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	<title>Educação - DILIGENTE</title>
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	<description>Consultório da língua</description>
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	<title>Educação - DILIGENTE</title>
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		<title>Ensino do português em Timor-Leste em debate: especialistas defendem novas estratégias pedagógicas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 11:25:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Especialistas, docentes e estudantes reuniram-se em Díli para debater estratégias de melhoria do ensino do português como língua não materna, num seminário dedicado à planificação pedagógica e às práticas em sala de aula. O encontro, intitulado “Da Planificação à Sala [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Especialistas, docentes e estudantes reuniram-se em Díli para debater estratégias de melhoria do ensino do português como língua não materna, num seminário dedicado à planificação pedagógica e às práticas em sala de aula.</em></p>
<p>O encontro, intitulado “Da Planificação à Sala de Aula: Práticas no Ensino da Língua Portuguesa”, foi organizado pelo Centro de Língua Portuguesa (CLP) da Universidade Nacional Timor-Lorosa’e (UNTL), entre 11 e 12 de maio de 2026, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa.</p>
<p>Na abertura do seminário, a diretora do CLP, Ana Guterres, destacou que, nos dias anteriores, a instituição promoveu diversas atividades culturais e científicas em diferentes espaços, incluindo exposições, sessões de cinema e concertos.</p>
<p>Segundo a responsável, o seminário integrou esse conjunto de iniciativas e reforça o compromisso do CLP com a promoção e o ensino da língua portuguesa em Timor-Leste. Destacou ainda a realização de uma oficina pedagógica dirigida a estudantes finalistas e a docentes de português como língua não materna no ensino superior.</p>
<p>“O objetivo é criar um espaço de partilha de experiências, reflexão conjunta e análise crítica das práticas pedagógicas. Através deste processo, os participantes enriquecem-se profissionalmente e tornam-se mais capazes de responder aos desafios do ensino da língua portuguesa em Timor-Leste”, afirmou.</p>
<h3><strong>UNTL defende articulação entre teoria e prática</strong></h3>
<p>O reitor da UNTL, Joviano da Costa, considerou o seminário relevante para a formação de docentes e para o desenvolvimento do conhecimento científico no ensino da língua portuguesa no país.</p>
<p>Sublinhou que o maior desafio não está apenas na elaboração de planos e metodologias, mas na sua aplicação em contexto real de sala de aula.</p>
<p>“O verdadeiro desafio não termina na reflexão académica nem na elaboração de programas. Começa quando conseguimos transformar essas ideias em práticas pedagógicas, ajustadas às realidades concretas da sala de aula em todo o país”, afirmou.</p>
<p>O reitor destacou ainda a importância da cooperação entre instituições e defendeu uma visão pluricêntrica da língua portuguesa, sublinhando que a diversidade entre países lusófonos não fragiliza a língua, antes a fortalece.</p>
<p>Referiu também a necessidade de articulação entre diferentes estruturas da universidade, como o Departamento de Ensino da Língua Portuguesa, o CLP, o mestrado em ensino de português e outras unidades académicas.</p>
<p>“Precisamos de mais investigação, produção científica, materiais pedagógicos adaptados à realidade local e de continuar a formar docentes qualificados”, afirmou.</p>
<h3><strong>Língua portuguesa entre identidade, memória e espaço público</strong></h3>
<p>Na conferência inaugural, subordinada ao tema “O português como língua de ensino e ciência no espaço lusófono”, o Provedor dos Direitos Humanos e Justiça (PDHJ), Virgílio Guterres, destacou o papel da língua portuguesa na construção da identidade e na preservação da memória coletiva.</p>
<p>Citando Fernando Pessoa, o orador sublinhou que a frase “A minha pátria é a língua portuguesa” deve ser entendida como uma afirmação cultural e literária, mais do que política ou geográfica.</p>
<p>Durante a sua intervenção, Virgílio Guterres lembrou o período de ocupação indonésia, referindo que, apesar da perda de autonomia política, a língua portuguesa manteve um papel simbólico na resistência e na afirmação nacional.</p>
<p>“Para os timorenses, o português não é apenas um instrumento de comunicação, mas uma arma de luta e um símbolo de reafirmação nacional”, afirmou.</p>
<p>O Provedor alertou ainda para os desafios atuais da reintrodução e consolidação da língua, sublinhando a influência de outras línguas no quotidiano, como o inglês e conteúdos audiovisuais indonésios.</p>
<p>Defendeu também que o domínio da língua depende da sua utilização prática no dia a dia. “Um aluno pode ter uma boa nota em português, mas se não utilizar a língua na sociedade, isso não significa que a domine verdadeiramente”, referiu.</p>
<p>Virgílio Guterres criticou ainda o papel da comunicação social, defendendo que o jornalismo não deve limitar-se à divulgação de atividades oficiais, mas também questionar decisões públicas e promover o pensamento crítico.</p>
<p>“O verdadeiro papel da imprensa é perguntar por que razão as decisões são tomadas e quais os seus impactos”, afirmou.</p>
<h3><strong>Docentes propõem ensino mais prático e centrado no aluno</strong></h3>
<p>Na sessão dedicada à planificação curricular no ensino do português em contextos plurilingues, docentes do CLP apresentaram uma proposta centrada no ensino do português como língua não materna.</p>
<p>As docentes sublinharam que o objetivo é responder às necessidades específicas do contexto timorense, promovendo competências linguísticas, culturais e comunicativas.</p>
<p>A proposta assenta em três eixos principais: desenvolvimento de competências linguísticas, valorização da dimensão cultural da língua e utilização de metodologias baseadas em situações reais de comunicação.</p>
<p>Foram ainda destacadas competências como léxico, gramática, semântica, fonética e pragmática, essenciais para uma comunicação eficaz.</p>
<p>Segundo as docentes, a progressão da aprendizagem vai desde níveis básicos de comunicação quotidiana (A1/A2) até níveis mais avançados, onde os estudantes desenvolvem argumentação e pensamento crítico (B2).</p>
<p>A metodologia apresentada privilegia a abordagem comunicativa, a aprendizagem baseada em tarefas e o uso de materiais autênticos, incluindo simulações e recursos do quotidiano.</p>
<p>Foram igualmente destacadas ferramentas digitais como o Canva e o Google Classroom, que contribuem para aumentar a motivação dos alunos e reforçar a aprendizagem.</p>
<h3><strong>Estudantes defendem planificação como ferramenta essencial</strong></h3>
<p>Estudantes do Departamento de Ensino da Língua Portuguesa da UNTL destacaram a importância da planificação das aulas como instrumento fundamental para o sucesso pedagógico.</p>
<p>Teresa Freitas referiu que a planificação ajuda os professores a organizar conteúdos, objetivos e atividades, tornando o ensino mais estruturado e eficaz. “Permite aos professores compreender melhor as dificuldades dos alunos, utilizar métodos mais criativos e incluir atividades práticas do quotidiano”, afirmou.</p>
<p>Já Januário do Espírito Santo sublinhou que a falta de organização pode prejudicar o processo de ensino e aprendizagem. “A planificação permite desenvolver as quatro competências da língua: leitura, escrita, oralidade e gramática”, afirmou, acrescentando que muitos estudantes ainda enfrentam dificuldades de expressão devido ao medo ou à complexidade da gramática.</p>
<p>Defendeu ainda que a prática é essencial no processo de aprendizagem. “Aprender português não significa apenas decorar regras, mas praticar a língua no dia a dia”, concluiu.</p>
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		<title>Professores destacados em áreas remotas acusam atrasos salariais e falta de apoio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 11:49:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Professores colocados em zonas remotas de Timor-Leste denunciam atrasos salariais, falta de alojamento e ausência de apoios estatais, afirmando sobreviver com ajuda da comunidade nos primeiros meses de trabalho. Durante meses, professores colocados em localidades distantes de Timor-Leste dizem trabalhar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Professores colocados em zonas remotas de Timor-Leste denunciam atrasos salariais, falta de alojamento e ausência de apoios estatais, afirmando sobreviver com ajuda da comunidade nos primeiros meses de trabalho.</em></p>
<p>Durante meses, professores colocados em localidades distantes de Timor-Leste dizem trabalhar sem salário, alojados em condições precárias e dependentes da ajuda da comunidade para garantir alimentação e outras necessidades básicas.</p>
<p>Apesar das políticas públicas preverem incentivos para docentes colocados em zonas remotas, vários professores denunciam dificuldades no acesso aos apoios previstos na lei. No âmbito das políticas nacionais de educação, o Governo, através do Ministério da Educação, tem a responsabilidade de assegurar uma distribuição equilibrada de docentes em todo o território, incluindo nas áreas remotas e menos assistidas.</p>
<p>Nos termos do Decreto-Lei n.º 20/2010, artigo 14.º, os professores ou funcionários públicos colocados noutra região têm direito a apoio de custos de colocação, nomeadamente 200 dólares norte-americanos para distâncias até 100 quilómetros, 300 dólares para distâncias entre 101 e 200 quilómetros e 400 dólares para distâncias superiores a 200 quilómetros.</p>
<p>No caso de colocações em Ataúro, é atribuído um apoio de 300 dólares, e para Oé-Cusse, 400 dólares, bem como um subsídio de alojamento de 100 dólares por mês, caso o Estado não disponibilize habitação.</p>
<p>Este esforço não se limita à colocação de professores, abrangendo igualmente a atribuição de apoios e incentivos especiais destinados a reforçar a motivação e o bem-estar destes profissionais. O objetivo é garantir que todos os estudantes, independentemente da localização geográfica, tenham acesso a uma educação de qualidade e em condições de equidade.</p>
<p>Contudo, na prática, alguns professores colocados em zonas afastadas continuam a enfrentar dificuldades no acesso ao apoio necessário, sobretudo no início das suas funções. A situação revela um desfasamento entre as políticas definidas e a sua implementação no terreno.</p>
<p>Há dois meses em Ataúro, Marcos Sufa diz sobreviver sem salário fixo e com apoio da comunidade local. Colocado numa escola básica em Atekru, na aldeia de Adara, pertencente à Autoridade Administrativa de Ataúro, o professor iniciou funções a 2 de março de 2026.</p>
<p>O professor explicou que, no atual mecanismo de colocação de novos docentes, o salário não é pago mensalmente desde o início do exercício de funções, sendo processado apenas após uma acumulação de cerca de três meses. Durante esse período, afirma ter sobrevivido sem rendimento fixo, dependendo da ajuda de colegas para satisfazer necessidades básicas.</p>
<p>Além disso, enfrenta limitações ao nível do alojamento, que considera simples e inadequado para garantir condições dignas aos professores destacados para zonas remotas.</p>
<p>“Cumprimos o nosso trabalho durante três meses antes de recebermos o salário. Já estou aqui há dois meses, mas as necessidades básicas continuam difíceis.”</p>
<p>Para além do apoio formal, a ajuda recebida tem vindo sobretudo de empresários locais, que tomaram a iniciativa de apoiar as necessidades básicas do professor naquela região. A situação demonstra que o papel da comunidade continua a ser fundamental para garantir a continuidade da educação nas localidades afastadas.</p>
<p>“Atualmente, temos duas empresas locais que já me ajudaram, fornecendo alojamento, alimentação e outras necessidades básicas, mas até agora ainda não houve apoio direto do Estado.”</p>
<p>Entretanto, numa conferência de imprensa realizada no Jardim 5 de maio, em Díli, professores destacados para áreas remotas apelaram ao Ministério da Educação para criar melhores condições de alojamento e garantir o pagamento dos subsídios destinados aos docentes colocados nestas zonas.</p>
<p>O porta-voz do grupo, Feliciano da Silva, pediu ao Ministério que processe os direitos relacionados com os subsídios dos professores. Os docentes afirmaram ainda que, caso os apoios continuem sem ser atribuídos, pretendem solicitar a recolocação nos seus locais de origem.</p>
<p>“Com base no Decreto-Lei n.º 31/2023, artigo 51.º, relativo ao subsídio de colocação, e no Decreto-Lei n.º 20/2010, artigo 15.º, referente ao subsídio para áreas remotas, se estas reivindicações continuarem sem resposta por parte do Ministério, pedimos para sermos recolocados nos nossos locais de origem.”</p>
<p>O professor Ataíde da Cruz reforçou que os docentes continuam a cumprir os seus deveres profissionais, mas defendeu que o Ministério da Educação também deve assumir as suas responsabilidades.</p>
<p>“O Ministério também deve cumprir o seu dever. Não pode apenas fazer promessas e deixar muitas pessoas desiludidas por causa dessas promessas”, afirmou.</p>
<p>O docente acrescentou ainda que, se o objetivo é desenvolver adequadamente o setor da educação, é necessário criar melhores condições de trabalho e preparar recursos humanos qualificados e profissionais.</p>
<p>“Precisamos de preparar recursos humanos de qualidade para que todos os processos decorram com maior rapidez. Caso contrário, os dados enviados dos municípios para o nível nacional acabam por regressar novamente aos diretores municipais ou aos EBC.”</p>
<p><strong>Governo admite falta de verbas para subsídios em 2026 e promete reforço de apoios a partir de 2027</strong></p>
<p>Enquanto os professores denunciam abandono e ameaçam pedir recolocação, o Ministério da Educação reconhece limitações orçamentais e admite que ainda não existem verbas para subsídios em 2026.</p>
<p>A ministra da Educação, Dulce de Jesus, afirmou que o processo de pagamento dos subsídios e dos custos de colocação dos professores recentemente destacados para áreas de difícil acesso continua a decorrer de acordo com os procedimentos administrativos do Governo.</p>
<p>Segundo a governante, o orçamento destinado aos custos de colocação dos professores que iniciaram funções em 2025 já foi integrado juntamente com os respetivos salários. No entanto, os docentes que tomaram posse em fevereiro de 2026 continuam ainda em fase de processamento administrativo.</p>
<p>“Os professores que realizaram a tomada de posse em fevereiro de 2026 encontram-se atualmente em processo administrativo e, normalmente, este orçamento será pago juntamente com o primeiro salário”, afirmou Dulce de Jesus.</p>
<p>A ministra explicou que o Governo compreende as preocupações manifestadas pelos professores relativamente aos atrasos na receção dos subsídios, sobretudo no caso dos docentes colocados em zonas remotas e muito remotas.</p>
<p>Contudo, reconheceu que o Orçamento de Estado para 2026 ainda não contempla verbas específicas destinadas aos subsídios para professores colocados nestas áreas, nem ao sistema de colocação de docentes em regiões remotas.</p>
<p>“Este ano ainda não existe alocação orçamental para subsídios destinados às zonas isoladas e muito remotas para os novos professores colocados, mas o ministério continuará a defender esta proposta nas discussões do Orçamento Geral do Estado para 2027”, declarou.</p>
<p>Para além da questão dos subsídios, a ministra abordou também os planos do Governo relacionados com a construção de infraestruturas de apoio destinadas aos professores colocados em zonas remotas, incluindo residências para docentes.</p>
<p>Segundo Dulce de Jesus, o Ministério da Educação já integrou o desenvolvimento de infraestruturas escolares num plano de trabalho gradual, cuja implementação deverá ser reforçada a partir de 2027.</p>
<p>“Temos um plano e acreditamos que, a partir de 2027, o ministério continuará a desenvolver infraestruturas escolares, incluindo residências para professores”, explicou.</p>
<p>A governante acrescentou ainda que a implementação destas infraestruturas será realizada de forma gradual, em função da capacidade orçamental disponível para o Ministério da Educação.</p>
<p>Apesar das promessas de reforço de apoios a partir de 2027, os professores colocados em zonas remotas afirmam continuar sem garantias imediatas para assegurar condições mínimas de trabalho e permanência nas comunidades onde foram destacados.</p>
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		<title>Timor-Leste celebra a língua portuguesa entre diplomacia, cultura e desafios educativos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 13:37:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Semana da Língua Portuguesa em Díli evidencia a expansão do idioma em Timor-Leste, mas também os desafios estruturais que ainda limitam o seu ensino nas escolas e universidades. Arrancou ontem, 4 de maio, em Díli, a Semana da Língua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>A Semana da Língua Portuguesa em Díli evidencia a expansão do idioma em Timor-Leste, mas também os desafios estruturais que ainda limitam o seu ensino nas escolas e universidades.</em></p>
<p>Arrancou ontem, 4 de maio, em Díli, a Semana da Língua Portuguesa, uma iniciativa do Grupo de Embaixadores da CPLP que reúne Angola, Brasil e Portugal, assinalando o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado hoje, 5 de maio, e instituído pela UNESCO em 2019.</p>
<p>A iniciativa, que decorre até 10 de maio, transforma a capital timorense num ponto de encontro da lusofonia, com um programa cultural alargado que inclui literatura, cinema, música e debates sobre o futuro do ensino da língua no país.</p>
<p>A sessão de abertura teve lugar na Embaixada de Portugal em Díli e contou com a presença de representantes diplomáticos, autoridades timorenses e convidados. Entre os principais destaques está uma exposição dedicada ao escritor José Saramago, único autor de língua portuguesa distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, cuja obra assume um papel simbólico central nas celebrações e estará patente ao público durante todo o mês de maio.</p>
<p>Angola participa com atividades de promoção literária, enquanto o Brasil apresenta sessões de cinema. Portugal encerra o programa cultural com um concerto do grupo SENZA, agendado para 10 de maio, na Fundação Oriente.</p>
<p><strong>Diplomacia destaca língua como instrumento de identidade e cooperação</strong></p>
<p>O embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, destacou a importância da Semana da Língua Portuguesa como uma iniciativa alargada e simbólica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), destacando o papel crescente do português no país e o seu potencial de desenvolvimento futuro.</p>
<p>Segundo o diplomata, o alargamento das celebrações em Timor-Leste reflete o contexto particular do país, que assume a presidência da CPLP em 2026 e integra este ano as comemorações dos 30 anos da organização. Nesse sentido, considerou essencial promover um programa “grande, ambicioso e robusto”.</p>
<p>O embaixador referiu que a escolha de José Saramago se deve ao facto de ser o único autor de língua portuguesa distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, critério que, segundo afirmou, foi consensual entre os embaixadores de Portugal, Angola e Brasil.</p>
<p>Destacou ainda o crescimento “exponencial” da língua portuguesa no país e reforçou o compromisso com a expansão do ensino, no âmbito das celebrações da Semana da Língua Portuguesa. “Comparado com o ano 2000, o crescimento é evidente e consistente”, afirmou, sublinhando que o aumento do número de falantes reflete o investimento contínuo na educação e na cooperação internacional.</p>
<p>Duarte Bué Alves destacou ainda o papel das escolas CAFE (Centros de Aprendizagem e Formação Escolar) e da Escola Portuguesa de Díli como pilares fundamentais na promoção da língua. Atualmente, existem 14 escolas CAFE em todo o território, com cerca de 12 mil alunos, mas a procura continua a superar a oferta.</p>
<p>“O nosso grande desafio é expandir a rede e aumentar a capacidade de resposta”, afirmou, acrescentando que o objetivo passa também pela formação de professores timorenses. “O modelo das escolas CAFE assenta na colaboração entre docentes portugueses e locais, promovendo a partilha de conhecimentos e o desenvolvimento conjunto.”</p>
<p>O embaixador referiu ainda projetos como o “Consultório da Língua para Jornalistas”, voltado para a capacitação de profissionais da comunicação social, como parte dos esforços para consolidar o uso do português em diferentes setores.</p>
<p>Para o diplomata, o interesse dos jovens pela língua é evidente. “A elevada procura nas escolas demonstra que os jovens reconhecem o valor do português”, disse, defendendo que o domínio do idioma abre portas no ensino superior e no mercado de trabalho.</p>
<p>O diplomata sublinhou que, perante esse cenário, a prioridade passa por reforçar e expandir os programas existentes de ensino da língua. “É nisso que estamos a apostar: crescer, expandir e consolidar”, acrescentou, defendendo o aumento da capacidade institucional para responder à procura crescente.</p>
<p>O embaixador de Angola em Timor-Leste, José Andrade de Lemos, destacou o significado simbólico da iniciativa, sublinhando a língua portuguesa como um “património comum” que ultrapassa fronteiras geográficas e gerações.</p>
<p>O diplomata afirmou que a língua portuguesa constitui mais do que um instrumento de comunicação, descrevendo-o como um “veículo de cultura, ciência, diplomacia e socialização”, falado por mais de 256 milhões de pessoas em todo o mundo. Defendeu ainda que cabe às instituições e aos cidadãos promover oportunidades para que a língua seja um instrumento de conhecimento e inclusão, reforçando o papel dos jovens como “guardiões da língua portuguesa”.</p>
<p>O embaixador apelou a uma reflexão conjunta sobre a importância do idioma na construção de identidade e cooperação entre os países da CPLP, desejando que a semana de celebrações fortaleça os laços de amizade e diversidade cultural entre os povos lusófonos.</p>
<p>Também presente na cerimónia, o embaixador do Brasil em Timor-Leste, Ricardo Lustosa Leal, destacou a importância de uma construção coletiva em torno da língua portuguesa, sublinhando que a sua valorização exige não apenas inspiração, mas também “escolhas políticas concretas” e um trabalho contínuo de cooperação entre os países.</p>
<p>O diplomata recordou ainda um poema do escritor português José Saramago, sublinhando a ideia de que a língua deve ser moldada com consciência e responsabilidade. Nesse sentido, defendeu que a construção de uma comunidade lusófona exige cultivo, compromisso e ações concretas.</p>
<p>Ricardo Lustosa Leal destacou a importância do encontro no Instituto Camões, em Díli, como espaço de convergência entre Angola, Brasil, Timor-Leste e Portugal, sublinhando o respeito pela diversidade das expressões do português em diferentes países.</p>
<p>O Presidente da República, José Ramos-Horta, destacou os avanços significativos da língua portuguesa em Timor-Leste, sublinhando o seu papel na identidade nacional e no acesso às oportunidades internacionais.</p>
<p>Segundo o Chefe de Estado, a Semana da Língua Portuguesa tem sido marcada por diversas iniciativas, incluindo uma reunião de ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Díli, focada na educação. Para Ramos-Horta, estes encontros representam uma oportunidade estratégica para avaliar o progresso do idioma no país.</p>
<p>“Em 2000, menos de 1% da população falava português. Hoje, mais de 30% domina a língua, segundo dados oficiais”, afirmou, classificando a evolução como “extraordinária”.</p>
<p>O Presidente atribui este progresso às políticas do Estado timorense, com apoio dos países como Portugal e Brasil. Recordou ainda que, após a ocupação e ausência do ensino formal em português, o país teve de “resgatar” a língua praticamente do zero, num contexto marcado por perdas humanas e pela diáspora de falantes.</p>
<p>Ramos-Horta destacou também o papel histórico da resistência timorense, nomeadamente das FALINTIL, na preservação de português, bem como de instituições como a Escola São José, que chegou a ser encerrada após o Massacre de Santa Cruz.</p>
<p>O Chefe de Estado elogiou ainda a capacidade linguística dos jovens timorenses, considerando-os “poliglotas por natureza”. “Um jovem timorense pode falar três, quatro ou mais línguas com facilidade”, afirmou, incentivando a aprendizagem simultânea de português, inglês e outras línguas.</p>
<p>Ramos-Horta reforçou a importância do português não só como elemento de identidade, mas também como ferramenta de acesso à educação internacional, especialmente em Portugal e no espaço europeu, no âmbito do Acordo de Bolonha. “Um diploma obtido em Portugal é reconhecido em toda a Europa”, sublinhou.</p>
<p>Apesar de reconhecer que o português ainda não é amplamente utilizado no quotidiano, o Presidente rejeita a ideia de estagnação. “Muitos jovens já falam bem português, especialmente os que frequentam escolas como o CAFE ou a Escola Portuguesa de Díli”, afirmou, citando também conquistas recentes de estudantes timorenses em concursos internacionais.</p>
<p>Questionado sobre se o inglês se torna dominante no país, Ramos-Horta esclareceu que a língua é utilizada sobretudo como ferramenta de trabalho, sem substituir as línguas nacionais. Disse que nenhum país abandona a sua língua. O inglês é apenas complementar.</p>
<p>Respondendo a críticas sobre o uso limitado do português no quotidiano, o Presidente reconheceu que o tétum continua a ser a língua dominante em casa, o que considera natural e comparável a outras realidades internacionais. Ainda assim, afirmou que muitos jovens já conseguem comunicar em português, especialmente os que frequentam escolas que seguem o currículo português.</p>
<p>José Ramos-Horta defendeu ainda que o domínio de diferentes línguas é uma vantagem estratégica. “Quanto mais línguas os timorenses falam, melhor para cada um de nós”, afirmou, encorajando os jovens a não terem receio de aprender novas línguas.</p>
<p><strong>Ensino do português enfrenta desafios estruturais em Timor-Leste</strong></p>
<p>Mas para lá do discurso político e do simbolismo cultural, a realidade do ensino da língua portuguesa em Timor-Leste revela desafios profundos que continuam por resolver.</p>
<p>Flávia Maria Augusta Martins, docente de Língua Portuguesa na Faculdade de Ciências Sociais, alertou para problemas transversais ao sistema educativo. “Há desafios por parte dos governantes, do ministério competente, dos professores e, sobretudo, na capacidade de aprendizagem dos próprios estudantes”, afirmou.</p>
<p>Segundo a docente, muitos alunos chegam ao ensino superior com lacunas profundas. “Os estudantes não têm conhecimentos básicos da língua portuguesa quando entram na universidade, o que dificulta o processo de ensino.”</p>
<p>Na instituição onde leciona, os alunos têm apenas dois semestres de português, o que considera insuficiente. “Não posso voltar ao nível do ensino básico. Tenho de avançar com conteúdos do ensino superior, mas muitos alunos não conseguem acompanhar.”</p>
<p>A professora critica ainda a falta de condições no ensino básico e secundário e a ausência de formação contínua dos docentes. “Um professor de língua portuguesa precisa de atualização regular, pelo menos uma vez por ano, mas isso raramente acontece em Timor-Leste.”</p>
<p>Em turmas com até 80 alunos, apenas uma minoria demonstra domínio básico da língua. “Muitos têm dificuldades em compreender e expressar-se em português, até mesmo em frases simples.”</p>
<p>Para além das falhas estruturais, a docente aponta também a falta de empenho individual dos estudantes como um fator determinante. “Alguns estudantes não assumem responsabilidade pela sua aprendizagem e mostram pouco interesse em estudar ou pesquisar fora da sala de aula.”</p>
<p>Ainda assim, reconhece o potencial da tecnologia como ferramenta de apoio. “Há muitos materiais disponíveis, inclusive de professores brasileiros, mas os alunos precisam de iniciativa para os procurar.”</p>
<p>Flávia Martins sublinha também que a língua é essencial para o acesso ao conhecimento. “Muitos estudantes não compreendem as matérias porque estão em português.”</p>
<p><strong>Jovens veem no português uma oportunidade de futuro</strong></p>
<p>Apesar dos desafios, muitos jovens veem o português como uma oportunidade de futuro. Para Febriana Teixeira, estudante da Universidade Católica Timorense, a língua portuguesa vai muito além de um simples meio de comunicação. É “o caminho para atingir os meus sonhos” e a ponte que a levou a explorar o mundo da literatura e do direito.</p>
<p>A estudante descreve o português como uma língua que representa “a harmonia da vida poética, a diversidade e a dinâmica”, além de desempenhar um papel fundamental na interpretação jurídica, área em que pretende construir a sua carreira. Para Febriana, o domínio do idioma abre portas concretas, especialmente no contexto do Estado timorense.</p>
<p>A propósito da celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, assinalado a 5 de maio, a estudante considerou essencial marcar a data. “É importante para relembrar cada conquista que tivemos com a presença da língua portuguesa”, afirmou, acrescentando que a celebração também reforça a ligação entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Na sua perspetiva, o português não é apenas uma língua, mas um “universo” que integra cultura, identidade, etnia, nacionalidade e fé.</p>
<p>Apesar do entusiasmo, Febriana reconheceu que o processo de aprendizagem não é simples. “No início é sempre difícil, mas com prática contínua torna-se mais fácil e flexível”, explicou. Para a estudante, aprender português exige resiliência e disciplina, características que considera fundamentais para alcançar bons resultados.</p>
<p>Entre as principais dificuldades, destacou fatores emocionais e estruturais. “Muitas vezes, sentia desmotivação ao ouvir constantemente que era necessário conjugar verbos ou seguir regras gramaticais complexas”, recordou. No entanto, encontrou motivação ao entrar em contacto com diferentes sotaques, especialmente do Brasil e de Portugal, o que despertou ainda mais interesse pela língua.</p>
<p>A estudante apontou também desafios no acesso a recursos educativos em Timor-Leste, como a escassez de livros em português e a limitada oferta de conteúdos audiovisuais na língua, muitas vezes substituídos por materiais em indonésio.</p>
<p>Mesmo assim, Febriana vê no português uma oportunidade concreta de crescimento. Em 2025, essa visão tornou-se realidade ao vencer um concurso de discurso público em língua portuguesa, conquista que lhe garantiu uma vaga num curso de verão na Universidade de Macau.</p>
<p>“Para mim, não é apenas teoria. A língua portuguesa já abriu portas reais na minha vida”, disse, reforçando a importância do idioma como ferramenta para o futuro académico e profissional em Timor-Leste.</p>
<p>Estela Maia Soares, estudante do quinto semestre de Contabilidade na Faculdade de Economia e Gestão, Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, considera a língua portuguesa um elemento fundamental na identidade e no desenvolvimento de Timor-Leste, apesar dos desafios enfrentados no seu processo de aprendizagem.</p>
<p>Segundo a estudante, o português, sendo uma das línguas oficiais do país, assume um papel relevante tanto a nível nacional como internacional. “É uma língua utilizada em vários países e também muito presente entre as gerações mais velhas. Além disso, muitas palavras do tétum têm origem no português, o que demonstra a sua influência no nosso dia a dia”, afirmou.</p>
<p>“Timor-Leste faz parte da CPLP, por isso, devemos celebrar esta data como forma de reconhecer a importância da língua”, disse.</p>
<p>No entanto, a estudante reconheceu que aprender português não é um processo fácil. Entre as principais dificuldades, aponta a complexidade da conjugação verbal. “Diferente do inglês, o português exige atenção aos tempos verbais. Não se pode falar de qualquer maneira, é preciso conjugar corretamente, o que se torna a aprendizagem mais exigente”, explicou.</p>
<p>A experiência de Estela com a língua começou ainda no ensino básico e secundário, na Escola CAFE, onde teve frequentemente contacto com professores estrangeiros que utilizavam o português. Contudo, após concluir essa etapa, a prática da língua diminuiu devido ao ambiente social.</p>
<p>“No meu círculo de amigos e família, poucas pessoas falam português. Apenas o meu pai fala um pouco, e é com ele que ainda consigo praticar”, relatou.</p>
<p>Já no ensino superior, embora os materiais académicos estejam maioritariamente em português, a realidade nas salas de aula é diferente. “Os professores utilizam materiais em português, mas muitas vezes explicam em tétum porque os estudantes ainda não dominam bem a língua”, disse. Entre colegas, o uso do português também é limitado, sendo mais comum entre aqueles que já têm alguma fluência.</p>
<p>Para superar essas dificuldades, Estela tem recorrido a conteúdos digitais, sobretudo nas redes sociais. “Vejo vídeos no TikTok em português, principalmente de outros países, o que me ajuda a compreender melhor a língua e a aprender novas formas de comunicação”, afirmou.</p>
<p>Apesar dos desafios, a estudante defende que a aprendizagem do português depende também da iniciativa individual. Para ela, o contacto contínuo com a língua, seja na escola ou através de meios digitais, é essencial para melhorar a fluência e garantir que o português continue a ter um papel relevante na sociedade timorense.</p>
<p>Por sua vez, a estudante Melinda da Conceição Pinto, do Departamento de Contabilidade da Faculdade de Economia e Gestão, da UNTL, partilhou a sua experiência de aprendizagem da língua portuguesa, sublinhando a importância da prática constante e da comunicação no processo de aquisição da língua.</p>
<p>Melinda afirmou ter aprendido português desde o ensino primário até ao ensino secundário na Escola CAFE de Baucau, localizada em Vila Nova. Segundo a estudante, a aprendizagem não se limitou ao contexto escolar, tendo também sido reforçada no ambiente familiar, através da comunicação frequente com os pais e irmãos.</p>
<p>Durante o seu percurso académico, explicou que continuou a utilizar a língua portuguesa tanto em casa como na universidade, ainda que de forma variável. “Já na universidade, também falo com alguns colegas, acompanho as explicações dos professores e faço perguntas em português”, referiu, acrescentando que a utilização da língua ocorre com alguma regularidade.</p>
<p>No entanto, Melinda reconhece que aprender português em Timor-Leste continua a ser um desafio. “Não é muito fácil, porque muitas pessoas tentam aprender português, mas nem todas conseguem”, afirmou, destacando a necessidade de maior prática comunicativa entre os falantes para melhorar o domínio da língua.</p>
<p>Outro desafio mencionado foi a escassez de conteúdos educativos produzidos localmente em português. Segundo a estudante, embora existam muitos materiais disponíveis na internet, sobretudo de países estrangeiros, em Timor-Leste ainda há poucos criadores de conteúdos em língua portuguesa. “Isso poderia ajudar e incentivar mais pessoas a aprender”, afirmou, defendendo maior iniciativa individual por parte dos estudantes.</p>
<p>Quanto ao papel das instituições, Melinda considera que tanto o Governo como as escolas têm investido na promoção da língua portuguesa, embora os resultados dependam também da prática dos falantes. “O investimento existe, mas se as pessoas não praticarem, torna-se um desafio”, observou.</p>
<p>Por fim, deixou uma mensagem aos colegas e aos estudantes mais novos, incentivando a prática diária da língua. “O mais importante é praticar todos os dias, mesmo cometendo erros. Começar pelo básico e falar sobre coisas simples ajuda muito. O essencial é comunicar”, afirmou.</p>
<p>Apesar do crescimento significativo da língua portuguesa em Timor-Leste, o ensino continua a enfrentar desafios estruturais que contrastam com a forte aposta política, cultural e simbólica no seu reforço.</p>
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		<title>Uaguia: Encerramento da classe paralela leva alunos a abandonar os estudos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 11:51:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O encerramento da classe paralela em Uaguia, no posto administrativo de Ossu, tem deixado centenas de estudantes sem acesso seguro ao ensino secundário. A distância até à escola central em Olo-Cassa e a falta de recursos financeiros obrigam jovens a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O encerramento da classe paralela em Uaguia, no posto administrativo de Ossu, tem deixado centenas de estudantes sem acesso seguro ao ensino secundário. A distância até à escola central em Olo-Cassa e a falta de recursos financeiros obrigam jovens a abandonar os estudos, suscitando indignação entre famílias e líderes comunitários.</em></p>
<p>Em 2025, o Governo determinou, através de um despacho da rede escolar, <a href="https://www.diligenteonline.com/encerramento-de-classe-paralela-em-ossu-uaguia-gera-contestacao-de-pais-professores-e-estudantes/">o encerramento de estabelecimentos considerados paralelos ou filiais, incluindo a classe paralela do suco de Uaguia</a>. A escola central correspondente situa-se em Olo-Cassa, também no posto de Ossu. Após esta medida, estudantes de diversos sucos enfrentam deslocações que variam entre 5 e 40 km, tornando difícil ou mesmo impossível a continuidade dos estudos.</p>
<p>Romário da Silva, residente em Ossorua, explicou ao Diligente que não consegue frequentar as aulas em Ossu devido à distância e à falta de recursos para arrendar casa. “Preocupo-me muito com esta situação. Temos dificuldades financeiras, então decidi não continuar a estudar para ajudar os meus pais”, afirmou. O jovem revelou ainda que sonhava, desde criança, ser médico. “Queria um dia poder voltar à minha terra natal para atender a população que vive longe dos estabelecimentos de saúde. Mas estes sonhos foram interrompidos”, acrescentou.</p>
<p>A irmã mais velha de Romário, Anastácia Gusmão, explicou que tanto ele como a irmã Adalsiza, que preferiu não comentar, decidiram não prosseguir o ensino secundário devido ao encerramento da classe paralela. “Os meus irmãos não conseguiram frequentar o Ensino Secundário-geral porque a distância do nosso suco de Ossorua à escola central em Olo-Cassa é de cerca de 10 km”, disse.</p>
<p>Anastácia referiu ainda que a situação económica da família contribui para o problema: “Não temos dinheiro suficiente para arrendar uma casa em Ossu. Comparando a distância entre Uaguia e a escola central, Uaguia é um pouco mais próxima. De transportes, demora cerca de duas horas; a pé, aproximadamente cinco horas.”</p>
<p>Segundo Anastácia, os irmãos decidiram ajudar os pais na agricultura e em outros trabalhos remunerados. “O meu irmão trabalha na construção civil para ganhar dinheiro, enquanto a Adalsiza fica em casa a realizar tarefas domésticas.”</p>
<p>A jovem acrescentou que deputados da Comissão G, responsável pela educação, juventude, cultura e cidadania, chegaram a falar com os jovens, prometendo apoio para colocação no colégio, mas até ao momento nada foi concretizado. “Estamos quase no final do primeiro período, então já não vão às aulas. Apesar da tristeza, no próximo ano procuraremos outro caminho para que possam continuar os estudos”, explicou.</p>
<p>Relativamente à decisão do Ministério da Educação, Anastácia sublinhou “esta medida prejudica os alunos de diversos sucos que agora têm dificuldade em frequentar aulas. A decisão foi um choque, sobretudo para os estudantes do suco de Ossorua. Por isso, estas classes paralelas deveriam continuar, para facilitar o acesso ao ensino.”</p>
<p><strong>Juventude de Ossu mobiliza-se pela reabertura da classe paralela</strong></p>
<p>O Movimento de Juventude de Ossu tem-se mostrado preocupado com o encerramento da classe paralela em Uaguia e anunciou ações para pressionar o Ministério da Educação a reverter a decisão.</p>
<p>Em entrevista ao Diligente, Ason Maubere, porta-voz do movimento, afirmou sentir-se “triste e preocupado” com os efeitos desta medida. “As crianças da nossa comunidade, que não têm condições suficientes, perdem o direito à educação”, alertou.</p>
<p>Segundo Ason, a decisão afeta moradores de seis sucos que têm de atravessar a ribeira, enfrentando grandes dificuldades para chegar à escola. “Se os estudantes têm de percorrer distâncias tão longas, não conseguem concentrar-se nas aulas. Pior ainda, correm risco de vida durante a época das chuvas”, explicou.</p>
<p>O porta-voz criticou a política do Ministério, considerando-a “injusta e sem fundamentos concretos”. “A decisão não se baseia em factos reais. O Estado perdeu o seu papel de aproximar a educação das zonas rurais e das comunidades carentes”, afirmou.</p>
<p>Ason destacou ainda a importância da educação como direito fundamental, citando a Constituição da República Democrática de Timor-Leste: “No artigo 6º, o Estado garante e promove os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos. O artigo 59 assegura o direito de todos os cidadãos à educação e garante igualdade de oportunidades para estudar e desenvolver competências”.</p>
<p>Perante esta situação, o Movimento de Juventude de Ossu anunciou várias iniciativas. Entre elas, está o envio de uma petição ao Parlamento Nacional, em particular à Comissão G, responsável por questões de educação, e aos órgãos de liderança do país — Presidente da República e Primeiro-Ministro — solicitando uma audiência pública para apresentar as preocupações da comunidade. “Queremos expor os problemas que o povo Maubere enfrenta devido ao encerramento da classe paralela”, sublinhou Ason.</p>
<p>Caso não haja uma resposta positiva do Ministério da Educação, o movimento compromete-se a organizar protestos pacíficos. “Se não houver uma solução, vamos mobilizar-nos e tomar medidas pacíficas contra esta decisão”, concluiu.</p>
<p><strong>Controvérsia sobre encerramento da classe paralela mantém tensão entre comunidade e Governo</strong></p>
<p>O ex-professor da classe paralela de Uaguia, Elídio Pinto, explicou que, no início de janeiro, apenas uma semana de aulas foi ministrada. Pouco depois, a classe paralela entrou em acordo com o Ministério da Educação, através da Direção-Geral do Ensino Secundário, para encerrar provisoriamente o processo de aprendizagem. “Estamos à espera da decisão final do Ministério”, afirmou.</p>
<p>Em 2025, 140 estudantes estavam registados na classe paralela de Uaguia, dos quais 9 desistiram durante o ano letivo. Dos restantes, 47 concluíram o curso como finalistas, enquanto cerca de 90 alunos continuaram do 10º para o 11º ano e do 11º para o 12º ano. No início deste ano letivo, inscreveram-se aproximadamente 30 novos alunos do 10º ano, totalizando cerca de 130 estudantes transferidos para a escola central em Olo-Cassa.</p>
<p>O Diretor Nacional do Ensino Secundário-Geral, Benjamim Fernandes, explicou que, no momento do encerramento, a classe paralela contava com apenas 95 alunos. Segundo ele, para manter uma turma paralela, o número mínimo de estudantes por ano letivo deve ser 90, e cada turma deve ter 45 alunos para que os professores cumpram 24 horas semanais de aula, conforme a lei da função pública. Por estas razões, justificou o encerramento da turma.</p>
<p>Elídio Pinto acrescentou que alguns estudantes desistiram devido à distância, e que outros, que se deslocavam de motorizada para Olo-Cassa, chegaram a ser detidos pela polícia por infrações de trânsito. Além disso, regras internas da escola — como pagamento de um dólar por atraso e dez dólares em caso de problemas disciplinares — tornam ainda mais difícil a frequência de alunos provenientes de sucos distantes.</p>
<p>Quanto à responsabilidade pela logística e transporte, Benjamim Fernandes afirmou que existem alternativas, mas que cabe aos pais organizar soluções próximas: “Ainda há estudantes que andam mais de 10 km diariamente para a escola. A responsabilidade de encontrar soluções próximas é dos pais.”</p>
<p>Recentemente, a Comissão G do Parlamento Nacional, responsável por educação, juventude, cultura e cidadania, visitou a escola e comprometeu-se a levar o caso à Ministra da Educação para inspeção direta. Apesar das críticas e da pressão da comunidade, o Governo mantém a decisão, argumentando que concentrar os alunos na escola central garante melhor qualidade de ensino, com recursos didáticos completos.</p>
<p>O ex-professor destacou ainda que, em 2025, 131 alunos frequentaram as aulas da classe paralela, cumprindo os critérios mínimos estabelecidos pelo regulamento para formar uma turma. “Estes dados são reais e comprovam que a classe atendia aos requisitos em termos de número de estudantes”, garantiu.</p>
<p>O Diligente tentou obter comentário do Presidente da Comissão G, Armando dos Santos, mas não recebeu resposta até à publicação da reportagem.</p>
<p>No meio desta situação, muitos estudantes e famílias questionam-se: se os líderes políticos apelam constantemente à juventude para estudar, esforçar-se e construir o futuro do país, por que razão não garantem as condições necessárias para que isso seja possível? Os estudantes perguntam aos responsáveis: “Se querem que sejamos o futuro de Timor-Leste e nos discursos nos dizem constantemente para estudar, por que é que não criam as condições para que possamos de facto estudar?”</p>
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		<title>Falta de docentes ameaça início do semestre na UNTL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2026 11:57:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O primeiro semestre na UNTL começa em atraso. No Departamento de Língua Portuguesa, a reforma de 11 dos 14 docentes deixou aulas e orientação de monografias em suspenso, causando preocupação entre estudantes e professores. Onze dos 14 docentes do Departamento [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O primeiro semestre na UNTL começa em atraso. No Departamento de Língua Portuguesa, a reforma de 11 dos 14 docentes deixou aulas e orientação de monografias em suspenso, causando preocupação entre estudantes e professores.</em></p>
<p>Onze dos 14 docentes do Departamento de Língua Portuguesa da UNTL aposentaram-se, deixando aulas e orientação de monografias em suspenso. Estudantes e professores alertam para o risco de atrasos no semestre, numa crise provocada pela reforma obrigatória prevista no Decreto-Lei n.º 9/2025.</p>
<p>As aulas do primeiro semestre de 2026, previstas para fevereiro, foram adiadas devido à escassez de docentes no Departamento de Língua Portuguesa.</p>
<p>A Associação dos Estudantes da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades denunciou, numa conferência de imprensa na semana passada, que a falta de docentes compromete o processo de ensino-aprendizagem. Entre as principais consequências apontadas está a impossibilidade de acompanhar regularmente as disciplinas, apesar do início oficial do semestre.</p>
<p>Januário do Espírito Santo, porta-voz da associação, afirmou que o atraso viola o calendário académico e prejudica a qualidade do ensino. “As aulas deveriam ter começado a 16 de fevereiro. Mas a negligência da administração da faculdade e da universidade tornou os estudantes vítimas da situação, uma vez que ainda nem sequer preenchemos as fichas de planificação dos nossos estudos”, lamentou.</p>
<p>O estudante acrescentou que estágios e pesquisas permanecem sem horários definidos, mesmo para finalistas, devido à falta de docentes para orientação. Esta situação poderá comprometer a realização do exame de monografia e atrasar a primeira fase de conclusão do curso no Departamento de Língua Portuguesa.</p>
<p>Antes da reforma, o departamento contava com 14 docentes. Atualmente, um docente encontra-se a frequentar o doutoramento no Brasil, 11 foram aposentados e apenas uma docente permanece em funções, acumulando também o cargo de vice-diretora. Há ainda três docentes contratados que asseguram algumas atividades letivas.</p>
<p>Os estudantes reuniram-se com o reitor da UNTL, Joviano António da Costa, para exigir soluções urgentes, mas ainda não receberam garantias concretas sobre a resolução do problema.</p>
<p>Perante o impasse, exigem recrutamento urgente de novos docentes, de forma a normalizar o funcionamento das aulas e garantir o funcionamento regular do departamento. Reclamam também maior rigor e responsabilidade na gestão da situação, para evitar prejuízos académicos.</p>
<p>Fernão André da Costa, estudante do departamento, criticou a direção da universidade por má gestão de recursos humanos. “O Decreto-Lei n.º 9/2025 foi aprovado no ano passado. Por que razão a universidade e a faculdade não assumiram a responsabilidade atempadamente? A situação evidencia fragilidades na gestão e falta de planeamento institucional.”</p>
<p>O estudante salientou que a falta de ações antecipadas evidencia fragilidades na coordenação interna e no cumprimento das responsabilidades institucionais. Defendeu maior rigor, transparência e capacidade de previsão por parte dos órgãos de gestão.</p>
<p>Apesar da urgência do recrutamento, destacou que o processo deve ser transparente e baseado no mérito. “A situação é urgente, mas isso não significa promover favoritismos. A reitoria deve valorizar os melhores graduados e apostar nos seus próprios recursos”, concluiu.</p>
<p><strong>Direção garante continuidade apesar da crise</strong></p>
<p>Num contexto marcado pela saída de vários docentes devido à reforma obrigatória, a direção do Departamento de Língua Portuguesa da UNTL procura assegurar a estabilidade académica e a continuidade das atividades letivas, apesar das limitações impostas pela redução do quadro de professores.</p>
<p>A diretora do departamento, Juliana Soares, afirmou que a instituição está a adotar medidas para minimizar os impactos da reforma obrigatória e garantir que os estudantes possam avançar nos seus cursos.</p>
<p>Segundo Juliana Soares, em resposta às reivindicações dos alunos relacionadas com a falta de docentes, a UNTL solicitou à equipa do departamento que desse continuidade às atividades académicas, incluindo a planificação do semestre.</p>
<p>“Foi emitido um aviso para que os estudantes participassem nesse processo e, em paralelo, a direção entrou em contacto com professores que normalmente lecionam a unidade curricular”, explicou.</p>
<p>Para suprir as disciplinas sem docentes, a Faculdade de Educação, em colaboração com o departamento, convidou sete professores do Centro da Língua Portuguesa da UNTL, além de docentes do Departamento de Língua Tétum e antigos alunos do próprio departamento. “Neste momento, precisamos muito do apoio deles. Algumas situações já conseguimos resolver”, afirmou.</p>
<p>Juliana Soares garantiu que as disciplinas já estão asseguradas e que o processo de ensino-aprendizagem teve início esta semana. Também está a ser acompanhado o progresso dos estudantes que já estão prontos para defender a monografia, para que possam avançar para o exame final. Contudo, reconheceu que o arranque das atividades ocorreu com atraso devido à insuficiência de recursos humanos.</p>
<p>A diretora acrescentou que docentes já reformados, que anteriormente orientavam monografias, continuam a desempenhar essa função para permitir que os estudantes concluam o curso dentro do prazo previsto.</p>
<p>Quanto aos finalistas que aguardam orientação, explicou que os temas das monografias devem ser entregues na secretaria para registo, seguindo-se a definição dos orientadores.</p>
<p>“Com a reforma, ficámos sem docentes especializados em linguística, literatura e didática. Somos apenas três a apoiar atualmente o departamento, mas ainda estamos a frequentar o mestrado ou não o concluímos, pelo que não podemos assumir a orientação. Além disso, não é possível orientar mais de dez estudantes cada um. O nosso desafio é distribuir adequadamente os alunos pelos orientadores, pois ainda não temos recursos humanos suficientes”, detalhou.</p>
<p>Dos 11 docentes aposentados, restam cinco no departamento — dois permanentes e três contratados. Segundo a diretora, os três contratados já lecionavam anteriormente e são antigos alunos da instituição. “Queremos contribuir para o nosso departamento e conseguimos contrato com a instituição para ensinar”, disse.</p>
<p>Apesar disso, reconheceu que o número ainda é insuficiente, sobretudo tendo em conta que cerca de 100 novos estudantes ingressaram este ano. Para já, as disciplinas do primeiro ao quarto ano estão asseguradas, mas a continuidade no próximo período dependerá de nova avaliação, uma vez que cada currículo exige perfis específicos.</p>
<p>“A principal questão neste momento é a orientação das monografias”, sublinhou Juliana Soares, acrescentando que assumiu recentemente a direção do departamento, o que torna o processo de reorganização ainda mais desafiante. “É uma novidade para mim. Temos de seguir os procedimentos até termos a certeza de quais professores aceitam orientar”, explicou.</p>
<p>A diretora defendeu o recrutamento de novos docentes como medida estrutural para evitar prejuízos aos estudantes finalistas. “O Departamento de Língua Portuguesa existe há 24 anos. Cinco docentes não são suficientes. Podemos assegurar as disciplinas, mas a conclusão do curso exige a defesa da monografia, e é precisamente aí que ainda enfrentamos dificuldades”, alertou.</p>
<p>Sobre a eventual contratação de mais professores, incluindo profissionais do Centro da Língua Portuguesa e antigos alunos interessados em regressar à universidade, Juliana Soares esclareceu que a decisão compete à reitoria.</p>
<p>A responsável reconheceu que a responsabilidade deixada pelos docentes aposentados é pesada para os professores mais jovens, mas garante empenho na superação da crise. “Somos jovens e queremos levar este departamento para a frente. Precisamos de continuar a receber apoio e contributos dos docentes reformados para formar estudantes qualificados”, afirmou.</p>
<p>Juliana Soares sublinhou ainda que a situação deve servir de lição para o futuro. “Idealmente, antes da reforma dos docentes, a universidade deveria ter preparado recursos e aberto concursos para substituir os professores reformados, evitando problemas que afetam o ensino e a orientação das monografias.”</p>
<p>Por sua vez, o administrador-geral da UNTL, José Dionísio Ximenes, afirmou que a reitoria e os decanos já analisaram a situação e estão a trabalhar na identificação de soluções para o recrutamento e redistribuição de docentes pelos departamentos mais afetados.</p>
<p>“Estamos a analisar a situação e a procurar soluções, mas não posso avançar detalhes neste momento”, declarou, recusando-se a comentar as medidas concretas em preparação.</p>
<p>O Diligente tentou ainda obter esclarecimentos junto do reitor da UNTL, Joviano António da Costa, e do diretor de Recursos Humanos, Câncio Monteiro, mas não obteve resposta devido à indisponibilidade dos responsáveis.</p>
<p><strong>Docentes aposentadas pedem planeamento e apoio a novos professores</strong></p>
<p>Duas docentes recentemente aposentadas do Departamento de Língua Portuguesa da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades da UNTL defendem que a reforma obrigatória deveria ter sido acompanhada de maior planeamento institucional, de forma a evitar constrangimentos no funcionamento do curso.</p>
<p>Eugénia de Jesus das Neves, antiga diretora do departamento, considera a reforma um processo natural na carreira pública, mas critica a falta de antecipação da universidade na formação e integração de novos quadros para substituir os docentes aposentados.</p>
<p>“Isso deixou uma lacuna no nosso curso. Há professores com mestrado que poderiam assumir essas responsabilidades, mas não foram integrados, esperando que saíssemos primeiro para serem promovidos”, afirmou.</p>
<p>Com 14 anos como professora efetiva, Eugénia recordou os principais desafios da carreira, destacando a entrada de estudantes com fraco domínio do português, fruto de diferentes contextos escolares.</p>
<p>“Os desafios eram vários, mas o maior foi lidar com estudantes que entravam no curso sem conhecimento adequado do português. A limitação de recursos financeiros para organizar atividades académicas também marcou a minha gestão”, disse.</p>
<p>Sobre a aposentação, a docente afirmou que não foi surpreendida pela decisão, mas criticou a ausência de planeamento estratégico. “Deveriam ter preparado melhores condições em termos de recursos humanos antes de um professor se aposentar. A instituição deve propor à Função Pública a necessidade de recrutar novos docentes antes da reforma do anterior. Há um provérbio: ‘preparar o guarda-chuva antes que chova’”, observou.</p>
<p>Eugénia revelou ainda sentir falta de diálogo institucional no final da carreira. “Não era a questão de continuar a ensinar, mas de contribuir com a nossa opinião para o futuro do departamento. Só sabíamos que, no dia 1 de janeiro, terminava a nossa missão. No entanto, durante todo o mês de janeiro ainda resolvemos assuntos administrativos, como pautas de alunos e exames de monografia, por sentido de responsabilidade.”</p>
<p>Para a ex-diretora, a renovação do corpo docente pode ser positiva, desde que haja equilíbrio entre qualificação académica e experiência pedagógica. “A instituição precisa de recursos humanos jovens, com energia para assumir funções. Temos vários mestres com experiência no ensino, três doutorandos em fase de pesquisa e três doutorados que trabalham fora do departamento. Vamos ver como é que vão gerir isso e aproveitar esses recursos”, afirmou.</p>
<p>Quanto à qualificação académica, Eugénia destacou a importância da experiência prática na área de estudo. “A nossa área é língua portuguesa. É fundamental que os docentes tenham passado pelo curso para assegurar as disciplinas específicas. Ter um doutoramento não significa dominar tudo; é necessária experiência para complementar o conhecimento, embora para disciplinas gerais isso não seja um problema.”</p>
<p>Mesmo aposentada, a docente disse que continuará a contribuir para o departamento sempre que possível. “Neste momento, ainda oriento três estudantes que não concluíram os seus trabalhos finais, mesmo não sendo minha responsabilidade. Também posso participar noutras atividades quando for solicitada a minha contribuição”, afirmou.</p>
<p>Eugénia deixou ainda um conselho aos docentes mais jovens. “Continuem a trabalhar bem para levar adiante o curso de Ensino da Língua Portuguesa e melhorar a qualidade do ensino. O departamento completa este ano 25 anos e esperamos que continue a desenvolver-se, incorporando novas tecnologias.”</p>
<p>Também Maria da Cunha, docente reformada após cerca de 15 a 17 anos de serviço na UNTL, considerou a reforma obrigatória uma medida legítima no quadro das políticas governamentais, mas enfatizou que a sua implementação deveria ter sido acompanhada de medidas preventivas para salvaguardar a continuidade do ensino.</p>
<p>“Para implementar a reforma, a própria instituição deveria preparar recursos suplentes para não prejudicar os estudantes. Além disso, os dirigentes deveriam ter convocado encontros com os candidatos à aposentação, para ouvir e comentar sobre o seu desempenho durante o período de trabalho, e demonstrar algum gesto amigável de despedida”, disse.</p>
<p>Quanto ao impacto da reforma na qualidade do ensino, Maria da Cunha avaliou que, nas disciplinas transversais, a substituição de docentes não traria problemas. Porém, nas disciplinas específicas, considera que os professores mais jovens necessitam de formação adicional e tutoria para melhorar a qualidade do ensino. “Seria também pesado na orientação de monografias”, salientou.</p>
<p>A docente apontou que a reforma funciona como uma estratégia para empregar docentes mais jovens, com maior energia e flexibilidade, em detrimento de profissionais experientes. “A meu ver, a instituição deixou passar jovens com competência suficiente para contribuir para a sustentabilidade do Departamento da Língua Portuguesa”, afirmou.</p>
<p>Maria da Cunha recordou ainda que, durante a sua gestão como diretora do departamento, solicitou por duas vezes a promoção de duas mestres a docentes permanentes, visando garantir a sustentabilidade do curso. “Infelizmente, isso não aconteceu até hoje”, lamentou.</p>
<p>Apesar de ter recebido um certificado de reconhecimento, Maria da Cunha disse não se ter sentido plenamente valorizada no final da carreira, observando que o seu título de Doutora em Letras não foi devidamente considerado e que não houve gestos simbólicos de despedida por parte da faculdade.</p>
<p>Para a docente reformada, a entrada de professores mais jovens pode dinamizar o ensino, mas exige formação contínua, acompanhamento e incentivo à pesquisa.</p>
<p>“Que continuem a fazer pesquisas sobre novos métodos de ensino e participem em formações contínuas. Um bom professor está em constante formação. Que escrevam artigos para publicação e participem em conferências nacionais e internacionais. Além da sala de aula, os docentes jovens precisam de desenvolver atividades de extensão ou serviço à comunidade, no âmbito da difusão e consolidação da língua portuguesa.”</p>
<p>Embora aposentada, Maria da Cunha manifesta intenção de promover o hábito de leitura e apoiar iniciativas ligadas à língua portuguesa, mesmo em contexto familiar. “Tenho planos de continuar a contribuir para a consolidação da língua portuguesa e criar o hábito de leitura. Há várias formas de contribuir. Se não for para o público, contribuo para a educação dos meus netos”, concluiu.</p>
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		<title>Bolseiros da Bolsa Sander Thoenes assumem compromisso de honrar legado do jornalista holandês morto em Timor-Leste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 12:27:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quatro jornalistas de Timor-Leste e da Indonésia são os primeiros bolseiros da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa apoiada pelo Reino dos Países Baixos que promove o jornalismo ético, investigativo e independente. Após uma formação intensiva nos Países Baixos e encontros [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Quatro jornalistas de Timor-Leste e da Indonésia são os primeiros bolseiros da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa apoiada pelo Reino dos Países Baixos que promove o jornalismo ético, investigativo e independente. Após uma formação intensiva nos Países Baixos e encontros com instituições e redações de referência, os participantes assumem o compromisso de honrar o legado do repórter holandês assassinado em Díli, em 1999.</em></p>
<p>Nas duas primeiras semanas de fevereiro deste ano, quatro jornalistas de Timor-Leste e da Indonésia, selecionados entre cerca de uma centena de candidatos, integraram a primeira edição da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa apoiada pelo Reino dos Países Baixos que promove o jornalismo ético, investigativo e de interesse público, perpetuando a memória do repórter holandês assassinado em Díli, em 1999.</p>
<p>Uma das selecionadas, Antónia Kastono Martins, jornalista e diretora do Diligente, em Timor-Leste, que destacou a importância da experiência. “É uma experiência muito rica, onde aprendi coisas novas, nomeadamente ferramentas e técnicas para melhorar o trabalho de investigação. Isso é muito importante para mim e para o nosso órgão de comunicação social, que pretende investir mais em reportagens investigativas”, afirmou.</p>
<p>Também Juan Robin, jornalista do Narasi, um conhecido órgão de comunicação social da Indonésia, sublinhou que o programa reforçou o seu sentido de responsabilidade perante o público. “Através da verificação de factos e de uma investigação informativa rigorosa e abrangente, conseguimos evitar a desinformação”, acrescentou.</p>
<p>A bolsa destacou igualmente a importância da ética e da responsabilidade no contexto digital. Retyan Sekar, jornalista do Kumparan, na Indonésia, salientou que ser jornalista na era digital exige uma postura crítica perante as novas ferramentas.</p>
<p>“Ser um jornalista responsável na era digital não significa apenas responsabilizar o poder, mas também utilizar a inovação digital, como a Inteligência Artificial, com pensamento crítico e responsabilidade ética”, partilhou.</p>
<p>&#8220;Para mim, esta bolsa de estudo é uma oportunidade para aprimorar as minhas competências de verificação de factos e de pensamento crítico, sempre que decidir produzir conteúdos para a minha plataforma&#8221;, afirmou Ricardo Valente Araújo, fundador da Gen Z Talk Timor-Leste, que cria conteúdos exclusivos dirigidos a jovens.</p>
<p><strong>O legado de Sander Thoenes</strong></p>
<p>Sander Thoenes foi um jornalista holandês que trabalhava na Indonésia em 1999 para o Financial Times, jornal britânico de referência.</p>
<p>Após 98,5% dos timorenses terem votado pela independência no referendo de 30 de agosto de 1999, foi destacado para cobrir a situação em Timor-Leste no período pós-consulta popular.</p>
<p>Os dias que se seguiram ao referendo ficaram marcados pelo medo e pela violência — um período conhecido como Setembro Negro. Registaram-se assassinatos, incêndios generalizados e deportações forçadas para a Indonésia. Sander Thoenes, então com apenas 30 anos, tornou-se uma das vítimas dessa tragédia.</p>
<p>Enquanto muitos procuravam fugir do conflito, Sander Thoenes, juntamente com outros jornalistas internacionais, deslocou-se para o território. Estiveram em Díli antes do referendo, mas foram expulsos logo após a votação devido à tensão que se seguiu. No entanto, com a entrada das forças australianas, os jornalistas aproveitaram para regressar ao território.</p>
<p>Thoenes chegou a Díli a 21 de setembro de 1999. No mesmo dia, pediu a um timorense que o conduzisse pela cidade, passando por Becora, considerada uma das zonas mais perigosas por ser um centro de presença militar indonésia. Apesar do alerta do condutor, decidiu avançar e acabou por ser morto em Becora, Díli.</p>
<blockquote><p>“Percebemos que também podem silenciar-nos”</p></blockquote>
<p>Para Step Vaessen, jornalista da Al Jazeera e amiga de Sander Thoenes, a sua morte representou um dia negro para o jornalismo.</p>
<p>“Foi um ponto de viragem para mim, porque percebi então que, enquanto jornalistas, não somos intocáveis. Eu achava que estava apenas a fazer o meu trabalho, a escrever uma história, e que não fazia parte da história. Mas, de repente, percebemos que também podem silenciar-nos, até para sempre”, confidenciou, recordando que também era jovem na altura.</p>
<p>Step Vaessen foi a primeira a propor a criação da bolsa, considerando que muitas pessoas ainda desconheciam a história do colega. Para si, a iniciativa pretende manter viva a memória de Sander Thoenes e dar continuidade ao seu legado, formando novos jornalistas comprometidos.</p>
<p>“Temos agora quatro a quem quisemos dar esta responsabilidade de continuar este trabalho. Há muito a discutir entre nós, porque temos de nos esforçar nesta carreira.”</p>
<p><strong>Inspirados pela coragem e pelo impacto</strong></p>
<p>Para Antónia Martins, a bolsa reforçou a necessidade de continuar a escrever com coragem, realizando investigações de forma cautelosa, ética e sustentada nas ferramentas adquiridas durante a formação.</p>
<p>Juan Robin afirmou que o legado de Sander Thoenes é claro: “produzir reportagens ousadas, impactantes e de grande relevância”. O próprio jornalista venceu recentemente um prémio com um vídeo-reportagem que expõe como a mineração de níquel na Indonésia é justificada em nome do bem público e da transição verde, quando, na prática, serve para extrair riqueza para elites, à custa da vida das populações, da saúde pública, do ambiente e da própria democracia.</p>
<p>Também Retyan Sekar afirmou sentir-se inspirada pela coragem de Sander Thoenes e motivada para se adaptar às mudanças no setor, “mantendo-me fiel a um jornalismo baseado em factos, na empatia e no interesse público”.</p>
<p>Ricardo compromete-se também a continuar a procurar a verdade e a produzir conteúdos escritos.</p>
<p>“Queremos mostrar às novas gerações de jornalistas o quão importante é continuar a nossa profissão e manter-nos fiéis aos factos, independentes, corajosos e firmes, tal como Sander Thoenes”, concluiu Step Vaessen.</p>
<p><strong>Formação nos Países Baixos e contacto com instituições</strong></p>
<p>Esta foi a primeira edição da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa da Foreign Policy Community of Indonesia, em colaboração com a Embaixada do Reino dos Países Baixos na Indonésia e a RNW Media.</p>
<p>Durante cinco dias, os bolseiros participaram num curso sobre jornalismo ético, impactante e corajoso no Centro de Formação em Media da RNTC, nos Países Baixos. Tiveram ainda oportunidade de visitar a Câmara Baixa dos Estados Gerais, órgão legislativo neerlandês, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde aprofundaram o conhecimento sobre o funcionamento do sistema político do país.</p>
<p>Os jovens jornalistas visitaram igualmente a Associação de Jornalistas Holandeses (NVJ) e reuniram-se com repórteres experientes na área da investigação, nomeadamente dos meios independentes Investico e Follow the Money.</p>
<p>O programa incluiu ainda visitas a órgãos de comunicação social de referência nos Países Baixos, como a NOS, serviço público de radiodifusão, e o de Volkskrant, jornal privado de circulação nacional e grande influência.</p>
<p>A experiência foi enriquecida pelo encontro com a família de Sander Thoenes, Peter e Eveline. Para Ricardo Araújo, este foi o momento mais inspirador, ao ouvir a história e os valores do jornalista holandês. As oportunidades de trocar ideias com jornalistas holandeses também lhe pareceram interessantes.</p>
<p>Juan Robin, por sua vez, destacou o momento de apresentação das ideias para futuros projetos com impacto público. “É memorável, porque consegui aplicar diretamente o valor da coragem de Sander Thoenes, algo que não pratico todos os dias”, partilhou. O jornalista espera poder produzir mais conteúdos de impacto, apesar dos desafios que a imprensa indonésia enfrenta atualmente.</p>
<p>O momento que mais inspirou Antónia Martins foi conhecer a história de um média independente e privado, dedicado exclusivamente à investigação. No início, não produzia notícias diárias, mas conseguiu sobreviver e atualmente conta com dezenas de jornalistas, publicando um artigo investigativo por dia. “O desafio deve ser enorme, mas mantiveram-se fiéis ao modelo que escolheram e conquistaram a confiança do público que os apoia, permitindo-lhes continuar a investigar e a escrever”, observou a jornalista.</p>
<p>Retyan Sekar também partilhou o seu momento mais memorável, quando conheceu os jornalistas de Timor-Leste e a família de Sander Thoenes. “Estamos ligados pela história, pela responsabilidade e, felizmente, por valores partilhados. É incrível pensar que este programa consegue reunir-nos, vindos de todos os cantos do mundo e de diferentes gerações, por causa do legado de um jornalista. Aquele momento fez-me perceber o quão poderoso pode ser o jornalismo na construção de ligações humanas.”</p>
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		<title>UNITAL: Jurista e PDHJ alertam para risco de violação de direitos na cobrança da taxa do programa “Edifício”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 11:59:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jurista e Provedor dos Direitos Humanos alertam para possíveis violações dos direitos dos estudantes e falta de transparência na cobrança de até 200 dólares no programa “Edifício”, valor originalmente previsto em 50 dólares. Desde 2025, os estudantes têm alertado para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Jurista e Provedor dos Direitos Humanos alertam para possíveis violações dos direitos dos estudantes e falta de transparência na cobrança de até 200 dólares no programa “Edifício”, valor originalmente previsto em 50 dólares.</em></p>
<p>Desde 2025, os estudantes têm alertado para irregularidades na cobrança da taxa, destinada à manutenção do edifício da universidade. Embora o despacho de 2017 estipulasse o pagamento de 50 dólares por aluno a partir de 2018, a taxa só começou a ser efetivamente aplicada em 2021, e muitos estudantes verificaram que chegaram a pagar até 200 dólares.</p>
<p>&#8220;A comissão recolheu documentos e faturas de 210 estudantes dos turnos de 2018 a 2020, já graduados. Os documentos mostram que eles não pagaram os 50 dólares da primeira matrícula, nem os 150 dólares antes da graduação. Porém, os 390 estudantes do turno de 2021, que se graduaram em janeiro deste ano, pagaram os 50 dólares da primeira matrícula e, antes da graduação, completaram o pagamento de mais 150 dólares”, explicou Joanito Maia da Cruz, porta-voz dos estudantes e finalista de Direito.</p>
<p>Além da taxa do programa “Edifício”, os estudantes também pagam propinas diferenciadas por ano letivo: 60 dólares por semestre para ingressantes em 2021, 65 dólares em 2022 e 100 dólares em 2024, respetivamente. Joanito Maia afirma que a cobrança adicional de 150 dólares antes da graduação não está prevista nas faturas originais e considera esta prática ilegal e discriminatória.</p>
<p>“Se a fatura só indica 50 dólares, a cobrança de 150 dólares adicionais é ilegal. Consideramos isto exploração dos estudantes”, sublinhou. Os estudantes defendem que, para quem frequentou a UNITAL entre 2018 e 2020, a universidade deve manter apenas os 50 dólares previstos ou eliminar completamente a taxa para os já graduados.</p>
<p>Em comunicado, Claudino Ninas Nabais, reitor da UNITAL, afirmou que a universidade mantém a cobrança de 50 dólares por ano letivo e rejeita a exigência de pagamento único pelos estudantes. O reitor acrescentou que, caso alguns alunos discordem do montante, a universidade poderia facilitar a sua transferência para outras instituições.</p>
<p>Segundo Joanito Maia, a universidade justifica a cobrança adicional como forma de cobrir taxas financeiras e administrativas dos finalistas, mas os estudantes rejeitam a explicação, argumentando que outras taxas já são pagas antes da graduação.</p>
<p>No ano passado, uma equipa conjunta, formada por dois estudantes, dois docentes e dois fundadores, realizou uma primeira investigação sobre a situação. O resultado concluiu má gestão por parte da universidade, mas os estudantes recusaram envolver-se na segunda fase de averiguação solicitada pelos fundadores.</p>
<p>“Concluímos que as faturas dos estudantes graduados entre 2018 e 2020 não indicam qualquer valor referente à taxa do edifício. Apesar disso, a universidade não adotou medidas concretas”, afirmou Joanito Maia.</p>
<p>Joanico Mendonça, estudante e membro do Senado Geral da UNITAL, corroborou a posição dos estudantes. Segundo ele, a comissão recomendou o reembolso de cerca de 58 mil dólares, montante que a universidade rejeitou, demorando a tomar qualquer decisão.</p>
<p>Entre 2 e 6 de fevereiro, os estudantes bloquearam atividades académicas, serviços administrativos e o registo de novos alunos, exigindo que a situação fosse resolvida antes do retomar do funcionamento normal da universidade.</p>
<p>“Decidimos abrir o portão, mas a universidade avançou com o carimbo de um despacho que consideramos autoritário. Por isso, emitimos uma carta de recurso para procurar uma solução”, declarou Joanico Mendonça.</p>
<p>Após a avaliação de todas as circunstâncias, a Reitoria não conseguiu tomar medidas concretas. “O reitor não tem competência para decidir. Funciona apenas como uma ‘cortina’ para proteger a Fundação, cujos membros tomam todas as decisões”, explicou Mendonça.</p>
<p>O estudante acrescentou que, depois de emitirem o comunicado, a Reitoria não procurou dialogar com os alunos nem apresentar soluções. “Nada foi feito para ouvir os estudantes ou resolver o problema”, lamentou.</p>
<p><strong>Jurista Armindo Moniz: Universidades devem ser espaços de transparência e democracia</strong></p>
<p>O jurista Armindo Moniz afirmou que os estudantes universitários atuais já não seguem a postura do passado, marcada pela obediência cega às autoridades académicas. “O feudalismo que antes existia no campus está agora a desaparecer. Hoje, os estudantes pensam criticamente e avaliam as decisões da universidade”, afirmou.</p>
<p>Para Armindo Moniz, o campus deve abandonar práticas que comprometem a transparência e adotar modelos de boa governação. “O campus deve ser um exemplo para a sociedade e para outras instituições, um espaço de gestão transparente e livre de corrupção”, sublinhou.</p>
<p>O jurista referiu ainda o caso da UNITAL como um exemplo que deve ser analisado à luz do contexto nacional e do quadro legal de Timor-Leste. Segundo ele, quando existem indícios de criminalidade, exploração ou uso indevido de competências para obtenção de benefícios financeiros, os estudantes não devem considerar tais situações como normais. “Há uma tendência para a exploração e para o uso da competência institucional com o objetivo de obter lucro, o que deve ser investigado”, afirmou.</p>
<p>Armindo Moniz explicou que os estudantes têm legitimidade para apresentar queixa junto da Comissão Anticorrupção (CAC), que pode investigar eventuais irregularidades financeiras. O jurista destacou ainda que a legislação em vigor regula a forma como as instituições, incluindo universidades privadas, devem gerir os recursos financeiros e prevenir práticas de manipulação.</p>
<p>“Se houver indícios de manipulação e exploração dos estudantes através de decisões administrativas, isso não é apenas uma questão antidemocrática, é um crime”, declarou. Armindo Moniz classificou este tipo de prática como totalitária e demonstrativa de abuso de poder. “A crítica não pode ser silenciada. Pelo contrário, deve abrir espaço para que as pessoas expressem opiniões e ideias diferentes”, acrescentou, salientando que a diversidade de opiniões é fundamental num Estado democrático, especialmente num ambiente universitário.</p>
<p>Relativamente à afirmação do reitor da UNITAL de que a universidade poderia facilitar a transferência para outras instituições caso alguns estudantes discordassem do montante cobrado, Armindo Moniz reconheceu que a transferência é um direito legítimo. No entanto, o jurista alertou que, em certos contextos, esta medida pode ser utilizada como mecanismo de repressão. “Nesta situação, não parece que os estudantes queiram realmente transferir-se, mas sim que esta seja uma estratégia para afastar quem critica”, concluiu.</p>
<p><strong>Provedor alerta para possível violação do direito à educação </strong></p>
<p>O Provedor dos Direitos Humanos e Justiça (PDHJ), Virgílio Guterres, explicou que, embora a atuação da Provedoria se concentre principalmente nas instituições públicas, pode pronunciar-se sempre que uma situação afete direitos fundamentais dos cidadãos, nomeadamente o direito de acesso à educação.</p>
<p>“Se este processo ou assunto estiver a limitar ou a interromper as atividades escolares dos estudantes, então sim. Depois de cumprirem todos os requisitos administrativos, os cidadãos têm o direito de acesso à educação”, afirmou.</p>
<p>Virgílio Guterres defendeu ainda que os responsáveis da universidade devem fazer um esforço para esclarecer os estudantes, especialmente no que diz respeito à utilização das contribuições financeiras ou subsídios exigidos.</p>
<p>“Os responsáveis da instituição têm de ser transparentes quanto à utilização das contribuições que têm impacto no direito dos estudantes de aceder às atividades escolares na universidade”, sublinhou. Apesar disso, o Provedor reiterou que a principal responsabilidade de intervenção pertence ao Ministério do Ensino Superior.</p>
<p>Questionado sobre que orientação deixar aos estudantes que se sentem lesados, Virgílio Guterres aconselhou a apresentação de queixas junto do Ministério do Ensino Superior. Acrescentou que, caso existam indícios de violação de direitos humanos, os estudantes podem recorrer também à Provedoria.</p>
<p>O Diligente tentou contactar o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Cultura para obter esclarecimentos sobre a cobrança da taxa e eventuais medidas a adotar, mas até ao momento da publicação não obteve qualquer resposta.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/unital-jurista-e-pdhj-alertam-para-risco-de-violacao-de-direitos-na-cobranca-da-taxa-do-programa-edificio/">UNITAL: Jurista e PDHJ alertam para risco de violação de direitos na cobrança da taxa do programa “Edifício”</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Estudantes da UNTL contestam cedência de salas a organização externa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2026 10:26:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Nacional Timor Lorosa’e bloquearam o acesso a uma sala de aula utilizada no âmbito de uma cooperação com a AVM Timor-Leste, alegando falta de infraestruturas e ausência de coordenação institucional. [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/estudantes-da-untl-contestam-cedencia-de-salas-a-organizacao-externa/">Estudantes da UNTL contestam cedência de salas a organização externa</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Nacional Timor Lorosa’e bloquearam o acesso a uma sala de aula utilizada no âmbito de uma cooperação com a AVM Timor-Leste, alegando falta de infraestruturas e ausência de coordenação institucional.</em></p>
<p>Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Políticas (FCSP) da Universidade Nacional Timor-Lorosa’e (UNTL) bloquearam o acesso a uma sala de aula que estava a ser utilizada no âmbito de uma colaboração com a AVM Timor-Leste, uma organização australiana. A contestação surge devido à falta de infraestruturas adequadas e à ausência de coordenação eficaz entre a universidade e a faculdade.</p>
<p>A controvérsia em torno da utilização das instalações pela AVM Timor-Leste é uma consequência dos problemas estruturais persistentes na FCSP. Os estudantes denunciam a escassez de salas de aula e a falta de recursos básicos, como cadeiras e mesas. Apesar disso, a UNTL manteve a colaboração com a organização, cedendo uma das suas salas para a realização das atividades da AVM Timor-Leste. Os estudantes, por sua vez, recusam a presença da empresa, afirmando que a situação das infraestruturas da faculdade continua a ser ignorada.</p>
<p>A AVM Timor-Leste é uma organização australiana que atua na área da educação e da formação profissional, colaborando com o Governo e instituições locais para oferecer programas de formação com certificação internacional destinados à força de trabalho timorense.</p>
<p>Cesaltino de Jesus, presidente da Associação de Estudantes da FCSP, explicou que o bloqueio da sala aconteceu porque os problemas de infraestruturas da faculdade permanecem sem solução. “Decidimos bloquear o acesso à sala de aula cedida à AVM Timor-Leste porque a FCSP continua a enfrentar sérios problemas, como a falta de salas e de cadeiras. Apesar das promessas da Reitoria, a situação não foi resolvida”, afirmou. O estudante também sublinhou que o Reitor tinha garantido que a questão seria tratada, mas a situação piorou durante o seu mandato.</p>
<p>Fidélio Cardoso de Jesus, chefe do Departamento de Programação e Discussão da FCSP, também criticou a presença da AVM Timor-Leste, chamando-a de “invasão” devido à falta de comunicação e coordenação. “A AVM Timor-Leste tem objetivos nobres, mas não pode atuar sem um entendimento claro com a faculdade. Trata-se de uma organização privada com fins lucrativos, o que entra em conflito com os princípios de uma universidade pública como a UNTL”, explicou Fidélio.</p>
<p>Acrescentou que as instalações da UNTL são partilhadas pela Faculdade de Ciências Sociais e Políticas e pela Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde, e a falta de uma coordenação adequada gerou tensões, uma vez que os projetos da AVM Timor-Leste nunca foram comunicados oficialmente à faculdade.</p>
<p>O estudante frisou ainda que a falta de diálogo desde o início do projeto foi o que levou os estudantes a tomar a decisão de bloquear a sala e pedir a retirada da organização. “É fundamental que a FCSP seja informada desde o princípio de qualquer cooperação. Desde o início desta parceria até hoje, não recebemos qualquer comunicação oficial nem um diálogo claro sobre a proposta da AVM”, concluiu.</p>
<p>Por sua vez, Tomé Xavier Jerónimo, Pró-Reitor para os Assuntos de Cooperação da UNTL, explicou que o memorando de entendimento entre a UNTL e a AVM TL foi assinado a 1 de julho de 2025 e que as faculdades da universidade têm autonomia para estabelecer contactos diretos com organizações externas, mas qualquer memorando de entendimento deve ser assinado pelo Reitor. “Todas as faculdades têm autonomia para contactar organizações, mas, por ser uma universidade pública, a assinatura formal do memorando deve ser feita pelo Reitor. As propostas de cooperação partem das faculdades, que são as responsáveis por implementar as atividades após a assinatura do acordo”, explicou.</p>
<p>O Diligente tentou entrevistar a Decana da Faculdade de Medicina, Ciências da Saúde (FMCS) da UNTL sobre a colaboração com a AVM Timor-Leste. Inicialmente, os jornalistas foram orientados a contactar o Pró-Reitor para os Assuntos da Cooperação. Após a obtenção de alguns esclarecimentos junto deste responsável, os jornalistas foram aconselhados a contactar o Vice-Decano para os Assuntos da Cooperação da FMCS. No entanto, o Vice-Decano indicou que seria mais adequado realizar a entrevista diretamente com o Decano ou com o Reitor.</p>
<p>Os jornalistas tentaram novamente contactar o Decano, mas foram informados de que, ao nível da faculdade, não existiam questões relacionadas com a referida cooperação, uma vez que essa é da competência da universidade.</p>
<p>O Diligente também procurou contactar o Reitor e o Diretor-Geral da UNTL, mas ambos recusaram prestar declarações, alegando estarem ocupados com os preparativos para a cerimónia de tomada de posse do novo reitor, agendada para o dia 30 de janeiro.</p>
<p>Adicionalmente, a AVM Timor-Leste foi contactada pelo Diligente para prestar esclarecimentos sobre o assunto, mas até ao momento não forneceu qualquer comentário.</p>
<p>O Ministro do Ensino Superior, Ciência e Cultura (MESCC), José Honório, comentou a situação, destacando que as universidades estão autorizadas a estabelecer cooperação com qualquer organização, mas é fundamental que haja uma boa comunicação entre as partes envolvidas. “Espero que os dirigentes, como os decanos das faculdades, saibam dialogar entre si, de modo a garantir que a UNTL seja um exemplo para todas as universidades”, afirmou.</p>
<p>José Honório acrescentou que o Estatuto da UNTL confere autonomia às universidades para estabelecerem parcerias com entidades externas, desde que essas cooperativas tragam benefícios para a instituição. “As universidades podem cooperar com quem desejarem, mas é essencial que haja uma boa comunicação e coordenação, especialmente no que diz respeito à utilização das instalações da universidade”, sublinhou.</p>
<p>Em relação ao incidente na FCSP, o MESCC revelou que ainda não recebeu qualquer informação formal sobre o ocorrido, mas afirmou que irá tratar pessoalmente do assunto com o novo Reitor para resolver a situação de forma eficaz.</p>
<p><strong>Juristas discutem gestão de ativos públicos e a transparência necessária</strong></p>
<p>Um especialista jurídico consultado pelo Diligente a propósito de gestão de ativos, nomeadamente sobre os direitos de arrendamento em instituições públicas, sublinhou que essas práticas têm uma base legal bem definida. Segundo o especialista, a gestão de ativos, seja através da celebração de contratos de arrendamento ou através de outras formas de dispor ou onerar os imóveis sobre os quais é proprietária, deve ser realizada de acordo com os regulamentos internos das instituições.</p>
<p>“No caso da UNTL, é evidente que a instituição tem autoridade para utilizar seus ativos, seja por arrendamento ou por outros meios, mas a gestão e manutenção das propriedades devem ser feitas de forma organizada e conforme as normas estabelecidas”, explicou o especialista.</p>
<p>Acrescentou que a decisão sobre a gestão dos ativos da UNTL compete ao Conselho de Gestão, conforme os artigos 34 e 36 do Estatuto da UNTL, o qual foi aprovado pelo Decreto-Lei n.º 13/2025 de 4 de junho, que definem claramente quem tem a competência para decidir sobre a gestão de ativos e quem deve ser contactado para questões relacionadas. Além disso, destacou o artigo 60 do mesmo diploma legal, que garante que documentos públicos, como planos estratégicos e orçamentos, devem ser acessíveis à sociedade e às partes interessadas.</p>
<p>Mencionou ainda o artigo 57, que estabelece que as receitas provenientes de arrendamento ou direitos sobre propriedades devem ser consideradas legítimas para a instituição. “A gestão dos ativos é, portanto, não só legal, mas encontra-se devidamente regulamentada”, concluiu.</p>
<p>Por sua vez, o jurista Armindo Moniz explicou que a UNTL, sendo uma instituição pública financiada pelos cidadãos timorenses, deve garantir que a utilização de seus ativos e fundos seja destinada exclusivamente a atividades académicas e institucionais. “Qualquer utilização desses recursos para fins externos deve ser gerida de forma transparente e reportada”, afirmou.</p>
<p>Armindo destacou a colaboração da UNTL com o setor privado, cooperativas e o Estado, mas enfatizou que a gestão das receitas geradas por esses arrendamentos deve ser transparente. “A transparência é essencial para garantir que os fundos públicos sejam utilizados de forma responsável e que a sociedade possa acompanhar a alocação de recursos dentro da universidade”, sublinhou.</p>
<p>Acrescentou que o sistema de gestão financeira da UNTL deve ser capaz de garantir relatórios claros sobre a execução do orçamento e as receitas geradas, permitindo auditorias e assegurando a responsabilização. “A UNTL deve adotar práticas de controlo e responsabilidade financeira que garantam a correta utilização dos fundos públicos”, concluiu.</p>
<p>A contestação dos estudantes na FCSP evidenciou a falta de comunicação entre as partes envolvidas na cooperação com a AVM Timor-Leste. A relutância das entidades responsáveis em fornecer esclarecimentos à comunicação social, assim como a persistente falta de salas de aula na UNTL, um problema já identificado há vários anos, têm gerado tensões internas. Embora a falta de coordenação tenha sido mencionada, ainda se espera uma abordagem mais clara e uma resolução eficaz para as questões estruturais que afetam a universidade. Até ao momento, não foram prestadas explicações formais sobre como estas questões estão a ser tratadas.</p>
<p>A questão dos benefícios concretos da cooperação entre a UNTL e a AVM Timor-Leste permanece sem respostas claras.</p>
<p>Quais são, de facto, as vantagens que a UNTL ou os seus estudantes podem obter com esta parceria? Serão atribuídas bolsas de estudo, formação gratuita ou estágios com certificação internacional? Ou as atividades são pagas e destinadas a um público externo à universidade?</p>
<p>Sem esta informação, não é possível avaliar se a cedência ou arrendamento das salas de aula justifica o interesse público ou se existe algum conflito entre a missão pública da universidade e os interesses privados da AVM TL.</p>
<p>Além disso, como é que a universidade garante que a utilização das suas infraestruturas por entidades externas não compromete as atividades letivas ou agrave a já conhecida escassez de salas de aula?</p>
<p>Num momento em que as infraestruturas da UNTL continuam a ser um desafio, surge a questão: será que a prioridade da universidade não deve ser, antes de mais, assegurar que as suas atividades académicas não sejam afetadas por parcerias externas?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/estudantes-da-untl-contestam-cedencia-de-salas-a-organizacao-externa/">Estudantes da UNTL contestam cedência de salas a organização externa</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Multidão no Doulos Hope revela forte interesse pela leitura num Timor-Leste ainda sem Biblioteca Nacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Jan 2026 10:34:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A chegada do navio-biblioteca internacional Doulos Hope ao Porto de Díli transformou-se num verdadeiro fenómeno de adesão popular e numa demonstração clara do interesse da população timorense pela leitura. Durante vários dias, milhares de pessoas fizeram fila para entrar nesta [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>A chegada do navio-biblioteca internacional Doulos Hope ao Porto de Díli transformou-se num verdadeiro fenómeno de adesão popular e numa demonstração clara do interesse da população timorense pela leitura. Durante vários dias, milhares de pessoas fizeram fila para entrar nesta biblioteca flutuante, num país que continua sem uma Biblioteca Nacional.</em></p>
<p>A visita do Doulos Hope, operado pela organização humanitária GBA Ships (Gute Bücher für Alle – Bons Livros para Todos), constitui um momento histórico para Timor-Leste. O navio chegou a Díli no dia 15 de janeiro de 2026 e permanece atracado até 29 de janeiro, numa segunda escala no país, depois da primeira visita em 2008.</p>
<p>O navio abriu ao público às 10h00, mas desde as 08h00 dezenas de pessoas já aguardavam na fila. O bilhete tem um custo simbólico de 20 centavos por pessoa, sendo a entrada gratuita para crianças e jovens com menos de 18 anos, o que facilitou ainda mais o acesso da população.</p>
<p>No interior do navio, os visitantes encontraram uma grande diversidade de livros, desde literatura infantil, livros de fé, culinária, negócios, desenvolvimento pessoal, educação e outros temas. Para além de livros, estavam disponíveis vários artigos como pins, canetas e porta-chaves, com preços entre 50 centavos e 20 dólares americanos, incluindo livros. O navio dispõe ainda de café, música ao vivo e espaços de convívio, o que contribuiu para atrair visitantes de todas as idades.</p>
<p>O ambiente acolhedor do Doulos Hope levou muitos visitantes a usufruírem de momentos de lazer, leitura e fotografia em praticamente todos os cantos do navio. Mais do que uma simples biblioteca, a embarcação funciona como um espaço cultural e recreativo único, evidenciando de forma clara o elevado interesse da população timorense por livros, leitura e literacia.</p>
<p>O gerente de Comunicação do Doulos Hope, Vale Rios, sublinhou que esta visita a Timor-Leste tem um significado especial, uma vez que passaram mais de dez anos desde a última escala de um navio da GBA Ships no país. Segundo explicou, o objetivo principal foi trazer o navio mais recente da organização para reencontrar a população timorense e observar o desenvolvimento do país ao longo dos anos.</p>
<p>“Estamos muito felizes por trazer o nosso navio mais recente aqui e ver como Timor-Leste tem evoluído ao longo do tempo”, afirmou Vale, acrescentando que a receção da população superou todas as expectativas. Durante os nove dias de abertura, mais de 28 mil visitantes passaram pelo navio, demonstrando um interesse expressivo por livros e atividades educativas.</p>
<p>Vale Rios destacou ainda que os livros mais procurados foram os de desenvolvimento pessoal, gestão e liderança, educação e literatura infantil. Quase todos os visitantes saíram do navio com pelo menos um livro. A maioria das obras disponíveis está em inglês, embora existam também títulos em tétum. Os livros de aprendizagem de inglês como segunda língua foram particularmente procurados.</p>
<p>“Adquiriram muitos livros sobre gestão e liderança, muitos livros infantis, bem como livros educativos, incluindo materiais sobre leitura e escrita. Livros de inglês como segunda língua também são muito procurados”, explicou.</p>
<p>Quanto ao impacto da visita, Vale Rios manifestou a expectativa de que o Doulos Hope contribua para facilitar o acesso a literatura de qualidade e gere um efeito positivo duradouro na cultura de leitura e na educação em Timor-Leste, elogiando também a resiliência e o entusiasmo da população pela aprendizagem. Após deixar Díli, o navio seguirá para Port Moresby, na Papua-Nova Guiné, antes de continuar a sua rota pela região do Pacífico.</p>
<figure id="attachment_21515" aria-describedby="caption-attachment-21515" style="width: 920px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-21515" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-27-at-19.24.50-516x201.jpeg" alt="" width="920" height="358" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-27-at-19.24.50-516x201.jpeg 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-27-at-19.24.50-900x351.jpeg 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-27-at-19.24.50-768x300.jpeg 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-27-at-19.24.50.jpeg 1125w" sizes="(max-width: 920px) 100vw, 920px" /><figcaption id="caption-attachment-21515" class="wp-caption-text">Navio Doulos Hope / Foto: Diligente</figcaption></figure>
<p>Vários visitantes partilharam impressões positivas após visitarem a biblioteca flutuante Doulos Hope. Para muitos, trata-se de uma experiência inédita que traz benefícios concretos para a comunidade local, sobretudo no incentivo à leitura.</p>
<p>Relia Costa, moradora de Tasi Tolu, destacou a importância da presença do navio-biblioteca Doulos Hope para a comunidade local, especialmente tendo em conta que Timor-Leste ainda não dispõe de uma Biblioteca Nacional acessível a todos. Segundo afirmou, este espaço oferece aos leitores a oportunidade de aceder a livros e informações que, anteriormente, eram difíceis de obter, sobretudo para crianças, estudantes e famílias. “Esta biblioteca funciona como uma ponte que liga a comunidade ao vasto mundo do conhecimento, ao mesmo tempo que fortalece a cultura da leitura em Timor-Leste”, sublinhou Relia.</p>
<p>Acrescentou que a presença do Doulos Hope também evidencia o elevado interesse da população pela aprendizagem. Muitos visitantes, além de lerem no local, aproveitaram para comprar livros, abrangendo uma variedade de géneros, como obras educativas, de motivação, negócios e liderança. “Inicialmente, o meu objetivo era apenas explorar os livros trazidos pelo Doulos Hope, mas quando cheguei lá, fiquei fascinada pela diversidade da coleção disponível. Comprei nove livros, incluindo alguns para crianças e outros para mim mesma”, relatou.</p>
<p>Natalícia Maria Lourdes Cabral, residente em Bebonuk, contou que decidiu visitar a biblioteca por curiosidade em relação à coleção de livros disponível. Segundo afirmou, a biblioteca é muito importante para a comunidade, por oferecer livros a preços acessíveis e por disponibilizar espaços complementares como sala de estudo, café e locais para tirar fotografias.</p>
<p>“Durante a visita, encontrei livros que têm sido muito úteis na minha vida pessoal, como 12 Rules for Life, de Jordan P. Peterson, que oferece orientações no meio de uma crise dos 25 anos, e Things That Matter, de Joshua Becker, que já me ensinou bastante, mesmo tendo lido apenas até à página 29”, relatou.</p>
<p>Natalícia acrescentou que vê o Doulos Hope como um espaço de interação cultural, onde os visitantes podem conhecer outras culturas, novas pessoas e trocar ideias. Embora reconheça que alguns visitantes vão apenas para tirar fotografias, considera que a presença da biblioteca tem um impacto positivo e incentiva a leitura, mesmo entre quem anteriormente não tinha interesse em livros.</p>
<p>Já Névio Alves da Silva, residente em Manleuana, destacou a importância do navio Doulos Hope para a comunidade local, especialmente para a comunidade católica, uma vez que grande parte da coleção está relacionada com o contexto cristão, incluindo Bíblias, e que o navio oferece várias facilidades adicionais, como música ao vivo, café, venda de souvenirs e distribuição gratuita de Bíblias.</p>
<p>“Pessoalmente, gosto de livros de culinária, porque quero aprender a preparar pratos de qualidade seguindo padrões internacionais de chefs famosos, o que enriquece os meus conhecimentos gastronómicos. Infelizmente, durante a visita não encontrei o livro que procurava, mas a experiência foi inspiradora e permitiu-me descobrir outros livros interessantes”, afirmou.</p>
<p>Opinião semelhante foi partilhada por Márcia da Cruz, estudante residente em Becora (Au-Hun), que explicou ter visitado o Doulos Hope com o objetivo de adquirir conhecimento através da leitura e de procurar livros em inglês para levar para casa.</p>
<p>“Quanto mais lemos, maior é a expansão do conhecimento. A presença da Doulos Hope ajuda imenso a comunidade local, incluindo os estudantes, porque estimula o interesse e o entusiasmo pela leitura. Encontrei um romance em inglês, A Little Closer to Home, que aborda questões de saúde mental. A presença da Doulos Hope inspira-nos e esperamos que esta visita traga benefícios duradouros para a comunidade”, concluiu.</p>
<p><strong>Biblioteca Nacional: uma história ainda por escrever</strong></p>
<p>Apesar do entusiasmo popular, a visita do Doulos Hope expõe uma realidade preocupante: Timor-Leste continua sem uma Biblioteca Nacional. Esta ausência limita seriamente o acesso regular a livros, ao conhecimento e à educação contínua. A presença temporária de um navio-biblioteca, embora valiosa, não consegue abranger toda a população, sobretudo aqueles que não têm possibilidade de se deslocar ao porto durante o curto período da visita.</p>
<p>A situação torna-se ainda mais irónica quando se analisa o historial do projeto da Biblioteca Nacional de Timor-Leste, anunciado há vários anos mas nunca concretizado. Apresentada como um símbolo de progresso cultural e valorização do conhecimento, a Biblioteca Nacional permanece por construir, apesar de já terem passado oito anos desde a cerimónia simbólica de lançamento da primeira pedra.</p>
<p>De acordo com um comunicado do Governo de Timor-Leste, datado de 16 de agosto de 2017, a primeira pedra foi colocada em Hudi-Laran, Díli, com a previsão de conclusão da obra até 2019. No entanto, o projeto não registou avanços significativos. Em 19 de julho de 2022, o Governo voltou a realizar uma cerimónia simbólica no mesmo local, anunciando que a construção teria a duração de um ano e meio, com conclusão prevista para janeiro de 2024.</p>
<p>A futura Biblioteca Nacional está planeada para ocupar uma área de cerca de 27 mil metros quadrados, em Hudi-Laran, no Posto Administrativo de Dom Aleixo, Díli, e deverá funcionar como centro de preservação e promoção da cultura, literatura e história nacional de Timor-Leste.</p>
<p>O projeto resulta de uma cooperação entre o Secretariado de Estado para as Artes e Cultura (SEAC) e a Autoridade Nacional do Petróleo e Minerais (ANPM), com um financiamento inicial estimado em 10 milhões de dólares americanos, disponibilizados pela empresa multinacional italiana ENI, no âmbito de um acordo de exploração petrolífera no Mar de Timor. Apesar disso, até hoje, o projeto não apresenta progressos físicos visíveis.</p>
<p>O Ministro da Juventude e Desporto, Nélio Isaac, reconheceu que a presença do navio Doulos Hope despertou um grande entusiasmo e incentivou o hábito da leitura entre os cidadãos timorenses. Segundo o governante, esta realidade demonstra claramente que Timor-Leste tem a necessidade e a responsabilidade de dispor de uma biblioteca nacional própria.</p>
<p>“Quando o Doulos Hope chegou a Timor-Leste, muitos cidadãos demonstram entusiasmo em visitar o navio, ler e adquirir livros. Isto prova que a cultura da leitura existe e que é algo de que o país necessita. Significa que temos a obrigação de possuir uma biblioteca nacional”, afirmou.</p>
<p>Relativamente ao projeto da Biblioteca Nacional, o ministro esclareceu que já existe uma empresa chinesa responsável pela sua execução e que, no início do mês de março, será realizada novamente a cerimónia de lançamento da primeira pedra.</p>
<p>“O orçamento mantém-se e, no início do mês de março, será realizada novamente a cerimónia de lançamento da primeira pedra do projeto da Biblioteca Nacional”, concluiu.</p>
<p>Neste contexto, a presença do Doulos Hope funciona simultaneamente como presente e alerta. Por um lado, oferece acesso temporário a livros e conhecimento. Por outro, evidencia a urgência de Timor-Leste investir seriamente em infraestruturas culturais e educativas permanentes. Sem uma Biblioteca Nacional em funcionamento, o aumento da literacia e do desenvolvimento intelectual da população continuará dependente de iniciativas pontuais e de apoio externo.</p>
<p>Fiche Piedade, leitora ativa, destacou que uma das questões mais frequentemente apontadas é precisamente a falta de bibliotecas no país, uma situação que, segundo afirmou, não tem recebido atenção séria por parte do Governo.</p>
<p>“Na minha opinião, as bibliotecas existentes ainda são insuficientes, tanto pelas limitações de espaço como pela ausência de investimento sério do Governo. Eu nem sei exatamente onde essas bibliotecas se encontram, e também não vejo esforços concretos do Governo para as promover, seja em Díli ou nas escolas”, afirmou.</p>
<p>Por sua vez, Miguel Monsil sublinhou que a existência de bibliotecas em Díli poderia atrair muitas pessoas para a leitura, ao oferecer acesso a referências essenciais para os leitores.</p>
<p>“Isto é um sinal importante para nós e para os responsáveis pela tomada de decisões sobre a relevância dos livros, materiais de referência e literacia no processo de desenvolvimento nacional. Timor-Leste, como nação, deve ter uma Biblioteca Nacional adequada. Trata-se de uma necessidade básica para apoiar o desenvolvimento nacional, tanto administrativamente como Estado, quanto sociologicamente como sociedade. Ter uma sociedade com forte capital cultural pode ser um fator decisivo para impulsionar o desenvolvimento de Timor-Leste”, afirmou.</p>
<p>Segundo Miguel Monsil, até hoje Timor-Leste continua a enfrentar desafios semelhantes aos de outros países do chamado Terceiro Mundo, onde grande parte dos recursos é direcionada prioritariamente para o desenvolvimento físico, em detrimento do investimento estrutural na cultura e na leitura.</p>
<p>Quando o Doulos Hope deixar o Porto de Díli, levará consigo milhares de livros e deixará para trás uma pergunta que continua sem resposta: por quanto mais tempo continuará Timor-Leste a depender de bibliotecas temporárias para suprir uma necessidade estrutural e permanente?</p>
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		<title>Vídeo de agressão em sala de aula na EPD levanta alarme na comunidade escolar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jan 2026 11:27:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um vídeo que mostra uma professora da Escola Portuguesa de Díli (EPD) a empurrar e a dar uma bofetada a uma aluna gerou forte preocupação na comunidade escolar. A Associação de Pais exige investigação rigorosa e medidas imediatas, enquanto a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Um vídeo que mostra uma professora da Escola Portuguesa de Díli (EPD) a empurrar e a dar uma bofetada a uma aluna gerou forte preocupação na comunidade escolar. A Associação de Pais exige investigação rigorosa e medidas imediatas, enquanto a direção da escola garante acompanhamento da situação e reforça o compromisso com a segurança e o respeito pelos alunos.</em></p>
<p>Um vídeo que se tornou viral nas redes sociais mostra claramente uma professora da Escola Portuguesa de Díli &#8211; Centro de Ensino e Língua Portuguesa &#8211; Ruy Cinatti a empurrar e a dar uma bofetada a uma aluna numa sala de aula. A Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE-EPD) classificou o conteúdo do vídeo como “chocante” e solicitou uma reunião urgente com a direção da escola.</p>
<p>A Presidente do Conselho Executivo da APEE-EPD, Ana Cristina Fernandes, afirmou ao Diligente que, até ao momento, a associação não recebeu qualquer denúncia formal por parte de pais ou encarregados de educação.</p>
<p>“É importante que os pais e encarregados de educação denunciem estes factos para que a APEE-EPD possa representar os seus membros e garantir o interesse da comunidade escolar”, disse Ana Cristina Fernandes.</p>
<p>Apesar da ausência de denúncias formais, a associação tomou conhecimento informal do caso no domingo e solicitou, na segunda-feira, uma reunião urgente com o diretor da escola.</p>
<p>“O vídeo que circula é chocante para a APEE-EPD e para os seus membros enquanto pais e encarregados de educação da EPD. A escola tem alunos de diversas etnias cuja integração deve ser garantida. Esperamos que a direção aja de pronto, e sabemos que a situação está a ser investigada”, declarou Ana Cristina Fernandes.</p>
<p>A presidente reforçou que, devido à gravidade do episódio, a professora deve ser suspensa até à conclusão da investigação, minimizando impactos e preservando o superior interesse da menor envolvida.</p>
<p>“Desde já acrescentamos que o vídeo mostra agressões à integridade da menor, configurando possíveis ilícitos que podem ser punidos criminalmente, pelo que devem ser relatados ao Ministério Público”, frisou.</p>
<p>A associação apelou ainda aos pais e encarregados de educação para que “sejam vigilantes, conversem com os seus educandos e procurem informações sobre ocorrências como esta”, disponibilizando um formulário online para recolha de denúncias, através do link <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdOuKWL3gNbDIQ4SjgoekQ9vbMMCMNmputJz4-USatEyaKLfg/viewform?usp=header">https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdOuKWL3gNbDIQ4SjgoekQ9vbMMCMNmputJz4-USatEyaKLfg/viewform?usp=header</a> ou do QRCode:</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-21476 aligncenter" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/01/epd-325x377.jpg" alt="" width="325" height="377" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/01/epd-325x377.jpg 325w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/01/epd.jpg 416w" sizes="(max-width: 325px) 100vw, 325px" /></p>
<p>“A segurança da comunidade escolar, assim como as melhorias da Escola Portuguesa, implicam que todos tenhamos uma cidadania ativa”, destacou Ana Cristina Fernandes.</p>
<p>Em comunicado divulgado na página oficial do Facebook da EPD, a direção da escola confirmou ter conhecimento da circulação do vídeo e assegurou que a situação está a ser acompanhada de forma rigorosa.</p>
<p>“Foram desencadeados os procedimentos internos e legais adequados. Reafirmamos o nosso compromisso com a proteção dos alunos e a promoção de um ambiente educativo seguro, respeitador e inclusivo”, lê-se no documento.</p>
<p>A escola rejeita “qualquer tipo de violência, discriminação ou comportamento contrário aos princípios e valores que regem as Escolas Portuguesas no Estrangeiro e a Escola Pública Portuguesa”.</p>
<p>A direção apelou à “serenidade e sentido de responsabilidade de toda a comunidade escolar, solicitando que se aguarde o normal decurso dos procedimentos, salvaguardando a confidencialidade necessária à correta averiguação dos factos”.</p>
<p>Fontes a que o Diligente teve acesso, que preferiram não ser identificadas, relataram que o comportamento da professora em causa já teria suscitado preocupação anteriormente no seio da comunidade escolar. Segundo essas fontes, terão existido alegados comentários de teor racista em contexto de sala de aula, bem como a perceção de que a docente não se teria integrado plenamente no ambiente escolar.</p>
<p>O Diligente tentou contactar a professora que surge no vídeo, alegadamente envolvida na situação, mas não obteve resposta.</p>
<p>O pai da menor envolvida na situação também foi contactado e afirmou que só se iria pronunciar após a direção da escola tomar uma posição e agir sobre o caso.</p>
<p>Foram também contactados alguns encarregados de educação da turma em causa da Escola Portuguesa, que referiram que só se pronunciariam depois de a escola atuar e assumir uma posição oficial.</p>
<p>O diretor da escola, Manuel Marques, que inicialmente se tinha disponibilizado para responder às questões enviadas pelo Diligente, não o fez até ao momento da publicação. Posteriormente, informou que, por agora, “não há declarações a prestar, referindo que a situação está a ser tratada de acordo com os normativos legais em vigor, com garantia de confidencialidade.”</p>
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