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	<title>Opinião &amp; Crónica - DILIGENTE</title>
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	<title>Opinião &amp; Crónica - DILIGENTE</title>
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		<title>Greater Sunrise: mais participação, mais risco?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2026 11:00:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião & Crónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A 2 de setembro de 2026, a TIMOR GAP, E.P. anunciou que decidiu adquirir a participação de 10% da Osaka Gas Australia no projeto Greater Sunrise. A transação está sujeita à aprovação do Governo e das autoridades competentes. Com a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A 2 de setembro de 2026, a TIMOR GAP, E.P. anunciou que decidiu adquirir a participação de 10% da Osaka Gas Australia no projeto Greater Sunrise. A transação está sujeita à aprovação do Governo e das autoridades competentes. Com a aquisição, a participação da TIMOR GAP aumentará de 56,56% para 66,56%, enquanto a Woodside ficará com 33,44%. A aquisição inclui os interesses da Osaka Gas nos PSC 03-19 e PSC 03-20 e nas licenças de retenção NT/RL2 e NT/RL4, enquanto são finalizados os novos PSC ao abrigo do Tratado de Fronteiras Marítimas entre Timor-Leste e a Austrália. A TIMOR GAP afirmou que este aumento da participação ajudará a fazer avançar os trabalhos pendentes e o processo de seleção do conceito de desenvolvimento de GNL para o Greater Sunrise, mas isso ainda não está claro.</p>
<p>Estes factos mostram que Timor-Leste, através da sua empresa nacional, pretende aumentar o seu papel neste projeto. Contudo, o aumento da participação não pode ser considerado uma garantia de que o povo obterá maiores benefícios do projeto. Uma maior participação pode dar ao Estado maior influência nas decisões, mas também pode implicar maiores responsabilidades em termos de financiamento e de outros custos relevantes, incluindo a assunção de riscos.</p>
<p>A 24 de setembro de 2026, o Ministro do Petróleo e Recursos Minerais afirmou, em entrevistas aos meios de comunicação social, que o preço da aquisição ainda não pode ser divulgado ao público. O Ministro disse também que o aumento da participação de 56,56% para 66,56% aumentará as necessidades de financiamento por parte do Estado. Como o preço e a estrutura de financiamento da nova transação ainda não são públicos, não é possível ao público tirar conclusões sobre o seu custo real. No entanto, esta situação justifica, por si só, a necessidade de perguntar: quanto dinheiro será gasto? De onde virá esse dinheiro? Que obrigações surgirão após o aumento da participação no projeto? E quem suportará o risco se os custos aumentarem?</p>
<p>Este não é o primeiro investimento do Estado no Greater Sunrise. Recorde-se que, em 2018, a TIMOR GAP pediu emprestados 650 milhões de dólares ao Fundo Petrolífero para adquirir a participação no Greater Sunrise à Shell e à ConocoPhillips. A TIMOR GAP (e a Woodside) desvalorizaram esse «investimento» para zero, segundo uma notícia da LUSA, arquivada pela La’o Hamutuk. O BCTL desvalorizou-o em 39%. Segundo o acordo original, a TIMOR GAP deveria começar a reembolsar mais de 120 milhões de dólares por ano a partir de 2028. No entanto, como a TIMOR GAP não terá capacidade para o fazer, existe uma proposta para adiar o início dos pagamentos para 2033 e prolongar o prazo do empréstimo de 2037 para 2042.</p>
<p>Estas perguntas são importantes porque o Greater Sunrise não é um projeto cujas receitas possam entrar imediatamente nas contas do Estado ou no Fundo Petrolífero. Os recursos de gás existentes no subsolo requerem um conceito de desenvolvimento viável, infraestruturas, investimento, mercados, financiamento, acordos comerciais, um enquadramento fiscal e capacidade técnica e institucional antes de poderem ser transformados em receitas públicas. O Fundo Monetário Internacional (FMI), outras instituições e partes interessadas consideram o Greater Sunrise uma oportunidade de geração de receitas para o Estado e de exportação, mas também sublinham que o financiamento por parte de Timor-Leste pode gerar riscos fiscais durante a fase de desenvolvimento, sobretudo devido à elevada participação de Timor-Leste através da TIMOR GAP.</p>
<p>É preciso analisar com cuidado a venda, pela Osaka Gas, da sua participação de 10%. A La’o Hamutuk não considera a decisão da Osaka Gas de sair como prova de que o Greater Sunrise não é viável, porque os factos públicos atualmente disponíveis não permitem tirar essa conclusão. Da mesma forma, a aquisição pela TIMOR GAP não pode ser considerada prova de que o projeto trará retornos significativos para o povo de Timor-Leste.</p>
<p>Na perspetiva da La’o Hamutuk, a questão principal não é apenas ser contra ou a favor desta aquisição, mas discutir a forma como Timor-Leste utiliza o seu património público e escolhe o seu caminho de desenvolvimento. Aumentar a participação em projetos de petróleo e gás de elevado custo pode aumentar o envolvimento do Estado no setor extrativo. Quando mais capital público e capacidade institucional são afetados a este projeto, é preciso considerar também as oportunidades que podem ser perdidas na agricultura, nas pescas, na indústria local, na produção alimentar, nas energias renováveis, nas infraestruturas produtivas, na educação, na saúde e na criação de emprego para os jovens.</p>
<p>Isto é o custo de oportunidade: o dinheiro público comprometido com um projeto não pode ser utilizado, ao mesmo tempo, noutras prioridades estratégicas. Por isso, a pergunta a colocar ao Governo e à TIMOR GAP não é apenas se o Greater Sunrise pode trazer benefícios grandes ou pequenos, mas também se esses benefícios compensam os custos e os riscos que o povo terá de assumir e se os recursos comprometidos com o projeto poderiam contribuir mais para o desenvolvimento de outros setores económicos. Entretanto, entre 2011 e 2026, a TIMOR GAP recebeu do povo e do Governo de Timor-Leste subsídios num total de 362 milhões de dólares, segundo o cálculo da La’o Hamutuk, sem incluir os 650 milhões de dólares emprestados pelo Fundo Petrolífero, mas ainda não gerou qualquer retorno.</p>
<p>A La’o Hamutuk vê esta situação como parte de um problema de desenvolvimento mais amplo: Timor-Leste tem de reduzir a sua dependência dos recursos naturais não renováveis, e não aprofundá-la. O Greater Sunrise pode tornar-se uma nova fonte de rendimento e contribuir para as receitas fiscais e para a economia, mas não pode servir de razão para adiar o investimento numa economia produtiva, diversificada e sustentável. Uma estratégia que dependa ainda mais do petróleo e do gás pode criar vulnerabilidades quando os preços, os mercados, os custos ou as condições comerciais mudam. Uma estratégia que utilize os recursos não renováveis para criar capacidade produtiva, capital humano e energias renováveis pode ajudar a preparar a economia para um futuro mais seguro e duradouro, quando o petróleo e o gás se esgotarem.</p>
<p>Por isso, a discussão sobre a aquisição dos 10% da Osaka Gas não pode ficar pelo número de 66,56%. É necessário discutir o preço da transação, a fonte e a estrutura do financiamento, as futuras obrigações de investimento, os riscos para o património público, a avaliação económica e financeira e o plano para assegurar benefícios para o povo. O Parlamento e as instituições de fiscalização devem examinar as provas que possam sustentar a decisão; os jornalistas e as universidades podem analisar os dados; e a sociedade civil e as comunidades devem poder questionar e debater. O aumento de 10% da participação faz subir a obrigação da TIMOR GAP em termos de Capex (despesas de capital) para o Greater Sunrise de 7,4 mil milhões para 8,7 mil milhões de dólares, segundo o cálculo da La’o Hamutuk.</p>
<p>A transparência neste caso não é apenas uma questão administrativa, mas também faz parte da proteção do património do Estado e do povo de Timor-Leste. Quando existem riscos para o interesse público, o povo tem o direito de saber o que o Estado e a população irão assumir e por que razão o devem assumir. A La’o Hamutuk incentiva o Governo e a TIMOR GAP a publicar as informações e os documentos que possam ser legalmente divulgados e a prestar contas de forma clara sobre o valor da aquisição, as obrigações financeiras, os riscos e os benefícios esperados.</p>
<p>Por fim, a grande pergunta sobre o Greater Sunrise não é «quanta propriedade ou participação tem Timor-Leste?», mas sim «quanto custará essa participação, quem assumirá o risco e o que obterá o povo?». A soberania económica não se resume a ser o maior proprietário no setor do petróleo e do gás; trata-se também da capacidade de tomar decisões com responsabilidade, proteger o dinheiro público, controlar os riscos e utilizar o património natural para construir um futuro produtivo, diversificado e sustentável.</p>
<p>Por isso, a La’o Hamutuk defende a necessidade de um debate público livre, informado e baseado em evidências. A aquisição dos 10% da Osaka Gas é uma decisão que pode afetar o património e o futuro da economia de Timor-Leste. O público e o Parlamento Nacional têm o direito de questionar, de conhecer e de examinar as provas antes de se decidir aumentar os riscos para as finanças públicas.</p>
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		<title>Clickbait, memes e vídeos curtos: a busca pela nossa atenção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 10:27:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião & Crónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Mude a sua vida em 10 dias.” “Descubra o segredo para emagrecer rapidamente em apenas 3 semanas.” “Veja este detalhe na proposta do governo que quase ninguém percebeu.” “5 truques simples e infalíveis para fazer com que todos gostem de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“Mude a sua vida em 10 dias.”</p>
<p>“Descubra o segredo para emagrecer rapidamente em apenas 3 semanas.”</p>
<p>“Veja este detalhe na proposta do governo que quase ninguém percebeu.”</p>
<p>“5 truques simples e infalíveis para fazer com que todos gostem de si.”</p>
<p>“Entenda o que os especialistas não querem que saiba.”</p>
<p>Reconhece o padrão? Todos prometem uma transformação, uma revelação ou um pormenor que quase ninguém conhece. Em comum, procuram o seu clique.</p>
<p><strong>O isco e a curiosidade</strong></p>
<p><em>Clickbait</em> (caça-clique ou isco de cliques) é uma técnica que usa títulos, imagens ou apresentações para transformar a atenção em clique.</p>
<p>A técnica em si não é nova: jornais e capas de revista já a usavam há mais de um século. O que a internet trouxe foi escala, velocidade e a capacidade de testar e otimizar cada título quase instantaneamente.</p>
<p>Isto não significa que o conteúdo seja falso: uma manchete pode estar conectada aos factos e, ainda assim, recorrer a <em>clickbait</em>. O que o define não é a veracidade, mas o mecanismo. O título desperta curiosidade, mas retém aquilo que queremos saber: o segredo, a fofoca, o motivo, o detalhe.</p>
<p>É por isso que o <em>clickbait</em> muitas vezes não entrega a resposta, mas a promessa de uma resposta. E como nem todo o clique produz a mesma satisfação – às vezes a informação é banal, outras vezes surpreende ou corresponde ao que procurávamos –, cada novo clique mantém-nos na expectativa do que virá a seguir.</p>
<p>É uma lógica próxima de mecanismos estudados, por exemplo, na psicologia da aprendizagem, em que a incerteza sobre o resultado de uma ação pode contribuir para manter o comportamento – sobretudo quando a recompensa é variável ou imprevisível.</p>
<p>Nalguns casos, porém, o isco não é apenas a curiosidade, mas a confirmação do que já acreditamos. Tendemos a procurar e a valorizar mais aquilo que confirma o que já pensamos.</p>
<p>O <em>clickbait</em> pode transformar curiosidade e convicções em ação. Mas a internet também tem outras formas de prender a atenção: em vez de dizer “clique para descobrir”, pode dizer “isto é para pessoas como nós”.</p>
<p><strong><em>Memes</em></strong><strong> e os códigos que se repetem </strong></p>
<p>Enquanto o <em>clickbait</em> explora a lacuna, a expectativa e a confirmação, o <em>meme</em> oferece uma referência que pode ser reconhecida rapidamente.</p>
<p>Um <em>meme</em> – imagem, frase ou vídeo – condensa uma referência a uma piada, uma situação social, uma emoção ou outro contexto partilhado por uma comunidade. Reconhecer essa referência – compreender a ironia ou uma situação absurda, por exemplo – pode funcionar como sinal de pertença; “gostos” e comentários mostram que outros reconhecem o mesmo código.</p>
<p>O formato dos <em>memes</em> mantém-se relativamente estável, enquanto o conteúdo e o contexto podem mudar. A mesma imagem pode aparecer muitas vezes, utilizada em situações diferentes. Cada nova versão reconhece as anteriores e acrescenta uma variação.</p>
<p>Essa repetição transforma o <em>meme</em> numa espécie de linguagem social. Quanto mais pessoas conhecem o formato, menos informação é necessária para transmitir uma ideia. Um <em>meme</em> pode substituir uma explicação inteira, desde que quem o recebe conheça o código.</p>
<p><em>Clickbait</em> e <em>memes</em> exploram mecanismos diferentes, mas ambos dependem da atenção do utilizador. E essa atenção não circula num espaço neutro. É organizada por plataformas que selecionam, ordenam e amplificam aquilo que aparece diante dos nossos olhos.</p>
<p><strong>Vídeos curtos: a atenção sem pausa</strong></p>
<p>Há ainda um terceiro mecanismo: o vídeo curto, como os do <em>TikTok</em>, <em>Reels </em>e <em>Shorts.</em></p>
<p>Aqui já não é preciso decidir clicar, nem reconhecer uma referência. Em muitos destes formatos, basta não fazer nada. O vídeo seguinte começa sozinho.</p>
<p>A rolagem infinita elimina o momento em que paramos para avaliar se queremos continuar. Não há fim de capítulo, não há pausa. Há apenas uma sucessão contínua de imagens.</p>
<p>Esse imediatismo torna menos relevante saber se aquele vídeo específico interessou ou não. Se interessou, há outro a seguir. Se não interessou, há outro a seguir. O custo de errar é praticamente nenhum e escolher deixou de ser necessário.</p>
<p>A variedade constante de temas, tons e ritmos, sem qualquer transição entre eles, normaliza a mudança de assunto a cada segundo. Da política à comédia, de uma receita de <em>ikan saboko</em> a uma tragédia, sem pausa entre uma coisa e outra. O que pode estar em causa não é apenas o tempo utilizado, mas também a oportunidade de praticar a permanência e a concentração em atividades mais longas.</p>
<p><strong>Quando nos habituamos à pressa</strong></p>
<p>Este tipo de uso acelerado e fragmentado da informação pode tornar mais natural um ambiente em que se prefere a versão condensada à versão completa de uma experiência.</p>
<p>Cada vez mais pessoas não assistem ao jogo, assistem aos melhores momentos. Não veem o filme, veem os comentários e as reações de quem já o viu. Não leem o livro, leem o resumo que um <em>chatbot</em> lhes entrega em poucos segundos. Não é por acaso que os canais de “cortes” e de “reações” estão cada vez mais populares.</p>
<p>Em cada caso, poupa-se tempo. Mas também se perde aquilo que só o tempo permite: a tensão que se acumula ao longo de um jogo, a experiência de estar dentro de uma história sem saber o que vem a seguir, o raciocínio que um livro obriga a construir por si mesmo, frase após frase.</p>
<p>A expectativa de uma recompensa envolve sistemas ligados à aprendizagem e à motivação, dos quais a dopamina faz parte, o que pode ajudar a explicar por que certos comportamentos se tornam difíceis de interromper.</p>
<p>Esses sistemas são sensíveis aos padrões que repetimos: quando passamos regularmente de um estímulo para outro em intervalos muito curtos, podemos habituar-nos a um ritmo de atenção marcado pela alternância constante, em vez da permanência prolongada num único foco.</p>
<p>Estudos recentes associam o uso intenso de vídeos curtos a pior desempenho em medidas de atenção sustentada e de autorregulação, embora a natureza causal dessa relação ainda esteja em investigação.</p>
<p>Pode surgir, assim, um descompasso entre o ritmo a que nos habituamos a realizar certas tarefas e o nível de concentração que outras exigem. Estudar requer manter uma ideia enquanto se espera pela seguinte, voltar atrás quando algo não ficou claro, persistir num assunto que ainda não fez sentido. E a reflexão analítica – comparar argumentos, seguir um raciocínio até ao fim, mudar de opinião perante uma evidência – depende de um tipo de atenção sustentada que pode ser menos exercitada quando grande parte da atenção é ocupada por estímulos breves e continuamente substituídos.</p>
<p>Uma ideia complexa pode caber em dez segundos; compreendê-la, porém, normalmente exige mais tempo.</p>
<p>As crianças e os adolescentes, ainda em processo de formação cognitiva, são particularmente vulneráveis a este descompasso: não se trata de perder um hábito já consolidado, mas de desenvolver capacidades como a de permanecer numa tarefa sem recompensa imediata.</p>
<p>Como as funções executivas – que envolvem, entre outras coisas, o controlo da atenção e dos impulsos – continuam a amadurecer ao longo da adolescência e do início da idade adulta, a exposição sistemática a vídeos curtos e a resumos automáticos pode reduzir as oportunidades de desenvolver e exercitar essas capacidades em atividades como a escola, a leitura e a brincadeira que exige mais tempo e atenção.</p>
<p><strong>O vazio e o desconforto que a velocidade disfarça </strong></p>
<p>Este desfasamento não fica apenas na dificuldade de concentração. Pode também surgir como impaciência, irritabilidade, desânimo, frustração ou desconforto perante uma tarefa que exige permanecer, esperar e insistir.</p>
<p>O sono é outro aspeto que pode ser afetado. O uso de redes sociais e plataformas de <em>streaming</em>, sobretudo quando prolongado até à noite, está associado em vários estudos a horários mais tardios, menor duração e pior qualidade do sono, embora a relação não seja simplesmente causal nem igual para todas as pessoas.</p>
<p>O ritmo acelerado pode preencher um vazio. Um momento sozinho, sem tarefa nem companhia, é um momento em que somos convidados a pensar em nós próprios. E nem sempre isso é confortável.</p>
<p>Este vazio pode surgir também na companhia de outros, numa conversa sem assunto, num silêncio que ninguém sabe preencher. É comum ver casais em silêncio, cada um no seu ecrã, crianças lado a lado, a brincar sem trocar uma palavra, ou grupos de amigos à mesa, cada um ocupado com o seu telemóvel. O tempo que seria de interação passa a ser de consumo individual.</p>
<p>A “rolagem” oferece uma saída imediata para estas situações. Basta um gesto para que a atenção seja ocupada por outra coisa. Não é por acaso que os vídeos curtos – e os jogos <em>online</em> – parecem mais irresistíveis quando estamos à espera de algo, numa cama antes de adormecer, num momento de tédio, de solidão ou de procrastinação. Nesses instantes, o ecrã distrai-nos de nós próprios e dos outros.</p>
<p><strong>A atenção capturada: gerir o que vemos, moldar o que pensamos</strong></p>
<p>Quem decide o que aparece primeiro, o que se repete e o que desaparece tem nas mãos um instrumento que não precisa de convencer ninguém: basta determinar o que ganha espaço no ecrã e com que frequência.</p>
<p>Cada clique, cada segundo parado num vídeo, cada vídeo saltado antes do fim, é um dado – que ensina ao algoritmo a entender o que nos prende, o que nos faz continuar, o que nos faz parar.</p>
<p>Essas informações, acumuladas, tornam-se o produto: quanto mais tempo permanecemos conectados e quanto melhor o algoritmo consegue prever o que nos cativa, mais valiosa se torna a nossa atenção para anunciantes, organizações políticas, grupos religiosos, entre outros.</p>
<p>É neste terreno que discursos simples, superficiais ou emocionalmente intensos tendem a encontrar vantagem. Uma mensagem que provoca indignação, medo ou pertença imediata tende a captar mais atenção do que uma explicação cautelosa cheia de nuances.</p>
<p>Crenças podem ganhar força não por serem verdadeiras, mas por encontrarem um ambiente em que seja fácil reconhecê-las, repeti-las e partilhá-las até parecerem óbvias.</p>
<p>E quando a atenção coletiva é assim orientada – para o que gera reação –, talvez seja interessante perguntarmos quem – e que sistemas – decidiu que tipo de conteúdo chega até nós.</p>
<p><strong>Alessandro Boarccaech é psicólogo, semiótico e antropólogo.</strong></p>
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		<title>Dom José Ribeiro: o que ficou por contar sobre a sua história?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 06:35:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião & Crónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dom José Joaquim Ribeiro foi o segundo bispo da Diocese de Díli, cargo que exerceu de 1967 a 1977. Substituiu o primeiro bispo da Diocese de Díli, Dom Jaime Garcia Goulart, que renunciou devido ao seu estado de saúde. Em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dom José Joaquim Ribeiro foi o segundo bispo da Diocese de Díli, cargo que exerceu de 1967 a 1977. Substituiu o primeiro bispo da Diocese de Díli, Dom Jaime Garcia Goulart, que renunciou devido ao seu estado de saúde. Em 1977, Dom Martinho da Costa Lopes, o primeiro timorense a ocupar o cargo, substituiu Dom José Ribeiro após a sua renúncia.</p>
<p>Após a invasão militar indonésia de Díli, a 7 de dezembro de 1975, Dom José Ribeiro fez esforços para proteger os timorenses que tinham sido baleados e que viviam no meio do terror e das ameaças. Utilizava o seu carro para transportar os feridos para o hospital e, vestindo a sua batina branca e levando uma cruz, visitava famílias que viviam sob ameaça dos militares indonésios.</p>
<p>A contribuição de Dom Ribeiro para o fortalecimento da fé cristã, para a proteção dos timorenses numa situação extremamente difícil após a invasão e para a identidade de Timor-Leste é muito importante, e ninguém pode negar esse aspeto. Contudo, no processo de transladação dos seus restos mortais e na representação de Dom Ribeiro relacionada com o período de 1975–1977, o foco tem incidido sobretudo sobre aquilo que fez depois da invasão indonésia, enquanto as suas intervenções anteriores à invasão têm sido praticamente ausentes da construção da narrativa da Igreja e do Estado, bem como da sua repercussão nos meios de comunicação social e nas declarações de algumas pessoas.</p>
<p>A Igreja Católica, em geral, funcionou como uma das principais armas do sistema colonial português. Do ponto de vista do império português, particularmente durante o século XX, a Igreja tinha dois objetivos: contribuir para a unificação e promover o patriotismo (James Dunn, Timor: A People Betrayed, 1996).</p>
<p>Dom Ribeiro era um bispo que não apoiava a Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal nem o seu impacto em Timor-Leste. Não estava aberto às mudanças políticas que estavam a acontecer no exterior e no próprio país. A Igreja Católica portuguesa era, em geral, uma instituição conservadora. Portugal não sofreu uma influência significativa do protestantismo e, por isso, não sentiu a mesma necessidade de mudar e de se abrir. Esta realidade tinha ainda maior expressão no Timor Português, devido à enorme distância geográfica e ao relativo isolamento da colónia.</p>
<p>A Igreja Católica no Timor Português não acompanhou nem implementou o Concílio Vaticano II, que promovia a justiça social como parte da evangelização e afirmava que a Igreja Católica não era o único caminho para a salvação. Esta situação era diferente, por exemplo, da de várias Igrejas Católicas da América Latina, onde o Concílio Vaticano II foi implementado e onde os religiosos, juntamente com o povo, lutaram contra as ditaduras militares como parte da sua missão evangelizadora.</p>
<p>O bispo, nascido em Évora, Portugal, a 4 de fevereiro de 1918, não concordava com o processo de descolonização liderado pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), porque o considerava uma ideia comunista. Durante o processo de consulta do Grupo Coordenador para a Reformulação do Ensino em Timor (GCRET), liderado por Barbedo Magalhães, Dom José Ribeiro opôs-se à ideia de timorização do ensino, considerando que o programa era comunista (Barbedo Magalhães, Descolonização do Ensino em Timor, Um Projeto que a Intervenção Indonésia Matou à Nascença, 1997).</p>
<p>Havia padres, como Bruno Pistocchi e Eduardo Roxo, que se identificavam com o povo e lutavam contra a injustiça social. Estes dois padres apoiavam abertamente a independência de Timor-Leste e manifestavam a sua solidariedade para com a FRETILIN. Contudo, devido às suas críticas e ao seu envolvimento em atividades políticas, a Igreja e o Governo expulsaram o padre Eduardo Roxo do Timor Português (Nacroma, n.º 5, Ano I, 16/31 de outubro de 1974). Por outro lado, o bispo Dom Ribeiro encorajava os religiosos a apoiarem a UDT. As freiras e as meninas que viviam na casa das Canossianas, em Balide, costuravam bandeiras e bandeirolas utilizadas nas manifestações da UDT (Buibere Hamriik Ukun Rasik-An, 2020).</p>
<p>Quando ocorreram o golpe e o contragolpe, a liderança da FRETILIN pediu ao bispo Ribeiro que atuasse como mediador do conflito, mas o bispo recusou-se a reunir com representantes da FRETILIN. Por outro lado, mantinha uma relação próxima com a UDT e recebia frequentemente delegações do partido na sua residência.</p>
<p>No dia do nascimento das FALINTIL, em 20 de agosto de 1975, o vice-presidente da FRETILIN, Nicolau Lobato, pediu a Dom José Ribeiro que celebrasse uma missa no Quartel-General, em Taibessi, mas o bispo recusou, segundo o testemunho de Abílio Araújo na CLTV, em 2026.</p>
<p>Durante as férias da Páscoa de 1975, quando a FRETILIN mobilizou estudantes da UNETIM para recolher histórias e expressões culturais do povo, utilizando temas geradores segundo o método de Paulo Freire, com o objetivo de preparar um manual para uma campanha de alfabetização, o bispo classificou as atividades dos estudantes como uma forma de transformar o povo em comunista (Julgamos Que Comunicar com o Povo Não Significa Comunizá-Lo, A Voz de Timor, 22 de abril de 1975).</p>
<p>Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, que substituiu Dom Martinho da Costa Lopes, afirmou na sua biografia que não concordava com a posição de Dom Ribeiro, que era contra a FRETILIN durante a guerra civil (Arnold Kohen, From the Place of the Dead – Bishop Belo and the Struggle for East Timor, 1999). Na realidade, Dom Ribeiro apresentava-se como uma pessoa neutra, mas tomou uma posição claramente anti-FRETILIN, enquanto mantinha uma relação muito próxima com a UDT.</p>
<p>O bispo Dom José Ribeiro tornou-se também um dos centros da campanha anticomunista contra a FRETILIN. Desde o início, numa carta pastoral de 25 de janeiro de 1975, alertava os fiéis para lutarem contra o comunismo e proibia-os de o seguirem. Na sua homilia, apelava aos padres e missionários para desejarem um Timor com progresso, justiça e paz, e pedia ao povo católico que rejeitasse as ideias comunistas e socialistas (Rowena Lennox, Fighting Spirit of East Timor: The Life of Martinho da Costa Lopes, 2000).</p>
<p>Não se sabe de onde o bispo obtinha as suas informações e influências, porque as informações que divulgava publicamente eram, muitas vezes, incorretas. Por exemplo, classificou a mobilização dos estudantes da UNETIM pela FRETILIN para recolher histórias, trabalhar com temas geradores e divulgar a campanha de alfabetização como uma atividade comunista.</p>
<p>Quando o conflito entre a UDT e a FRETILIN se intensificou, Dom José Ribeiro terá alegadamente informado os líderes da UDT de que comunistas do Vietname do Norte já se encontravam em Timor para treinar a FRETILIN. Embora essa informação fosse falsa, a declaração do bispo circulou na imprensa indonésia controlada pelos militares (Jill Jolliffe, East Timor: Nationalism and Colonialism, 1978). O Governo da Indonésia utilizou essa informação para justificar a sua campanha anticomunista e a sua intervenção em Timor.</p>
<p>Esta posição contrastava fortemente com a do padre português Leoneto do Rego, que fugiu juntamente com a população para as zonas montanhosas quando ocorreu a invasão. O padre Leoneto elogiou e apoiou os programas sociais, políticos e económicos da FRETILIN, considerando-os um caminho adequado para a libertação do povo (Três Anos nas Zonas Libertadas pela FRETILIN, Funu, n.º 1, Ano I).</p>
<p>O que mais preocupava Dom José Ribeiro era a defesa, por parte da FRETILIN, da separação entre a Igreja e o Estado, o que acabaria com os privilégios da Igreja Católica em Timor. Por isso, Dom Ribeiro acreditava que os comunistas já se tinham infiltrado na FRETILIN (Jill Jolliffe, East Timor: Nationalism and Colonialism).</p>
<p>Mas como é que a separação entre a Igreja e o Estado poderia ser uma ideia comunista? Muitos países capitalistas praticam a separação entre o poder do Estado e a Igreja. A separação entre os dois não é uma prática exclusivamente comunista, mas faz parte dos princípios de muitos Estados democráticos.</p>
<p>Após o contragolpe, a UDT, a APODETI e os seus aliados fugiram para a fronteira em busca do apoio da Indonésia, enquanto o governador Lemos Pires e membros da sua administração fugiram para Ataúro. O bispo Dom José Ribeiro esperava que a Indonésia pudesse salvar Timor do comunismo.</p>
<p>Contudo, a invasão da Indonésia não correspondeu às expectativas de Dom José Ribeiro. Dom José pensava que a Indonésia viria como um anjo para salvar Timor do comunismo, mas o seu comportamento acabou por ser o de um demónio (Frédéric Durand, Catholicisme et Protestantisme dans L’île de Timor: 1556–2003, 2004).</p>
<p>Depois da invasão, para conhecer melhor a realidade dos militares indonésios e a vida da população, o bispo Ribeiro saiu à rua para visitar famílias e constatou que a população vivia sob terror. Transmitiu então aos outros religiosos a sua opinião, comparando a invasão indonésia com a invasão de povos bárbaros (João Felgueiras e José Martins, Nossas Memórias de Vida em Timor, 2006).</p>
<p>O próprio bispo reconheceu implicitamente o seu erro quando visitou os prisioneiros da FRETILIN que os indonésios tinham capturado e mantinham presos na Comarca de Balide. Alguns militantes da FRETILIN confrontaram-no, dizendo que também tinha contribuído para aquelas atrocidades devido ao seu apoio à intervenção militar indonésia.</p>
<p>Germano da Silva responsabilizou o bispo pelo apoio à intervenção militar indonésia. O bispo respondeu que, embora fosse bispo, tinha visto apenas até Ataúro e não tinha visto o que acontecia para além dali. Durante a visita à Comarca de Balide, ajoelhou-se no chão da prisão, demonstrando a mudança da sua posição (entrevista com Germano da Silva e Francisco Kalçona, 2019).</p>
<p>Consciente de que a sua posição em relação à FRETILIN, que considerava comunista, estava errada e de que a sua expectativa de que a Indonésia pudesse salvar Timor do comunismo tinha resultado no contrário, Dom José Ribeiro escreveu, no início de 1976, uma carta ao Governo da Indonésia, afirmando que os militares indonésios estavam a matar, violar e torturar de forma extremamente cruel e que os seus paraquedistas desciam dos céus como anjos, mas comportavam-se como demónios (João Filgueiras e José Martins, Nossas Memórias de Vida em Timor).</p>
<p>O padre João Felgueiras e João Martins relatam ainda que, num encontro com militares indonésios, um comandante criticou a FRETILIN, afirmando que os comunistas tinham matado padres e religiosos. Dom José Ribeiro ficou furioso e respondeu: “Alto, senhor general, a FRETILIN não matou nenhum padre”.</p>
<p>Noutro encontro com autoridades indonésias, o bispo afirmou: “Vocês são aqueles que esperávamos, mas a forma como entraram e agiram destruiu todas as nossas expectativas”.</p>
<p>Dom José Ribeiro reconheceu, assim, que a sua posição contra a FRETILIN e a sua expectativa de que os militares indonésios salvariam Timor-Leste do comunismo estavam erradas, embora a sua posição anticomunista não tivesse mudado.</p>
<p>A compreensão que Dom José Ribeiro tinha do comunismo estava distorcida pela propaganda produzida pelos Estados Unidos da América, segundo a qual os comunistas não acreditavam em Deus, eram violentos e defendiam a ideia de que a mulher de um era também a mulher de outro. A realidade era muito diferente, pois a maioria dos líderes da FRETILIN eram cristãos católicos e tinham apenas uma esposa.</p>
<p>Não aceitando a invasão, que considerava bárbara, Dom José Ribeiro começou a denunciar e a confrontar a atitude dos militares indonésios. Dom José assumiu então um papel diferente. Durante o período colonial português, a Igreja fazia parte do Estado e recebia subsídios do Governo para a sua missão civilizadora, de acordo com a Concordata assinada entre o Vaticano e Salazar em 1940. Contudo, após a saída do Governo português e a sua substituição pelas autoridades indonésias, surgiu uma nova situação que obrigou a Igreja a assumir um papel diferente: a Igreja já não fazia parte do Estado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Dom Martinho da Costa Lopes testemunhou que Dom José Ribeiro não conseguia suportar a situação que enfrentava. Chorava sempre que via ou ouvia falar do comportamento dos militares indonésios contra os timorenses. Sendo português, não suportava ver a Indonésia baixar a bandeira portuguesa e destruir tudo o que estava ligado a Portugal. Por isso, pediu ao Vaticano que lhe permitisse renunciar. Em 1977, Dom José Ribeiro renunciou e regressou a Portugal (Jill Jolliffe, East Timor: Nationalism and Colonialism).</p>
<p>A Igreja Católica definiu então o seu novo papel perante a nova situação. Dom José Ribeiro, no início da invasão, protegeu os timorenses e falou firmemente contra os militares indonésios, mas foi Dom Martinho da Costa Lopes quem conduziu a Igreja Católica de Timor juntamente com o povo na resistência contra a ocupação indonésia, apesar das várias pressões exercidas pelas autoridades indonésias e pelo próprio Vaticano. Dom Martinho nunca deixou de defender o povo Maubere, até que o Vaticano o obrigou a renunciar devido ao seu envolvimento na resistência contra a ocupação indonésia.</p>
<p>Como devemos enquadrar a posição de Dom José Ribeiro antes da invasão, quando apoiou a Indonésia na invasão de Timor? Até hoje, ainda não ouvimos a Igreja Católica reconhecer publicamente o seu erro relativamente a Dom José Ribeiro, que apoiou a intervenção militar indonésia para invadir Timor-Leste com o objetivo de eliminar o comunismo, apesar de ele próprio ter posteriormente reconhecido o seu erro.</p>
<p>Do mesmo modo, o Vaticano não reconheceu o seu erro ao obrigar Dom Martinho da Costa Lopes a renunciar ao cargo de bispo de Timor devido ao seu envolvimento na luta contra a ocupação indonésia. A Igreja Católica discriminou Dom Martinho, incluindo ao não o reconhecer como bispo em Portugal, isolando-o até à sua morte em Portugal. Pode consultar-se o documentário produzido por Max Stahl, intitulado Sometimes I Must Speak Out Loudly, para compreender, entre outros aspetos, como o Vaticano o obrigou a renunciar, o discriminou e como acabou por morrer em Portugal.</p>
<p>Dom José Ribeiro tornou-se um dos centros da campanha anticomunista, com uma compreensão distorcida do comunismo, reproduzida pela UDT e pela APODETI e reforçada pelos militares indonésios, que utilizaram essa narrativa como pretexto para a invasão da Indonésia.</p>
<p>A compreensão distorcida do comunismo continua a ser reproduzida até aos dias de hoje, tendo como alvo a FRETILIN, para justificar a ideia de que a Indonésia invadiu Timor-Leste porque a FRETILIN era comunista. Contudo, com base nos factos existentes, fosse ou não comunista, a Indonésia tinha ambições territoriais e estava disposta a utilizar todos os meios necessários para incorporar Timor como parte do território indonésio, transformando-o numa das suas províncias.</p>
<p>As intervenções de Dom Ribeiro antes da invasão tiveram consequências profundas para Timor-Leste, não apenas no que diz respeito à invasão e à ocupação, que provocaram a morte de muitas pessoas, mas também à campanha anticomunista distorcida que continua hoje a ganhar força em Timor.</p>
<p>Chegou o momento de fazer uma crítica histórica à campanha anticomunista distorcida e à utilização contínua da propaganda política contra a FRETILIN. Contudo, para fazer uma crítica da história, é primeiro necessário conhecer a história. Para fazer uma campanha contra o comunismo, é necessário compreender primeiro o que é o comunismo, e não simplesmente repetir a propaganda dos países capitalistas que apresentam o comunismo como algo intrinsecamente mau.</p>
<p>Quando procuramos conhecer verdadeiramente o nosso passado, podemos aprender as lições da nossa história e, assim, construir um Timor para todos, baseado na verdade, e não na manipulação da história, evitando que erros semelhantes sejam repetidos hoje e no futuro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" class="wp-image-23381 alignleft" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/Nuno-460x377.jpeg" alt="" width="135" height="111" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/Nuno-460x377.jpeg 460w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/Nuno-900x738.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/Nuno-768x630.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/Nuno.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 135px) 100vw, 135px" /></p>
<p>Nuno Rodriguez Tchailoro, investigador independente.</p>
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		<title>Sem candidato presidencial, FRETILIN deixa militantes divididos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Sep 2026 10:03:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Comité Central da FRETILIN (CCF) decidiu, por unanimidade, no dia 29 de agosto de 2026, que o partido não apresentará um candidato próprio às eleições presidenciais de 2027. A decisão teve em consideração a situação política nacional e a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Comité Central da FRETILIN (CCF) decidiu, por unanimidade, no dia 29 de agosto de 2026, que o partido não apresentará um candidato próprio às eleições presidenciais de 2027. A decisão teve em consideração a situação política nacional e a dinâmica interna e externa do partido, deixando aos militantes liberdade para escolherem o candidato que considerarem mais adequado.</em></p>
<p>A decisão da FRETILIN de não apresentar um candidato próprio às eleições presidenciais de 2027 está a gerar diferentes reações entre militantes e cidadãos ouvidos pelo Timor Post. Enquanto alguns defendem a decisão do partido, outros manifestam desilusão e dizem não saber em quem votar caso a FRETILIN não apoie uma candidatura.</p>
<p>O Comité Central da FRETILIN (CCF) decidiu, por unanimidade, no dia 29 de agosto de 2026, que o partido não apresentará um candidato próprio às eleições presidenciais de 2027. A decisão teve em conta a evolução da situação política nacional, bem como a dinâmica interna e externa do partido.</p>
<p>A resolução prevê ainda que a Comissão Política Nacional (CPN) inicie um diálogo com outras forças políticas com afinidade programática com a FRETILIN e, se necessário, defina uma orientação de voto para os militantes, respeitando os princípios do partido.</p>
<p>Entre os cidadãos ouvidos, as opiniões variam entre a aceitação da decisão, a preferência por candidatos independentes e a defesa de uma candidatura associada à FRETILIN.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“Penso que talvez a FRETILIN não apresente um candidato por alguma razão, mas continuo a ver unidade dentro do partido e mantenho a esperança de que o partido possa apresentar o seu candidato”</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_23369" aria-describedby="caption-attachment-23369" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-23369" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.20.29-516x290.jpeg" alt="" width="516" height="290" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.20.29-516x290.jpeg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.20.29-900x506.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.20.29-768x432.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.20.29.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-23369" class="wp-caption-text">João Monteiro Guterres, Sapateiro/ Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>“Quanto a esta decisão, não posso dizer nada, porque é uma decisão do partido. No entanto, enquanto timorense, continuo a ter o direito de escolher quem quiser nas próximas eleições e sinto que esta decisão não afeta a nossa escolha.</p>
<p>Embora a FRETILIN não apresente um candidato, existem também candidatos independentes, como Rui Maria de Araújo e Lere Anan Timur. Eu próprio prefiro e vou votar em Lere, embora Rui também seja uma boa opção.</p>
<p>Penso que talvez a FRETILIN não apresente um candidato por alguma razão, mas continuo a ver unidade dentro do partido e mantenho a esperança de que o partido possa apresentar o seu candidato.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“Mas, se este partido não estiver presente nas eleições, não vou votar. Embora saiba que votar é um direito de cada pessoa, em quem vou votar se a FRETILIN não estiver presente?”</p>
<figure id="attachment_23370" aria-describedby="caption-attachment-23370" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-23370" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-04-at-14.18.41-516x290.jpeg" alt="" width="516" height="290" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-04-at-14.18.41-516x290.jpeg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-04-at-14.18.41-900x506.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-04-at-14.18.41-768x432.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-04-at-14.18.41.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-23370" class="wp-caption-text">Domingas Soares Lopes, vendedora/ Foto: Diligente</figcaption></figure></blockquote>
<p>“Não tinha conhecimento desta informação e sinto-me insatisfeita com esta decisão. Enquanto militante do partido, na verdade, queria votar neste partido. Mas, se este partido não estiver presente nas eleições, não vou votar. Embora saiba que votar é um direito de cada pessoa, em quem vou votar se a FRETILIN não estiver presente?</p>
<p>Queremos que Alkatiri continue a avançar, porque Lú-Olo já faleceu. No entanto, ainda temos Alkatiri, que pode continuar a liderar este partido.</p>
<p>Embora existam outras figuras que são candidatos independentes, se usarem a bandeira da FRETILIN, nós votaremos neles. Mas, se não usarem a bandeira da FRETILIN, não votaremos neles.</p>
<p>Quanto à questão de saber se existe unidade dentro do partido ou não, não posso fazer comentários sobre isso.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“Por isso, continuo a acreditar, a apoiar e a estar junto da FRETILIN na luta pelo princípio da libertação do povo. Ainda hoje vemos muitas pessoas a viver na pobreza. Por isso, esta luta ainda é longa e continuará para que possamos avançar e alcançar esse objetivo”</p>
</blockquote>
<figure id="attachment_23374" aria-describedby="caption-attachment-23374" style="width: 503px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23374" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.50.44-503x377.jpeg" alt="" width="503" height="377" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.50.44-503x377.jpeg 503w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.50.44-900x675.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.50.44-768x576.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.50.44.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 503px) 100vw, 503px" /><figcaption id="caption-attachment-23374" class="wp-caption-text">Gabriel da Piedade Fraga, Secretário Executivo da Juventude FRETILIN (JF) do Município de Baucau/ Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<p>“Enquanto quadro da Juventude FRETILIN, que lidera a organização de massas do partido a nível municipal, concordo com as decisões tomadas pela FRETILIN.</p>
<p>Esta decisão foi tomada conjuntamente, através de um longo processo de discussão e de debate nos órgãos centrais do partido, como o CCF. Considero que tomar esta decisão não foi fácil nem simples. No entanto, acredito que a decisão representa todos os militantes, porque, ao nível do Comité Central, não é apenas uma pessoa que integra o CCF. Os seus membros representam todos os militantes eleitos pelo Congresso.</p>
<p>Na atual situação política, considero que a FRETILIN toma sempre decisões tendo em conta a evolução da dinâmica política, tanto a situação interna como a externa do partido. Com base na decisão tomada através da Resolução n.º 03, considero que as razões apresentadas são suficientemente fortes. A decisão dá liberdade a todos os militantes para decidirem de acordo com a vontade de cada um.</p>
<p>Em primeiro lugar, porque a FRETILIN valoriza sempre o princípio da democracia existente no nosso Estado. Dentro do próprio partido, esse princípio também é sempre respeitado. Por isso, a posição da FRETILIN é clara. A decisão não determina que os militantes tenham de apoiar um determinado candidato, mas dá liberdade a todos para votarem de forma consciente, de acordo com a escolha de cada um.</p>
<p>A atual decisão da FRETILIN também pode ser uma estratégia para influenciar a escolha dos militantes nas eleições. Entretanto, existem figuras como Rui Maria de Araújo e Lere, que são figuras importantes, tendo em conta o percurso de cada um.</p>
<p>Para mim, entre os dois e outros candidatos que possam ser mais apropriados, vejo um equilíbrio entre as duas figuras. Um tem um percurso ligado à luta e é antigo general, enquanto o outro pertence à geração do CCF que continua atualmente a existir.</p>
<p>O Dr. Rui Maria de Araújo, enquanto antigo Primeiro-Ministro e antigo Ministro da Saúde, é um técnico e político que todos sabemos ter dado o seu contributo. Por isso, não considero que exista um mais apropriado do que o outro, mas vejo atualmente um equilíbrio entre as figuras, o que poderá contribuir para reduzir as tensões políticas que iremos observar durante o período de campanha.</p>
<p>Cada campanha apresenta sempre narrativas por parte dos candidatos. Dessa forma, o povo poderá analisar e decidir como votar, de acordo com a figura que considerar mais apropriada.</p>
<p>Se olharmos para a responsabilidade e para um lema que todos conhecemos no Emblema Nacional, ‘Unidade, Ação e Progresso’, trata-se de um lema que nem todas as pessoas conseguem aplicar quando assumem o cargo de Chefe de Estado. Se um candidato surgir com influência política partidária ou associado a determinada figura, na minha opinião, será difícil que isso aconteça.</p>
<p>Por isso, considero que a decisão tomada pela FRETILIN é pertinente e está de acordo com a posição atual do partido.</p>
<p>Enquanto quadro da FRETILIN, continuo a acreditar e a apoiar o partido, porque sabemos que a FRETILIN é um partido histórico, com legitimidade democrática para continuar a existir neste Estado. É um partido que sempre teve uma visão clara, baseada no princípio da libertação da pátria, que nos permitiu a todos sentir a liberdade que temos hoje e que continuará a existir para lutar pela libertação do povo.</p>
<p>Por isso, continuo a acreditar, a apoiar e a estar junto da FRETILIN na luta pelo princípio da libertação do povo. Ainda hoje vemos muitas pessoas a viver na pobreza. Por isso, esta luta ainda é longa e continuará para que possamos avançar e alcançar esse objetivo.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“Continuo a acreditar e a apoiar a FRETILIN, porque continuo a seguir a ideologia política do partido”</p>
</blockquote>
<figure id="attachment_23375" aria-describedby="caption-attachment-23375" style="width: 503px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23375" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.51.51-503x377.jpeg" alt="" width="503" height="377" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.51.51-503x377.jpeg 503w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.51.51-900x675.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.51.51-768x576.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-05-at-18.51.51.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 503px) 100vw, 503px" /><figcaption id="caption-attachment-23375" class="wp-caption-text">Jacinto de Carvalho, residente em Makadike, Posto Administrativo de Uatulari, Município de Viqueque/ Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<p>“Concordo com esta decisão. Como forma de respeito pelo Presidente do Partido FRETILIN, depois de ser eleito o novo Presidente do Partido FRETILIN, só então poderá ser apresentada uma candidatura à Presidência da República.</p>
<p>Apoio outros candidatos, porque ainda não existe um novo Presidente do Partido FRETILIN. A FRETILIN não pode apresentar um novo candidato, por respeito ao Presidente do Partido FRETILIN que faleceu.</p>
<p>Esta situação poderá ter influência caso o Secretário-Geral da FRETILIN apoie outro candidato à Presidência da República.</p>
<p>Eu escolho Rui Maria de Araújo, porque já tem experiência de liderança do VI Governo Constitucional. Continuo a acreditar e a apoiar a FRETILIN, porque continuo a seguir a ideologia política do partido.”</p>
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		<title>Reforçar o profissionalismo, a responsabilização e a capacidade operacional da Polícia: o papel da cooperação regional e da reforma interna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 13:27:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião & Crónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O recente tiroteio fatal contra um civil, cometido por um membro da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) em Uatucarbau, Viqueque, voltou a levantar sérias questões sobre o controlo de armas de fogo, a disciplina policial e a responsabilização em Timor-Leste. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O recente tiroteio fatal contra um civil, cometido por um membro da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) em Uatucarbau, Viqueque, voltou a levantar sérias questões sobre o controlo de armas de fogo, a disciplina policial e a responsabilização em Timor-Leste. Segundo relatos dos meios de comunicação social, o homem foi baleado por um membro da Secção de Trânsito da PNTL, depois de ter sido alegadamente mandado parar enquanto conduzia uma motocicleta sem capacete. Mais tarde, morreu em Díli, depois de ser submetido a uma intervenção cirúrgica. As circunstâncias do tiroteio continuam a ser investigadas, sendo importante que as conclusões sobre a responsabilidade criminal individual sejam deixadas às autoridades competentes. No entanto, o caso já suscitou apelos a uma investigação aprofundada e a uma nova formação sobre o uso adequado de armas de fogo.</p>
<p>A Fundasaun Mahein (FM) apoia estes apelos. Ao mesmo tempo, o incidente deve também suscitar uma discussão mais profunda sobre a reforma policial e a capacidade operacional. Como a FM e outras entidades têm referido, Timor-Leste tem registado casos repetidos de tiroteios, uso excessivo da força, indisciplina e outras condutas inadequadas por parte de membros das instituições de segurança. Os incidentes graves são normalmente seguidos de investigações, declarações públicas e apelos a formação adicional, mas problemas semelhantes continuam a ocorrer. Isto sugere que o desafio não é simplesmente a falta de formação. É também uma questão de saber se a PNTL dispõe de sistemas institucionais, práticas de liderança e uma cultura organizacional suficientemente fortes para garantir que os padrões profissionais sejam aplicados de forma consistente.</p>
<p>Esta questão é particularmente importante à medida que Timor-Leste aprofunda a sua integração na ASEAN e a PNTL se envolve cada vez mais na ASEANAPOL, a associação das forças policiais nacionais dos Estados-Membros da ASEAN. A cooperação regional oferece oportunidades significativas de formação, intercâmbio profissional e aprendizagem com outras instituições policiais. No entanto, estas oportunidades só produzirão benefícios duradouros se a PNTL enfrentar as práticas internas que limitam tanto a capacidade operacional nacional como a eficácia das parcerias externas.</p>
<p><strong>Um problema recorrente, não um incidente isolado</strong></p>
<p>A FM tem acompanhado preocupações relacionadas com o uso indevido de armas de fogo e a violência policial há muitos anos. Em 2018, três pessoas foram mortas e quatro ficaram gravemente feridas num tiroteio cometido por um agente da polícia em Kuluhun, Díli. Em 2021, duas pessoas foram mortas e outra ficou gravemente ferida em Lahane. Em janeiro de 2022, seis membros da Unidade de Polícia Marítima em Covalima estiveram envolvidos num confronto com civis que resultou na morte de um jovem. Na altura, a FM argumentou que a violência e a indisciplina dentro da PNTL constituíam problemas graves e persistentes, que ameaçavam não só a segurança pública, mas também a legitimidade do Estado. Além disso, manifestámos preocupação pelo facto de os processos disciplinares instaurados na sequência de atos de brutalidade policial não apresentarem provas claras de que as lições institucionais estavam a ser efetivamente implementadas.</p>
<p>A FM também documentou o uso indevido de armas de fogo em incidentes que não envolveram homicídios. Em 2023, a FM relatou várias alegações relacionadas com o abate a tiro de animais pertencentes a membros da comunidade, utilizando armas de uso militar, incluindo casos alegadamente envolvendo membros da PNTL e das F-FDTL. Membros da comunidade queixaram-se de que os casos não foram devidamente acompanhados e que, por vezes, os processos desapareciam sem uma resolução clara. Depois, em maio de 2024, a FM relatou outro grave incidente com armas de fogo em Covalima, envolvendo um membro das F-FDTL destacado para o Serviço Nacional de Inteligência (SNIE), que alegadamente disparou uma arma durante um confronto, ferindo gravemente um civil.</p>
<p>Também ocorreram incidentes relacionados com armas de fogo que não envolveram disparos, mas que suscitaram preocupações significativas. Em 2024, por exemplo, a FM levantou preocupações sobre vários casos envolvendo membros da PCIC, incluindo uma situação em que uma arma de serviço foi utilizada para ameaçar outro agente e outra em que foi permitido a um familiar de um alto funcionário utilizar uma arma de serviço num campo de tiro da PCIC. Mais recentemente, a FM destacou alegações de que cidadãos estrangeiros receberam escolta policial e tiveram autorização para disparar armas de serviço. Em 2023, o atual diretor do SNIE, Sr. Longuinhos Montero, foi formalmente absolvido das acusações relacionadas com armas e munições alegadamente ilegais encontradas escondidas nas suas residências em Díli e em Loes, Liquiçá.</p>
<p>Alguns destes casos deram origem a processos formais de investigação ou judiciais. No entanto, o problema institucional mais amplo permanece: a responsabilização é frequentemente lenta, pouco clara ou difícil de acompanhar pelo público até à sua conclusão definitiva.</p>
<p><strong>De respostas reativas para sistemas institucionalizados</strong></p>
<p>Após um tiroteio policial, o debate público centra-se frequentemente na questão de saber se o agente em causa recebeu formação adequada sobre armas de fogo ou se estava psicologicamente apto para portar uma arma. É evidente que os agentes policiais a quem são confiadas armas de fogo devem estar sujeitos a processos adequados de seleção no recrutamento, avaliação psicológica e avaliações regulares. A competência no uso de armas de fogo não deve ser considerada algo adquirido de uma vez por todas durante a formação inicial. De facto, a FM recomendou anteriormente a realização de testes psicológicos adequados como parte da melhoria do recrutamento policial, na sequência de casos anteriores de violência policial mortal.</p>
<p>Um sistema profissional deve identificar os riscos antes de estes resultarem em violência. Os superiores hierárquicos devem saber quais os agentes autorizados a portar armas e se estes continuam a ter competência para o fazer. Todos os casos de utilização de armas de serviço devem ser automaticamente acompanhados por procedimentos de comunicação e revisão. As queixas e os processos disciplinares devem ser registados e acompanhados, para que não possam simplesmente desaparecer. Quando existe uma alegação de comportamento potencialmente criminoso, os processos disciplinares internos não devem substituir uma investigação criminal. Os agentes devem compreender que o uso indevido da autoridade será investigado independentemente do posto ou das ligações políticas.</p>
<p>Uma responsabilização eficaz protege os agentes, as instituições policiais e o público em geral, tanto quanto pune aqueles que cometem infrações graves. Regras claras impedem que as instituições do Estado sejam desacreditadas pelas ações de um pequeno número dos seus membros e demonstram ao público que a má conduta é levada a sério, o que pode reforçar a legitimidade do Estado perante a população e prevenir situações de instabilidade. A responsabilização dentro da polícia constitui, portanto, uma questão séria de segurança nacional, especialmente tendo em conta a insatisfação existente entre setores significativos da população relativamente a outros aspetos do desempenho do Governo.</p>
<p><strong>A cooperação internacional cria oportunidades, mas não pode substituir a reforma interna</strong></p>
<p>A adesão de Timor-Leste à ASEANAPOL cria novas oportunidades importantes para a PNTL. Estas oportunidades são particularmente relevantes neste momento, porque a ASEANAPOL colocou o combate aos centros de fraude e ao crime organizado transnacional entre as suas principais prioridades regionais — precisamente quando Timor-Leste enfrenta o surgimento de operações de fraude e preocupações associadas ao crime organizado, ao tráfico, ao financiamento ilícito e às redes criminosas estrangeiras.</p>
<p>Ao longo de 2026, a ASEANAPOL tem destacado repetidamente a crescente ameaça representada pela fraude facilitada por meios digitais e pelas redes transnacionais de fraude. Em março, a sua Reunião de Cooperação para a Formação acordou em dar prioridade à interrupção de centros de fraude ligados ao tráfico de seres humanos e à criminalidade forçada. Posteriormente, a ASEANAPOL desenvolveu a ASEANAPOL Scam Combat Task Force (ASCOT), destinada a reforçar a coordenação operacional, a partilha de informações, a investigação financeira e as ações conjuntas contra redes transnacionais de fraude. A 44.ª Conferência da ASEANAPOL, realizada em Manila em julho, aprovou formalmente o conceito da ASCOT na mesma reunião em que aprovou a admissão de Timor-Leste como décimo primeiro membro da ASEANAPOL.</p>
<p>Em abril, o Secretariado da ASEANAPOL estudou o National Scam Response Centre da Malásia, que reúne a polícia, instituições financeiras, operadores de telecomunicações e outros intervenientes num sistema de resposta rápida capaz de rastrear transações e congelar contas suspeitas. A ASEANAPOL prevê centros nacionais cada vez mais interoperáveis, capazes de partilhar informações e coordenar ações de interrupção financeira através das fronteiras.</p>
<p>À luz dos acontecimentos recentes relacionados com a exposição de numerosos centros de fraude que operam em Timor-Leste, a PNTL tem uma oportunidade imediata para aprender com a experiência regional em investigação digital, rastreamento financeiro, policiamento baseado em informações, identificação de vítimas, intercâmbio de informações transfronteiriças e ações coordenadas para desmantelar redes criminosas. Em vez de ter de desenvolver estas capacidades de forma independente, Timor-Leste pode participar em estruturas regionais que já estão a ser criadas especificamente para responder ao mesmo fenómeno criminoso que o país enfrenta atualmente.</p>
<p>De forma mais ampla, a ASEANAPOL possui uma estrutura estabelecida para a cooperação em matéria de formação, desenvolvimento de capacidades especializadas e intercâmbio profissional. A PNTL pode aprender com instituições policiais que possuem décadas de experiência em investigação criminal, policiamento comunitário, gestão de armas de fogo, inteligência, criminalidade transnacional e desenvolvimento de estruturas de comando. A cooperação com a Polícia Federal Australiana, a Nova Zelândia e outros parceiros internacionais pode proporcionar conhecimentos adicionais em matéria de governação policial, padrões profissionais e desenvolvimento institucional.</p>
<p>No entanto, o acesso à experiência regional não se traduz automaticamente em instituições nacionais mais fortes. Timor-Leste pode agora ter maior acesso do que nunca a formação especializada, parcerias operacionais e experiências comparativas, mas estas oportunidades só produzirão melhorias sustentáveis se a PNTL tiver capacidade e vontade para as absorver. A FM tem observado que alguns altos oficiais da polícia timorense têm demonstrado, por vezes, relutância em aceitar aconselhamento ou formação de profissionais internacionais, mesmo quando estes possuem conhecimentos especializados e experiência relevantes. Isto demonstra que, embora os parceiros internacionais possam disponibilizar investigadores, formadores e assessores técnicos altamente experientes, os benefícios serão limitados se os funcionários da PNTL não colaborarem seriamente com eles.</p>
<p>Este não é um problema que os parceiros estrangeiros possam resolver em nome de Timor-Leste. Os assessores internacionais podem adaptar os seus programas às realidades locais, por exemplo, colocando comandantes superiores da PNTL em contacto com homólogos de alto nível de países da ASEAN ou da Austrália, enquanto agentes especializados podem trabalhar diretamente com unidades técnicas equivalentes. Relações profissionais de longo prazo entre pares podem também ser mais eficazes do que cursos de formação de curta duração. Mas, em última análise, a liderança da PNTL deve criar uma cultura institucional que valorize a competência, a aprendizagem e a experiência profissional.</p>
<p>O mesmo princípio aplica-se de forma mais ampla. Os parceiros internacionais podem ajudar a conceber procedimentos disciplinares, fornecer formação em matéria de armas de fogo e investigação, reforçar os sistemas de assuntos internos e expor os agentes timorenses a práticas bem-sucedidas noutros países. No entanto, não podem garantir que as regras sejam aplicadas de forma imparcial quando relações pessoais, políticas ou institucionais interferem. A mudança da cultura institucional da polícia é, fundamentalmente, um desafio e uma responsabilidade internos.</p>
<p><strong>A parte mais difícil da reforma policial</strong></p>
<p>A FM observou anteriormente que a influência política e as relações pessoais afetam as estruturas de comando do setor da segurança e que o posto formal nem sempre corresponde ao verdadeiro poder de decisão. Na prática, agentes com ligações políticas exercem, por vezes, maior autoridade do que os seus superiores hierárquicos, enquanto o mérito e as qualificações profissionais nem sempre constituem a principal base para o recrutamento e a progressão dentro da polícia — ou, de facto, noutras instituições do Estado.</p>
<p>As instituições policiais e de segurança de Timor-Leste também funcionam numa sociedade onde as ligações familiares, relações históricas, filiações políticas e identidades locais podem assumir uma importância considerável. Estas realidades não podem simplesmente ser eliminadas através de um programa de reforma institucional concebido externamente. A FM acredita firmemente que os parceiros internacionais não devem tentar remodelar a sociedade timorense de acordo com modelos estrangeiros — de facto, temos defendido consistentemente uma abordagem de “melhor adaptação” à cooperação internacional, em vez de uma abordagem baseada em “melhores práticas”.</p>
<p>O que as instituições nacionais podem fazer, no entanto, é estabelecer regras profissionais robustas para garantir que as relações pessoais tenham menos importância quando são tomadas decisões oficiais. Os exemplos incluem um sistema disciplinar que produza a mesma resposta, independentemente de um agente ter ou não ligações políticas; processos de recrutamento e promoção que deem prioridade ao mérito e à competência profissional em detrimento de relações pessoais ou políticas; investigações criminais imparciais que sigam as provas independentemente de quem esteja envolvido; e responsabilização dos superiores pelo comportamento dos agentes sob o seu comando. O desenvolvimento destas práticas exige uma liderança institucional sustentada por parte dos responsáveis timorenses pela polícia.</p>
<p><strong>Utilizar eficazmente a cooperação da ASEAN</strong></p>
<p>Por esta razão, a FM considera que Timor-Leste deve encarar a cooperação policial da ASEAN não apenas como uma oportunidade para enviar mais agentes para o estrangeiro para receber formação, mas também como uma oportunidade para estabelecer parcerias institucionais de longo prazo destinadas a transformar as práticas profissionais. Estas poderiam incluir:</p>
<ul>
<li>intercâmbios estruturados entre comandantes da PNTL e comandantes homólogos das instituições policiais da ASEAN;</li>
<li>participação ativa da PNTL na ASCOT e na rede emergente da ASEANAPOL de Centros Nacionais de Combate à Fraude Online, incluindo intercâmbios especializados em perícia digital, investigação financeira, partilha de informações e respostas coordenadas à criminalidade organizada facilitada por meios digitais;</li>
<li>estudo comparativo dos procedimentos de licenciamento, armazenamento, distribuição e utilização de armas de fogo e das regras relativas ao uso da força;</li>
<li>avaliação psicológica regular e avaliação periódica da competência no uso de armas de fogo dos agentes autorizados a portar armas;</li>
<li>formação dos comandantes em matéria de supervisão, gestão disciplinar e responsabilização;</li>
<li>revisão conjunta de incidentes graves para identificar lições institucionais;</li>
<li>sistemas mais fortes para o registo e acompanhamento dos processos disciplinares;</li>
<li>programas de liderança centrados na meritocracia, na ética profissional e na tomada de decisões baseada em evidências; e</li>
<li>mecanismos que exijam aos agentes que participam em formações internacionais a transferência dos conhecimentos adquiridos para as suas unidades e a incorporação das lições relevantes nos procedimentos da PNTL.</li>
</ul>
<p>É importante que os parceiros internacionais avaliem o sucesso não pelo número de workshops realizados ou de agentes formados, mas pelo estabelecimento de indicadores e ferramentas que permitam medir se o comportamento institucional está a mudar através da análise de dados estatísticos. Por exemplo: o uso indevido de armas de fogo diminuiu? Mais processos disciplinares estão a ser concluídos? Os comandantes estão a aplicar os procedimentos de forma mais consistente? Os agentes formados estão a aplicar aquilo que aprenderam? As decisões relativas a promoções e comandos baseiam-se cada vez mais na competência? Os cidadãos têm maior confiança de que as queixas contra a polícia serão investigadas de forma justa?</p>
<p>Estes são indicadores significativos do desenvolvimento institucional e da capacitação, que toda a cooperação deve procurar aproveitar de forma eficaz.</p>
<p><strong>Conclusão: a adesão à ASEAN é uma oportunidade, não uma solução</strong></p>
<p>A integração de Timor-Leste na ASEAN e na ASEANAPOL ocorre num momento particularmente importante para a PNTL. O recente surgimento de centros de fraude e de atividades criminosas transnacionais associadas em Timor-Leste demonstra que muitos dos desafios policiais mais urgentes do país já não podem ser enfrentados apenas através de respostas nacionais. Ao mesmo tempo, a ASEANAPOL está a desenvolver novos mecanismos regionais especificamente destinados a combater redes de fraude, incluindo a ASCOT e uma rede proposta de Centros Nacionais de Combate à Fraude Online interoperáveis. Timor-Leste tem, portanto, uma oportunidade de participar desde uma fase inicial numa arquitetura policial regional que está a ser desenvolvida em resposta a uma ameaça que o próprio país enfrenta atualmente.</p>
<p>Isto torna a cooperação internacional eficaz cada vez mais importante. Ao mesmo tempo, torna também a qualidade das instituições internas da PNTL ainda mais importante. Uma instituição não se torna profissional simplesmente por aderir a mecanismos regionais, participar em reuniões internacionais ou receber formação estrangeira. O valor destas parcerias depende, em última análise, da capacidade da PNTL para absorver conhecimentos externos, adaptá-los às circunstâncias de Timor-Leste e traduzi-los em mudanças e práticas institucionais sustentadas.</p>
<p>Os parceiros internacionais podem prestar um apoio valioso a estes processos. A adesão à ASEAN pode proporcionar novas oportunidades para aprender com forças policiais vizinhas que possuem semelhanças culturais e geográficas. A Austrália, a Nova Zelândia e outros parceiros podem continuar a fornecer assistência técnica importante. No entanto, as reformas mais difíceis têm de partir de dentro: os líderes políticos timorenses, os comandantes da PNTL e os próprios agentes policiais devem garantir que os padrões profissionais sejam aplicados de forma consistente; que a competência seja respeitada; que a má conduta tenha consequências, independentemente do estatuto ou das ligações; e que as regras institucionais tenham mais importância do que as relações pessoais.</p>
<p>Timor-Leste deve aproveitar plenamente as oportunidades criadas pela adesão à ASEAN e pelas suas parcerias internacionais mais amplas. Contudo, isso exige reconhecer que a cooperação internacional é apenas uma parte do desenvolvimento institucional bem-sucedido. A outra parte é constituída pela liderança, pela responsabilização e pela reforma internas.</p>
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		<title>A lealdade também sabe dizer “não”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Aug 2026 12:54:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião & Crónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lealdade é, ao mesmo tempo, uma virtude e uma atitude. Significa respeitar compromissos, defender princípios, reconhecer quem nos estendeu a mão e estar ao lado de uma pessoa, de uma instituição ou de uma causa. Mas lealdade não significa concordar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Lealdade é, ao mesmo tempo, uma virtude e uma atitude. Significa respeitar compromissos, defender princípios, reconhecer quem nos estendeu a mão e estar ao lado de uma pessoa, de uma instituição ou de uma causa. Mas lealdade não significa concordar com tudo.</p>
<p>Por vezes, confundimos respeito com obediência absoluta, disciplina com silêncio, gratidão com uma dívida permanente e fidelidade a uma pessoa com a fidelidade a princípios.</p>
<p>A lealdade pressupõe autonomia para dizer “não”, para apontar um erro e para alertar quando uma decisão não é a mais adequada. A lealdade também envolve reciprocidade: é uma via de mão dupla. Quem espera lealdade também deve demonstrá-la.</p>
<p>A submissão, por outro lado, pede silêncio onde deveria existir diálogo. Pede obediência incondicional onde deveria existir consciência crítica.</p>
<p>A diferença não está simplesmente em obedecer ou discordar, mas na possibilidade de escolher sem medo de represálias.</p>
<p>Esta dinâmica torna-se mais evidente nas relações de poder. Quem apenas diz “sim” pode parecer leal, mas nem sempre está a ajudar. Às vezes, o perigo para uma liderança não é o adversário que critica publicamente. É o círculo de pessoas próximas que nunca diz aquilo que o líder precisa de ouvir.</p>
<p>Uma instituição onde a figura de poder não pode ser questionada transforma-se, pouco a pouco, numa estrutura vulnerável ao erro. Quando a crítica é interpretada como traição, o espaço para a honestidade e o debate construtivo de ideias tende a desaparecer.</p>
<p><strong>Um padrão que se repete</strong></p>
<p>Isto vale para a política partidária, para o governo, para a administração pública, para as organizações, para as empresas, para as comunidades, para as instituições de ensino e até para as relações pessoais.</p>
<p>Em qualquer lugar onde exista autoridade, existe também o risco de a lealdade ser usada como instrumento para exigir submissão.</p>
<p>Quando alguém diz “preciso de pessoas leais ao meu lado”, o que está realmente a dizer? Por vezes, isto tem um subtexto que significa “preciso de pessoas que obedeçam às minhas ordens”. Assim, a lealdade passa a ser uma prova de obediência.</p>
<p>A lealdade não deveria medir-se pela quantidade de vezes que alguém concorda, mas pela honestidade com que essa pessoa permanece ao nosso lado, mesmo quando discorda.</p>
<p>A lealdade permite dizer “estou contigo, mas penso de maneira diferente”; a submissão exige “estou contigo porque não posso dizer não”.</p>
<p>Numa universidade, por exemplo, ser leal à instituição significa contribuir para o seu desenvolvimento, respeitar as suas regras e defender a qualidade do ensino e da investigação. Não significa, porém, concordar sempre com o reitor, o diretor ou qualquer outra autoridade. A liberdade académica pressupõe o direito de questionar. A universidade faz-se com debate, pensamento crítico e autonomia.</p>
<p>No serviço público, a lógica é semelhante: o funcionário deve lealdade à instituição, à lei e ao interesse público, não à pessoa que ocupa temporariamente uma posição de poder. Cumprir uma orientação legítima é dever profissional. Obedecer cegamente por hábito, comodismo ou medo de perder o cargo, a promoção ou outros benefícios é já submissão, não lealdade.</p>
<p>Na política partidária, pode acontecer que os deputados se submetam aos líderes dos partidos por receio de não serem incluídos nas listas das próximas eleições ou de perderem postos de chefia e coordenação. Nestas condições, a lealdade à causa e às necessidades da população pode ficar em segundo plano, porque acima de tudo está a lealdade ao líder do partido que garante o cargo.</p>
<p>Uma instituição – seja ela qual for – onde as pessoas têm receio de dizer o que pensam ao superior hierárquico dificilmente conseguirá manter uma gestão consistente, eficiente e de qualidade.</p>
<p>Isto leva-nos a uma pergunta: aqueles que exigem lealdade serão eles próprios leais?</p>
<p><strong>Entre a submissão e a competência</strong></p>
<p>Quando isto acontece, a competência começa a tornar-se secundária, e aquilo que passa a contar é a proximidade e o alinhamento com a figura do líder.</p>
<p>A pessoa que questiona, mesmo sendo competente, pode ser vista como “difícil” ou “desleal”, enquanto aquela que concorda com tudo – ou silencia – pode ser recompensada, ainda que tenha menos capacidade ou experiência.</p>
<p>Este processo não acontece de um dia para o outro. Instala-se gradualmente, através de pequenas escolhas, ameaças veladas, nomeações e privilégios, até que a fidelidade pessoal passe a pesar mais do que o mérito.</p>
<p>A qualidade do serviço prestado à população pode ser diretamente afetada, porque os lugares deixam de ser ocupados necessariamente pelas pessoas mais preparadas e passam a ser ocupados por aquelas consideradas mais fiéis.</p>
<p>Esta dinâmica afeta também as relações pessoais. Quando discordar pode trazer punição, cria-se um ambiente de cautela e autoproteção.</p>
<p>Cada pessoa começa a perguntar não apenas “o que penso?”, mas “o que posso perder se disser aquilo que realmente penso?”. A autonomia enfraquece, a honestidade torna-se arriscada e o silêncio passa a ser uma estratégia.</p>
<p>Em vez de se aproximarem pela confiança e pelas ideias, as pessoas começam a formar grupos fechados, círculos de proteção e redes de lealdade baseadas no interesse, no medo, no conformismo, no hábito, na dependência e assim por diante.</p>
<p>A diferença de opinião deixa de ser vista como uma oportunidade de aprendizagem e passa a ser interpretada como uma ameaça. Instala-se a sensação de que é preciso proteger-se do diferente, quando, numa sociedade, o diferente deveria ser precisamente aquilo que nos estimula a pensar.</p>
<p><strong>As consequências de viver em alerta</strong></p>
<p>Com o tempo, este tipo de ambiente tem um custo cognitivo, emocional e social. A capacidade de reflexão crítica deixa de ser estimulada, porque expressar um pensamento independente passa a ser visto como um desrespeito.</p>
<p>A análise responsável do contexto dá lugar a respostas enviesadas: concordar com o líder – ou com o grupo – torna-se algo automático, e perspetivas diferentes passam a ser vistas como perigosas.</p>
<p>Isto contribui para um ambiente de desconfiança permanente. Não apenas em relação aos outros, mas também em relação a si próprio, porque cada pessoa aprende a vigiar as próprias palavras antes de as dizer.</p>
<p>Aqueles que exercem posições de liderança podem começar a ver potenciais traições em todo o lado; aqueles que seguem calam-se para não serem considerados traidores; e aqueles que ficam fora do círculo de lealdade podem ser excluídos ou invisibilizados.</p>
<p>Reforça-se, assim, a ideia de “nós” contra “eles”, criando espaço para frustrações, ressentimentos, injustiças, animosidades e mal-entendidos.</p>
<p>A lealdade sem espaço para a autonomia de pensamento abre caminho à naturalização de comportamentos, no mínimo, questionáveis contra os “outros”. Esta dinâmica pode, então, tornar-se um círculo vicioso: teme-se tanto a traição que se acaba por a estimular.</p>
<p>Podemos pensar, por exemplo, no “maun-bo’otizmu”, quando o respeito pela pessoa mais velha, pelo líder, pelo chefe ou por alguém socialmente reconhecido pode transformar-se numa relação de autoridade inquestionável.</p>
<p>O respeito pelos mais velhos e pela hierarquia é importante, mas não deve ser confundido com submissão.</p>
<p>Uma sociedade que funciona assim pode parecer coesa à superfície, mas perde gradualmente a capacidade de autoanálise, de questionar e de construir respostas em conjunto.</p>
<p>O desafio não é eliminar o respeito pela autoridade, mas garantir que o respeito não elimine a liberdade de pensar e de discordar.</p>
<p><span style="color: #808080;"><em>Alessandro Boarccaech é psicólogo clínico, semiótico e antropólogo.</em></span></p>
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		<item>
		<title>Mulheres, política, bullying e família: o risco para a democracia em Timor-Leste</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/mulheres-politica-bullying-e-familia-o-risco-para-a-democracia-em-timor-leste/</link>
					<comments>https://www.diligenteonline.com/mulheres-politica-bullying-e-familia-o-risco-para-a-democracia-em-timor-leste/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 12:07:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião & Crónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Artigo originalmente publicado pelo IBDFAM — Instituto Brasileiro de Direito de Família, entidade dedicada ao estudo e à promoção do Direito das Famílias e das relações familiares. As mulheres timorenses tiveram sempre uma participação ativa na política e nos diferentes [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/mulheres-politica-bullying-e-familia-o-risco-para-a-democracia-em-timor-leste/">Mulheres, política, bullying e família: o risco para a democracia em Timor-Leste</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Artigo originalmente publicado pelo IBDFAM — Instituto Brasileiro de Direito de Família, entidade dedicada ao estudo e à promoção do Direito das Famílias e das relações familiares.</em></p>
<p>As mulheres timorenses tiveram sempre uma participação ativa na política e nos diferentes componentes da luta de resistência à ocupação e pela libertação nacional de Timor-Leste. Apesar disso, o reconhecimento efetivo das contribuições das mulheres continua limitado, marcado por uma tendência patriarcal para minimizar o papel desempenhado pelas Buiberes durante os 24 anos da luta pela libertação nacional. Um exemplo simples: em dias de celebração de momentos históricos ligados à luta da resistência, as imagens são dominadas por homens da resistência, com muito poucas mulheres incluídas e geralmente com níveis de visibilidade mais reduzidos.</p>
<p>Hoje, mais de duas décadas após a restauração da independência, mulheres timorenses de diferentes gerações continuam a participar ativamente na construção do Estado, na política, no ativismo social e nos processos de desenvolvimento nacional. Apesar disso, ataques direcionados contra mulheres mais vocais e visíveis tornaram-se práticas normalizadas em determinados espaços sociais e digitais, funcionando como mecanismos de pressão para o silêncio e a submissão dentro de uma sociedade ainda fortemente patriarcal.</p>
<p>Com o crescimento acelerado das redes sociais e das plataformas digitais em Timor-Leste, os ataques e as práticas de bullying ganharam uma nova dimensão. A velocidade de disseminação de conteúdos nas plataformas digitais, em Timor-Leste, especialmente no Facebook e no TikTok, amplifica significativamente os impactos da violência psicológica e da violência baseada no género, tornando mais difícil controlar os seus efeitos sobre indivíduos, famílias e comunidades. Muitas vezes, este tipo de violência é desvalorizado por não deixar marcas físicas visíveis, embora os seus impactos emocionais e sociais possam ser profundos e duradouros, podendo levar algumas mulheres a desistir das suas funções para evitarem a exposição e a vulnerabilidade aos ataques.</p>
<p>O bullying é geralmente entendido como uma ação praticada por um indivíduo ou grupo com o objetivo de intimidar, humilhar ou pressionar pessoas consideradas mais vulneráveis. Embora frequentemente associado ao contexto escolar, o fenómeno estende-se atualmente a todas as esferas sociais, incluindo o espaço político e digital.</p>
<p>Em todas as sociedades existem grupos particularmente vulneráveis à discriminação e à violência. Em Timor-Leste, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e membros da comunidade LGBTQIA+ encontram-se entre os grupos mais afetados pela desigualdade social e económica, sendo igualmente os mais expostos a ataques digitais, discursos de ódio e campanhas de humilhação pública. Além disso, grupos de diferentes etnias que não são considerados “timorenses puros” ou que professam uma religião diferente daquela praticada pela maioria da população sofrem também discriminações sistemáticas, sendo esses fatores muitas vezes usados como argumentos de bullying.</p>
<p>No caso das mulheres na política, aquilo que muitas vezes é descrito como simples “trolling” constitui, na realidade, uma forma de violência baseada no género facilitada pela tecnologia. O que acontece cada vez mais no meio digital é um transporte do tipo de ataques que já vem a acontecer no meio físico, sendo agora muito mais rápido e com impactos mais amplos. Estes ataques raramente se limitam ao debate político ou ideológico. Frequentemente concentram-se na moralidade, na aparência, na vida familiar ou na reputação das mulheres, procurando descredibilizar a sua presença no espaço público através da humilhação e do constrangimento social. Em Timor-Leste, fatores como a idade, o local de nascimento, a etnia e a religião são também muito usados nas tentativas de humilhação com base na identidade, o que infelizmente, muitas vezes, cria complexos nas vítimas.</p>
<p>No contexto timorense, conceitos culturais como a vergonha e a reputação ampliam significativamente o impacto destes ataques. A exposição pública negativa não afeta apenas a mulher visada, mas também a sua família e comunidade, especialmente numa sociedade em que a identidade individual permanece profundamente ligada ao uma-kain e às relações sociais tradicionais, e onde a vida em comunidade é mais forte do que a individualidade. Uma publicação viral em tétum pode rapidamente espalhar-se por todo o país, gerando consequências emocionais, sociais e políticas difíceis de controlar.</p>
<p>Do ponto de vista jurídico, Timor-Leste possui já alguns instrumentos relevantes que podem servir de base para enfrentar esta realidade. A Lei n.º 7/2010, sobre Violência Doméstica, reconhece explicitamente a violência psicológica como uma forma de agressão, incluindo comportamentos que provoquem humilhação, sofrimento emocional ou intimidação. Embora esta legislação não trate diretamente da violência digital baseada no género, muitos comportamentos praticados no espaço online enquadram-se claramente no conceito de violência psicológica previsto na lei.</p>
<p>No entanto, continua a existir uma lacuna legal e institucional significativa relativamente ao reconhecimento específico da violência digital baseada no género, especialmente fora do contexto doméstico. A ausência de mecanismos especializados de denúncia, investigação e responsabilização dificulta a proteção efetiva das vítimas e contribui para a normalização destas práticas.</p>
<p>As consequências desta realidade ultrapassam o impacto individual. Quando mulheres abandonam ou evitam a participação política para proteger a sua dignidade e as suas famílias, a democracia perde diversidade, representação e qualidade no debate público. A normalização da violência digital também contribui para a banalização da violência contra mulheres no espaço offline, reforçando padrões de discriminação e desigualdade. Além disso, o impacto geracional é significativo. Jovens raparigas que observam ataques constantes contra mulheres líderes podem crescer com a perceção de que a participação política é incompatível com segurança, dignidade e respeito. Isso representa um risco direto para o futuro da participação feminina e para a consolidação democrática em Timor-Leste, visto que muitas mulheres, especialmente jovens, hesitam em tornar-se mais participativas na vida política, ou mesmo em assumir em posições de liderança profissional, para evitarem tornar-se alvo de ataques e bullying.</p>
<p>Face a esta realidade, torna-se essencial promover medidas concretas para proteger as mulheres no espaço digital, incluindo um investimento político e financeiro sério, por parte do Estado, num sistema de educação centrado na formação de seres humanos com valores de cidadania, capacidade de análise crítica, literacia digital e consciência pública, bem como no desenvolvimento de legislação que reconheça explicitamente a violência digital baseada no género. Mas, para que estas medidas sejam eficazes, antes de mais, é necessário que aqueles que governam sejam os primeiros a reconhecer os problemas existentes e genuinamente se comprometam a trabalhar e investir para a mudança.</p>
<p>A proteção das mulheres no espaço físico e digital não é apenas uma questão de direitos individuais. Trata-se de uma condição essencial para garantir uma democracia inclusiva, participativa e baseada no respeito e na justiça. Uma democracia que permite o silenciamento das mulheres enfraquece inevitavelmente a sua própria legitimidade e não é, realmente, uma democracia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #999999;"><em><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23224 alignleft" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/Nurima-q-393x377.jpeg" alt="" width="99" height="95" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/Nurima-q-393x377.jpeg 393w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/Nurima-q-900x864.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/Nurima-q-768x737.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/Nurima-q.jpeg 1067w" sizes="auto, (max-width: 99px) 100vw, 99px" /></em></span></p>
<p><span style="color: #999999;"><em>Nurima Ribeiro Alkatiri é política, ativista e deputada do FRETILIN. Tem experiência nas áreas de igualdade de género, direitos das mulheres e inclusão social, destacando-se pela defesa da participação das mulheres na política e na vida pública de Timor-Leste.</em></span></p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/mulheres-politica-bullying-e-familia-o-risco-para-a-democracia-em-timor-leste/">Mulheres, política, bullying e família: o risco para a democracia em Timor-Leste</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Entre partir e ficar: o futuro da juventude timorense</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 10:50:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião & Crónica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com poucas oportunidades de emprego e salários que muitos consideram insuficientes para construir uma vida estável, milhares de jovens timorenses continuam a olhar para o estrangeiro como uma oportunidade para mudar de vida. Outros preferem ficar e apostar no empreendedorismo, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Com poucas oportunidades de emprego e salários que muitos consideram insuficientes para construir uma vida estável, milhares de jovens timorenses continuam a olhar para o estrangeiro como uma oportunidade para mudar de vida. Outros preferem ficar e apostar no empreendedorismo, na agricultura ou em pequenos negócios.</em></p>
<p>Timor-Leste é um dos países mais jovens da região. De acordo com os Censos de 2022, cerca de 65% da população tem menos de 30 anos. Esta geração representa uma enorme reserva de energia e potencial para impulsionar o desenvolvimento do país.</p>
<p>No entanto, a transição para a vida adulta continua marcada por muitos desafios. Encontrar emprego, alcançar independência financeira e construir um projeto de vida estável permanece um objetivo difícil para muitos jovens. A reduzida oferta de trabalho, os baixos salários e a escassez de oportunidades levam muitos a questionar se conseguirão concretizar os seus sonhos sem sair do país.</p>
<p>Perante esta realidade, alguns optam por emigrar para países como a Austrália, a Coreia do Sul, Portugal ou o Reino Unido, na esperança de encontrar melhores condições de vida. Outros acreditam que é possível construir o futuro em Timor-Leste, apostando no empreendedorismo, na agricultura e na criação do próprio emprego.</p>
<p>O Diligente ouviu cinco jovens timorenses com percursos distintos. Entre histórias de emigração, desemprego, empreendedorismo e perseverança, todos partilham a mesma ambição: construir uma vida mais digna e contribuir para o futuro de Timor-Leste.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;">“Vir para a Austrália não representava apenas uma oportunidade de melhorar a minha própria vida, mas também uma forma de garantir melhores condições para os meus irmãos”</span></p>
<figure id="attachment_23112" aria-describedby="caption-attachment-23112" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23112" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/1-516x290.jpg" alt="" width="516" height="290" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/1-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/1.jpg 764w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-23112" class="wp-caption-text">Octaviano Maya da Conceição, trabalhador timorense na Austrália / Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure></blockquote>
<p>“A minha decisão de vir trabalhar para a Austrália surgiu numa fase em que a minha família enfrentava uma situação económica muito difícil. Perante essa realidade, decidi procurar melhores oportunidades no estrangeiro. Antes de vir para cá, trabalhei em várias organizações comunitárias, onde recebia uma pequena remuneração que ajudava a suportar algumas despesas pessoais e os meus estudos.</p>
<p>Optei por não continuar a trabalhar em Timor-Leste porque o rendimento que auferia não me permitia alcançar objetivos importantes, como construir uma casa ou apoiar a educação dos meus irmãos. Em 2017, perdi a minha mãe, uma situação que me afetou profundamente e me levou a interromper temporariamente os estudos universitários. Sendo o filho mais velho de uma família numerosa, senti a responsabilidade de procurar uma forma de apoiar os meus irmãos.</p>
<p>Foi nesse contexto que me candidatei ao programa de trabalho promovido pelo Governo de Timor-Leste, através da Secretaria de Estado da Formação Profissional e Emprego, em parceria com o Governo da Austrália. Depois de ultrapassar as várias fases de seleção, incluindo a análise documental, a prova escrita e a entrevista, fui selecionado e recebi um contrato para trabalhar na indústria da carne, onde permaneço há quatro anos.</p>
<p>Vir para a Austrália não representava apenas uma oportunidade de melhorar a minha própria vida, mas também uma forma de garantir melhores condições para os meus irmãos. Com o apoio que lhes tenho dado, conseguiram concluir o ensino secundário e frequentam atualmente a universidade. Além disso, envio regularmente dinheiro para a minha família, sobretudo para ajudar nas despesas básicas, como a alimentação. Também consegui comprar um terreno em Díli, onde estou a construir uma casa que está quase concluída, e estou a reabilitar a antiga casa do meu pai, situada nas montanhas.</p>
<p>Sem esta oportunidade de trabalho na Austrália, acredito que teria sido muito difícil concretizar estes objetivos. Em Timor-Leste, um salário mínimo de cerca de 115 dólares dificilmente permite responder às necessidades de uma família.</p>
<p>A realidade do país é conhecida por todos. Muitos jovens procuram trabalho no estrangeiro porque as oportunidades de emprego continuam limitadas. Mesmo aqueles que conseguem um emprego enfrentam, muitas vezes, dificuldades devido aos baixos salários, que nem sempre permitem melhorar de forma significativa as suas condições de vida. Na Austrália, pelo contrário, o rendimento de um único mês de trabalho pode representar uma mudança importante na vida de uma pessoa e permitir algum planeamento para o futuro.</p>
<p>Acredito que o Governo deve reforçar o investimento em áreas fundamentais, como a educação, a agricultura e o turismo. Apostar na educação é preparar melhor os cidadãos para o mercado de trabalho e incentivar a criação de novos negócios. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da agricultura e do turismo pode gerar mais emprego e criar novas oportunidades para os jovens. Para isso, é essencial reforçar a colaboração entre o Estado e o setor privado.</p>
<p>Uma das maiores aprendizagens que tive na Austrália foi perceber que o tempo tem um enorme valor. Em Timor-Leste, por vezes, não damos a mesma importância à pontualidade e à gestão do tempo como instrumento para melhorar a nossa vida. Aqui existe uma cultura de maior disciplina: as pessoas respeitam os horários de entrada e de saída do trabalho, valorizando o compromisso e a responsabilidade.</p>
<p>A minha mensagem para os jovens é que o futuro depende das escolhas e do esforço de cada um. Devemos procurar aprender continuamente, aproveitar as oportunidades e desenvolver atividades que contribuam para melhorar a nossa vida. Trabalhar no estrangeiro ou permanecer em Timor-Leste são caminhos igualmente dignos; o mais importante é saber gerir os rendimentos e utilizá-los de forma responsável. Quando fazemos isso, conseguimos criar melhores condições para nós próprios e para as nossas famílias.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;">“Através da agricultura, consegui construir a minha casa, apoiar os estudos dos meus irmãos e criar emprego para cerca de 30 jovens”</span></p>
<figure id="attachment_23113" aria-describedby="caption-attachment-23113" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23113" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/2-516x307.jpg" alt="" width="516" height="307" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/2-516x307.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/2-900x536.jpg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/2-768x457.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/2.jpg 1323w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-23113" class="wp-caption-text">Mateus Barbora, jovem empreendedor agrícola / Foto: Diligente</figcaption></figure></blockquote>
<p>“Timor-Leste é um país jovem que continua em processo de desenvolvimento, tanto a nível económico como na melhoria das condições de vida da população. Enquanto jovem, acredito que podemos construir o nosso futuro no próprio país, embora reconheça que esse caminho apresenta muitos desafios.</p>
<p>Todos sabemos que as oportunidades de emprego em Timor-Leste ainda são limitadas. No entanto, acredito que, através do esforço, da criatividade e da iniciativa pessoal, podemos criar novas oportunidades, especialmente em áreas como o empreendedorismo e a agricultura.</p>
<p>Antes, trabalhava para outras pessoas, cuidando das suas hortas e terrenos agrícolas. Com o tempo, percebi que precisava de mudar a minha situação e criar a minha própria atividade, em vez de depender sempre de trabalhos oferecidos por terceiros. Foi então que comecei a procurar proprietários de terrenos abandonados e, depois de várias conversas, chegámos a um acordo que me permitiu iniciar o meu projeto na área da horticultura.</p>
<p>Atualmente, tenho dois centros de produção agrícola: um em Loes, no município de Liquiçá, e outro em Hera. Através desta atividade, consegui criar oportunidades de trabalho para cerca de 30 jovens. Também consegui construir a minha casa, apoiar os estudos dos meus irmãos e adquirir um carro. Sinto-me realizado com este percurso, porque a agricultura permitiu-me melhorar a minha vida e, ao mesmo tempo, contribuir para as comunidades, garantindo o fornecimento regular de produtos agrícolas.</p>
<p>Reconheço que existem oportunidades para os jovens melhorarem as suas condições de vida, embora ainda sejam reduzidas, sobretudo no acesso ao emprego formal. Por isso, acredito que devemos assumir uma atitude mais ativa e procurar criar as nossas próprias oportunidades através de pequenos negócios e de atividades produtivas, como a criação de aves, a produção agrícola, a pecuária ou outros projetos que possam beneficiar as nossas famílias e comunidades.</p>
<p>Se não dermos o primeiro passo, será difícil esperar que alguém venha resolver os nossos problemas. No meu caso, comecei sozinho e nunca solicitei apoio financeiro ao Governo. Ainda assim, como jovem, quero continuar a contribuir para o desenvolvimento do país sem depender exclusivamente do Estado. O Governo deve criar melhores condições de mercado, permitindo que os produtores consigam vender os seus produtos a preços justos e obtenham rendimentos sustentáveis.</p>
<p>Timor-Leste possui muitas terras férteis e com grande potencial para o desenvolvimento de atividades económicas. Como jovens, precisamos de ter coragem para assumir riscos, acreditar nas nossas capacidades e investir nos recursos que o nosso país possui. Só assim poderemos transformar os desafios em oportunidades e construir um futuro melhor.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;">“Quando não conseguimos um emprego, não podemos desistir: temos de procurar outras formas de criar o nosso próprio futuro”</span></p>
<figure id="attachment_23114" aria-describedby="caption-attachment-23114" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23114" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/3-516x290.jpg" alt="" width="516" height="290" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/3-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/3-768x432.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/3.jpg 810w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-23114" class="wp-caption-text">Ana Glória da Cruz Belo, estudante da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) / Foto: Diligente</figcaption></figure></blockquote>
<p>“Todos os anos, vemos muitos jovens timorenses procurar oportunidades de trabalho no estrangeiro. A principal razão apontada é a falta de emprego em Timor-Leste. No entanto, na minha opinião, essa ideia não corresponde totalmente à realidade, porque existem oportunidades. Muitas vezes, falta-nos iniciativa e determinação para as procurar ou criar.</p>
<p>Existem vários caminhos para melhorar as nossas condições de vida. Quando nos candidatamos a uma vaga de emprego e não somos selecionados, não podemos desistir. Podemos procurar alternativas, como criar pequenos negócios, desenvolver atividades agrícolas ou investir na criação de animais, como galinhas e porcos. Com iniciativa, responsabilidade e dedicação, é possível alcançar resultados positivos. Além de melhorar a nossa própria vida, estas atividades também podem gerar emprego para outros jovens.</p>
<p>Existem muitas oportunidades que nós, enquanto juventude, podemos aproveitar para desenvolver atividades produtivas, mas nem sempre conseguimos identificá-las. Um exemplo é o setor avícola: grande parte da carne de frango consumida em Timor-Leste é importada. Se houver mais investimento nesta área, podemos tornar-nos produtores nacionais e contribuir para reduzir a dependência das importações.</p>
<p>Muitas pessoas acreditam que, para iniciar um negócio, é necessário dispor de muito capital. No entanto, existem instituições financeiras que disponibilizam empréstimos a jovens com ideias e projetos empreendedores. O desafio é que, muitas vezes, não procuramos informação suficiente sobre essas oportunidades.</p>
<p>Por isso, considero que o Governo deve continuar a investir na educação e na formação profissional, preparando os jovens com conhecimentos e competências que lhes permitam desenvolver o seu potencial e criar as suas próprias oportunidades, sem dependerem exclusivamente do Estado.</p>
<p>Todos queremos construir uma vida melhor no futuro, mas esse futuro depende das decisões e das ações que tomamos no presente. Se não estivermos dispostos a trabalhar, a aprender e a enfrentar desafios, será difícil alcançar mudanças significativas. Quem deseja um futuro melhor deve procurar oportunidades, transformar ideias em ações e trabalhar com dedicação, contribuindo assim para o bem-estar da sua família e para o desenvolvimento de Timor-Leste.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;">“O dinheiro que ganho chega para as despesas do dia a dia, mas não me permite construir o futuro que desejo”</span></p>
<figure id="attachment_23115" aria-describedby="caption-attachment-23115" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23115" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/4-516x290.jpg" alt="" width="516" height="290" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/4-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/4-768x432.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/4.jpg 810w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-23115" class="wp-caption-text">Alberito Amaral, vendedor ambulante /Foto: Diligente</figcaption></figure></blockquote>
<p>“Todos conhecemos a realidade de Timor-Leste: as oportunidades de emprego continuam a ser muito limitadas, enquanto existe um grande número de jovens à procura de trabalho. Em muitas instituições são abertas apenas algumas vagas, mas o número de candidatos é muito elevado. Como resultado, muitos acabam por ficar desempregados.</p>
<p>Como podemos melhorar as nossas condições de vida quando não temos um emprego estável nem um rendimento fixo? Na minha opinião, para conseguirmos progredir, precisamos de ter uma fonte de rendimento que nos permita responder às nossas necessidades e planear o futuro.</p>
<p>Anteriormente, trabalhei na construção civil e, com o rendimento que recebia, consegui pagar os meus estudos universitários. No entanto, quando o projeto terminou, fiquei sem trabalho e sem uma fonte de rendimento regular. Para continuar a estudar, comecei a vender recargas telefónicas (pulsa), uma atividade que me ajudava a pagar as propinas da universidade e a renda do quarto onde vivo.</p>
<p>Apesar do esforço, sinto que esta atividade não é suficiente para melhorar significativamente a minha vida. O dinheiro que ganho serve sobretudo para cobrir as despesas diárias, como a alimentação, mas não me permite alcançar objetivos maiores, como construir uma casa ou garantir maior estabilidade para o futuro.</p>
<p>Muitos jovens continuam a vender cigarros e recargas telefónicas nas ruas, enquanto outros trabalham em lojas com salários que, por vezes, não chegam aos 115 dólares por mês. Embora o Governo tenha criado programas de emprego no estrangeiro, com oportunidades na Austrália, na Coreia do Sul e na Nova Zelândia, considero que o número de vagas continua a ser reduzido face à quantidade de jovens que procuram trabalho.</p>
<p>Tenho o grande desejo de trabalhar na Coreia do Sul, porque acredito que uma oportunidade no estrangeiro poderá ajudar-me a melhorar as minhas condições de vida e, ao mesmo tempo, apoiar os estudos dos meus irmãos e dar um melhor apoio aos meus pais. O meu objetivo é contribuir para o bem-estar da minha família e construir um futuro mais estável.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600;">“O salário mínimo já não acompanha o custo de vida e torna-se muito difícil construir um futuro em Timor-Leste”</span></p>
<figure id="attachment_23116" aria-describedby="caption-attachment-23116" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23116" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/5-516x290.jpg" alt="" width="516" height="290" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/5-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/5-768x432.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/5.jpg 810w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-23116" class="wp-caption-text">Daniel Pinto, jovem desempregado/Foto: Diligente</figcaption></figure></blockquote>
<p>“Considero que é muito difícil para os jovens construírem o seu futuro em Timor-Leste. O Governo tem criado oportunidades de trabalho, tanto na função pública como através de programas de emprego na Austrália e na Coreia do Sul. No entanto, o número de candidatos é muito elevado, com milhares de jovens a concorrer a um número reduzido de vagas. Além disso, existem jovens qualificados em diversas áreas que, por vezes, não conseguem uma oportunidade devido a práticas de favoritismo ou à influência de ligações familiares.</p>
<p>Existem também outras opções de trabalho, como em lojas, na área da segurança ou na construção civil. Contudo, muitos desses empregos não oferecem estabilidade, pois os rendimentos são suficientes apenas para cobrir as necessidades básicas do dia a dia. Com salários baixos, torna-se muito difícil alcançar objetivos como construir uma casa, apoiar os estudos dos irmãos ou melhorar significativamente as condições de vida da família.</p>
<p>Timor-Leste ainda precisa de criar melhores condições para que os jovens possam construir o seu futuro dentro do próprio país. Muitos continuam desempregados, enquanto outros dependem de trabalhos temporários ou precários, que não garantem segurança económica a longo prazo.</p>
<p>O Governo deveria apostar mais na criação de fábricas e no desenvolvimento da indústria nacional, criando novas oportunidades de emprego para os jovens que não conseguem aceder aos programas de trabalho no estrangeiro. Também considero importante rever e atualizar o salário mínimo, porque o valor atual já não acompanha o aumento do custo de vida. Com melhores rendimentos, os jovens teriam mais possibilidades de construir uma vida estável e digna.</p>
<p>Atualmente, frequento um curso de língua coreana e tenho como principal objetivo trabalhar na Coreia do Sul. Acredito que essa oportunidade poderá ajudar-me a construir o meu futuro. Tenho vários amigos que já trabalham naquele país e vejo que conseguiram melhorar as suas vidas: construíram casas, apoiaram os pais e os irmãos, compraram carros e até iniciaram pequenos negócios. O meu sonho é também conseguir alcançar esses objetivos e proporcionar melhores condições à minha família.”</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/entre-partir-e-ficar-o-futuro-da-juventude-timorense/">Entre partir e ficar: o futuro da juventude timorense</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<item>
		<title>Fraudes online alarmam timorenses, que exigem mais fiscalização e aplicação rigorosa da lei</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Jul 2026 11:47:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O desmantelamento de alegados centros de fraude eletrónica e plataformas ilegais de jogos online, que levou à detenção de mais de 220 cidadãos estrangeiros, aumentou a preocupação da população timorense. Os cidadãos ouvidos pelo Diligente defendem o reforço da fiscalização [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O desmantelamento de alegados centros de fraude eletrónica e plataformas ilegais de jogos online, que levou à detenção de mais de 220 cidadãos estrangeiros, aumentou a preocupação da população timorense. Os cidadãos ouvidos pelo Diligente defendem o reforço da fiscalização nas fronteiras, uma investigação criminal mais eficaz, maior literacia digital e uma aplicação firme da lei para prevenir o crime organizado transnacional.</em></p>
<p>As recentes operações das autoridades timorenses contra alegadas redes internacionais de fraude eletrónica e jogos online ilegais vieram expor a crescente ameaça do crime organizado transnacional em Timor-Leste. Nas últimas semanas, a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), através da Direção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), em articulação com a Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC), os Serviços de Migração e o Serviço Nacional de Inteligência, desmantelou quatro locais suspeitos de funcionarem como centros de fraude eletrónica e plataformas ilegais de jogos online, em Díli e Liquiçá. As operações resultaram na detenção de mais de 220 cidadãos estrangeiros, suspeitos de envolvimento nestas redes criminosas.</p>
<p>O caso, que surge poucos dias depois da polémica em torno do jato privado que alegadamente utilizou o nome do Presidente da República para obter autorização de aterragem, voltou a levantar preocupações sobre a capacidade do país para prevenir e combater o crime transnacional.</p>
<p>O Diligente foi ouvir a opinião de vários cidadãos, que consideram essencial reforçar a fiscalização nas fronteiras, melhorar a investigação criminal, investir na prevenção e na literacia digital e assegurar uma aplicação rigorosa da lei para impedir que situações semelhantes voltem a repetir-se.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“O facto de este caso ter surgido de forma repentina e em grande escala demonstra a necessidade de uma vigilância muito mais rigorosa.”</p>
</blockquote>
<figure id="attachment_22907" aria-describedby="caption-attachment-22907" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-22907" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-11.04.37-516x290.jpeg" alt="" width="516" height="290" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-11.04.37-516x290.jpeg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-11.04.37-900x507.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-11.04.37-768x432.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-11.04.37.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-22907" class="wp-caption-text">Esmeralda da Costa, residente em Beto/ Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>“Perante os casos de fraude eletrónica e de jogos online ilegais desmantelados pela polícia, que envolvem um elevado número de cidadãos estrangeiros, sobretudo chineses, pergunto-me como é possível que situações desta natureza tenham acontecido no nosso país. Na minha opinião, é necessário analisar seriamente o que está a falhar em Timor-Leste. Será que a legislação não é suficientemente robusta ou haverá terceiros a apoiar este tipo de atividades?</p>
<p>Se a lei não for eficaz e casos como este continuarem a repetir-se, envolvendo um número tão elevado de suspeitos detidos pela polícia, então esta questão deve merecer uma atenção redobrada. O Governo precisa de reforçar a aplicação da lei e dar prioridade ao combate a este tipo de criminalidade.</p>
<p>Peço ainda ao Executivo que intensifique a fiscalização e assegure uma aplicação rigorosa da legislação, uma vez que estes casos poderão contar com o apoio de terceiros. O facto de este caso ter surgido de forma repentina e em grande escala demonstra a necessidade de uma vigilância muito mais rigorosa.</p>
<p>Além disso, é importante reforçar a fiscalização das atividades relacionadas com os jogos online, bem como o controlo dos serviços de migração e das fronteiras, para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer no futuro.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“A detenção dos suspeitos não basta. É fundamental que sejam responsabilizados e que a lei seja aplicada com firmeza.”</p>
</blockquote>
<figure id="attachment_22908" aria-describedby="caption-attachment-22908" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-22908 size-medium" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-11.03.32-516x290.jpeg" alt="" width="516" height="290" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-11.03.32-516x290.jpeg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-11.03.32-900x507.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-11.03.32-768x432.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-11.03.32.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-22908" class="wp-caption-text">Violanto Ribeiro, residente em Golgota/ Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>“Enquanto cidadão timorense, sinto-me profundamente triste ao acompanhar as notícias sobre este caso, porque este tipo de atividade pode causar graves prejuízos ao Estado e aos cidadãos. Trata-se de uma prática que viola claramente as leis em vigor em Timor-Leste.</p>
<p>Na minha opinião, a primeira medida que as autoridades competentes devem adotar é reforçar o controlo dos serviços de migração, sobretudo no que diz respeito à entrada e à saída de pessoas do país. A emissão de vistos deve ser mais rigorosa e criteriosa, evitando que sejam concedidos de forma indiscriminada. Só assim será possível impedir que cidadãos estrangeiros entrem em Timor-Leste para desenvolver atividades ilegais.</p>
<p>Gostaria ainda de salientar que casos como este devem merecer a máxima atenção e que os seus autores devem ser efetivamente responsabilizados criminalmente. Se estas situações não forem tratadas com firmeza desde o início, poderão repetir-se e tornar-se cada vez mais difíceis de combater.</p>
<p>Depois de identificados os suspeitos, o processo não deve limitar-se à detenção. É fundamental que sejam aplicadas medidas rigorosas, demonstrando que, apesar de Timor-Leste ser um país jovem, tem capacidade para fazer cumprir a lei e exercer um controlo eficaz.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“É necessário ensinar a população a reconhecer mensagens fraudulentas por SMS, WhatsApp, e-mail e websites falsos.”</p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_22909" aria-describedby="caption-attachment-22909" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-22909" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-13.21.35-516x344.jpeg" alt="" width="516" height="344" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-13.21.35-516x344.jpeg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-13.21.35-900x599.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-13.21.35-768x511.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-13.21.35.jpeg 943w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-22909" class="wp-caption-text">Relia da Costa, residente em Tasi-Tolu/ Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<p>“Na minha opinião, os casos de fraude eletrónica (scamming) e os jogos online ilegais, que têm vindo a aumentar em Timor-Leste, representam uma séria ameaça à segurança, à economia e ao bem-estar da população. Muitas pessoas ainda têm baixos níveis de literacia digital, o que as torna mais vulneráveis às fraudes online.</p>
<p>É necessário ensinar a população a reconhecer mensagens fraudulentas enviadas por SMS, WhatsApp, e-mail ou através de websites falsos. O Governo e as autoridades competentes devem promover campanhas de sensibilização nas comunidades, nas escolas e nos meios de comunicação social. Ao mesmo tempo, é essencial aplicar a lei com rigor contra os responsáveis por estas atividades criminosas.</p>
<p>O Governo deve reforçar a fiscalização nas fronteiras para garantir que todas as pessoas que entram e permanecem em Timor-Leste cumprem a legislação em vigor, sem qualquer discriminação. Para isso, é importante investir nos postos fronteiriços, melhorar as suas condições, disponibilizar equipamentos modernos e reforçar a formação dos agentes da alfândega e da polícia de migração.</p>
<p>Timor-Leste também precisa de criar um ambiente de investimento seguro, transparente e assente em regras claras, através da verificação rigorosa de investidores e empresas antes da atribuição de licenças. O investimento legítimo deve ser incentivado, mas as atividades criminosas devem ser alvo de uma política de tolerância zero.</p>
<p>Além disso, é fundamental reforçar a capacidade das autoridades na investigação do cibercrime e aprofundar a cooperação internacional, sobretudo com os países vizinhos, uma vez que muitas redes de fraude operam a partir do estrangeiro.</p>
<p>Timor-Leste pode ainda aprender com a experiência de outros países. Na Indonésia, por exemplo, foi criado o Indonesia Anti-Scam Centre (IASC), que reúne autoridades de segurança, bancos e outras entidades para detetar e bloquear rapidamente transações suspeitas. A criação de um mecanismo semelhante em Timor-Leste, envolvendo a Polícia, os Serviços de Migração, o Banco Central, os bancos comerciais e os operadores de telecomunicações, poderá reforçar a prevenção e o combate às fraudes online e ao cibercrime.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“O problema não está na lei, mas na falta de integridade de algumas pessoas responsáveis por a aplicar.”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;">José Araújo, residente em Fomento</p>
<p>“Na minha opinião, uma das principais causas deste problema é a fragilidade do controlo nas fronteiras. Além disso, poderá haver pessoas envolvidas ou a prestar apoio, permitindo que estas redes criminosas operem no país. Por isso, o Governo deve garantir que as instituições responsáveis sejam ocupadas por pessoas qualificadas, competentes e de confiança.</p>
<p>Sinceramente, nunca imaginámos que crimes como o tráfico de droga e as fraudes eletrónicas pudessem ocorrer em Timor-Leste, mas a realidade demonstra que isso já está a acontecer.</p>
<p>Na minha perspetiva, este não é um caso isolado, nem a primeira vez que acontece. Não considero que a legislação timorense seja fraca; o problema está antes na falta de integridade de algumas pessoas. Em qualquer país, a lei existe e pode ser suficientemente forte, mas quando aqueles que têm a responsabilidade de a aplicar não cumprem os seus deveres, a sua execução torna-se frágil, incluindo ao mais alto nível das instituições.</p>
<p>Por exemplo, um juiz pode proferir uma decisão judicial, mas alguém com poder poderá tentar impedir a sua execução. Outro exemplo ocorre nas Unidades de Patrulhamento de Fronteira (UPF), onde alguns agentes, apesar de conhecerem a lei e as normas em vigor, permitem a entrada de cidadãos estrangeiros em troca de dinheiro.</p>
<p>Na minha opinião, estes exemplos demonstram que o verdadeiro problema não está na legislação, mas na conduta de algumas pessoas responsáveis pela sua aplicação.”</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“A prevenção depende da cooperação entre o Governo, os bancos, as operadoras de telecomunicações, os meios de comunicação social, as escolas e a sociedade civil.”</p>
</blockquote>
<figure id="attachment_22910" aria-describedby="caption-attachment-22910" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-22910" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-16.00.10-516x285.jpeg" alt="" width="516" height="285" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-16.00.10-516x285.jpeg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-16.00.10-900x497.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-16.00.10-768x424.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-18-at-16.00.10.jpeg 1080w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-22910" class="wp-caption-text">Nelson Gonçalves Vieira, residente em Bairro Pité/ Foto: Arquivo pessoal</figcaption></figure>
<p>“Os jogos online podem ser uma forma legítima de entretenimento, mas também existem plataformas que recorrem a sistemas de apostas ou prometem prémios e lucros fáceis para atrair utilizadores. Muitas destas plataformas estão associadas a esquemas de fraude online (scamming).</p>
<p>No caso do scamming, os criminosos recorrem a ligações falsas, contas fraudulentas, mensagens enganosas ou anúncios manipulados para convencer as vítimas a enviar dinheiro ou a fornecer dados pessoais, bancários ou outras informações sensíveis.</p>
<p>Em Timor-Leste, este problema tem vindo a agravar-se porque muitas pessoas ainda têm poucos conhecimentos sobre segurança digital. Utilizam a internet e as redes sociais sem verificarem a credibilidade da informação ou das plataformas a que acedem. Além disso, o país enfrenta desafios como o desemprego, o aumento da utilização da internet e um enquadramento legal para os crimes cibernéticos que continua em desenvolvimento. Estas circunstâncias tornam Timor-Leste mais vulnerável à atuação de redes criminosas internacionais.</p>
<p>As consequências são profundas. Muitas vítimas perdem dinheiro, veem os seus dados pessoais e bancários roubados e tornam-se alvo de burlas. Também tem aumentado o número de jovens envolvidos em plataformas de apostas online, o que contribui para o crescimento da criminalidade cibernética, reduz a confiança no ambiente digital e provoca problemas familiares, dificuldades económicas, violações da privacidade e a disseminação de informação falsa.</p>
<p>Para compreender melhor este fenómeno, é importante analisar de que forma estas fraudes são praticadas, quais os métodos utilizados pelos criminosos, quantas pessoas já foram afetadas, quais as plataformas mais utilizadas e quais os prejuízos causados às vítimas. É igualmente necessário avaliar o nível de literacia digital da população e verificar se as medidas de prevenção e a resposta das autoridades são suficientes para enfrentar este tipo de criminalidade.</p>
<p>Para reduzir estes riscos, o Governo deve adotar medidas mais robustas no combate ao scamming e aos jogos online ilegais. É importante reforçar a capacidade da Polícia Científica, da Investigação Criminal e dos Serviços de Migração, bem como melhorar a legislação relativa aos crimes cibernéticos. Em simultâneo, é necessário investir na literacia digital, promover campanhas de sensibilização e desenvolver ações de educação cívica para que os cidadãos saibam identificar e evitar fraudes.</p>
<p>A prevenção depende também da cooperação entre o Governo, os bancos, as operadoras de telecomunicações, os meios de comunicação social, as escolas e a sociedade civil.</p>
<p>Vários países, como a Austrália, o Reino Unido e a Malásia, criaram centros nacionais de combate à fraude, onde a polícia, os bancos e as empresas de telecomunicações trabalham em conjunto para identificar e bloquear rapidamente contas bancárias, páginas na internet e números de telefone utilizados por criminosos.</p>
<p>Os bancos recorrem ainda a sistemas de inteligência artificial para detetar transações suspeitas e impedir que o dinheiro das vítimas seja transferido para contas fraudulentas.</p>
<p>Além disso, diversos países reforçaram o controlo sobre os cartões SIM, exigindo o seu registo através da apresentação de um documento de identificação válido, responsabilizando igualmente as plataformas digitais que permitem a divulgação de anúncios fraudulentos. Muitos criaram ainda plataformas onde os cidadãos podem denunciar tentativas de fraude.</p>
<p>Timor-Leste deve seguir este caminho, reforçando a prevenção, a educação digital, a legislação e a cooperação entre instituições. A experiência internacional demonstra que o combate ao scamming passa por um trabalho conjunto, pelo investimento na prevenção e pela criação de sistemas de segurança mais robustos que protejam os cidadãos e reforcem a confiança no ambiente digital.”</p>
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		<title>Entre a escola, o trabalho e os sonhos: crianças timorenses dão voz ao seu quotidiano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 11:45:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Dia Mundial da Criança, jovens de diferentes bairros de Díli falam sobre a escola, a ajuda às famílias, os passatempos e as aspirações para o futuro. Entre brincadeiras, responsabilidades e desafios, revelam como vivem a infância em Timor-Leste. No [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>No Dia Mundial da Criança, jovens de diferentes bairros de Díli falam sobre a escola, a ajuda às famílias, os passatempos e as aspirações para o futuro. Entre brincadeiras, responsabilidades e desafios, revelam como vivem a infância em Timor-Leste.</em><br />
No Dia Mundial da Criança, assinalado a 1 de junho, o Diligente ouviu várias crianças timorenses sobre o seu dia a dia, os seus sonhos e os desafios que enfrentam. Entre a escola, as tarefas domésticas, a ajuda aos pais e as atividades de lazer, os testemunhos mostram uma infância marcada por responsabilidades precoces, mas também por esperança e ambição. Algumas crianças sonham tornar-se médicas, militares ou futebolistas; outras apelam a melhorias na educação e nas infraestruturas desportivas. Em comum, partilham a convicção de que as crianças representam o futuro de Timor-Leste.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Melvio Alves Boavida Mendonça, 13 anos, residente em Becora</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“Vendo arroz embrulhado porque quero ajudar a minha família. Além disso, quero aprender a ser independente e preparar-me melhor para o futuro”</p>
</blockquote>
<p>“Hoje fiquei a saber que se celebra o Dia da Criança. Sinto-me muito feliz porque pude participar em várias atividades na escola, como jogos e brincadeiras com os meus colegas. Hoje não tivemos aulas normais; passámos o dia a brincar e a participar em diversas atividades, incluindo uma atuação da banda de tambores para assinalar o Dia da Criança.</p>
<p>No futuro, gostaria de ser militar e integrar as F-FDTL. Sinto-me motivado pelas pessoas que vejo de uniforme e a transportar armas, porque são respeitadas pela sociedade. Por isso, também gostaria de seguir essa profissão. Além disso, desejo que o nosso país continue a desenvolver-se, especialmente na área da educação, para que as próximas gerações tenham melhores oportunidades.</p>
<p>Começo a escola às 7h00 e saio ao meio-dia. Quando chego a casa, troco de roupa, almoço e descanso um pouco. Depois, a minha mãe prepara arroz embrulhado para eu vender. Transporto-o numa bicicleta, juntamente com garrafas de água, num cesto colocado na parte de trás. Costumo vender na zona do Largo. Com a venda do arroz embrulhado, consigo ganhar entre quatro e cinco dólares por dia. Por isso, depois das aulas, vou diretamente trabalhar. Vendo arroz embrulhado porque quero ajudar a minha família. Além disso, quero aprender a ser independente e preparar-me melhor para o futuro.</p>
<p>Em casa, estudo todas as noites depois do jantar. Normalmente, estudo durante cerca de duas horas antes de me deitar, por volta das 20h00. Se não estudar, sinto-me preguiçoso e acabo por não aproveitar bem o meu tempo.”</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Leolinda Belo Alves, 12 anos, residente em Bidau Akadiru-Hun</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">“À noite, ajudo os meus pais a vender fruta quando há eventos ou concertos”</p>
</blockquote>
<p>“Soube hoje que se celebra o Dia da Criança. Como este é um dia dedicado a todas as crianças, não tivemos aulas normais na escola. Em vez disso, comemorámos a data com brincadeiras, jogos e outras atividades até à hora de regressarmos a casa.</p>
<p>O meu sonho para o futuro é tornar-me membro das F-FDTL, porque gostaria de servir o meu país. Quero proteger e contribuir para o desenvolvimento da minha pátria.</p>
<p>Os meus passatempos são cantar e praticar taekwondo, embora goste mais de cantar. Entro na escola às 13h00 e saio às 16h00. Depois das aulas, ajudo nas tarefas domésticas. Mais tarde, vou aos treinos, que normalmente terminam por volta das 19h00. Todos os dias pratico taekwondo, uma atividade desportiva de que gosto muito.</p>
<p>Em casa, também ajudo os meus pais. Depois da escola, realizo várias tarefas domésticas, como lavar a loiça e limpar à volta da casa. À noite, ajudo os meus pais a vender fruta quando há eventos ou concertos. Quando não estou a ajudá-los, fico em casa a ler e a escrever.</p>
<p>Espero que o Governo e as entidades competentes prestem mais atenção às escolas em Timor-Leste no futuro. Também é importante dar mais atenção às crianças mais novas, porque somos a esperança da nação.”</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Quito dos Santos Boavida, 11 anos, residente em Bidau Lecidere</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>“</strong>A minha recomendação ao Governo é que construa campos de futsal e melhores instalações desportivas, para que as crianças e os jovens possam treinar em melhores condições em Timor-Leste”</p>
</blockquote>
<p>“Atualmente, estudo na Escola Amigos de Jesus. Sinto-me muito feliz quando os professores disseram que hoje é o Dia Mundial da Criança. De manhã vou à escola e, depois das aulas, costumo jogar futebol com os meus amigos no Largo de Lecidere.</p>
<p>Na escola, aprendo Matemática, Língua Portuguesa, Estudo do Meio e Língua Tétum. Gosto muito destas disciplinas porque me ajudam a adquirir mais conhecimentos e a aprender muitas coisas novas.</p>
<p>Já fui castigado por uma professora devido ao meu comportamento. Essa experiência fez com que sentisse algum receio de ir à escola. No entanto, ao ver os meus colegas continuarem a frequentar as aulas, também continuei a estudar.</p>
<p>Na escola existem várias atividades, como jogar futebol e outras brincadeiras. Em casa, a atividade que mais pratico no dia a dia é jogar futebol. O meu sonho é tornar-me um jogador de futebol famoso. Gostaria de ser como o Cristiano Ronaldo.</p>
<p>A minha recomendação ao Governo é que construa campos de futsal e melhores instalações desportivas, para que as crianças e os jovens possam treinar em melhores condições.”</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Valencia Soares Pereira da Costa, 11 anos, residente em Bidau</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>“</strong>Na escola, gostaria que os professores ensinassem de forma positiva, sem repreender excessivamente os alunos, sem comparar uns colegas com os outros e sem bater nos alunos quando cometem erros”</p>
</blockquote>
<p>“Hoje, no Dia Mundial da Criança, sinto-me muito feliz porque não tivemos aulas normais. Em vez disso, passámos o dia a jogar futebol, com raparigas e rapazes a participarem juntos nas atividades.</p>
<p>Estou contente porque pude jogar futebol até à hora de saída da escola, algo diferente dos outros dias. No futuro, gostaria de ser médica, porque os médicos usam bata branca e cuidam das pessoas doentes com muita dedicação. Gostaria de ser como eles.</p>
<p>Na escola, gostaria que os professores ensinassem de forma positiva, sem repreender excessivamente os alunos, sem comparar uns colegas com os outros e sem bater nos alunos quando cometem erros.</p>
<p>Hoje gostei muito de jogar futebol e, quando chegar a casa, também quero brincar com os meus amigos. Gosto de jogar futebol porque isso me faz sentir feliz. Na escola, a disciplina de que mais gosto é Língua Portuguesa, porque a professora ensina muito bem.</p>
<p>Normalmente, em casa, estudo cerca de uma hora por dia. Fora isso, não tenho muitas outras atividades. Todos os dias vou à escola, regresso a casa, brinco e, no dia seguinte, volto novamente à escola.”</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Francisco Nunes Freitas, 7 anos, residente em Fatuhada</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>“</strong>Na escola também aprendo o alfabeto, a ler, a escrever e Matemática, mas às vezes, tenho medo quando cometo erros porque os professores costumam bater nos alunos”</p>
</blockquote>
<p>“Sinto-me feliz porque na escola posso jogar futebol e participar em várias atividades. Na escola também aprendo o alfabeto, a ler, a escrever e Matemática, mas às vezes, tenho medo quando cometo erros porque os professores costumam bater nos alunos. O meu sonho é ser médico, porque quero ajudar a curar pessoas doentes.</p>
<p>Todos os dias, de manhã, vou para a escola e, depois das aulas, ajudo a minha mãe a vender produtos, como água e outros artigos. Em casa, ajudo a minha mãe a lavar a louça. Gostava que o Governo melhorasse a qualidade da educação e das infraestruturas desportivas.”</p>
<p><a href="https://www.diligenteonline.com/como-anunciar/" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-22645 size-full" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/Publicidade-dentro-do-texto-728x90px.png" alt="" width="728" height="90" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/Publicidade-dentro-do-texto-728x90px.png 728w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/Publicidade-dentro-do-texto-728x90px-516x64.png 516w" sizes="auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px" /></a></p>
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