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	<title>Timor em Perspetiva - DILIGENTE</title>
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	<title>Timor em Perspetiva - DILIGENTE</title>
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		<title>Subnutrição agrava-se em Timor-Leste enquanto a maioria dos países da ASEAN melhora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 10:51:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Factos e Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Timor em Perspetiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Timor-Leste apresenta o pior resultado entre os países da ASEAN avaliados no Índice Global da Fome 2026. Baixos rendimentos, produção agrícola vulnerável e obstáculos à distribuição ajudam a explicar a persistência das dificuldades de acesso à alimentação. Na Indonésia, a [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://www.diligenteonline.com/subnutricao-agrava-se-em-timor-leste-enquanto-a-maioria-dos-paises-da-asean-melhora/">Subnutrição agrava-se em Timor-Leste enquanto a maioria dos países da ASEAN melhora</a> aparece primeiro em <a href="https://www.diligenteonline.com">DILIGENTE</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Timor-Leste apresenta o pior resultado entre os países da ASEAN avaliados no Índice Global da Fome 2026. Baixos rendimentos, produção agrícola vulnerável e obstáculos à distribuição ajudam a explicar a persistência das dificuldades de acesso à alimentação.</em></p>
<p>Na Indonésia, a proporção da população em situação de subnutrição desceu de 18,4%, em 2004–2006, para 6,3%, em 2023–2025. No Camboja, passou de 15,5% para 4,7%; no Vietname, de 15,2% para 6,1%. Timor-Leste também melhorou ao longo dessas duas décadas, mas continua numa posição mais desfavorável: a taxa caiu de 28,8% para 16,9%, mantendo-se acima de todos os países da ASEAN com dados disponíveis.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-23738 size-full" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-na-ASEAN.png" alt="" width="1300" height="731" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-na-ASEAN.png 1300w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-na-ASEAN-516x290.png 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-na-ASEAN-900x506.png 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-na-ASEAN-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 1300px) 100vw, 1300px" /></p>
<p>A trajetória recente acrescenta uma diferença: em Timor-Leste, a subnutrição voltou a aumentar, passando de 14,5%, em 2017–2019, para 16,9%, em 2023–2025. Cerca de uma em cada seis pessoas não consumia habitualmente alimentos suficientes para satisfazer as suas necessidades de energia. Entre esses dois períodos, a subnutrição diminuiu em cinco dos nove países da ASEAN com dados disponíveis.</p>
<p>O contraste surge também no Índice Global da Fome de 2026, uma avaliação mais ampla que combina subnutrição, duas medidas de desnutrição infantil e mortalidade de menores de cinco anos. Entre as referências de 2018 e 2026, sete dos nove países da ASEAN com pontuação publicada melhoraram. Timor-Leste e Malásia foram as exceções, mas o agravamento timorense foi maior.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-23740 size-full" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-melhoria.png" alt="" width="1300" height="731" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-melhoria.png 1300w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-melhoria-516x290.png 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-melhoria-900x506.png 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-melhoria-768x432.png 768w" sizes="(max-width: 1300px) 100vw, 1300px" /></p>
<p>Membro mais recente da ASEAN, à qual aderiu em 26 de outubro de 2025, Timor-Leste é, com o Laos, um dos dois países da organização na categoria “grave” do índice.</p>
<p>A comparação permite identificar a distância. Para compreender as razões, é necessário olhar para as condições em que as famílias produzem, compram e consomem alimentos.</p>
<p><strong>Progressos regionais, resultados desiguais</strong></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-23741" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-e-fome.png" alt="" width="1298" height="779" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-e-fome.png 1298w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-e-fome-516x310.png 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-e-fome-900x540.png 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/subnutricao-e-fome-768x461.png 768w" sizes="(max-width: 1298px) 100vw, 1298px" /></p>
<p>A taxa de subnutrição timorense é aproximadamente 2,7 vezes a da Indonésia e 3,6 vezes a do Camboja. Supera também em mais de três vezes a estimativa de 5,3% para o conjunto do Sudeste Asiático, em 2023–2025.</p>
<p>A distância permanece apesar dos avanços timorenses. No Índice Global da Fome, o país passou de 44,1 pontos em 2006 para 27,3 em 2018, antes de subir para 32,5 em 2026. Parte do progresso foi, assim, contrariada pela evolução mais recente.</p>
<p>O agravamento não foi uniforme. Segundo o relatório, o atraso de crescimento e a mortalidade de menores de cinco anos diminuíram, mas a subnutrição aumentou e a emaciação — baixo peso para a altura — mais do que duplicou face à referência de 2018. O documento enquadra estes resultados num contexto de secas, inundações e choques de preços repetidos.</p>
<p><strong>Uma alimentação que não chega a muitas famílias</strong></p>
<p>Uma análise do Programa Alimentar Mundial estimou que, em 2023, 75% dos agregados familiares timorenses não conseguiam suportar o custo de uma alimentação nutritiva. Para uma família de cinco pessoas, o valor diário necessário passou de 5,68 dólares em 2019 para 10,09 dólares em 2023, um aumento de 78%.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-23742" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/custo-de-alimentacao-nutritiva.png" alt="" width="1300" height="731" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/custo-de-alimentacao-nutritiva.png 1300w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/custo-de-alimentacao-nutritiva-516x290.png 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/custo-de-alimentacao-nutritiva-900x506.png 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/custo-de-alimentacao-nutritiva-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1300px) 100vw, 1300px" /></p>
<p>Este indicador mostra uma barreira fundamental dentro de Timor-Leste. A existência de alimentos nos mercados não garante que as famílias consigam comprá-los. E obter calorias suficientes não significa ter acesso a uma alimentação diversificada.</p>
<p>Uma investigação publicada em setembro de 2026, com participação da Australian National University, da Menzies School of Health Research e do Instituto Nacional de Saúde Pública de Timor-Leste, identificou a estabilidade dos rendimentos como um fator que condiciona a frequência das refeições e a escolha dos alimentos.</p>
<p>O estudo qualitativo envolveu entrevistas a 34 mães em Díli, Ainaro e Ermera, realizadas entre agosto e outubro de 2025. Destacou ainda o papel das mulheres na gestão alimentar e a importância da partilha entre vizinhos na resposta à escassez.</p>
<p>Em 23 dos 34 agregados, o emprego assalariado ou regular era uma das fontes de rendimento. Dezoito tinham rendimentos mensais entre 100 e 500 dólares. Ainda assim, os relatos identificaram instabilidade económica e dificuldades de acesso à alimentação, mostrando que a existência de emprego no agregado não assegurava, por si só, estabilidade alimentar.</p>
<p>Os autores defendem medidas que estabilizem rendimentos e apoiem quem assegura a alimentação e os cuidados familiares.</p>
<p><strong>Produção vulnerável e mercados difíceis de alcançar</strong></p>
<p>Segundo a FAO, entre os agregados rurais timorenses que praticam agricultura, criação de animais ou pesca artesanal, 97% são pequenos produtores de subsistência e dois terços cultivam menos de um hectare. O acesso limitado à irrigação, aos meios de produção e aos mercados condiciona a produtividade.</p>
<p>Para estas famílias, perder uma colheita pode reduzir simultaneamente a comida disponível e o rendimento necessário para comprar outros alimentos. A exposição à seca ou às inundações torna-se mais difícil de enfrentar quando existem poucas alternativas económicas.</p>
<p>A distribuição acrescenta obstáculos. A análise <a href="https://development.asia/insight/addressing-timor-lestes-food-security-and-nutrition">“Addressing Timor-Leste’s Food Security and Nutrition”</a>, publicada na Development Asia, plataforma do Banco Asiático de Desenvolvimento, identifica as estradas rurais deficientes como um entrave ao transporte e um fator de perdas depois das colheitas. Na época das chuvas, os deslizamentos podem interromper acessos, dificultar o abastecimento e contribuir para aumentos de preços.</p>
<p>O país importa cerca de 60% das suas necessidades de consumo de cereais, sobretudo arroz, segundo a FAO. As compras externas compensam insuficiências da produção nacional, mas mantêm o abastecimento sensível às condições dos mercados internacionais.</p>
<p><strong>O que se pode aprender com a região?</strong></p>
<p>A experiência indonésia aponta para a importância de atuar sobre várias etapas do abastecimento. Num <a href="https://www.fao.org/indonesia/news/detail/on-world-food-day--fao-calls-on-scaling-innovations-to-guarantee-healthy-diets-for-all-indonesians/en">comunicado sobre o Dia Mundial da Alimentação de 2026</a>, a FAO atribui os progressos na redução da fome ao investimento continuado na produtividade agrícola, irrigação, logística, distribuição alimentar e nutrição. A organização salienta, ao mesmo tempo, que a alimentação saudável continua economicamente inacessível a uma parte significativa da população.</p>
<p>O exemplo sugere uma distinção relevante para Timor-Leste: reduzir a insuficiência de calorias e garantir uma alimentação saudável são objetivos relacionados, mas exigem acompanhar tanto a quantidade como a qualidade do que as famílias comem.</p>
<p>O próprio relatório do Índice Global da Fome destaca, a propósito do Camboja e com base numa análise publicada em 2016, a associação entre melhorias na nutrição infantil e maiores recursos familiares, educação dos pais, água e saneamento e acesso a cuidados maternos e infantis. Sublinha também que esses ganhos são vulneráveis à subida dos preços e às inundações.</p>
<p><strong>Soluções já identificadas, resultados por demonstrar</strong></p>
<p>Em Timor-Leste, o relatório HAFOUN foi lançado em setembro de 2025 pelo Governo, através do gabinete do Vice-Primeiro-Ministro para os Assuntos Sociais, em parceria com o PAM. Preparado com apoio técnico do PAM e baseado numa avaliação independente da consultora Mettalytics, propõe intervenções que abrangem investigação agrícola, armazenamento, ligações aos mercados e programas de nutrição. A análise incluiu consultas a mais de cem intervenientes, entre agricultores, comerciantes e responsáveis públicos.</p>
<p>Na divulgação dos resultados do estudo, o PAM refere um retorno estimado de 3,50 dólares por dólar investido nas recomendações.</p>
<p>Há também sinais recentes de melhoria no abastecimento. Em agosto de 2026, a FAO estimou preliminarmente que a produção das principais colheitas de milho e arroz desse ano ficou acima da média dos cinco anos anteriores. Os preços do arroz em julho estavam abaixo dos níveis elevados de um ano antes.</p>
<p>Persistem, contudo, riscos para as próximas colheitas. A La’o Hamutuk recordou informação governamental que apontava para uma redução da precipitação entre novembro de 2026 e abril de 2027, com riscos de seca, escassez de água e redução da produção agrícola. Trata-se de uma previsão, não de perdas já observadas.</p>
<p>A comparação com a ASEAN coloca agora uma questão que ultrapassa o ranking: conseguirá Timor-Leste transformar melhorias nas colheitas e no abastecimento numa redução duradoura da privação alimentar? A resposta dependerá de os alimentos chegarem às comunidades durante todo o ano e de as famílias disporem de rendimento para os comprar.</p>
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		<title>Jovens em Timor-Leste: acesso ao trabalho e à formação fica atrás de todos os países da ASEAN</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2026 11:34:12 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Factos e Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Timor em Perspetiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quase três em cada dez timorenses entre os 15 e os 24 anos não estão empregados, não estudam e não frequentam formação. Os dados internacionais colocam Timor-Leste no topo deste indicador entre os 11 países da ASEAN. As estatísticas nacionais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Quase três em cada dez timorenses entre os 15 e os 24 anos não estão empregados, não estudam e não frequentam formação. Os dados internacionais colocam Timor-Leste no topo deste indicador entre os 11 países da ASEAN. As estatísticas nacionais mostram diferenças entre municípios e uma elevada informalidade entre os jovens que trabalham.</em></p>
<p>Em 2025, cerca de 29% dos jovens timorenses entre os 15 e os 24 anos estavam simultaneamente fora do emprego, do ensino e da formação. É a proporção mais elevada entre os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático, a ASEAN, segundo as estimativas da Organização Internacional do Trabalho disponibilizadas pelo Banco Mundial.</p>
<p>A diferença verifica-se também na comparação com países de rendimento mais baixo da região. No Laos, a proporção era de 22,6%; no Camboja, de 11%. Em Singapura, situava-se nos 6%. A comparação utiliza o mesmo indicador, a mesma faixa etária e o mesmo ano.<img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-23566 size-full" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Timor-Leste-lidera-jovens-fora-da-formacao.png" alt="" width="1402" height="1122" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Timor-Leste-lidera-jovens-fora-da-formacao.png 1402w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Timor-Leste-lidera-jovens-fora-da-formacao-471x377.png 471w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Timor-Leste-lidera-jovens-fora-da-formacao-900x720.png 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Timor-Leste-lidera-jovens-fora-da-formacao-768x615.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1402px) 100vw, 1402px" /></p>
<p><em>Fonte: Banco Mundial, estimativas modeladas da OIT para jovens dos 15 aos 24 anos, de ambos os sexos. Valores arredondados a uma casa decimal.</em></p>
<p>Este indicador, conhecido pela sigla inglesa NEET, não equivale à taxa de desemprego. Abrange também jovens que não procuram emprego e que, por isso, ficam fora das estatísticas habituais do desemprego. Também não significa que todos estejam sem qualquer atividade: cuidar de familiares ou produzir alimentos para consumo próprio pode ocupar o quotidiano sem contar como emprego na definição estatística utilizada.</p>
<p>Timor-Leste apresenta igualmente a maior proporção de população com menos de 15 anos entre os países da ASEAN. Segundo as estimativas demográficas das Nações Unidas publicadas pelo Banco Mundial, este grupo representava 33,1% da população timorense em 2025. No Laos eram 29,8%, no Camboja 29,5% e na Tailândia 14,4%. Esta faixa etária é diferente da utilizada no indicador NEET, que abrange os jovens dos 15 aos 24 anos.</p>
<p>Os dados nacionais permitem observar diferenças dentro do país. O relatório sobre a força de trabalho do Censo de 2022, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL), identificou 93.776 jovens entre os 15 e os 24 anos fora do emprego, do ensino e da formação: 32,4% desse grupo etário.</p>
<p>Em Bobonaro, a proporção atingia 41,8%; em Covalima, 41,6%; e em Ermera, 39,6%. Em Díli era de 26%. Nos três primeiros municípios, cerca de quatro em cada dez jovens estavam simultaneamente fora do emprego, do ensino e da formação.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-23567 size-large" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Infografico-sobre-jovens-fora-da-formacao-900x900.png" alt="" width="640" height="640" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Infografico-sobre-jovens-fora-da-formacao-900x900.png 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Infografico-sobre-jovens-fora-da-formacao-377x377.png 377w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Infografico-sobre-jovens-fora-da-formacao-150x150.png 150w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Infografico-sobre-jovens-fora-da-formacao-768x768.png 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/10/Infografico-sobre-jovens-fora-da-formacao.png 1254w" sizes="auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px" /></p>
<p>Os resultados sobre a participação dos jovens no trabalho e no ensino coexistem com um aumento da alfabetização. O relatório do Censo dedicado às crianças e à juventude indica que a proporção de jovens dos 15 aos 24 anos que sabiam ler e escrever passou de 79,1%, em 2010, para 87,3%, em 2022. Persistia, porém, uma diferença territorial: 93,2% nas áreas urbanas, contra 83,9% nas áreas rurais. Estes números medem a alfabetização, não a conclusão do ensino secundário nem a preparação para uma profissão.</p>
<p>Entre os jovens que tinham emprego, predominava a informalidade. O Inquérito à Força de Trabalho de 2021, realizado pelas autoridades timorenses com apoio da OIT, revelou que 93,8% dos trabalhadores entre os 15 e os 24 anos tinham emprego informal. Esta classificação considera características da relação laboral e da proteção associada ao trabalho, como a cobertura pela segurança social e o acesso a determinados direitos.</p>
<p>Dados mais recentes registam um aumento do emprego nas empresas. O Inquérito à Atividade Empresarial de 2025, publicado pelo INETL em setembro de 2026, contabilizou 74.600 pessoas empregadas nas empresas abrangidas, mais 9,7% do que as 68.000 apresentadas para 2024 no mesmo relatório. Este valor de 2024 atualiza os 66.600 anteriormente publicados. Contudo, 81,4% do emprego estava registado em Díli. O levantamento inclui trabalhadores de todas as idades e nacionalidades e não permite determinar quantos dos postos foram ocupados por jovens timorenses. A localização das sedes das empresas pode também influenciar a concentração registada na capital.</p>
<p>No relatório económico de abril de 2026, o Banco Mundial prevê que o investimento privado permaneça limitado e concentrado na construção, no comércio a retalho e na hotelaria. A instituição considera que o ritmo e a composição do crescimento previstos são insuficientes para absorver a população ativa jovem e em expansão, associando a criação de emprego ao aumento da produtividade e ao desenvolvimento do setor privado.</p>
<p>A ligação entre formação e emprego é também abordada pela OIT. Em 13 e 14 de abril de 2026, uma iniciativa da organização, em colaboração com a SEFOPE, formou 47 formadores e técnicos na utilização do portal de emprego SIMU-Web. A formação incluiu o registo de candidatos e empregadores, a publicação de vagas e a divulgação de oportunidades de formação. No relato publicado sobre a iniciativa, um formador de Manufahi identifica dificuldades em orientar os diplomados na procura de trabalho ou de formação adicional.</p>
<p>Quanto às oportunidades regionais, o Banco Mundial salienta que a pertença à ASEAN não assegura, por si só, acesso ao emprego nos outros países. Aproveitar as possibilidades de mobilidade laboral exige qualificações reconhecidas, avaliação de competências, licenciamento profissional e mecanismos de proteção dos trabalhadores.</p>
<p>Os levantamentos disponíveis mostram, assim, diferentes dimensões da situação dos jovens: aumento da alfabetização, elevada informalidade entre os que trabalham e a maior proporção da ASEAN fora do emprego, do ensino e da formação. O crescimento do emprego empresarial registado em 2025 não permite, sem informação por idade, determinar em que medida estas novas oportunidades chegaram aos jovens timorenses.</p>
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		<title>Atraso de crescimento infantil: Timor-Leste continua no topo da ASEAN e afasta-se ainda mais da região</title>
		<link>https://www.diligenteonline.com/atraso-de-crescimento-infantil-timor-leste-continua-no-topo-da-asean-e-afasta-se-ainda-mais-da-regiao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2026 12:45:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Factos e Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Timor em Perspetiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quase 45% das crianças timorenses com menos de cinco anos têm atraso de crescimento, segundo um novo inquérito nacional. As estimativas internacionais mais recentes confirmam que Timor-Leste continua a ter a taxa mais alta da ASEAN e que a distância [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Quase 45% das crianças timorenses com menos de cinco anos têm atraso de crescimento, segundo um novo inquérito nacional. As estimativas internacionais mais recentes confirmam que Timor-Leste continua a ter a taxa mais alta da ASEAN e que a distância para o segundo país aumentou. O problema é mais frequente nas famílias mais pobres e nas zonas rurais e pode afetar a saúde, a aprendizagem e as oportunidades futuras das crianças.</em></p>
<p>Em 2012, Timor-Leste, Laos, Indonésia e Camboja enfrentavam o mesmo problema em grande escala. Entre um terço e mais de metade das crianças com menos de cinco anos tinham atraso de crescimento. Doze anos depois, os quatro países continuam a enfrentar o problema, mas já não estão próximos uns dos outros.</p>
<p>O atraso de crescimento mede a proporção de crianças com menos de cinco anos cuja altura é demasiado baixa para a idade, segundo o padrão de crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS). É um indicador que reflete dificuldades de crescimento acumuladas ao longo do tempo.</p>
<p>Segundo as estimativas conjuntas da UNICEF, da OMS e do Banco Mundial, publicadas em março deste ano, 45,4% das crianças timorenses tinham atraso de crescimento em 2024. No Laos, o segundo valor mais elevado entre os 11 membros da ASEAN, a estimativa era de 29,9%. A Indonésia e o Camboja tinham descido para 22,6% e 22,0%.</p>
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<p><strong>Timor-Leste reduziu a taxa mais devagar do que os vizinhos</strong></p>
<p>A distância entre Timor-Leste e o Laos aumentou de 12,2 para 15,5 pontos percentuais entre 2012 e 2024. Os dois países começaram o período com prevalências muito elevadas, de 52,7% e 40,5%. O Laos reduziu a sua estimativa em 10,6 pontos e Timor-Leste em 7,3.</p>
<p>A Indonésia e o Camboja mostram outra trajetória. Tinham, respetivamente, 34,6% e 34,0% em 2012 e reduziram ambos a prevalência estimada em 12 pontos até 2024.</p>
<p>A diferença é mais clara em termos relativos. Entre 2012 e 2024, Timor-Leste reduziu a prevalência em cerca de 14%, o Laos em 26% e a Indonésia e o Camboja em cerca de 35%. Em média, Timor-Leste baixou 0,6 pontos por ano, contra 0,9 no Laos e cerca de um ponto na Indonésia e no Camboja.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-23512" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/paises-valores-elevados-516x290.png" alt="" width="750" height="422" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/paises-valores-elevados-516x290.png 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/paises-valores-elevados-768x432.png 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/paises-valores-elevados.png 890w" sizes="auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Os dados mostram que o ritmo de redução timorense ficou aquém do alcançado por outros países da região que também partiram de valores elevados.</p>
<p><strong>Dados nacionais confirmam a dimensão do problema e o fosso no país</strong></p>
<p>O Inquérito Demográfico e de Saúde, realizado entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, apurou que 44,9% das crianças com menos de cinco anos tinham atraso de crescimento. No total, 16,5% tinham atraso de crescimento grave.</p>
<p>O novo inquérito mostra que a prevalência varia muito entre grupos de crianças timorenses. No quintil mais pobre, 56,5% das crianças tinham atraso de crescimento, contra 32,3% no quintil mais rico. A prevalência era de 47,6% no meio rural e de 36,7% no urbano.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-23513" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/media-e-desigualdades-516x283.png" alt="" width="750" height="411" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/media-e-desigualdades-516x283.png 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/media-e-desigualdades-768x421.png 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/media-e-desigualdades.png 865w" sizes="auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>As diferenças entre municípios também são amplas. Ermera registou 57,4%, Oe-Cusse 56,9% e Viqueque 54,7%, enquanto Díli e Manatuto registaram 34,9%, os valores mais baixos do país. Mesmo estes municípios ficavam acima da estimativa de 2024 para o Laos.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-23519" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/Atraso-crescimento-municipios-516x290.png" alt="" width="750" height="422" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/Atraso-crescimento-municipios-516x290.png 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/Atraso-crescimento-municipios-900x506.png 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/Atraso-crescimento-municipios-768x432.png 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/09/Atraso-crescimento-municipios.png 908w" sizes="auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O problema começa cedo. Entre os 12 e os 23 meses, 49% das crianças já tinham atraso de crescimento. Entre os 24 e os 35 meses, a proporção era de 55,5%.</p>
<p>A alimentação das crianças mais pequenas ajuda a explicar estes números. No inquérito de 2025–2026, apenas 19,1% das crianças dos seis aos 23 meses tinham consumido, no dia anterior, alimentos ou bebidas de pelo menos cinco dos oito grupos usados para medir a diversidade alimentar mínima.</p>
<p>O custo de uma alimentação nutritiva também pesa. Segundo dados de 2023 citados pelo Programa Alimentar Mundial, 75% dos agregados timorenses não conseguiam pagar uma dieta nutritiva, cujo custo aumentara 78% desde 2019.</p>
<p><strong>O que fizeram outros países da ASEAN e Timor-Leste</strong></p>
<p>No Laos, o Governo reuniu nas mesmas comunidades medidas de nutrição, apoio às famílias, cuidados de saúde, água e saneamento, segundo o Banco Mundial. Nas estimativas conjuntas da UNICEF, da OMS e do Banco Mundial, a proporção de crianças com atraso de crescimento desceu de 40,5% em 2012 para 29,9% em 2024.</p>
<p>A Indonésia adotou uma estratégia nacional que coordena intervenções de saúde, nutrição, proteção social, água e saneamento, desde a administração central até às aldeias, de acordo com o Banco Mundial. No país, a taxa estimada passou de 34,6% para 22,6% entre 2012 e 2024.</p>
<p>No Camboja, a taxa nacional estimada caiu de 34,0% em 2012 para 22,0% em 2024. No mesmo período, o país executou vários programas de saúde e nutrição materno-infantil. Um deles, apoiado pelo Banco Mundial, reforçou os serviços para grávidas, mães e crianças pequenas. Até junho de 2024, tinha financiado a contratação e formação de 4.459 agentes comunitários em nove províncias.</p>
<p>Embora os dados não permitam atribuir a descida em cada país a uma única medida, as três experiências têm pontos em comum: coordenaram vários setores e levaram as intervenções até às comunidades.</p>
<p>Em Timor-Leste, o Plano de Ação Nacional Multissetorial de Nutrição para Combater o Atraso de Crescimento 2024–2030, lançado em 2025, segue a lógica de coordenação entre setores adotada pelos vizinhos. O plano pretende reduzir o atraso de crescimento para menos de 25% até 2030.</p>
<p>Atingir a meta de 2030 implica que Timor-Leste chegue a valores próximos dos que a Indonésia e o Camboja já registavam em 2024. Para isso, terá de reduzir a taxa em mais de 20 pontos percentuais face aos 44,9% apurados no inquérito de 2025–2026. Entre 2012 e 2024, a redução estimada foi, em média, de 0,6 pontos por ano. A meta exige, portanto, uma descida muito mais rápida.</p>
<p><strong>O que os números revelam sobre o presente e o futuro das crianças timorenses</strong></p>
<p>Não há uma causa única. Segundo a OMS, uma alimentação inadequada, infeções repetidas e problemas de saúde e nutrição desde a gravidez podem afetar o crescimento. As condições em que as famílias vivem e cuidam das crianças também contam.</p>
<p>As consequências podem prolongar-se para lá da infância. O atraso de crescimento está associado a maiores riscos para a saúde, o desenvolvimento e a aprendizagem, com possíveis efeitos nas oportunidades futuras.</p>
<p>O Banco Mundial alertava, em 2024, que o atraso de crescimento infantil está associado a uma menor capacidade de aprendizagem e à perda de produtividade na idade adulta. Por isso, a instituição defendia investimentos na nutrição das mães e das crianças desde a gravidez até aos dois anos de idade. Com quase metade das crianças afetadas, o efeito não se limita ao percurso de cada uma e pode pesar na capacidade futura do país.</p>
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		<title>Timor-Leste importa quase dez vezes o que exporta. Peso timorense nas exportações da ASEAN é apenas de 0,004%</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2026 10:33:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Timor em Perspetiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2025, sem o petróleo, as importações foram cerca de 24 vezes superiores às exportações e o café gerou quase 90% dessas receitas. Segundo o relatório External Trade Statistics 2025, do Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL), o país [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Em 2025, sem o petróleo, as importações foram cerca de 24 vezes superiores às exportações e o café gerou quase 90% dessas receitas.</em></p>
<p>Segundo o relatório <em>External Trade Statistics 2025</em>, do Instituto Nacional de Estatística de Timor-Leste (INETL), o país importou mercadorias no valor de 984,9 milhões de dólares e registou exportações totais de aproximadamente 103,6 milhões.</p>
<p>Este total inclui 99,5 milhões de exportações nacionais — mercadorias com, pelo menos, 50% de conteúdo timorense — e cerca de 4 milhões de reexportações, isto é, produtos anteriormente importados que voltaram a sair do país.</p>
<p>Por cada dólar obtido com as exportações totais de mercadorias, Timor-Leste gastou cerca de 9,5 dólares em importações. O défice comercial — a diferença entre importações e exportações — atingiu aproximadamente 881,3 milhões de dólares.</p>
<p>O INETL registou 58,7 milhões de dólares em exportações petrolíferas. Retirando esse valor dos 99,5 milhões de exportações nacionais, restam cerca de 40,8 milhões em bens não petrolíferos produzidos no país.</p>
<p>Quando se comparam as importações com estas exportações nacionais não petrolíferas, Timor-Leste comprou ao estrangeiro cerca de 24 vezes mais do que vendeu.</p>
<p>Em 2024, os 10 países que então integravam a ASEAN exportaram mercadorias no valor de 1 953 mil milhões de dólares e importaram 1 890 mil milhões, registando um excedente comercial de cerca de 63,4 mil milhões.</p>
<p>Nesse ano, o comércio de mercadorias de Timor-Leste equivalia a apenas 0,03% do comércio conjunto dos membros da organização. As exportações timorenses representavam cerca de 0,004% das exportações da região, segundo cálculos do Diligente baseados em dados da ASEANstats.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-23153 size-full" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/ASEANstats-Timor-2024.png" alt="" width="1080" height="1350" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/ASEANstats-Timor-2024.png 1080w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/ASEANstats-Timor-2024-302x377.png 302w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/ASEANstats-Timor-2024-720x900.png 720w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/ASEANstats-Timor-2024-768x960.png 768w" sizes="auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px" /></p>
<p><strong>O que compra Timor-Leste?</strong></p>
<p>Um défice comercial não é necessariamente negativo. Um país pode importar máquinas, equipamentos e matérias-primas que aumentem a sua capacidade produtiva. O impacto depende, porém, da composição das importações, da forma como são financiadas e da capacidade de transformar esse investimento em produção e exportações futuras.</p>
<p>Em 2025, os bens intermédios representaram 430,7 milhões de dólares, ou 43,7% das importações timorenses. São matérias-primas, componentes e outros produtos destinados a ser transformados ou utilizados na produção, como materiais de construção, peças e alguns combustíveis.</p>
<p>Os bens de consumo, destinados sobretudo ao uso direto das famílias — como alimentos, bebidas, roupa, medicamentos e artigos domésticos — corresponderam a 361,9 milhões de dólares, ou 36,7% das importações.</p>
<p>Os bens de capital atingiram 155,8 milhões, o equivalente a 15,8%. Esta categoria inclui máquinas e equipamentos utilizados durante vários anos na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Outros 36,5 milhões foram classificados pelo INETL como bens omitidos, não tendo sido integrados nas três categorias principais.</p>
<p>Os combustíveis constituíram a maior categoria de importação, com 209,6 milhões de dólares. Seguiram-se os veículos, com 115,1 milhões; as máquinas e os aparelhos mecânicos, com 69,3 milhões; os cereais, com 66,3 milhões; e os equipamentos elétricos, com 51,8 milhões. Em conjunto, estas cinco categorias atingiram 512,2 milhões de dólares e representaram cerca de 52% das importações.</p>
<p>A Indonésia foi o principal fornecedor de Timor-Leste, com mercadorias no valor de 323,9 milhões de dólares, aproximadamente um terço do total. Seguiram-se a China, com 156,8 milhões, e Taiwan, com cerca de 116 milhões.</p>
<p><strong>O que vende o país?</strong></p>
<p>Depois do petróleo, o café continua a ser, de longe, o produto mais importante vendido por Timor-Leste ao exterior.</p>
<p>O relatório do INETL coloca as exportações de café de 2025 em cerca de 36 milhões de dólares, mais do dobro dos 17,7 milhões registados em 2024. O café gerou perto de 90% das receitas das exportações nacionais não petrolíferas. Todos os restantes bens não petrolíferos produzidos no país renderam, em conjunto, cerca de 5 milhões de dólares.</p>
<p>Esta concentração representa um risco. O Banco Mundial alerta que a dependência do café deixa as receitas das exportações muito expostas às oscilações dos preços internacionais e às condições meteorológicas. Uma descida do preço ou uma má colheita pode reduzir rapidamente as receitas do país, sem que existam outros produtos capazes de compensar essa perda.</p>
<p>As exportações de produtos manufaturados continuam a ser insignificantes. As receitas do turismo, apesar do crescimento, permanecem muito aquém do valor das importações. As remessas dos emigrantes e a ajuda externa compensam parcialmente o desequilíbrio, mas não são suficientes para o eliminar.</p>
<p>O efeito das exportações petrolíferas registadas em 2025 também não altera o problema estrutural. A produção do campo de Bayu-Undan terminou e o país enfrenta agora uma transição económica pós-petróleo.</p>
<p><strong>Porque é que o desequilíbrio persiste?</strong></p>
<p>O Banco Mundial descreve um ciclo económico difícil de quebrar. A elevada despesa pública, financiada por levantamentos do Fundo Petrolífero, estimula o consumo e a procura interna.</p>
<p>Como Timor-Leste produz poucos dos bens de que necessita, uma parte significativa desse dinheiro sai novamente do país através das importações. As importações aumentam o défice externo e os levantamentos do Fundo Petrolífero permitem que a despesa se mantenha.</p>
<p>A capacidade de exportação é, simultaneamente, limitada pelos elevados custos dos transportes, da energia e da logística, pelo acesso reduzido ao financiamento, pela pequena dimensão das empresas e pela dificuldade em cumprir normas internacionais.</p>
<p>A valorização do dólar, moeda utilizada por Timor-Leste, também torna os produtos e os serviços timorenses mais caros para os compradores estrangeiros.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-23154" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/desequilibrio-economica-Timor.png" alt="" width="1600" height="900" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/desequilibrio-economica-Timor.png 1600w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/desequilibrio-economica-Timor-516x290.png 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/desequilibrio-economica-Timor-900x506.png 900w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/desequilibrio-economica-Timor-768x432.png 768w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/08/desequilibrio-economica-Timor-1536x864.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px" /></p>
<p><strong>O desafio da entrada na ASEAN</strong></p>
<p>A adesão à ASEAN dá a Timor-Leste acesso formal a um mercado de cerca de 680 milhões de consumidores. Contudo, o Banco Mundial salienta que os benefícios não resultarão automaticamente da adesão. Dependerão da capacidade das empresas timorenses para produzir em quantidade suficiente, manter uma qualidade constante e competir em preço e fiabilidade.</p>
<p>Entre os principais obstáculos encontram-se o acesso limitado ao financiamento, os elevados custos comerciais e logísticos e a insuficiência de laboratórios acreditados, serviços de inspeção e sistemas de certificação reconhecidos internacionalmente.</p>
<p>O Banco Mundial defende também procedimentos alfandegários mais eficientes, maior utilização do processamento antecipado das mercadorias e o desenvolvimento do comércio sem papel, com documentos e informações transmitidos eletronicamente.</p>
<p>Na pesca e noutros setores de produtos perecíveis, o cumprimento das normas sanitárias e de qualidade e o investimento em armazenamento, transportes e cadeia de frio serão essenciais para aumentar as exportações.</p>
<p>A integração regional pode, inclusivamente, aumentar o desequilíbrio comercial no curto prazo. A redução dos custos de importação pode fazer crescer as compras ao exterior antes de as empresas timorenses adquirirem capacidade para exportar mais.</p>
<p>A ASEAN oferece a Timor-Leste um mercado maior e um quadro de reformas. No entanto, não substitui a criação de uma base produtiva interna. Sem empresas capazes de produzir, certificar, transportar e vender produtos competitivos, o país continuará a importar muito mais do que exporta.</p>
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		<title>Porque é que a escolaridade importa para o futuro de Timor-Leste na ASEAN?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Antónia Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 11:27:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Timor em Perspetiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os onze membros da ASEAN, apenas o Camboja e o Laos apresentam uma população adulta com menos anos médios de escolaridade do que Timor-Leste. Segundo o Human Development Report 2025 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os onze membros da ASEAN, apenas o Camboja e o Laos apresentam uma população adulta com menos anos médios de escolaridade do que Timor-Leste.</p>
<p>Segundo o <em>Human Development Report 2025</em> do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), baseado em dados de 2023, os timorenses com 25 ou mais anos completaram, em média, 6,2 anos de escolaridade. O Camboja regista 5,2 anos e o Laos 6,1. No extremo oposto, encontra-se Singapura, com 12,0 anos, seguida da Malásia (11,1 anos).</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22857 aligncenter" src="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/anos-medio-de-escolaridade.png" alt="" width="888" height="363" srcset="https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/anos-medio-de-escolaridade.png 888w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/anos-medio-de-escolaridade-516x211.png 516w, https://www.diligenteonline.com/wp-content/uploads/2026/07/anos-medio-de-escolaridade-768x314.png 768w" sizes="auto, (max-width: 888px) 100vw, 888px" /></p>
<p><strong>O que mede este indicador?</strong></p>
<p>Os anos médios de escolaridade correspondem ao número médio de anos de ensino formal concluídos pela população com 25 ou mais anos.</p>
<p>O indicador integra o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do PNUD e constitui uma das medidas internacionais utilizadas para avaliar o capital humano de um país.</p>
<p>Contudo, não mede a qualidade do ensino nem descreve a realidade atual das crianças e dos jovens que frequentam a escola. Reflete a escolaridade acumulada de toda a população adulta, incluindo gerações que cresceram antes da independência e durante os períodos de conflito. Por essa razão, trata-se de um indicador que evolui lentamente ao longo do tempo.</p>
<p><strong>Porque é importante?</strong></p>
<p>O capital humano engloba a educação, a saúde, as competências e a capacidade produtiva da população.</p>
<p>Segundo o Banco Mundial, o desenvolvimento do capital humano é um dos principais fatores de crescimento económico e de criação de emprego. A instituição estima que cerca de dois terços das diferenças de rendimento entre países desenvolvidos e em desenvolvimento possam ser explicadas por diferenças no capital humano.</p>
<p>Uma população mais qualificada tende a ser mais produtiva, a adaptar-se mais facilmente à inovação e a gerar rendimentos mais elevados. O Banco Mundial refere ainda que cada ano adicional de escolaridade pode aumentar, em média, os rendimentos individuais em cerca de 9% a 10%, embora esse retorno varie entre países e níveis de ensino.</p>
<p>À medida que Timor-Leste aprofunda a integração económica na ASEAN, a qualificação da população poderá assumir um papel cada vez mais importante na atração de investimento, no aumento da produtividade e na competitividade da economia.</p>
<p><strong>O desafio para Timor-Leste</strong></p>
<p>Para o Banco Mundial, o reforço do capital humano deverá estar entre as prioridades estratégicas de Timor-Leste.</p>
<p>A instituição defende que o país poderá desenvolver plenamente o potencial da sua população através de investimentos consistentes na educação, na saúde e no desenvolvimento de competências. Num dos seus relatórios mais recentes, identifica o capital humano como uma das três prioridades de investimento para o país, juntamente com as infraestruturas e o aumento da produtividade agrícola.</p>
<p>O Banco Mundial observa ainda que a despesa pública em capital humano — nomeadamente em educação, saúde e formação — tem permanecido abaixo do investimento realizado em infraestruturas físicas.</p>
<p>Num contexto de maior integração regional, o reforço do capital humano poderá ser um fator determinante para que Timor-Leste aproveite plenamente as oportunidades oferecidas pela ASEAN e aumente a produtividade e a competitividade da sua economia nas próximas décadas.</p>
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