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	<title>Educação - DILIGENTE</title>
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	<title>Educação - DILIGENTE</title>
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		<title>Subsídio escolar ajuda escolas a responder a necessidades, mas persistem problemas de água, saneamento e segurança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 19 Sep 2026 10:07:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O financiamento da Conceção Escolar é utilizado pelas escolas para responder a necessidades operacionais, apoiar o ensino, garantir condições de higiene e saneamento e realizar a manutenção das instalações. No entanto, em algumas escolas, problemas como casas de banho danificadas, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O financiamento da Conceção Escolar é utilizado pelas escolas para responder a necessidades operacionais, apoiar o ensino, garantir condições de higiene e saneamento e realizar a manutenção das instalações. No entanto, em algumas escolas, problemas como casas de banho danificadas, falhas no abastecimento de água e falta de segurança continuam por resolver.</em></p>
<p>O programa de Subsídio ou Conceção Escolar para escolas públicas e privadas é regulamentado pelo Diploma Ministerial Conjunto N.º 40/2017, de 28 de junho. De acordo com o diploma, o financiamento pode ser utilizado para a aquisição de materiais pedagógicos e administrativos, apoio a atividades escolares, impressão de materiais para exames, aquisição de produtos de higiene e manutenção, bem como pequenas reparações de mobiliário, equipamentos e instalações escolares.</p>
<p>O montante do financiamento é calculado com base no número de alunos e é atribuído por período. Na prática, cada escola começa por elaborar um plano com as necessidades identificadas, que é posteriormente submetido através da estrutura da educação para aprovação.</p>
<p><strong>Farol utiliza financiamento para higiene e saneamento</strong></p>
<p>Na Escola Básica Central (EBC) de Farol, que tem 1.795 alunos, 22 salas de aula, duas salas de professores e três casas de banho, o financiamento da Conceção Escolar é utilizado, entre outras despesas, para responder às necessidades de saneamento e higiene.</p>
<p>A diretora da escola, Brígida Faustino Guterres Coelho, explicou que os produtos de higiene estão incluídos nas despesas que podem ser financiadas pela Conceção Escolar e que o orçamento aprovado para cada período é utilizado para a aquisição desses produtos.</p>
<p>“No que diz respeito à Conceção Escolar, há também uma rubrica para saneamento e higiene. Utilizamos o financiamento para comprar os produtos de higiene e, por isso, em cada trimestre, usamos o orçamento aprovado para essas necessidades”, afirmou.</p>
<p>Segundo Brígida, o abastecimento de água na escola tem sido estável. No entanto, alguns dos pequenos equipamentos utilizados pelos alunos danificam-se facilmente. Com o elevado número de estudantes, a escola tem dificuldade em identificar quem provoca os danos.</p>
<p>“Aqui, a água é estável. Os pequenos equipamentos danificam-se facilmente e temos dificuldade em controlar, porque há muitos alunos e não conseguimos saber quem os danificou”, explicou.</p>
<p>Em termos de segurança, a escola dispõe apenas de um segurança, que também é responsável por vigiar a entrada da escola.</p>
<p>Apesar de a direção considerar que, de um modo geral, a situação da escola permite responder às necessidades correntes, as condições das casas de banho continuam a preocupar alguns alunos.</p>
<p><strong>Kulu-Hun dá prioridade ao saneamento e à aprendizagem</strong></p>
<p>Na Escola Básica Filial (EBF) de Kulu-Hun, que tem 787 alunos e 13 salas de aula, o financiamento correspondente ao primeiro período já foi recebido e utilizado na totalidade. A coordenadora da escola, Ângela de Fátima Fernandes, disse que o relatório sobre a utilização do financiamento também já foi enviado à escola central.</p>
<p>Ângela explicou que é responsável pela utilização do financiamento, mas que o plano de despesas é elaborado com base nas necessidades identificadas pelos professores. Entre as várias prioridades da escola estão o saneamento, a higiene e o apoio à aprendizagem dos alunos.</p>
<p>“Recentemente, recebemos o financiamento correspondente ao primeiro período da Conceção Escolar e já o executámos na totalidade. O relatório já foi enviado para a escola central”, afirmou.</p>
<p>Depois de o financiamento ser disponibilizado, os professores acompanham também a sua utilização. A escola apresenta o montante recebido e o plano elaborado, pelo que as despesas devem seguir as rubricas previstas nesse plano.</p>
<p>“Quando o financiamento chega, temos uma regra que envolve todos os professores para acompanharem em que é utilizado. Assim, a utilização deve basear-se no plano”, explicou.</p>
<p><strong>Tuana Laran enfrenta dificuldades nas instalações</strong></p>
<p>Um mecanismo semelhante é aplicado na Escola Ensino Filial 1.2 Tuana Laran. O coordenador da escola, Pedro Moniz Daci, explicou que a escola começa por elaborar um plano, que é enviado à escola central e posteriormente encaminhado para o nível municipal para aprovação.</p>
<p>Depois de concluído o processo de aprovação, a escola central faz o levantamento e distribui o financiamento a cada escola filial com base no número de alunos.</p>
<p>A Tuana Laran tem 572 alunos, seis salas de aula e uma sala de professores. “Elaboramos o plano e levamo-lo para a escola central, onde todos os planos são reunidos e depois enviados para o município. No município, é feita a aprovação. Só depois disso é que a escola central faz o levantamento, reúne todas as escolas na escola central e distribui o financiamento a cada filial com base no número de alunos”, explicou Pedro.</p>
<p>O coordenador acrescentou que a utilização do financiamento também deve ser devidamente justificada. Os professores acompanham as despesas e, depois de receber o financiamento, a escola deve apresentar o montante recebido e o respetivo plano de utilização.</p>
<p><strong>Reparações maiores dependem do Ministério</strong></p>
<p>Apesar de o financiamento permitir responder a algumas necessidades, a capacidade das escolas para reparar as instalações depende do tipo e da dimensão da avaria.</p>
<p>Em Kulu-Hun, Ângela de Fátima Fernandes explicou que os danos menores podem ser resolvidos com o financiamento disponível, enquanto as reparações de maior dimensão têm de ser realizadas gradualmente.</p>
<p>“Quanto à questão de saber se a Conceção Escolar é suficiente ou não, isso depende do tipo de intervenção necessária. Quando são coisas pequenas, conseguimos repará-las. Mas, se for algo maior, fazemos a reparação por etapas, para conseguirmos concluí-la”, afirmou.</p>
<p>Quando a intervenção é de maior dimensão, as escolas têm de apresentar um pedido diretamente ao Ministério da Educação, através da área de infraestruturas. “Quando é algo maior, fazemos uma proposta ao Ministério da Educação e é a área de infraestruturas que vem fazer a reparação”, explicou.</p>
<p>Na Tuana Laran, as necessidades que continuam por satisfazer incluem as casas de banho, o abastecimento de água e a segurança da escola.</p>
<p>Pedro disse que duas casas de banho estão entupidas e que a escola continua a tentar repará-las. Além disso, os alunos mais pequenos, por vezes, deitam lixo fora dos locais apropriados, obrigando a escola a realizar limpezas regularmente.</p>
<p>“Há duas casas de banho que já estão entupidas e continuamos a tentar repará-las. Como as crianças ainda são pequenas, às vezes deitam o lixo para qualquer lado e temos de continuar a limpar”, afirmou.</p>
<p>A escola utiliza também parte do financiamento da Conceção Escolar para comprar materiais utilizados pelos alunos. No entanto, Pedro disse que alguns desses materiais podem deteriorar-se rapidamente, incluindo o sabão utilizado para as necessidades de higiene.</p>
<p><strong>Sistema de água apresenta problemas</strong></p>
<p>Outra dificuldade na Tuana Laran está relacionada com o abastecimento de água.</p>
<p>Segundo Pedro, a escola recebeu anteriormente apoio da KOICA, desde 2015, para o sistema de água. Atualmente, porém, o tanque apresenta fugas e o sistema de abastecimento volta, por vezes, a apresentar problemas.</p>
<p>A escola já tentou fazer reparações, mas o trabalho não é simples, uma vez que os tubos e as estruturas metálicas utilizados são de grandes dimensões e os componentes necessários para a substituição são caros.</p>
<p>Pedro explicou que as necessidades relacionadas com a água também são difíceis de incluir numa proposta quando o montante necessário ultrapassa aquilo que pode ser aprovado tendo em conta o número de alunos.</p>
<p>“Quanto à água, quando fazemos uma proposta, se o montante for demasiado elevado, não conseguimos obter a aprovação, porque o financiamento tem de ser calculado com base no número de alunos”, explicou.</p>
<p>Perante estas limitações, a escola acaba por ter de escolher as necessidades consideradas mais urgentes.</p>
<p><strong>Falta de segurança deixa escola preocupada</strong></p>
<p>Além dos problemas relacionados com as instalações e a água, a segurança continua a ser uma preocupação na Tuana Laran.</p>
<p>A escola não tem atualmente um segurança, enquanto as atividades letivas decorrem aproximadamente das 7h30 às 18h00, em três turnos.</p>
<p>Como não existe um segurança, Pedro permanece na escola até ao fim das atividades para garantir que o portão fica fechado antes de regressar a casa.</p>
<p>Segundo o coordenador, já ocorreram anteriormente danos nas instalações da escola e entradas de pessoas externas depois do horário escolar. Mesmo quando o portão estava trancado, houve pessoas que entraram no recinto saltando o muro.</p>
<p>“Por vezes, quando todos saímos da escola, algumas pessoas voltavam a entrar, chegando a saltar o muro, mesmo quando o portão já estava trancado. Foi por causa deste problema que apresentei a questão às autoridades”, afirmou.</p>
<p>Pedro explicou que a escola já comunicou o problema às autoridades locais depois de deixar de contar com trabalhadores voluntários para vigiar o recinto escolar. Segundo o coordenador, se a escola tiver de contratar alguém para realizar esse trabalho, não dispõe de recursos financeiros para pagar essa função.</p>
<p><strong>Alunos sentem os problemas das instalações</strong></p>
<p>Os problemas relacionados com as instalações referidos pelas escolas também são sentidos diretamente pelos alunos.</p>
<p>Flora da Costa Silva, aluna da Tuana Laran, disse que as condições das casas de banho continuam a ser um dos problemas da escola. Segundo ela, algumas casas de banho estão, por vezes, sujas e não têm sabão. “As casas de banho continuam sujas e não há sabão. O que vemos não é bom”, afirmou.</p>
<p>Flora disse também que, por vezes, pessoas de fora entram no recinto escolar e danificam instalações, incluindo a rede situada na parte superior do edifício. Por isso, considera necessária a presença de um segurança para ajudar a proteger o recinto. “E penso que é realmente necessário ter um segurança para vigiar a escola”, afirmou.</p>
<p>Quanto à limpeza, Flora explicou que os alunos e a escola fazem a limpeza diariamente, incluindo uma limpeza geral aos sábados. No entanto, o recinto volta a ficar sujo depois de ser utilizado pelos alunos. “Quanto ao lixo, fazemos a limpeza todos os dias e, aos sábados, fazemos uma limpeza geral, mas os alunos acabam por voltar a sujar o recinto”, explicou.</p>
<p>A aluna disse ainda que, por vezes, o abastecimento de água na escola não funciona normalmente devido a fugas. Algumas casas de banho também continuam sujas por estarem entupidas.</p>
<p>Na EBC Farol, Zenilda, também aluna da escola, considera que, de um modo geral, o ambiente escolar é bom. No entanto, disse que as casas de banho ainda precisam de reparações. “O ambiente da escola é bom, mas o que precisa de ser reparado são as casas de banho, porque as sanitas não estão em boas condições”, afirmou.</p>
<p>Segundo Zenilda, esta situação leva, por vezes, os alunos a utilizarem as casas de banho dos professores ou a esperarem até chegar a casa para utilizar a casa de banho. “Por vezes, usamos as casas de banho dos professores ou, outras vezes, esperamos até chegar a casa para utilizar a casa de banho”, explicou.</p>
<p><strong>Ministério reconhece problemas nas escolas</strong></p>
<p>O diretor-geral da Educação Pré-Escolar, Ensino Básico e Ensino Recorrente, Apolinário Serpa Rosa, reconheceu que as condições das escolas variam de uma região para outra e que algumas continuam a enfrentar problemas relacionados com higiene, abastecimento de água e funcionamento das casas de banho. “É uma realidade que algumas escolas enfrentam problemas. Há escolas onde o ambiente não é limpo, onde não há água ou onde as casas de banho não funcionam bem”, afirmou.</p>
<p>Segundo Apolinário, as escolas devem gerir o financiamento disponível de acordo com as suas próprias necessidades e prioridades. Explicou que o atual mecanismo utiliza o número de alunos como base para o cálculo. “O orçamento das escolas é através da Conceção Escolar, em que cada estudante recebe dois dólares. Ou seja, o número total de estudantes é multiplicado por dois dólares”, explicou.</p>
<p>O responsável reconheceu, contudo, que esse montante pode não ser suficiente para cobrir todas as necessidades das escolas. “O dinheiro não é suficiente, mas depende da gestão da escola”, afirmou.</p>
<p>Apolinário disse também que o abastecimento de água deve ser uma parte importante da gestão das escolas. Segundo o diretor-geral, uma escola não pode funcionar adequadamente sem acesso à água, uma vez que esta é necessária para a higiene, a preparação da alimentação escolar e a utilização das casas de banho.</p>
<p>“Não podemos construir uma escola sem acesso à água, porque a água é muito importante, sobretudo numa escola. Sem água, não há higiene na preparação da merenda e as casas de banho também não funcionam.”</p>
<p>Quanto à higiene, o Ministério da Educação tem orientado as escolas a realizar limpezas regularmente. Apolinário disse que os alunos também podem participar nessas atividades, uma vez que a educação não se limita às matérias académicas, mas inclui também a formação de hábitos de higiene e de uma vida saudável. “Na escola, não aprendemos apenas ciências. Aprendemos também como viver de forma higiénica e saudável.”</p>
<p>Relativamente à segurança, o diretor-geral disse que a presença de um segurança escolar é importante, mas não é a única forma de proteger as instalações. Segundo Apolinário, a comunidade envolvente e os pais também devem assumir responsabilidade pela proteção do recinto escolar. “É importante ter um segurança escolar, mas não é necessariamente a única solução. A segurança deve ser uma responsabilidade da comunidade.”</p>
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		<item>
		<title>À terceira é de vez? Governo gastou até 30 mil dólares em lançamentos da Biblioteca Nacional</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/a-terceira-e-de-vez-governo-gastou-ate-30-mil-dolares-em-lancamentos-da-biblioteca-nacional/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 11:11:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nove anos após a colocação da primeira pedra e depois de dois relançamentos, concursos públicos fracassados e desistências de empresas, a construção da Biblioteca Nacional de Timor-Leste voltou a ser lançada esta segunda-feira. As várias cerimónias de lançamento custaram entre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nove anos após a colocação da primeira pedra e depois de dois relançamentos, concursos públicos fracassados e desistências de empresas, a construção da Biblioteca Nacional de Timor-Leste voltou a ser lançada esta segunda-feira. As várias cerimónias de lançamento custaram entre 20 e 30 mil dólares e o Governo garante agora que a obra arrancará na próxima semana. </em></p>
<p>A construção da Biblioteca Nacional de Timor-Leste voltou a ser oficialmente relançada esta segunda-feira, 6 de julho, numa cerimónia que assinala mais um capítulo de um projeto marcado por sucessivos atrasos e adiamentos.</p>
<p>Com a cerimónia desta segunda-feira, a Biblioteca Nacional soma três lançamentos oficiais sem que a construção física do edifício tenha chegado a começar, tornando-se um dos projetos de infraestrutura cultural mais adiados da história recente de Timor-Leste.</p>
<p>Esta é, pelo menos, a terceira cerimónia de lançamento da obra, cuja primeira pedra foi colocada em 16 de agosto de 2017, com conclusão inicialmente prevista para 2019.</p>
<p>A 19 de julho de 2022, a Secretaria de Estado da Arte e Cultura (SEAC) realizou uma nova cerimónia de relançamento, anunciando então que a construção estaria concluída em janeiro de 2024. No entanto, a obra nunca avançou.</p>
<p>Só em dezembro de 2025 foi finalmente assinado o contrato de construção, depois de concluído um novo concurso internacional realizado entre 2024 e 2025, permitindo a entrada do projeto na fase de implementação.</p>
<p>O projeto, localizado em Hudi-Laran, Díli, numa área de cerca de 27 mil metros quadrados, pretende criar um centro nacional de preservação da cultura, da literatura e da história de Timor-Leste.</p>
<p>O financiamento inicialmente previsto para a obra, de acordo com documentos da Autoridade Nacional do Petróleo (ANP), é de cerca de 11,7 milhões de dólares. Deste montante, 10 milhões de dólares são financiados pela multinacional italiana ENI e cerca de 1,7 milhões de dólares correspondem à contribuição do Estado de Timor-Leste, através da Secretaria de Estado da Arte e Cultura (SEAC).</p>
<p>O projeto resulta de uma cooperação entre a Secretaria de Estado da Arte e Cultura e a então Autoridade Nacional do Petróleo e Minerais (ANPM), atualmente Autoridade Nacional do Petróleo (ANP), no âmbito da cooperação no setor energético.</p>
<p><strong>Entre 20 e 30 mil dólares gastos em cerimónias de lançamento</strong></p>
<p>O presidente da ANP, Gualdino do Carmo da Silva, reconheceu que as várias cerimónias de lançamento do projeto tiveram custos significativos. “Foram vários lançamentos. Já não se repetem, gastámos no total cerca de 20 a 30 mil dólares”, afirmou.</p>
<p>Segundo o responsável, a ANP continuará a acompanhar o projeto até à sua conclusão e entrega à Secretaria de Estado da Arte e Cultura, entidade que ficará responsável pela sua utilização e gestão. “Em termos de papel da ANP no futuro, com certeza, através da equipa de trabalho, continuaremos a trabalhar em conjunto com as partes relevantes até o projeto estar concluído e entregue a 100%”, disse.</p>
<p>O montante gasto nas várias cerimónias surge num contexto em que, quase nove anos após o primeiro lançamento da primeira pedra, a construção física da Biblioteca Nacional continua por iniciar.</p>
<p>Os atrasos na construção da Biblioteca Nacional têm sido sucessivamente justificados por dificuldades administrativas e técnicas.</p>
<p><a href="https://www.diligenteonline.com/biblioteca-nacional-de-timor-leste-continua-por-construir-oito-anos-apos-inauguracao-simbolica/">Numa reportagem publicada pelo Diligente em maio de 2025, foi revelado que a Biblioteca Nacional continuava por construir oito anos após a primeira inauguração simbólica</a>. Na altura, foi noticiado que a empresa chinesa Shanghai Construction, vencedora do concurso para a construção do muro perimetral, desistiu posteriormente do projeto.</p>
<p>Em 2022, a empresa indonésia Vika Construction também não avançou com a obra devido a problemas técnicos. Além disso, vários concursos públicos acabaram por fracassar devido a restrições administrativas e às exigências do caderno de encargos, contribuindo para os sucessivos adiamentos.</p>
<p>O Secretário de Estado da Arte e Cultura, Jorge Soares Cristóvão, afirmou esta segunda-feira que o atual processo não representa um novo projeto, mas a continuação de um processo iniciado há vários anos.</p>
<p>“Este não é um processo que começa do zero, mas sim a continuação de um processo já em curso. Estamos agora com um novo compromisso para garantir que todas as fases sejam mais transparentes e eficazes”, afirmou.</p>
<p>Segundo o governante, os atrasos registados anteriormente deveram-se à complexidade dos processos de financiamento e de contratação pública. Acrescentou que várias máquinas pesadas já se encontram no local e que os trabalhos de construção propriamente ditos deverão começar na próxima semana.</p>
<p>Os trabalhos técnicos decorrem de acordo com o calendário definido pela empresa executora, com uma duração estimada de cerca de um ano e seis meses. “O que garantimos é que não haverá novamente situações como no passado. Todo o equipamento já está instalado e os trabalhos vão começar na próxima semana”, sublinhou.</p>
<p>O Governo prevê que a construção física da Biblioteca Nacional esteja concluída antes do final do atual mandato constitucional. Após a conclusão da obra, a próxima fase será a preparação dos recursos humanos e da gestão operacional da futura biblioteca, para garantir o seu pleno funcionamento.</p>
<p><strong>Biblioteca deve ser um centro de aprendizagem e preservação da memória</strong></p>
<p>O diretor executivo do Centro Nacional Chega (CNC), Hugo Maria Fernandes, defendeu que a Biblioteca Nacional deve ser desenvolvida não apenas como um espaço de armazenamento de livros, mas também como um centro de aprendizagem e de preservação da história e da memória cultural do país.</p>
<p>“Este lugar deve ser um espaço de aprendizagem e de preservação da nossa memória e história, incluindo a memória cultural de Timor-Leste”, afirmou Hugo Fernandes, defendendo que a Biblioteca Nacional terá um papel essencial na salvaguarda do património histórico do país, nomeadamente da história do colonialismo, das tradições orais e dos conhecimentos locais que ainda não foram devidamente documentados e cuja preservação é fundamental para as gerações futuras.</p>
<p>Defendeu ainda o reforço da cooperação entre a Secretaria de Estado da Arte e Cultura e o CNC, para que as coleções e recursos culturais existentes possam ser devidamente preservados e integrados na futura Biblioteca Nacional.</p>
<p>O responsável considera igualmente que a instituição não deve funcionar apenas como uma biblioteca, mas também incluir um museu dedicado à preservação e divulgação da memória histórica de Timor-Leste.</p>
<p>Além disso, destacou o desafio da fraca adesão à leitura entre os jovens, rejeitando a ideia de que os timorenses não tenham hábitos de leitura. “Não concordo quando se diz que Timor-Leste não tem cultura de leitura. O problema é o acesso difícil, com pouca publicação e poucos livros disponíveis”, afirmou.</p>
<p>Segundo Hugo Fernandes, muitos jovens dependem atualmente do computador e da internet devido à escassez de livros e materiais de leitura, razão pela qual a criação da Biblioteca Nacional poderá contribuir para melhorar o acesso ao conhecimento.</p>
<p>Revelou ainda que a pequena biblioteca existente no CNC recebe regularmente estudantes e membros do público, demonstrando que existe interesse pela leitura, apesar das limitações de acesso.</p>
<p><strong>Falta de livros continua a dificultar a aprendizagem</strong></p>
<p>O acesso limitado a livros de referência e literatura técnica continua a ser um dos principais desafios enfrentados pelos estudantes e universitários em Timor-Leste.</p>
<p>Uma das leitoras, Relia Costa, afirmou que a principal dificuldade que enfrenta é a escassez de livros adequados às necessidades académicas, levando muitos estudantes a dependerem da internet como principal fonte de informação. “Os desafios que enfrento são quando preciso de livros relacionados com a minha área de estudo. É muito difícil encontrar livros técnicos ou de referência”, afirmou.</p>
<p>Segundo Relia, em situações urgentes, é frequentemente obrigada a comprar livros no estrangeiro, incluindo na Indonésia, ou a procurar obras em livrarias locais.</p>
<p>A estudante alertou ainda para os riscos associados à dependência da internet, nomeadamente no que diz respeito à credibilidade da informação e às dificuldades de acesso a conteúdos pagos. “Por vezes recebemos informações não credíveis. E a informação de qualidade muitas vezes é paga, e nem todos têm cartão de crédito ou débito”, disse.</p>
<p>Relia considera ainda que a falta de livros de referência prejudica não apenas os alunos, mas também os professores no processo de ensino. “Espero que o Governo, após a conclusão da Biblioteca Nacional, possa preparar livros adequados às universidades e trabalhar em conjunto com o Ministério da Educação”, afirmou.</p>
<p>“Os livros são como janelas para o mundo. Se queremos que as futuras gerações tenham conhecimento sólido, temos de investir em bibliotecas de qualidade”, acrescentou.</p>
<p><strong>Escritores esperam que a biblioteca impulsione a investigação e a literatura</strong></p>
<p>A escritora Lena Mafalda manifestou a expectativa de que a Biblioteca Nacional se torne um centro de conhecimento, investigação e desenvolvimento académico. “Espero que este espaço não seja apenas um edifício para guardar livros, mas sim um espaço vivo que incentive os estudantes, investigadores e as novas gerações a desenvolverem ainda mais a cultura de leitura e escrita”, afirmou.</p>
<p>Segundo a escritora, a biblioteca deverá desempenhar um papel importante na proteção e valorização da história, da cultura e das obras dos autores timorenses, além de facilitar o acesso a recursos literários e científicos.</p>
<p>Também leitores, escritores e editoras têm defendido que a futura Biblioteca Nacional deverá desempenhar um papel mais amplo, incluindo o apoio ao setor editorial através da atribuição do ISBN (Número Internacional Normalizado de Livro), essencial para o reconhecimento internacional das obras publicadas em Timor-Leste.</p>
<p>Para muitos dos que aguardam há quase uma década pela construção da Biblioteca Nacional, a esperança é que, desta vez, a terceira primeira pedra seja, finalmente, a definitiva.</p>
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		<title>Professores destacados em zonas remotas denunciam falta de condições e salários insuficientes</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/professores-destacados-em-zonas-remotas-denunciam-falta-de-condicoes-e-salarios-insuficientes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 10:53:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Docentes colocados em zonas remotas dizem viver longe da família, sem alojamento e com salários insuficientes. Defendem que a melhoria da educação em Timor-Leste também exige melhores condições de trabalho para quem aceita lecionar nas áreas mais isoladas do país. [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/professores-destacados-em-zonas-remotas-denunciam-falta-de-condicoes-e-salarios-insuficientes/">Professores destacados em zonas remotas denunciam falta de condições e salários insuficientes</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Docentes colocados em zonas remotas dizem viver longe da família, sem alojamento e com salários insuficientes. Defendem que a melhoria da educação em Timor-Leste também exige melhores condições de trabalho para quem aceita lecionar nas áreas mais isoladas do país.</em></p>
<p>Professores colocados através da Bolsa de Candidatura denunciam a falta de alojamento, os baixos salários, as longas deslocações e o incumprimento de subsídios prometidos pelo Ministério da Educação/ Foto:</p>
<p>“Quando os meus filhos adoecem, tenho de deixar a escola e voltar para casa. Como mãe, a separação torna-se ainda mais difícil quando os meus filhos ficam doentes. Tenho de regressar para cuidar deles e, quando recuperam, volto novamente ao meu local de trabalho.” O testemunho é de Fátima de Jesus Leite, professora colocada em abril de 2025 na Pré-Escolar Leo-Lima, no município de Bobonaro. Apesar de trabalhar no município onde nasceu, vive separada dos filhos devido às exigências profissionais.</p>
<p>A realidade de Fátima é partilhada por muitos dos docentes colocados através da Bolsa de Candidatura em zonas remotas de Timor-Leste. Longe da família, obrigados a percorrer diariamente longas distâncias e com salários que consideram insuficientes para responder às despesas básicas, os professores afirmam que lecionar nas áreas mais isoladas do país é uma missão marcada por desafios que vão muito além da sala de aula.</p>
<p>Embora garantam o seu compromisso diário com os alunos, defendem que a melhoria da qualidade da educação passa também pela criação de melhores condições de trabalho.</p>
<p>Segundo dados publicados no Jornal da República, em 2024, mais de 111 mil candidatos participaram nos testes de recrutamento de professores, dos quais cerca de 500 foram aprovados na primeira fase. No início de 2026, tomaram posse cerca de 1.140 novos docentes para o Ensino Básico.</p>
<p><strong>Salários considerados insuficientes e separação da família</strong></p>
<p>Olandino dos Santos, colocado na Escola Básica Filial de Lumululi, no suco de Maulau, posto administrativo de Maubisse, município de Ainaro, está entre os professores deslocados do seu município de origem. Natural de Remexio, em Aileu, começou a lecionar em outubro de 2024.</p>
<p>Todos os dias percorre cerca de 11 quilómetros, numa viagem de aproximadamente uma hora e 25 minutos de mota até à escola. Recebe um salário de 288 dólares, acrescido de um subsídio de transporte de 25 dólares.</p>
<p>Segundo o professor, este valor não é suficiente para sustentar a família, que permanece em Aileu, nem para suportar as suas próprias despesas, incluindo o pagamento de uma renda de 50 dólares por mês.</p>
<p>“Se o Ministério pretende melhorar a qualidade da educação, deve tratar melhor os professores, sobretudo construindo residências para que possamos viver com tranquilidade e ensinar em melhores condições”, afirmou.</p>
<p>A distância da família também pesa para Luciana de Araújo, professora da Escola Básica Central Pública de Tassaebeno, em Oé-Cusse. Natural de Ermera, iniciou funções em maio de 2024, após ter sido aprovada na primeira fase da Bolsa de Candidatura. A docente vive numa sala de aula próxima da escola.</p>
<p>“É difícil ter acesso à água e à internet. Estou longe do meu filho, que ainda é bebé. Se surgir algum problema familiar, é difícil conseguir transporte e os custos são elevados”, afirmou. Além disso, teve de aprender a comunicar em língua baikeno, uma vez que muitos dos seus alunos ainda não compreendem o tétum.</p>
<p>Também Emília Guterres dos Reis, natural de Baguia e destacada para Venilale, no município de Baucau, afirmou que a maior dificuldade é estar afastada da família e ser obrigada a arrendar uma casa para conseguir exercer a profissão.</p>
<p>Apesar das dificuldades, garante que continua a cumprir as suas responsabilidades “com disciplina e dedicação” e a contribuir para o desenvolvimento da educação.</p>
<p>Para a professora, caso o Estado não consiga garantir melhores condições, os docentes destacados deveriam ser transferidos para os respetivos municípios de origem. “Como não existe subsídio, o salário dos professores não é suficiente para pagar uma casa arrendada”, disse.</p>
<p>Francisca Viegas, natural de Manatuto e colocada em Ermera, descreve dificuldades semelhantes. “Não me adaptei ao clima de Ermera, porque é muito frio e isso afeta a minha saúde. Além disso, a distância até ao hospital é grande e não existem transportes públicos”, contou.</p>
<p><strong>Longas deslocações e estradas em mau estado agravam dificuldades</strong></p>
<p>As dificuldades de deslocação constituem outro dos principais problemas apontados pelos professores.</p>
<p>Fátima de Jesus Leite explica que o caminho para a escola obriga a atravessar uma ribeira. Durante a estação seca, a situação é controlável, mas, na época das chuvas, a subida do caudal impede a passagem.</p>
<p>Segundo a professora, quando os docentes adoecem nesse período, muitas vezes não conseguem chegar ao centro de saúde para receber tratamento.</p>
<p>Situação semelhante é descrita por Nicodemos Sarmento Moniz, professor da Escola Básica Filial de Fatuk Kahi, em Manufahi. Natural de Ainaro, percorre diariamente cerca de uma hora a pé para chegar à escola.</p>
<p>“Na época das chuvas, as ribeiras e as pontes ficam inundadas e dificultam a deslocação. Vivo numa casa de familiares, por isso não pago renda, mas tenho de suportar as despesas de alimentação e outras necessidades básicas”, explicou.</p>
<p>Segundo o professor, os docentes, com a ajuda dos alunos, limparam e recuperaram uma antiga residência para servir de alojamento. No entanto, como o edifício ainda não reunia as condições necessárias, a comunidade voltou a utilizá-lo para guardar animais.</p>
<p><strong>Professores dizem que promessas continuam por cumprir</strong></p>
<p>Além das dificuldades de acesso, os professores afirmam que continuam sem as condições prometidas pelo Ministério da Educação.</p>
<p>Olandino dos Santos refere que o Ministério prometeu construir residências para os professores, mas, até ao momento, nada foi feito. “Ainda não recebemos o subsídio de alojamento, os subsídios para as áreas remotas, muito remotas e extremamente remotas, nem o subsídio para os professores colocados fora do seu município”, afirmou.</p>
<p>Luciana de Araújo refere igualmente que o Ministério ainda não disponibilizou habitação para os docentes destacados.</p>
<p>Quanto aos subsídios, a professora afirma que recebeu apenas um apoio equivalente a três meses, apesar de ter sido informada de que os professores colocados entre municípios receberiam cinco meses de subsídio e os colocados dentro do mesmo município receberiam três meses. “No final, todos nós recebemos apenas um subsídio equivalente a três meses”, disse.</p>
<p>Nicodemos Sarmento Moniz acrescenta que, somando o salário e o subsídio de transporte, recebe cerca de 300 dólares por mês. “Esse valor não é suficiente para suportar a alimentação, o alojamento e ajudar a família”, afirmou.</p>
<p>Os professores defendem a construção urgente de residências para docentes destacados, o reforço dos subsídios de transporte e alojamento, o cumprimento dos incentivos prometidos para as zonas remotas e uma revisão da política de colocação para reduzir a separação das famílias.</p>
<p><strong>Ministério admite falta de alojamento e promete construir residências</strong></p>
<p>Questionada sobre as críticas, a Ministra da Educação, Dulce de Jesus, reconheceu que alguns professores não foram colocados nos seus municípios de origem.</p>
<p>“Na primeira fase de colocação, demos prioridade às necessidades e exigências das escolas localizadas nas áreas remotas e extremamente remotas”, afirmou.</p>
<p>Relativamente ao alojamento, a governante recordou que o Ministério já tinha informado os candidatos, antes do processo de recrutamento, de que ainda não existiam residências para professores.</p>
<p>“Emitimos um aviso claro de que, neste momento, ainda não temos residências próprias para professores. Por isso, todos os candidatos sabiam dessa situação. O Governo pretende implementar, no próximo ano, um plano de construção de residências, sobretudo nas áreas remotas”, esclareceu a ministra.</p>
<p>Apesar da promessa, os professores insistem que a melhoria da qualidade da educação em Timor-Leste não depende apenas do recrutamento de novos docentes, mas também da criação de condições dignas para aqueles que aceitam lecionar nas zonas mais isoladas do país.</p>
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		<title>Protesto estudantil na UNTL denuncia alegadas cobranças ilegais e alterações de notas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 10:59:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Associação Académica Estudantil da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) iniciou uma ação de protesto para exigir esclarecimentos e medidas em relação a duas docentes acusadas de alegadas irregularidades administrativas e académicas. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>A Associação Académica Estudantil da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) iniciou uma ação de protesto para exigir esclarecimentos e medidas em relação a duas docentes acusadas de alegadas irregularidades administrativas e académicas.</em></p>
<p>A Associação Académica Estudantil da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL) iniciou, na segunda-feira, uma ação de protesto para exigir esclarecimentos e medidas relativamente a duas docentes.</p>
<p>Os estudantes acusam uma professora do Departamento de Língua Tétum de alegadas cobranças ilegais que terão afetado mais de duzentos alunos e uma professora do Departamento de Ensino da Física, que também exerce funções de diretora do departamento, de alegadamente alterar notas e falsificar documentos académicos, num caso que envolve dez estudantes.</p>
<p>A finalista do Departamento de Ensino da Língua Tétum, Auxiliadora de Santa Rosa, afirmou ter sido vítima de uma alegada cobrança ilegal praticada por uma professora em 2022.</p>
<p>Segundo a estudante, a docente exigiu que cada aluno entregasse quatro dólares, alegando que o dinheiro seria utilizado para organizar uma festa de confraternização entre as três turmas do departamento. “A professora Alexandra Tilman obrigava cada estudante a entregar quatro dólares. Alguns pagavam três dólares inicialmente e entregavam o restante mais tarde”, afirmou.</p>
<p>De acordo com Auxiliadora, os estudantes nunca receberam esclarecimentos sobre o destino do dinheiro nem sobre a realização da referida festa.</p>
<p>A finalista explicou ainda que, na altura, os alunos não apresentaram qualquer denúncia porque desconheciam os seus direitos e não sabiam que este tipo de cobrança poderia ser ilegal. “Depois de participar na associação estudantil, compreendi melhor a situação e decidi levantar esta questão. Não queremos que a próxima geração passe pelo mesmo que nós”, declarou.</p>
<p>A estudante acrescentou que a professora nunca apresentou nenhum documento oficial da faculdade que autorizasse a cobrança, tendo apenas comunicado verbalmente, durante as aulas, que cada estudante deveria entregar o dinheiro.</p>
<p>Quanto às medidas a adotar, Auxiliadora defendeu que qualquer eventual devolução do dinheiro deve ser feita publicamente e perante o Conselho Disciplinar. “Queremos que a professora devolva o dinheiro perante o Conselho Disciplinar. Não queremos receber o dinheiro diretamente e considerar o caso encerrado”, afirmou.</p>
<p><strong>Associação denuncia cobranças em vários anos</strong></p>
<p>O porta-voz da Associação Académica Estudantil da Faculdade de Educação, Eugénio Tilman, afirmou que a docente do Departamento de Língua Tétum terá exigido pagamentos aos estudantes em diferentes anos letivos.</p>
<p>Segundo o responsável, em 2017 foram cobrados 1,50 dólares a cada um dos 62 estudantes de duas turmas, alegadamente para a compra de livros. “Até hoje, esses livros nunca foram entregues, apesar de muitos desses estudantes já não frequentarem a faculdade”, afirmou.</p>
<p>Em 2022, os estudantes terão sido obrigados a pagar quatro dólares cada para uma alegada festa de confraternização. “Quem não entregasse o dinheiro corria o risco de reprovar na disciplina lecionada pela professora. Na realidade, a festa nunca aconteceu”, afirmou Eugénio Tilman.</p>
<p>Já em 2023, segundo a Associação, os estudantes entregaram dez dólares cada para a produção de uma camisola relacionada com a visita do Papa Francisco. “O Papa já regressou ao seu país e faleceu, mas os estudantes nunca receberam nenhuma camisola”, declarou.</p>
<p>O porta-voz afirmou que os montantes alegadamente arrecadados ascendem a cerca de 850 dólares em 2017, 450 dólares em 2022 e 50 dólares em 2023, num total de aproximadamente 1.350 dólares.</p>
<p><strong>Estudantes denunciam alegada manipulação de notas</strong></p>
<p>Os estudantes do Departamento de Ensino da Física denunciam também alegadas irregularidades relacionadas com a alteração de classificações académicas.</p>
<p>Emiliano Madeira, estudante do curso de Física, afirmou que, após a realização dos exames, os docentes divulgam normalmente as notas aos estudantes, que podem verificar os resultados.</p>
<p>Contudo, segundo o estudante, durante a fase de validação administrativa, algumas classificações terão sido alteradas. “Os resultados apresentados deixaram de corresponder às notas inicialmente atribuídas pelos professores. Por exemplo, um estudante tinha 75 valores, equivalente à classificação B, mas depois a nota passou para 68, equivalente a C”, afirmou.</p>
<p>Emiliano defendeu que qualquer alteração deve ser comunicada pelo docente responsável pela disciplina. “Neste caso, os estudantes não foram informados sobre as mudanças, uma vez que estas terão sido introduzidas pela direção do departamento”, afirmou.</p>
<p>Segundo o estudante, a situação teve impacto direto no processo de estágio pedagógico e levou os alunos a procurarem esclarecimentos junto da direção do departamento. “Sentimos que existem interesses internos que estão a dificultar a resolução do problema”, acrescentou.</p>
<p>O porta-voz da Associação explicou ainda que, em 2023, os estudantes receberam e validaram as notas divulgadas pelos docentes. No entanto, este ano, quando se preparavam para iniciar os estágios pedagógicos, verificaram que as classificações registadas eram diferentes.</p>
<p>“Algumas notas foram reduzidas significativamente e alguns estudantes surgem agora como reprovados, apesar de anteriormente constarem como aprovados”, afirmou.</p>
<p>Segundo a Associação Académica Estudantil, os estudantes possuem documentos e recibos administrativos que demonstram diferenças entre as classificações inicialmente divulgadas e as notas posteriormente registadas.</p>
<p><strong>Associação exige medidas e ameaça alargar protestos</strong></p>
<p>Perante estas situações, a Associação Académica Estudantil exige a suspensão da professora do Departamento de Língua Tétum e a exoneração da diretora do Departamento de Ensino da Física.</p>
<p>Questionado sobre a demora na resolução dos casos, Eugénio Tilman garantiu que a associação continuará a exercer pressão até que seja encontrada uma solução. “A nossa luta só termina quando obtivermos uma resposta. Se o reitor continuar sem resolver o problema, existe a possibilidade de bloquearmos a reitoria”, declarou.</p>
<p>Segundo o porta-voz, desde 17 de junho a associação tem realizado encontros com a estrutura da faculdade para solicitar esclarecimentos, mas até ao momento não obteve qualquer resposta.</p>
<p>“Por isso, ontem iniciámos uma greve na faculdade. Encerrámos os serviços administrativos e fechámos o gabinete do decano, incluindo as secretarias das duas professoras. Assim que recebermos uma resposta, voltaremos a abrir os serviços”, afirmou, sublinhando que as atividades letivas continuam a decorrer normalmente.</p>
<p>O responsável acrescentou que, depois de tomarem conhecimento dos casos, os estudantes e a associação procuraram esclarecimentos junto das docentes envolvidas. “No entanto, as duas professoras ignoraram os pedidos de esclarecimento. O decano e a reitoria também não deram nenhuma resposta”, afirmou.</p>
<p>Os estudantes ainda não apresentaram nenhuma queixa ao Ministério Público, defendendo que a reitoria da UNTL deve, numa primeira fase, assumir a responsabilidade de esclarecer e resolver os casos internamente.</p>
<p><strong>Reitoria defende resolução interna</strong></p>
<p>Questionado sobre o assunto, o reitor da UNTL, Joviano da Costa, afirmou que os problemas devem ser resolvidos internamente pelos departamentos.</p>
<p>“Os chefes dos departamentos devem organizar-se para resolver este problema. Não há ninguém melhor do que os outros. Por isso, estas questões devem ser resolvidas internamente. Quem quiser levar este assunto para fora deve assumir a responsabilidade”, declarou.</p>
<p>O Diligente tentou contactar o decano da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades para obter esclarecimentos. Inicialmente, o responsável informou que se encontrava numa reunião, mas não voltou a atender as chamadas posteriores. O jornal tentou igualmente contactar as duas docentes visadas, sem sucesso.</p>
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		<title>Ensino do português em Timor-Leste em debate: especialistas defendem novas estratégias pedagógicas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 11:25:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Especialistas, docentes e estudantes reuniram-se em Díli para debater estratégias de melhoria do ensino do português como língua não materna, num seminário dedicado à planificação pedagógica e às práticas em sala de aula. O encontro, intitulado “Da Planificação à Sala [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Especialistas, docentes e estudantes reuniram-se em Díli para debater estratégias de melhoria do ensino do português como língua não materna, num seminário dedicado à planificação pedagógica e às práticas em sala de aula.</em></p>
<p>O encontro, intitulado “Da Planificação à Sala de Aula: Práticas no Ensino da Língua Portuguesa”, foi organizado pelo Centro de Língua Portuguesa (CLP) da Universidade Nacional Timor-Lorosa’e (UNTL), entre 11 e 12 de maio de 2026, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa.</p>
<p>Na abertura do seminário, a diretora do CLP, Ana Guterres, destacou que, nos dias anteriores, a instituição promoveu diversas atividades culturais e científicas em diferentes espaços, incluindo exposições, sessões de cinema e concertos.</p>
<p>Segundo a responsável, o seminário integrou esse conjunto de iniciativas e reforça o compromisso do CLP com a promoção e o ensino da língua portuguesa em Timor-Leste. Destacou ainda a realização de uma oficina pedagógica dirigida a estudantes finalistas e a docentes de português como língua não materna no ensino superior.</p>
<p>“O objetivo é criar um espaço de partilha de experiências, reflexão conjunta e análise crítica das práticas pedagógicas. Através deste processo, os participantes enriquecem-se profissionalmente e tornam-se mais capazes de responder aos desafios do ensino da língua portuguesa em Timor-Leste”, afirmou.</p>
<h3><strong>UNTL defende articulação entre teoria e prática</strong></h3>
<p>O reitor da UNTL, Joviano da Costa, considerou o seminário relevante para a formação de docentes e para o desenvolvimento do conhecimento científico no ensino da língua portuguesa no país.</p>
<p>Sublinhou que o maior desafio não está apenas na elaboração de planos e metodologias, mas na sua aplicação em contexto real de sala de aula.</p>
<p>“O verdadeiro desafio não termina na reflexão académica nem na elaboração de programas. Começa quando conseguimos transformar essas ideias em práticas pedagógicas, ajustadas às realidades concretas da sala de aula em todo o país”, afirmou.</p>
<p>O reitor destacou ainda a importância da cooperação entre instituições e defendeu uma visão pluricêntrica da língua portuguesa, sublinhando que a diversidade entre países lusófonos não fragiliza a língua, antes a fortalece.</p>
<p>Referiu também a necessidade de articulação entre diferentes estruturas da universidade, como o Departamento de Ensino da Língua Portuguesa, o CLP, o mestrado em ensino de português e outras unidades académicas.</p>
<p>“Precisamos de mais investigação, produção científica, materiais pedagógicos adaptados à realidade local e de continuar a formar docentes qualificados”, afirmou.</p>
<h3><strong>Língua portuguesa entre identidade, memória e espaço público</strong></h3>
<p>Na conferência inaugural, subordinada ao tema “O português como língua de ensino e ciência no espaço lusófono”, o Provedor dos Direitos Humanos e Justiça (PDHJ), Virgílio Guterres, destacou o papel da língua portuguesa na construção da identidade e na preservação da memória coletiva.</p>
<p>Citando Fernando Pessoa, o orador sublinhou que a frase “A minha pátria é a língua portuguesa” deve ser entendida como uma afirmação cultural e literária, mais do que política ou geográfica.</p>
<p>Durante a sua intervenção, Virgílio Guterres lembrou o período de ocupação indonésia, referindo que, apesar da perda de autonomia política, a língua portuguesa manteve um papel simbólico na resistência e na afirmação nacional.</p>
<p>“Para os timorenses, o português não é apenas um instrumento de comunicação, mas uma arma de luta e um símbolo de reafirmação nacional”, afirmou.</p>
<p>O Provedor alertou ainda para os desafios atuais da reintrodução e consolidação da língua, sublinhando a influência de outras línguas no quotidiano, como o inglês e conteúdos audiovisuais indonésios.</p>
<p>Defendeu também que o domínio da língua depende da sua utilização prática no dia a dia. “Um aluno pode ter uma boa nota em português, mas se não utilizar a língua na sociedade, isso não significa que a domine verdadeiramente”, referiu.</p>
<p>Virgílio Guterres criticou ainda o papel da comunicação social, defendendo que o jornalismo não deve limitar-se à divulgação de atividades oficiais, mas também questionar decisões públicas e promover o pensamento crítico.</p>
<p>“O verdadeiro papel da imprensa é perguntar por que razão as decisões são tomadas e quais os seus impactos”, afirmou.</p>
<h3><strong>Docentes propõem ensino mais prático e centrado no aluno</strong></h3>
<p>Na sessão dedicada à planificação curricular no ensino do português em contextos plurilingues, docentes do CLP apresentaram uma proposta centrada no ensino do português como língua não materna.</p>
<p>As docentes sublinharam que o objetivo é responder às necessidades específicas do contexto timorense, promovendo competências linguísticas, culturais e comunicativas.</p>
<p>A proposta assenta em três eixos principais: desenvolvimento de competências linguísticas, valorização da dimensão cultural da língua e utilização de metodologias baseadas em situações reais de comunicação.</p>
<p>Foram ainda destacadas competências como léxico, gramática, semântica, fonética e pragmática, essenciais para uma comunicação eficaz.</p>
<p>Segundo as docentes, a progressão da aprendizagem vai desde níveis básicos de comunicação quotidiana (A1/A2) até níveis mais avançados, onde os estudantes desenvolvem argumentação e pensamento crítico (B2).</p>
<p>A metodologia apresentada privilegia a abordagem comunicativa, a aprendizagem baseada em tarefas e o uso de materiais autênticos, incluindo simulações e recursos do quotidiano.</p>
<p>Foram igualmente destacadas ferramentas digitais como o Canva e o Google Classroom, que contribuem para aumentar a motivação dos alunos e reforçar a aprendizagem.</p>
<h3><strong>Estudantes defendem planificação como ferramenta essencial</strong></h3>
<p>Estudantes do Departamento de Ensino da Língua Portuguesa da UNTL destacaram a importância da planificação das aulas como instrumento fundamental para o sucesso pedagógico.</p>
<p>Teresa Freitas referiu que a planificação ajuda os professores a organizar conteúdos, objetivos e atividades, tornando o ensino mais estruturado e eficaz. “Permite aos professores compreender melhor as dificuldades dos alunos, utilizar métodos mais criativos e incluir atividades práticas do quotidiano”, afirmou.</p>
<p>Já Januário do Espírito Santo sublinhou que a falta de organização pode prejudicar o processo de ensino e aprendizagem. “A planificação permite desenvolver as quatro competências da língua: leitura, escrita, oralidade e gramática”, afirmou, acrescentando que muitos estudantes ainda enfrentam dificuldades de expressão devido ao medo ou à complexidade da gramática.</p>
<p>Defendeu ainda que a prática é essencial no processo de aprendizagem. “Aprender português não significa apenas decorar regras, mas praticar a língua no dia a dia”, concluiu.</p>
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		<title>Professores destacados em áreas remotas acusam atrasos salariais e falta de apoio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Lourdes do Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 11:49:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Professores colocados em zonas remotas de Timor-Leste denunciam atrasos salariais, falta de alojamento e ausência de apoios estatais, afirmando sobreviver com ajuda da comunidade nos primeiros meses de trabalho. Durante meses, professores colocados em localidades distantes de Timor-Leste dizem trabalhar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Professores colocados em zonas remotas de Timor-Leste denunciam atrasos salariais, falta de alojamento e ausência de apoios estatais, afirmando sobreviver com ajuda da comunidade nos primeiros meses de trabalho.</em></p>
<p>Durante meses, professores colocados em localidades distantes de Timor-Leste dizem trabalhar sem salário, alojados em condições precárias e dependentes da ajuda da comunidade para garantir alimentação e outras necessidades básicas.</p>
<p>Apesar das políticas públicas preverem incentivos para docentes colocados em zonas remotas, vários professores denunciam dificuldades no acesso aos apoios previstos na lei. No âmbito das políticas nacionais de educação, o Governo, através do Ministério da Educação, tem a responsabilidade de assegurar uma distribuição equilibrada de docentes em todo o território, incluindo nas áreas remotas e menos assistidas.</p>
<p>Nos termos do Decreto-Lei n.º 20/2010, artigo 14.º, os professores ou funcionários públicos colocados noutra região têm direito a apoio de custos de colocação, nomeadamente 200 dólares norte-americanos para distâncias até 100 quilómetros, 300 dólares para distâncias entre 101 e 200 quilómetros e 400 dólares para distâncias superiores a 200 quilómetros.</p>
<p>No caso de colocações em Ataúro, é atribuído um apoio de 300 dólares, e para Oé-Cusse, 400 dólares, bem como um subsídio de alojamento de 100 dólares por mês, caso o Estado não disponibilize habitação.</p>
<p>Este esforço não se limita à colocação de professores, abrangendo igualmente a atribuição de apoios e incentivos especiais destinados a reforçar a motivação e o bem-estar destes profissionais. O objetivo é garantir que todos os estudantes, independentemente da localização geográfica, tenham acesso a uma educação de qualidade e em condições de equidade.</p>
<p>Contudo, na prática, alguns professores colocados em zonas afastadas continuam a enfrentar dificuldades no acesso ao apoio necessário, sobretudo no início das suas funções. A situação revela um desfasamento entre as políticas definidas e a sua implementação no terreno.</p>
<p>Há dois meses em Ataúro, Marcos Sufa diz sobreviver sem salário fixo e com apoio da comunidade local. Colocado numa escola básica em Atekru, na aldeia de Adara, pertencente à Autoridade Administrativa de Ataúro, o professor iniciou funções a 2 de março de 2026.</p>
<p>O professor explicou que, no atual mecanismo de colocação de novos docentes, o salário não é pago mensalmente desde o início do exercício de funções, sendo processado apenas após uma acumulação de cerca de três meses. Durante esse período, afirma ter sobrevivido sem rendimento fixo, dependendo da ajuda de colegas para satisfazer necessidades básicas.</p>
<p>Além disso, enfrenta limitações ao nível do alojamento, que considera simples e inadequado para garantir condições dignas aos professores destacados para zonas remotas.</p>
<p>“Cumprimos o nosso trabalho durante três meses antes de recebermos o salário. Já estou aqui há dois meses, mas as necessidades básicas continuam difíceis.”</p>
<p>Para além do apoio formal, a ajuda recebida tem vindo sobretudo de empresários locais, que tomaram a iniciativa de apoiar as necessidades básicas do professor naquela região. A situação demonstra que o papel da comunidade continua a ser fundamental para garantir a continuidade da educação nas localidades afastadas.</p>
<p>“Atualmente, temos duas empresas locais que já me ajudaram, fornecendo alojamento, alimentação e outras necessidades básicas, mas até agora ainda não houve apoio direto do Estado.”</p>
<p>Entretanto, numa conferência de imprensa realizada no Jardim 5 de maio, em Díli, professores destacados para áreas remotas apelaram ao Ministério da Educação para criar melhores condições de alojamento e garantir o pagamento dos subsídios destinados aos docentes colocados nestas zonas.</p>
<p>O porta-voz do grupo, Feliciano da Silva, pediu ao Ministério que processe os direitos relacionados com os subsídios dos professores. Os docentes afirmaram ainda que, caso os apoios continuem sem ser atribuídos, pretendem solicitar a recolocação nos seus locais de origem.</p>
<p>“Com base no Decreto-Lei n.º 31/2023, artigo 51.º, relativo ao subsídio de colocação, e no Decreto-Lei n.º 20/2010, artigo 15.º, referente ao subsídio para áreas remotas, se estas reivindicações continuarem sem resposta por parte do Ministério, pedimos para sermos recolocados nos nossos locais de origem.”</p>
<p>O professor Ataíde da Cruz reforçou que os docentes continuam a cumprir os seus deveres profissionais, mas defendeu que o Ministério da Educação também deve assumir as suas responsabilidades.</p>
<p>“O Ministério também deve cumprir o seu dever. Não pode apenas fazer promessas e deixar muitas pessoas desiludidas por causa dessas promessas”, afirmou.</p>
<p>O docente acrescentou ainda que, se o objetivo é desenvolver adequadamente o setor da educação, é necessário criar melhores condições de trabalho e preparar recursos humanos qualificados e profissionais.</p>
<p>“Precisamos de preparar recursos humanos de qualidade para que todos os processos decorram com maior rapidez. Caso contrário, os dados enviados dos municípios para o nível nacional acabam por regressar novamente aos diretores municipais ou aos EBC.”</p>
<p><strong>Governo admite falta de verbas para subsídios em 2026 e promete reforço de apoios a partir de 2027</strong></p>
<p>Enquanto os professores denunciam abandono e ameaçam pedir recolocação, o Ministério da Educação reconhece limitações orçamentais e admite que ainda não existem verbas para subsídios em 2026.</p>
<p>A ministra da Educação, Dulce de Jesus, afirmou que o processo de pagamento dos subsídios e dos custos de colocação dos professores recentemente destacados para áreas de difícil acesso continua a decorrer de acordo com os procedimentos administrativos do Governo.</p>
<p>Segundo a governante, o orçamento destinado aos custos de colocação dos professores que iniciaram funções em 2025 já foi integrado juntamente com os respetivos salários. No entanto, os docentes que tomaram posse em fevereiro de 2026 continuam ainda em fase de processamento administrativo.</p>
<p>“Os professores que realizaram a tomada de posse em fevereiro de 2026 encontram-se atualmente em processo administrativo e, normalmente, este orçamento será pago juntamente com o primeiro salário”, afirmou Dulce de Jesus.</p>
<p>A ministra explicou que o Governo compreende as preocupações manifestadas pelos professores relativamente aos atrasos na receção dos subsídios, sobretudo no caso dos docentes colocados em zonas remotas e muito remotas.</p>
<p>Contudo, reconheceu que o Orçamento de Estado para 2026 ainda não contempla verbas específicas destinadas aos subsídios para professores colocados nestas áreas, nem ao sistema de colocação de docentes em regiões remotas.</p>
<p>“Este ano ainda não existe alocação orçamental para subsídios destinados às zonas isoladas e muito remotas para os novos professores colocados, mas o ministério continuará a defender esta proposta nas discussões do Orçamento Geral do Estado para 2027”, declarou.</p>
<p>Para além da questão dos subsídios, a ministra abordou também os planos do Governo relacionados com a construção de infraestruturas de apoio destinadas aos professores colocados em zonas remotas, incluindo residências para docentes.</p>
<p>Segundo Dulce de Jesus, o Ministério da Educação já integrou o desenvolvimento de infraestruturas escolares num plano de trabalho gradual, cuja implementação deverá ser reforçada a partir de 2027.</p>
<p>“Temos um plano e acreditamos que, a partir de 2027, o ministério continuará a desenvolver infraestruturas escolares, incluindo residências para professores”, explicou.</p>
<p>A governante acrescentou ainda que a implementação destas infraestruturas será realizada de forma gradual, em função da capacidade orçamental disponível para o Ministério da Educação.</p>
<p>Apesar das promessas de reforço de apoios a partir de 2027, os professores colocados em zonas remotas afirmam continuar sem garantias imediatas para assegurar condições mínimas de trabalho e permanência nas comunidades onde foram destacados.</p>
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		<title>Timor-Leste celebra a língua portuguesa entre diplomacia, cultura e desafios educativos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 13:37:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Semana da Língua Portuguesa em Díli evidencia a expansão do idioma em Timor-Leste, mas também os desafios estruturais que ainda limitam o seu ensino nas escolas e universidades. Arrancou ontem, 4 de maio, em Díli, a Semana da Língua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>A Semana da Língua Portuguesa em Díli evidencia a expansão do idioma em Timor-Leste, mas também os desafios estruturais que ainda limitam o seu ensino nas escolas e universidades.</em></p>
<p>Arrancou ontem, 4 de maio, em Díli, a Semana da Língua Portuguesa, uma iniciativa do Grupo de Embaixadores da CPLP que reúne Angola, Brasil e Portugal, assinalando o Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado hoje, 5 de maio, e instituído pela UNESCO em 2019.</p>
<p>A iniciativa, que decorre até 10 de maio, transforma a capital timorense num ponto de encontro da lusofonia, com um programa cultural alargado que inclui literatura, cinema, música e debates sobre o futuro do ensino da língua no país.</p>
<p>A sessão de abertura teve lugar na Embaixada de Portugal em Díli e contou com a presença de representantes diplomáticos, autoridades timorenses e convidados. Entre os principais destaques está uma exposição dedicada ao escritor José Saramago, único autor de língua portuguesa distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, cuja obra assume um papel simbólico central nas celebrações e estará patente ao público durante todo o mês de maio.</p>
<p>Angola participa com atividades de promoção literária, enquanto o Brasil apresenta sessões de cinema. Portugal encerra o programa cultural com um concerto do grupo SENZA, agendado para 10 de maio, na Fundação Oriente.</p>
<p><strong>Diplomacia destaca língua como instrumento de identidade e cooperação</strong></p>
<p>O embaixador de Portugal em Timor-Leste, Duarte Bué Alves, destacou a importância da Semana da Língua Portuguesa como uma iniciativa alargada e simbólica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), destacando o papel crescente do português no país e o seu potencial de desenvolvimento futuro.</p>
<p>Segundo o diplomata, o alargamento das celebrações em Timor-Leste reflete o contexto particular do país, que assume a presidência da CPLP em 2026 e integra este ano as comemorações dos 30 anos da organização. Nesse sentido, considerou essencial promover um programa “grande, ambicioso e robusto”.</p>
<p>O embaixador referiu que a escolha de José Saramago se deve ao facto de ser o único autor de língua portuguesa distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, critério que, segundo afirmou, foi consensual entre os embaixadores de Portugal, Angola e Brasil.</p>
<p>Destacou ainda o crescimento “exponencial” da língua portuguesa no país e reforçou o compromisso com a expansão do ensino, no âmbito das celebrações da Semana da Língua Portuguesa. “Comparado com o ano 2000, o crescimento é evidente e consistente”, afirmou, sublinhando que o aumento do número de falantes reflete o investimento contínuo na educação e na cooperação internacional.</p>
<p>Duarte Bué Alves destacou ainda o papel das escolas CAFE (Centros de Aprendizagem e Formação Escolar) e da Escola Portuguesa de Díli como pilares fundamentais na promoção da língua. Atualmente, existem 14 escolas CAFE em todo o território, com cerca de 12 mil alunos, mas a procura continua a superar a oferta.</p>
<p>“O nosso grande desafio é expandir a rede e aumentar a capacidade de resposta”, afirmou, acrescentando que o objetivo passa também pela formação de professores timorenses. “O modelo das escolas CAFE assenta na colaboração entre docentes portugueses e locais, promovendo a partilha de conhecimentos e o desenvolvimento conjunto.”</p>
<p>O embaixador referiu ainda projetos como o “Consultório da Língua para Jornalistas”, voltado para a capacitação de profissionais da comunicação social, como parte dos esforços para consolidar o uso do português em diferentes setores.</p>
<p>Para o diplomata, o interesse dos jovens pela língua é evidente. “A elevada procura nas escolas demonstra que os jovens reconhecem o valor do português”, disse, defendendo que o domínio do idioma abre portas no ensino superior e no mercado de trabalho.</p>
<p>O diplomata sublinhou que, perante esse cenário, a prioridade passa por reforçar e expandir os programas existentes de ensino da língua. “É nisso que estamos a apostar: crescer, expandir e consolidar”, acrescentou, defendendo o aumento da capacidade institucional para responder à procura crescente.</p>
<p>O embaixador de Angola em Timor-Leste, José Andrade de Lemos, destacou o significado simbólico da iniciativa, sublinhando a língua portuguesa como um “património comum” que ultrapassa fronteiras geográficas e gerações.</p>
<p>O diplomata afirmou que a língua portuguesa constitui mais do que um instrumento de comunicação, descrevendo-o como um “veículo de cultura, ciência, diplomacia e socialização”, falado por mais de 256 milhões de pessoas em todo o mundo. Defendeu ainda que cabe às instituições e aos cidadãos promover oportunidades para que a língua seja um instrumento de conhecimento e inclusão, reforçando o papel dos jovens como “guardiões da língua portuguesa”.</p>
<p>O embaixador apelou a uma reflexão conjunta sobre a importância do idioma na construção de identidade e cooperação entre os países da CPLP, desejando que a semana de celebrações fortaleça os laços de amizade e diversidade cultural entre os povos lusófonos.</p>
<p>Também presente na cerimónia, o embaixador do Brasil em Timor-Leste, Ricardo Lustosa Leal, destacou a importância de uma construção coletiva em torno da língua portuguesa, sublinhando que a sua valorização exige não apenas inspiração, mas também “escolhas políticas concretas” e um trabalho contínuo de cooperação entre os países.</p>
<p>O diplomata recordou ainda um poema do escritor português José Saramago, sublinhando a ideia de que a língua deve ser moldada com consciência e responsabilidade. Nesse sentido, defendeu que a construção de uma comunidade lusófona exige cultivo, compromisso e ações concretas.</p>
<p>Ricardo Lustosa Leal destacou a importância do encontro no Instituto Camões, em Díli, como espaço de convergência entre Angola, Brasil, Timor-Leste e Portugal, sublinhando o respeito pela diversidade das expressões do português em diferentes países.</p>
<p>O Presidente da República, José Ramos-Horta, destacou os avanços significativos da língua portuguesa em Timor-Leste, sublinhando o seu papel na identidade nacional e no acesso às oportunidades internacionais.</p>
<p>Segundo o Chefe de Estado, a Semana da Língua Portuguesa tem sido marcada por diversas iniciativas, incluindo uma reunião de ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Díli, focada na educação. Para Ramos-Horta, estes encontros representam uma oportunidade estratégica para avaliar o progresso do idioma no país.</p>
<p>“Em 2000, menos de 1% da população falava português. Hoje, mais de 30% domina a língua, segundo dados oficiais”, afirmou, classificando a evolução como “extraordinária”.</p>
<p>O Presidente atribui este progresso às políticas do Estado timorense, com apoio dos países como Portugal e Brasil. Recordou ainda que, após a ocupação e ausência do ensino formal em português, o país teve de “resgatar” a língua praticamente do zero, num contexto marcado por perdas humanas e pela diáspora de falantes.</p>
<p>Ramos-Horta destacou também o papel histórico da resistência timorense, nomeadamente das FALINTIL, na preservação de português, bem como de instituições como a Escola São José, que chegou a ser encerrada após o Massacre de Santa Cruz.</p>
<p>O Chefe de Estado elogiou ainda a capacidade linguística dos jovens timorenses, considerando-os “poliglotas por natureza”. “Um jovem timorense pode falar três, quatro ou mais línguas com facilidade”, afirmou, incentivando a aprendizagem simultânea de português, inglês e outras línguas.</p>
<p>Ramos-Horta reforçou a importância do português não só como elemento de identidade, mas também como ferramenta de acesso à educação internacional, especialmente em Portugal e no espaço europeu, no âmbito do Acordo de Bolonha. “Um diploma obtido em Portugal é reconhecido em toda a Europa”, sublinhou.</p>
<p>Apesar de reconhecer que o português ainda não é amplamente utilizado no quotidiano, o Presidente rejeita a ideia de estagnação. “Muitos jovens já falam bem português, especialmente os que frequentam escolas como o CAFE ou a Escola Portuguesa de Díli”, afirmou, citando também conquistas recentes de estudantes timorenses em concursos internacionais.</p>
<p>Questionado sobre se o inglês se torna dominante no país, Ramos-Horta esclareceu que a língua é utilizada sobretudo como ferramenta de trabalho, sem substituir as línguas nacionais. Disse que nenhum país abandona a sua língua. O inglês é apenas complementar.</p>
<p>Respondendo a críticas sobre o uso limitado do português no quotidiano, o Presidente reconheceu que o tétum continua a ser a língua dominante em casa, o que considera natural e comparável a outras realidades internacionais. Ainda assim, afirmou que muitos jovens já conseguem comunicar em português, especialmente os que frequentam escolas que seguem o currículo português.</p>
<p>José Ramos-Horta defendeu ainda que o domínio de diferentes línguas é uma vantagem estratégica. “Quanto mais línguas os timorenses falam, melhor para cada um de nós”, afirmou, encorajando os jovens a não terem receio de aprender novas línguas.</p>
<p><strong>Ensino do português enfrenta desafios estruturais em Timor-Leste</strong></p>
<p>Mas para lá do discurso político e do simbolismo cultural, a realidade do ensino da língua portuguesa em Timor-Leste revela desafios profundos que continuam por resolver.</p>
<p>Flávia Maria Augusta Martins, docente de Língua Portuguesa na Faculdade de Ciências Sociais, alertou para problemas transversais ao sistema educativo. “Há desafios por parte dos governantes, do ministério competente, dos professores e, sobretudo, na capacidade de aprendizagem dos próprios estudantes”, afirmou.</p>
<p>Segundo a docente, muitos alunos chegam ao ensino superior com lacunas profundas. “Os estudantes não têm conhecimentos básicos da língua portuguesa quando entram na universidade, o que dificulta o processo de ensino.”</p>
<p>Na instituição onde leciona, os alunos têm apenas dois semestres de português, o que considera insuficiente. “Não posso voltar ao nível do ensino básico. Tenho de avançar com conteúdos do ensino superior, mas muitos alunos não conseguem acompanhar.”</p>
<p>A professora critica ainda a falta de condições no ensino básico e secundário e a ausência de formação contínua dos docentes. “Um professor de língua portuguesa precisa de atualização regular, pelo menos uma vez por ano, mas isso raramente acontece em Timor-Leste.”</p>
<p>Em turmas com até 80 alunos, apenas uma minoria demonstra domínio básico da língua. “Muitos têm dificuldades em compreender e expressar-se em português, até mesmo em frases simples.”</p>
<p>Para além das falhas estruturais, a docente aponta também a falta de empenho individual dos estudantes como um fator determinante. “Alguns estudantes não assumem responsabilidade pela sua aprendizagem e mostram pouco interesse em estudar ou pesquisar fora da sala de aula.”</p>
<p>Ainda assim, reconhece o potencial da tecnologia como ferramenta de apoio. “Há muitos materiais disponíveis, inclusive de professores brasileiros, mas os alunos precisam de iniciativa para os procurar.”</p>
<p>Flávia Martins sublinha também que a língua é essencial para o acesso ao conhecimento. “Muitos estudantes não compreendem as matérias porque estão em português.”</p>
<p><strong>Jovens veem no português uma oportunidade de futuro</strong></p>
<p>Apesar dos desafios, muitos jovens veem o português como uma oportunidade de futuro. Para Febriana Teixeira, estudante da Universidade Católica Timorense, a língua portuguesa vai muito além de um simples meio de comunicação. É “o caminho para atingir os meus sonhos” e a ponte que a levou a explorar o mundo da literatura e do direito.</p>
<p>A estudante descreve o português como uma língua que representa “a harmonia da vida poética, a diversidade e a dinâmica”, além de desempenhar um papel fundamental na interpretação jurídica, área em que pretende construir a sua carreira. Para Febriana, o domínio do idioma abre portas concretas, especialmente no contexto do Estado timorense.</p>
<p>A propósito da celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, assinalado a 5 de maio, a estudante considerou essencial marcar a data. “É importante para relembrar cada conquista que tivemos com a presença da língua portuguesa”, afirmou, acrescentando que a celebração também reforça a ligação entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Na sua perspetiva, o português não é apenas uma língua, mas um “universo” que integra cultura, identidade, etnia, nacionalidade e fé.</p>
<p>Apesar do entusiasmo, Febriana reconheceu que o processo de aprendizagem não é simples. “No início é sempre difícil, mas com prática contínua torna-se mais fácil e flexível”, explicou. Para a estudante, aprender português exige resiliência e disciplina, características que considera fundamentais para alcançar bons resultados.</p>
<p>Entre as principais dificuldades, destacou fatores emocionais e estruturais. “Muitas vezes, sentia desmotivação ao ouvir constantemente que era necessário conjugar verbos ou seguir regras gramaticais complexas”, recordou. No entanto, encontrou motivação ao entrar em contacto com diferentes sotaques, especialmente do Brasil e de Portugal, o que despertou ainda mais interesse pela língua.</p>
<p>A estudante apontou também desafios no acesso a recursos educativos em Timor-Leste, como a escassez de livros em português e a limitada oferta de conteúdos audiovisuais na língua, muitas vezes substituídos por materiais em indonésio.</p>
<p>Mesmo assim, Febriana vê no português uma oportunidade concreta de crescimento. Em 2025, essa visão tornou-se realidade ao vencer um concurso de discurso público em língua portuguesa, conquista que lhe garantiu uma vaga num curso de verão na Universidade de Macau.</p>
<p>“Para mim, não é apenas teoria. A língua portuguesa já abriu portas reais na minha vida”, disse, reforçando a importância do idioma como ferramenta para o futuro académico e profissional em Timor-Leste.</p>
<p>Estela Maia Soares, estudante do quinto semestre de Contabilidade na Faculdade de Economia e Gestão, Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, considera a língua portuguesa um elemento fundamental na identidade e no desenvolvimento de Timor-Leste, apesar dos desafios enfrentados no seu processo de aprendizagem.</p>
<p>Segundo a estudante, o português, sendo uma das línguas oficiais do país, assume um papel relevante tanto a nível nacional como internacional. “É uma língua utilizada em vários países e também muito presente entre as gerações mais velhas. Além disso, muitas palavras do tétum têm origem no português, o que demonstra a sua influência no nosso dia a dia”, afirmou.</p>
<p>“Timor-Leste faz parte da CPLP, por isso, devemos celebrar esta data como forma de reconhecer a importância da língua”, disse.</p>
<p>No entanto, a estudante reconheceu que aprender português não é um processo fácil. Entre as principais dificuldades, aponta a complexidade da conjugação verbal. “Diferente do inglês, o português exige atenção aos tempos verbais. Não se pode falar de qualquer maneira, é preciso conjugar corretamente, o que se torna a aprendizagem mais exigente”, explicou.</p>
<p>A experiência de Estela com a língua começou ainda no ensino básico e secundário, na Escola CAFE, onde teve frequentemente contacto com professores estrangeiros que utilizavam o português. Contudo, após concluir essa etapa, a prática da língua diminuiu devido ao ambiente social.</p>
<p>“No meu círculo de amigos e família, poucas pessoas falam português. Apenas o meu pai fala um pouco, e é com ele que ainda consigo praticar”, relatou.</p>
<p>Já no ensino superior, embora os materiais académicos estejam maioritariamente em português, a realidade nas salas de aula é diferente. “Os professores utilizam materiais em português, mas muitas vezes explicam em tétum porque os estudantes ainda não dominam bem a língua”, disse. Entre colegas, o uso do português também é limitado, sendo mais comum entre aqueles que já têm alguma fluência.</p>
<p>Para superar essas dificuldades, Estela tem recorrido a conteúdos digitais, sobretudo nas redes sociais. “Vejo vídeos no TikTok em português, principalmente de outros países, o que me ajuda a compreender melhor a língua e a aprender novas formas de comunicação”, afirmou.</p>
<p>Apesar dos desafios, a estudante defende que a aprendizagem do português depende também da iniciativa individual. Para ela, o contacto contínuo com a língua, seja na escola ou através de meios digitais, é essencial para melhorar a fluência e garantir que o português continue a ter um papel relevante na sociedade timorense.</p>
<p>Por sua vez, a estudante Melinda da Conceição Pinto, do Departamento de Contabilidade da Faculdade de Economia e Gestão, da UNTL, partilhou a sua experiência de aprendizagem da língua portuguesa, sublinhando a importância da prática constante e da comunicação no processo de aquisição da língua.</p>
<p>Melinda afirmou ter aprendido português desde o ensino primário até ao ensino secundário na Escola CAFE de Baucau, localizada em Vila Nova. Segundo a estudante, a aprendizagem não se limitou ao contexto escolar, tendo também sido reforçada no ambiente familiar, através da comunicação frequente com os pais e irmãos.</p>
<p>Durante o seu percurso académico, explicou que continuou a utilizar a língua portuguesa tanto em casa como na universidade, ainda que de forma variável. “Já na universidade, também falo com alguns colegas, acompanho as explicações dos professores e faço perguntas em português”, referiu, acrescentando que a utilização da língua ocorre com alguma regularidade.</p>
<p>No entanto, Melinda reconhece que aprender português em Timor-Leste continua a ser um desafio. “Não é muito fácil, porque muitas pessoas tentam aprender português, mas nem todas conseguem”, afirmou, destacando a necessidade de maior prática comunicativa entre os falantes para melhorar o domínio da língua.</p>
<p>Outro desafio mencionado foi a escassez de conteúdos educativos produzidos localmente em português. Segundo a estudante, embora existam muitos materiais disponíveis na internet, sobretudo de países estrangeiros, em Timor-Leste ainda há poucos criadores de conteúdos em língua portuguesa. “Isso poderia ajudar e incentivar mais pessoas a aprender”, afirmou, defendendo maior iniciativa individual por parte dos estudantes.</p>
<p>Quanto ao papel das instituições, Melinda considera que tanto o Governo como as escolas têm investido na promoção da língua portuguesa, embora os resultados dependam também da prática dos falantes. “O investimento existe, mas se as pessoas não praticarem, torna-se um desafio”, observou.</p>
<p>Por fim, deixou uma mensagem aos colegas e aos estudantes mais novos, incentivando a prática diária da língua. “O mais importante é praticar todos os dias, mesmo cometendo erros. Começar pelo básico e falar sobre coisas simples ajuda muito. O essencial é comunicar”, afirmou.</p>
<p>Apesar do crescimento significativo da língua portuguesa em Timor-Leste, o ensino continua a enfrentar desafios estruturais que contrastam com a forte aposta política, cultural e simbólica no seu reforço.</p>
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		<title>Uaguia: Encerramento da classe paralela leva alunos a abandonar os estudos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Silva]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Mar 2026 11:51:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O encerramento da classe paralela em Uaguia, no posto administrativo de Ossu, tem deixado centenas de estudantes sem acesso seguro ao ensino secundário. A distância até à escola central em Olo-Cassa e a falta de recursos financeiros obrigam jovens a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O encerramento da classe paralela em Uaguia, no posto administrativo de Ossu, tem deixado centenas de estudantes sem acesso seguro ao ensino secundário. A distância até à escola central em Olo-Cassa e a falta de recursos financeiros obrigam jovens a abandonar os estudos, suscitando indignação entre famílias e líderes comunitários.</em></p>
<p>Em 2025, o Governo determinou, através de um despacho da rede escolar, <a href="https://www.diligenteonline.com/encerramento-de-classe-paralela-em-ossu-uaguia-gera-contestacao-de-pais-professores-e-estudantes/">o encerramento de estabelecimentos considerados paralelos ou filiais, incluindo a classe paralela do suco de Uaguia</a>. A escola central correspondente situa-se em Olo-Cassa, também no posto de Ossu. Após esta medida, estudantes de diversos sucos enfrentam deslocações que variam entre 5 e 40 km, tornando difícil ou mesmo impossível a continuidade dos estudos.</p>
<p>Romário da Silva, residente em Ossorua, explicou ao Diligente que não consegue frequentar as aulas em Ossu devido à distância e à falta de recursos para arrendar casa. “Preocupo-me muito com esta situação. Temos dificuldades financeiras, então decidi não continuar a estudar para ajudar os meus pais”, afirmou. O jovem revelou ainda que sonhava, desde criança, ser médico. “Queria um dia poder voltar à minha terra natal para atender a população que vive longe dos estabelecimentos de saúde. Mas estes sonhos foram interrompidos”, acrescentou.</p>
<p>A irmã mais velha de Romário, Anastácia Gusmão, explicou que tanto ele como a irmã Adalsiza, que preferiu não comentar, decidiram não prosseguir o ensino secundário devido ao encerramento da classe paralela. “Os meus irmãos não conseguiram frequentar o Ensino Secundário-geral porque a distância do nosso suco de Ossorua à escola central em Olo-Cassa é de cerca de 10 km”, disse.</p>
<p>Anastácia referiu ainda que a situação económica da família contribui para o problema: “Não temos dinheiro suficiente para arrendar uma casa em Ossu. Comparando a distância entre Uaguia e a escola central, Uaguia é um pouco mais próxima. De transportes, demora cerca de duas horas; a pé, aproximadamente cinco horas.”</p>
<p>Segundo Anastácia, os irmãos decidiram ajudar os pais na agricultura e em outros trabalhos remunerados. “O meu irmão trabalha na construção civil para ganhar dinheiro, enquanto a Adalsiza fica em casa a realizar tarefas domésticas.”</p>
<p>A jovem acrescentou que deputados da Comissão G, responsável pela educação, juventude, cultura e cidadania, chegaram a falar com os jovens, prometendo apoio para colocação no colégio, mas até ao momento nada foi concretizado. “Estamos quase no final do primeiro período, então já não vão às aulas. Apesar da tristeza, no próximo ano procuraremos outro caminho para que possam continuar os estudos”, explicou.</p>
<p>Relativamente à decisão do Ministério da Educação, Anastácia sublinhou “esta medida prejudica os alunos de diversos sucos que agora têm dificuldade em frequentar aulas. A decisão foi um choque, sobretudo para os estudantes do suco de Ossorua. Por isso, estas classes paralelas deveriam continuar, para facilitar o acesso ao ensino.”</p>
<p><strong>Juventude de Ossu mobiliza-se pela reabertura da classe paralela</strong></p>
<p>O Movimento de Juventude de Ossu tem-se mostrado preocupado com o encerramento da classe paralela em Uaguia e anunciou ações para pressionar o Ministério da Educação a reverter a decisão.</p>
<p>Em entrevista ao Diligente, Ason Maubere, porta-voz do movimento, afirmou sentir-se “triste e preocupado” com os efeitos desta medida. “As crianças da nossa comunidade, que não têm condições suficientes, perdem o direito à educação”, alertou.</p>
<p>Segundo Ason, a decisão afeta moradores de seis sucos que têm de atravessar a ribeira, enfrentando grandes dificuldades para chegar à escola. “Se os estudantes têm de percorrer distâncias tão longas, não conseguem concentrar-se nas aulas. Pior ainda, correm risco de vida durante a época das chuvas”, explicou.</p>
<p>O porta-voz criticou a política do Ministério, considerando-a “injusta e sem fundamentos concretos”. “A decisão não se baseia em factos reais. O Estado perdeu o seu papel de aproximar a educação das zonas rurais e das comunidades carentes”, afirmou.</p>
<p>Ason destacou ainda a importância da educação como direito fundamental, citando a Constituição da República Democrática de Timor-Leste: “No artigo 6º, o Estado garante e promove os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos. O artigo 59 assegura o direito de todos os cidadãos à educação e garante igualdade de oportunidades para estudar e desenvolver competências”.</p>
<p>Perante esta situação, o Movimento de Juventude de Ossu anunciou várias iniciativas. Entre elas, está o envio de uma petição ao Parlamento Nacional, em particular à Comissão G, responsável por questões de educação, e aos órgãos de liderança do país — Presidente da República e Primeiro-Ministro — solicitando uma audiência pública para apresentar as preocupações da comunidade. “Queremos expor os problemas que o povo Maubere enfrenta devido ao encerramento da classe paralela”, sublinhou Ason.</p>
<p>Caso não haja uma resposta positiva do Ministério da Educação, o movimento compromete-se a organizar protestos pacíficos. “Se não houver uma solução, vamos mobilizar-nos e tomar medidas pacíficas contra esta decisão”, concluiu.</p>
<p><strong>Controvérsia sobre encerramento da classe paralela mantém tensão entre comunidade e Governo</strong></p>
<p>O ex-professor da classe paralela de Uaguia, Elídio Pinto, explicou que, no início de janeiro, apenas uma semana de aulas foi ministrada. Pouco depois, a classe paralela entrou em acordo com o Ministério da Educação, através da Direção-Geral do Ensino Secundário, para encerrar provisoriamente o processo de aprendizagem. “Estamos à espera da decisão final do Ministério”, afirmou.</p>
<p>Em 2025, 140 estudantes estavam registados na classe paralela de Uaguia, dos quais 9 desistiram durante o ano letivo. Dos restantes, 47 concluíram o curso como finalistas, enquanto cerca de 90 alunos continuaram do 10º para o 11º ano e do 11º para o 12º ano. No início deste ano letivo, inscreveram-se aproximadamente 30 novos alunos do 10º ano, totalizando cerca de 130 estudantes transferidos para a escola central em Olo-Cassa.</p>
<p>O Diretor Nacional do Ensino Secundário-Geral, Benjamim Fernandes, explicou que, no momento do encerramento, a classe paralela contava com apenas 95 alunos. Segundo ele, para manter uma turma paralela, o número mínimo de estudantes por ano letivo deve ser 90, e cada turma deve ter 45 alunos para que os professores cumpram 24 horas semanais de aula, conforme a lei da função pública. Por estas razões, justificou o encerramento da turma.</p>
<p>Elídio Pinto acrescentou que alguns estudantes desistiram devido à distância, e que outros, que se deslocavam de motorizada para Olo-Cassa, chegaram a ser detidos pela polícia por infrações de trânsito. Além disso, regras internas da escola — como pagamento de um dólar por atraso e dez dólares em caso de problemas disciplinares — tornam ainda mais difícil a frequência de alunos provenientes de sucos distantes.</p>
<p>Quanto à responsabilidade pela logística e transporte, Benjamim Fernandes afirmou que existem alternativas, mas que cabe aos pais organizar soluções próximas: “Ainda há estudantes que andam mais de 10 km diariamente para a escola. A responsabilidade de encontrar soluções próximas é dos pais.”</p>
<p>Recentemente, a Comissão G do Parlamento Nacional, responsável por educação, juventude, cultura e cidadania, visitou a escola e comprometeu-se a levar o caso à Ministra da Educação para inspeção direta. Apesar das críticas e da pressão da comunidade, o Governo mantém a decisão, argumentando que concentrar os alunos na escola central garante melhor qualidade de ensino, com recursos didáticos completos.</p>
<p>O ex-professor destacou ainda que, em 2025, 131 alunos frequentaram as aulas da classe paralela, cumprindo os critérios mínimos estabelecidos pelo regulamento para formar uma turma. “Estes dados são reais e comprovam que a classe atendia aos requisitos em termos de número de estudantes”, garantiu.</p>
<p>O Diligente tentou obter comentário do Presidente da Comissão G, Armando dos Santos, mas não recebeu resposta até à publicação da reportagem.</p>
<p>No meio desta situação, muitos estudantes e famílias questionam-se: se os líderes políticos apelam constantemente à juventude para estudar, esforçar-se e construir o futuro do país, por que razão não garantem as condições necessárias para que isso seja possível? Os estudantes perguntam aos responsáveis: “Se querem que sejamos o futuro de Timor-Leste e nos discursos nos dizem constantemente para estudar, por que é que não criam as condições para que possamos de facto estudar?”</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/uaguia-encerramento-da-classe-paralela-leva-alunos-a-abandonar-os-estudos/">Uaguia: Encerramento da classe paralela leva alunos a abandonar os estudos</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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		<title>Falta de docentes ameaça início do semestre na UNTL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rilijanto Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2026 11:57:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O primeiro semestre na UNTL começa em atraso. No Departamento de Língua Portuguesa, a reforma de 11 dos 14 docentes deixou aulas e orientação de monografias em suspenso, causando preocupação entre estudantes e professores. Onze dos 14 docentes do Departamento [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O primeiro semestre na UNTL começa em atraso. No Departamento de Língua Portuguesa, a reforma de 11 dos 14 docentes deixou aulas e orientação de monografias em suspenso, causando preocupação entre estudantes e professores.</em></p>
<p>Onze dos 14 docentes do Departamento de Língua Portuguesa da UNTL aposentaram-se, deixando aulas e orientação de monografias em suspenso. Estudantes e professores alertam para o risco de atrasos no semestre, numa crise provocada pela reforma obrigatória prevista no Decreto-Lei n.º 9/2025.</p>
<p>As aulas do primeiro semestre de 2026, previstas para fevereiro, foram adiadas devido à escassez de docentes no Departamento de Língua Portuguesa.</p>
<p>A Associação dos Estudantes da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades denunciou, numa conferência de imprensa na semana passada, que a falta de docentes compromete o processo de ensino-aprendizagem. Entre as principais consequências apontadas está a impossibilidade de acompanhar regularmente as disciplinas, apesar do início oficial do semestre.</p>
<p>Januário do Espírito Santo, porta-voz da associação, afirmou que o atraso viola o calendário académico e prejudica a qualidade do ensino. “As aulas deveriam ter começado a 16 de fevereiro. Mas a negligência da administração da faculdade e da universidade tornou os estudantes vítimas da situação, uma vez que ainda nem sequer preenchemos as fichas de planificação dos nossos estudos”, lamentou.</p>
<p>O estudante acrescentou que estágios e pesquisas permanecem sem horários definidos, mesmo para finalistas, devido à falta de docentes para orientação. Esta situação poderá comprometer a realização do exame de monografia e atrasar a primeira fase de conclusão do curso no Departamento de Língua Portuguesa.</p>
<p>Antes da reforma, o departamento contava com 14 docentes. Atualmente, um docente encontra-se a frequentar o doutoramento no Brasil, 11 foram aposentados e apenas uma docente permanece em funções, acumulando também o cargo de vice-diretora. Há ainda três docentes contratados que asseguram algumas atividades letivas.</p>
<p>Os estudantes reuniram-se com o reitor da UNTL, Joviano António da Costa, para exigir soluções urgentes, mas ainda não receberam garantias concretas sobre a resolução do problema.</p>
<p>Perante o impasse, exigem recrutamento urgente de novos docentes, de forma a normalizar o funcionamento das aulas e garantir o funcionamento regular do departamento. Reclamam também maior rigor e responsabilidade na gestão da situação, para evitar prejuízos académicos.</p>
<p>Fernão André da Costa, estudante do departamento, criticou a direção da universidade por má gestão de recursos humanos. “O Decreto-Lei n.º 9/2025 foi aprovado no ano passado. Por que razão a universidade e a faculdade não assumiram a responsabilidade atempadamente? A situação evidencia fragilidades na gestão e falta de planeamento institucional.”</p>
<p>O estudante salientou que a falta de ações antecipadas evidencia fragilidades na coordenação interna e no cumprimento das responsabilidades institucionais. Defendeu maior rigor, transparência e capacidade de previsão por parte dos órgãos de gestão.</p>
<p>Apesar da urgência do recrutamento, destacou que o processo deve ser transparente e baseado no mérito. “A situação é urgente, mas isso não significa promover favoritismos. A reitoria deve valorizar os melhores graduados e apostar nos seus próprios recursos”, concluiu.</p>
<p><strong>Direção garante continuidade apesar da crise</strong></p>
<p>Num contexto marcado pela saída de vários docentes devido à reforma obrigatória, a direção do Departamento de Língua Portuguesa da UNTL procura assegurar a estabilidade académica e a continuidade das atividades letivas, apesar das limitações impostas pela redução do quadro de professores.</p>
<p>A diretora do departamento, Juliana Soares, afirmou que a instituição está a adotar medidas para minimizar os impactos da reforma obrigatória e garantir que os estudantes possam avançar nos seus cursos.</p>
<p>Segundo Juliana Soares, em resposta às reivindicações dos alunos relacionadas com a falta de docentes, a UNTL solicitou à equipa do departamento que desse continuidade às atividades académicas, incluindo a planificação do semestre.</p>
<p>“Foi emitido um aviso para que os estudantes participassem nesse processo e, em paralelo, a direção entrou em contacto com professores que normalmente lecionam a unidade curricular”, explicou.</p>
<p>Para suprir as disciplinas sem docentes, a Faculdade de Educação, em colaboração com o departamento, convidou sete professores do Centro da Língua Portuguesa da UNTL, além de docentes do Departamento de Língua Tétum e antigos alunos do próprio departamento. “Neste momento, precisamos muito do apoio deles. Algumas situações já conseguimos resolver”, afirmou.</p>
<p>Juliana Soares garantiu que as disciplinas já estão asseguradas e que o processo de ensino-aprendizagem teve início esta semana. Também está a ser acompanhado o progresso dos estudantes que já estão prontos para defender a monografia, para que possam avançar para o exame final. Contudo, reconheceu que o arranque das atividades ocorreu com atraso devido à insuficiência de recursos humanos.</p>
<p>A diretora acrescentou que docentes já reformados, que anteriormente orientavam monografias, continuam a desempenhar essa função para permitir que os estudantes concluam o curso dentro do prazo previsto.</p>
<p>Quanto aos finalistas que aguardam orientação, explicou que os temas das monografias devem ser entregues na secretaria para registo, seguindo-se a definição dos orientadores.</p>
<p>“Com a reforma, ficámos sem docentes especializados em linguística, literatura e didática. Somos apenas três a apoiar atualmente o departamento, mas ainda estamos a frequentar o mestrado ou não o concluímos, pelo que não podemos assumir a orientação. Além disso, não é possível orientar mais de dez estudantes cada um. O nosso desafio é distribuir adequadamente os alunos pelos orientadores, pois ainda não temos recursos humanos suficientes”, detalhou.</p>
<p>Dos 11 docentes aposentados, restam cinco no departamento — dois permanentes e três contratados. Segundo a diretora, os três contratados já lecionavam anteriormente e são antigos alunos da instituição. “Queremos contribuir para o nosso departamento e conseguimos contrato com a instituição para ensinar”, disse.</p>
<p>Apesar disso, reconheceu que o número ainda é insuficiente, sobretudo tendo em conta que cerca de 100 novos estudantes ingressaram este ano. Para já, as disciplinas do primeiro ao quarto ano estão asseguradas, mas a continuidade no próximo período dependerá de nova avaliação, uma vez que cada currículo exige perfis específicos.</p>
<p>“A principal questão neste momento é a orientação das monografias”, sublinhou Juliana Soares, acrescentando que assumiu recentemente a direção do departamento, o que torna o processo de reorganização ainda mais desafiante. “É uma novidade para mim. Temos de seguir os procedimentos até termos a certeza de quais professores aceitam orientar”, explicou.</p>
<p>A diretora defendeu o recrutamento de novos docentes como medida estrutural para evitar prejuízos aos estudantes finalistas. “O Departamento de Língua Portuguesa existe há 24 anos. Cinco docentes não são suficientes. Podemos assegurar as disciplinas, mas a conclusão do curso exige a defesa da monografia, e é precisamente aí que ainda enfrentamos dificuldades”, alertou.</p>
<p>Sobre a eventual contratação de mais professores, incluindo profissionais do Centro da Língua Portuguesa e antigos alunos interessados em regressar à universidade, Juliana Soares esclareceu que a decisão compete à reitoria.</p>
<p>A responsável reconheceu que a responsabilidade deixada pelos docentes aposentados é pesada para os professores mais jovens, mas garante empenho na superação da crise. “Somos jovens e queremos levar este departamento para a frente. Precisamos de continuar a receber apoio e contributos dos docentes reformados para formar estudantes qualificados”, afirmou.</p>
<p>Juliana Soares sublinhou ainda que a situação deve servir de lição para o futuro. “Idealmente, antes da reforma dos docentes, a universidade deveria ter preparado recursos e aberto concursos para substituir os professores reformados, evitando problemas que afetam o ensino e a orientação das monografias.”</p>
<p>Por sua vez, o administrador-geral da UNTL, José Dionísio Ximenes, afirmou que a reitoria e os decanos já analisaram a situação e estão a trabalhar na identificação de soluções para o recrutamento e redistribuição de docentes pelos departamentos mais afetados.</p>
<p>“Estamos a analisar a situação e a procurar soluções, mas não posso avançar detalhes neste momento”, declarou, recusando-se a comentar as medidas concretas em preparação.</p>
<p>O Diligente tentou ainda obter esclarecimentos junto do reitor da UNTL, Joviano António da Costa, e do diretor de Recursos Humanos, Câncio Monteiro, mas não obteve resposta devido à indisponibilidade dos responsáveis.</p>
<p><strong>Docentes aposentadas pedem planeamento e apoio a novos professores</strong></p>
<p>Duas docentes recentemente aposentadas do Departamento de Língua Portuguesa da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades da UNTL defendem que a reforma obrigatória deveria ter sido acompanhada de maior planeamento institucional, de forma a evitar constrangimentos no funcionamento do curso.</p>
<p>Eugénia de Jesus das Neves, antiga diretora do departamento, considera a reforma um processo natural na carreira pública, mas critica a falta de antecipação da universidade na formação e integração de novos quadros para substituir os docentes aposentados.</p>
<p>“Isso deixou uma lacuna no nosso curso. Há professores com mestrado que poderiam assumir essas responsabilidades, mas não foram integrados, esperando que saíssemos primeiro para serem promovidos”, afirmou.</p>
<p>Com 14 anos como professora efetiva, Eugénia recordou os principais desafios da carreira, destacando a entrada de estudantes com fraco domínio do português, fruto de diferentes contextos escolares.</p>
<p>“Os desafios eram vários, mas o maior foi lidar com estudantes que entravam no curso sem conhecimento adequado do português. A limitação de recursos financeiros para organizar atividades académicas também marcou a minha gestão”, disse.</p>
<p>Sobre a aposentação, a docente afirmou que não foi surpreendida pela decisão, mas criticou a ausência de planeamento estratégico. “Deveriam ter preparado melhores condições em termos de recursos humanos antes de um professor se aposentar. A instituição deve propor à Função Pública a necessidade de recrutar novos docentes antes da reforma do anterior. Há um provérbio: ‘preparar o guarda-chuva antes que chova’”, observou.</p>
<p>Eugénia revelou ainda sentir falta de diálogo institucional no final da carreira. “Não era a questão de continuar a ensinar, mas de contribuir com a nossa opinião para o futuro do departamento. Só sabíamos que, no dia 1 de janeiro, terminava a nossa missão. No entanto, durante todo o mês de janeiro ainda resolvemos assuntos administrativos, como pautas de alunos e exames de monografia, por sentido de responsabilidade.”</p>
<p>Para a ex-diretora, a renovação do corpo docente pode ser positiva, desde que haja equilíbrio entre qualificação académica e experiência pedagógica. “A instituição precisa de recursos humanos jovens, com energia para assumir funções. Temos vários mestres com experiência no ensino, três doutorandos em fase de pesquisa e três doutorados que trabalham fora do departamento. Vamos ver como é que vão gerir isso e aproveitar esses recursos”, afirmou.</p>
<p>Quanto à qualificação académica, Eugénia destacou a importância da experiência prática na área de estudo. “A nossa área é língua portuguesa. É fundamental que os docentes tenham passado pelo curso para assegurar as disciplinas específicas. Ter um doutoramento não significa dominar tudo; é necessária experiência para complementar o conhecimento, embora para disciplinas gerais isso não seja um problema.”</p>
<p>Mesmo aposentada, a docente disse que continuará a contribuir para o departamento sempre que possível. “Neste momento, ainda oriento três estudantes que não concluíram os seus trabalhos finais, mesmo não sendo minha responsabilidade. Também posso participar noutras atividades quando for solicitada a minha contribuição”, afirmou.</p>
<p>Eugénia deixou ainda um conselho aos docentes mais jovens. “Continuem a trabalhar bem para levar adiante o curso de Ensino da Língua Portuguesa e melhorar a qualidade do ensino. O departamento completa este ano 25 anos e esperamos que continue a desenvolver-se, incorporando novas tecnologias.”</p>
<p>Também Maria da Cunha, docente reformada após cerca de 15 a 17 anos de serviço na UNTL, considerou a reforma obrigatória uma medida legítima no quadro das políticas governamentais, mas enfatizou que a sua implementação deveria ter sido acompanhada de medidas preventivas para salvaguardar a continuidade do ensino.</p>
<p>“Para implementar a reforma, a própria instituição deveria preparar recursos suplentes para não prejudicar os estudantes. Além disso, os dirigentes deveriam ter convocado encontros com os candidatos à aposentação, para ouvir e comentar sobre o seu desempenho durante o período de trabalho, e demonstrar algum gesto amigável de despedida”, disse.</p>
<p>Quanto ao impacto da reforma na qualidade do ensino, Maria da Cunha avaliou que, nas disciplinas transversais, a substituição de docentes não traria problemas. Porém, nas disciplinas específicas, considera que os professores mais jovens necessitam de formação adicional e tutoria para melhorar a qualidade do ensino. “Seria também pesado na orientação de monografias”, salientou.</p>
<p>A docente apontou que a reforma funciona como uma estratégia para empregar docentes mais jovens, com maior energia e flexibilidade, em detrimento de profissionais experientes. “A meu ver, a instituição deixou passar jovens com competência suficiente para contribuir para a sustentabilidade do Departamento da Língua Portuguesa”, afirmou.</p>
<p>Maria da Cunha recordou ainda que, durante a sua gestão como diretora do departamento, solicitou por duas vezes a promoção de duas mestres a docentes permanentes, visando garantir a sustentabilidade do curso. “Infelizmente, isso não aconteceu até hoje”, lamentou.</p>
<p>Apesar de ter recebido um certificado de reconhecimento, Maria da Cunha disse não se ter sentido plenamente valorizada no final da carreira, observando que o seu título de Doutora em Letras não foi devidamente considerado e que não houve gestos simbólicos de despedida por parte da faculdade.</p>
<p>Para a docente reformada, a entrada de professores mais jovens pode dinamizar o ensino, mas exige formação contínua, acompanhamento e incentivo à pesquisa.</p>
<p>“Que continuem a fazer pesquisas sobre novos métodos de ensino e participem em formações contínuas. Um bom professor está em constante formação. Que escrevam artigos para publicação e participem em conferências nacionais e internacionais. Além da sala de aula, os docentes jovens precisam de desenvolver atividades de extensão ou serviço à comunidade, no âmbito da difusão e consolidação da língua portuguesa.”</p>
<p>Embora aposentada, Maria da Cunha manifesta intenção de promover o hábito de leitura e apoiar iniciativas ligadas à língua portuguesa, mesmo em contexto familiar. “Tenho planos de continuar a contribuir para a consolidação da língua portuguesa e criar o hábito de leitura. Há várias formas de contribuir. Se não for para o público, contribuo para a educação dos meus netos”, concluiu.</p>
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		<title>Bolseiros da Bolsa Sander Thoenes assumem compromisso de honrar legado do jornalista holandês morto em Timor-Leste</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 12:27:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quatro jornalistas de Timor-Leste e da Indonésia são os primeiros bolseiros da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa apoiada pelo Reino dos Países Baixos que promove o jornalismo ético, investigativo e independente. Após uma formação intensiva nos Países Baixos e encontros [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Quatro jornalistas de Timor-Leste e da Indonésia são os primeiros bolseiros da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa apoiada pelo Reino dos Países Baixos que promove o jornalismo ético, investigativo e independente. Após uma formação intensiva nos Países Baixos e encontros com instituições e redações de referência, os participantes assumem o compromisso de honrar o legado do repórter holandês assassinado em Díli, em 1999.</em></p>
<p>Nas duas primeiras semanas de fevereiro deste ano, quatro jornalistas de Timor-Leste e da Indonésia, selecionados entre cerca de uma centena de candidatos, integraram a primeira edição da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa apoiada pelo Reino dos Países Baixos que promove o jornalismo ético, investigativo e de interesse público, perpetuando a memória do repórter holandês assassinado em Díli, em 1999.</p>
<p>Uma das selecionadas, Antónia Kastono Martins, jornalista e diretora do Diligente, em Timor-Leste, que destacou a importância da experiência. “É uma experiência muito rica, onde aprendi coisas novas, nomeadamente ferramentas e técnicas para melhorar o trabalho de investigação. Isso é muito importante para mim e para o nosso órgão de comunicação social, que pretende investir mais em reportagens investigativas”, afirmou.</p>
<p>Também Juan Robin, jornalista do Narasi, um conhecido órgão de comunicação social da Indonésia, sublinhou que o programa reforçou o seu sentido de responsabilidade perante o público. “Através da verificação de factos e de uma investigação informativa rigorosa e abrangente, conseguimos evitar a desinformação”, acrescentou.</p>
<p>A bolsa destacou igualmente a importância da ética e da responsabilidade no contexto digital. Retyan Sekar, jornalista do Kumparan, na Indonésia, salientou que ser jornalista na era digital exige uma postura crítica perante as novas ferramentas.</p>
<p>“Ser um jornalista responsável na era digital não significa apenas responsabilizar o poder, mas também utilizar a inovação digital, como a Inteligência Artificial, com pensamento crítico e responsabilidade ética”, partilhou.</p>
<p>&#8220;Para mim, esta bolsa de estudo é uma oportunidade para aprimorar as minhas competências de verificação de factos e de pensamento crítico, sempre que decidir produzir conteúdos para a minha plataforma&#8221;, afirmou Ricardo Valente Araújo, fundador da Gen Z Talk Timor-Leste, que cria conteúdos exclusivos dirigidos a jovens.</p>
<p><strong>O legado de Sander Thoenes</strong></p>
<p>Sander Thoenes foi um jornalista holandês que trabalhava na Indonésia em 1999 para o Financial Times, jornal britânico de referência.</p>
<p>Após 98,5% dos timorenses terem votado pela independência no referendo de 30 de agosto de 1999, foi destacado para cobrir a situação em Timor-Leste no período pós-consulta popular.</p>
<p>Os dias que se seguiram ao referendo ficaram marcados pelo medo e pela violência — um período conhecido como Setembro Negro. Registaram-se assassinatos, incêndios generalizados e deportações forçadas para a Indonésia. Sander Thoenes, então com apenas 30 anos, tornou-se uma das vítimas dessa tragédia.</p>
<p>Enquanto muitos procuravam fugir do conflito, Sander Thoenes, juntamente com outros jornalistas internacionais, deslocou-se para o território. Estiveram em Díli antes do referendo, mas foram expulsos logo após a votação devido à tensão que se seguiu. No entanto, com a entrada das forças australianas, os jornalistas aproveitaram para regressar ao território.</p>
<p>Thoenes chegou a Díli a 21 de setembro de 1999. No mesmo dia, pediu a um timorense que o conduzisse pela cidade, passando por Becora, considerada uma das zonas mais perigosas por ser um centro de presença militar indonésia. Apesar do alerta do condutor, decidiu avançar e acabou por ser morto em Becora, Díli.</p>
<blockquote><p>“Percebemos que também podem silenciar-nos”</p></blockquote>
<p>Para Step Vaessen, jornalista da Al Jazeera e amiga de Sander Thoenes, a sua morte representou um dia negro para o jornalismo.</p>
<p>“Foi um ponto de viragem para mim, porque percebi então que, enquanto jornalistas, não somos intocáveis. Eu achava que estava apenas a fazer o meu trabalho, a escrever uma história, e que não fazia parte da história. Mas, de repente, percebemos que também podem silenciar-nos, até para sempre”, confidenciou, recordando que também era jovem na altura.</p>
<p>Step Vaessen foi a primeira a propor a criação da bolsa, considerando que muitas pessoas ainda desconheciam a história do colega. Para si, a iniciativa pretende manter viva a memória de Sander Thoenes e dar continuidade ao seu legado, formando novos jornalistas comprometidos.</p>
<p>“Temos agora quatro a quem quisemos dar esta responsabilidade de continuar este trabalho. Há muito a discutir entre nós, porque temos de nos esforçar nesta carreira.”</p>
<p><strong>Inspirados pela coragem e pelo impacto</strong></p>
<p>Para Antónia Martins, a bolsa reforçou a necessidade de continuar a escrever com coragem, realizando investigações de forma cautelosa, ética e sustentada nas ferramentas adquiridas durante a formação.</p>
<p>Juan Robin afirmou que o legado de Sander Thoenes é claro: “produzir reportagens ousadas, impactantes e de grande relevância”. O próprio jornalista venceu recentemente um prémio com um vídeo-reportagem que expõe como a mineração de níquel na Indonésia é justificada em nome do bem público e da transição verde, quando, na prática, serve para extrair riqueza para elites, à custa da vida das populações, da saúde pública, do ambiente e da própria democracia.</p>
<p>Também Retyan Sekar afirmou sentir-se inspirada pela coragem de Sander Thoenes e motivada para se adaptar às mudanças no setor, “mantendo-me fiel a um jornalismo baseado em factos, na empatia e no interesse público”.</p>
<p>Ricardo compromete-se também a continuar a procurar a verdade e a produzir conteúdos escritos.</p>
<p>“Queremos mostrar às novas gerações de jornalistas o quão importante é continuar a nossa profissão e manter-nos fiéis aos factos, independentes, corajosos e firmes, tal como Sander Thoenes”, concluiu Step Vaessen.</p>
<p><strong>Formação nos Países Baixos e contacto com instituições</strong></p>
<p>Esta foi a primeira edição da Bolsa Sander Thoenes, uma iniciativa da Foreign Policy Community of Indonesia, em colaboração com a Embaixada do Reino dos Países Baixos na Indonésia e a RNW Media.</p>
<p>Durante cinco dias, os bolseiros participaram num curso sobre jornalismo ético, impactante e corajoso no Centro de Formação em Media da RNTC, nos Países Baixos. Tiveram ainda oportunidade de visitar a Câmara Baixa dos Estados Gerais, órgão legislativo neerlandês, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde aprofundaram o conhecimento sobre o funcionamento do sistema político do país.</p>
<p>Os jovens jornalistas visitaram igualmente a Associação de Jornalistas Holandeses (NVJ) e reuniram-se com repórteres experientes na área da investigação, nomeadamente dos meios independentes Investico e Follow the Money.</p>
<p>O programa incluiu ainda visitas a órgãos de comunicação social de referência nos Países Baixos, como a NOS, serviço público de radiodifusão, e o de Volkskrant, jornal privado de circulação nacional e grande influência.</p>
<p>A experiência foi enriquecida pelo encontro com a família de Sander Thoenes, Peter e Eveline. Para Ricardo Araújo, este foi o momento mais inspirador, ao ouvir a história e os valores do jornalista holandês. As oportunidades de trocar ideias com jornalistas holandeses também lhe pareceram interessantes.</p>
<p>Juan Robin, por sua vez, destacou o momento de apresentação das ideias para futuros projetos com impacto público. “É memorável, porque consegui aplicar diretamente o valor da coragem de Sander Thoenes, algo que não pratico todos os dias”, partilhou. O jornalista espera poder produzir mais conteúdos de impacto, apesar dos desafios que a imprensa indonésia enfrenta atualmente.</p>
<p>O momento que mais inspirou Antónia Martins foi conhecer a história de um média independente e privado, dedicado exclusivamente à investigação. No início, não produzia notícias diárias, mas conseguiu sobreviver e atualmente conta com dezenas de jornalistas, publicando um artigo investigativo por dia. “O desafio deve ser enorme, mas mantiveram-se fiéis ao modelo que escolheram e conquistaram a confiança do público que os apoia, permitindo-lhes continuar a investigar e a escrever”, observou a jornalista.</p>
<p>Retyan Sekar também partilhou o seu momento mais memorável, quando conheceu os jornalistas de Timor-Leste e a família de Sander Thoenes. “Estamos ligados pela história, pela responsabilidade e, felizmente, por valores partilhados. É incrível pensar que este programa consegue reunir-nos, vindos de todos os cantos do mundo e de diferentes gerações, por causa do legado de um jornalista. Aquele momento fez-me perceber o quão poderoso pode ser o jornalismo na construção de ligações humanas.”</p>
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