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	<title>Saúde - DILIGENTE</title>
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		<title>Timor-Leste aumenta as doações, mas famílias continuam a mobilizar dadores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 12:07:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar do aumento das doações e das transfusões no Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), muitas famílias continuam a ser chamadas a procurar dadores quando um doente necessita de sangue. A Cruz Vermelha, o Banco de Sangue e a Organização Mundial [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Apesar do aumento das doações e das transfusões no Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), muitas famílias continuam a ser chamadas a procurar dadores quando um doente necessita de sangue. A Cruz Vermelha, o Banco de Sangue e a Organização Mundial da Saúde defendem o reforço da doação voluntária e regular para garantir reservas suficientes e reduzir a dependência das famílias em situações de emergência.</em></p>
<p>Para muitas famílias de doentes internados no HNGV, em Díli, encontrar sangue para uma transfusão continua a ser uma corrida contra o tempo. Quando o stock disponível não é suficiente, os familiares são frequentemente chamados a procurar pessoas saudáveis que possam doar sangue e ajudar a repor as unidades utilizadas pelo hospital.</p>
<p>Embora existam pessoas dispostas a ajudar, a procura pode tornar-se mais difícil quando é necessário um determinado grupo sanguíneo ou quando a transfusão é urgente.</p>
<p><strong>Famílias enfrentam dificuldades para encontrar sangue </strong></p>
<p>Edgar Afonso Freitas, de Baucau, viveu recentemente essa situação. A irmã mais nova está internada há cerca de uma semana no HNGV devido a uma anemia e necessita de sangue do tipo A+.</p>
<p>Quando a família procurou o Banco de Sangue para saber se havia disponibilidade, foi informada de que familiares ou outras pessoas saudáveis poderiam fazer uma doação para ajudar a repor o stock utilizado pelo hospital.</p>
<p>Como os familiares disponíveis tinham grupos sanguíneos diferentes, foram orientados a fazer doações para reposição, permitindo que a unidade de A+ disponível fosse utilizada pela doente.</p>
<p>“Encontrar sangue é sempre uma dificuldade para nós quando o paciente precisa. Quando os médicos dizem que é urgente, é muito difícil encontrar rapidamente pessoas que possam vir fazer uma doação”, relatou Edgar.</p>
<p>A irmã foi inicialmente levada para o Hospital Vera Cruz, depois de adoecer no domingo da semana anterior, e posteriormente transferida para o HNGV, onde permanece internada.</p>
<p>Segundo Edgar, o Banco de Sangue já disponibilizou uma unidade, mas a irmã voltou a necessitar de sangue. A família teve, por isso, de procurar novamente pessoas dispostas a doar.</p>
<p>Desta vez, a família conseguiu encontrar rapidamente quatro dadores. “Ligámos para os familiares e eles vieram imediatamente. Hoje, quatro pessoas vieram e conseguiram fazer a doação de sangue”, contou.</p>
<p>Para Edgar, a experiência demonstra a necessidade de aumentar o número de dadores regulares no país. O jovem considera que instituições públicas, incluindo a Polícia e as Forças de Defesa, poderiam participar em campanhas periódicas.</p>
<p>“Talvez, se fosse possível organizar doações de sangue de seis em seis meses, seria possível ajudar a manter o stock de sangue e evitar que este se esgotasse”, sugeriu.</p>
<p>Rofina de Jesus Nascimento, de Aileu, enfrentou uma situação semelhante. A diferença foi que, neste caso, vários familiares tinham o mesmo grupo sanguíneo. O sobrinho sofreu um acidente de mota e foi internado no Hospital Vera Cruz. Posteriormente, foi transferido para o HNGV, onde os médicos verificaram que necessitava de uma transfusão.</p>
<p>O doente tem sangue do tipo O+. Como vários familiares pertencem ao mesmo grupo sanguíneo, a família conseguiu responder rapidamente ao pedido. “Todos os membros da nossa família têm sangue O+, por isso os familiares puderam vir diretamente fazer doações”, explicou Rofina.</p>
<p>Segundo os médicos, o sobrinho precisava inicialmente de duas unidades. Um familiar fez uma doação no dia anterior e outro levou a filha para fazer uma segunda doação.</p>
<p>Neste caso, Rofina não precisou de recorrer às redes sociais para procurar dadores. “Não tivemos a mesma dificuldade que outras famílias que precisam de fazer pedidos no Facebook, porque o meu irmão, a minha irmã e os filhos têm sangue O+”, afirmou.</p>
<p>A experiência levou, contudo, a família a reforçar a importância da doação para além das situações de emergência. Rofina diz que ela própria e outros familiares também costumam doar sangue para outros doentes.</p>
<p>“Não podemos ficar apenas doar porque o paciente é nosso familiar. Quando vemos que outra pessoa precisa de ajuda, também devemos oferecer sangue”, defendeu.</p>
<p>O sobrinho continuava a ser acompanhado pelos médicos. Depois de sair da Unidade de Cuidados Intensivos, foi transferido para uma enfermaria.</p>
<p>Jacinta Marques, de Baucau, também recorda uma experiência difícil na procura de sangue para uma familiar.</p>
<p>Segundo Jacinta, a cunhada sofreu um aborto em 2025 e perdeu uma quantidade significativa de sangue. Como tinha sangue A+, a família foi orientada pelos médicos a procurar pessoas que pudessem fazer uma doação.</p>
<p>Jacinta procurou ajuda junto da Cruz Vermelha e da Polícia Marítima, em Lecidere, mas não conseguiu encontrar um dador disponível.</p>
<p>“Disseram-me para deixar o meu número de telefone e que, caso encontrassem alguma pessoa que voluntariamente quisesse fazer uma doação, entrariam em contacto comigo. Mas esperei dois dias e não obtive nenhuma resposta”, contou.</p>
<p>Quando se dirigiu ao Banco de Sangue, recebeu outra informação: não havia stock de A+ disponível. “Como não havia sangue no banco de sangue e também não consegui ajuda de outras pessoas, não sabia o que fazer pela minha cunhada”, relatou.</p>
<p>Apesar das dificuldades, a doente acabou por recuperar e recebeu alta. Atualmente, segundo Jacinta, encontra-se bem de saúde.</p>
<p>Constantino de Assunção, de Baucau, foi um dos familiares que participou numa doação para ajudar uma paciente que precisava de sangue A+ no HNGV.</p>
<p>Segundo Constantino, embora o hospital tivesse alguma quantidade disponível, a família foi solicitada a contribuir para a reposição do stock. “A minha prima precisava de quatro unidades de sangue, por isso quatro familiares vieram fazer doações para repor o stock do hospital”, explicou.</p>
<p>Esta foi a segunda vez que Constantino doou sangue. A primeira ocorreu de forma voluntária, através da Cruz Vermelha. “Não faço doações apenas quando é um familiar meu. Quando há algum paciente que precisa de sangue, também ofereço o meu sangue”, disse.</p>
<p>Para o dador, a população deve encarar a doação como uma forma de solidariedade e não apenas como uma resposta às necessidades de familiares. “Não devemos ter medo de doar sangue, porque o nosso sangue pode salvar a vida de outra pessoa”, afirmou.</p>
<p><strong>Cruz Vermelha mobiliza dadores, mas reconhece necessidade de reforçar participação</strong></p>
<p>A Cruz Vermelha de Timor-Leste (CVTL) considera que as dificuldades enfrentadas por algumas famílias estão relacionadas, em parte, com o reduzido número de pessoas que doam sangue de forma voluntária e regular.</p>
<p>Segundo o secretário-geral da organização, Agapito da Silva, uma das principais funções da CVTL é mobilizar dadores voluntários. A recolha, análise, armazenamento e distribuição do sangue são, por sua vez, responsabilidades técnicas do Banco de Sangue do HNGV.</p>
<p>A atuação da Cruz Vermelha está enquadrada no Decreto-Lei n.º 6/2005, que reconhece a organização como a única organização humanitária nacional e como auxiliar das autoridades públicas. O Plano Estratégico 2025-2029 da CVTL prevê igualmente ações destinadas a reforçar a mobilização de dadores voluntários.</p>
<p>A organização mantém uma base de dados de voluntários identificados pelos respetivos grupos sanguíneos, incluindo O+, A+, B+ e AB. Quando surge uma necessidade urgente, a Cruz Vermelha contacta os dadores registados e, caso estejam disponíveis e cumpram as condições necessárias, encaminha-os para o Banco de Sangue.</p>
<p>“Tecnicamente, retirar o sangue, testar o sangue no laboratório e determinar se pode ou não ser utilizado é competência do Banco de Sangue”, esclareceu Agapito.</p>
<p>A CVTL realiza campanhas de sensibilização em coordenação com o HNGV. Segundo o secretário-geral, são promovidas cerca de dez ações por ano, muitas delas em parceria com o Banco de Sangue.</p>
<p>A organização apoia também instituições que pretendam organizar campanhas de doação durante celebrações ou aniversários. Nestas atividades, o Banco de Sangue realiza a recolha e a CVTL apoia o registo e a mobilização dos voluntários.</p>
<p>No ano passado, cerca de seis mil pessoas participaram em ações de sensibilização ou campanhas relacionadas com a doação de sangue, segundo dados apresentados pela organização. Destas, aproximadamente duas mil chegaram a doar sangue. Este ano, até ao momento, a CVTL conseguiu mobilizar cerca de 300 pessoas para fazer doações.</p>
<p>Para Agapito, os números mostram a necessidade de ampliar a base de dadores, sobretudo entre aqueles que estão disponíveis para doar regularmente.</p>
<p>Nem todos os dadores registados, porém, estão disponíveis quando surge uma necessidade urgente. Alguns podem estar a viajar, noutro local ou não reunir, naquele momento, as condições necessárias para doar.</p>
<p>“Às vezes, as famílias dos pacientes vêm pedir sangue com urgência à Cruz Vermelha. Nós temos de telefonar aos doadores registados. Alguns conseguem ajudar, mas outros dizem que beberam na noite anterior, estão a viajar ou estão noutro local. Nesses casos, não podemos permitir que doem sangue”, relatou.</p>
<p>Para a organização, a mudança passa por fazer da doação uma prática regular, e não apenas uma resposta quando um familiar está internado.</p>
<p><strong>Banco de Sangue regista aumento das doações e das transfusões</strong></p>
<p>O Banco de Sangue do HNGV mantém atualmente 77 unidades de sangue em stock: 15 do tipo A, 22 do tipo B, 13 do tipo AB e 27 do tipo O.</p>
<p>Segundo Alexandrino Mendonça, chefe do Departamento do Banco de Sangue do HNGV, apesar do stock disponível, a recolha de sangue é mantida diariamente para substituir as unidades utilizadas nas transfusões.</p>
<p>“O stock sai, mas a doação continua. É preciso continuar a recolher sangue para substituir aquilo que foi utilizado e garantir as transfusões nas diferentes salas do Hospital Nacional Guido Valadares”, afirmou.</p>
<p>Existem diferentes formas de doação, incluindo a doação voluntária individual, as campanhas realizadas em instituições públicas e privadas e a doação de familiares de doentes internados.</p>
<p>Nas campanhas institucionais, equipas do Banco de Sangue deslocam-se a escolas, universidades e outras instituições quando estas solicitam atividades de recolha.</p>
<p>Uma parte significativa das doações continua, contudo, a ser feita por familiares de doentes que necessitam de transfusões.</p>
<p>“A doação voluntária é muito importante. Quando uma pessoa sofre um acidente ou uma mulher perde muito sangue durante o parto, não podemos esperar que a família apareça para procurar sangue. Precisamos de ter sangue armazenado para responder imediatamente às situações de emergência”, explicou Mendonça.</p>
<p>Os dados do Banco de Sangue mostram um aumento das doações nos últimos anos. Em 2024, foram registadas 5.660 doações: 1.421 do tipo A, 1.397 do tipo B, 352 do tipo AB e 2.480 do tipo O.</p>
<p>Em 2025, o número aumentou para 7.204 doações, das quais 1.841 do tipo A, 1.639 do tipo B, 367 do tipo AB e 3.357 do tipo O.</p>
<p>Até ao segundo trimestre de 2026, foram registadas cerca de 4.800 doações de sangue. Entre os diferentes grupos sanguíneos, o AB foi o que registou menos doações, com cerca de 300.</p>
<p>As transfusões também aumentaram. Em 2024, o Banco de Sangue realizou 7.928 transfusões para doentes do HNGV e de hospitais de referência, incluindo os hospitais de referência de Baucau e Maubisse.</p>
<p>Em 2025, foram realizadas 8.831 transfusões. Durante os primeiros seis meses de 2026, o número já chegava a 5.938.</p>
<p>Para Alexandrino Mendonça, a evolução demonstra a necessidade de manter uma doação regular e contínua. “As transfusões de sangue aumentam todos os anos. Por isso, devemos continuar e fazer doações para podermos salvar quem precisa. O sangue vem de nós; não existe uma fábrica que o produza”, afirmou.</p>
<p>Entre os diferentes grupos sanguíneos, o tipo AB é apontado pelo Banco de Sangue como um dos mais difíceis de encontrar no país, devido à menor proporção de pessoas com este grupo entre doentes e dadores.</p>
<p>“O tipo AB é difícil de encontrar e os pacientes com este tipo também não são muitos. Mas, quando uma pessoa com sangue AB fica doente e precisa de sangue, pode ser difícil encontrar um dador compatível, porque a maioria dos dadores não é desse grupo”, explicou Mendonça.</p>
<p>Os grupos com fator RH negativo, como O-, A- e B-, também são menos frequentes. O Banco de Sangue mantém contactos de alguns dadores destes grupos para recorrer a eles quando necessário.</p>
<p><strong>Doação depende de avaliação médica</strong></p>
<p>Antes da recolha, o potencial dador passa por uma avaliação para verificar se reúne as condições necessárias.</p>
<p>Entre os critérios estão o estado geral de saúde, o descanso adequado, a avaliação física e a medição da pressão arterial e da frequência cardíaca. É também recolhida uma amostra de sangue para testar infeções como hepatite B, hepatite C, sífilis e HIV.</p>
<p>O sangue só pode ser utilizado para transfusão depois de cumpridos os critérios clínicos e laboratoriais.</p>
<p>Em situações de necessidade urgente, quando o stock disponível não é suficiente, o Banco de Sangue pode mobilizar familiares do doente para serem avaliados e, caso cumpram os critérios exigidos, fazerem uma doação.</p>
<p>Os casos hospitalares são classificados segundo o grau de urgência. Em situações de emergência, especialmente em hemorragias durante o parto ou acidentes graves, o Banco de Sangue procura disponibilizar rapidamente as unidades necessárias.</p>
<p>As campanhas são realizadas junto de escolas, universidades, instituições públicas, empresas privadas e organizações religiosas. Algumas, porém, acabam por ser canceladas devido à indisponibilidade das instituições ou dos potenciais dadores.</p>
<p>“Recentemente, uma atividade prevista numa universidade foi cancelada porque os estudantes estavam em período de aulas. Outra campanha prevista numa igreja em Comoro também foi cancelada porque muitos membros da comunidade estavam fora da cidade”, disse Mendonça.</p>
<p>Apesar dos obstáculos, o Banco de Sangue pretende continuar a promover campanhas e a incentivar a população a doar regularmente.</p>
<p>O Diligente procurou também saber que políticas e medidas estão a ser desenvolvidas pelo Governo para aumentar a sensibilização da população para a importância da doação voluntária. A ministra da Saúde, Élia de Jesus Amaral, remeteu os esclarecimentos para os técnicos do HNGV. “Não posso falar sobre questões técnicas. Pode perguntar aos técnicos no HNGV”, respondeu a governante.</p>
<p><strong>OMS defende aumento da doação voluntária</strong></p>
<p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) defende um aumento significativo da doação voluntária e regular em Timor-Leste para reduzir a dependência de familiares que procuram dadores apenas quando um doente necessita de sangue.</p>
<p>Num artigo publicado em 15 de junho de 2026, o representante da OMS em Timor-Leste, Arvind Mathur, descreveu situações em que familiares são mobilizados para procurar dadores perante emergências e cirurgias programadas. Mulheres com complicações durante o parto, vítimas de acidentes rodoviários e doentes submetidos a intervenções cirúrgicas estão entre as pessoas que podem depender da disponibilidade de sangue.</p>
<p>Segundo a OMS, pelo menos 1% da população deveria doar sangue todos os anos para garantir um fornecimento seguro e fiável. Para Timor-Leste, a referência corresponde a cerca de 13 mil dadores por ano.</p>
<p>Em 2025, foram registadas 7.204 doações de sangue, segundo dados do Banco de Sangue citados pela organização. A OMS usa como referência para Timor-Leste a necessidade de cerca de 13 mil dadores por ano.</p>
<p>A OMS alerta para o facto de a dependência deste modelo tornar o abastecimento menos previsível e coloca uma responsabilidade adicional sobre as famílias num momento de vulnerabilidade.</p>
<p>A dependência das famílias já tinha sido assinalada pela organização em junho de 2023. Na altura, a OMS afirmou que as doações voluntárias permitiam ao Banco de Sangue do HNGV responder a menos de 40% da procura associada a pedidos urgentes para doentes em estado crítico.</p>
<p>Nos restantes casos, os familiares eram chamados a mobilizar dadores de reposição. A publicação não esclarecia quantos desses pedidos acabavam por ser satisfeitos nem quanto tempo os doentes esperavam pela transfusão.</p>
<p>A OMS defende, por isso, uma transição para um sistema baseado numa participação voluntária, regular e não remunerada, em que as pessoas doem sangue independentemente de terem ou não um familiar internado.</p>
<p><strong>Desigualdade no acesso ao sangue mantém-se a nível mundial</strong></p>
<p>Segundo dados da OMS relativos sobretudo a 2023, divulgados em junho de 2026, a taxa mediana anual de doação de sangue total era de 28,9 doações por mil habitantes nos países de rendimento elevado, contra 8,5 nos países de rendimento médio-baixo e 4,5 nos países de rendimento baixo.</p>
<p>A nível mundial, a OMS estima cerca de 120,4 milhões de doações de sangue por ano. A organização defende que os sistemas nacionais devem privilegiar doações voluntárias, regulares e não remuneradas para garantir reservas suficientes e reduzir a dependência de familiares e dadores de reposição.</p>
<p>Em Timor-Leste, o desafio passa agora por aumentar o número de pessoas que doam sangue regularmente, antes de uma emergência surgir. A mudança permitiria reduzir a pressão sobre as famílias e garantir reservas capazes de responder tanto às transfusões programadas como às situações urgentes.</p>
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		<title>Dengue nas escolas de Díli: entre a prevenção e as limitações de água e saneamento</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/dengue-nas-escolas-de-dili-entre-a-prevencao-e-as-limitacoes-de-agua-e-saneamento/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Sep 2026 13:32:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Duas escolas básicas visitadas pelo Diligente apresentam recintos relativamente limpos, mas também apresentam água estagnada, recipientes sem tampa, problemas nas instalações sanitárias e falta de funcionários de limpeza. As direções reforçaram as medidas de prevenção depois de terem sido informadas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Duas escolas básicas visitadas pelo Diligente apresentam recintos relativamente limpos, mas também apresentam água estagnada, recipientes sem tampa, problemas nas instalações sanitárias e falta de funcionários de limpeza. As direções reforçaram as medidas de prevenção depois de terem sido informadas de casos de dengue entre alunos.</em></p>
<p>A dengue não se combate apenas com fumigação. Num momento em que Timor-Leste regista milhares de casos da doença, as condições de água, saneamento e higiene nas escolas tornam-se particularmente relevantes, sobretudo porque as crianças passam grande parte do dia nestes espaços.</p>
<p>Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dengue é transmitida principalmente pela picada do mosquito <em>Aedes aegypti</em>, que se reproduz em recipientes onde existe água acumulada. A prevenção passa, por isso, não apenas pela pulverização de inseticidas, mas também pela eliminação de águas paradas e pela cobertura, esvaziamento e limpeza regular dos recipientes utilizados para armazenar água.</p>
<p>Nas escolas, o risco pode estar em situações aparentemente banais: um vaso com água acumulada, um balde sem tampa, uma fuga de água ou uma área do recinto onde a água permanece depois da chuva.</p>
<p>Dados do Ministério da Saúde citados pela Tatoli indicam que cerca de 4 mil casos de dengue e 32 mortes foram registados em Timor-Leste entre janeiro e julho. A maioria dos doentes tinha menos de 14 anos.</p>
<p>Em Díli, os postos administrativos de Dom Aleixo e Cristo Rei estão entre as zonas que merecem atenção no contexto da doença. O Diligente visitou duas escolas básicas, uma em cada um destes postos administrativos, para observar as condições do recinto escolar, a disponibilidade de água, o estado das instalações sanitárias, a gestão dos resíduos e as medidas adotadas para prevenir a proliferação de mosquitos.</p>
<p>A observação não pretende representar a realidade de todas as escolas de Díli. Mas, nas duas escolas visitadas, apesar de os recintos se apresentarem, de forma geral, limpos, foram identificadas situações que merecem atenção: água acumulada, recipientes sem tampa, limitações nas instalações sanitárias e falta de pessoal de limpeza.</p>
<p><strong><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-23424" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/denge-1-516x290.jpg" alt="" width="826" height="464" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/denge-1-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/denge-1-900x506.jpg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/denge-1-768x432.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/denge-1.jpg 1280w" sizes="(max-width: 826px) 100vw, 826px" /> </strong></p>
<p><strong>Kuluhun: água nem sempre disponível e limpeza assegurada por professores e alunos</strong></p>
<p>Na Escola Básica Filial n.º 1,2 de Kuluhun, no Posto Administrativo de Cristo Rei, o recinto escolar apresenta-se relativamente limpo. No entanto, o Diligente encontrou poças de água em diferentes zonas da escola. Alguns vasos continham água e os recipientes utilizados para armazenar água nas casas de banho e na zona de lavagem da louça não tinham tampa.</p>
<p>A coordenadora deste estabelecimento de ensino, Ângela de Fátima Fernandes, explicou que a escola dispõe de tanques e baldes para armazenar água, que são limpos todos os sábados. “Temos tanques e baldes sem tampa e, por isso, todos os sábados fazemos a limpeza para evitar que os mosquitos possam pôr ovos nesses locais.”</p>
<p>O problema agrava-se quando falta água. Segundo Ângela, o edifício da escola é antigo e o abastecimento nem sempre é regular. Quando há água disponível, a limpeza é realizada, mas as interrupções no abastecimento dificultam a manutenção das condições de higiene. “Quando há água, limpamos tudo de imediato, mas, quando não há, não conseguimos fazer a limpeza e, por vezes, encontramos algumas larvas de mosquito.”</p>
<p>A escola dispõe de sete casas de banho para os alunos e três para os professores. Ainda assim, a disponibilidade de água nem sempre corresponde às necessidades e a escola disponibiliza sabão aos alunos, mas a sua utilização é difícil de controlar, uma vez que as crianças são pequenas e, por vezes, acabam por estragá-lo. Por esse motivo, a disponibilidade do sabão nem sempre é regular.</p>
<p>A coordenadora explica que a escola já tentou disponibilizar sabão aos alunos, mas a sua utilização revelou-se difícil de controlar. “Disponibilizamos sabão para as crianças, mas acabam por estragá-lo. Como são crianças pequenas, é um pouco difícil controlá-las. Além disso, vêm de ambientes diferentes, o que torna a situação ainda mais difícil.”</p>
<p>As condições das casas de banho também são motivo de preocupação entre os alunos. Tifania de Araújo, aluna do sexto ano, diz já ter encontrado larvas de mosquito nas proximidades das instalações sanitárias. “Já encontrei larvas de mosquito junto às casas de banho. Mas todos os sábados fazemos a limpeza.”</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-23428" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/dengue-2-jadi-516x290.jpg" alt="" width="644" height="362" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/dengue-2-jadi-516x290.jpg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/dengue-2-jadi-768x431.jpg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/dengue-2-jadi.jpg 850w" sizes="(max-width: 644px) 100vw, 644px" /></p>
<p><strong>Uma escola sem funcionários de limpeza</strong></p>
<p>Em Kuluhun, a limpeza não é assegurada por funcionários especificamente contratados para essa tarefa. Professores e alunos participam diariamente na limpeza do recinto e fazem uma limpeza geral aos sábados.</p>
<p>Com 787 alunos e 24 professores, a tarefa torna-se difícil de garantir de forma contínua, admite a coordenadora. “Por vezes, há áreas onde não conseguimos chegar para fazer a limpeza, porque há muitos alunos e somos poucos professores. Como são crianças, também é difícil controlar tudo de imediato.”</p>
<p>A recolha dos resíduos é feita habitualmente aos sábados. Segundo Ângela, o lixo é levado para um local de deposição quando os recipientes estão cheios. “Recolhemos o lixo aos sábados e levamo-lo para o local de deposição quando vemos que já está cheio.”</p>
<p>Durante a visita do Diligente, foram observados recipientes e garrafas usadas em alguns pontos do recinto. Na mesma área, havia também vasos com água.</p>
<p>Para Ângela, a responsabilidade pela higiene não deve recair apenas sobre os funcionários da escola, até porque, neste caso, eles não existem.</p>
<p>“Não temos funcionários de limpeza. Por isso, limpamos juntamente com os alunos, porque a higiene é responsabilidade de todos. Se não cuidarmos dela, não devem ser apenas as crianças a fazê-lo, mas todos nós.”</p>
<p>Wilbert Calado da Costa, aluno do quinto ano, diz que participa na limpeza diária e na limpeza geral aos sábados. “Aqui fazemos a limpeza todos os dias e também em casa.”</p>
<p>O aluno afirma que os hábitos aprendidos na escola são também aplicados em casa, com a orientação dos pais. “Em casa também aplico os conhecimentos que aprendo na escola e os meus pais também me ensinam sobre isso.”</p>
<p><strong>Fatumeta tem água corrente, mas não escapa aos problemas</strong></p>
<p>Na Escola Básica Filial n.º 1,2 de Fatumeta, no Posto Administrativo de Dom Aleixo, o cenário é semelhante em alguns aspetos, mas diferente num ponto fundamental: o abastecimento de água é regular.</p>
<p>A escola tem mais de 900 alunos e dez salas de aula. Existem cinco casas de banho destinadas a alunos e professores, mas apenas quatro estão atualmente em funcionamento.</p>
<p>Apesar da disponibilidade regular de água, as condições das instalações sanitárias continuam a levantar problemas. Durante a visita, o Diligente encontrou uma pequena fuga de água suja proveniente da zona das casas de banho.</p>
<p>A professora Rosa Leite disse que a situação já foi comunicada ao coordenador da escola. “Há um pequeno local por onde escorre água suja proveniente da casa de banho. Informámos o coordenador para que a situação pudesse ser reparada.”</p>
<p>Também foram encontrados recipientes sem tampa utilizados para armazenar água. Segundo Rosa, a escola limpa regularmente as casas de banho e os baldes. “Todos os sábados limpamos as casas de banho e os baldes que não têm tampa.”</p>
<p>A existência de água corrente facilita a limpeza, mas não elimina outros fatores de risco associados ao armazenamento de água e às condições das instalações sanitárias.</p>
<p><strong>Casos entre alunos levam escolas a reforçar prevenção</strong></p>
<p>Nas duas escolas, as medidas de prevenção foram reforçadas depois de as direções terem recebido informação sobre alunos que contraíram dengue.</p>
<p>Em Kuluhun, Ângela de Fátima Fernandez diz que os pais informaram a escola de que quatro alunos tinham contraído a doença durante a época das chuvas. “Durante a época das chuvas, quatro alunos contraíram dengue, segundo a informação transmitida pelos pais. Depois de recebermos essa informação, tomámos imediatamente medidas e aconselhámos as crianças a utilizar repelente ou outros produtos contra os mosquitos.”</p>
<p>A escola passou também a utilizar Baigon antes da entrada dos alunos nas salas de aula. A coordenadora, contudo, considera que o efeito é limitado. “Temos Baigon, que aplicamos nas salas de aula antes da entrada dos alunos, mas, por vezes, o efeito dura apenas cerca de 30 minutos. Depois disso, os mosquitos voltam.”</p>
<p>O centro de saúde já esteve na escola para realizar uma ação de sensibilização sobre a dengue. A escola recebe igualmente visitas de inspetores da educação e de superintendentes. “Durante este período, o centro de saúde veio realizar uma ação de sensibilização sobre a dengue. Os inspetores da educação também costumam realizar inspeções nas escolas e os superintendentes vêm igualmente acompanhar a situação.”</p>
<p>Em Fatumeta, a escola também recebeu informação, através do centro de saúde, sobre alunos que contraíram dengue. A resposta passou pela articulação com o Centro de Saúde de Comoro para realizar uma fumigação. “Depois de recebermos essa informação, a escola trabalhou imediatamente em conjunto com o Centro de Saúde de Comoro para realizar a fumigação.”</p>
<p>A escola utiliza ainda Baigon para reduzir a presença de mosquitos nas salas de aula. Mas a quantidade disponível é insuficiente para abranger todo o espaço escolar. “Temos Baigon preparado, mas há salas onde não conseguimos utilizá-lo porque a quantidade é limitada. Por isso, não conseguimos chegar a todas.”</p>
<p>As duas escolas adotaram, assim, medidas de prevenção semelhantes, mas enfrentam dificuldades diferentes. Em Kuluhun, as principais limitações estão relacionadas com o abastecimento irregular de água e a ausência de funcionários de limpeza. Em Fatumeta, apesar da disponibilidade de água, persistem problemas nas instalações sanitárias e limitações na quantidade de inseticida disponível.</p>
<p><strong>O que sabem as crianças sobre a dengue?</strong></p>
<p>A informação sobre a dengue chega aos alunos por diferentes vias: pela escola, pela família, pelos profissionais de saúde e pela própria experiência.</p>
<p>Wilbert Calado da Costa, aluno do quinto ano de Kuluhun, sabe que a doença está relacionada com mosquitos e com a existência de água acumulada. “Sei que a dengue é causada por mosquitos que põem ovos em água estagnada ou onde existe lixo.”</p>
<p>O conhecimento, diz, é também aplicado em casa. “Em casa, também aplico os conhecimentos que aprendo na escola e os meus pais também me ensinam.”</p>
<p>Tifania de Araújo afirma que já recebeu explicações de um médico sobre a dengue, mas admite que já não se recorda de toda a informação e não sabe identificar todos os sintomas. “Não sei quais são os sintomas da dengue.”</p>
<p>Em Fatumeta, Felicia Isidro, de dez anos, aluna do quinto ano, diz que ainda não aprendeu especificamente sobre a dengue na escola. Conheceu a doença através da irmã. “Ainda não aprendi sobre isso na escola. Conheço a dengue através da minha irmã.” Entre os sintomas, reconhece a febre. “Sei que um dos sintomas da dengue é ter febre.”</p>
<p>Felicia diz que os alunos são incentivados a lavar as mãos antes de comer e depois de utilizar a casa de banho, embora nem todos cumpram a recomendação. “Antes de comer e depois de utilizar a casa de banho, lavo as mãos, mas vejo que alguns não o fazem.”</p>
<p>E há um problema que os alunos identificam sem dificuldade: os mosquitos continuam presentes durante as aulas. “Durante as aulas, os mosquitos incomodam bastante.”</p>
<p>Os testemunhos mostram que a informação sobre a dengue já chegou a algumas crianças, mas de forma desigual. Para uns, a escola é uma fonte de conhecimento e de hábitos de higiene; para outros, a família continua a ser a principal referência.</p>
<p><strong>Governo admite limitações, mas diz que fumigação já chegou às escolas</strong></p>
<p>As situações encontradas nas duas escolas levantam uma questão que ultrapassa a capacidade das direções escolares: até que ponto estão os serviços públicos preparados para garantir condições adequadas de prevenção?</p>
<p>A ministra da Saúde, Élia Amaral, afirmou que o Governo já iniciou ações de fumigação em escolas localizadas em zonas consideradas de risco, sobretudo onde existe um número elevado de casos de dengue. “Nas escolas, já começámos a realizar fumigações nas que se encontram em zonas de risco, incluindo aldeias e sucos onde o número de casos é elevado.”</p>
<p>A governante reconhece, contudo, que a falta de recursos e equipamentos limita a capacidade de alargar estas ações. “Vamos dar maior atenção a esta questão porque, apesar de termos limitações de recursos, incluindo equipamentos, estamos a gerir os meios disponíveis para que a fumigação possa chegar a todos, sobretudo às áreas de risco.”</p>
<p>Segundo a ministra, as ações já começaram em algumas zonas, incluindo Comoro e Manleuana, e deverão abranger outras áreas posteriormente.</p>
<p>A mudança da estação seca para a estação chuvosa está também a ser acompanhada pelas autoridades, devido ao impacto que pode ter na reprodução dos mosquitos. “Neste período, estamos a observar a mudança do tempo, do calor para a chuva, e isso tem impacto no crescimento e na reprodução dos mosquitos.”</p>
<p>Mas o próprio Governo reconhece que a fumigação, por si só, não resolve o problema.</p>
<p>Élia Amaral apelou à participação contínua das comunidades na limpeza das zonas onde vivem, com o objetivo de reduzir os locais favoráveis à reprodução dos mosquitos e prevenir a propagação da doença.</p>
<p><strong>Educação fiscaliza, mas não resolve sozinha os problemas de água e saneamento</strong></p>
<p>O Ministério da Educação afirma, por seu lado, que dispõe de inspetores escolares responsáveis por visitar e acompanhar as condições das escolas.</p>
<p>Segundo a ministra, essas inspeções não se limitam à higiene, abrangendo também questões pedagógicas, financeiras, administrativas e de gestão escolar.</p>
<p>“O Ministério da Educação tem inspetores que visitam as escolas para realizar inspeções e analisar estas questões. Não verificam apenas a higiene, mas também os aspetos pedagógicos, financeiros, administrativos e de gestão escolar.”</p>
<p>As informações recolhidas pelos inspetores são posteriormente encaminhadas para os superintendentes e, depois, para a inspeção-geral do Ministério da Educação.</p>
<p>“Normalmente, recebemos as informações dos inspetores, que depois são encaminhadas para os superintendentes. Estes, por sua vez, encaminham-nas para a inspeção-geral do Ministério da Educação.”</p>
<p>Questionada sobre os problemas de água e saneamento, a ministra reconheceu que a questão ultrapassa o universo escolar e afeta também outras comunidades de Díli. “Quanto à água e ao saneamento, penso que, em Díli, muitas pessoas continuam a enfrentar situações semelhantes, e não são apenas as escolas.”</p>
<p>A resposta coloca as dificuldades encontradas nas escolas dentro de um problema mais amplo de acesso à água e saneamento na capital. Mas, para centenas de crianças, a questão é concreta e diária: ter água suficiente para lavar as mãos, casas de banho em condições, espaços sem água acumulada e um ambiente escolar onde a prevenção da dengue não dependa apenas de uma lata de inseticida.</p>
<p>Nas duas escolas visitadas pelo Diligente, a prevenção existe. Há limpeza, sensibilização, fumigação e preocupação por parte das direções. Mas também existem limitações.</p>
<p>E, perante uma doença que afeta sobretudo crianças, pequenas falhas no ambiente escolar podem deixar de ser apenas problemas de manutenção e tornar-se questões de saúde pública.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/dengue-nas-escolas-de-dili-entre-a-prevencao-e-as-limitacoes-de-agua-e-saneamento/">Dengue nas escolas de Díli: entre a prevenção e as limitações de água e saneamento</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Lixo, água estagnada e falta de água expõem problemas numa escola de Bidau</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Sep 2026 13:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Resíduos, ervas altas, água estagnada e limitações no acesso à água nas casas de banho evidenciam dificuldades de manutenção e saneamento na Escola do Ensino Básico Bidau Acadiru-hun, em Nain-Feto. O ambiente escolar deve proporcionar condições adequadas de higiene, segurança [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Resíduos, ervas altas, água estagnada e limitações no acesso à água nas casas de banho evidenciam dificuldades de manutenção e saneamento na Escola do Ensino Básico Bidau Acadiru-hun, em Nain-Feto.</em></p>
<p>O ambiente escolar deve proporcionar condições adequadas de higiene, segurança e conforto para os alunos. No entanto, uma observação realizada pela Diligente na Escola do Ensino Básico Bidau Acadiru-hun, no Posto Administrativo de Nain-Feto, em Díli, identificou algumas limitações relacionadas com a limpeza, o saneamento e a manutenção das instalações.</p>
<p>Em várias zonas da escola, sobretudo na parte traseira do recinto, é possível observar resíduos espalhados e ervas e arbustos que cresceram excessivamente. Na área destinada à lavagem dos pratos e de outros utensílios utilizados na alimentação, existe também água estagnada.</p>
<p>As dificuldades estendem-se às instalações sanitárias. Das três casas de banho destinadas aos alunos do sexo masculino, a disponibilidade de água continua a ser uma dificuldade. As duas casas de banho destinadas às alunas dispõem de água, mas, segundo a direção da escola, a quantidade de sabão disponível para a lavagem das mãos ainda é insuficiente.</p>
<p>Com 1.185 alunos, do ensino básico ao ensino pré-secundário, a situação representa um desafio para a manutenção de condições adequadas de higiene no recinto escolar.</p>
<p><strong>Instalações sanitárias limitadas e sem reparações</strong></p>
<p>A diretora da escola, Brígida da Silva Pinto e Cruz, que exerce o cargo há cerca de três meses, afirmou que, durante esse período, a escola ainda não recebeu uma inspeção ou uma ação de sensibilização do Ministério da Saúde especificamente relacionada com a prevenção de doenças e a higiene do ambiente escolar.</p>
<p>Segundo a diretora, seria necessária uma maior cooperação entre o Ministério da Educação e a unidade de saúde mais próxima para promover ações de educação e sensibilização junto dos alunos sobre a prevenção de doenças relacionadas com o ambiente, incluindo a dengue.</p>
<p>“É importante que o Ministério da Educação, em conjunto com o posto de saúde mais próximo, possa desenvolver programas para informar os estudantes sobre como podem prevenir doenças relacionadas com o ambiente, incluindo a dengue”, afirmou Brígida.</p>
<p>Apesar das limitações, a escola realiza ações de sensibilização junto dos alunos e procura reforçar hábitos de higiene, como lavar as mãos antes das refeições, eliminar a água estagnada, recolher os resíduos e manter as casas de banho limpas.</p>
<p>Brígida explicou que a água utilizada pela escola provém de um sistema próprio e não da rede pública de abastecimento.</p>
<p>Algumas instalações sanitárias necessitam também de reparação. Segundo a diretora, há torneiras danificadas que dificultam o acesso adequado à água em determinadas casas de banho.</p>
<p>A reparação, explicou, depende de um orçamento proveniente da Concessão Escolar e está sujeita a um processo administrativo. “O processo é demorado. É necessário elaborar um plano de compras, submetê-lo ao Ministério do Município de Díli para aprovação e, depois de o dinheiro entrar na conta da escola, só então será possível comprar e reparar os equipamentos”, explicou.</p>
<p>A diretora acrescentou que o elevado número de alunos contribui para um desgaste mais rápido dos equipamentos. “Como há muitas crianças, torna-se difícil, porque algumas abrem as torneiras e outras vão buscar água, fazendo com que os equipamentos acabem por ficar danificados”, explicou.</p>
<p>A área destinada à preparação dos alimentos e à lavagem dos utensílios encontra-se ainda em construção. No local, existe água estagnada.</p>
<p>Brígida afirmou que, depois de concluída a obra, deverá ser instalado um sistema de drenagem para permitir o escoamento das águas residuais. “Quanto à área de preparação de alimentos, neste momento ainda está em construção. Depois de concluída, será instalado um canal para encaminhar as águas residuais para fora, em vez de ficarem acumuladas naquele local”, afirmou.</p>
<figure id="attachment_23403" aria-describedby="caption-attachment-23403" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-23403" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-10-at-21.08.21-516x203.jpeg" alt="" width="516" height="203" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-10-at-21.08.21-516x203.jpeg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-10-at-21.08.21-900x354.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-10-at-21.08.21-768x302.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-10-at-21.08.21.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-23403" class="wp-caption-text">Ervas e arbustos cresceram de forma descontrolada./ Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p><strong>Higiene e saúde também são abordadas nas aulas</strong></p>
<p>Para além das ações de sensibilização, a escola aborda questões relacionadas com saúde e higiene no processo de aprendizagem.</p>
<p>Brígida afirmou que a disciplina de Saúde e Bem-Estar, bem como os conteúdos de saúde e higiene lecionados no ensino básico, incluem orientações sobre higiene pessoal e limpeza do ambiente.</p>
<p>“Na disciplina de Saúde e Bem-Estar, são abordados assuntos relacionados com a saúde e a higiene. Entretanto, no ensino básico também existem conteúdos de saúde e higiene que ensinam os alunos sobre estas questões.”</p>
<p>A escola procura também reforçar essas normas no quotidiano. Segundo a diretora, os alunos são orientados a lavar as mãos antes das refeições, eliminar a água estagnada, recolher os resíduos e manter as casas de banho limpas.</p>
<p>“Também monitorizamos e sensibilizamos as crianças, lembrando-lhes que devem lavar as mãos antes de comer, eliminar a água estagnada, limpar o lixo, incluindo lavar e limpar as casas de banho.”</p>
<p><strong>Alunos sentem limitações no acesso à água</strong></p>
<p>As condições de limpeza e saneamento também são sentidas diretamente pelos alunos.</p>
<p>Cherlin Soares da Cruz, aluno do 8.º ano, considera que a existência de um ambiente pouco limpo e de água estagnada pode aumentar o risco de doenças, incluindo as transmitidas por mosquitos. “Na minha opinião, um ambiente que não esteja limpo, incluindo a água que fica estagnada, pode provocar outras doenças, incluindo doenças causadas por mosquitos”, afirmou.</p>
<p>O aluno acrescentou que os professores também abordam questões relacionadas com saúde e bem-estar nas aulas.</p>
<p>Já Tânia Rezina Santos Sousa, aluna do 7.º ano, afirmou que existe sabão disponível na escola, embora reconheça que alguns alunos nem sempre lavam as mãos antes das refeições. “Sim, há sabão, mas, quando chega a hora de comer, por vezes há alguns estudantes que não querem lavar as mãos antes de comer”, afirmou.</p>
<p>A disponibilidade de água nas casas de banho é outra das dificuldades sentidas pelos estudantes.</p>
<p>Leonel Correia Mesquita, aluno do 7.º ano, afirmou que a falta de água nas casas de banho destinadas aos rapazes, em algumas ocasiões, o obriga a esperar até chegar a casa para utilizar a casa de banho. “Como não há água na casa de banho dos rapazes, às vezes, quando preciso de usar a casa de banho, tenho de aguentar até chegar a casa”, afirmou.</p>
<p>Leonel disse que a situação lhe causa algum desconforto, embora considere que as condições melhoraram.</p>
<p><strong>Limpeza continua a depender da comunidade escolar</strong></p>
<p>Para além das limitações nas instalações, a escola não dispõe de funcionários especificamente responsáveis pela limpeza e pela segurança.</p>
<p>Atualmente, as tarefas de limpeza são realizadas conjuntamente pela direção, pelos professores e pelos alunos.</p>
<p>Brígida afirmou que a contratação de funcionários específicos seria necessária, tendo em conta o número de alunos, mas explicou que a escola não dispõe de orçamento para contratar pessoal de limpeza e segurança. “Não temos pessoas responsáveis pela limpeza, nem pela segurança. Por isso, sou eu, juntamente com os professores e os estudantes, que fazemos a limpeza da escola.”</p>
<p>Segundo a diretora, a escola já comunicou verbalmente esta necessidade às entidades competentes e pretende apresentar um pedido formal, mas, até ao momento, ainda não recebeu resposta. “A escola precisa de ter essas pessoas, porque isso é muito importante para a segurança e a higiene da escola. Mas isso tem de ser decidido pelo Ministério, porque, para contratar pessoas, é necessário pagar-lhes.”</p>
<p>Enquanto aguarda apoio, a limpeza do recinto continua a ser realizada por professores e alunos antes do início das aulas.</p>
<p>Cherlin Soares da Cruz afirmou que a limpeza é feita diariamente, embora algumas zonas do recinto não sejam completamente abrangidas. “Fazemos a limpeza todos os dias antes de começar as aulas. Normalmente, a nossa limpeza consiste apenas em apanhar o lixo, enquanto o crescimento excessivo da vegetação nem sempre é controlado.”</p>
<figure id="attachment_23407" aria-describedby="caption-attachment-23407" style="width: 516px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-23407" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/kkkk-516x200.jpeg" alt="" width="516" height="200" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/kkkk-516x200.jpeg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/kkkk-900x349.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/kkkk-768x298.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/kkkk.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 516px) 100vw, 516px" /><figcaption id="caption-attachment-23407" class="wp-caption-text">Ervas e arbustos cresceram de forma descontrolada./ Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p><strong>Água, saneamento e higiene são essenciais no ambiente escolar</strong></p>
<p>As condições de água, saneamento e higiene nas escolas estão diretamente relacionadas com a criação de ambientes adequados para a aprendizagem e para a proteção da saúde dos alunos.</p>
<p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a importância do acesso a água, saneamento e instalações de higiene adequadas nos estabelecimentos de ensino, incluindo a disponibilidade de condições para a lavagem das mãos.</p>
<p>Na Escola do Ensino Básico Bidau Acadiru-hun, algumas destas condições continuam a apresentar limitações. A disponibilidade de água em determinadas casas de banho, a falta de sabão em quantidade suficiente, a existência de água estagnada e a presença de resíduos e vegetação excessiva em algumas zonas do recinto são problemas que continuam a exigir atenção.</p>
<p>A direção da escola tem procurado responder a algumas destas dificuldades através da sensibilização dos alunos e da organização de atividades de limpeza. No entanto, a ausência de funcionários específicos e as limitações das infraestruturas dificultam a manutenção regular do recinto.</p>
<p>Durante a elaboração da reportagem, a Diligente procurou obter esclarecimentos por parte Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, mas, até ao momento da publicação, as duas entidades não responderam.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Saúde gratuita, acesso desigual: o desafio de chegar aos cuidados em Timor-Leste</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/saude-gratuita-acesso-desigual-o-desafio-de-chegar-aos-cuidados-em-timor-leste/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Sep 2026 12:49:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ter acesso gratuito aos cuidados de saúde não significa, para todos, conseguir chegar até eles. Em Timor-Leste, a distância, o custo das deslocações, a falta de profissionais e as limitações de medicamentos e equipamentos continuam a criar desigualdades, sobretudo para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ter acesso gratuito aos cuidados de saúde não significa, para todos, conseguir chegar até eles. Em Timor-Leste, a distância, o custo das deslocações, a falta de profissionais e as limitações de medicamentos e equipamentos continuam a criar desigualdades, sobretudo para quem vive longe dos centros urbanos.</em></p>
<p>Ter acesso gratuito aos cuidados de saúde não significa, para todos, conseguir chegar até eles.</p>
<p>Em Timor-Leste, a distância, o custo das deslocações, a falta de profissionais e as limitações de medicamentos e equipamentos continuam a criar desigualdades, sobretudo para quem vive longe dos centros urbanos.</p>
<p>Para quem vive em zonas remotas, a distância até uma unidade sanitária, o custo do transporte, o tempo perdido e a falta de profissionais, medicamentos ou equipamentos podem transformar um serviço público gratuito num cuidado difícil de alcançar.</p>
<p>A questão ganhou destaque durante a 79.ª sessão do Comité Regional da Organização Mundial da Saúde para o Sudeste Asiático, realizada em Díli. Mas, para Timor-Leste, o desafio ultrapassa as discussões de um encontro internacional: trata-se de saber se o sistema de saúde consegue garantir que uma pessoa, independentemente do local onde vive, consegue chegar a um serviço e receber, no momento certo, os cuidados de que necessita.</p>
<p><strong>O preço escondido de uma consulta gratuita</strong></p>
<p>Os serviços públicos de saúde em Timor-Leste são gratuitos, mas isso não significa que o acesso não tenha custos.</p>
<p>Para uma família que vive numa zona remota, procurar assistência médica pode implicar uma longa deslocação, despesas de transporte e horas, ou até um dia inteiro, afastada do trabalho.</p>
<p>A própria Organização Mundial da Saúde reconhece que, apesar de os cuidados de saúde públicos serem gratuitos, as pessoas continuam a enfrentar custos indiretos, como transporte, combustível e tempo perdido.</p>
<p>O problema, por isso, não está apenas no preço de uma consulta ou de um tratamento. Está também na possibilidade de chegar ao serviço, no tempo necessário para fazer a deslocação e na capacidade de encontrar, quando se chega, os profissionais, medicamentos e equipamentos necessários.</p>
<p>O primeiro-ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, defende que estes custos indiretos devem ser considerados quando se avalia o acesso à saúde. “Os serviços públicos de saúde são gratuitos, mas isso não significa que sejam igualmente acessíveis para todos. Para uma família que vive numa zona remota, uma ida ao centro de saúde pode significar uma viagem difícil, despesas de transporte e tempo perdido de trabalho”, afirmou.</p>
<p>Para Xanana, medir o acesso apenas pelo número de unidades de saúde existentes ou pelo facto de os serviços serem gratuitos deixa de fora uma parte essencial da experiência dos utentes. “Chegar a uma unidade de saúde tem de significar conseguir receber cuidados atempados, com profissionais, medicamentos e equipamentos adequados”, afirmou.</p>
<p>É esta diferença entre ter um serviço disponível e conseguir utilizá-lo quando é necessário que coloca em causa a igualdade no acesso aos cuidados.</p>
<p><strong>Quando a distância também é uma barreira</strong></p>
<p>O problema torna-se particularmente evidente nas comunidades mais afastadas dos centros urbanos.</p>
<p>A questão não é apenas saber quantas unidades de saúde existem no país, mas perceber quem consegue chegar até elas, quanto tempo demora, quanto custa a deslocação e que cuidados encontra quando chega.</p>
<p>Sem dados detalhados sobre as distâncias, os tempos médios e os custos das deslocações por município, a dimensão desta desigualdade territorial nem sempre aparece nos números oficiais. A experiência das comunidades torna-se, por isso, essencial para perceber o impacto concreto destas barreiras. A distância pode ser ainda mais problemática quando a pessoa necessita de cuidados especializados ou de uma resposta de emergência.</p>
<p>Para quem vive longe dos principais centros urbanos, uma ida ao hospital pode significar uma viagem prolongada, despesas adicionais e tempo afastado do trabalho ou de outras responsabilidades familiares.</p>
<p>Xanana defende que as políticas públicas devem partir da experiência concreta das pessoas e não apenas dos indicadores produzidos pelas unidades de saúde.</p>
<p>“Temos de compreender o percurso que as pessoas fazem para conseguir cuidados de saúde. As mães que percorrem longas distâncias desde as montanhas, as pessoas com deficiência que procuram serviços acessíveis e os jovens que necessitam de apoio na área da saúde mental têm experiências diferentes e podem mostrar-nos problemas que os números nem sempre revelam”, afirmou.</p>
<p>O acesso à saúde começa, assim, antes da chegada à unidade sanitária.</p>
<p><strong>Aproximar os cuidados das comunidades</strong></p>
<p>O Governo procura aproximar os cuidados de saúde das comunidades através do Programa Integrado de Saúde (PIS), que visa reforçar os cuidados de saúde primários, melhorar o sistema de referência e encaminhamento e levar os serviços especializados para mais perto da população.</p>
<p>O programa inclui promoção da saúde, prevenção, rastreio, diagnóstico, tratamento e reabilitação.</p>
<p>A aposta procura reforçar a ligação entre os cuidados de saúde primários e os hospitais, para que os doentes possam ser acompanhados de forma mais próxima e encaminhados para os serviços de que necessitam.</p>
<p>A ministra da Saúde, Élia de Sousa Amaral, considera que o reforço dos cuidados primários deve avançar em paralelo com o desenvolvimento dos serviços especializados. “Para conseguirmos melhores resultados em saúde, precisamos de reforçar os cuidados de saúde primários e, ao mesmo tempo, desenvolver os serviços especializados e os profissionais necessários para os prestar”, afirmou.</p>
<p>A aproximação dos serviços é particularmente importante num país onde a distância e as condições de deslocação podem dificultar o acesso regular aos cuidados de saúde.</p>
<p>O objetivo está integrado na estratégia de Timor-Leste para alcançar a Cobertura Universal de Saúde: garantir que os serviços não estejam apenas disponíveis, mas que sejam acessíveis às populações, sobretudo às mais vulneráveis.</p>
<p><strong>Faltam profissionais onde são mais necessários</strong></p>
<p>A distribuição dos profissionais de saúde é outro dos obstáculos à igualdade no acesso.</p>
<p>Médicos, enfermeiros, parteiras, técnicos de laboratório, farmacêuticos e outros profissionais são essenciais para garantir que as unidades de saúde conseguem prestar cuidados de forma contínua e adequada.</p>
<p>O desafio não passa apenas por formar mais profissionais, mas também por garantir que estão onde são mais necessários e que as unidades de saúde têm as condições para prestar os cuidados de que as populações precisam.</p>
<p>Para Élia de Sousa Amaral, os profissionais estão no centro da transformação do sistema de saúde timorense. “Os nossos profissionais de saúde estão no centro desta transformação. Reforçar as suas competências e garantir melhores condições para o seu trabalho é essencial para melhorar os serviços prestados à população”, afirmou.</p>
<p>A Organização Mundial da Saúde defende equipas multidisciplinares e novos modelos de prestação de cuidados que permitam levar serviços especializados às zonas rurais, remotas e insuficientemente servidas.</p>
<p>Timor-Leste procura também reforçar a cooperação entre instituições de ensino e hospitais, através de formação, apoio técnico, acompanhamento e desenvolvimento profissional. Mas o aumento do número de profissionais, por si só, não resolve necessariamente o problema.</p>
<p>O responsável da OMS para a Região do Sudeste Asiático, Nilesh Buda, afirmou que a região registou um aumento de cerca de 70% na densidade de médicos, enfermeiros e parteiras. Ainda assim, a distribuição dos profissionais continua a ser determinante para garantir um acesso equitativo.</p>
<p>“O desafio já não é apenas formar mais profissionais de saúde. É garantir que tenham as competências e o apoio necessários e que estejam distribuídos de acordo com as necessidades das populações”, afirmou.</p>
<p>Para Timor-Leste, a questão é particularmente relevante num território onde a geografia pode dificultar o acesso regular aos serviços.</p>
<p>Apesar dos desafios, a OMS destaca progressos na área dos cuidados de emergência e críticos. Segundo a organização, Timor-Leste passou de uma capacidade de seis camas de cuidados intensivos com ventiladores, todas no Hospital Nacional Guido Valadares, em Díli, para 75 camas de cuidados de alta dependência e cuidados intensivos em todo o país. Mais de 1 300 profissionais de saúde receberam formação nesta área.</p>
<p>O reforço desta capacidade permite que alguns doentes com situações graves possam receber cuidados mais próximos das suas comunidades, reduzindo a necessidade de deslocação para Díli.</p>
<p><strong>Timor-Leste venceu doenças, mas enfrenta novos desafios</strong></p>
<p>Os problemas de acesso surgem num momento em que Timor-Leste alcançou importantes progressos no combate às doenças transmissíveis.</p>
<p>Em 2024, a OMS reconheceu a eliminação da filariose linfática como problema de saúde pública no país. Em 2025, Timor-Leste recebeu a certificação de eliminação da malária. Mas a eliminação de algumas doenças não significa que os principais problemas de saúde estejam resolvidos.</p>
<p>A tuberculose, a malnutrição, as mortes maternas e infantis evitáveis e o crescimento das doenças não transmissíveis continuam a exigir respostas do sistema de saúde.</p>
<p>A mudança significa que o sistema terá de responder simultaneamente a problemas antigos e a novas necessidades.</p>
<p><strong>Um sistema preparado para necessidades que estão a mudar</strong></p>
<p>O envelhecimento da população e o aumento das doenças crónicas estão a tornar os cuidados de saúde mais complexos, não apenas em Timor-Leste, mas em toda a região.</p>
<p>A crescente necessidade de serviços de diagnóstico, reabilitação, saúde mental, cuidados de longa duração e cuidados especializados coloca novas exigências ao sistema de saúde.</p>
<p>O ministro da Saúde e dos Meios de Comunicação Social do Sri Lanka e antigo presidente do Comité Regional, Nalinda Jayatissa, alertou para a crescente necessidade de serviços de diagnóstico, reabilitação, saúde mental, cuidados de longa duração e cuidados especializados.</p>
<p>“À medida que a população envelhece e as doenças crónicas aumentam, o acesso equitativo aos serviços de diagnóstico, reabilitação, saúde mental, cuidados de longa duração e outros serviços especializados será cada vez mais importante”, afirmou.</p>
<p>A resposta, segundo Nalinda, não passa apenas por aumentar o número de profissionais. É também necessário melhorar a sua distribuição, criar equipas multidisciplinares e garantir que os serviços dispõem de informação e apoio suficientes.</p>
<p>A modernização do sistema deverá, contudo, manter a dimensão humana dos cuidados. “A excelência científica e tecnológica deve ser acompanhada de empatia, compaixão e respeito pela dignidade humana”, afirmou.</p>
<p><strong>O próximo desafio é garantir que ninguém fica para trás</strong></p>
<p>Os progressos alcançados por Timor-Leste no controlo de doenças demonstram que o país consegue obter resultados quando existe uma estratégia nacional sustentada e cooperação com parceiros internacionais.</p>
<p>O desafio seguinte é mais amplo: garantir que esses resultados se traduzem numa melhoria concreta da vida das pessoas. Construir unidades de saúde, formar profissionais e desenvolver novas tecnologias são passos importantes. Mas nenhum deles, isoladamente, garante acesso.</p>
<p>A pergunta decisiva é outra: quando uma pessoa adoece, consegue chegar ao serviço de que precisa e encontrar ali o profissional, os medicamentos, os equipamentos e os cuidados adequados?</p>
<p>Para quem vive numa zona remota, a resposta pode depender não apenas da existência de uma unidade de saúde, mas também da distância, do transporte disponível, do dinheiro necessário para a deslocação, do tempo que terá de perder e dos recursos existentes quando finalmente chega.</p>
<p>É neste ponto que Timor-Leste enfrenta o seu próximo desafio na saúde: passar de um sistema em que os cuidados são formalmente gratuitos para um sistema em que sejam também efetivamente acessíveis. Porque, para quem vive longe de uma unidade de saúde, não ter de pagar pela consulta é apenas o primeiro passo.</p>
<p>A verdadeira igualdade começa quando a distância, o transporte, o tempo, a falta de profissionais ou a ausência de medicamentos deixam de determinar quem consegue — e quem não consegue — receber cuidados.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/saude-gratuita-acesso-desigual-o-desafio-de-chegar-aos-cuidados-em-timor-leste/">Saúde gratuita, acesso desigual: o desafio de chegar aos cuidados em Timor-Leste</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Campanhas do INCSIDA sob fogo cruzado por mensagens consideradas estigmatizantes e sem base científica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 13:51:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Especialistas em saúde, organizações da sociedade civil e o Provedor dos Direitos Humanos e Justiça criticam campanhas de prevenção do VIH promovidas pelo Instituto Nacional de Combate ao VIH/SIDA (INCSIDA) por privilegiarem mensagens de cariz moral em detrimento de informação [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Especialistas em saúde, organizações da sociedade civil e o Provedor dos Direitos Humanos e Justiça criticam campanhas de prevenção do VIH promovidas pelo Instituto Nacional de Combate ao VIH/SIDA (INCSIDA) por privilegiarem mensagens de cariz moral em detrimento de informação baseada em evidência científica. O Ministério da Saúde afirma não ter objeções às iniciativas.</em></p>
<p>O presidente do Instituto Nacional de Combate ao HIV/SIDA (INCSIDA), Daniel Marçal, voltou a gerar controvérsia ao defender, numa ação de sensibilização realizada em Covalima, que a prevenção do vírus da imunodeficiência humana (VIH) passa pelo cumprimento dos ensinamentos de Deus, pela abstinência sexual antes do casamento e pela escolha criteriosa dos parceiros.</p>
<p>As declarações foram acompanhadas pela divulgação de materiais de sensibilização que omitem algumas das principais medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades internacionais de saúde, nomeadamente o uso do preservativo, a testagem regular e a importância do tratamento antirretroviral.</p>
<p><a href="https://www.diligenteonline.com/testes-de-vih-feitos-as-escondidas-em-covalima-tem-apoio-total-do-presidente-do-incsida/" target="_blank" rel="noopener">A polémica surge poucos meses depois de Daniel Marçal ter apoiado publicamente a realização de testes de VIH sem o conhecimento ou consentimento dos utentes</a>, prática considerada contrária aos princípios defendidos pela Organização Mundial da Saúde.</p>
<p>Questionado pelo Diligente sobre o conteúdo das campanhas, o dirigente explicou que a expressão “sexo livre”, utilizada nos materiais de sensibilização, segue a terminologia indonésia <em>free sex</em> ou <em>seks bebas</em>, usada para designar relações sexuais com múltiplos parceiros e mudam frequentemente de parceiro, sem um compromisso permanente enquanto casal.</p>
<p>Na sua perspetiva, este tipo de comportamento contribui significativamente para a transmissão do VIH, razão pela qual a mensagem foi incluída nos cartazes da campanha, juntamente com alertas sobre tatuagens não seguras.</p>
<p>O responsável reconheceu que outras pessoas podem interpretar a expressão de forma diferente, associando-a à educação sexual ou ao direito individual de manter relações sexuais, mas sublinhou que essa não é a intenção da campanha.</p>
<p>Questionado sobre se a expressão “sexo livre” corresponde a um conceito médico ou científico, o presidente do INCSIDA respondeu que se trata de uma formulação simples e de fácil compreensão para a população. “Não olhamos para o conceito médico, porque o de sexo livre é simples para o público entender. Considero que o sexo livre é um problema de degradação moral”, afirmou.</p>
<p>Confrontado com a possibilidade de utilizar a expressão “sexo seguro”, Daniel Marçal considerou que se trata de um conceito diferente. “Se usarmos esta expressão, sexo seguro, as pessoas podem pensar que basta usar preservativos mesmo que pratiquem sexo livre. Mas não é essa a nossa intenção”, declarou.</p>
<p>Questionado sobre a razão pela qual o INCSIDA não promove o uso do preservativo para além de alertar contra o “sexo livre”, o dirigente não respondeu diretamente à pergunta. “Se eu quiser proteger a população deste país, diria que a prática do sexo livre não é boa. Mas, até certo ponto, podemos falar disso, embora algumas autoridades aceitem e outras não”, afirmou.</p>
<p>Confrontado com a existência de indicadores que demonstrem a transmissão do VIH através da partilha de agulhas em tatuagens, Daniel Marçal admitiu que a instituição não dispõe de dados específicos sobre essa forma de transmissão. “Continuamos a divulgar informação de que não se deve fazer tatuagens utilizando a mesma agulha em mais de uma pessoa. No entanto, não temos dados específicos sobre isso”, explicou.</p>
<p>Relativamente à mensagem presente nos cartazes segundo a qual não existe medicamento para o VIH, o presidente do INCSIDA afirmou que se trata de um alerta dirigido à população, reconhecendo, contudo, a existência de tratamento. “Na prevenção, utilizamos esta mensagem, mas claro que existem medicamentos que permitem às pessoas viver mais tempo e impedem a progressão para a Sida”, afirmou.</p>
<p>Questionado sobre uma eventual revisão das mensagens constantes nos panfletos, Daniel Marçal explicou que os materiais foram produzidos pelo próprio INCSIDA e rejeitou implicitamente a necessidade de alterações.</p>
<p>“Estas informações foram elaboradas por nós. Estamos no terreno a realizar campanhas e tanto as autoridades locais como os responsáveis do Ministério da Saúde nos municípios apreciam esta forma de sensibilização”, defendeu.</p>
<p><strong>Médico alerta para risco de desinformação e afastamento dos serviços de saúde</strong></p>
<p>O médico responsável pelo programa de VIH da organização Maluk Timor, Elvis Uvaldo Guterres, lamentou as mensagens utilizadas pelo INCSIDA, considerando que frases como “não faça sexo livre” ou “não existe medicamento” podem produzir efeitos contrários aos pretendidos.</p>
<p>O especialista sublinhou que as suas declarações não visam ofender ninguém nem atribuir responsabilidades, defendendo que as estratégias de prevenção devem assentar na saúde pública e na evidência científica, em vez de se centrarem em mensagens proibitivas ou moralizantes. “Enquanto médico, não faço julgamento sobre o chamado sexo livre. O que me preocupa é saber se a atividade sexual é praticada de forma segura ou não”, afirmou.</p>
<p>Segundo Elvis Guterres, algumas pessoas que vivem com VIH já lhe relataram sentimentos de humilhação e perda de autoestima após terem contactado com campanhas públicas relacionadas com a doença. “Alguns dos meus pacientes, quando viram estas campanhas, sentiram-se humilhados e perderam autoestima”, disse, alertando que este tipo de comunicação pode desencorajar a realização de testes, o acompanhamento médico e a procura de tratamento.</p>
<p>O médico manifestou ainda preocupação com mensagens que enfatizam apenas que o VIH não tem cura, sem explicarem a existência de tratamentos eficazes. “Existem medicamentos, nomeadamente a terapia antirretroviral. Estes medicamentos não eliminam totalmente o vírus, mas controlam a infeção e permitem que a pessoa tenha uma vida longa e saudável”, explicou.</p>
<p>Na sua opinião, a mensagem transmitida pelo INCSIDA é inadequada e pode levar algumas pessoas a afastarem-se dos serviços de saúde por não receberem informação clara sobre os tratamentos disponíveis.</p>
<p>Elvis Guterres defendeu que o INCSIDA deve reforçar a consulta a especialistas em doenças infeciosas e saúde pública antes da elaboração de campanhas de sensibilização, de forma a garantir que as mensagens sejam claras, equilibradas e alinhadas com o conhecimento científico atual.</p>
<p>Acrescentou que campanhas eficazes devem informar a população sobre sexo seguro, utilização de preservativos, testagem regular e tratamento antirretroviral, estratégias que têm demonstrado resultados concretos na redução de novas infeções.</p>
<p>O médico sublinhou ainda que a sexualidade faz parte da condição humana e que as políticas de prevenção devem partir da realidade vivida pela população. “Estamos em 2026 e a realidade que encontro diariamente com os meus pacientes demonstra que as relações sexuais entre jovens que ainda não são casados acontecem”, afirmou.</p>
<p>Segundo o especialista, o debate não deve centrar-se em julgamentos morais sobre a sexualidade, mas na promoção de comportamentos seguros. “A sexualidade é uma necessidade humana e todas as pessoas possuem desejos naturais”, acrescentou.</p>
<p>Elvis Guterres recordou que existem diferentes formas de transmissão do VIH e alertou para o risco de algumas mensagens levarem as pessoas a sentirem-se culpabilizadas pela sua condição, incluindo em situações que não resultam de transmissão sexual.</p>
<p>Segundo o médico, a circulação de informação incorreta continua a dificultar a prevenção, a realização de testes e a adesão ao tratamento. “Isto faz com que muitas pessoas não procurem os centros de saúde para realizar testes ou manter o tratamento”, afirmou.</p>
<p>Elvis Guterres defendeu ainda um maior investimento na formação técnica dos profissionais e no reforço da cooperação com organizações internacionais especializadas, para garantir que as estratégias de prevenção acompanhem a evolução científica no combate ao VIH.</p>
<p>O especialista concluiu defendendo uma revisão das campanhas de sensibilização, de modo a privilegiar informação rigorosa, atualizada e orientada para a prevenção, sem reforçar o estigma contra as pessoas que vivem com o vírus.</p>
<p>Questionado sobre a liderança do INCSIDA, o médico afirmou ser importante que cargos desta natureza sejam ocupados por profissionais qualificados, com formação adequada e conhecimento atualizado sobre as estratégias de prevenção do VIH a nível internacional. “É preciso conhecimento atualizado nesta área para poderem formar outros e transmitir informação correta sobre a prevenção do VIH”, concluiu Elvis Uvaldo Guterres.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-22707 size-full" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/HIV-medidas-OMS.jpeg" alt="" width="1280" height="1024" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/HIV-medidas-OMS.jpeg 1280w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/HIV-medidas-OMS-471x377.jpeg 471w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/HIV-medidas-OMS-900x720.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/HIV-medidas-OMS-768x614.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /></p>
<p><strong>ACP acusa campanhas do INCSIDA de reforçarem o estigma e afastarem pessoas do tratamento</strong></p>
<p>O diretor executivo da Associação Comunidade Progresso (ACP), Brigal Ferreira, criticou as mensagens divulgadas pelo INCSIDA através de panfletos distribuídos em Covalima e Oé-Cusse, considerando que os materiais não promovem a educação sobre o VIH, mas antes o medo e a estigmatização das pessoas que vivem com o vírus.</p>
<p>Na sua opinião, apesar de as autoridades afirmarem que a discriminação contra as pessoas seropositivas diminuiu, as próprias mensagens institucionais continuam a reforçar o estigma.</p>
<p>Segundo o responsável, a linguagem utilizada nos panfletos é inadequada e pode ter consequências negativas para a saúde pública. “O pior é que algumas pessoas que vivem com VIH podem deixar de procurar tratamento porque estas mensagens destroem o seu caráter e a sua dignidade”, afirmou.</p>
<p>Brigal Ferreira criticou ainda a forma como as campanhas são concebidas e alegou que o presidente do INCSIDA não consulta devidamente especialistas da área. “O senhor Daniel tem promovido este tipo de mensagens desde 2013. Tudo o que lhe surge na cabeça é imediatamente colocado em prática. Mas não pensa cuidadosamente sobre o impacto”, declarou.</p>
<p>Na sua opinião, as campanhas deveriam incentivar a realização de testes e o acesso ao tratamento, em vez de produzirem sentimentos de culpa e desespero. “O INCSIDA deve transmitir mensagens que incentivem as pessoas a fazer o teste. Na realidade, quem recebe um resultado positivo, muitas vezes, não quer iniciar o tratamento e alguns chegam a sentir que já não merecem nada”, afirmou.</p>
<p>O diretor da ACP lamentou também o silêncio de várias instituições envolvidas na resposta nacional ao VIH, incluindo o Ministério da Saúde. “Nas redes sociais, apenas algumas pessoas da sociedade civil levantam a voz, mas as suas vozes não chegam longe”, referiu.</p>
<p>Relativamente às estratégias de prevenção, Brigal Ferreira defendeu que as campanhas devem refletir o conhecimento científico atual. Recordou que os tratamentos antirretrovirais permitem às pessoas viver normalmente, constituir família e manter relações sexuais sem transmitir o vírus, desde que sigam corretamente a terapêutica.</p>
<p>“A questão hoje já não é a cura, mas a forma como as pessoas podem viver e evitar transmitir o vírus. Se tomarem os medicamentos, não o transmitem. Não podemos dizer que não existem medicamentos, porque isso é promover a desinformação”, afirmou.</p>
<p>O responsável questionou também a utilização da expressão “sexo livre”, considerando que se trata de uma tradução literal do inglês <em>free sex</em>, sem atender ao seu verdadeiro significado. “Penso que “sexo livre” não existe na prática. Se seguirmos essa lógica, poderíamos pensar que significa fazer sexo nas ruas ou em espaços públicos. Mas cada pessoa é livre de escolher se quer ou não ter relações sexuais”, afirmou.</p>
<p>Na sua perspetiva, as campanhas deveriam privilegiar a educação sexual e a promoção de relações sexuais seguras, incluindo a utilização de preservativos, em vez de recorrerem a mensagens proibitivas. “Se queremos que as pessoas tenham relações sexuais seguras, então a educação é fundamental”, sustentou.</p>
<p>Brigal Ferreira apontou a Tailândia como exemplo de sucesso no combate ao VIH. “Na Tailândia conseguiram combater o VIH precisamente porque colocaram a saúde em primeiro lugar, apesar de os seus cidadãos serem religiosos. Por isso, em Timor-Leste, devemos seguir essas práticas. Antes de alimentar a alma, devemos alimentar primeiro o corpo”, afirmou.</p>
<p>Segundo o responsável, um dos principais problemas do programa nacional de VIH é a existência de mensagens contraditórias ao longo dos anos. Recordou que, anteriormente, a estratégia ABCD incluía também a promoção do uso do preservativo, algo que considera ter desaparecido das campanhas atuais. “Antes, falava-se de autocontrolo e de preservativos. Algumas pessoas perguntam qual é a mensagem correta. Isso torna mais difícil para as pessoas acreditarem”, observou.</p>
<p>Brigal Ferreira considera que o aumento do número de casos de VIH em Timor-Leste deve servir de alerta para uma reavaliação das estratégias em vigor. “Se os números do VIH continuam a aumentar todos os anos, devemos refletir se a mensagem não estará errada. Se as mensagens são inadequadas e assustam as pessoas, estas continuam a ter relações sexuais às escondidas e sem conhecer os meios para as praticar de forma segura. Tudo isto torna mais difícil controlar a situação”, afirmou.</p>
<p>Entre 2003 e 2023, o INCSIDA registou quase dois mil casos de infeção pelo VIH, sendo a maioria dos casos identificada em homens.</p>
<p>Brigal Ferreira defendeu ainda que o instituto deve recorrer a profissionais qualificados das áreas da saúde e da comunicação para reformular as mensagens públicas sobre o VIH, garantindo que estas sejam claras, consistentes e baseadas em evidência científica.</p>
<p>Alertou igualmente para os riscos de decisões influenciadas por critérios políticos em áreas técnicas como a saúde pública. “Precisamos de escolher pessoas com base nos seus currículos e competências específicas para enfrentar este problema”, afirmou.</p>
<p>Sobre a ideia de que as relações sexuais devem ocorrer apenas após o casamento, o diretor da ACP questionou o que acontece quando uma pessoa não pretende casar, mas deseja ter relações sexuais. “Com este tipo de campanha, está-se a proibir essa pessoa de ter relações sexuais. Na verdade, as relações sexuais são um direito de cada pessoa”, afirmou.</p>
<p>Por fim, defendeu o reforço da educação sexual em Timor-Leste como instrumento essencial para reduzir os riscos associados ao VIH e outras consequências para a saúde. “A educação sexual é extremamente importante nos dias de hoje. Se um jovem decidir ter relações sexuais, devemos apresentar opções e explicar claramente os riscos para os estudos, para a família e para a sua própria saúde. Por isso, é necessário partilhar informação aberta sobre educação sexual”, concluiu.</p>
<p><strong>Provedor alerta para risco de desinformação e discriminação</strong></p>
<p>O Provedor dos Direitos Humanos e Justiça (PDHJ), Virgílio Guterres, manifestou preocupação com as mensagens divulgadas pelo INCSIDA e considerou que algumas declarações proferidas ao longo dos anos tendem a associar a transmissão do VIH à liberdade individual, ao chamado “sexo livre” e até a determinadas práticas culturais. “São declarações discriminatórias, sem base científica e contrárias aos princípios da inclusão, do respeito pela dignidade humana e dos direitos fundamentais”, afirmou.</p>
<p>Segundo o Provedor, instituições públicas como o INCSIDA têm a obrigação de fornecer informações corretas, completas e baseadas em evidência científica. “Quando se fazem afirmações sem uma base científica sólida, existe o risco de promover desinformação junto da população”, alertou.</p>
<p>“Sempre que existem indícios de irregularidades, a Provedoria pode intervir através de investigações e da emissão de recomendações destinadas a corrigir práticas inadequadas e a prevenir situações de discriminação”, explicou.</p>
<p>Questionado sobre as declarações de responsáveis de saúde em Covalima, posteriormente apoiadas pelo presidente do INCSIDA, que admitiram a realização de testes de VIH sem o conhecimento ou consentimento dos utentes, o provedor admitiu que a situação é “preocupante e pode configurar abuso de poder.”</p>
<p>Embora reconheça que o caso não foi acompanhado em profundidade devido a limitações de recursos, garantiu que a situação foi registada e continuará a ser monitorizada. “Esperamos que situações semelhantes não se repitam”, declarou.</p>
<p>Sobre a utilização da expressão “sexo livre”, Virgílio Guterres defendeu que o papel do INCSIDA não é interferir na vida privada dos cidadãos, mas promover a educação e a sensibilização. “As políticas públicas devem privilegiar a educação e a sensibilização em vez da proibição ou do julgamento moral”, afirmou.</p>
<p>O Provedor considerou que as orientações morais das igrejas e das religiões devem ser transmitidas através da educação e da consciencialização, e não por via de mensagens proibitivas.</p>
<p><strong>Ministério da Saúde diz não ter objeções às campanhas</strong></p>
<p>Apesar das críticas de especialistas, da sociedade civil e do Provedor dos Direitos Humanos e Justiça, o Ministério da Saúde afirmou não ter objeções às campanhas e às mensagens utilizadas pelo Instituto Nacional de Combate ao VIH/SIDA.</p>
<p>O diretor-geral do Gabinete de Política, Planeamento, Cooperação e Desenvolvimento do Ministério da Saúde, Florindo Pinto Gonzaga, considerou que estas iniciativas fazem parte dos esforços de sensibilização da comunidade para promover a saúde e o bem-estar da população.</p>
<p>“Não temos objeções à temática adotada. Queremos sublinhar que esta questão faz parte dos esforços de sensibilização da comunidade para promover a saúde e o bem-estar dos nossos cidadãos”, declarou.</p>
<p>Questionado sobre a ausência de referências ao uso de preservativos nas campanhas do INCSIDA, o responsável argumentou que “diferentes instituições desempenham funções complementares na resposta nacional ao VIH.”</p>
<p>Segundo Florindo Pinto Gonzaga, cabe ao INCSIDA apoiar o Ministério da Saúde na sensibilização da população relativamente aos comportamentos de risco. “Da nossa parte, continuamos a desempenhar o nosso papel no combate a esta doença, não apenas através da prestação de serviços de saúde, mas também por meio de intervenções preventivas e educativas”, afirmou.</p>
<p>O diretor-geral acrescentou que o VIH exige uma resposta multissetorial, envolvendo áreas como a educação, a religião e a ação social. “O VIH é uma questão holística e não é da responsabilidade de uma única instituição. Por isso, o INCSIDA tem a sua própria forma de promover a sensibilização”, concluiu.</p>
<p>A atual controvérsia surge poucos meses depois de Daniel Marçal ter apoiado publicamente a realização de testes de VIH sem o conhecimento ou consentimento dos utentes, argumentando que a prática contribuiria para aumentar a deteção da doença.</p>
<p>As declarações suscitaram críticas por parte de especialistas e levantaram dúvidas sobre o respeito pelos princípios do consentimento informado e da confidencialidade defendidos pela Organização Mundial da Saúde.</p>
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		<title>Quase metade das crianças timorenses sofre de atraso de crescimento</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/quase-metade-das-criancas-timorenses-sofre-de-atraso-de-crescimento/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 10:54:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Menos crianças morrem, mais mulheres têm acesso a cuidados de saúde e a taxa de fertilidade continua a diminuir. Apesar destes progressos, quase metade das crianças timorenses com menos de cinco anos sofre de atraso de crescimento, revelando que a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Menos crianças morrem, mais mulheres têm acesso a cuidados de saúde e a taxa de fertilidade continua a diminuir. Apesar destes progressos, quase metade das crianças timorenses com menos de cinco anos sofre de atraso de crescimento, revelando que a desnutrição continua a comprometer o futuro do país.</em></p>
<p>Quase uma em cada duas crianças timorenses com menos de cinco anos sofre de atraso de crescimento, uma condição associada à subnutrição prolongada que pode comprometer o desenvolvimento físico e cognitivo. A conclusão consta do Inquérito Demográfico e de Saúde de Timor-Leste (TL DHS) 2025-2026, divulgado esta semana.</p>
<p>Os dados revelam que 45% das crianças com menos de cinco anos apresentam atraso de crescimento, enquanto 19% sofrem de emaciação, uma forma de desnutrição aguda caracterizada por emagrecimento grave.</p>
<p>Apesar dos progressos registados em vários indicadores de saúde, os resultados mostram que a desnutrição continua a representar um dos maiores desafios para o país.</p>
<p>Para além dos problemas nutricionais, o inquérito indica que apenas 52% das crianças possuem vacinação completa e alerta para a persistência de práticas de disciplina violenta contra crianças, fatores que continuam a afetar o seu bem-estar e desenvolvimento.</p>
<p><strong>Menos filhos, mais partos assistidos e menor mortalidade infantil</strong></p>
<p>O relatório destaca, contudo, avanços significativos na saúde materno-infantil. A taxa de fertilidade nacional desceu para 3,4 filhos por mulher, quando em 2009-2010 se situava nos 5,7 filhos por mulher.</p>
<p>O acesso aos serviços de saúde materna também registou melhorias. Atualmente, 78% dos partos são assistidos por profissionais de saúde qualificados, um aumento expressivo face aos 33% registados há cerca de uma década.</p>
<p>Segundo os dados do inquérito, a mortalidade infantil também continua a diminuir, refletindo os investimentos realizados nos serviços de saúde materno-infantil e no acesso aos cuidados de saúde.</p>
<p><strong>Dados devem orientar políticas públicas</strong></p>
<p>O Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) considera que os resultados do TL DHS 2025-2026 constituem um instrumento fundamental para compreender a realidade da saúde materno-infantil em Timor-Leste e apoiar a definição de políticas públicas mais eficazes.</p>
<p>O inquérito reúne informação sobre fertilidade, mortalidade infantil, planeamento familiar, nutrição, saúde reprodutiva e desenvolvimento infantil precoce, oferecendo um retrato abrangente das condições de vida da população.</p>
<p>Segundo o UNFPA, os dados recolhidos permitem identificar necessidades, avaliar o impacto das políticas implementadas e orientar investimentos futuros. “Cada ponto de dados reflete a saúde, o bem-estar e as experiências vividas por indivíduos e famílias em todo o país”, afirmou a organização.</p>
<p>O UNFPA sublinhou ainda que a informação estatística só produz mudanças quando é utilizada para apoiar a tomada de decisões. “Os dados têm o poder de gerar mudanças, mas apenas quando são utilizados”, acrescentou.</p>
<p>O inquérito contou com o apoio do Governo de Timor-Leste, através do Ministério da Saúde, do Ministério das Finanças e do Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL), bem como de vários parceiros internacionais, entre os quais a UNICEF, o Banco Mundial, o Governo da Austrália e o Programa Alimentar Mundial (PAM).</p>
<p>Os resultados do TL DHS 2025-2026 deverão servir de base para futuras políticas e programas destinados a melhorar os indicadores de saúde e nutrição, em particular no combate ao atraso de crescimento infantil.</p>
<p><strong>Ministério da Saúde reconhece desafios persistentes</strong></p>
<p>O Diretor-Geral do Gabinete de Política, Planeamento, Cooperação e Desenvolvimento do Ministério da Saúde, Florindo Pinto Gonzaga, reconheceu que os resultados do inquérito mostram progressos importantes, mas também evidenciam desafios que continuam por resolver.</p>
<p>Durante a apresentação do relatório, o responsável afirmou que o inquérito não se limita a avaliar a situação nutricional do país, fornecendo igualmente informação relevante sobre diversas áreas da saúde e do desenvolvimento humano.</p>
<p>“Este inquérito demográfico e de saúde não apresenta apenas problemas de nutrição, mas também outros desafios mais abrangentes. Os resultados mostram os principais indicadores que refletem os progressos alcançados”, afirmou.</p>
<p>Segundo Florindo Pinto Gonzaga, Timor-Leste já conseguiu atingir ou aproximar-se de várias metas estabelecidas em diferentes setores. No entanto, a área da nutrição continua a exigir uma intervenção reforçada por parte das autoridades.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“No que diz respeito à nutrição, ainda há muito trabalho a fazer. Este inquérito constitui uma importante base de evidência para ajudar a definir planos e estratégias futuras”, referiu.</p>
<p>O responsável abordou igualmente a questão da anemia, alertando para a necessidade de estudos mais aprofundados antes de serem tiradas conclusões definitivas sobre a evolução do problema.</p>
<p>“O país ainda não dispõe de dados comparativos suficientes entre diferentes períodos dos inquéritos DHS. Por isso, ainda não podemos afirmar com precisão se a prevalência da anemia aumentou ou diminuiu”, explicou.</p>
<p>Apesar das limitações identificadas, o Ministério da Saúde garante que continua a desenvolver programas comunitários destinados a prevenir e combater a anemia e outras formas de malnutrição.</p>
<p>Segundo Florindo Pinto Gonzaga, foram criados mecanismos de monitorização e integradas várias intervenções no sistema nacional de saúde, incluindo visitas domiciliárias, clínicas móveis, atividades do Serviço Integrado de Saúde Comunitária (SISCA) e pacotes integrados de serviços de saúde.</p>
<p>“O Ministério da Saúde encara esta questão com seriedade. Foram estabelecidos mecanismos para monitorizar a situação da anemia e integrar estas intervenções no sistema de saúde”, afirmou.</p>
<p>O responsável concluiu sublinhando que o TL DHS 2025–2026 constituirá uma referência fundamental para orientar políticas públicas e intervenções baseadas em evidência.</p>
<p><strong>Governo quer usar resultados para melhorar o planeamento</strong></p>
<p>A Ministra das Finanças, Santina Cardoso, afirmou que os resultados do inquérito fornecem informação essencial para apoiar o planeamento e a tomada de decisões em áreas como a saúde materno-infantil, a nutrição, a saúde reprodutiva, o planeamento familiar e a mortalidade infantil.</p>
<p>“Com o TL DHS 2025–2026, temos agora uma base sólida para comparar as mudanças ao longo do tempo. O Ministério da Saúde, os parceiros de desenvolvimento e outras entidades relevantes podem utilizar estes dados para um melhor planeamento do setor da saúde”, afirmou.</p>
<p>A governante destacou igualmente os progressos alcançados na assistência ao parto. Em 2009-2010, apenas 33% dos partos eram acompanhados por profissionais de saúde qualificados. Em 2016, esse valor aumentou para 60% e, atualmente, situa-se nos 78%.</p>
<p>“Os dados mostram que as mulheres estão cada vez mais a optar por dar à luz em unidades de saúde, em vez de o fazerem em casa”, referiu.</p>
<p>Apesar destas melhorias, Santina Cardoso reconheceu que a desnutrição infantil continua a ser um dos maiores desafios do país, particularmente no que diz respeito ao atraso de crescimento.</p>
<p>A ministra defendeu ainda que a disponibilidade de dados fiáveis é essencial para garantir políticas públicas mais eficazes e uma utilização mais eficiente dos recursos do Estado. “Com dados corretos, conseguimos planear melhor, monitorizar os resultados e garantir que as decisões governamentais são baseadas em evidências”, afirmou.</p>
<p>Segundo a governante, os dados estatísticos desempenham um papel fundamental na definição de prioridades e na avaliação do impacto das políticas públicas.</p>
<p>O Governo, através do Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL) e do Ministério das Finanças, continuará a trabalhar com os parceiros nacionais e internacionais na divulgação e utilização dos resultados do inquérito.</p>
<p>Após a publicação do relatório final, prevista para setembro, serão promovidas ações de divulgação a nível municipal para garantir que a informação chega às comunidades e possa ser utilizada no planeamento local. “Os dados recolhidos devem regressar às comunidades para apoiar o planeamento local”, concluiu.</p>
<p>Embora Timor-Leste tenha registado progressos significativos em áreas como a saúde materna, a assistência ao parto e a redução da mortalidade infantil, os resultados do Inquérito Demográfico e de Saúde 2025-2026 mostram que a desnutrição continua a afetar uma parte significativa da população infantil.</p>
<p>Com 45% das crianças menores de cinco anos a sofrerem de atraso de crescimento, o país continua confrontado com um problema que compromete o desenvolvimento físico, cognitivo e educativo das gerações futuras.</p>
<p>O relatório surge, por isso, não apenas como um instrumento estatístico, mas também como um alerta para a necessidade de acelerar as políticas públicas destinadas a melhorar a nutrição infantil e a garantir melhores oportunidades de desenvolvimento para as crianças timorenses.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/quase-metade-das-criancas-timorenses-sofre-de-atraso-de-crescimento/">Quase metade das crianças timorenses sofre de atraso de crescimento</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Jovens começam a fumar cada vez mais cedo e muitos não conseguem parar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 13:52:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Dia Mundial Sem Tabaco, assinalado a 31 de maio, especialistas alertam para os elevados níveis de consumo de tabaco em Timor-Leste. Influência dos amigos, pressão social e dependência da nicotina ajudam a explicar porque muitos fumadores começam cedo e [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>No Dia Mundial Sem Tabaco, assinalado a 31 de maio, especialistas alertam para os elevados níveis de consumo de tabaco em Timor-Leste. Influência dos amigos, pressão social e dependência da nicotina ajudam a explicar porque muitos fumadores começam cedo e encontram dificuldades em abandonar o hábito, apesar de conhecerem os riscos para a saúde.</em></p>
<p>No Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado a 31 de maio, cresce a preocupação com o elevado consumo de cigarros em Timor-Leste. Apesar dos riscos conhecidos para a saúde, muitos fumadores admitem ter dificuldade em abandonar o hábito devido à influência do meio social, à dependência da nicotina e a comportamentos enraizados desde a juventude.</p>
<p>Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), constantes do relatório WHO Report on the Global Tobacco Epidemic 2023 – Country Profile Timor-Leste, mostram que o país continua a registar níveis elevados de consumo de tabaco, sobretudo entre os homens. Cerca de 67,8% dos homens consomem tabaco e 52,3% fumam diariamente. Entre as mulheres, a prevalência situa-se nos 10,8%, sendo que 8,7% são consumidoras diárias.</p>
<p>No que respeita especificamente ao consumo de cigarros, a prevalência entre os homens atinge os 59,2%, dos quais 43% fumam diariamente. Entre as mulheres, a percentagem é de 4,5%, sendo 3,1% fumadoras diárias.</p>
<p>A OMS sublinha que o tabaco danifica praticamente todos os órgãos do corpo humano. Substâncias como a nicotina e o alcatrão aumentam o risco de doenças graves, incluindo cancro do pulmão, doença cardíaca coronária e doença pulmonar obstrutiva crónica.</p>
<p>Os efeitos não se limitam aos fumadores. A exposição ao fumo passivo representa também uma ameaça para a saúde pública, afetando particularmente crianças e mulheres grávidas, que enfrentam um risco acrescido de problemas respiratórios, crises de asma e complicações durante a gravidez.</p>
<p>Por isso, a OMS continua a apelar à redução do consumo de tabaco e ao abandono do hábito de fumar, incentivando igualmente os governos a reforçarem políticas e campanhas de prevenção e a criarem mais espaços livres de fumo.</p>
<p><a href="https://www.diligenteonline.com/como-anunciar/" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-22645 size-full" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/Publicidade-dentro-do-texto-728x90px.png" alt="" width="728" height="90" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/Publicidade-dentro-do-texto-728x90px.png 728w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/Publicidade-dentro-do-texto-728x90px-516x64.png 516w" sizes="auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px" /></a></p>
<p><strong>O peso da influência social</strong></p>
<p>O hábito de fumar em espaços públicos continua a ser uma realidade frequente em Timor-Leste. Alguns cidadãos reconhecem os riscos associados ao fumo, mas admitem que a influência dos amigos, o hábito adquirido desde cedo e a dependência da nicotina tornam difícil deixar de fumar.</p>
<p>Anacleto Pires Pereira, residente em Audian, afirma que costuma fumar em espaços públicos juntamente com os amigos, embora procure manter distância das pessoas que não fumam. “Quando fumamos em locais públicos, normalmente ficamos apenas com amigos que também fumam. As pessoas que não fumam costumam sentar-se mais afastadas de nós”, disse.</p>
<p>Apesar disso, reconhece que fumar em espaços públicos pode prejudicar a saúde de terceiros, sobretudo devido às doenças respiratórias associadas ao tabaco.</p>
<p>Na sua opinião, o Governo deveria reforçar o controlo do consumo de tabaco nos espaços públicos, definindo claramente zonas destinadas aos fumadores e áreas livres de fumo. “Se o Governo criar áreas específicas para fumadores e colocar sinais de proibição de fumar nos espaços públicos, estaremos dispostos a cumprir essas regras”, afirmou.</p>
<p>Ângela De Jesus Ximenes Sequeira, de 17 anos, começou a fumar ainda no ensino primário, influenciada pelos colegas.</p>
<p>Segundo contou, tudo começou por curiosidade, depois de observar alguns rapazes a fumarem às escondidas na escola. Com o tempo, a experiência transformou-se num hábito. “Comecei a fumar quando tinha 10 anos por influência dos meus amigos da escola. No início, era apenas curiosidade, mas depois comecei a gostar e até hoje continuo a fumar”, contou.</p>
<p>Ângela afirma preferir a marca Marlboro, embora aceite também cigarros oferecidos pelos amigos. Fuma diariamente às escondidas por receio de que os pais e os irmãos descubram o hábito.</p>
<p>Segundo a jovem, a dependência já afeta o seu quotidiano. “Se passo um dia sem fumar, sinto-me mal. Estou habituada desde pequena, por isso é muito difícil parar”, afirmou.</p>
<p>Também Cosme Fortunato José Gonçalves, de 50 anos, fuma desde a adolescência. Começou aos 12 anos e admite que o cigarro se tornou uma parte constante da sua vida. “Para nós homens, fumar já se tornou um hábito normal. Os amigos e familiares também fumavam, por isso comecei a fumar sem pensar muito nas consequências”, afirmou.</p>
<p>Cosme prefere a marca Surya e revela que pode consumir até dois maços por dia. Reconhece que o dinheiro gasto em cigarros representa uma despesa significativa e admite que, por vezes, pensa noutras formas de utilizar esse valor. “Às vezes penso que seria melhor comprar materiais de construção em vez de cigarros, mas é difícil deixar porque já estou habituado”, disse.</p>
<p>O agricultor e artista de teatro considera que o consumo de tabaco continua fortemente associado aos convívios masculinos e à vida social.</p>
<p>Apesar de continuar a fumar, admite que gostaria de abandonar o hábito no futuro, sobretudo devido à idade e ao agravamento do seu estado de saúde. “Quando começarmos a adoecer frequentemente, teremos de reduzir o consumo de cigarros para continuarmos saudáveis enquanto estivermos vivos”, afirmou.</p>
<p><strong>Jovens estão entre os principais compradores de cigarros</strong></p>
<p>O elevado consumo de cigarros entre os jovens preocupa Paulina Maria de Araújo, de 23 anos, estudante da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) e vendedora de cigarros na zona do Largo de Lecidere.</p>
<p>Segundo explicou, o Largo de Lecidere é um dos principais pontos de encontro da população para passear, descansar e conviver, o que contribui para o elevado volume de vendas. “Na zona de Largo, muitas pessoas vêm passear, descansar e encontrar-se com amigos. Nessas situações, os consumidores sentem-se mais livres para fumar e comprar cigarros”, afirmou.</p>
<p>Paulina observa que a maioria dos compradores são jovens e considera que o consumo de tabaco se tornou parte da vida social de muitos adolescentes e jovens adultos. “Os jovens compram mais cigarros porque passam muito tempo reunidos com amigos e fumar já se tornou parte da vida social deles”, disse.</p>
<p>A estudante refere ainda que é frequente ver alunos do ensino secundário a comprarem cigarros, normalmente à unidade. “Há também estudantes do secundário que vêm comprar cigarros, normalmente um ou dois cigarros apenas”, revelou.</p>
<p>Na sua opinião, o elevado número de fumadores demonstra que ainda há um longo caminho a percorrer em matéria de educação para a saúde e sensibilização para os riscos associados ao tabaco.</p>
<p><strong>A decisão de abandonar o cigarro</strong></p>
<p>Embora muitos fumadores enfrentem dificuldades para deixar o hábito, há quem consiga dar esse passo.</p>
<p>Carlos Martins, de 27 anos, natural do município de Manufahi, deixou de fumar há quatro meses depois de concluir que o tabaco estava a prejudicar tanto a sua saúde como a sua situação financeira. “Decidi deixar de fumar porque percebi que o cigarro causava grandes impactos na minha saúde e na minha economia”, afirmou.</p>
<p>Segundo explicou, o cigarro fazia parte da rotina diária e estava presente após as refeições, nos encontros com amigos e até durante o trabalho. “Quando não fumava, parecia que ia adoecer. Onde quer que fosse, pensava sempre no cigarro”, recordou.</p>
<p>Carlos garante que a decisão foi inteiramente pessoal. “A decisão de deixar de fumar veio da minha própria consciência. Não houve apoio especial da família nem dos amigos”, afirmou.</p>
<p>Para evitar recaídas, procura substituir o cigarro por café ou rebuçados quando está junto de amigos que continuam a fumar. O ex-fumador considera que a maior vantagem de ter deixado o tabaco foi a redução das despesas e a possibilidade de utilizar o dinheiro noutras necessidades. “Ninguém pode controlar-nos além de nós próprios. O cigarro pode parecer agradável na boca, mas a doença fica escondida dentro do corpo”, alertou.</p>
<p><strong>ANCTTL pede reforço da fiscalização</strong></p>
<p>O diretor da Aliança Nacional para o Controlo do Tabaco de Timor-Leste (ANCTTL), Sancho Fernandes, explicou que a organização trabalha em quatro áreas principais: advocacia junto do Governo, campanhas de sensibilização, investigação e formação de vendedores para o cumprimento da legislação.</p>
<p>“O nosso principal objetivo é reduzir o número de fumadores em Timor-Leste e incentivar aqueles que já deixaram de fumar a não voltarem ao hábito”, afirmou.</p>
<p>Segundo dados da organização, Timor-Leste apresenta uma das mais elevadas taxas de consumo de tabaco da região da ASEAN. Cerca de 40,5% dos adultos fumam e 30,9% das crianças entre os 13 e os 15 anos são fumadoras.</p>
<p>A ANCTTL salienta que estes números representam um dos principais fatores de risco para o aumento das doenças não transmissíveis e das mortes prematuras no país.</p>
<p>Entre os principais desafios identificados estão a dependência provocada pela nicotina, a necessidade de reativar clínicas de cessação tabágica, a escassez de recursos para campanhas de sensibilização e a fraca aplicação da legislação existente.</p>
<p>“Muitas pessoas continuam a fumar nos transportes públicos sem que existam medidas firmes de acordo com a lei. Isto demonstra que a implementação da lei de controlo do tabaco ainda não é eficaz”, afirmou.</p>
<p>A organização alerta igualmente para o facto de muitos menores continuarem a conseguir comprar cigarros facilmente, apesar da proibição legal, e para a persistência da venda de cigarros à unidade em diversos estabelecimentos.</p>
<p>No futuro, a ANCTTL pretende reforçar a utilização das redes sociais para chegar a um maior número de jovens.</p>
<p>Na mensagem final, Sancho Fernandes apelou aos jovens para se manterem afastados do tabaco e das drogas. “Os jovens são o futuro da nação. A saúde é a principal força para construir o país. Cuidem da saúde e afastem-se do cigarro e das drogas para se tornarem uma geração saudável e capaz de contribuir para Timor-Leste”, concluiu.</p>
<p><strong>Ministério da Saúde promete reavaliar o problema</strong></p>
<p>A ministra da Saúde, Élia Amaral, reconheceu que o consumo de tabaco continua a representar um desafio importante para a saúde pública.</p>
<p>“O consumo de tabaco não é apenas um problema em Timor-Leste, mas em todo o mundo. Precisamos analisar melhor como reduzir o hábito de fumar, porque sabemos que o tabaco provoca impactos graves na saúde respiratória. Esta é uma questão que precisamos rever”, afirmou.</p>
<p>A equipa do Diligente tentou igualmente contactar o diretor do departamento responsável pelas doenças transmissíveis e não transmissíveis, mas até ao momento não obteve resposta.</p>
<p><a href="https://www.diligenteonline.com/como-anunciar/" target="_blank" rel="noopener"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-22645 size-full" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/Publicidade-dentro-do-texto-728x90px.png" alt="" width="728" height="90" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/Publicidade-dentro-do-texto-728x90px.png 728w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/06/Publicidade-dentro-do-texto-728x90px-516x64.png 516w" sizes="auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px" /></a></p>
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		<title>Envelhecer em movimento: como os idosos em Timor-Leste mantêm corpo e mente ativos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 12:34:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A atividade física simples, como caminhar e fazer exercícios leves, ajuda os idosos a manter a saúde e a reduzir o risco de doenças. Várias iniciativas em Timor-Leste mostram que programas de exercício direcionados para idosos podem melhorar as condições [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>A atividade física simples, como caminhar e fazer exercícios leves, ajuda os idosos a manter a saúde e a reduzir o risco de doenças. Várias iniciativas em Timor-Leste mostram que programas de exercício direcionados para idosos podem melhorar as condições físicas, mentais e a autonomia dos participantes.</em></p>
<p>“Agora não penso em fazer desporto, porque passo o dia inteiro a carregar cocos para vender, e subir aos coqueiros também já é como fazer exercício. Se ficar apenas em casa a descansar, não tenho força.”</p>
<p>Aos 65 anos, João Filipe, natural de Baucau e residente em Bidau, resume a realidade de muitos idosos em Timor-Leste: o trabalho diário substitui o exercício físico formal. Depois de anos na agricultura e, mais tarde, no comércio de produtos florestais como lenha e legumes, diz que nunca teve tempo para praticar desporto e que o esforço diário já é, por si só, atividade física suficiente.</p>
<p>“Antes, quando ainda vivia numa zona remota, trabalhava na agricultura, mas agora, com as chuvas irregulares, a produção já não é boa e não há colheitas. Esta é a atividade física que pratico”, explica.</p>
<p>Apesar da rotina intensa, João admite que não participa em atividades organizadas de exercício físico. O trabalho diário ocupa todo o seu tempo e energia. “Se ficar apenas em casa a descansar, não tenho força”, reforça.</p>
<p>Também gostaria de participar em programas para idosos, mas considera que a falta de tempo é o principal obstáculo. “Gostava de participar em atividades físicas para idosos, se houvesse, mas não tenho tempo. A vida de cada pessoa é diferente.”</p>
<p>Esta realidade não é exceção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sublinha que a atividade física é essencial para um envelhecimento saudável, ajudando a prevenir doenças cardiovasculares, diabetes, problemas de mobilidade e contribuindo para a saúde mental.</p>
<p>No entanto, a OMS lembra também que não é necessário exercício formal: atividades do dia a dia, como caminhar, trabalhar na terra, vender produtos ou realizar tarefas domésticas, também contam como movimento físico benéfico, sobretudo quando são regulares.</p>
<p>Em muitas comunidades timorenses, sobretudo rurais, essa distinção é ténue. O trabalho diário continua a ser a principal forma de atividade física, especialmente entre os idosos.</p>
<p>Teresa Jacinta de Fátima Soares (64 anos), vendedora de comida em Caicoli, vive uma rotina semelhante. Acorda diariamente por volta das 04h00 para preparar e vender alimentos.</p>
<p>“De manhã cedo faço atividades em casa, porque acordo às quatro horas para preparar comida para vender. Isto também pode ser considerado um tipo de exercício”, afirma.</p>
<p>Para Teresa, o movimento constante ao longo do dia substitui qualquer prática formal de desporto. “O exercício é importante, mas a minha vida diária já é uma forma de atividade”, acrescenta.</p>
<p>Entre estas realidades de esforço diário e ausência de programas formais, surgem também iniciativas comunitárias que procuram transformar o envelhecimento ativo numa prática estruturada de saúde.</p>
<p><strong>Becora: quando o exercício deixa de ser sobrevivência e passa a ser cuidado</strong></p>
<p>Em Becora, Díli, um programa comunitário iniciado em 2022 tem vindo a mudar a forma como os idosos encaram a atividade física.</p>
<p>Maria de Fátima Ximenes Dias, coordenadora do programa, explica que a iniciativa nasceu da preocupação com o estado de saúde da comunidade. Sem financiamento específico, envolve a Igreja, profissionais de saúde e académicos.</p>
<p>No início, muitos idosos apresentavam dores nas pernas e mãos, hipertensão e dificuldades de mobilidade. A equipa começou por realizar rastreios clínicos e, depois, introduziu exercícios leves adaptados às condições de cada participante. “A maioria deles tem problemas como dores nas pernas, tensão arterial elevada e dificuldade em se movimentar”, explica.</p>
<p>As sessões são semanais e têm mostrado resultados positivos: melhoria da pressão arterial, maior mobilidade e melhor compreensão sobre hábitos de vida saudável. “Agora a saúde deles está melhor e também compreendem melhor o que é bom para comer e fazer para o corpo”, refere.</p>
<p>Para além dos efeitos físicos, Maria destaca mudanças sociais importantes. Muitos idosos, antes isolados, passaram a interagir mais e a sentir-se mais ativos. “Não devemos esperar apenas pelo Governo. Toda a comunidade deve ter iniciativa para desenvolver atividades como esta”, afirma.</p>
<p>O programa de Becora conta também com o apoio da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL). José Alberto Lopes, professor convidado internacional da UNTL, explica que se trata de um projeto-piloto iniciado em 2022, em cooperação com profissionais de saúde de Cuba.</p>
<p>Antes de iniciarem os exercícios, os participantes são avaliados clinicamente, incluindo medição da pressão arterial e análise da condição física. Esses dados são usados para adaptar os exercícios a cada pessoa. “Quando têm pressão arterial elevada ou outras doenças, essa informação é utilizada para adaptar os exercícios à condição de cada um”, explica.</p>
<p>O programa conta atualmente com cerca de 27 participantes, todos de uma zona de Becora, e realiza sessões semanais com exercícios simples e adaptados.</p>
<p>Segundo José Alberto Lopes, os resultados são significativos. “Alguns dizem que agora a vida deles é como se fosse uma nova vida, e já não precisam de ir ao médico todas as semanas como antes.”</p>
<p>Há também registos de redução da dependência de medicamentos em alguns casos, com base na monitorização feita em conjunto com o setor da saúde.</p>
<p>O professor sublinha que este programa não deve permanecer apenas como um projeto-piloto numa única zona, defendendo a sua expansão a outras regiões de Timor-Leste, para que mais idosos possam beneficiar.</p>
<p>Segundo ele, essa expansão requer apoio intersectorial e um compromisso conjunto entre instituições de ensino, saúde e autoridades locais. “O objetivo do Departamento de Desporto é promover a atividade física, mas também trabalhamos de forma autónoma. Mesmo sendo apenas um projeto, podemos implementá-lo em muitos bairros e municípios. Queremos mostrar aos decisores e ao Governo que é necessário dar atenção às pessoas idosas”, afirmou.</p>
<p>Jacinta do Rosário (62 anos), residente em Becusi Centro, Díli, confirma os efeitos positivos do programa. Antes sofria de hipertensão e colesterol elevado. Com medicação e acompanhamento, a sua condição melhorou, mas foi com o exercício físico que sentiu uma mudança mais significativa.</p>
<p>“Além da tensão, também tinha colesterol. Deram-me medicação duas vezes por dia e o colesterol desapareceu”, afirma. Hoje continua a participar nas atividades. “Agora, a tensão já baixou e o colesterol também. Continuo a participar nas atividades.”</p>
<p><strong>Governo reconhece importância crescente da atividade física na saúde pública</strong></p>
<p>Do ponto de vista do Governo, este programa está alinhado com os esforços de promoção da saúde pública. É visto não apenas como um benefício para a saúde individual, mas também como um contributo para a redução da pressão sobre os serviços de saúde.</p>
<p>Segundo as autoridades governamentais, a colaboração entre instituições de ensino, profissionais de saúde e a comunidade é um fator essencial para garantir a continuidade deste tipo de programas.</p>
<p>O ministro da Juventude, Desporto, Artes e Cultura, Nélio Isaac Sarmento, afirmou que o programa de atividade física para idosos em Becora dá continuidade a uma iniciativa anteriormente desenvolvida quando ainda estava ligado à Secretaria de Estado da Juventude e Desporto. Explicou que, na altura, o Governo apoiou a presença de especialistas cubanos no desporto, que trabalharam em conjunto com o Departamento de Desporto da UNTL.</p>
<p>Segundo o governante, estes especialistas não se focavam apenas no treino desportivo, mas também possuíam competências em fisioterapia, conseguindo responder às necessidades específicas dos idosos.</p>
<p>“Eu também estive envolvido nesta atividade, que contou com professores de desporto de Cuba em conjunto com a equipa”, afirmou. “O programa já demonstrou resultados concretos, especialmente na melhoria da condição física dos participantes, tendo a sua continuidade sido posteriormente assegurada pela UNTL”, frisou.</p>
<p>Sublinhou também que, para expandir este tipo de iniciativas, é necessária a participação de diferentes entidades, não devendo depender apenas de uma instituição. “Para realizar noutros locais, é preciso iniciativa de diferentes partes e depois avaliar a necessidade”, explicou.</p>
<p>Entretanto, o vice-ministro do Fortalecimento Institucional da Saúde, José dos Reis Magno, explicou que os programas de exercício físico para idosos devem ser desenhados de forma específica, tendo em conta que as suas condições físicas são diferentes das dos jovens.</p>
<p>Reforçou que os idosos não podem ser submetidos aos mesmos métodos de treino aplicados aos jovens, devido às limitações associadas à idade. “O exercício para idosos tem de ser específico, não pode ser como o dos jovens, que têm força para saltar, correr ou fazer movimentos intensos”, afirmou.</p>
<p>Segundo José dos Reis Magno, em Timor-Leste a categoria de idoso começa geralmente aos 60 anos, coincidindo com a idade da reforma. Por isso, considera necessária uma abordagem mais cuidadosa e estruturada nas atividades físicas destinadas a este grupo.</p>
<p>Destacou também a importância de instrutores com formação específica para trabalhar com idosos, de modo a evitar riscos para a saúde. “Tem de haver instrutores treinados especificamente para idosos, para não causar problemas ou riscos à sua saúde”, acrescentou.</p>
<p>Recomendou que a população pratique atividade física regularmente, pelo menos duas a três vezes por semana, privilegiando exercícios leves como caminhar. “Podemos escolher o estilo de vida que quisermos, mas devemos preocupar-nos com a nossa saúde. O ideal é fazer exercício físico duas ou três vezes por semana, pelo menos caminhar um pouco. Mesmo sem correr, é importante manter o corpo ativo. Também é preciso descansar bem e não ficar demasiado tempo acordado”, afirmou.</p>
<p>A realidade dos idosos em Timor-Leste revela dois caminhos paralelos: o movimento imposto pelo trabalho diário, que muitas vezes substitui o exercício formal, e os programas comunitários estruturados, que procuram promover saúde preventiva e envelhecimento ativo.</p>
<p>Enquanto João e Teresa representam a dimensão do esforço diário como forma de sobrevivência, iniciativas como a de Becora mostram uma abordagem diferente, mais orientada para o cuidado da saúde, prevenção e acompanhamento clínico.</p>
<p>Apesar das diferenças, ambas as realidades convergem num ponto essencial: manter o corpo em movimento continua a ser fundamental para envelhecer com dignidade e saúde.</p>
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		<title>Trabalho precário, pressão e saúde mental esquecida: que país revela o 1 de maio?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 10:10:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num contexto de baixos salários, trabalho precário e fraca aplicação da legislação laboral, o Dia Internacional do Trabalhador expôs em Timor-Leste um cenário de pressão no emprego, falhas na segurança no trabalho e ausência de respostas estruturadas para a saúde [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Num contexto de baixos salários, trabalho precário e fraca aplicação da legislação laboral, o Dia Internacional do Trabalhador expôs em Timor-Leste um cenário de pressão no emprego, falhas na segurança no trabalho e ausência de respostas estruturadas para a saúde mental, num problema que sindicatos, trabalhadores e especialistas apontam como estrutural e ainda longe de ser resolvido</em><em>.</em></p>
<p>“Quando estamos a trabalhar, por vezes enfrentamos atitudes de raiva por parte do patrão ou do gerente, e sentimo-nos inseguros.”</p>
<p>O relato é de Rosita Maia Gonçalves, trabalhadora numa loja em Díli, e reflete uma realidade comum a muitos timorenses: pressão no trabalho, baixos salários e ausência de apoio num contexto em que o emprego continua a ser escasso e precário.</p>
<p>Num país onde o salário mínimo se mantém nos 115 dólares americanos há 14 anos, o desemprego continua elevado e muitos jovens optam pela emigração, as condições de trabalho permanecem um desafio estrutural. Em vários setores, há relatos de salários em atraso, precariedade e até situações de assédio moral e sexual, num cenário que expõe fragilidades profundas no mercado laboral timorense.</p>
<p>A celebração do Dia Internacional do Trabalhador em Timor-Leste tornou-se, este ano, um momento de reflexão sobre as condições laborais no país, em particular no que diz respeito à pressão no trabalho, à fraca implementação das normas de saúde e segurança e à ainda limitada atenção dada à saúde mental nos locais de trabalho.</p>
<p>De acordo com o artigo 20.º, alínea a), da Lei do Trabalho, relativo aos deveres do empregador, este deve garantir condições adequadas para o exercício das funções, tanto a nível físico como moral, assegurando a saúde, higiene e segurança dos trabalhadores.</p>
<p>Apesar deste enquadramento legal, persistem lacunas na sua aplicação. Alguns trabalhadores admitem não ter informação suficiente sobre saúde mental e, em certos casos, recusaram prestar declarações por desconhecerem a importância do tema no contexto laboral. Também no setor público houve recusas de participação, devido à ausência de autorização superior.</p>
<p>No seu quotidiano como trabalhadora numa loja na zona de Kampung Baru, Rosita Maia Gonçalves relatou enfrentar, por vezes, atitudes hostis por parte de superiores e clientes, o que afeta o seu bem-estar no trabalho.</p>
<p>A trabalhadora explica que, apesar dessas situações, é obrigada a manter um atendimento adequado, falando de forma educada mesmo perante comportamentos agressivos por parte dos clientes.</p>
<p>Além disso, Rosita revelou sentir frequentemente medo e pressão em situações emocionalmente exigentes no local de trabalho, procurando gerir essas emoções através do apoio dos colegas.</p>
<p>“Sinto medo quando há alguma situação emocional, por isso comunico sempre com os meus colegas para aliviar o nervosismo. Quando surge algum problema, faço isso para conseguir continuar a realizar o meu trabalho de forma adequada”, afirmou.</p>
<p>Acrescenta ainda que procura estar sempre preparada para lidar com os desafios diários e encontrar soluções que permitam manter o funcionamento normal do trabalho.</p>
<p>Entretanto, ao nível empresarial, o gerente da 99 Patrol Station, Adelino Gonzaga, afirmou que todos os trabalhadores da empresa receberam formação básica em segurança no trabalho, nomeadamente em primeiros socorros.</p>
<p>Explicou que essa formação visa garantir uma resposta rápida em caso de acidentes ou emergências, permitindo prestar assistência imediata e encaminhar os trabalhadores para o hospital.</p>
<p>“Na nossa empresa, já seguimos formação sobre primeiros socorros, para que possamos ajudar rapidamente os trabalhadores que sofram algum acidente ou situação de emergência e encaminhá-los para o hospital”, disse.</p>
<p>Ainda assim, reconheceu que a empresa não dispõe, até ao momento, de um programa específico de apoio à saúde mental.</p>
<p>Segundo Adelino Gonzaga, não foram registadas queixas formais relacionadas com saúde mental, embora a empresa procure responder a situações de pressão através da concessão de licenças.</p>
<p>“Mas, no que diz respeito à saúde mental, não temos esse programa e ainda não recebemos queixas dos trabalhadores sobre esta questão. No entanto, concedemos licenças quando os trabalhadores se sentem sob pressão ou têm problemas pessoais, sendo importante a justificação apresentada”, acrescentou.</p>
<p>Por outro lado, o gestor de vendas da IOD Lorosae, Hary Agusa, destacou a importância do apoio à saúde mental no ambiente de trabalho.</p>
<p>Explicou que a empresa promove regularmente sessões de partilha, a cada dois ou três meses, como forma de reforçar o bem-estar dos trabalhadores. Além disso, organiza encontros semanais para fortalecer as relações entre colegas.</p>
<p>“O apoio à saúde mental é muito importante. Na nossa empresa, a cada dois ou três meses fazemos sessões de partilha e, todos os sábados, convidamos os trabalhadores para jantarem juntos e partilharem o que sentem”, afirmou.</p>
<p>Segundo Hary Agusa, até ao momento não foram registadas queixas relacionadas com saúde mental, sendo prioridade da empresa manter um ambiente de trabalho confortável e positivo.</p>
<p>Apesar de algumas iniciativas pontuais por parte de empresas, os testemunhos recolhidos e as práticas observadas no terreno revelam que estes esforços ainda estão longe de responder aos desafios estruturais do mercado de trabalho em Timor-Leste.</p>
<p><strong>Segurança no trabalho falha no terreno e saúde mental continua negligenciada nas empresas</strong></p>
<p>O presidente da Confederação dos Sindicatos dos Trabalhadores de Timor-Leste (CSTL), Almério Vilanova, destacou que muitas empresas continuam sem implementar de forma adequada sistemas de segurança e saúde no trabalho.</p>
<p>Segundo explicou, a legislação sobre segurança, saúde e higiene no trabalho foi promulgada pelo Presidente da República há cerca de dois anos. No entanto, considera que o Governo ainda não assegurou uma divulgação eficaz da sua aplicação junto das entidades empregadoras.</p>
<p>“Vemos que muitas empresas ainda não implementam adequadamente a segurança e saúde no local de trabalho, porque a lei foi promulgada há apenas cerca de dois anos, e o Governo ainda não realizou uma divulgação eficaz sobre a sua aplicação”, afirmou Almério Vilanova.</p>
<p>Com base nas observações da CSTL, os acidentes de trabalho continuam a ocorrer, tendo já resultado em mortes e incapacidades, com impacto significativo na saúde dos trabalhadores.</p>
<p>No que diz respeito à saúde mental, o responsável sublinhou que se trata de uma dimensão fundamental, mas ainda pouco valorizada no contexto laboral em Timor-Leste.</p>
<p>Afirmou que os trabalhadores enfrentam frequentemente situações de pressão e stress no local de trabalho, sendo necessário garantir apoio e mecanismos de recuperação para assegurar o seu desempenho.</p>
<p>“A saúde mental é muito importante, porque os trabalhadores enfrentam sempre stress ou pressão no local de trabalho, por isso é necessária a recuperação da sua saúde mental”, disse.</p>
<p>Segundo Almério Vilanova, a saúde mental deve ser entendida como parte integrante do bem-estar geral dos trabalhadores, uma vez que condições laborais inadequadas afetam diretamente o seu estado psicológico.</p>
<p>Defendeu ainda que tanto o Governo como as empresas devem promover ambientes de trabalho mais saudáveis, incluindo a criação de espaços de apoio para trabalhadores sujeitos a elevados níveis de pressão.</p>
<p>Por sua vez, o Secretário de Estado da Formação Profissional e Emprego (SEFOPE), Rogério Araújo Mendonça, afirmou que os trabalhadores que enfrentem situações de pressão ou ameaças no local de trabalho devem apresentar queixa às autoridades competentes.</p>
<p>Explicou que as denúncias podem ser dirigidas ao SEFOPE ou à Inspeção-Geral do Trabalho (IGT), sendo posteriormente encaminhadas para a Direção Nacional do Trabalho para efeitos de inspeção. “Os trabalhadores que sentirem pressão no local de trabalho devem apresentar queixa ao SEFOPE e à IGT para que sejam tomadas medidas”, afirmou.</p>
<p>Ainda assim, referiu que, até ao momento, não foram registadas queixas formais relacionadas com este tipo de situações.</p>
<p>Apesar disso, reforçou que os trabalhadores devem continuar a denunciar eventuais casos de pressão ou injustiça laboral, sublinhando a importância de utilizar os mecanismos legais disponíveis.</p>
<p>A questão da saúde mental no trabalho surge num contexto mais amplo de fragilidade dos serviços de apoio psicológico no país. Em Timor-Leste, o acesso a cuidados de saúde mental é limitado, com poucos recursos disponíveis e uma forte persistência de estigmas sociais, onde muitas situações continuam a ser associadas a crenças como feitiçaria ou maldições.</p>
<p>No Hospital Nacional Guido Valadares, existem apenas algumas dezenas de camas destinadas à saúde mental, a que se junta um centro em Laclubar com capacidade igualmente limitada, o que evidencia as dificuldades de resposta a nível nacional.</p>
<p>Neste contexto, especialistas defendem que ignorar a saúde mental no trabalho é agravar um problema que já é estrutural no país.</p>
<p><strong>Saúde mental no trabalho: fator decisivo para produtividade, mas ainda desvalorizado</strong></p>
<p>O psicólogo Alessandro Boarccaech sublinhou que o trabalho desempenha um papel central na vida das pessoas, não apenas como fonte de rendimento, mas também como espaço de identidade, pertença e realização pessoal.</p>
<p>No entanto, alertou que, quando o ambiente laboral é marcado por pressão excessiva, conflitos não resolvidos ou ausência de apoio, os efeitos ultrapassam o local de trabalho, refletindo-se na vida familiar, na saúde e no bem-estar dos trabalhadores.</p>
<p>“O trabalho ocupa uma parte importante da vida de qualquer pessoa. Quando esse espaço é marcado por pressão excessiva ou falta de apoio, as consequências não ficam apenas no local de trabalho, estendem-se à vida pessoal e à saúde”, afirmou.</p>
<p>O psicólogo explicou que a ausência de apoio psicológico não cria necessariamente novos problemas, mas dificulta a sua identificação e tratamento atempado, podendo contribuir para o desenvolvimento de situações como <em>burnout</em>, ansiedade, depressão, perturbações do sono e até problemas físicos associados ao stress, como dores de cabeça e dificuldades digestivas.</p>
<p>“A falta de apoio não significa que os problemas não existam, significa apenas que não estão a ser tratados. E isso pode agravá-los”, acrescentou.</p>
<p>Segundo Alessandro Boarccaech, a pressão excessiva no trabalho tem impacto direto no desempenho dos trabalhadores, reduzindo a concentração, prejudicando a tomada de decisões e limitando a criatividade e a capacidade de resolução de problemas.</p>
<p>“Quando uma pessoa está sob pressão constante, a sua capacidade de pensar com clareza diminui. Isso afeta diretamente a produtividade”, afirmou.</p>
<p>O especialista destacou ainda o fenómeno do “presentismo”, em que o trabalhador está fisicamente presente, mas não consegue desempenhar as suas funções de forma eficaz. “Estar presente não significa estar produtivo. Muitas vezes, o trabalhador está no local de trabalho, mas mentalmente exausto ou desligado”, explicou.</p>
<p>Sublinhou que a promoção da saúde mental deve ser também uma responsabilidade das entidades empregadoras, através da criação de ambientes de trabalho seguros, equilibrados e humanizados.</p>
<p>“Trabalhadores com boa saúde mental são mais estáveis, mais focados e mais produtivos. Isto não é apenas uma questão individual — é também uma questão organizacional”, afirmou.</p>
<p>Ainda assim, alertou para os desafios existentes em Timor-Leste, nomeadamente o estigma e a falta de conhecimento sobre o apoio psicológico, que levam muitos trabalhadores a evitar procurar ajuda por receio de consequências no trabalho.</p>
<p>“Muitas pessoas ainda têm medo de procurar apoio psicológico, porque pensam que isso pode afetar a sua posição profissional. Esse estigma continua a ser um grande obstáculo”, disse.</p>
<p>Reforçou, contudo, que o acompanhamento psicológico é confidencial e regido por princípios éticos rigorosos. “Todo o psicólogo trabalha com o compromisso ético da confidencialidade. O que é partilhado numa consulta não pode ser divulgado”, garantiu.</p>
<p>Acrescentou ainda que muitos problemas que surgem no contexto laboral têm origem em questões pessoais ou familiares, o que torna essencial a intervenção precoce.</p>
<p>“Muitas vezes, o que se manifesta no trabalho tem origem fora dele. Por isso, o apoio psicológico é fundamental para prevenir que pequenas dificuldades se transformem em problemas mais graves”, concluiu.</p>
<p>Num contexto em que trabalhadores relatam pressão, sindicatos denunciam falhas na aplicação da lei e especialistas alertam para riscos crescentes, a saúde mental surge como uma dimensão incontornável do debate laboral em Timor-Leste.</p>
<p>Num país marcado por baixos salários, desemprego, fragilidades institucionais e acesso limitado a cuidados de saúde mental, o debate sobre o bem-estar no trabalho levanta questões mais profundas sobre o modelo laboral e social em Timor-Leste.</p>
<p>Mais do que assinalar o Dia do Trabalhador, os testemunhos, dados e alertas reunidos apontam para um problema estrutural que vai além das empresas e das leis.</p>
<p>Perante este cenário, a questão impõe-se: será possível falar de produtividade e bem-estar no trabalho quando as condições básicas de dignidade laboral e apoio social continuam por garantir?</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>VIH em Timor-Leste: medo, estigma e práticas que afastam doentes dos serviços de saúde</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2026 08:25:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Embora o número de casos de VIH em Timor-Leste seja relativamente baixo, as pessoas que vivem com VIH continuam a enfrentar desafios que vão muito além do tratamento médico. O estigma social e a discriminação persistem e condicionam profundamente as [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Embora o número de casos de VIH em Timor-Leste seja relativamente baixo, as pessoas que vivem com VIH continuam a enfrentar desafios que vão muito além do tratamento médico. O estigma social e a discriminação persistem e condicionam profundamente as suas vidas, incluindo o acesso seguro e aberto aos serviços de saúde.</em></p>
<p>Em Timor-Leste, há pessoas que escondem o diagnóstico de VIH da própria família por medo de serem rejeitadas, e há casos em que o seu estado de saúde é revelado sem consentimento ou até testado sem que saibam.</p>
<p>Num país onde a prevalência do VIH é baixa, o estigma continua a ser um dos maiores obstáculos e pode estar a afastar doentes dos serviços de saúde, embora tenha registado uma tendência de aumento nos últimos anos.</p>
<p>Dados de 2023 indicam cerca de 1.742 casos numa população de aproximadamente 1,34 milhões de habitantes, o que corresponde a uma prevalência de cerca de 0,2%. Apesar de o valor ser reduzido, o aumento de novos casos tem gerado preocupação no sistema nacional de saúde.</p>
<p>Esta realidade mostra que os desafios do VIH no país não se limitam ao número de infeções, mas estão também profundamente ligados a fatores sociais que influenciam a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento.</p>
<p><strong>Estudo revela impacto profundo do estigma na vida das pessoas com VIH</strong></p>
<p>Estas conclusões são reforçadas pelo relatório <em>The People Living with HIV Stigma Index 2.0 Timor-Leste 2024</em>, elaborado pela Estrela+, com o apoio da UNFPA, da Menzies School of Health Research e do Ministério da Saúde de Timor-Leste. O estudo envolveu 263 pessoas que vivem com VIH (PVVIH) em várias regiões do país e dá voz direta às suas experiências.</p>
<p>Apesar dos esforços de resposta à doença, o relatório evidencia que o estigma social continua a ser um dos principais desafios.</p>
<p>Cerca de 17,9% dos inquiridos afirmaram ter sido vítimas de estigma e discriminação, incluindo rumores sobre o seu estado de saúde, exclusão social e abuso verbal, tanto no seio familiar como na comunidade.</p>
<p>As mulheres são as mais afetadas, representando 73,1% dos casos de discriminação reportados. Para além do estigma social, enfrentam também rejeição no emprego, exclusão de atividades sociais e religiosas e, em alguns casos, violência doméstica.</p>
<p>Alguns participantes relataram ter sido afastados pelas próprias famílias após revelarem o seu diagnóstico, devido ao medo de transmissão, apesar de, do ponto de vista médico, o VIH não se transmitir através do contacto social comum.</p>
<p><strong>Estigma interiorizado leva ao isolamento e ao silêncio</strong></p>
<p>O impacto do estigma não se limita à sociedade. O estudo revela que 82,1% dos inquiridos sofrem de estigma interiorizado, manifestado através de vergonha, medo, culpa e sentimentos de desvalorização.</p>
<p>Esta realidade leva muitas pessoas a esconderem o seu estado de saúde, mesmo de familiares próximos, receando rejeição e discriminação.</p>
<p>O estigma e o medo associados ao VIH têm também consequências diretas na saúde das pessoas, afetando a adesão ao tratamento antirretroviral (ARV).</p>
<p>Segundo o relatório, 75% dos inquiridos falharam pelo menos uma toma de medicação nos últimos 12 meses, sendo o principal motivo o receio de que o seu estatuto serológico seja descoberto.</p>
<p>Alguns participantes admitiram mesmo ter adiado o início do tratamento ou interrompido a terapêutica devido ao medo do estigma.</p>
<p>O investigador principal do VIH do Menzies, Lourenço da Costa Ico, sublinha a importância do acesso aos ARV, que podem aumentar significativamente a esperança de vida dos pacientes.</p>
<p>Contudo, alerta para outro problema crítico: a adesão ao tratamento. “A resistência pode surgir devido a alterações no vírus, seja por transmissão ou durante o tratamento, como resultado de baixa adesão”, explicou.</p>
<p>Os dados mostram que 77,2% dos participantes apresentam supressão viral eficaz, ou seja, níveis muito baixos de vírus no organismo, mas cerca de 10% não seguem o tratamento de forma regular. Além disso, 13% apresentam mutações associadas à resistência aos medicamentos, o que pode exigir ajustes terapêuticos.</p>
<p><strong>Confidencialidade em risco: mais de 20% relatam violação de privacidade</strong></p>
<p>A confidencialidade dos dados clínicos continua a ser uma preocupação central. Mais de 20% dos inquiridos afirmaram que o seu estatuto de VIH foi divulgado sem consentimento, incluindo casos envolvendo profissionais de saúde.</p>
<p>Embora este valor seja inferior ao registado anteriormente, continua a ser um problema sensível com impacto na saúde mental dos pacientes. “Os participantes relataram insultos e forte pressão psicológica. Muitas vezes, existe a ideia de que o VIH mata, o que apenas aumenta o medo”, afirmou Inês Lopes, da Estrela+.</p>
<p>Acrescentou ainda a importância de melhorar a informação e a educação, de forma clara, para evitar confusões e o medo de fazer testes, o que pode levar à perda de acesso ao tratamento, apenas devido ao estigma associado a palavras como ‘doença grave’ ou ‘doença incurável’, que fazem com que as pessoas evitem procurar serviços de saúde.</p>
<p>Além disso, a questão da confidencialidade do estatuto de VIH voltou a ser destacada. Segundo ela, já existem vários estudos sobre este tema, e os resultados indicam a necessidade de melhorias por parte dos parceiros envolvidos.</p>
<p>“Já existem três estudos sobre este assunto, e esses estudos mostram claramente que precisamos de melhorias, porque por vezes não fornecemos informação suficiente às pessoas que testam positivo antes de lhes comunicar o resultado”, acrescentou.</p>
<p><strong>Educação sexual ainda limitada e influenciada por barreiras culturais</strong></p>
<p>Outro fator relevante é a falta de educação sexual adequada e a influência das normas sociais e culturais.</p>
<p>Segundo o relatório, 46% das pessoas com VIH têm o ensino secundário, 22,1% têm formação universitária e o restante apenas ensino básico ou sem escolaridade formal.</p>
<p>Para Inês Lopes, existe ainda uma grande lacuna no conhecimento sobre saúde sexual. “Continua a haver um problema na educação sexual, porque a transmissão continua a aumentar devido à falta de conhecimento sobre relações seguras e responsáveis”, afirmou.</p>
<p>Esta informação não demonstra uma relação direta entre o nível de escolaridade e o risco de infeção por HIV, mas oferece uma visão sobre o contexto social dos participantes incluídos no estudo.</p>
<p>Apesar de o currículo de educação sexual já estar aprovado, a sua implementação ainda não é efetiva nas escolas.</p>
<p>O coordenador-geral do currículo, João Maupelo, “temas como a prevenção do HIV e o uso de contracetivos chegaram a ser rejeitados por alguns setores, incluindo instituições religiosas o que obriga a uma implementação gradual.”</p>
<p>A Igreja Católica também tem desempenhado um papel no apoio às pessoas com VIH. O padre Bernardo Paiva explica que, através da Cáritas, são desenvolvidas ações de acompanhamento social. “Procuramos ajudar a comunidade a compreender que estas pessoas devem ser vistas com a mesma dignidade humana”, afirmou.</p>
<p><strong>Casos recentes em Covalima levantam debate sobre ética e consentimento na testagem do VIH</strong></p>
<p>Casos recentes em Covalina expõem uma realidade mais grave: em Timor-Leste, há relatos de <a href="https://www.diligenteonline.com/testes-de-vih-sem-consentimento-em-covalima-diretor-de-saude-admite-que-pacientes-nao-podem-saber-juristas-consideram-pratica-ilegal/">testes de VIH realizados sem consentimento dos pacientes</a>, uma prática considerada ilegal por juristas e contrária às normas internacionais.</p>
<p>De acordo com uma investigação recente, o Serviço de Saúde de Covalima terá instruído a realização de testes de VIH a todos os pacientes que recorrem aos centros de saúde, sem que estes sejam informados de que estão a ser submetidos ao rastreio. A prática foi confirmada pelo próprio diretor do serviço, que justificou a medida com a necessidade de deteção precoce da doença, apesar de admitir que os pacientes não são informados. O próprio diretor do serviço, Domingos Sequeira, admitiu que os pacientes “não podem saber” que estão a ser testados.</p>
<p>A situação foi fortemente criticada por juristas e organizações de direitos humanos, que consideram que a prática viola direitos fundamentais como a integridade física, a privacidade e o consentimento informado, além de contrariar as recomendações da Organização Mundial da Saúde.</p>
<p>Numa segunda notícia relacionada, Daniel Marçal, <a href="https://www.diligenteonline.com/testes-de-vih-feitos-as-escondidas-em-covalima-tem-apoio-total-do-presidente-do-incsida/">presidente do INCSIDA, afirmou “aceitar 100%” a prática de testagem sem consentimento em Covalima</a>, defendendo-a como uma estratégia de saúde pública para aumentar a deteção de casos. A posição gerou controvérsia, uma vez que entra em conflito com princípios éticos internacionais e com as próprias orientações da OMS, que exigem consentimento informado e aconselhamento prévio.</p>
<p>Estes dois casos reabriram o debate sobre os limites entre políticas de saúde pública e direitos individuais, num contexto em que especialistas sublinham que a falta de confiança nos serviços de saúde pode precisamente reduzir a adesão voluntária aos testes e ao tratamento.</p>
<p><strong>Governo reforça compromisso com acesso à saúde e privacidade</strong></p>
<p>O Governo destaca a importância de garantir igualdade no acesso aos cuidados de saúde e o respeito pela confidencialidade dos pacientes.</p>
<p>O Ministro da Justiça, Sérgio de Jesus Fernandes da Costa Hornai, afirmou que “todos os profissionais devem respeitar a ética deontológica e o profissionalismo, sobretudo na proteção da privacidade dos pacientes, que não pode ser divulgada, uma vez que existem regras e padrões internacionais que devem ser seguidos”, afirmou.</p>
<p>A vice-ministra da Solidariedade Social e Inclusão, Céu Brites, acrescentou que o Governo continua a apoiar programas de assistência a grupos afetados pelo VIH. “Trabalhamos em conjunto com o setor da saúde e também com o INCSIDA, enquanto instituição responsável nesta área”, acrescentou.</p>
<p>Num contexto em que o VIH já não é uma sentença de morte, mas continua a ser tratado como um tabu, o maior desafio pode não estar no vírus, mas na forma como a sociedade e as instituições lidam com ele.</p>
<p>Enquanto persistirem o medo, o silêncio e práticas que colocam em causa os direitos dos pacientes, o combate ao VIH em Timor-Leste continuará a enfrentar um obstáculo invisível, mas profundamente enraizado.</p>
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