas e jovens a alertarem para o impacto na economia, no custo de vida e na estabilidade diplomática do país, num debate realizado em Díli. As preocupações foram [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O conflito no Médio Oriente está a ter repercussões em Timor-Leste, com especialistas e jovens a alertarem para o impacto na economia, no custo de vida e na estabilidade diplomática do país, num debate realizado em Díli.</em></p>
<p>As preocupações foram expressas num debate promovido pelos Alumni do Parlamento Foinsa’e de Timor-Leste (APFTL), realizado em Díli ontem, 9 de abril, onde oradores analisaram o impacto das dinâmicas geopolíticas internacionais na economia e na política externa timorense.</p>
<p>O diplomata Joaquim da Fonseca afirmou que, apesar da distância geográfica, Timor-Leste sente diretamente os efeitos do conflito. Defendeu que a análise de crises internacionais deve considerar a sua evolução histórica e criticou a perda de eficácia das instituições multilaterais, em particular da Organização das Nações Unidas (ONU), criada no pós-Segunda Guerra Mundial para garantir a paz e a segurança internacional.</p>
<p>“Em vários conflitos, como na Líbia, no Sudão e na Síria, observa-se essa fragilidade. Os sinais dessa perda de eficácia já eram visíveis desde 1991, quando a comunidade internacional falhou em prevenir a invasão do Iraque”, afirmou.</p>
<p>Com base na sua experiência como representante de Timor-Leste em Genebra, o diplomata referiu que a diplomacia tradicional, centrada na prevenção de conflitos e na proteção dos direitos humanos, tem vindo a ser substituída por abordagens mais militarizadas. “Começámos a ouvir expressões como ‘boots on the ground’, que contrariam o verdadeiro papel da diplomacia, que é resolver problemas por vias pacíficas”, disse.</p>
<p>Joaquim da Fonseca apontou ainda divisões entre países ocidentais na forma como têm reagido ao conflito no Médio Oriente, comparando essas posições com as adotadas na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Segundo afirmou, a coerência internacional tem sido desigual entre diferentes crises.</p>
<p>No plano da segurança internacional, o diplomata sublinhou que a sobrevivência dos pequenos Estados depende de um sistema internacional baseado em regras. “Um país pequeno como o nosso só pode sobreviver com o respeito pelas regras internacionais. Timor-Leste não tem capacidade para projetar força militar”, afirmou, recordando que o processo de independência beneficiou precisamente desse enquadramento normativo.</p>
<p>Ainda assim, alertou para o enfraquecimento desse sistema. “O mundo caminha para uma nova fase, em que o poder económico e político das grandes potências ganha maior peso do que as regras multilaterais”, disse, sublinhando que este contexto exige atenção aos impactos económicos globais, incluindo o aumento dos preços dos combustíveis.</p>
<p>O diplomata advertiu também para os riscos de decisões internacionais imprevisíveis e recorreu a exemplos externos para ilustrar a fragilidade do sistema global, questionando até que ponto pequenos Estados conseguem confiar na proteção das regras internacionais.</p>
<p>Defendeu, por isso, um reforço do compromisso de Timor-Leste com o multilateralismo. “Timor-Leste deve contribuir para a revitalização do multilateralismo, de forma a restaurar um sistema internacional mais equilibrado e justo para os países pequenos”, afirmou.</p>
<p>Sobre a adesão do país à ASEAN, alertou que o processo exigirá maior coordenação diplomática e alinhamento regional, sublinhando a necessidade de decisões mais cuidadosas e consistentes.</p>
<p><strong>Dependência de importações agrava vulnerabilidade económica</strong></p>
<p>A investigadora da organização La’o Hamutuk, Marta da Silva, afirmou que Timor-Leste continua fortemente dependente das importações, o que o torna particularmente vulnerável a choques externos, numa tendência agravada desde a pandemia de COVID-19.</p>
<p>Segundo a investigadora, a atual conjuntura internacional evidencia fragilidades estruturais na economia timorense. “A situação que vivemos é alarmante, porque países maiores, como os Estados Unidos, estão a desrespeitar as leis internacionais e os padrões globais. Isso afeta diretamente países mais pequenos, como o nosso”, afirmou.</p>
<p>Criticou ainda a falta de planeamento económico de médio e longo prazo. “O Governo muitas vezes reage apenas quando o problema já está instalado, e essas medidas nem sempre são eficazes e podem criar novos riscos”, disse.</p>
<p>Marta da Silva sublinhou que Timor-Leste depende de importações de países como Indonésia, Singapura, Malásia e Austrália, o que o torna sensível às flutuações dos mercados internacionais, incluindo o preço do petróleo.</p>
<p>“Quando o preço do petróleo sobe, isso tem impacto direto na inflação em Timor-Leste”, explicou, acrescentando que a dependência se estende a fertilizantes e outros bens essenciais para a agricultura.</p>
<p>A investigadora referiu ainda que esta vulnerabilidade se reflete no setor energético, com a necessidade contínua de subsídios estatais à eletricidade. Defendeu maior investimento em setores produtivos e energias renováveis, sublinhando que a diversificação económica permanece mais discursiva do que prática. “Fala-se muito de diversificação económica, mas isso fica muitas vezes no plano do discurso”, afirmou.</p>
<p><strong>Jovens alertam para impacto no custo de vida e na educação</strong></p>
<p>Entre os jovens participantes no debate, a subida dos combustíveis foi apontada como um fator com impacto direto no acesso à educação e ao emprego.</p>
<p>Benvinda Alves afirmou que, apesar de os aumentos parecerem pequenos, têm efeitos acumulados significativos no orçamento das famílias. Frisou que estudantes de famílias com menos recursos poderão enfrentar dificuldades em suportar custos de transporte, o que pode afetar a continuidade dos estudos.</p>
<p>Defendeu ainda medidas para reduzir a necessidade de deslocações, incluindo o reforço do ensino à distância e do trabalho remoto.</p>
<p>Outros participantes sublinharam que o aumento dos combustíveis também contribui para a subida dos preços dos alimentos, devido ao encarecimento do transporte de bens, afetando sobretudo trabalhadores e famílias de baixos rendimentos.</p>
<p>Domingos Mendonça de Jesus salientou que a pressão económica pode levar alguns estudantes a abandonar os estudos, agravando desigualdades sociais existentes. Defendeu também uma política externa equilibrada, que preserve relações internacionais e oportunidades para os jovens, incluindo bolsas de estudo.</p>
<p>“É importante que o Governo tenha cuidado nas suas posições, para não comprometer as relações internacionais já estabelecidas”, afirmou.</p>
<p>Também Efigénia Maria Malik Makikit defendeu que Timor-Leste deve manter um equilíbrio nas suas relações diplomáticas e evitar dependência excessiva de poucos parceiros, sublinhando que as decisões governamentais devem dar prioridade ao interesse nacional e ao bem-estar da população.</p>
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		<title>Crónica de um dia como outro qualquer: quando o ‘nós’ se confunde com o ‘eu’</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 12:42:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crónica]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião & Crónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Esta noite não consegui dormir. O meu vizinho comprou colunas novas e resolveu ouvir música a noite toda. Por volta das quatro e meia, fui até ele. Lá estavam três pessoas. Uma delas a dormir sentada numa cadeira. As outras [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Esta noite não consegui dormir. O meu vizinho comprou colunas novas e resolveu ouvir música a noite toda. Por volta das quatro e meia, fui até ele. Lá estavam três pessoas. Uma delas a dormir sentada numa cadeira. As outras duas olharam para mim como se eu fosse um intruso. Pedi que baixassem o volume. Ofendido, o meu vizinho respondeu que estava no seu terreno e que tinha o direito de fazer o que quisesse. Voltei para casa, resignado.</p>
<p>Como já estava acordado e precisava de atualizar alguns documentos, saí cedo. Logo na primeira esquina, um carro entrou na minha rua fazendo a curva em contramão. O condutor buzinou, olhou-me de forma repreensiva e seguiu em frente. Continuei o caminho.</p>
<p>Quando cheguei ao lugar onde precisava de entregar os documentos, já lá estavam várias pessoas. A ordem de chegada não parecia ter qualquer importância. Todos a tentar passar uns à frente dos outros. Enquanto esticava o braço, na esperança de que o atendente pegasse os papéis, desloquei o peso do corpo de uma perna para outra e, nesse espaço que não sabia que existia, alguém entrou e passou à minha frente.</p>
<p>Depois de entregar os documentos, voltei para o carro. Lembrei-me que ainda não tinha tomado o primeiro café do dia. Saí determinado a encontrar uma cafetaria.</p>
<p>No trânsito, motas ultrapassavam pela esquerda e pela direita, carros avançavam a quinze quilómetros por hora – alguns por serem antigos, outros porque o condutor admirava a paisagem ou falava ao telemóvel. Depois de algum tempo, consegui ultrapassá-los, mas quase colidi com uma mikrolete que ora parava, ora avançava, sem qualquer sinal de aviso.</p>
<p>Mais à frente, o trânsito estava parado. Passados quase 10 minutos e 50 metros percorridos, percebi o motivo: alguns condutores paravam no meio da estrada, junto aos vendedores de peixe, para não terem de sair do carro.</p>
<p>Quando finalmente cheguei à cafetaria, sentei-me na única mesa que estava vaga. Sentadas à minha esquerda, quatro pessoas conversavam e riam alto. Na mesa à minha frente, uma pessoa assistia a um vídeo no telemóvel com o volume no máximo. Decidi voltar para casa.</p>
<p>A minha rua estava fechada. Vizinhos tinham montado tendas para uma celebração e interditado o trânsito. Estacionei na rua ao lado. Quando cheguei a casa, encontrei dois familiares à porta; tinham vindo da aldeia exclusivamente para buscar o dinheiro que eu regularmente lhes dava.</p>
<p>Lembrei-lhes que estava desempregado há dois meses e que naquele momento não tinha sequer para pagar a escola dos meus filhos. Após alguns segundos de silêncio, a olharem-me com deceção no rosto, disseram que era uma obrigação minha, que deveria ajudar e que não podia ser egoísta ou desrespeitar a família.</p>
<p>À noite, sozinho a pensar sobre o que fazer, percebi que ao longo do dia estive com várias pessoas e que em nenhum momento me perguntaram como me estava a sentir ou se precisava de alguma coisa. Sem saber o que fazer, demorei a dormir.”</p>
<p>Esta história é uma ficção, ou melhor, uma compilação de diversas histórias que me foram narradas por pessoas diferentes, que falam tétum e pertencem a uma <em>Lisan</em>.</p>
<p>O que estou a propor aqui é uma reflexão sobre o sentimento de solidão e desamparo que muitas pessoas experimentam hoje em dia. Aquela sensação de estar rodeado de pessoas e, ainda assim, sentir que ninguém nos vê.</p>
<p><strong>O paradoxo do individualismo coletivo</strong></p>
<p>À primeira vista, tudo parece comunitário: partilhamos opiniões, aderimos a grupos, vivemos próximos uns aos outros, temos os mesmos hábitos e crenças. No entanto, por detrás desta aparente uniformidade, as ações coletivas, em alguns contextos, podem servir para justificar ações individualistas.</p>
<p>Chamemos a isso individualismo coletivo: uma forma de colocar o <em>eu</em> em primeiro lugar enquanto se fala em <em>todos</em>. Este tipo de individualismo é confortável porque permite sentir-se parte de uma sociedade sem assumir as responsabilidades que a vida em comunidade exige. Oferece a sensação de pertencimento sem renúncia, convivência sem cuidado e discurso sem prática.</p>
<p>Dizemos a nós mesmos: “toda a gente faz assim”, “esta é a minha cultura”, “foi assim que aprendi”, “se os outros fazem eu também posso fazer”, “já que fizeram comigo, então farei com os outros” e, nesta dinâmica, podemos, sem nos aperceber, contribuir para reforçar o individualismo coletivo.</p>
<p>O espaço urbano e a sociabilidade podem passar a ser algo por onde transitamos, mas não pertencemos. O outro, neste cenário, pode transformar-se num incómodo, num desafio, num perigo a tolerar e evitar.</p>
<p>Quando o coletivo é usado sobretudo para legitimar o individual, a confiança entre as pessoas tende a enfraquecer lentamente. Deixamos de esperar reciprocidade e passamos a antecipar a deceção. O gesto de ajudar pode tornar-se calculado; a generosidade, condicional; a proximidade, negociada; a gentileza, uma máscara social; e a solidariedade, um investimento à espera de retorno. Não porque as pessoas sejam indiferentes, mas porque aprenderam, pela experiência repetida, a desconfiar antes mesmo de conhecer.</p>
<p>E assim temos o paradoxo: celebra-se o <em>nós</em> precisamente quando cada um age em função do <em>eu</em>. A família, a comunidade, a cultura tornam-se argumentos para exigir dos outros aquilo que não estamos dispostos a oferecer. É nesta distância entre o discurso e a prática que o individualismo coletivo se instala – silencioso, quase invisível, normalizado. Muitos participam. Poucos se reconhecem.</p>
<p><strong>O desconforto da pertença</strong></p>
<p>Todos os meses, inúmeras pessoas vêm ao meu consultório com sintomas de ansiedade ou depressão. Entre os principais problemas que parte delas diz estar a enfrentar estão as exigências de familiares e determinadas obrigações impostas pela <em>Lisan</em>, sobretudo os pedidos constantes de dinheiro.</p>
<p>O medo de perder o emprego, ou de não conseguir pagar as contas, ou de dececionar a família, ou de ser excluído ou amaldiçoado causa-lhes problemas para dormir, pensamentos obsessivos, irritabilidade, dores no estômago, enxaquecas, tristeza e isolamento social. Em casos mais extremos, relatam uma sensação de estar a perder o contacto com a realidade.</p>
<p>A questão que se coloca não é se os costumes têm valor – têm, e muito. A questão é quando uma prática sociocultural deixa de orientar e passa a oprimir. Quando a obrigação substitui a escolha. Quando o medo substitui o respeito. Quando a ameaça substitui o diálogo.</p>
<p>Neste ponto, já não estamos apenas perante uma expressão de cultura, mas sim perante uma forma de controlo. E o facto de ser antigo não garante, por si só, que seja justo ou saudável. Nem o facto de ser partilhado o torna inofensivo.</p>
<p>Um dos fatores que faz este tema difícil de discutir é a sua invisibilidade. Muitas vezes, quem sofre, sofre em silêncio, porque questionar é interpretado como ingratidão, desrespeito, traição ou arrogância. Quem exige, exige com a consciência tranquila, por acreditar estar a preservar algo “que sempre foi assim”, sagrado e herdado.</p>
<p>E, nesse intervalo – entre o que se impõe em nome da tradição e o que se suporta em nome da pertença – instala-se um sofrimento pelo qual poucos se sentem responsáveis e quem sofre, muitas vezes, nem reconhece a dor. Apenas sente, noite após noite, que algo não está bem.</p>
<p><strong>A atualidade dos costumes ancestrais</strong></p>
<p>Valorizar os costumes ancestrais é importante. Eles trazem sentimento de pertença, continuidade, unidade e influenciam a nossa própria perceção de identidade. Mas o que chamamos de cultura são práticas, normas e formas de pensar construídas ao longo do tempo, sujeitas aos contextos históricos, às disputas de poder e às ideologias de cada época.</p>
<p>Algumas regras e práticas culturais são claras e visíveis, como os tabus e rituais das <em>Lisan</em>, o uso do <em>belak, </em>do<em> tais </em>e do<em> kaebauk</em>, as cerimónias do <em>barlake, </em>as histórias de origem, entre outras.</p>
<p>Mas também fazem parte da cultura as práticas do quotidiano que podem não estar associadas às <em>Lisan</em> e que raramente questionamos: a forma como falamos com as mulheres, como educamos as crianças, os hábitos alimentares (comer arroz e <em>ai manas</em>, por exemplo), o que vestimos, a tendência para os castigos físicos, quem manda e quem obedece, como entendemos o que é diferente, as técnicas para sacrificar animais, mastigar de boca aberta ou fechada, o que fazemos para nos divertir e, até mesmo, o hábito de balançar o carro enquanto abastecemos – a lista segue.</p>
<p>Refletir criticamente sobre o que entendemos por cultura ajuda a preservar o que é valioso. Para isso, não precisamos de comparar com outras culturas nem importar costumes de outros lugares. Podemos começar por analisar se as nossas próprias verdades e visões de mundo são inclusivas e estão a promover a saúde emocional e mental das pessoas e das comunidades.</p>
<p>Por exemplo, de tempos em tempos, renovamos a madeira e o telhado das <em>Uma Lulik</em>. Fazemos isto porque os materiais envelhecem, estragam-se e precisam de ser substituídos. Passamos a usar pregos em vez de cordas. Fazemos as vigas mais resistentes, usamos cimento em lugar de apenas madeira. Na construção de barcos aconteceu o mesmo e hoje usamos motores a diesel em vez de remos. Na pesca, o anzol e a rede substituíram os arcos e flechas de bambu.</p>
<p>Com estas mudanças, não estamos a desrespeitar os costumes e os nossos ancestrais. Pelo contrário, mantemos as práticas do passado com algumas adaptações que melhoram a qualidade do que fazemos.</p>
<p>Este é, provavelmente, um dos nossos maiores desafios na atualidade: como fazer a transição do passado para o presente ou como atualizar as nossas tradições. A pergunta que me parece mais interessante não é “isto é diferente do passado?” – tudo muda com o tempo. A questão mais relevante, na minha opinião, é: “isto está a fazer bem às pessoas?”</p>
<p><strong>E nós?</strong></p>
<p>A mudança exige mais do que palavras ou boas intenções. Ela começa nas pequenas atitudes do dia a dia. Uma sociedade não se constrói somente com estradas, estátuas, prédios altos e casas de dois andares. Constrói-se, sobretudo, com a qualidade das relações que as pessoas cultivam entre si, com a forma como se olham, como se escutam, como se tratam e como lidam com as diferenças.</p>
<p>Só quando o respeito deixa de ser um discurso e se torna uma prática é que o coletivo deixa de ser uma máscara para o individualismo e passa a ser um espaço de convivência e encontro. E isso começa em algo simples: qual foi a última vez que perguntou a alguém como se sentia?</p>
<p>Para finalizar, proponho uma reflexão: será que, no Timor-Leste de hoje, o individualismo aprendeu a falar a linguagem da <em>Lisan</em> – instrumentalizando os rituais, o respeito, a família e os costumes ancestrais não para os preservar, mas para deles obter vantagem, prestígio ou poder? O que estamos realmente a proteger quando invocamos a tradição?</p>
<p><span style="color: #808080;">Alessandro Boarccaech é psicólogo, especialista em psicologia clínica, psicoterapeuta, semiótico e Ph.D. em antropologia.</span></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/cronica-de-um-dia-como-outro-qualquer-quando-o-nos-se-confunde-com-o-eu/">Crónica de um dia como outro qualquer: quando o ‘nós’ se confunde com o ‘eu’</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Estão abertas as candidaturas às bolsas de estudo “Mulher na Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (CTEM)” da ASEAN–Reino Unido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 09:54:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Voz das organizações]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estão abertas ao público as candidaturas ao programa de bolsas de estudo “Mulher na Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (CTEM)” da ASEAN–Reino Unido, cofinanciado pelo British Council e pela Missão do Reino Unido junto da ASEAN. O programa financia cursos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Estão abertas ao público <strong>as candidaturas ao programa de bolsas de estudo</strong> “Mulher na Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (CTEM)” da ASEAN–Reino Unido, cofinanciado pelo British Council e <strong>pela Missão do Reino Unido junto da ASEAN</strong>.</p>
<p>O programa <strong>financia cursos de mestrado com a duração de um ano</strong> em universidades e instituições de <strong>investigação de topo</strong> no Reino Unido, com o objetivo de <strong>aumentar as oportunidades para mulheres na área das CTEM, reforçar a liderança feminina</strong> na ciência e inovação e <strong>promover a diversidade e a igualdade de género neste setor</strong>.</p>
<p>Cada bolsa para o ano académico de 2026–2027 tem um valor mínimo de £40.000, incluindo propinas, despesas de <strong>viagem e vistos</strong>, <strong>cobertura de saúde</strong> e apoio à língua inglesa. Estas bolsas, <strong>potencialmente transformadoras</strong>, facilitam o acesso a universidades de renome mundial nas áreas da ciência e investigação no Reino Unido, bem como a <strong>redes que ligam especialistas em CTEM e antigos estudantes internacionais</strong>.</p>
<p>Estão disponíveis 20 bolsas de estudo para candidatas de países do <strong>Sudeste Asiático</strong>, em colaboração com <strong>quatro universidades</strong> do Reino Unido.</p>
<p><strong>Dr Jen Bardsley, Diretor Global do Apoio à Investigação e Ciência do British Council</strong><br />
“É fantástico voltarmos a organizar o nosso programa de bolsas de estudo Mulher na CTEM para o ano académico de 2026–2027. O programa <strong>visa reduzir as barreiras que limitam a progressão das mulheres nestas áreas e promover uma representação mais inclusiva e diversificada</strong>, que, como sabemos, <strong>contribui para o avanço da ciência e para melhores resultados para todos</strong>.”</p>
<p><strong><em>Summer Xia, Diretor Nacional da Indonésia e Diretor Regional do Sudeste Asiático do British Council</em></strong></p>
<p>“Continuamos a observar <strong>enorme talento e ambição entre as mulheres que procuram cursos na área das CTEM</strong>. No entanto, muitas ainda enfrentam barreiras estruturais <strong>no acesso ao ensino avançado e a oportunidades globais de investigação</strong>. Através destas bolsas, pretendemos apoiar mulheres na ASEAN, incluindo <strong>na Indonésia e em Timor-Leste</strong>, que estão preparadas para dar o próximo passo nas suas carreiras e contribuir para a inovação, a sustentabilidade e o progresso social, tanto a nível nacional como internacional. Estamos orgulhosos por abrir as candidaturas deste ano e <strong>entusiasmados por ver mais </strong><strong>mulheres da Indonésia a liderar e a moldar o futuro das CTEM</strong>.”</p>
<p>Para <strong>mais informações sobre as bolsas disponíveis</strong> para a Indonésia e Timor-Leste, consulte:<a href="https://www.britishcouncil.org/study-work-abroad/in-uk/scholarship-women-stem"><em>https://www.britishcouncil.org/study-work-abroad/in-uk/scholarship-women-stem</em></a></p>
<p>As candidaturas às bolsas de estudo “Mulher na CTEM” da ASEAN–Reino Unido estão abertas até ao final de <strong>abril de 2026</strong>.</p>
<p>***FIM***</p>
<p><strong>Sobre Programas e Bolsas de Estudo da ASEAN-Reino Unido</strong></p>
<p><a href="https://www.britishcouncil.org/study-work-abroad/in-uk/scholarship-women-stem"><strong>https://www.britishcouncil.org/study-work-abroad/in-uk/scholarship-women-stem</strong></a></p>
<p>As bolsas de estudo são cofinanciadas pelo British Council e Missão do Reino Unido junto da ASEAN. Em 2026 marca o seu quinto aniversário como o parceiro do diálogo da ASEAN. Candidatas para as bolsas de estudo Mulher na CTEM dos 11 países membros da ASEAN podem inscrever-se no programa para tirar cursos selecionados em nossas duas universidades parceiras no Reino Unido, Cranfield University e Stirling University.</p>
<p><strong>Sobre o British Council</strong></p>
<p><a href="http://www.britishcouncil.org/"><strong>www.britishcouncil.org</strong></a></p>
<p>O British Council é <strong>a organização internacional do Reino Unido para as relações culturais e oportunidades educacionais</strong>. Promove <strong>a ligação, a compreensão e a confiança</strong> entre pessoas do Reino Unido e de outros países através da arte e cultura, educação e língua inglesa.</p>
<p>No <strong>último ano</strong>, alcançou diretamente mais de 80 milhões de pessoas e, no total, 791 milhões, incluindo através de <strong>meios digitais, transmissões televisivas e publicações</strong>.</p>
<p>Fundado em 1934, é uma instituição de caridade britânica <strong>regida por Carta Real</strong> e um organismo público do Reino Unido, recebendo cerca de <strong>15% do seu financiamento de base do Governo britânico</strong>.</p>
<p><strong>Sobre a Missão do Reino Unido junto da ASEAN </strong></p>
<p><a href="https://www.gov.uk/world/organisations/uk-mission-to-asean"><strong>https://www.gov.uk/world/organisations/uk-mission-to-asean</strong></a></p>
<p>A Missão do Reino Unido junto da ASEAN tem como objetivo <strong>reforçar o envolvimento com a ASEAN</strong>, com base na <strong>cooperação existente</strong>, e explorar novas oportunidades de colaboração com a organização e os seus <strong>Estados-membros</strong>.</p>
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		<title>Timor-Leste gasta 168 milhões em gasóleo, mas especialistas apontam erro de planeamento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 12:15:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Especialistas defendem que a aquisição poderia ter sido feita a preços mais baixos e alertam para a ausência de uma reserva estratégica nacional, que evitaria o recurso uma adjudicação direta. Perante o agravamento do conflito no Médio Oriente, o Governo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Especialistas defendem que a aquisição poderia ter sido feita a preços mais baixos e alertam para a ausência de uma reserva estratégica nacional, que evitaria o recurso uma adjudicação direta.</em></p>
<p>Perante o agravamento do conflito no Médio Oriente, o Governo timorense aprovou, esta quarta-feira, 1 de abril, uma despesa de 168,8 milhões de dólares para a compra de 80 milhões de litros de gasóleo, com o objetivo de garantir reservas até ao final do ano.</p>
<p>O impacto do conflito começou a fazer-se sentir noutros países já no ano passado, quando os preços dos combustíveis iniciaram uma trajetória de subida gradual. Para o economista António Serra, a decisão revela “um erro importante de gestão macroeconómica”, ao adquirir combustível num momento em que os preços atingem níveis recorde nos mercados internacionais.</p>
<p>O especialista sublinhou que o preço do gasóleo era significativamente mais baixo meses antes, o que poderia ter evitado um gasto desta dimensão. “Na véspera do início da atual guerra (28 de fevereiro de 2026), o preço era de 2,03 dólares por litro, mas no final de 2025 situava-se nos 1,88 dólares”, explicou. Acrescentou ainda que, seis meses antes, o preço rondava 1,76 dólares por litro, o que representa uma diferença de cerca de 50 centavos por litro.</p>
<p>“Mas a questão fundamental nem é esta. O mais relevante é perceber por que razão um país tão dependente do gasóleo, nomeadamente para a produção de eletricidade, não dispõe de uma reserva estratégica, à semelhança da maioria dos países”, afirmou António Serra.</p>
<p>Esta preocupação é partilhada pela investigadora da La’o Hamutuk, Marta da Silva, que alertou para a inexistência de reservas deixou o Governo sem margem de manobra, obrigando-o a depender de empresas privadas.</p>
<p>“A Timor Gap, sendo uma empresa estatal, não consegue indicar até quando pode garantir as reservas do país. Foi a ETO (Empresa Timor Oan) que assegurou capacidade para três meses”, referiu.</p>
<p>Relativamente à quantidade adquirida para assegurar o consumo até ao final do ano, António Serra questiona qual será a estratégia após esse período, defendendo que a existência de uma reserva estratégica permitiria reduzir despesas imprevistas.</p>
<p>No entanto, um dia após anunciar a compra deste volume de combustível, o próprio Primeiro-Ministro admitiu que a quantidade poderá cobrir apenas cerca de seis meses. Perante esse cenário, sugeriu a possibilidade de cortes no fornecimento de eletricidade entre as 23h e as 5h, e apelou à redução do uso de viaturas, exceto em situações de necessidade. Argumentou ainda que, mesmo que o conflito termine, a recuperação dos mercados levará tempo.</p>
<p>Segundo o <a href="https://www.worldometers.info/oil/timor-leste-oil/" target="_blank" rel="noopener">Worldometer</a>, Timor-Leste consome mais de 4.500 barris por dia. Os 80 milhões de litros correspondem a mais de 503 mil barris, o que, ao ritmo de consumo atual, garantiria abastecimento por pouco mais de três meses.</p>
<p>Caso o conflito se prolongue e não sejam adotadas medidas mais estruturais, estas restrições poderão ser implementadas.</p>
<p>Quanto ao procedimento de aprovisionamento por ajuste direto urgente, Marta da Silva reconhece tratar-se de uma solução preocupante, ainda que, no atual contexto, possa não haver alternativas imediatas. Ainda assim, sublinha a necessidade de transparência e rigor na prestação de contas.</p>
<p>A investigadora defende também que o Governo poderia ter atuado mais cedo, antecipando a evolução do conflito no Médio Oriente. “Esta não é uma situação repentina. Já há meses que se percebia a sua possível evolução e impacto”, observou.</p>
<h4>Dependência do combustível e vulnerabilidade económica</h4>
<p>Marta da Silva salientou que o subsídio aos combustíveis exerce pressão sobre a inflação. Sendo Timor-Leste um país fortemente dependente de importações, o preço do combustível tem um impacto direto no custo dos bens essenciais.</p>
<p>Essa dependência constitui, segundo a investigadora, uma das principais vulnerabilidades económicas do país perante choques externos, obrigando o Estado a subsidiar empresas privadas para manter os preços acessíveis à população.</p>
<p>O Governo fixou, a 25 de março de 2026, limites máximos para os preços dos combustíveis: 1,50 dólares por litro de gasolina, 1,65 dólares para gasóleo, 2,50 dólares para combustível de aviação e 4,20 dólares por quilo para gás de petróleo liquefeito (GPL).</p>
<p>“Esta situação reforça as recomendações que a La’o Hamutuk tem feito ao longo dos anos: diversificação económica, redução das importações e aposta em energias renováveis. Com energia renovável, a dependência de combustíveis seria menor”, afirmou.</p>
<p>A investigadora destacou ainda que o aumento dos preços pode afetar o financiamento da EDTL, podendo a verba prevista revelar-se insuficiente para cobrir os custos operacionais. Nesse contexto, o corte de eletricidade poderá surgir como medida de resposta na ausência de soluções preventivas.</p>
<p>Apesar de existirem planos para a transição energética, estes parecem não estar a ser concretizados. O Plano Estratégico de Desenvolvimento Nacional (PEDN) 2011-2030 previa que, até 2015, 50% da energia fosse proveniente de fontes renováveis, e 100% até 2030. No entanto, em 2026, o país continua fortemente dependente de energia não renovável.</p>
<p>“Quanto se gasta anualmente com eletricidade? O Governo não conseguiu implementar estas medidas. Porquê?”, questionou Marta da Silva. Segundo a investigadora, estudos indicam que o país possui potencial para biomassa e energia solar, entre outras fontes, mas continua a expandir o acesso à eletricidade com base em combustíveis fósseis. “Existem boas soluções, mas falta vontade política”, afirmou.</p>
<p>No que diz respeito à diversificação económica, Marta da Silva lamenta que esta tenha permanecido sobretudo no plano retórico. Comparando com outros países, refere que, em contextos de crise, o impacto tende a concentrar-se nas áreas urbanas, enquanto as zonas rurais permanecem mais resilientes devido à sua autossuficiência.</p>
<p>Em Timor-Leste, porém, o impacto estende-se também às áreas rurais, uma vez que a população depende amplamente de bens importados, como o arroz.</p>
<p>“Esta é uma medida temporária. A longo prazo, não podemos continuar a responder com subsídios. Se a guerra se prolongar, como poderá o Estado proteger a população?”, questionou, defendendo que a diversificação económica e a aposta em energias renováveis devem avançar desde já.</p>
<p>A investigadora apontou ainda que fatores políticos, incluindo a preservação de legados e interesses, têm constituído obstáculos à implementação de medidas estruturais de longo prazo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/timor-leste-gasta-168-milhoes-em-gasoleo-mas-especialistas-apontam-erro-de-planeamento/">Timor-Leste gasta 168 milhões em gasóleo, mas especialistas apontam erro de planeamento</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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