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	Comentários para DILIGENTE	</title>
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		<title>
		Comentário em Guteriano Neves: “O petróleo foi uma bênção, mas pode tornar-se uma maldição para Timor-Leste” por Carlos Batista		</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/guteriano-neves-o-petroleo-foi-uma-bencao-mas-pode-tornar-se-uma-maldicao-para-timor-leste/#comment-7579</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 07:36:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O Ze Povinho devia tambem escrever um livro
para fazer umas massas com a venda a fim de viver melhor. E os temas sao muitos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Ze Povinho devia tambem escrever um livro<br />
para fazer umas massas com a venda a fim de viver melhor. E os temas sao muitos.</p>
]]></content:encoded>
		
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		<title>
		Comentário em Em Timor-Leste, o voto muda o poder. Mas quem fiscaliza o poder depois das eleições? por Carlos Batista		</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/em-timor-leste-o-voto-muda-o-poder-mas-quem-fiscaliza-o-poder-depois-das-eleicoes/#comment-7578</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 07:32:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Em portugues diz-se que mudam as moscas mas a m*rd* e a mesma!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em portugues diz-se que mudam as moscas mas a m*rd* e a mesma!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário em Greater Sunrise: mais participação, mais risco? por Carlos Batista		</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/greater-sunrise-mais-participacao-mais-risco/#comment-7574</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 07:44:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Vai dar bota!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vai dar bota!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário em Perspetiva sobre a rapidez dos boatos (hoaxes) que fazem as pessoas acreditarem em mentiras repetidas vezes por Dion Mariz		</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/perspetiva-sobre-a-rapidez-dos-boatos-hoaxes-que-fazem-as-pessoas-acreditarem-em-mentiras-repetidas-vezes/#comment-7573</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dion Mariz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2026 13:16:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito interresante e posso ter esse artigo em forma pdf?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito interresante e posso ter esse artigo em forma pdf?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário em Perspetiva sobre a rapidez dos boatos (hoaxes) que fazem as pessoas acreditarem em mentiras repetidas vezes por Dion Mariz		</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/perspetiva-sobre-a-rapidez-dos-boatos-hoaxes-que-fazem-as-pessoas-acreditarem-em-mentiras-repetidas-vezes/#comment-7572</link>

		<dc:creator><![CDATA[Dion Mariz]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2026 13:15:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muito interresante e brilhante a sua formulacao das ideias e especialmente pela descricao aos fenomenos atuais no nosso pais. posso ter esse artigo de forma pdf?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito interresante e brilhante a sua formulacao das ideias e especialmente pela descricao aos fenomenos atuais no nosso pais. posso ter esse artigo de forma pdf?</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Comentário em Incêndios em Díli deixam dezenas de famílias sem bens e meios de subsistência por Carlos Batista		</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/incendios-em-dili-deixam-dezenas-de-familias-sem-bens-e-meios-de-subsistencia/#comment-7569</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 06:19:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Aqui ha GATO!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aqui ha GATO!</p>
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			</item>
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		<title>
		Comentário em Guteriano Neves: “O petróleo foi uma bênção, mas pode tornar-se uma maldição para Timor-Leste” por Mariano Alves		</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/guteriano-neves-o-petroleo-foi-uma-bencao-mas-pode-tornar-se-uma-maldicao-para-timor-leste/#comment-7568</link>

		<dc:creator><![CDATA[Mariano Alves]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 08:49:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://www.diligenteonline.com/?p=23530#comment-7568</guid>

					<description><![CDATA[Timor-Leste e a Maldição dos Recursos: Lições do Brasil para uma Transição Soberana
Reflexão académica sobre o livro de Guteriano Neves e os desafios pós-Bayu-Undan

Por um professor brasileiro de economia do desenvolvimento
Artigo de reflexão académica para publicação na imprensa timorense

---

O lançamento do livro Dependência do Petróleo: Bênção ou Maldição?, de Guteriano Neves, em Díli, não é apenas um acontecimento editorial. É um convite urgente para que Timor-Leste pense o seu futuro depois de Bayu-Undan. Durante mais de duas décadas, o petróleo financiou o Estado, infraestruturas, educação, saúde, veteranos e idosos. Foi, sem dúvida, uma bênção. Mas a dependência excessiva das receitas petrolíferas criou uma economia frágil, dual, importadora e centrada no Estado. A tese de Neves é clara: o petróleo pode tornar-se maldição se não houver transição.

Do Brasil, esta questão não nos é estranha. Celso Furtado, Raúl Prebisch, Fernando Henrique Cardoso, Theotônio dos Santos e Maria da Conceição Tavares ensinaram-nos que o subdesenvolvimento não é uma etapa atrasada do desenvolvimento, mas uma forma específica de inserção periférica na economia mundial. Timor-Leste, como o Brasil, é um país de dimensão humana e territorial distinta, mas partilha traços estruturais: dependência de recursos naturais, heterogeneidade produtiva, concentração de renda, economia de enclave e vulnerabilidade externa.

A lição brasileira: petróleo não resolve problemas estruturais

O Brasil é hoje um dos maiores produtores de petróleo do mundo. O pré-sal, descoberto em 2006, prometia transformar o país. Foram criados royalties, participações especiais e o Fundo Social do Pré-Sal. No entanto, o petróleo não eliminou a pobreza, não universalizou saneamento, não resolveu a desigualdade regional e não impediu a desindustrialização precoce. Pelo contrário: a abundância de recursos reforçou a dependência de commodities, valorizou o câmbio, encareceu a produção nacional e aprofundou a reprimarização da economia. É a chamada “doença holandesa”, que Timor-Leste também pode enfrentar.

O Brasil mostra que a maldição não está no petróleo em si, mas na forma como o Estado, as elites e as instituições gerem a renda. Quando a renda mineral se transforma em despesa corrente, patronato, obras faraónicas e importações, ela não cria desenvolvimento. Quando se transforma em investimento produtivo, educação, tecnologia e diversificação, pode ser uma alavanca. A diferença está na qualidade das instituições e na vontade política.

Timor-Leste: o retrato de uma dependência estrutural

Timor-Leste não é o Brasil. É um pequeno Estado insular, com mercado interno limitado, custos de transporte elevados, história colonial e ocupação traumática. Mas os indicadores que Guteriano Neves analisa são inequívocos: a economia continua dominada pela administração pública e pela construção; a agricultura, a pesca, o turismo e a indústria transformadora têm peso reduzido; as receitas domésticas, embora tenham crescido, continuam a representar uma fatia pequena da despesa pública; o investimento privado é baixo; e a pobreza continua a atingir uma parte significativa da população, sobretudo nas zonas rurais.

O Fundo Petrolífero, que acumulou milhares de milhões de dólares, foi um instrumento visionário de justiça intergeracional. Mas ele não é uma solução mágica. Enquanto o Estado depender de levantamentos do Fundo para financiar o orçamento, a transição pós-petróleo não estará concluída. O risco não é apenas o dinheiro acabar. O risco maior é continuar a haver dinheiro e, mesmo assim, não haver desenvolvimento produtivo, emprego digno e redução da pobreza.

O que o Brasil pode ensinar — e o que Timor-Leste não deve repetir

O Brasil ensina três coisas fundamentais. Primeiro, que a renda mineral sem projeto nacional de diversificação reforça a dependência. Segundo, que a industrialização por substituição de importações, sem disciplina fiscal, sem educação de qualidade e sem reforma agrária, produz modernização excludente. Terceiro, que a desigualdade é um obstáculo ao desenvolvimento, não uma consequência aceitável.

Timor-Leste não deve repetir os erros brasileiros: concentração de renda, corrupção, desindustrialização precoce, dependência de commodities, abandono da agricultura familiar, urbanização desordenada e violência no campo. Deve, pelo contrário, aprender com as boas práticas: o Sistema Único de Saúde (SUS), a Embrapa na agricultura tropical, o crédito cooperativo, os bancos públicos de desenvolvimento e a experiência de orçamento participativo.

Três transições inadiáveis

A reflexão de Guteriano Neves aponta para três transições que Timor-Leste não pode adiar:

1. Transição fiscal — reduzir a dependência do Fundo Petrolífero, reforçar a receita doméstica, melhorar a qualidade da despesa pública e criar uma regra fiscal clara, baseada no Rendimento Sustentável Estimado (RSE). O orçamento deve ser avaliado pelos resultados, não apenas pelo montante gasto.
2. Transição produtiva — desenvolver cadeias de valor na agricultura (café, arroz, frutas, horticultura), na pesca, no turismo comunitário, na pecuária, na floresta e na indústria transformadora leve. O Estado deve garantir estradas, eletricidade, água, irrigação, transportes e um quadro regulatório previsível. O setor privado e as cooperativas devem ser os motores, não apenas beneficiários de projetos estatais.
3. Transição institucional — profissionalizar a administração pública, combater a corrupção, garantir a segurança da posse da terra, reformar a justiça e promover a meritocracia. Sem instituições sólidas, o dinheiro do petróleo e do gás continuará a alimentar os mesmos problemas.

Greater Sunrise: ponte ou prolongamento da dependência?

O Greater Sunrise pode trazer receitas importantes. Mas, como adverte Neves, ele não é uma solução em si. Se as novas receitas forem usadas para tapar buracos orçamentais e manter o atual modelo de despesa, Timor-Leste repetirá o padrão. Se forem usadas para financiar a transição — infraestrutura produtiva, educação técnica, saúde, investigação, crédito às PME e às cooperativas —, podem ser uma ponte para a soberania económica. A negociação do Código de Mineração Petrolífera, do Production Sharing Contract e do regime fiscal deve ser transparente, auditada e orientada para o interesse coletivo.

Recomendações concretas para o debate nacional

Para que este debate não fique no papel, proponho medidas operacionais:

· Regra fiscal vinculativa: teto anual de levantamento do Fundo Petrolífero, meta crescente de receita doméstica e avaliação independente do impacto de cada grande projeto.
· Conselho Nacional de Desenvolvimento: com governo, oposição, sociedade civil, académicos, igrejas, empresários e cooperativas, para definir prioridades de diversificação.
· Programa nacional de crédito e assistência técnica: para agricultores, pescadores, artesãos, pequenas empresas e cooperativas, com juros acessíveis e formação em gestão.
· Reforma agrária e cadastro: resolver conflitos de terra, garantir segurança jurídica e incentivar o investimento de longo prazo.
· Educação técnica e vocacional: alinhada com as necessidades da economia real — agricultura, pesca, turismo, construção, energia, saúde.
· Transparência total no Greater Sunrise: contratos públicos, receitas auditadas e fundo intergeracional com regras claras.
· Orçamento sensível ao género, à juventude e às zonas rurais: porque a pobreza tem rosto, e esse rosto é muitas vezes feminino, jovem e rural.

Conclusão: o petróleo deu tempo, não destino

O Brasil aprendeu, com dor, que a riqueza natural pode ser uma bênção ou uma maldição. Timor-Leste tem agora uma janela histórica. O petróleo deu ao país tempo, recursos e soberania formal. Mas a soberania real constrói-se com produção, emprego, justiça social e instituições que servem o povo.

Guteriano Neves prestou um serviço público ao escrever este livro. Agora, a tarefa é coletiva: transformar a reflexão em política, a política em instituições e as instituições em desenvolvimento. Timor-Leste não precisa de esperar que o petróleo acabe para começar a transição. Precisa de começar agora, com coragem, transparência e visão de longo prazo. Como escreveu Celso Furtado, o subdesenvolvimento não é um destino, mas um projeto político que pode ser revertido. Que Timor-Leste escolha a bênção, não a maldição.

---

Este artigo é uma reflexão académica independente. Não representa qualquer instituição ou governo. O autor, professor brasileiro de economia do desenvolvimento, escreve a convite para o debate público em Timor-Leste.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Timor-Leste e a Maldição dos Recursos: Lições do Brasil para uma Transição Soberana<br />
Reflexão académica sobre o livro de Guteriano Neves e os desafios pós-Bayu-Undan</p>
<p>Por um professor brasileiro de economia do desenvolvimento<br />
Artigo de reflexão académica para publicação na imprensa timorense</p>
<p>&#8212;</p>
<p>O lançamento do livro Dependência do Petróleo: Bênção ou Maldição?, de Guteriano Neves, em Díli, não é apenas um acontecimento editorial. É um convite urgente para que Timor-Leste pense o seu futuro depois de Bayu-Undan. Durante mais de duas décadas, o petróleo financiou o Estado, infraestruturas, educação, saúde, veteranos e idosos. Foi, sem dúvida, uma bênção. Mas a dependência excessiva das receitas petrolíferas criou uma economia frágil, dual, importadora e centrada no Estado. A tese de Neves é clara: o petróleo pode tornar-se maldição se não houver transição.</p>
<p>Do Brasil, esta questão não nos é estranha. Celso Furtado, Raúl Prebisch, Fernando Henrique Cardoso, Theotônio dos Santos e Maria da Conceição Tavares ensinaram-nos que o subdesenvolvimento não é uma etapa atrasada do desenvolvimento, mas uma forma específica de inserção periférica na economia mundial. Timor-Leste, como o Brasil, é um país de dimensão humana e territorial distinta, mas partilha traços estruturais: dependência de recursos naturais, heterogeneidade produtiva, concentração de renda, economia de enclave e vulnerabilidade externa.</p>
<p>A lição brasileira: petróleo não resolve problemas estruturais</p>
<p>O Brasil é hoje um dos maiores produtores de petróleo do mundo. O pré-sal, descoberto em 2006, prometia transformar o país. Foram criados royalties, participações especiais e o Fundo Social do Pré-Sal. No entanto, o petróleo não eliminou a pobreza, não universalizou saneamento, não resolveu a desigualdade regional e não impediu a desindustrialização precoce. Pelo contrário: a abundância de recursos reforçou a dependência de commodities, valorizou o câmbio, encareceu a produção nacional e aprofundou a reprimarização da economia. É a chamada “doença holandesa”, que Timor-Leste também pode enfrentar.</p>
<p>O Brasil mostra que a maldição não está no petróleo em si, mas na forma como o Estado, as elites e as instituições gerem a renda. Quando a renda mineral se transforma em despesa corrente, patronato, obras faraónicas e importações, ela não cria desenvolvimento. Quando se transforma em investimento produtivo, educação, tecnologia e diversificação, pode ser uma alavanca. A diferença está na qualidade das instituições e na vontade política.</p>
<p>Timor-Leste: o retrato de uma dependência estrutural</p>
<p>Timor-Leste não é o Brasil. É um pequeno Estado insular, com mercado interno limitado, custos de transporte elevados, história colonial e ocupação traumática. Mas os indicadores que Guteriano Neves analisa são inequívocos: a economia continua dominada pela administração pública e pela construção; a agricultura, a pesca, o turismo e a indústria transformadora têm peso reduzido; as receitas domésticas, embora tenham crescido, continuam a representar uma fatia pequena da despesa pública; o investimento privado é baixo; e a pobreza continua a atingir uma parte significativa da população, sobretudo nas zonas rurais.</p>
<p>O Fundo Petrolífero, que acumulou milhares de milhões de dólares, foi um instrumento visionário de justiça intergeracional. Mas ele não é uma solução mágica. Enquanto o Estado depender de levantamentos do Fundo para financiar o orçamento, a transição pós-petróleo não estará concluída. O risco não é apenas o dinheiro acabar. O risco maior é continuar a haver dinheiro e, mesmo assim, não haver desenvolvimento produtivo, emprego digno e redução da pobreza.</p>
<p>O que o Brasil pode ensinar — e o que Timor-Leste não deve repetir</p>
<p>O Brasil ensina três coisas fundamentais. Primeiro, que a renda mineral sem projeto nacional de diversificação reforça a dependência. Segundo, que a industrialização por substituição de importações, sem disciplina fiscal, sem educação de qualidade e sem reforma agrária, produz modernização excludente. Terceiro, que a desigualdade é um obstáculo ao desenvolvimento, não uma consequência aceitável.</p>
<p>Timor-Leste não deve repetir os erros brasileiros: concentração de renda, corrupção, desindustrialização precoce, dependência de commodities, abandono da agricultura familiar, urbanização desordenada e violência no campo. Deve, pelo contrário, aprender com as boas práticas: o Sistema Único de Saúde (SUS), a Embrapa na agricultura tropical, o crédito cooperativo, os bancos públicos de desenvolvimento e a experiência de orçamento participativo.</p>
<p>Três transições inadiáveis</p>
<p>A reflexão de Guteriano Neves aponta para três transições que Timor-Leste não pode adiar:</p>
<p>1. Transição fiscal — reduzir a dependência do Fundo Petrolífero, reforçar a receita doméstica, melhorar a qualidade da despesa pública e criar uma regra fiscal clara, baseada no Rendimento Sustentável Estimado (RSE). O orçamento deve ser avaliado pelos resultados, não apenas pelo montante gasto.<br />
2. Transição produtiva — desenvolver cadeias de valor na agricultura (café, arroz, frutas, horticultura), na pesca, no turismo comunitário, na pecuária, na floresta e na indústria transformadora leve. O Estado deve garantir estradas, eletricidade, água, irrigação, transportes e um quadro regulatório previsível. O setor privado e as cooperativas devem ser os motores, não apenas beneficiários de projetos estatais.<br />
3. Transição institucional — profissionalizar a administração pública, combater a corrupção, garantir a segurança da posse da terra, reformar a justiça e promover a meritocracia. Sem instituições sólidas, o dinheiro do petróleo e do gás continuará a alimentar os mesmos problemas.</p>
<p>Greater Sunrise: ponte ou prolongamento da dependência?</p>
<p>O Greater Sunrise pode trazer receitas importantes. Mas, como adverte Neves, ele não é uma solução em si. Se as novas receitas forem usadas para tapar buracos orçamentais e manter o atual modelo de despesa, Timor-Leste repetirá o padrão. Se forem usadas para financiar a transição — infraestrutura produtiva, educação técnica, saúde, investigação, crédito às PME e às cooperativas —, podem ser uma ponte para a soberania económica. A negociação do Código de Mineração Petrolífera, do Production Sharing Contract e do regime fiscal deve ser transparente, auditada e orientada para o interesse coletivo.</p>
<p>Recomendações concretas para o debate nacional</p>
<p>Para que este debate não fique no papel, proponho medidas operacionais:</p>
<p>· Regra fiscal vinculativa: teto anual de levantamento do Fundo Petrolífero, meta crescente de receita doméstica e avaliação independente do impacto de cada grande projeto.<br />
· Conselho Nacional de Desenvolvimento: com governo, oposição, sociedade civil, académicos, igrejas, empresários e cooperativas, para definir prioridades de diversificação.<br />
· Programa nacional de crédito e assistência técnica: para agricultores, pescadores, artesãos, pequenas empresas e cooperativas, com juros acessíveis e formação em gestão.<br />
· Reforma agrária e cadastro: resolver conflitos de terra, garantir segurança jurídica e incentivar o investimento de longo prazo.<br />
· Educação técnica e vocacional: alinhada com as necessidades da economia real — agricultura, pesca, turismo, construção, energia, saúde.<br />
· Transparência total no Greater Sunrise: contratos públicos, receitas auditadas e fundo intergeracional com regras claras.<br />
· Orçamento sensível ao género, à juventude e às zonas rurais: porque a pobreza tem rosto, e esse rosto é muitas vezes feminino, jovem e rural.</p>
<p>Conclusão: o petróleo deu tempo, não destino</p>
<p>O Brasil aprendeu, com dor, que a riqueza natural pode ser uma bênção ou uma maldição. Timor-Leste tem agora uma janela histórica. O petróleo deu ao país tempo, recursos e soberania formal. Mas a soberania real constrói-se com produção, emprego, justiça social e instituições que servem o povo.</p>
<p>Guteriano Neves prestou um serviço público ao escrever este livro. Agora, a tarefa é coletiva: transformar a reflexão em política, a política em instituições e as instituições em desenvolvimento. Timor-Leste não precisa de esperar que o petróleo acabe para começar a transição. Precisa de começar agora, com coragem, transparência e visão de longo prazo. Como escreveu Celso Furtado, o subdesenvolvimento não é um destino, mas um projeto político que pode ser revertido. Que Timor-Leste escolha a bênção, não a maldição.</p>
<p>&#8212;</p>
<p>Este artigo é uma reflexão académica independente. Não representa qualquer instituição ou governo. O autor, professor brasileiro de economia do desenvolvimento, escreve a convite para o debate público em Timor-Leste.</p>
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		<item>
		<title>
		Comentário em Guteriano Neves: “O petróleo foi uma bênção, mas pode tornar-se uma maldição para Timor-Leste” por António Almeida Serra		</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/guteriano-neves-o-petroleo-foi-uma-bencao-mas-pode-tornar-se-uma-maldicao-para-timor-leste/#comment-7567</link>

		<dc:creator><![CDATA[António Almeida Serra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Sep 2026 16:13:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Parabéns, Guteriano Neves. Partilho muitas (a maioria) das suas observações e recomendações. Mas o que há que explicar é &quot;Como&quot; e &quot;Porquê&quot; se chegou a esta situação e se existe capacidade de mudar de políticas mantendo o mesmo intérprete, o mesmo &quot;cozinheiro&quot;! Sem essa mudança o &quot;prato&quot; servido continuará a ser o mesmo. Infelizmente para os timorenses!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parabéns, Guteriano Neves. Partilho muitas (a maioria) das suas observações e recomendações. Mas o que há que explicar é &#8220;Como&#8221; e &#8220;Porquê&#8221; se chegou a esta situação e se existe capacidade de mudar de políticas mantendo o mesmo intérprete, o mesmo &#8220;cozinheiro&#8221;! Sem essa mudança o &#8220;prato&#8221; servido continuará a ser o mesmo. Infelizmente para os timorenses!</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário em Atraso de crescimento infantil: Timor-Leste continua no topo da ASEAN e afasta-se ainda mais da região por Januario Ximenes Ribeiro		</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/atraso-de-crescimento-infantil-timor-leste-continua-no-topo-da-asean-e-afasta-se-ainda-mais-da-regiao/#comment-7563</link>

		<dc:creator><![CDATA[Januario Ximenes Ribeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2026 12:48:08 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://www.diligenteonline.com/?p=23510#comment-7563</guid>

					<description><![CDATA[Noticia interasabte e obrigado para no artigo refere✊]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Noticia interasabte e obrigado para no artigo refere✊</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Comentário em Cláudio Ximenes alerta para conflitos de interesse na escolha dos primeiros juízes do Supremo Tribunal de Justiça por Carlos Batista		</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/claudio-ximenes-alerta-para-conflitos-de-interesse-na-escolha-dos-primeiros-juizes-do-supremo-tribunal-de-justica/#comment-7560</link>

		<dc:creator><![CDATA[Carlos Batista]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Sep 2026 09:29:12 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://www.diligenteonline.com/?p=23454#comment-7560</guid>

					<description><![CDATA[Ponham os nomes dos concorrentes em rifa, metam num chapeu de palha e convidem 4 &quot;velhotes&quot;  de entre a populacao para sortear os vencedores. Sem politica!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ponham os nomes dos concorrentes em rifa, metam num chapeu de palha e convidem 4 &#8220;velhotes&#8221;  de entre a populacao para sortear os vencedores. Sem politica!</p>
]]></content:encoded>
		
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